28.2.09
O PERFIL DO VISITANTE DOS MEUS VÍDEOS NO YOUTUBE
LUTA LIVRE
the transport
O blogue traz notícias sobre artes criativas da Áustria e Portugal e reflexões sobre a cultura palestiniana.
BAIRRO CULTURAL EM LISBOA
O caderno ípsilon, na sua edição de ontem, dá um considerável destaque a este trabalho, de onde eu retirei o que se segue (as aspas identificam a total apropriação que fiz do texto de Vítor Belanciano). O Bairro Alto, na expressão do autor, "é a zona da cidade que mais facilmente se poderá assemelhar a um bairro cultural, não só pela quantidade e diversidade de agentes que aqui se localizam, como pelo potencial simbólico que usufrui na cidade, bem como pelos efeitos externos gerados pela conjugação dessas características. Isso foi decisivo para me debruçar sobre este eixo, dedicando atenção ao papel da inovação e da criatividade nas dinâmicas geradas na zona, bem como na sua afirmação competitiva e na sua sustentabilidade, não deixando de lado os conflitos existentes". Entre o Bairro Alto e o Chiado existem sinergias, mas também diferenças, "dois sistemas autónomos: o lado mais nocturno ligado à transgressão, a actividades emergentes, no Bairro Alto, e o lado mais institucional, diurno, no Chiado, onde existe a maior concentração de livrarias do país". A zona está cheia de animação nocturna, artes performativas, moda, antiquários, sector do livro, segmentos da produção audiovisual e mercados alternativos das indústrias criativas.
A ler aqui e aqui.
PÚBLICOS DE CINEMA NO PORTO

Gostei ontem de ler no jornal em papel e agora na internet (aqui) o texto sobre públicos de cinema no Porto (fotografia de Fernando Veludo editada no suplemento ípsilon do Público de ontem).
Retiro o seguinte parágrafo: "no Porto [...] 14 salas em funcionamento, 12 das quais em centros comerciais (oito salas Lusomundo no Dolce Vita do Estádio do Dragão, quatro salas Medeia no Shopping Cidade do Porto, com um anexo no Cine- Estúdio do Teatro do Campo Alegre), e apenas um cinema na Baixa (o Estúdio 111, no Teatro Sá da Bandeira), a passar filmes porno. Dos 21 cinemas activos na cidade em 1978, não há nenhum aberto. O Cineclube do Porto não fechou mas é como se tivesse fechado, o Cineclube do Norte fechou, a Casa das Artes (equipamento que depende da Direcção- Geral das Artes) fechou, a Casa da Animação tem problemas de financiamento, o festival de documentário e novos media Odisseia nas Imagens, lançado pela Capital Europeia da Cultura em 2001, ficou na gaveta de Rui Rio - e continua a não haver Cinemateca".
Mais abaixo, lêem-se expressões como: público a reconstruir no Porto; o Porto tem vários públicos; problema de público no Porto; falta de empreendedorismo cultural; ressaca da Capital Europeia da Cultura; desinteresse da câmara por estas questões; gerações mais novas desligadas da produção artística e do cinema. E duas queixas: há pessoas que trabalham em Lisboa na área do cinema vindas do Porto, que não consegue fixar massa criativa; centralização de estruturas culturais em Lisboa.
CONCENTRAÇÃO DE PROPRIEDADE NA TELEVISÃO EM ESPANHA
4º LUGAR NO CABO PARA A TVI24 NO DIA DA ESTREIA
NUNO AZINHEIRA SOBRE A ESTREIA DA TVI24
TEORIA DA INFORMAÇÃO
Em A Obra Aberta (2009), Umberto Eco fala das poéticas contemporâneas e das suas propostas de reconstrução variável do material ao fruidor. Este tem um campo de probabilidades interpretativas (Eco, 2009: 121). Para perceber melhor a interpretação das poéticas, Eco socorre-se da teoria da informação. Esta (para quem Mauro Wolf prefere a designação de teoria matemática da comunicação) procura calcular a quantidade de informação contida numa determinada mensagem, delimitada pelos conhecimentos que o indivíduo possa ter sobre a credibilidade de uma fonte. A informação é uma quantidade aditiva, em que a quota de novidade depende das expectativas e capacidades do destinatário (Eco, 2009: 122). Eco (2009: 132) também lhe chama acrescentativa, ligada à originalidade e não à probabilidade. Eu acrescento o papel central da notícia: o que é novo, transmitido rapidamente e partilhado, original.
Eco apropria-se dos princípios da termodinâmica [1) a energia aplicada num motor produz trabalho mas há energia que se dissipa sob a forma de calor; 2) o consumo da energia pode conduzir à entropia do sistema, à sua desagregação] para identificar a entropia com o aumento ou redução da informação, típica perspectiva dos teóricos dos anos de 1960 e 1970, quando as ciências sociais se sentiam impelidas a trabalhar com conceitos retirados das ciências naturais ou exactas. Mais interessante é o seu interesse pela teoria matemática para explicar as poéticas contemporâneas, num momento em que a estética conceptual dominava o pensamento criativo e artístico. Dono de uma vasta cultura, Eco é cauteloso no passo seguinte: a entropia é apenas uma medida estatística e a teoria da informação não se interessa pelo significado das poéticas mas tão só pela sua produtividade. Entropia designaria a quantidade de informação, mediria a ordem/desordem segundo a qual uma mensagem é ordenada (Eco, 2009: 128). Segue Norbert Wiener, o investigador da cibernética (máquinas inteligentes), para quem o conteúdo informativo de uma mensagem é dado pelo seu grau de organização.
Mais explícito ainda: a teoria da informação estuda a transmissão das mensagens e considera-as como sistemas organizados com muita abundância de probabilidades fixas, a redundância, garantia da possibilidade da equiprobabilidade, probabilidade de uma ocorrência num ou noutro sentido. Mas não se preocupa com o significado, não faz a ligação entre informação e significado (2009: 133). Parece estranha esta postura em Eco; ele que trabalhou sempre o território do significado parece encantado com esta posição neutra de Wiener. Talvez a página seguinte explique melhor o seu intento: para além do significado, a arte e a palavra poética apresentam-se numa relação nova de sons e conceitos e palavras e frases. Wolf (1987: 102) segue a mesma rota: o código e a teoria da informação são um sistema sintáctivo que não contempla o problema do significado da mensagem. E afirma que entre duas acepções de comunicação - transferência de informação entre dois pólos e transformação de um sistema noutro - a teoria da informação prefere a primeira (Wolf, 1987: 103). A desorganização dentro de um sistema de probabilidades é um acréscimo de informação (Eco, 2009: 135). Num sistema de alta entropia o valor da informação é altíssimo. Mas terá significado? Dúvidas: quanto maior a informação mais difícil a sua comunicação; quanto mais a mensagem comunica de modo mais claro menos informa (Eco, 2009: 138).
À luz da teoria da informação, como funcionam o SMS e o Twitter?
Observação: pela forma como faço as referências aos dois autores, depreende-se que a mensagem segue de muito perto os textos daqueles escritores.
Leituras: Mauro Wolf (1987). Teorias da Comunicação. Lisboa: Presença, 1ª edição
Umberto Eco (2009). A Obra Aberta. Lisboa: Difel, 2ª edição
Sobre a mesma matéria ver aqui, aqui e aqui.
27.2.09
FECHO DOS JORNAIS DE PAPEL? NOVAS TENDÊNCIAS NOS MEDIA?
Anteontem, José Vítor Malheiros, do Público, escreveu sobre o fim próximo dos jornais em papel (eu dediquei-lhe uma curta mensagem, aqui). Hoje, o seu colega de redacção António Granado aparece num vídeo (aqui) a falar do desaparecimento do jornal Rocky Mountain News (Denver, Estados Unidos), a curtos dias de comemorar 150 anos (ver o vídeo mais abaixo nesta mensagem).Há que tirar ilações destas preocupações. No mesmo Público (ontem), vinha o relato muito desconfortável de um jornalista despedido do Diário de Notícias, após uma carreira de mais de 30 anos.
Mas o mesmo jornalista António Granado, escreveu recentemente (aqui), cheio de entusiasmo sobre o seu trabalho como docente de jornalismo: "No semestre passado, reservei 25 por cento da nota da cadeira de Produção Jornalística àquilo a que chamei “reputação online”, uma forma de obrigar os alunos a criar blogs, fazer perfis nas redes sociais, guardar links no Delicious, pôr fotografias no Flickr, acrescentar vídeos no Vimeo, com um objectivo final: o seu nome profissional ". A pergunta é: o que está a mudar no jornalismo e nos media? Que tendências se podem apontar?
SIC COMPRA 40% DA SIC NOTÍCIAS
Herdeira de um canal para Lisboa, lançado pela PT, a SIC Notícias foi o primeiro canal de notícias nacional em Portugal. Seguiram-se a RTPN (RTP Notícias) e a TVI24, do grupo concorrente Media Capital, esta lançada ontem. Portugal, com três canais de informação por cabo, parece um caso distinto na Europa comunitária conforme pude ler nos jornais de ontem e de hoje.
O ARRANQUE DA TVI24


Destaquei o aspecto gráfico (cores vivas: branco, vermelho e amarelo), a cortina do fundo mostrando a ponte sobre o Tejo e o Cristo Rei (sentido moderno e cosmopolita), a legitimação do canal dada pela presença do director-geral, José Eduardo Moniz, que destacou a liberdade de informação, o debate civilizado entre dois comentadores (Bagão Félix e Pina Moura), o à vontade do jornalista senior Henrique Garcia. Pareceu-me um muito bom começo: notícias equilibradas e sérias, longe da feição mais populista e tablóide dos noticiários da TVI generalista, no que se pode entender como estrutura de catálogo, com os mesmos materiais a terem um tratamento editorial distinto.

Resta agora saber a evolução e ver o comportamento das audiências nos canais de informação do cabo.
[os primeiros 57 segundos da primeira emissão do noticiário Jornal do Dia, da TVI24, incluindo o genérico]
26.2.09
CO-PRODUÇÃO CINEMATOGRÁFICA GALIZA-PORTUGAL
LIVROS NO FUTURO
APAGÃO DA TELEVISÃO ANALÓGICA EM ABRIL DE 2012
A resolução tomada hoje em Conselho de Ministros admite, contudo, a permanência do sinal analógico por mais um ano, para minimizar problemas e atrasos. Recordo que, há menos de duas semanas, muitos americanos foram surpreendidos por um apagão do mesmo tipo (não tinham receptores para o novo tipo de sinal e o ecrã dos televisores ficou branco).
Dúvidas sobre a capacidade económica dos portugueses migrarem rapidamente (o exemplo do Reino Unido dá conta de lenta evolução para o novo sistema), o que irá acontecer ao espectro electromagnético dos quatro canais de acesso livre, e a capacidade de atrair mais publicidade em novos canais (hoje entra em actividade o TVI 24, no serviço de cabo), ficam à espera de resposta.
Para ver com mais detalhe, consultar o Público Última Hora.
ANÚNCIO
Não sou responsável pelo anúncio, nem sabia dele, mas acho que "criatividade e interesse pelas indústrias culturais" é excessivo.
TVI 24

A TVI 24, o novo canal de informação, debate e reportagem na televisão por cabo, arranca hoje às 21:00 com a transmissão do Jornal apresentado por Henrique Garcia. João Maia Abreu é o director da estação.
OS MEUS LIVROS
IMAGENS DO MINHO

25.2.09
O PIOR CEGO É O QUE NÃO QUER OUVIR
A base da sua ideia é que a compra dos jornais foi afectada pela banalização da televisão, pelo desenvolvimento das notícias na rádio, nos canais de satélite e cabo, na internet, nos jornais gratuitos, nos suportes e ecrãs que aparecem quase todos os dias. A indústria dos jornais, diz o jornalista, sabe isso há muito mas a prática é diferente do discurso. As reestruturações não vão conduzir a parte alguma, pois o futuro parece traçado. Os jovens não lêem jornais mas recolhem a informação nesses outros canais acima identificados.
Observação: no dia 16 de Dezembro de 2004, José Vítor Malheiros esteve numa aula minha. Recordo o que ele designava por "16-25, a faixa etária que consome muitos media em geral mas menos jornais". Hoje, tal grupo etário foi alargado. Incluindo os mais velhos, que deixaram de comprar jornais porque a televisão é mais barata e mais atraente (se em regime de infotainment).
OS RELATÓRIOS DOS PROVEDORES DOS TELESPECTADORES E DOS OUVINTES DO SERVIÇO PÚBLICO
Documentos de grande interesse, li fundamentalmente as conclusões e recomendações de ambos.
Assim, para Paquete de Oliveira, a análise da televisão pública distingue-se em duas parcelas importantes: informação e programação. Com realce residual a área da publicidade. No campo da informação, o provedor chama a atenção para a falta de um Livro de Estilo actualizado, as desconfianças de telespectadores sobre as possibilidades de interferências por parte do Governo, o estudo sobre o pluralismo partidário pela ERC em sequência de queixa do grupo parlamentar do Partido Social Democrata, a grande audiência do Telejornal da RTP1 que indica uma boa «imagem de marca» da RTP - e contradiz alguns reparos, como os que estiveram na base das desconfianças e da queixa acima indicadas -, a separação entre comentadores, porta-vozes e representantes partidários, a falta de pluralismo clubístico (leia-se: Benfica, Porto e Sporting), o destaque excessivo dado ao futebol, a falta de cuidado com a língua (falada e escrita). Já no domínio da programação, Paquete de Oliveira indica como principais eixos de análise: cumprimento das obrigações vindas do estatuto de serviço público, articulação entre diversos tipos de cultura (erudita, popular e de massa), grelha de conteúdos e horários de exibição adequados aos segmentos de público a que se destinam, necessidade de mais programas culturais (teatro, dança, música erudita, cinema, pintura, literatura, história) integrados na programação da RTP1, e revitalização dos centros de produção do Porto, Bragança, Castelo Branco, Coimbra, Évora e Faro.
Já o provedor do ouvinte situou como principais as questões, na área da programação, da Antena 2 (ver a seguir), a playlist e o peso do futebol. Na informação, criticou os critérios de alinhamento dos noticiários (e a predominância de acontecimentos relacionados com o mundo do futebol). Nos dois, apontou deficiências de locução e mau uso da língua portuguesa. O provedor deu ênfase a textos públicos como A macdonaldização da Antena 2, do professor universitário e ex-secretário de Estado da Cultura Mário Vieira de Carvalho, e Playlist da Antena 1: uma vergonha nacional, publicado no blogue A nossa Rádio, de Álvaro José Ferreira. Ressaltou as "regulares mensagens sobre os critérios do alinhamento dos noticiários e um bom número de críticas pormenorizadas de ouvintes da Antena 2, criticando não apenas opções mas também o modelo prevalecente na rádio clássica desde a entrada da actual equipa dirigente".
Claro que o ideal é ler os documentos na íntegra e defender a existência de provedores nas outras rádios (Renascença, Comercial, TSF) e televisões (SIC, TVI).
USAGES ET IMPACTS D'INTERNET

Marseille, France - 5 et 6 novembre 2009
Un certain nombre d'études s'appuyant sur des données (quantitatives ou qualitatives) et permettant d'entreprendre des travaux économétriques ont commencé à apparaître pour permettre de tirer quelques enseignements de l'explosion d'internet.
L'AEA (Association d'Econométrie Appliquée) a déjà tenté de faire le point sur le marché des biens culturels à Padoue en 2004, sur l'Économétrie des Médias à Paris en 2007, c'est dans cette lignée qu'elle souhaite inscrire cette manifestation sur les impacts d'Internet.
Vous trouverez, un appel détaillé ci-dessous, mais nous souhaitons insister, outre l'aspect multidisciplinaire, sur deux thèmes qui devraient faire l'objet de sessions spécifiques: le premier est notre désir de faciliter la présentation de travaux en cours ou en projet; ils pourront ainsi être soumis à l'appréciation des chercheurs réunis en cette occasion, voire à leur association le second est la présentation des sources d'information statistiques et en particulier d'enquêtes qui pourraient tenter des chercheurs pour une analyse approfondie.
Deadline des soumissions : 15 juin 2009. Themes:
- Approche critique de l'impact des TIC (sur le diagnostic économique)
- Retombées globales et sectorielles d'Internet (en terme d'efficience, de productivité)
- Analyse des usages et pratiques d'Internet (au travail, à domicile; pour communication bilatérale ou en réseau, pour la recherche d'information)
- Transformation des marchés traditionnels (enseignement; commerce et business; administration publique; médias; jeux)
- Place et développement de nouveaux marchés (transfert de l'immatériel, réussite de nouveaux acteurs)
- Modélisation et développement d'Internet et des TIC (croissance, rentabilité des investissements)
- Impacts sur l'aménagement des territoires et le développement
[voir plus d'informations ici]
24.2.09
O CINEMA PORTUGUÊS SEGUNDO FONSECA E COSTA
De uma grande dureza, continuou: "Hoje em dia, ninguém sabe onde está esse património. Não sei se há alguns cartazes na Cinemateca, que é um organismo unipessoal, onde se faz apenas o que apetece ao Sr. Dr. Bénard da Costa e mais nada", afirmou. Bénard da Costa, julgo, estará a recuperar de uma operação cirúrgica, razão que o levou a afastar-se da Cinemateca.
O realizador também se referiu à distribuição, onde existe uma situação de monopólio, "em que os distribuidores são donos de quase todas as salas do país, em manifesto abuso de posição dominante".
Fonte: Público Última Hora
SLUMDOG MILLIONAIRE, O VENCEDOR DOS ÓSCARES
Dois elementos centrais foram esquecidos na argumentação: o filme resulta de uma produção da Film4 e da Celador, duas empresas inglesas, a primeira ligada ao Channel 4 e a segunda com actividade desde 2005 (a Celador desenvolve projectos interessantes, nomeadamente sobre Martin Luther King e os direitos cívicos em 1965 e sobre uma lendária legião romana que desapareceu na Escócia no ano 87 antes de Cristo); o Reino Unido tem uma comunidade indiana forte e a relação entre os dois países é muito forte.
Depois, a história do filme assemelha-se a outras de interesse humano que aparecem com frequência na televisão, a que se alia o facto de o herói se sai sempre bem, mesmo quando tudo indica que vai perder. A relação com a televisão não é a menosprezar: do mesmo modo que o filme mostra grandes audiências a assistir à final do concurso, a realidade na noite dos óscares (ou dia na Índia) foi seguida de multidões em volta do televisor, como retratam as histórias hoje publicadas nos jornais. Afinal, foi uma história de crianças pobres da Índia que ganharam o concurso (no filme) e o óscar (o prémio sobre o filme). A história do filme poderia também ser contada numa novela, como as que o Brasil tão bem sabe fazer, e passar na televisão.
Aliás, a história é um conto de fadas do século XXI na Índia: conta a história de Jamal, um rapazinho órfão de Mumbai (Bombaim) e o seu caminho até ao sucesso no concurso Quem Quer Ser Milionário e o seu desejo de reaver o amor perdido na infância. A Índia que está a crescer na economia mundial é feita de contradições, como aliás o filme mostra: os dois irmãos, já jovens adultos, recordam a triste infância apontando para o local onde viviam, então um enorme agregado de casas de lata e agora um conglomerado de prédios novos e ricos. Os actores do filme vieram dali mesmo, numa associação entre a realidade e a ficção.
Claro que é evidente a aproximação ao cinema indiano, caso dos planos mostrados durante a passagem da ficha técnica no final do filme: a música e a coreografia da dança remetem para aquela cinematografia. A ficha técnica revela igualmente o impressionante número de artistas e técnicos indianos (aliás, o filme foi rodado naquele país do Oriente).
Fixo-me nas frases principais do trailer do filme (acima): "Cada momento da sua vida é a chave para as respostas; cada questão leva-o a estar mais perto do seu verdadeiro amor". Com actores desconhecidos ou pouco conhecidos, Slumdog Millionaire ganhou um prémio no festival internacional de Toronto em 2008 e, agora, o óscar em Los Angeles. O filme estreou em Novembro nos Estados Unidos e em Janeiro no Reino Unido; entre nós, está em recente exibição.
CINECLUBES
O estudo do ICA abrange 19 associações, em que dez delas conquistaram públicos em 2008, caso da Associação Cultural e Recreativa de Tondela (Viseu). Existem 30 cineclubes no país. Fora dos grandes centros urbanos, os cineclubes são uma alternativa ao cinema americano.
BLOGUE
- Mas uma vez criado o MP3 e inventado um protocolo descentralizado de rede como o P2P, que oferece um meio de distribuição extremamente eficaz e com menos pontos de controlo, o monopólio das grandes editoras sobre o direito à cópia começou lentamente a desaparecer.
É claro que as cassetes já permitiam a cópia do original mas na maioria dos casos isso implicava a perda de qualidade áudio e era um processo moroso e dispendioso, pelo que isso nunca constituiu um grande motivo de preocupação. Mesmo no caso dos CDs, a cópia sempre implicava a aquisição de um suporte virgem para a gravação do original. Daí que a situação de confronto tenha chegado ao seu auge por altura do Napster. O ponto mais alto desse conflito deu-se quando os Metallica apresentaram em frente da sede da empresa uma lista de 335 mil utilizadores da rede P2P que eram acusados pela banda de descarregarem ilegalmente a sua música. Aí é que os ânimos se exaltaram e a onda de repúdio contra a indústria musical cresceu a níveis avassaladores.
PAPEL DE PAREDE COMO ECRÃ DE TELEVISÃO
Tal maravilha ainda vai demorar algum tempo a passar da fase de projecto à fase de produção comercial.
Fonte: Telegraph, de ontem
23.2.09
A ESPERANÇA DA PRIMAVERA
ADORÁVEL CRIATURA

Casa Amarela, Rua da Barreira, em Beja, nos dias 26, 27 e 28 Fevereiro e 5, 6 e 7 de Março, pelas 22:00.
EMPREITEIROS DO CINEMA
Os três realizadores querem que o Instituto do Cinema volte a chamar-se Instituto Português do Cinema, a separação total do cinema face ao audiovisual e regras transparentes e júris competentes para os concursos públicos.
Alguns números associados à crítica que os realizadores fazem aos produtos audiovisuais acima identificados. Primeiro, o financiamento: Fundo de Investimentos para o Cinema e o Audiovisual - FICA/IAPMEI (40%), ZON Lusomundo, dedutíveis nos impostos (30%), RTP (6%), SIC (12%) e TVI (12%). Isto significa 76% de fundos públicos. Segundo, a distribuição das receitas de um êxito que atinja hipoteticamente 200 mil espectadores, perfazendo €900 mil: €540 mil para o exibidor (sala), €180 mil para o distribuidor, €252 mil para o produtor. Logo, longe dos acima de €1500 mil que os autores/empreiteiros do audiovisual apregoam, conclui o texto.
Responsáveis, segundo Alberto Seixas Santos, João Botelho e José Nascimento: os ministros da Cultura (que aceitou um orçamento na Cultura de 0,4%, quando a média europeia é de 1%) e dos Assuntos Parlamentares e o Primeiro-Ministro.
A REORGANIZAÇÃO DA YAHOO
GREVE NOS JORNAIS DA CONTROLINVESTE
QUEBRA NA AUDIÊNCIA DOS JORNAIS
ÓSCARES
22.2.09
QUAL A DIMENSÃO IDEAL DO TEXTO NA INTERNET?
O TRABALHO DOS MEDIA
- Culture creation is quickly becoming the core industrial (and individual) activity in the globally emerging cultural economy. This process gets amplified through the increasing conglomeration of media corporations, as well as the widespread diffusion of information and communication technologies. This paper combines insights from research on (professional and amateur) media production from disciplines as varied as institutional sociology, organizational psychology, cultural economy, management, media studies and economic geography to present a review of trends, developments and values co-determining media work.
A SERVENTIA DO TWITTER
O Twitter é uma ferramenta um pouco hedonista, como é apanágio das redes sociais em geral - servem para nos ligar aos outros, mas também para nos revermos em perfis que se querem apelativos [...] O Twitter tem esse lado microblogging de nos permitir todos os nossos passos mais trepidantes ("Lavei os dentes. A pasta está quase no fim" - há muita coisa deste género que alimenta os mais de três milhões de tweets diários) (Joana Amaral Cardoso, Pública, 22.2.2009).
Ao descrever o Twitter, estarei a aborrecer quer os que conhecem tudo da internet quer os cépticos? Provavelmente. Tentarei ser rápido. É um sítio da internet em que se pode expressar o que se está a fazer em 140 caracteres ou menos e que é enviado aos seus "seguidores"; do mesmo modo os "tweetes" dos que o "seguem" estão a si relacionados - e pode fazê-lo no seu telefone celular, computador portátil, BlackBerry, iThermos ou alarme. [...] A minha única tentativa de ignorar a internet correu mal. Quando estava no grupo de teatro da minha universidade, alguém me disse que eu devia ter um sítio na internet. A minha resposta foi: "não permito isso". Foi como o general Gamelin - o comandante francês em 1940, que não tinha telefone no seu quartel-general e, ao invés, utilizava mensageiros em motorizadas - e também sem muito sucesso [Gamelin seria conhecido como o homem que perdeu a batalha da França contra a Alemanha, no começo da Segunda Guerra Mundial]. [...] Ele [o tweeter] diz coisas como "vai hoje à reunião de produção do Peep Show" ou "Não te esqueças de dizer o que damos ao Robert no seu aniversário" (David Mitchell, The Observer, 22.2.2009, tradução livre minha).
Ao ler atentamente as três citações, vê-se que a segunda é favorável ao Twitter. As outras duas levantam dúvidas, são escritas por cépticos. Começo a pensar como estes dois.
TESSA ROSS
O Observer de hoje dedica-lhe uma página (texto de David Smith). A Film4 é uma conceituada produtora de audiovisual no Reino Unido. Dos filmes feitos na Film4, destaco Trainspotting, Quatro Casamentos e um Funeral, Hunger, de Steve McQueen, Happy-Go-Lucky (Um Dia de Cada Vez), de Mike Leigh, e In Bruges, de Martin McDonagh (que ainda não vi).
O tempo de crise também se abateu sobre a Film4. O Channel 4, de que depende a Film4, teve um pesado corte orçamental, da ordem de 150 milhões de libras (quase o mesmo em euros). Além da crise financeira, a concorrência da tecnologia digital é outro elemento a considerar. O orçamento anual da Film4 é de 10 milhões de libras e 11 colaboradores no total. Se o filme Quem Quer Ser Bilionário ganhar um ou mais óscares, a situação pode melhorar. Se não ganhar, a produtora corre o risco de fechar. A acontecer tal, o audiovisual inglês poderá regressar à má situação vivida nos anos de 1980. O Channel 4 depende do Estado.
Sobre o Channel 4, Tessa Ross elogia o serviço público. E elogia igualmente os realizadores e produtores que com ela trabalham: "O privilégio é gastar dinheiro com pessoas que têm imaginação e profundidade de pensamento e querem experimentar todo o tipo de caminhos".
No vídeo, o trailer de Um Dia de Cada Vez, com Sally Hawkins no papel de Poppy (que me fez lembrar O Destino Fabuloso de Amélie Poulenc e, injustamente, a série Casei com uma Feiticeira).
21.2.09
CRISE NA INDÚSTRIA LIVREIRA
Mas há dados contraditórios. Um estudo de mercado feito pela GKF, e citado na mesma notícia, diz que se venderam 13,7 milhões de livros o ano passado, um aumento de 1% relativamente a 2007, sem contar com os livros escolares e a que correspondem €157 mihões. Por ano, são lançados no país 12 a 14 mil títulos (Associação Portuguesa de Editores e Livreiros), quando em 2005 eram 10 mil (Observatório de Actividades Culturais).
O Público, por seu lado, dá conta da má situação da editora Campo das Letras. Citando Jorge Araújo, que detém 51% das acções da empresa, a editora pode desaparecer até ao final do mês, se não aparecer um investidor com um milhão de euros. Às quebras de vendas juntou-se a falência da ECL (Empresa de Comércio Livre), uma distribuidora de livros. A Campo das Letras tem 17 empregados, 1407 títulos e representa 536 autores portugueses (entre os quais me incluo) e 318 estrangeiros.
20.2.09
SOBRE A RÁDIO
"Um dos grandes fascínios da rádio é levar cada auditor a visualizar tudo aquilo que escuta" [Matos Maia (1995). Telefonia. Mem Martins: Círculo de Leitores, p. 195].
ERC EXCLUI AS DUAS CANDIDATURAS AO 5º CANAL DE TELEVISÃO EM SINAL ABERTO
A candidatura da Telecinco foi excluída devido ao não preenchimento de viabilidade económico-financeiro, a da ZON por falta de meios técnicos e humanos afectos ao projecto, ou seja programação suficiente. Sobre a primeira, diz o ponto 50 da deliberação: "o Estudo de Mercado – é bom tê-lo presente – é elemento indispensável (e de omissão não suprível) para avaliar o cumprimento do requisito de admissibilidade que agora se analisa. Este mesmo ponto é, aliás, sublinhado no Parecer acima referido". Sobre a segunda, no ponto 81, indica: "Seguindo a forma de apresentação determinada no artigo 9.º do Regulamento, a concorrente apresentou um fascículo indecomponível correspondente ao capítulo do Plano Técnico. Este elemento respeita o que é exigido no Caderno de Encargos, sem prejuízo de parecer posterior a cargo do ICP-ANACOM".
O parecer do Plano Económico-Financeiro das candidaturas foi analisado pelo CEGE-UNL (Centro de Estudos de Gestão Empresarial, Universidade Nova de Lisboa). Votaram contra a deliberação dois membros do Conselho Regulador: Luís Gonçalves da Silva e Rui Assis Ferreira.
MULTIDÃO, MASSA, PROPAGANDA E PÚBLICO
Gabriel Tarde (L’Opinion et la foule, 1901) destacou também o efeito hipnótico exercido sobre a multidão. Diz que não se deve confundir público e multidão. Público é de um teatro, de uma assembleia. Multidão tem uma extensão indefinida, tem variedades, há a ausência de relação da multidão com os líderes. Falta, à multidão, o sentido de agregado, há qualquer coisa de animal, de contágio físico. Público é a corrente de opinião; multidão é a sensação do momento.
José Ortega y Gasset (A rebelião das massas, 1937) fala de sociedade de massa. Após a Primeira Guerra Mundial, seguiram-se grandes convulsões políticas na Europa, com ditaduras e regimes ferozes (URSS, Alemanha, Itália), que conduziram à Segunda Guerra Mundial. Acreditava-se haver uma crise no Ocidente, baseada numa subversão geral dos valores morais e culturais. O resultado foi a massificação, enquanto eliminação das características diferenciadoras do homem e dos grupos.
Herbert Blumer (1900-1987) elenca as características de massa: 1) participantes oriundos de todas as profissões e categorias sociais, 2) grupo anónimo (os elementos não se conhecem entre si), 3) pouca interacção ou troca de experiências, 4) organização frágil. Opõe massa a público . Este designa um grupo de pessoas: 1) envolvidas numa questão, 2) divididas em termos dessa opinião, 3) com discussão a respeito de tal problema.
Quanto a massa, Elias Canetti (Massa e poder, ([1960] 1995) diz que ela, se tiver um carácter destrutivo, prefere edifícios e objectos, com atracção por vidros. Há quatro características da massa: 1) quer crescer sempre, 2) no seu interior reina a igualdade, 3) ama a densidade, 4) necessita de uma direcção. Elias Canetti analisa igualmente a malta, palavra que deriva do latim movita e significa movimento. Malta é uma unidade mais antiga do que massa e é uma horda de número reduzido (10-20 homens) e uma forma que assume a excitação colectiva, visível em toda a parte. Trata-se de um conjunto de pessoas que sempre viveram juntas, e que se encontram diariamente, empreendendo a avaliação mútua em actividades conjuntas. Como se constitui apenas de conhecidos, a malta é, num ponto, superior à massa (que pode crescer infinitamente): mesmo quando dispersa por circunstâncias adversas, a malta pode voltar a reunir-se.
Denis McQuail (Teoria da comunicação de massas, 2003) diz que a propaganda é uma tendência deliberada e sistemática de marcar as percepções, manipular as cognições e dirigir o comportamento para obter uma resposta que aumente a intenção desejada do propagandista. Os media são essenciais à propaganda, uma vez que são canais que podem atingir todo o público e têm a vantagem (em sociedades abertas) de serem olhados com confiança.
Alejandro Pizarroso Quintero (História da propaganda, 1993) considera a propaganda como processo de persuasão, que implica a criação, reforço ou modificação da resposta e é um processo de informação quanto ao controlo do fluxo da mesma. Considera que, nos media, a propaganda é um processo de disseminação de ideias por múltiplos canais com a finalidade de promover no grupo ao qual se dirige os objectivos do emissor não necessariamente favoráveis ao receptor.
Uma importante definição pertence a Jürgen Habermas (Mudança estrutural da esfera pública, 1962; 1985) para quem o público deixa de formular meras opiniões e passa a emitir significados rigorosos sobre o que ocorre em seu redor, a esfera pública. Habermas aponta locais de discussão racional e pública, formadores do público, como as livrarias, os cafés, os salões e as reuniões de comensais (jantares).
Para João Pissarra Esteves (A ética da comunicação e os media modernos, 1998), público quer dizer: 1) abertura a novos elementos, 2) abertura a temas, 3) paridade entre todos na argumentação.
Daniel Dayan (Televisão: o quase-público, 2006) defende um sentido muito puro de público, constituído por: 1) um meio, com sociabilidade e estabilidade, 2) tem capacidade de deliberação interna, 3) dispõe de capacidade de performance, 4) apresenta-se perante outros públicos, o que implica os seus autores que defendem valores e traduzem os seus gostos em exigências, 5) existindo apenas sob a forma reflexiva.
Víctor Sampedro (Opinión pública y democracia deliberativa. Medios, sondeos y urnas, 2000) fez o seguinte quadro:
19.2.09
FORMAS 2009
LANÇADO LIVRO DE RITA CURVELO

Hoje, ao fim da tarde, foi lançado o livro de Rita Curvelo, Marketing das Artes em Directo, uma edição da Quimera.Ainda não li o livro, nem a importante introdução. No seu folhear, apanhei as seguintes frases: "Será que o produto cultural deve ser entendido e vendido da mesma forma que um qualquer bem de consumo? Quem deverá prevalecer na relação entre oferta e procura: o artista ou o público consumidor de artes? Ou os dois? E será ou não o marketing um instrumento fundamental para a vida das instituições culturais? E para que servirá o marketing no contexto cultural"? Projectar e realizar cultura, mas, sobretudo, formar públicos e mantê-los, são algumas ideias que passam pelo texto.
Jorge Wemans, jornalista e director do canal de televisão RTP2, e Filipe Serra, docente universitário, apresentaram o livro. Um e outro falaram do quanto conheciam do trabalho desta profissional da Rádio Renascença (as entrevistas fazem parte do seu trabalho num programa daquela estação de rádio). O livro foi, como disse Filipe Serra, um conjunto de pequenas vitórias para a autora.
Parabéns à Rita. Tenho a certeza que o livro vai ser um estímulo para todos os que querem saber como se processsam a arte, seus circuitos, programação e visibilidade.
HEXA EM ÁGUEDA
LIVRO DE RITA CURVELO
Marketing das Artes em Directo, livro de Rita Curvelo, é lançado hoje, às 18:30, na Fundação Calouste Gulbenkian (auditório 3), com apresentação de Jorge Wemans e Filipe Serra.Rita Curvelo é docente na Universidade Católica e profissional da Rádio Renascença.
18.2.09
A FORÇA E O DILEMA DO FACEBOOK
Hoje, Mark Zuckerberg informa que o regulamento voltava ao original, dando razão aos que achavam que a rede social estava a violar o direito de cada um de estar ou sair da rede. Num dos parágrafos, ele revela a importância da Facebook: "Mais de 175 milhões de pessoas usam a Facebook. Se fosse um país, seria o sexto país mais populoso do mundo. O nosso regulamento não é apenas um documento que protege os nossos direitos; é o documento que governa o modo como o serviço é usado por todos em todo o mundo. Dada a sua importância, precisamos de reflectir os princípios e os valores das pessoas que utilizam o serviço". Traduzindo a ideia: a Facebook quer que as pessoas partilhem e controlem a sua informação; se elas quiserem deixar de partilhar, desaparecem os rastos.
A força da Facebook e das outras redes sociais é o crescimento que elas estão a ter. Todos os dias, recebo várias propostas de ligações a esta e à rede Twitter, o que significa a expansão que as redes estão a ter. A oportunidade é criar perfis apetecíveis - os que gostam de cinema ou fazem montanhismo ou coleccionam selos são agregados e podem ser úteis em bases de dados, como nas semanas anteriores se anunciou ser o propósito da Facebook.
O dilema é que se colocam problemas novos - de vigilância, de privacidade, de interactividade. A ideia de a Facebook fazer duas cópias de uma mensagem pode ser interessante, pois fica sempre uma memória. Contudo, se eu me zangar com alguém e quiser eliminar tudo o que se relaciona com essa pessoa, não admito que fiquem elementos públicos dessa relação. Não é limpar ninguém da fotografia, como faziam os estalinistas quando alguém caía em desgraça, mas apenas um apagamento.
Apesar de tudo, não acredito na bondade desta medida de Mark Zuckerberg. Um dia, decidi sair da rede Facebook. Fiquei convencido que os meus dados tinham sido apagados. Vários meses depois, voltei a aderir; descobri que todas as ligações (relações) se mantinham. Não começava do zero, recomeçava no ponto de onde me desligara. O que significa que a memória ficou lá. E se eu quisesse mesmo ficar apagado para sempre? Impossível. Entra-se mas já não se sai; fica-se apenas adormecido.
CONFERÊNCIA EU KIDS ONLINE A 30 DE JULHO
DOCUMENTÁRIO PORTUGUÊS
TEORIA HIPODÉRMICA EM DEZ PONTOS
1) O receptor não é passivo. Os cultural studies falam em receptor activo, capaz de (re)construir narrativas, caso das novelas. Os teóricos das redes sociais e da wikipedia falam em trabalho colaborativo, cultura participativa, produtilizador,
2) Pressupõe um quadro de raridade dos media, de emissão de um para muitos, mundo de tecnologia analógica (ver quadro da aula anterior). Na tecnologia digital, com multiplicidade de canais (rádio, televisão), mas especialmente com a capacidade de criar meios (sítios, wikis, blogues, redes sociais), cada utilizador transforma-se em produtor de conteúdos, gerando a rede, o conjunto de interligações,
3) A teoria decorreu num período de aumento de regimes ditatoriais e violentos na Europa, criando território teórico para a aceitação da propaganda e da sua eficácia, quer na Primeira quer na Segunda Guerra Mundial. Os Estados Unidos, a Rússia Soviética e o Japão não escaparam à influência da rádio (Roosevelt, nos Estados Unidos, usou frequentemente a rádio para comunicar com os seus concidadãos; a rádio teve um efeito enorme sobre os americanos para a mobilização na Segunda Guerra Mundial),
4) Havia ainda poucos estudos empíricos. Assumia-se pacificamente a ideia da influência e da persuasão dos media no curto prazo. Na época, o meio tinha um peso fundamental. Mais tarde, McLuhan diria que o meio é a mensagem, numa alusão típica à confluência de significante e significado (para utilizar conceitos da semiótica),
5) Para a Europa, a teoria hipodérmica associava-se à penetração das obras americanas (cinema, música, televisão). Formava-se a ideia de um gosto único, o da comunicação de massa. Nomeadamente o cinema, com a sua criação de estrelas (star system), reflectiu e ampliou a ideia da massa, influência e efeito directo e ilimitado: modos de vida pareciam ir ser assimilados.
6) Isso ocorre também devido à bifurcação de uma actividade: a publicitação de ocorrências. Propaganda (no sentido político) e publicidade (de produtos) cresceram a par. Nascem profissões como a de relações públicas, que fala por uma instituição enquanto porta-voz, em ligação à ideia de marca. Propaganda, publicidade, relações públicas, acções de mediatização e promoção, marca – eis algumas palavras chave da época,
7) Quero realçar o papel da rádio. Ao contrário do jornal, que implica saber ler e dominar conceitos, a linguagem da rádio é mais próxima do ouvinte, mais directa e franca. Além disso, tem um sentido de actualidade e do directo que o jornal não tem. A rádio transmite música e entretenimento, chega a casa do ouvinte sem custo (não há o pagamento de um valor diário como o jornal). Algumas estações começariam a ter uma relação de proximidade, caso das rubricas de discos pedidos. A rádio chegava a todo o lado, pois a cobertura visava ser nacional, sem as dificuldades da distribuição da imprensa (viaturas, postos de recepção dos jornais, venda, remessa dos jornais não vendidos, pagamento dos exemplares vendidos, o que complexificava as operações na perspectiva contabilística),
8) A teoria hipodérmica, apesar dos reflexos na Europa, é uma “invenção” americana. Os Estados Unidos são o país dominante antes e depois da Segunda Guerra Mundial, há uma grande autoconfiança nas suas estruturas políticas, económicas e culturais. As indústrias dos discos, do cinema e da rádio (e depois a televisão e a internet) têm um enorme desenvolvimento nos Estados Unidos – tecnológico, cultural e económico. A confiança do consumo – vender internamente e esportar para o mundo – valoriza a ideia de massa e de influência e persuasão,
9) Com vantagem, a teoria hipodérmica é a primeira teorização sobre comunicação de massa. Ela marcou de modo indelével a análise que fazemos sobre os media. Se quisermos, ela tem igual (ou mais) peso que a semiótica, a teoria crítica e a escola dos cultural studies. Resta comparar o impacto dela face à teoria optimista e utópica dos defensores das redes (internet, redes sociais, telemóveis), que, de certo modo, retomam a ideia de influência, mas agora associados à dispersão, à globalização, ao indivíduo e ao gozo pessoal, à escolha múltipla e à juventude,
10) Retomando ideias anteriores, a teoria hipodérmica tem significado cultural, económico e técnico. Técnico, porque assiste a inovações e aplicações tecnológicas de grande impacto (cinema, rádio). Económica, porque cria fileiras de actividades e de empresas, no que hoje designamos por indústrias culturais. E culturais, por via disso, porque a massificação cria valores, gostos, consumos que, sem homogeneizar e harmonizar totalmente o mundo, torna identificáveis os objectos do mundo: Coca-Cola, McDonalds, o presidente americano, os Jogos Olímpicos, o futebol. Por isso, cria hábitos, horários e períodos: festival de Cannes, de Bayreuth, globos de ouro, campeonato mundial de futebol. Massa e cultura interligam-se desde essa teoria.
17.2.09
CURSO DE GESTÃO CULTURAL
Os módulos são: 1) Cultura, Desenvolvimento e Políticas Culturais, 2) Cidades e Cultura, 3) Programação e Consumos Culturais, 4) Estratégias de Programação Cultural, 5) Património e Desenvolvimento Cultural, 6) Mediação Cultural, 7) Especificidades do Enquadramento Jurídico do Sector Cultural, 8) Gestão de Equipas em Projectos Culturais, 9) Turismo e Cultura, 10) Comunicação Cultural, 11) Gestão de Projectos Culturais, 12) Financiamento de Projectos Culturais, 13) Enquadramento Internacional do Sector Cultural, 14) Visita de Estudo a Barcelona (opcional). O curso inclui ainda avaliação de Projectos e Políticas Culturais, estudo de caso (um município) e conferências. O coordenador do curso é Vítor Martelo e os monitores têm um excelente perfil.
Local: Núcleo Empresarial Nova Almada Velha, Rua da Judiaria, 14, sala 7, Almada
TEATRO MARIA MATOS

A peça Transacções estará em cena de 12 de Março a 3 de Maio, no Teatro Maria Matos. Adaptação do texto original de David Williamson, Up for Grabs, é uma encenação de João Reis, com Catarina Furtado como protagonista no papel de Loren. Conta ainda com as interpretações de António Durães, Carlos Gomes, Joaquim Horta, Lígia Roque, Mafalda Vilhena e Marta Furtado.
Transacções centra-se em Loren, uma marchand de arte que faz de tudo para conseguir vender um quadro de Pollock.
TEATRO ABERTO

O Teatro Aberto vai fazer mais seis apresentações da peça Tu e Eu, de F. K. Waechter, com encenação de Sofia de Portugal (Sala Vermelha), até dia 15 de Março, com apresentações às sextas e sábados às 21:30 e domingos às 16:00.
REVISTA COMEMORATIVA DOS 90 ANOS DO TRATADO DE VERSALHES
O lançamento da publicação será no próximo dia 19 de Fevereiro, pelas 19:00, no Museu da Presidência da República (Palácio de Belém, Praça de Afonso de Albuquerque, Lisboa).

[tropas portuguesas na Flandres, fotografia pertencente ao Museu de Angra do Heroísmo]
JUAN MUÑOZ



No Museu de Serralves (Porto), está a chegar ao fim a exposição de Juan Muñoz. Ficam aqui três momentos da obra de Muñoz, empregando materiais como o poliester e a resina. Juan Muñoz nasceu em Madrid, em 1953, e morreu em Ibiza, em 2001.
Comissário: Sheena Wagstaff. Co-produção: Exposição co-produzida pela Tate Modern, Londres, e a Sociedade Nacional para a Acção Cultural no Exterior – SEACEX, em associação com o Museu de Arte Contemporânea de Serralves.
GRAFFITI NO PORTO
PORTO - TEMPOS DE HOJE



16.2.09
SLUMDOG BILLIONAIRE
A CIDADE DOS QUE PARTEM
Chegadas e partidas são um dos fios condutores da peça. Esta começa com os actores a actuarem no centro da sala, em que um dos elementos do grupo vai deixar a aldeia em busca de um melhor futuro na cidade. A despedida é dolorosa, a chegada complicada, mas eis que Carlos Anunciação está no Porto, a cidade almejada, onde vai trabalhar na oficina de automóveis do tio Zeferino. Cruza-se com a guia turística, o presidente da Câmara e a jornalista que não pode fazer perguntas para além do estipulado previamente, o empresário que quer fazer a "Cidade da Felicidade" e o músico. Ele aprende a profissão de mecânico e à noite toca o seu saxofone numa banda de cave.Na peça cruzam-se influências do teatro musical, do musical americano (por exemplo, Gene Kelly em Serenata à Chuva, 1952), da pop britânica, num cenário virtual bem adaptado ao cenário real de três níveis (que representam ruas, espaços, distâncias). Recordo o diálogo entre dois prédios, em que um se desfaz perante o olhar incrédulo de Carlos, o mecânico músico, já integrado em cenário real. Não é um teatro sério mas leve, parece recuperar tradições de teatro popular, de bairro e de proximidade. Por vezes, os actores cantam em playback, numa mistura de vida e fantasia. A Cidade dos que Partem é um musical que não é um musical, como dizem os autores, mas em que a música representa uma posição central - a peça é uma espécie de musical sobre o Porto. Os oito autores de música original indiciam a importância dada na revelação de valores dos que se mantêm no Porto. O contraluz ou silhueta em que aparece a banda a tocar produz um forte efeito visual, onde se misturam significados de underground suburbano mas também lembrando o festival da canção, pela posição da cantoras.
É patente o esforço de modernidade no guarda-roupa, das cenas iniciais de tradição rural aos turistas em forma de lego que seguem a guia, caricatura do turismo de massa dos nossos dias, ou do vestuário com recurso ao nariz de carnaval e chapéu, gabardina e botas de borracha, um estereótipo da homogeneidade da população urbana. A oposição entre aldeia e cidade é visível mas ambivalente, entre as raízes rurais do guarda-roupa da cena inicial e da música que a acompanha e a promessa do herói se corresponder com a namorada não por carta mas pelo Messenger.
A peça é uma crítica: os actores riem-se deles mesmos, mas igualmente do presidente da Câmara do Porto, dos governantes e dos governados. Daí, as referências constantes ao nevoeiro que paira na cidade, às tripas como prato do Porto (que deram a carne aos lisboetas - leitura do desequilíbrio na relação entre as cidades), aos princípios. O riso também se pode ler como desencanto. A cidade vê chegar gente mas também vê partir gente, em busca de melhores condições de trabalho. A saída dos músicos para a capital é um sinal dessa transferência.
O Teatro da Palmilha Dentada, que um dia critiquei duramente aqui no blogue e noutro dia comparei-os com A Voz dos Ridículos, começou a actividade em 2001 e existe legalmente desde Agosto de 2003. Com sede no Porto, tem espectáculos como Os Piratas do Fio d'Água (2001), As Noites Nocturnas de um Par de Dois (2002/2003), Palmilha News (2003/2004), O Manifesto de Amélia (2006), Bucket (2008). Ricardo Alves, Rodrigo Santos e Ivo Bastos são o núcleo fundador.
Diz Ricardo Alves: "Interessa-nos muito mais inquietar e provocar quem está adormecido do que estar a desmontar ou a demolir os esquemas de alguns agentes políticos, que por si só não nos incomodam nada. A apatia incomoda-nos muito mais. Os níveis de cidadania em Portugal são vergonhosos. Nada nos mobiliza, estamos completamente apáticos, não queremos saber de nada. E olhando para a cidade [do Porto] o que é que vemos? Está tudo à espera que alguém faça alguma coisa".
REVISTA OBSCENA
CONTEÚDO GRATUITO OU PAGO
Mas a questão é mais complexa, como se lê nos argumentos do jornal brasileiro Folha de São Paulo na edição de ontem. Afinal, os jornais pagos não estão perto do fim, como apregoam os blogues e outros meios online. O "movimento" a favor dos jornais em papel diz que o que está a chegar ao fim é o modelo do acesso gratuito às versões online dos jornais (americanos, e outros). O que vai acontecer será, com certeza, um pagamento dentro do modelo usado pela Apple na loja iTunes, em que cada música custa 99 cêntimos. Ou o pagamento de um serviço premium, com oferta de pacote gratuito básico. No modelo presente, se todos continuarem a não pagar, ninguém vai receber nada, porque não haverá dinheiro para continuar a produzir o noticiário. Um blogueiro não vai cobrir o Iraque ou outro sítio qualquer, porque não dispõe de dinheiro para a deslocação e a presença, por exemplo.
Observação: da última vez que fui a uma loja de electrodomésticos e produtos electrónicos de consumo reparei que os gira-discos voltaram às prateleiras. Pensava-se que o CD destronara o disco de vinil. Porque o regresso?
[obrigado ao "correspondente" do Indústrias em Brasília, Fernando Paulino, pela dica]
VISITAS GUIADAS A IGREJAS

O Centro Cultural do Patriarcado de Lisboa realiza, no próximo dia 7 de Março, a 5ª edição de Itinerários Temáticos, agora dedicados às sacristias das igrejas de Lisboa. Com início no Mosteiro de São Vicente de Fora, o itinerário terá a duração de um dia e inclui duas conferências, visita guiada, almoço e três itinerários a igrejas de Lisboa (Santo-Antão-o-Velho, Sé Catedral, Santa Catarina).
15.2.09
A QUESTÃO DOS DESPEDIMENTOS NOS JORNAIS DA CONTROLINVESTE
PORTO, VISTO DA TORRE DOS CLÉRIGOS
14.2.09
REDES SOCIAIS COMO DESTAQUE DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS DE HOJE
CELEBRIDADES NAS REVISTAS COR-DE-ROSA
FESTIVAL DE ACORDEÃO EM CASTELO BRANCO (26 A 28 DE FEVEREIRO)
NOTAS SOBRE INDÚSTRIAS CRIATIVAS
- No nosso país, diversos municípios estão actualmente a desenvolver as suas economias locais e regionais através da dinamização e da animação cultural (Jorge Cerveira Pinto, Público de hoje).
Jorge Cerveira Pinto escreve que o sector cultural e criativo - que integra artistas independentes, PME e multinacionais - representava 3,4% do comércio mundial em 2005. Na Europa, as indústrias criativas crescem a uma taxa anual de 12,3%. Em Portugal, o sector criativo já é o terceiro maior contribuinte para o PIB nacional.
No passado dia 5, o antigo ministro da cultura, Manuel Maria Carrilho, discordava (ver a minha nota aqui) da inclusão de sectores como a televisão ou a publicidade na produção cultural, o que significava um valor mais elevado e poderia distorcer a dimensão do mercado. O tema era indústrias culturais. O que escreve Jorge Cerveira Pinto é sobre indústrias criativas.
Neste momento, penso que é tempo de recentrar a conceptualização: apesar da importância das indústrias criativas, este conceito tem tanta conotação ideológica como indústria cultural. Se esta tem a marca de Adorno e Horkheimer, aquelas identificam-se com a tomada de posição política do New Labour inglês e que levou este partido e Tony Blair ao poder. Tão perigoso é pensar na bondade dos conceitos como pretender que as iniciativas dos municípios na dinamização e animação cultural são puras e não incluem a vontade de continuidade político-partidária à frente desses municípios (bandeira da cultura como elemento de propaganda). Apurar a realidade das finanças das autarquias (certamente exangues em muitas situações) e fazer o balanço das actividades regulares (assistência e formação de públicos) torna-se evidente para perceber se não irá ocorrer um colapso à medida que a crise económica se acentuar. Além de distinguir entre níveis de produção internacional e nacional nos consumos.
13.2.09
REGRESSO DE JORGE RODRIGUES À RÁDIO
As emissões de CSB.Rádio encontram-se ainda em fase experimental, estando prevista para breve a instalação de novo emissor de modo a chegar a locais ainda não cobertos.
[fontes: blogues A Nossa Rádio (Álvaro José Ferreira) e Europa Viva]
ARQUITECTURA EM PALCO

O debate do dia 16 (18:00) tem como tema A cena na arquitectura, moderado por Jorge Figueira (Universidade de Coimbra) e com intervenções dos arquitectos Ana Tostões, João Luís Carrilho da Graça, Manuel Aires Mateus e Manuel Graça Dias. Dia 19, no mesmo horário, António Pedro Pita modera o debate intitulado Cidade, arte e arquitectura, com os artistas plásticos António Olaio, Gabriela Vaz-Pinheiro, Fernanda Fragateiro, Didier Fiúza Faustino e Pedro Tudela.
LIVRO-DISCO
AINDA A MINISSÉRIE SOBRE SALAZAR
12.2.09
PROGRAMA DE CRIAÇÃO ARTÍSTICA DA GULBENKIAN

O Programa Gulbenkian Criatividade e Criação Artística é um livro agora editado pela Fundação Calouste Gulbenkian, a ser lançado no dia 18 de Fevereiro pelas 18:30 no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão. O livro cobre actividades de Janeiro de 2004 a Dezembro de 2008: realização de documentários, encenação de ópera, encenação de teatro, coreografia, realização de cinema, fotografia, argumento para cinema, cinema de animação 3D, artes visuais, artes de performance interdisciplinares e tecnológicas e videoarte.
Dizem os coordenadores do programa António Pinto Ribeiro e Catarina Vaz Pinto sobre os objectivos que levaram a Gulbenkian a avançar com o programa de Criatividade e Criação Artística: ausência generalizada de tradição no país da criação artística de autor, ausência e fragilidade das escolas de formação artística, falta de contexto de internacionalização, dificuldade de integração nos circuitos internacionais com as suas obras e discursos, dificuldade em legitimar a criação portuguesa nos fóruns internacionais, pertinência no ensaio de novos modos de incentivo à criação, produção e circulação de obras de artistas nacionais.
O programa foi possível tendo como orçamento anual a verba de 400 mil euros (que subiu para 450 mil a partir de 2006). As actividades decorreram no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão (Lisboa) e no Ar.Co (Almada, com o curso de artes visuais). Nalguns casos, criaram-se estratégias de follow up e de making of. Em termos de sequência, o INDIELISBOA 2006 criou uma sessão especial com o programa da Gulbenkian, incluindo três documentários e quatro filmes. Houve filmes feitos em colaboração com várias instituições universitárias e escolas profissionais de Portugal e de outros países. Os públicos receptores das formações tinham idades entre 22 e 35 anos (seleccionados de 1550 candidatos). No conjunto dos cursos produziram-se 166 obras.
TEATRO MONTEMURO

O Teatro Montemuro apresenta Da Minha Vista Ponto no Teatro Académico Gil Vicente (Coimbra) a 17 e 18 de Fevereiro e no Teatro da Comuna (Lisboa) a 20 e 21 de Fevereiro.
ENCONTRO DE MARKETING E COMUNICAÇÃO
MINISSÉRIE SOBRE SALAZAR
LISBOA
11.2.09
TEATRO EM OEIRAS

Manuela Maria, actriz, de 73 anos, nasceu praticamente no teatro, pois os seus pais eram artistas na companhia Rafael de Oliveira. O que significava itinerância e 52 peças montadas em permanência. Aos cinco anos já desempenhava papéis. Dos infantis, passou para os de adolescentes, mais tarde desempenhou personagens de mulheres solteiras e de mulheres casadas. A escola era a da terra onde a companhia estava a representar, pelo que passou a vida a conhecer novos professores e colegas. A primeira vez que trabalhou com Laura Alves foi em 1960, com outro estreante, Nicolau Breyner; aí, cantava e dançava. Anteriormente, fizera teatro de revista em Vamos à Lua. Faz televisão, cinema e teatro, mas o que mais gosta é desta última actividade (entrevista feita por Carla Rocha, com fotografia de capa de Carlos Santos, na edição mais recente de 30 DIAS em OEIRAS).
Agora, Manuela Maria está em cena em Oeiras, no auditório Eunice Muñoz, às sextas, sábados e domingos, contracenando com Sofia Alves, em Boa Noite Mãe, de Marsha Norman.
TEMPO LIVRE E LIBERTAÇÃO DO TEMPO

- É acerca da dificuldade de administrar, organizar e viver a liberdade própria que devemos reflectir, quando olhamos para o tempo livre. Porque este tempo de descanso ou diversão, tempo libertado, poderá ser um indicador para compreender que tipo de humanidade queremos construir. Formar para o tempo livre é educar para a liberdade.
10.2.09
LEITOR DE JORNAIS COM ECRÃ MAIOR
Os sucessivos anúncios do leitor electrónico indicam que o tempo da passagem da leitura em papel para a digital se aproxima. O vídeo de demonstração da Plastic Logic (aqui), apesar de não mostrar todo o segredo (embora o aparelho tenha qualidades como espessura fina mas robustez), parece-me um importante passo na passagem para o digital.
DISCOS
3ª MOSTRA DO DOCUMENTÁRIO PORTUGUÊS

Que fronteira existe entre o documento e o documentário? Que passagem acontece quando um investigador social salta da escrita para as imagens e sons? O filme O Compasso acompanha um estudo sociológico na aldeia Fonte de Arcada. Contudo, desde logo deixa de ser uma mera observação e documentação do processo que acompanha, para se pensar a si próprio, questionando o seu próprio trabalho (em confronto com o trabalho científico que observa).
Logo depois da sessão o filme será discutido com os realizadores Regina Guimarães e Saguenail, num debate que terá como tema a problemática levantada muito directamente pelo filme: "a produção de imagens nas ciências sociais".
DEIXEI PASSAR EM CLARO O CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE CARMEN MIRANDA
Ela nos tornou mais brasileiros
RIO DE JANEIRO - Em 2004, no Marco de Canavezes, norte de Portugal, uma jovem se queixava comigo a respeito da mais ilustre natural da região: Carmen Miranda, nascida lá há 100 anos no dia de hoje. "Foi-se para o Brasil e nunca mais cá voltou", disse a cachopa, com uma ponta de ressentimento.Tentei contemporizar dizendo que Carmen nunca saíra de Portugal -que, ao se mudar para o Brasil, com dez meses de idade, viera para a segunda maior cidade de população portuguesa no mundo, só perdendo para Lisboa. E, de fato, havia no Rio, em 1909, mais portugueses natos do que no Porto. Mas ela não ficou muito convencida. Os portugueses, por mais que gostassem de Carmen, sempre a viram como brasileira. Os brasileiros também - exceto por meia dúzia de articulistas rancorosos nos anos 40 e 50, um deles David Nasser, inconformado por Carmen nunca lhe ter dado bola como compositor. Pena que eles publicassem em veículos influentes, como "O Cruzeiro", e, no futuro, tivessem suas opiniões levadas a sério por pesquisadores que as tomaram como retratos da expressão popular.
[Obrigado a Fernando Paulino, pelo recorte de imprensa]
ON THE ROAD AGAIN; GOING UP THE COUNTRY
Nos vídeos abaixo, os Canned Heat, com a voz de Wilson, cantam as duas canções. A letra de On the Road Again é muito triste, conforme se lê abaixo. A canção foi editada no álbum Boogie with Canned Heat, de 1968. A outra música (Going up the Country) foi retirada do álbum Living the Blues, igualmente editado em 1968, e tornado música quase oficial do festival de Woodstock desse ano. A morte de Wilson seria muito violenta (overdose) (informações retiradas da Wikipedia).
Well I'm so tired of cryin' but I'm out on the road again - I'm on the road again. / Well I'm so tired of cryin' but I'm out on the road again - I'm on the road again. / I ain't got no woman just to call my special friend. / And I'm going to leave the city, got to go away. / I'm going to leave the city, got to go away. /All this fussing and fighting, man I sure can't stay. / You know the first time I travelled out in the rain and snow - in the rain and snow. / You know the first time I travelled out in the rain and snow - in the rain and snow. / I didn't have no fellow, not even no place to go. / And my dear mother left me when I was quite young - when I was quite young. / And my dear mother left me when I was quite young - when I was quite young. / She said "Lord have mercy on my wicked son." / Take a hint from me mama please don't you cry no more - don't you cry no more. / Take a hint from me mama please don't you cry no more - don't you cry no more. / Cause it's soon one morning down the road I'm gone. / But I ain't going down that long and lonesome road - all by myself. / But I ain't going down that long and lonesome road - all by myself. / I can't carry you baby, gonna carry somebody else.
Os dois vídeos merecem uma atenção antropológica particular, para além da música: vestuário, cabelo e tipo de dança (segundo vídeo) em 1968 e anos subsequentes.
COLLOQUE INTERNATIONAL
Maria Judite de Carvalho (1921-1998) est l’une des voix les plus secrètes de la littérature portugaise depuis 1959, date de la publication de son premier recueil de nouvelles, Tanta Gente…Mariana! Bien connue par ses chroniques par le public lecteur de périodiques, activité que Maria Judite pratique de 1968 à 1984, son œuvre est à présent constitué par seize titres, dont trois posthumes. Cependant elle est un écrivain presque inconnu et ses œuvres sont épuisées ou se trouvent difficilement dans les librairies. Ecrivain de ceux qui n’ont pas de parole, souvent en situation de profonde solitude et d’incommunicabilité extrême, ses personnages sont pour la plupart des bannis qui vivent des situations sans issue. Ecriture épurée, fine et percutante, percée par une fine ironie, où l’on peut déceler une vison désenchantée du monde et au même temps une hyper lucidité critique et moderne, une sorte de pulsion vitale face à un monde plein de débris et d’inhumanité.
A fin de susciter des travaux scientifiques qui mettent en valeur sa place incontestable dans la Littérature Portugaise, ce colloque international mettra en évidence, dans le cadre des études littéraires, histoire littéraire, approches comparatiste de gender ou d’autres les axes suivants: 1. thèmes, 2. représentations, 3. style, 4. genres.
Organisation: CRIMIC – Université de la Sorbonne/Paris IV, CEC – Centro de Estudos Comparatistas (FLUL, Portugal), Département d’Études Lusophones, CRILUS (Centre de Recherches Interdisciplinaires du Monde Lusophones), Cátedra Lindley Cintra / Instituto Camões de l’Université Paris Ouest Nanterre La Défense.
MEMÓRIA
PRÉMIO EUROPEU PARA JOVENS JORNALISTAS 2009

A Direcção Geral para o Alargamento da Comissão Europeia, em cooperação com a European Youth Press association e a Café Babel, lançaram o Prémio Europeu para Jovens Jornalistas 2009, uma competição pan-europeia para jovens jornalistas.
A competição já está aberta desde o dia 1 de Fevereiro e as participações podem ser enviadas até 31 de Maio de 2009. Os participantes devem ter entre 17 a 35 anos de idade, e serem cidadãos de um dos Estados-Membros da UE, país candidato ou candidato potencial (Balcãs Ocidentais e Turquia). Temas:
20 anos após a queda do muro de Berlim: terá a integração da Europa Central com a Europa do Leste mudado a face da Europa?
Cinco anos depois: qual o impacto da integração na UE dos novos 10 estados membros que se juntaram em 2004?
A procura pela integração na UE: porque é crucial a perspectiva Europeia para os Balcãs ocidentais e Turquia?
Acesso de novos estados membros à UE: bom para a UE ou para o países que acede?
Que significa para si / para o seu país pertencer à UE?
Para saber mais: www.EUjournalist-award.eu.
PRIMEIRA TRANSMISSÃO DE BOXE PELA RÁDIO

A primeira emissão de rádio que chegou aos receptores (feitos manualmente) foi em 2 de Julho de 1921, quando a RCA promoveu a transmissão do campeonato mundial de boxe opondo os pugilistas Jack Dempsey e Georges Carpentier, em Hoboken, New Jersey (Estados Unidos). Os comentários eram telegrafados para a estação KDKA em Pittsburgh. Em todo o país, os adeptos do boxe, por alguns cêntimos cobrados em cafés ou instituições sociais que possuiam aparelhos receptores de rádio, podiam ouvir a transmissão.
Até então, nunca milhares de pessoas tinham ouvido, em locais diferentes e em simultâneo, a descrição de cada gesto numa prova de boxe, escreveu a revista da RCA, Wireless Age. O evento foi considerado tão importante que cada pessoa que tivesse um aparelho e ouvisse a luta podia receber um certificado, assinado por Jack Dempsey e por Franklin Roosevelt, então presidente do Clube Naval.
Mais tarde, Roosevelt promoveria as sua conversas ao sábado à tarde pela rádio, quando já presidente dos Estados Unidos. A sua voz forte chegava a todo o país e não se imaginava o seu tremer de mãos e pernas, corpo tolhido pela poliomielite mas cheio de coragem.
Leitura: Marc Fisher (2007). Something in the air. Nova Iorque: Random House, pp. xiv-xvi
9.2.09
FILMINHO 2009

O Fórum de Criadores é uma iniciativa da Associação Morraceira (Lugar de Segerem, Loivo, Portugal; San Caetano, A Guarda, Pontevedra, Espanha), integrada no Filminho – Festa do Cinema Galego e Português. Dirige-se a realizadores e produtores (em nome individual) portugueses e Galegos, portadores de projectos em desenvolvimento.
O seu objectivo é primariamente apoiar, de forma directa, a criação de obras audiovisuais no Minho galego e português, e secundariamente incentivar os jovens criadores ao uso das estratégias das produções independentes, de parcos recursos, dependentes da criatividade dos seus autores.
O júri de pré-selecção escolherá um máximo de dez projectos para apresentação no Filminho, em Vila Nova de Cerveira e Goián (Tominho). Os projectos seleccionados serão notificados por e-mail, até dia 30 de Junho de 2009.
Para saber mais, ver o sítio Filminho e usar o e-mail forum@filminho.info.
BLOGUE DE MEMÓRIAS DA CIDADE
AGÊNCIA PARA AS INDÚSTRIAS CRIATIVAS
Entre a Câmara Municipal de Lisboa e outra autarquia decorrem conversações para a instalação dessa agência. Nesse âmbito, foi encomendado ao Observatório das Actividades Culturais o levantamento das actividades culturais realizadas na Área Metropolitana de Lisboa, de 1974 a 2008 [projecto, entretanto, abandonado por razões ponderosas (actualização em 12.2.2009, pelas 17:45)].
Em Maio, a Culturgest acolherá iniciativas com visibilidade para esta acção, com a participação de um think tank internacional, bem como encontro de agentes culturais, mesas redondas sobre revitalização urbana, apresentação de case studies sobre apoios e mecenato e a organização de conferência internacional.
TEATRO BOAS RAPARIGAS
Blogue (edição muito irregular): Estúdio Zero.
PINTURA DE ISABEL CONTRERAS BOTELHO
JORNAIS DESPORTIVOS
O BLOGUE DO CENTRO NACIONAL DE CULTURA
ASSÍRIO & ALVIM NO CIBERESCRITAS
8.2.09
ANO EUROPEU DA CRIATIVIDADE E INOVAÇÃO

Leonel Moura, artista conceptual (fotografia ao lado), é um dos embaixadores do Ano Europeu da Criatividade e Inovação, conforme se pode conferir aqui.
Os outros são Ferran Adrià Acosta (ES), cozinheiro do El Buli, Esko Tapani Aho (FI), vice-presidente da Nokia, Karlheinz Brandenburg (DI), professor e investigador em tecnologias da informação e comunicação, Jean-Philippe Courtois (FR), presidente da Microsoft International, Edward de Bono (MT), autor e conferencista em criatividade e pensamento lateral, Anne Teresa de Keersmaeker (BE), coreógrafa de dança, Ján Ďurovčík (SK), coreógrafo de dança, Richard Florida (EUA, CA), autor, professor e economista, Jack Martin Händler (SK), maestro, Antonín Holý (República Checa), professor e químico, Remment Lucas Koolhaas (HO), professor, arquitecto e planeador urbano, Damini Kumar (IE), designer e inventora, Dominique Langevin (FR), professora e físico, Rita Levi-Montalcini (IT), professora laureada com o Nobel e neurologista, Áron Losonczi (HU), arquitecto e inventor, Bengt-Åke Lundvall (DI), professor e investigador em inovação, Javier Mariscal (ES), designer, Radu Mihăileanu (FR, RO), realizador de cinema, Blanka Říhová (República Checa), professora e microbiologista, Ken Robinson (RU), professor e autor em criatividade e inovação, Ernő Rubik (HU), professor, arquitecto e designer, Jordi Savall i Bernadet (ES), músico e professor, Erik Spiekermann (AL), professor e designer de tipografia, Philippe Starck (FR), criador, director artístico e designer, Christine van Broeckhoven (BE), professora e neurocientista molecular, Harriet Wallberg-Henriksson (SE), professora e presidente do Karolinska Institutet.
A REPRESENTAÇÃO DA MULHER NO CINEMA
Purkiss refere-se a filmes como He's just not that into you e Confessions of a shopaholic, que eu não conheço, em que se representa um estereótipo de mulher misógina e neurótica. Hollywood tinha respeito pelas mulheres nas primeiras décadas do cinema, visto que elas eram a maioria das espectadoras das salas. Além disso, e ainda hoje, menos de 10% dos filmes são escritos por mulheres e menos de 6% são por elas dirigidos. A investigadora diz que os homens não querem combinar mulheres de carácter forte com sensualidade.

A meu ver, é essa a fragilidade do último filme de Woody Allen, em que as personagens de Scarlett Johansson, Rebecca Hall e Penélope Cruz reproduzem esses esterótipos, ao lado do estereótipo de macho latino desempenhado pela personagem interpretada por Javier Bardem. Ou a fragilidade do filme de Sam Mendes, Revolutionary Road, em que a personagem desempenhada por Kate Winslet é a de uma mulher neurótica, sem muitas possibilidades de sobreviver ao esmagamento provocado pela força da personagem masculina.
ENTREVISTA DE AZEREDO LOPES AO DIÁRIO DE NOTÍCIAS
Leitura imediata: 1) espaço excessivo (caso da primeira página, onde se explica a razão pela qual não aceitou ser entrevistado por um jornalista do Expresso), 2) vitória simbólica (sobre os que têm criticado a sua acção), 3) poucas novidades, embora consubstancie, certamente, o que disse recentemente no Parlamento.
Gostei do final de duas perguntas. Sobre a relação sucesso comercial e qualidade informativa, o responsável da ERC considera ser importante haver estabilidade económica e financeira de um meio de informação e expectativa de uma maior liberdade de imprensa, plural porque menos dependente. Sobre anúncios eróticos, área que precisa de regulamentação, o mesmo responsável entende que as dificuldades financeiras invocadas pelos media não devem sobrepor-se aos direitos dos cidadãos.
PORTO, RUA DE CEDOFEITA
SALAZAR NÃO CAIU DA CADEIRA MAS NA BANHEIRA
O Diário de Notícias faz uma entrevista a Jaime Nogueira Pinto, docente universitário que se identifica muito com o pensamento de Salazar. O Público prefere falar com Irene Pimentel, historiadora e com uma ideia diferente de Salazar. "Salazar vende bem", diz ela. Nogueira Pinto confirma, referindo o êxito do seu livro António de Oliveira Salazar: o outro retrato.
7.2.09
MAIS DE 650 MIL MILHÕES DE EUROS VALEM AS INDÚSTRIAS CULTURAIS NA EUROPA
- Uma das apostas de Sheffield foi na criação de uma "marca" - Creativesheffield -, associando a estratégia de marketing ao plano de desenvolvimento económico. O city branding é importante mas não essencial para todos os casos, afirma Jan Runge, da KEA European Affairs, a empresa baseada na Bélgica que foi responsável pelo estudo que concluiu que as indústrias culturais representaram em 2003 na Europa 654 mil milhões de euros, enquanto, por exemplo, a indústria automóvel representou 271 mil milhões.
OUTRA POSIÇÃO QUANTO AO PESO DAS INDÚSTRIAS CULTURAIS
- [Manuel Maria Carrilho] Desmontou, por exemplo, o relatório da Comissão Europeia que, com base em dados de 2003, estima que o peso das indústrias culturais no PIB da EU ronda os 2,6 por cento, situando-se, em Portugal, em 1,4 por cento. Segundo Carrilho, só o facto de o relatório incluir na produção cultural sectores como a televisão ou a publicidade, entre muitos outros, permite chegar a tais números. Afirmando que a cultura não precisa de ver artificialmente empolada a sua relevância económica, continua a achar que, em Portugal, exigir um por cento do Orçamento do Estado (OE) para o Ministério da Cultura (MC) é um objectivo realista.
TELEVISÃO - O 5º CANAL
Um concorrente, a Telecinco, quer o outro, a Zon, fora do concurso. Confesso que não percebi ainda as razões daquele concorrente, que alega erros processuais. No Público de anteontem, Luís Mergulhão, da Omnicom Media Portugal, dizia à jornalista que havia a perspectiva de uma quebra de 8,2% do investimento publicitário para 2009, seguindo a tendência de 2008 (baixa de 1,1%) Os 8% iam atingir nessa proporção os três canais televisivos de sinal aberto, dependentes em 90% da publicidade. Daí, ele pensar que a imprensa e a televisão se ressintam ainda mais com o aparecimento do 5º canal na plataforma de televisão digital, caso da Telecinco, que se propõe conquistar 20 a 25% das audiências. Já no Diário de Notícias de ontem, Frederico Ferreira de Almeida, presidente da APIT (Associação de Produtores Independentes de Televisão), dizia ser uma nova oportunidade para a indústria do audiovisual o surgimento de mais um canal. Quantos mais canais, mais possibilidades há em fazer programas.
De Luís Mergulhão compreendo o receio da dispersão de publicidade por mais um canal, mas não sei se o novo canal vai conseguir a quota de 20% ou mais de mercado. Que programação é que vai trazer o novo canal para conquistar tamanha audiência? E quem são os dirigentes da Telecinco? Acredito na dispersão mas haverá receio por parte dos anunciantes? Quanto a Ferreira de Almeida, partilho com ele a convicção de que mais canais significam mais possibilidades de produção externa. O ponto de partida dele é a existência de espaço de crescimento de produção fora dos canais, incluindo a TVI. Mas deste canal não se ouve a opinião, ao contrário da SIC, que teme a concorrência e assume uma posição pessimista sobre a abertura do novo canal.

AS TELEVISÕES PÚBLICAS NA ÓPTICA DE FRANCISCO PINTO BALSEMÃO
A base do seu pensamento é já conhecida: ele é favorável a um mercado de media saudável e privado e quer uma legislação adequada nas regras de financiamento da televisão pública. Assinando o artigo na qualidade de presidente da European Publishers Council (EPC) e na de dirigente (CEO) da Impresa, Balsemão entende que a televisão pública está a alargar as suas actividades na televisão digital, por cabo e na internet quando não está legislado a migração para essas plataformas. A televisão pública é financiada pelo erário público e deve restringir-se ao legislado.
AUTO-REGULAÇÃO NA PUBLICIDADE DENTRO DOS PROGRAMAS

Peças publicadas no Público e Diário de Notícias de ontem davam conta do acordo entre os canais generalistas das regras para publicidade dentro dos programas (product placement). Este esforço de auto-regulação, que surge na sequência de numa directiva europeia, resultaria num acordo a assinar pela Conferederação Portuguesa dos Meios de Comunicação Social (CPMCS) e pelo Instituto Civil de Autodisciplina da Publicidade (ICAP), após 12 meses de negociação. As notícias indicam também ser Portugal o primeiro país a aplicar legislação para o product placement.
6.2.09
RÁDIOS LOCAIS - UMA CARACTERIZAÇÃO
Quanto às rádios locais, eixo central do estudo, indica que há pouca informação em termos de audiências e investimentos publicitários. Curiosamente, uma das principais fontes de informação do estudo é a Marktest e os resultados que esta entidade publica regularmente; daí que o estudo parta do preço médio de um spot publicitário a partir de preços de tabela indicados nos estudos da Marktest - 198 euros numa rádio nacional e 15 euros numa rádio local. Com as taxas de desconto a poderem ir até aos 80% nas rádios nacionais e 60% nas rádios locais, os valores reais são de 40 euros numa rádio nacional e 6 euros numa local (aqui, pode descer até aos 3 euros, conforme se explicita melhor na página 126).O estudo assenta em dois sectores fundamentais (análise internacional: Estados Unidos, Espanha, Reino Unido, França; análise nacional, com especial incidência nas rádios locais) e em duas metodologias: inquérito (165 rádios locais; num outro sítio, li 181 rádios) [ver análise nos parágrafos seguintes] e 8 entrevistas a responsáveis de rádios locais. Das estações analisadas, apenas 7 têm facturação superior a 500 mil euros, 25 entre 200 e 500 mil euros e as restantes abaixo de 200 mil euros. Assim, o valor da média de facturação por rádio anda nos 23180 euros, apesar de ser um dado meramente estimativo, quanto se percebe do estudo (página 141), com as áreas da Grande Lisboa e Grande Porto a serem as maiores geradoras de publicidade. Quanto a recursos humanos, a média em cada rádio local é de 4 empregados (aparece um desvio na zona do Ave, com 15 empregados, como se lê na página 136, certamente um erro de preenchimento não explicado; da mesma forma, o Ave aparece em primeiro lugar na facturação média, como se lê na página 121). As 20 rádios mais rentáveis têm poucos ou nenhum empregado (esta observação parece-me estranha, pois pelo menos deve haver alguém que liga a electricidade e os computadores que transmitem música), com custo anual por empregado de 7 mil euros. A audiência média é de 23 mil habitantes (a nomenclatura melhor seria ouvintes) (página 21).
A maioria da programação das rádios locais é generalista (94%) e temática (as restantes). A caracterização do mercado das rádios locais começa na página 65 do estudo (83 rádios do litoral, 70 do interior, 12 das regiões autónomas). A programação temática dos operadores abrange cultura (86%), música portuguesa (81%) e crenças religiosas (47%). Mas muita da produção é externa às estações, caso da cultura, com 60%, o que permite uma estrutura mais flexível de custos. Em termos de regularidade de programas em diversas temáticas ficam aqui alguns números: 58% em ambiente, 53% para públicos femininos, 84% sobre cultura, 78% para públicos infanto-juvenis, 96% quanto a música portuguesa, 39% em termos de noticiários em cada hora, 92% quanto a informação regional, 79% com participação pública, 91% dedicados a informação desportiva.
Anoto alguns problemas no estudo, o principal dos quais é inerente ao inquérito: responder não significa que os dados reflictam a realidade do sector. A mim, parecem-me exagerados os valores da programação regular, excepto no desporto. Não há forma de despistarmos os dados com este método, sem qualquer análise qualitativa à programação. As entrevistas ajudam a colmatar algumas das dificuldades identificadas, apesar da incidência em rádios a norte do Mondego, o que compromete a leitura do país. Outra falta é a ausência de bibliografia: apesar da evidência de poucos estudos, eles fizeram-se, caso dos do Obercom. Igorar isso é falta de consideração.
Mas o balanço é muito positivo, pois o inquérito representa o melhor estudo sobre a rádio que eu conheço, o que permite olhar melhor para o sector.
Autores: Change Partners (José Bastos, Maria João Rego, Rui Lopes) e Escola Superior de Comunicação Social (André Sendim, António Belo, Carlos Andrade)
5.2.09
PORTO
Foge do estereótipo do taxista mais velho, que recorda Salazar. Nem referiu o escândalo do Freeport.

TELEFONES E REDES
4.2.09
CIDADANIA DIGITAL NO ISCSP A 19 DE MARÇO
COMUNICAÇÃO NO PAPEL E NO ECRÃ EM CONFERÊNCIA NA MADEIRA
O título da conferência é Moving Messages: the art of kinetic typography, onde o docente da Escola de Design da Carnegie Mellon University aborda questões como as diferenças da comunicação no papel e no ecrã e as suas distintas interpretações. A apresentação terá carácter prático (com exemplos reais).
UMA CÂMARA VÍDEO NO OLHO HUMANO

Rob Spence, operador de câmara canadiano que elabora documentários, perdeu o seu olho direito aos 13 anos. Agora, ele e uma equipa mista (médica, de engenharia e informática) estão a desenvolver um sistema de implantação de câmara vídeo nesse olho (um vídeo sobre o assunto pode ser visto aqui, depois de um curto anúncio. Chamo a atenção para quem é sensível a cenas de violência, pois o vídeo pode cair nessa classificação).
Spence quer ser uma espécie de little brother biónico (por oposição ao "Big Brother" do livro de Orwell). Mais pormenores no sítio Eyeborgblog. Spence irá discursar na conferência 2009 “Digital News Affairs (DNA), pelo que, algures em San Francisco, se está a trabalhar afanosamente para produzir um protótipo a tempo da sua participação nesse evento. É a prótese quase ideal para o registo e cópias futuras de tudo o que se vê, ideia simultânea de sonho (dar visão aos cegos) e de terror (a manipulação que o uso pode originar).
CINEMA DE ANIMAÇÃO

A MONSTRA, Festival de Animação de Lisboa, a decorrer de 9 a 15 de Março próximo, comemora na sua oitava edição os 93 anos do Manifesto Dadaísta e os 90 anos da sua expressão inicial no Cabaret Voltaire. Para além de workshops, exposições e masterclasses, destacam-se as longas-metragens de animação Fear(s) of the Dark, de múltiplos realizadores, e Sita Sings the Blues, de Nina Paley, vencedora do prémio de melhor filme em festivais internacionais de animação, como o Annecy Film Festival. Têm presença confirmada o realizador e professor chinês Charles Zee, a realizadora japonesa Maya Yonesho e o compositor belga Nick Phelps.
3.2.09
MENDELSSOHN



CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE SIMONE WEIL
O MITO DA BIBLIOTECA UNIVERSAL

Com o título O Mito da Biblioteca Universal, José Afonso Furtado observa as referências eufóricas e recorrentes à biblioteca universal online e às bibliotecas digitais. Mas, acrescenta: "os supostos atributos de uma biblioteca ideal não são nem recentes nem resultam de um novo ambiente tecnológico, pois são um sonho partilhado por todas as culturas dependentes da palavra escrita".
Editado pela BAD, Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas, é um texto de 20 páginas que fala das bibliotecas ideais de Alexandria e de Babel, Jorge Luis Borges, acumulação do saber e angústia da perda e do renascimento do sonho: a biblioteca digital. Hipertexto, links, livro digital, infra-estruturas da informação (Google, Amazon, iTunes), blogues e enciclopédia são outras das existências ou ideias do texto de Furtado. A ler com atenção.
FINALISTAS DO PRÉMIO DE INDÚSTRIAS CRIATIVAS
TEORIA DOS MEDIA, TEORIA DA COMUNICAÇÃO
Por seu lado, a forma mais habitual de dividir a teoria dos media segue o triângulo clássico de produção, textos e audiências, caso dos manuais de teorias da comunicação de McQuail (2005), Williams (2003) e Gripsrud (2002). A base é o modelo de circuito da cultura da Open University (Hall, 1997), o qual alarga a discussão tida por Hall no modelo de codificação e descodificação (Hall, 1973). No texto da Open University, acrescentam-se ao triângulo os tópicos de representação, regulação e identidade. Deste modo, surgem especialistas em análise textual, em análise de produção e em estudos de audiências, com interesses teóricos e fontes associados a cada um dos tópicos.
Estes contributos de ensinar a teoria dos media são ecuménicos. Mas têm, para Hesmondhalgh e Toynbee, um valor estreito, dado o mediacentrismo da proposta. Os autores salientam dois pontos essenciais: 1) os estudos dos media pensam-se como críticos, 2) a teoria dos media opera o conceito de causalidade, a ideia que as coisas acontecem de uma dada maneira. Os autores entendem que falta reflectir o problema da causalidade social. No centro está o longo debate entre estrutura e acção, com partidários de ambos os lados (por exemplo, a disputa funcionalista-interaccionista), mas igualmente a síntese necessária aos dois lados.
TEORIAS DA COMUNICAÇÃO
As teorias principais referem produtos: notícias, bens culturais, da produção ao consumo, da propaganda ou publicidade à percepção e à recepção. Elas trabalham conceitos de outras ciências sociais: sociologia, psicologia, semiótica, cibernética. E a arte e a cultura. As teorias aplicam-se a vários domínios: podemos interpretar um filme, uma peça musical ou teatral, um texto de jornal, um livro como Diários de Viagem (de Eduardo Salavisa, 2008, com a primeira edição já esgotada). São meios para explicar como se processa uma mensagem, como se prepara, como chega ao receptor, se este é passivo ou activo. Um texto presta-se a ser interpretado, de acordo com a nossa idade, nível cultural e económico. É isso que os cultural studies explicam. Ao invés, a teoria hipodérmica nasceu com um pressuposto científico: uma mensagem chegava a todos com igual incidência.
As teorias são como conversas, termos e conceitos sobre uma actividade, um assunto. As teorias ocupam-se da produção, da recepção, da transmissão no indivíduo e na sociedade. Estudam os seus modos de organizar e de interpretar. A sua pluralidade significa pontos de vista, dificuldades de afirmação universal de uma perspectiva, mesmo que se afirme científica. As teorias da comunicação demonstram essa capacidade de multiplicar e discernir pontos de vista.
As teorias da comunicação surgem, frequentemente, divididas entre: 1) teoria, e 2) estrutura social e métodos. Provêm de pontos de vista: 1) teorias cuja origem se destina a explicar a organização capitalista do mundo, como as dos efeitos (ilimitados, limitados) ou investigação administrada (Lasswell e trabalhos de Lazarsfeld), 2) com influências marxistas, como as dos culturais studies (Stuart Hall, Open University) e da escola de Frankfurt (Adorno e Horkheimer), 3) teorias fundadas na linguagem, como a semiótica (Barthes, Peirce), 4) sociologia do jornalismo (produção e constrangimentos profissionais, recepção e audiências) (Michael Schudson), 5) determinismo tecnológico (McLuhan), 6) teoria matemática da informação.
2.2.09
EUROVISION

Nos dias 29 a 31 de Janeiro e 5 a 7 de Fevereiro, o Teatro Praga (Lisboa) leva à cena a peça Eurovision na Fábrica da Rua da Alegria (Porto). A obra reflecte a Europa das línguas e culturas nacionais e o festival internacional de televisão que leva aquele nome.
Gostei particularmente do primeiro sketch. O actor tem um longo monólogo onde se expressa nas múltiplas línguas europeias (com legendagem electrónica, pois o espectador vulgar não conhece russo, sueco, croata e outras línguas). São textos tirados de Anton Tchekov, Bertold Brecht, Eduardo Lourenço, Jean-Luc Godard, Ingmar Bergman, Michel Foucault, Umberto Eco, Samuel Beckett e muitos mais. Sentado, de pé, a vaguear por um espaço da sala, a fazer de dançarino, a trazer a cadeira para mais perto da assistência - gostei do trabalho do actor. Retiro do texto de Eduardo Lourenço que acompanha o programa: "Não há existência política sem poder que a assuma como sujeito dela, e um tal poder não existe como suporte de nenhuma Europa. Politicamente só há europas. Não foram muitas [nações que reinaram na Europa]: a Espanha até ao séc. XVI, a França, a Inglaterra, a Áustria, a Rússia, a Prússia e a Alemanha sua continuadora, em seguida. Neste momento nenhuma nação é a Europa".
A peça reflecte esta ausência de poder pela presença de múltiplas línguas. E olha o festival de música da Eurovisão com uma grande acutilância. O kitsch, o pimba, o negócio dos que ganham, a fugacidade da estrela, estão espelhados no sketch. Os dois jovens actores movem-se com muita facilidade, ironizam bastante, oferecem uma fatia de bolo de não sei que aniversário, envergam um asséptico fato branco de trabalho com uma lanterna de mineiro. Talvez porque a Europa esteja menos bem e se ande a examinar as profundezas do solo. Ou porque, como diz o programa, a cultura dos diferentes povos se expresse numa parada de falta de gosto uniforme (a última palavra parece-me a mais).A peça levou-me a reflectir. O festival da Eurovisão, ainda no tempo da paleo-televisão, foi a descoberta, a nível da Europa, de um concurso de música ligeira. Durante anos, a BBC albergou o projecto. A par do futebol, foi uma das áreas de maior associação (e rivalidade) nacional (nacionais). Venciam normalmente os países mais poderosos, que pressionavam através dos lóbis da indústria do disco e dos espectáculos, alguns que o texto de Lourenço aponta (ao invés, agora, os países de leste europeu votam entre si e ganham as competições, com novas simetrias de poder). Claro que se criou e produziu um estereótipo, uma visão antiquada, dentro do conceito de espectáculo colorido, com ideias copiadas do teatro musical, com coristas, cenários e orquestras, em que cada país fazia um concurso anterior, de onde nomeava o seu representante no certame internacional, coisa que o futebol já fazia nos seus campeonatos.
Recordo algumas participações portuguesas: Simone de Oliveira (Sol de inverno, 1965; Desfolhada, 1969), Madalena Iglésias (Ele e ela), Fernando Tordo (Tourada), Paulo de Carvalho (E depois do adeus), Carlos Paião (Playback), Maria Guinot (Silêncio e tanta gente), Dulce Pontes (Lusitana Paixão), Sara Tavares (Chamar a música). Algumas dessas canções, em especial várias das primeiras, produziram fortes incómodos políticos. E recordo alguns artistas e canções vencedoras: Abba (Waterloo), Céline Dion (Ne Partez Pas Sans Moi), France Gall (Poupée de cire, poupée de son). Em 1964, em Copenhaga, se um homem envergava um pano onde se lia "Boicotem Franco & Salazar", quando entrava a canção suíça, uma jovem italiana de 16 anos, Gigliola Cinquetti, saltava para a fama.
A Fábrica da Rua da Alegria, no número 341 daquela rua do Porto, é um edifício da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo onde estão alojados, no presente, onze ou doze associações (teatro, música, produtoras). Edifício dos anos de 1950, foi fábrica de tecidos e de malhas e estava desactivado no começo da presente década. A entrada do edifício tem dignidade, o que quer dizer que a fábrica tinha algum prestígio, numa altura e num local onde havia outras unidades fabris, como cartonagem e indústria metalo-mecânica leve, sítio não muito longe do Coliseu do Porto, do jornal Primeiro de Janeiro e da rua (muito comercial) de Santa Catarina.
1.2.09
JORNALISMO DIGITAL
Destaco: "¿Qué hacer en 2009?", com Javier Blas (Financial Times), Koro Castellano (El Mundo) e Rosalía LLoret (iRTVE); "El periodista empresa", com Ander Izagirre, David Beriain e Sergio Caro; "Éxito en la crisis", moderado por Jorge Alcalde e com Andrés Rodríguez, Antonio Ábalos, Gumersindo Lafuente e Ícaro Moyano; colóquios e tertúlias "Internet, política y periodismo" e "Literatura en los blog", com Antón Castro, Juan Cruz e Miguel Ángel Muñoz; "Después del iPhone"; "Informar desde la cocina", com Cristina Alcalá, Paco Nadal e Sara Cucala; "Formación del periodista: las habilidades digitales", com James Breiner e Ramón Salaverría.
ESTATÍSTICAS DA CULTURA DE 2007

Segundo as Estatísticas da Cultura, Desporto e Recreio 2007 do INE, nesse ano foram editadas 1994 publicações periódicas, com 81% em papel e 19% em simultâneo através de papel e formato electrónico. A maior parte das publicações periódicas (52%) ficou classificada em generalidades e reportagem, com 79% em jornais e 35% em revistas. Segundo o mesmo anuário, destacam-se as revistas de âmbito temático em ciências aplicadas, medicina e tecnologia (24%), ciências sociais (16%) e artes, recreio, lazer e desporto (12%).
Outros dados do mesmo anuário de 2007: referente a despesas das famílias em cultura, o valor representava 5,7% na despesa total anual média. As galerias de arte e espaços de exposições temporárias (804 espaços) promoveram 6609 exposições individuais e colectivas, movimentando 259044 obras expostas de 33996 autores, visitadas por 6,9 milhões de pessoas.
No conjunto dos espectáculos ao vivo, realizaram-se 27650 sessões (diurnas e nocturnas), com um total de 9,8 milhões de espectadores e uma receita de 66,4 milhões de euros, sendo o teatro a modalidade com maior expressão entre os espectáculos ao vivo (43% das sessões realizadas), mas os concertos de música ligeira tiveram mais espectadores (3,7 milhões) e mais receitas (29,7 milhões de euros). No cinema, houve 606 mil sessões, com 16,3 milhões de espectadores e 69,1 milhões de euros de receitas. Os filmes norte-americanos foram vistos por 73% dos espectadores e os europeus por 8% dos espectadores.
























