sexta-feira, 8 de abril de 2005

PRODUCT PLACEMENT: UMA FONTE DE RECEITAS

É o tema principal da secção "Marketing&Marcas" do Diário Económico de hoje, com peças assinadas por Marta Diniz de Araújo e Raquel Correia.

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O que é o product placement? Trata-se de "uma técnica de marketing que as marcas usam para a sua própria promoção, aparecendo em séries de ficção, programas ou reality-shows", lê-se no jornal. Para ser mais simples, basta lembrar - acrescento eu - as conferências de imprensa de treinadores e jogadores de futebol. Aparecem sempre com um e o mesmo boné, publicitando uma determinada marca.

Na principal peça dedicada ao tema de hoje do Diário Económico, escreve-se que as razões do crescimento da técnica de marketing se prendem "com os avanços tecnológicos, a fragmentação da audiência e a crescente fama de meios como a internet e os jogos vídeo". Mas, na televisão, a principal razão do product placement é a compensação do zapping por altura dos intervalos para publicidade. O telespectador não tem, assim, a mesma facilidade de mudar de canal enquanto dura o período de publicidade.

Marta Diniz de Araújo e Raquel Correia falam de programas como Gato fedorento, Quinta das celebridades (TVI) e Querido, mudei a casa (SIC Mulher) como alguns onde o product placement é mais visível. Para a produção do primeiro dos programas acima identificados, foi graças a essa técnica que o programa teve condições financeiras para "ir para o ar". Uma das empresas que aposta no product placement investe na ficção, em pivots de canais televisivos e em figuras públicas. As áreas que mais apostam nesta técnica, continua a ler-se no Diário Económico, são as dos telemóveis, bebidas, roupas, automóveis e alimentação.

Também no cinema, o product placement é empregue. O documentário Farhenheit 9/11, por exemplo, contém referências a 54 marcas. Para a Brandchannel, os documentários têm a particularidade de reflectirem a realidade, “e a realidade é que vivemos num mundo cheio de marcas”, conclui uma das peças do jornal económico.

quinta-feira, 7 de abril de 2005

NEWSLETTERS

Embora de modo não regular, tenho acompanhado a proliferação de newsletters electrónicas que falam sobre Lisboa e a sua cultura em termos de indústrias criativas (e em que identifico como tendo sido meus alunos alguns dos seus membros). Uma delas é a Rua de Baixo, com Hugo Pinheiro como jornalista, e que já destaquei aqui a produção dessa newsletter.

Mais recentemente descobri (ou foi-me dado a descobrir) a Plasticina, com Gonçalo Caldas (gestor de projecto, editor de áudio e chauffeur de praça) e Marta Frade (relações públicas e chefe de cozinha), entre outros. Como ideia, "O projecto plasticina surge como um desafio académico, mas desde logo pensado como algo a dar continuidade fora do âmbito universitário. Os objectivos passam pela criação de um espaço onde novos projectos artísticos possam ser divulgados, aproveitando as capacidades actuais do multimedia on-line para possibilitar uma outra forma de acesso à arte".

Fotografia, design gráfico e desenho incluem-se nas artes que fazem parte do seu portfólio. Mas também a joalharia, caso de Filipa Rodrigues, que usa "materiais nobres e materiais alternativos, como a borracha, o vidro, o plástico" [nas duas imagens vêem-se duas criações da jovem artista, que frequenta presentemente o curso de Design de Moda da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa]. As suas peças são "ajustáveis a todos os dedos (no caso dos anéis) e, como peças articuláveis que são, as pessoas que as usam podem usar a imaginação e alterar a sua forma original".

Observação 1: a newsletter Plasticina tem um conjunto de links para outras newsletters, o que permite acompanhar o movimento e estudar que áreas das indústrias criativas estão a ser mostradas.

Observação 2: não conheço a estrutura destas newsletters, para além do nome dos colaboradores inseridos na ficha técnica. Não sei o seu suporte económico nem a inserção em movimentos mais vastos. O ideal seria passarem de espaços experimentais e de entidades sem fins lucrativos para organizações vivendo de publicidade e de actividades próprias, gerando riqueza e emprego. Utopia?
NÓS, OS MEDIA - DE DAN GILLMOR

O livro Nós, os media saiu, em Portugal, já este ano. Li, creio, que foi a primeira tradução a partir do original de Gillmor, dado à estampa nos Estados Unidos o ano passado. Curiosamente, a sua leitura despertou-me a lembrança de outros dois, que tinha cá em casa e resolvi fazer uma cópia da capa.

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O primeiro, de Alvin Toffler, Choque do futuro, lançado nos Estados Unidos em 1970 e publicado em Portugal pelos Livros do Brasil (sem data), impressionara-me pela quantidade de dados coligidos na obra. Descobri depois que ele tinha uma batalhão de colaboradores. Li, pela primeira vez, ideias fundamentadas em torno da mudança, transitoriedade, novidade e velocidade. Impressionei-me com a necessidade do indivíduo estar preparado para mudar de profissão ao longo da sua vida activa, como forma de combater as alterações empresariais e do mercado em si. Aquilo que, quando li, me parecia algo estranho, hoje qualquer pessoa o pode constatar.

Um elemento comum a este e ao livro de Howard Rheingold - para além de uma profunda reflexão sobre as tecnologias da comunicação - é o optimismo com que escreveram os seus trabalhos. A comunidade virtual, de 1993, entre nós editada pela Gradiva, numa colecção soberba, em 1996, fala de mudanças já do plano material ou físico para o das redes virtuais. O que outro autor, agora mais na moda - Manuel Castells -, nos tem mostrado com outra ênfase social. Em Rheingold, aprendi a formação das comunidades assentes em redes da internet, com amizades e parcerias de longa duração, e que os almoços e jantares recentes com blogueiros eu posso confirmar.

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Gillmor traz também a marca de optimismo no seu texto. Se Toffler vinha de um domínio mais identificado com a economia e a antropologia e Rheingold da comunidade das ciências exactas, Gillmor apresenta-se como jornalista. Há, em todos os textos, um determinismo tecnológico que dá pouco espaço à compreensão da apropriação social e cultural das tecnologias por parte de quem as usa - como se encontra em Marshall McLuhan. Visível é quando Gillmor se refere às ferramentas de criação (música, vídeo digital) (p. 164), sem olhar para as relações no mercado laboral. Também comum aos três é a capacidade de contarem histórias com exemplos práticos e um esquema de quase suspense, o que não acontece com os autores franceses, mais lógicos ou cartesianos. Mas, nestes, somos capazes rapidamente de extrair uma síntese. Com os autores americanos isso custa-nos mais. Há também um esforço pedagógico nos escritores americanos: eles captam a realidade quotidiana e dizem-nos como actuar perante uma situação determinada.

Código aberto e cidadania

Quando a tradução surgiu, o livro de Gillmor foi muito aplaudido pela comunidade da blogosfera. Vi, em vários blogues, a reprodução da capa, como o faço neste momento. Mas notei alguma displicência na sua análise. Talvez porque saudassem o seu aparecimento e o começassem a ler depois (eu também fiz referência ao livro num post anterior). Olhando agora o livro, sinto necessidade de o desconstruir. Confesso que não me encantou por aí além. Ele conta muita coisa, ensina umas dicas tecnológicas, mostra-se muito entusiasmado embora chame a atenção para alguns desvios (no caso da legislação e no controlo das empresas multinacionais), por vezes confunde blogosfera com jornalismo (mas observa que isso não é verdade: página 234, citando um colega). Sem ser demasiado severo para com Gillmor, a única vantagem que nele encontro relativamente ao texto de iniciação aos blogues de António Granado e Elizabete Barbosa (Weblogs. Diário de bordo, 2004) é a maior quantidade de exemplos práticos.

As últimas páginas são claras: para ele, o livro mostra como a "colisão do jornalismo e da tecnologia está a ter consequências para três grupos de indivíduos: jornalistas; aqueles que são objecto das notícias; público" (p. 228, também nas pp. 15-16) [imagem do autor retirada do seu blogue Dan Gillmor on Grassroots Journalism, Etc.]. Apesar das loas às novidades, Gilmor conclui que os media (os grandes media) ainda estão a precisar de ouvir, de mudar as estruturas verticais, o que se aplica também aos jornalistas. As ferramentas digitais ainda não estão bem aproveitadas pelos jornalistas, mas também pelos gestores e mesmo pelos políticos. Quanto ao "antigo público", como ele chama, tem de ser mais activo e interveniente. Aqui entram os conceitos de jornalismo de proximidade ou cívico e de código aberto, porventura os aspectos mais interessantes do seu livro.

O blogue situa-se num espaço entre o e-mail e a Web, escreve Gillmor (p. 45). Um blogue é postcêntrico (centra-se na unidade e no tempo) ao passo que a Web é página-cêntrica, em que a página é a marca estrutural. E o jornalista cita Jay Rosen, simultaneamente autor que reflecte a blogosfera mas também um arauto do jornalismo cívico, onde se apela ao uso, por parte dos cidadãos, de listas de e-mails, blogues, sistemas de gestão e assinaturas de acesso a conteúdos de outras pessoas para passarem informações úteis às comunidades (p. 42). Para Rosen, o blogue deriva da economia da troca, ao passo que o jornal tradicional é um produto da economia de mercado. Por outro lado, o jornalismo tornou-se um domínio de profissionais, enquanto os blogues são predominantemente amadores. E se até agora, acrescenta Gillmor, os blogues são usados a título individual, o futuro será dos blogues de grupo, a que a adição de som, vídeo e animação vai trazer muitos novos visitantes.

Há uma referência ao Linux e a muitas outras aplicações de software e sistemas operativos livres. Muitos dos utilizadores "contribuem com pedaços do que vai tornar-se um código padronizado. Em muitos casos, o software de código aberto é tão bom, ou melhor, que a variante comercial" (p. 35). Os blogues entram nesta caracterítica de código aberto, pois não estão sujeitos a hierarquias e imposições de controlo do que se faz e não pode fazer. Mas já anteriormente havia a disponibilidade de listas de correio electrónico e de salas de conversação, abertas à intervenção pessoal.

Há recados para a comunidade jornalística, quando Gillmor escreve sobre os riscos da criação de blogues por parte de jornalistas que se querem libertar das suas empresas que os inibem quanto ao tratamento de certos temas (pp. 123-124). Dando o nome ou actuando sob anonimato, há o perigo de despedimento ou de perda de funções. A explicação é que "os interesses individuais exteriores ao jornal não podem entrar em conflito com [...] os deveres profissionais" (p. 124).

Como penúltima referência nesta rapidíssima passagem pelo livro de Dan Gillmor, acrescento que as suas observações colocam-se para além do universo dos jornalistas e alocam áreas como a governação, o marketing, as relações públicas, as empresas e o público. A esperança dele conflui no desejo de um melhor e mais rápido e eficaz jornalismo, capaz de tornar cada um de nós para além do consumidor: o cidadão atento.

Finalmente, um dos tópicos eleitos pelo experimentado jornalista é o dos direitos de autor (copyright). Uma parcela do livro foi publicada na internet como forma de recolher críticas e sugestões. Daí, Gillmor falar em autoria com alguns direitos reservados (p. 230), expirando os direitos de autor ao fim de 14 anos. Contudo, a edição em português traz a indicação "Todos os direitos reservados". Em que ficamos?

quarta-feira, 6 de abril de 2005

AUDIÊNCIAS

1) Televisão

Em Março, segundo a Marktest Audimetria/MediaMonitor, a SIC obteve 29,0% de share de audiência, a TVI 27,6%, a RTP1 24,5% , a 2: 4,8% e o vídeo e outros canais 14,0%. O gráfico da evolução mensal do share de audiência, mostra uma tendência de aproximação entre SIC, TVI e RTP1 - quatro pontos e meio separam a RTP1 do canal com maior share em Março.

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AudTv-S.JPGNos programas mais vistos no mês que terminou recentemente, o futebol liderou, com a presença de oito jogos nos principais 15 programas mais vistos. O top registou ainda a presença dos dois programas de humor, dois programas de informação e de duas emissões do reality show da TVI, Quinta das celebridades II. A presença da novela da SIC, A senhora do destino, completa a lista dos 15 programas com mais audiência em Março. Esta obteve, no dia 30, 18,9% de audiência média e 49,2% de share de audiência.

Na lista dos 15 programas mais vistos em Março, sete foram exibidos pela TVI, seis passaram na RTP1 e os restantes dois foram exibidos na SIC.

2) Cinema

Conforme o sítio do ICAM, a semana de 17 a 23 de Março teve a seguinte assistência, em termos de espectadores, às salas de cinema: 1) The ring 2 - o aviso (de Hideo Nakata), com 64102 espectadores, 2) Hitch - a cura para o homem comum (de Andy Tenant), com 54358, 3) Robôs (de Chris Wedge), com 34677, 4) Million dollar baby (de Clint Eastwood), com 29373 [alcançando já um total de 212302 espectadores], e 5) Constantine (de Francis Lawrence), com 18948 espectadores. O filme português Um tiro no escuro, de Leonel Vieira, vem em 10º lugar, com 9144 espectadores.

Dos cinco primeiros filmes, dois são distribuidos pela Lusomundo, dois pela Columbia e um pela CLMC - Multimedia.
A SENHORA DO DESTINO

joanapinto1.jpgJá aqui tenho escrito sobre a novela brasileira âncora da SIC, A senhora do destino. Foi também o assunto escolhido pela aluna Joana Pinto, no módulo do mestrado de Media, Públicos e Audiências. Para além de uma componente teórica, ela observou os dados da audiência da novela nos dias 14 e 15 de Fevereiro último (valores fornecidos pela SIC).

Conclusões

1) apesar da campanha eleitoral (legislativas) então em curso, os níveis de audiência da novela mantiveram-se elevados. Às 23:06 de 14 de Fevereiro, a SIC atingia 41,9% de share, contra 3,5% da 2: (entrevista a Francisco Louçã, do Bloco de Esquerda), 16,4% da RTP1 (ficção histórica falada em português) e 24,6% da TVI (telenovela Mistura fina).

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2) durante o intervalo da telenovela da SIC, uma pequena parcela da audiência deslocou-se para a TVI (33,6% para 35,1% às 22:42 do dia 14). Seis minutos depois, quando ambos os canais estavam em intervalo, a SIC continuava na frente (33,5% contra 26,3%). Aliás, a preponderância seria mantida em grande parte do prime-time, entre as 22:21 e as 23:15.

3) quanto ao target, embora a RTP esteja bem implantada no norte do país, em especial no Porto, o que dificulta a penetração da SIC, a novela brasileira teve, no dia 14, uma maior audiência no Porto (43,5%) que em Lisboa (37,3%). Usando valores da audiência média, grande parte da audiência pertence à classe baixa D (18,1%) quando comparada com a classe média alta AB (10,8%). Há uma maioria feminina (15,4%) face ao público masculino (10,9%). Em termos de faixa etária, a audiência privilegiada (22,1%) situa-se entre os 55 e os 64 anos. As donas de casa são o grupo-alvo (16,2%) quando comparadas com as não donas de casa (11,5%).

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4) no dia 15 de Fevereiro, a SIC partiu em desvantagem (26,8%). Na RTP1 decorria um debate político, com 38,9%. A SIC diminuiria a diferença às 22:23 (31,8%) comparada com os 36,5% da RTP1. Minutos depois, às 22:50, quando termina o noticiário da televisão pública, a SIC chega aos 41,6% de share, ainda que a RTP1 tenha iniciado um desafio de futebol. Às 23:13, A senhora do destino somava 44,9% de share.

5) através dos snapshots, concluiu-se que a atenção dos telespectadores foi maior durante cenas dedicadas a Maria do Carmo, à sua procura pessoal para encontrar a filha raptada, ao seu núcleo familiar e à vilã da história (Nazaré). Também chamam a atenção dos telespectadores as acções de violência doméstica e cenas com cariz sexual.

terça-feira, 5 de abril de 2005

AS PÁGINAS DE MEDIA & TELEVISÃO DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS

Quem lê o Diário de Notícias e o Público vê a diferença quanto à secção de media, onde sabemos o que se passa nesse universo. Hoje, por exemplo: enquanto o Público tem uma página, o Diário de Notícias tem três. A razão parece-me simples: investimento de recursos humanos neste último.

A prova retiro-a, para além da evidência em páginas, da newsletter Meios & Publicidade, em notícia ontem publicada: "Nuno Azinheira é o novo editor-adjunto na secção de media do DN". O até agora "editor do suplemento de televisão do Correio da Manhã, a Correio TV, assume a partir de hoje o cargo de editor-adjunto na secção de media do Diário de Notícias. A confirmação desta informação foi feita ao M&P pelo editor da secção no jornal da Lusomundo, Miguel Gaspar, que justificou esta nova contratação com a «necessidade de reforçar a equipa de media em áreas específicas»". A mesma newsletter recorda que, em Fevereiro, a jornalista Paula Brito, ex-coordenadora da secção de media do Jornal de Negócios, também ingressara na equipa redactorial dos media do Diário de Notícias.

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Se estivéssemos a falar de futebol, os jornalistas escreveriam indesculpavelmente de reforços, como se cada jogador que entra não significasse a saída de outro. Reforçar, diz o dicionário da Porto Editora, é fortalecer, reanimar. O reforço futebolístico visa animar o que estava desalentado ou derrotado. Ora, o jornalista do M&P usou o mesmo termo: reforçar. Claro que o jornal da Avenida da Liberdade precisa de nova força, pois os anos anteriores não foram muito positivos. O valor de um jornal também se mede por uma boa secção de media - como aliás o bom suplemento à sexta-feira, que inclui o DNA e o DN:Música, para mim dos melhores suplementos da imprensa de qualidade.

Com certeza que a entrada destes novos elementos na secção dos media dirigida por Miguel Gaspar - por quem eu tenho grande admiração como profissional, e que espero que leve a cabo a sua tese de mestrado, como já aqui escrevi - significa um reajuste de elementos no seu pequeno grupo. Uns entram, outros ficam alocados noutras secções. Espero para confirmar na ficha técnica.

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Imagens: as duas mais acima referem-se a uma página do jornal de hoje, onde se escreve sobre os "escritores" da Quinta das celebridades; a de baixo reporta ao DN:Música de sexta-feira, dia 1, com discografia da banda portuense GNR.
PROGRAMAS INFANTIS DA RÁDIO

O Século Ilustrado, entre Dezembro de 1938 e Janeiro de 1939, fez um conjunto de foto-reportagens em torno das emissões infantis das rádios de Lisboa. De entre as belas imagens ali reproduzidas, captei três para este post. Em todas elas, o microfone ocupa a posição central. As legendas vêm depois das fotografias.

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Imagem de cima: intérpretes da "bicharada" do programa infantil O papagaio, na Rádio Renascença. Imagem do centro: diálogo entre Maria Rosa Farinha e Maria Alice Marreneca, esta uma jovem poetisa de dez anos e que entrara no filme A aldeia da roupa branca, no programa infantil da Rádio Sonora, à rua Morais Soares. Imagem de baixo: diálogo de Maria de Lurdes Manaças (que também cantava) e Maria Luísa Alves, a mais pequena das colaboradoras da Rádio Hertz, à rua do Cardal (bairro da Graça), no programa infantil da estação.

Retiro uma parcela do texto editado no Século Ilustrado de 3 de Dezembro de 1938: "As emissões infantis têm, pois, um público de todas as idades e só são infantis porque nelas intervêm algumas crianças. Pior assim? Talvez não! As emissões infantis, que melhor seriam designadas por emissões recreativas, se fossem destinadas somente a crianças teriam de ser totalmente modificadas, visto que à sua organização deveria presidir um critério pedagógico que a prática tem demonstrado a impossibilidade de atingir. Daí - dizem todos os entendidos - as emissões infantis terem redundado em programas recreativos para «miúdos e graúdos». E porque não confessá-lo"?
IMAGENS DA MULHER

anacostalopes.jpgSerá lançado na próxima quinta-feira, pelas 18:30, na Universidade Católica Portuguesa, o livro de Ana Maria Costa Lopes, Imagens da mulher na imprensa feminina de oitocentos. Percursos de modernidade. A editora é a Quimera.
VIDEOBLOGUE .:: 10 SEGUNDOS ::.

10segundos.JPGO blogue chama-se .:: 10 segundos ::. e apresenta "ideias, pensamentos e reflexões em imagens". É um videoblogue (ou vlog) assente "essencialmente em pequenos filmes da autoria de um grupo de amigos", conforme me disse um dos seus elementos. Os seus autores: Hugo Neves da Silva, Estevam, LP, cajosilva, inspiration is the key e Nuno Santos. A quem me visita sugiro um salto a este novo blogue e que faça sugestões.

Começaram no dia 31 de Março. Desejo boa sorte aos videoblogueiros.
VW CAROCHA: UM OBJECTO DE CULTO

paulocavaleiro2.jpgFoi o tema escolhido por Paulo Cavaleiro no trabalho para o módulo de Media, Públicos e Audiências. O VW começou como uma encomenda do ditador Hitler em 1934 ao engenheiro austríaco Ferdinand Porsche para produzir um pequeno automóvel para o povo, que fosse conduzido nas novas auto-estradas. Porsche tornar-se-ia um nome mítico de design de automóveis desportivos e de competição.

A produção à mão começou em 1938 e a produção em série já em 1941. Depois, ainda durante a II Guerra Mundial, a fábrica seria bombardeada três vezes. Nos anos seguintes ao fim do conflito, a VW voltou a produzir o beetle. Em 1949, a exposição industrial alemã apresentou o Carocha em Nova Iorque, o que representaria um lento mas importante mercado de venda fora do país de origem.

paulocavaleiro.jpgNascia um mito - o do controlo de qualidade obsessivo da marca do Carocha. A publicidade era provocadora: "é verdade, ele é feio, mas leve-o". A inserção de uma imagem grande em texto pequeno seria a identidade normal com que a marca se promovia. Do número crescente de vendas ao mito e ao culto - eis os patamares de reconhecimento do VW Carocha.

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Paulo Cavaleiro fez um inquérito a 108 pessoas, todas residentes em Lisboa e com carta de condução (67 do género feminino e 41 do masculino, com idades compreendidas entre os 22 e os 57 anos). Um tema que atravessou o inquérito foi a comparação entre o velho Carocha - "presente na memória das pessoas, a sua importância e simbolismo" (p. 10 do trabalho) - e o New Beetle. Os entrevistados foram convidados a escolher, de entre uma lista de onze características, quais as que se identificavam mais com os dois modelos. Longevidade, resistência e economia eram as características mais aptas para o velho Carocha enquanto o modelo mais recente da VW recolhia mais simpatias em estética e desportividade. O novo modelo era entendido como mais simples ao passo que o modelo original tinha um selo de maior originalidade e autoridade.

paulocavaleiro1.jpgEm termos de fãs, os adeptos do velho Carocha sentem-se mais intensivos e incondicionais que os do novo modelo. Ou seja, há uma relação emocional maior com o velho Beetle. A que se acrescentariam a história, a popularidade e a afinidade.

Escreve Paulo Cavaleiro: "Um pouco por todo o mundo, há clubes de entusiastas, pessoas que produzem uma série de actividades. Desde os que promovem a mera discussão e troca de ideias, através de fóruns ou blogues, passando pelos que partilham curiosidades ou material colectável (desde ficheiros de som com o barulho às mais banais imagens ou vídeos), aos que se dedicam à organização de passeios, eventos e encontros, onde desconhecidos se encontram e convivem a pretexto de uma paixão ou interesse comum, e acabando nos altamente especializados, que se dedicam ou a reconstruir ou recuperar modelos".

segunda-feira, 4 de abril de 2005

MAIS NOTÍCIAS DE HOJE

1) A morte do Papa na imprensa internacional

Segundo o sítio da BBC News/Europe de hoje, a morte do Papa João Paulo II é, de longe, o tema dominante nos jornais em toda a Europa. Por exemplo, o francês Le Monde chama ao Pontífice agora desaparecido "um papa verdadeiramente fora de comum" que "afectou os domínios espiritual e político" para além da Igreja Católica Romana. Ainda segundo o mesmo jornal, "a História lembrá-lo-á pela sua acção determinada pelos direitos humanos e pela sua luta tenaz contra todas as violações da liberdade de consciência e de religião". Já o alemão Frankfurter Rundschau considera que o próximo Papa terá dificuldades em quebrar o legado do Papa João Paulo II enquanto o russo Novaya Gazata escreve que, por cada ano que passou, aumentou a crença na santidade dele. Este último jornal lamenta que o Papa nunca tenha podido entrar na Rússia.

Para ler toda a revista de imprensa da BBC sobre este assunto, clicar em BBC News/Europe.

2) Rádio comercial digital na Holanda

De acordo com o blogue Media Network Weblog de hoje, o ministro da economia e o ministro das finanças da Holanda preparam planos para a introdução da rádio digital comercial (TDAB: Terrestrial Digital Audio Broadcast). Para além da melhor qualidade sonora, segundo o plano daqueles responsáveis governamentais, o TDAB permite o fornecimento de outras informações e dados, bem como serviços especiais como relatórios de tráfego rodoviário e previsões metereológicas, jornais electrónicos e actualização de sistemas de navegação.

A alocação de frequências para o TDAB será o primeiro passo para a introdução da rádio digital comercial, lê-se ainda na mensagem colocada no blogue acima enunciado. O plano para o switch off - passagem do analógico para o digital - ocorrerá na Holanda até 2019.
RÉMY RIEFFEL

Uma das obras mais sérias que li ultimamente sobre sociologia dos media é a de Rémy Rieffel.

remyrieffel.jpgComecei por ler os capítulos dedicados à cultura e às indústrias culturais (4º) e audiências e públicos (6º), matérias que dei recentemente na universidade. Mas obriguei-me a ler o conjunto do livro. Os outros capítulos do livro versam matérias tão importantes como política e opinião pública, propaganda e publicidade, os jornalistas e as tecnologias de informação e comunicação.

Concentrando-me agora no capítulo sobre cultura e indústrias culturais, o percurso seguido por Rieffel é semelhante ao meu (ou vice-versa), começando por referir Adorno e Horkheimer na sua Dialéctica da razão (pp. 90-91), a preferência do plural indústrias culturais pelo autor francês, a influência dos sociólogos do seu país, caso de Patrice Flichy, quando ele divide as indústrias culturais em dois modelos: 1) editorial, como o livro, o disco ou o filme, e 2) onda (eu traduziria por fluxo), caso do jornal ou da programação de televisão, que se produz regularmente (p. 93). Destaca ainda a concentração e a globalização empresarial e de produtos e releva a importância da recepção, nomeadamente os estudos culturais da Universidade de Birmingham, a partir dos trabalhos de Stuart (Rieffel nomeia Richard Hoggart).

Saltando para o 6º capítulo, Rémy Rieffel - que é professor do Institut Français de Presse (Universidade de Paris II), onde ensina especialmente sociologia dos media e teorias da comunicação - faz uma distinção muito precisa entre audiência e público em termos de estudos [imagem do autor retirada do sítio Institut Français de Presse]. Assim, os estudos de audiência "baseiam-se em inquéritos estatísticos que visam delimitar a população dos leitores" (p. 164) e incidem sobre "a sua estrutura, a sua extensão e, eventualmente, os seus juízos e apreciações". Quanto aos estudos do público visam "compreender os meandros do comportamento do receptor, revelar as suas motivações e apreender os universos de significações, as formas de participação ou de resistência que os media desencadeiam". O capítulo tem dados muitos interessantes sobre a aplicação prática destes estudos quantitativos (audiências) e qualitativos (públicos).

Aconselho muito a leitura do trabalho agora lançado pela Porto Editora, embora a bibliografia seja principalmente francesa e o livro um texto de divulgação e de caracterização de correntes e conceitos e não um projecto de investigação empírica puro.

Observação para os editores e gestores da colecção: na ficha técnica, o livro traz, a seguir ao nome da editora, a data de 2003. Mais abaixo surge a data de Novembro de 2004. Na realidade, o livro conheceu divulgação no começo deste ano. Há aqui um problema de marketing, a evitar em próximas publicações. A data de 2003 deveria eliminar-se, pois é o mais incorrecto possível. Mesmo a referência a 2004 torna o livro obsoleto. A tradição anglo-americana faz com que um livro publicado em Setembro de um ano leve a marca do ano seguinte. Assim, um livro editado num ano tem 15 a 16 meses de actualidade em termos de ano de edição.
A ERA DOS BLOGUES

É o título do texto de José Carlos Abrantes, na sua coluna do provedor do leitor do Diário de Notícias de hoje. Ele parte do tema do dia do mesmo jornal faz amanhã uma semana (e que eu próprio também aqui comentei).

Abrantes dá relevo aos blogues de adolescentes e dos jornalistas, enquanto "manifestação de uma vontade de pertença à cultura do seu grupo de pertença". Antes, e em duas frases muito bonitas e bem construídas, o provedor do DN escreve: "Não se pode deixar de saudar uma tecnologia que permite, sem tintas nem stencil, sem máquinas de escrever nem papel químico, dar voz aos que a não tinham. Com a particularidade de cada um decidir sobre os assuntos e sobre as formas como os aborda".

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O texto do provedor e o seu bloco-notas na parte inferior da página denotam muito trabalho na recolha de informação (uma investigação do próprio autor, uma peça no Le Monde, o livro de Rita Figueiras recentemente lançado, a página do Poynter Institute, um post de Jay Rosen, especialista da matéria, outros livros lançados há pouco tempo no mercado nacional).

Destaco mesmo os subtítulos da sua peça principal: 1) transparência de fontes e modos de acesso à informação, 2) maior rapidez no ciclo noticioso, 3) a notícia começa quando é publicada, e 4) maior facilidade de aceitação e correcção de erros. Em toda a página, há um evidente esforço pedagógico no sentido da criação de uma melhor profissão de jornalista. Basta ver a parte final do seu texto principal: "o Guardian agregou, no seu sítio, o melhor que foi escrito nos blogues de cidadãos de todo o mundo. Gente atenta, precisa-se". Contudo, em toda a página não há qualquer referência a uma carta ou email de um leitor, a um comentário ou uma sugestão. Esse é o trabalho específico do provedor! Esqueceu-se ele disso? Ou os leitores do Diário de Notícias estão contentes com o seu jornal e aceitam tudo o que ele publica?

domingo, 3 de abril de 2005

A MORTE DO PAPA

O mundo chora a morte de João Paulo II, figura fundamental na vida religiosa dos últimos 26 anos. Durante o período em que ele foi Papa, houve profundas transformações no mundo: a queda do muro de Berlim, o desmoronamento do império soviético, a guerra nos Balcãs, tudo aqui na Europa ou perto dela. Mas também as guerras no Iraque, o Afeganistão, o 11 de Setembro de 2001 (ataque às torres de Nova Iorque) e o 11 de Março de 2004 (atentados de Madrid). Em que a abertura aos problemas do mundo e dos países e às outras confissões religiosas foram marcas definitivas do Papa polaco.

João Paulo II viveu ainda num tempo dos media, que seguiram a sua peregrinação ao longo do papado. A televisão comercial (na Europa), o telemóvel, a internet são contemporâneos da sua permanência no Vaticano. Daí que este post reflicta um pouco essa ligação entre a vida de um Papa de personalidade fortíssima e os media novos que nasceram e cresceram nos 25 anos [imagens retiradas do noticiário da RTP das 20:00 de hoje].

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Nestes dias, os da sua lenta agonia e anúncio da morte, as televisões - mais do que os outros media - prepararam dispositivos de transmissão ímpares (ao nível dos da última guerra do Iraque) com enviados especiais, directos frequentes, alteração radical da programação, com mesas redondas ou recolha de testemunhos de pessoas ligadas à Igreja Católica. Em Portugal, os canais generalistas e de sinal aberto tornaram-se aparentados ao canal noticioso por cabo.

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Para além de muitos pormenores da vida do Papa, das suas missões pelo mundo, incluindo Portugal (e Fátima), as televisões passaram cenas de Roma e da Polónia, país natal de João Paulo II. Orações e cerimónias religiosas eram intervaladas com manifestações de pesar (lágrimas) mas também de esperança (cânticos) de crentes vindos a Roma de vários pontos da Europa. O dispositivo televisivo misturava fontes oficiais (cardeais e padres, em cerimónias religiosas ou em estúdio; jornalistas) com vozes anónimas, as quais davam o colorido da espontaneidade - da imagem que importa na televisão. E mesmo o encadeado de jornalistas, a partir de um pivot localizado fora do estúdio, completava esse dispositivo televisivo, como se observa na terceira imagem que incluo no post.

Também os jornais de hoje, nomeadamente os de qualidade, incluiram capas com a fotografia do Papa e cadernos especiais sobre a vida dele e a sua obra na Igreja.

Observação: esta semana, estive a ler, para uma investigação em curso, o Século Ilustrado do primeiro semestre de 1939, apanhando a transição do Papa Pio XI para Pio XII (num período doloroso para a Europa, quando a guerra civil de Espanha estava a acabar e o começo da II Guerra Mundial se precipitava para breve). Na publicação, nota-se uma prestação piedosa relativamente ao Papa desaparecido e uma referência elogiosa e de esperança face ao seguinte, mas há igualmente uma discrição quanto aos pormenores da doença e desaparecimento de Pio XI. O que não se observa de todo neste momento, em que a concorrência dos media é grande e os canais de televisão precisam de ter as melhores imagens para ilustrar as notícias.
CULTURA E MERCADO

É um texto que ocupa duas páginas do El Pais de hoje, assinado por Andrea Rizzi. Tema: o circo das promoções e dos lançamentos, o que pode provocar uma intromissão excessiva na actividade de criação e informação cultural. Não foram Theodor Wiesengrund Adorno ou Max Horkheimer que escreveram a peça, mas quase poderíamos reflectir a partir da perspectiva deles.

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Na imagem, vê-se a cantora americana Mariah Carey, durante a promoção do seu novo disco The emancipation of Mimi (em Espanha será lançado depois de amanhã). Em avião privado, ela está a percorrer o mundo acompanhada de 17 colaboradores, entre chefe de imprensa, maquilhadora, cabeleireira, especialista em vestuário, conselheiros de luz e decoração para estúdios de televisão. Nos próximos dias, terá doze horas de trabalho, repartidos entre entrevistas, sessões fotográficas, actuações em playback e festas, pedindo-se-lhe um constante sorriso. Atrás dela estão 150 milhões de cópias vendidas em nove álbus anteriores e muito dinheiro injectado na promoção pela Sony.

A batalha da Sony e de Mariah Carrey não difere das realizadas pelas grandes produtoras, casas editoriais e empresas cinematográficas em apoio das suas estrelas. Por exemplo, um autor como Umberto Eco recebe 15 pedidos diários para entrevistas após fazer sair um romance. Se ele - ou a editora Bompiani - aceita todas ou quase todas as solicitações, a verdade é que as respostas parecer-se-ão todas, sendo que ele não esteve num sítio a falar isolado com o jornalista mas através de email ou a perguntas previamente formuladas (respondendo ou não a estas). O que importa é publicar algo sobre o grande homem.

O lançamento de um filme é semelhante. Em Hollywood, a máquina publicitária começa no início da rodagem e acaba com duas voltas através de dezenas de cidades - uma nos Estados Unidos e outra para o resto do mundo. A volta diária de um actor é: conferência de imprensa, sessão de fotografias, festa, sem possibilidades de tomar um café extra, e avião rumo a outra cidade e repetição do anterior dia. Isso pode durar mês e meio, com uma equipa de perto de 20 pessoas, que incluem familiares do artista.

Tal cultura de lançamentos e promoções também se reflecte no trabalho do jornalista, que se obriga a ver uma projecção do filme ou a assistir à conferência de imprensa ou aos chamados junketts (grupos de seis a oito jornalistas que têm apenas vinte minutos por grupo para conseguir alguma coisa do entrevistado). São as regras do jogo de um mercado cada vez mais poderoso em que se aproveitam fórmulas distintas, escreve a jornalista do El Pais, que, um dia, viu a actriz a amamentar o filho enquanto participava na entrevista.
A MINHA LEITURA DO JORNAL DE NOTÍCIAS DE HOJE

De particular relevo a página do provedor do leitor, de Manuel Pinto. Sobre as notícias da venda do Jornal de Notícias (e de outros media), escreve que os leitores precisam de ser esclarecidos de todo o processo: "Entendo que a vida do jornal, todas as opções que condicionam ou podem condicionar a informação diariamente difundida, são matéria de interesse para os que encontram neste jornal uma companhia e um bordão. A relação de confiança e a fidelidade tantas vezes invocada também se constroem nestas aparentemente pequenas coisas. O jornal precisa de falar mais de si mesmo aos seus leitores. [...] Conviria que essas «altas esferas» se convencessem de que os que compram e lêem o jornal não são estatísticas e, pelo contrário, tendem a ser, a cada dia, mas exigentes".

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Dá gosto ler as páginas deste professor de jornalismo da Universidade do Minho, antigo jornalista do periódico onde exerce o cargo de provedor e um dos fundadores do Centro de Formação de Jornalistas (Porto), que esteve por detrás da constituição do curso de jornalismo naquela cidade. Em especial quando não se coibe de chamar a atenção para as cúpulas dirigentes e não apenas para uma menos feliz peça de um jornalista. Sem esquecer que uma das principais razões das cartas dos leitores, "para além das queixas e observações críticas sobre o conteúdo do JN, um frequente motivo de reclamação [...] refere-se aos produtos de marketing que o jornal distribui e vende, juntamente com as notícias e a publicidade".

Ao contrário de outros provedores noutros jornais, neste seu texto, Manuel Pinto encara o jornal como composto por notícias, publicidade e produtos de marketing, a "que a empresa não tem ainda suficientemente cuidadas as portas para esse tipo de reclamações ou simples pedidos de informação".

Casa da Música

casadamusica.JPGOntem, o arquitecto Rem Koolhaas abriu a Casa da Música a cerca de meia centena de jornalistas convidados para uma visita guiada ao seu interior, escreve José Miguel Gaspar (com imagem de José Mota) [a imagem ao lado foi tirada por mim em Dezembro último ao exterior do edifício].

Lê-se na peça: "O coração da Casa começa no grande auditório dos 1100 lugares de veludo e prata, imenso espaço minimalista raiado a ouro e tigre, com dois órgãos pendurados no alto das paredes em provocação barroca. A sala é uma «shoebox» com design, e já tem um ovni: um painel acústico acrílico suspenso sobre o palco que receberá Lou Reed na festa de 14" (dia da sua inauguração oficial). À Casa da Música, o mesmo arquitecto diz que é incatalogável.

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Há um problema na Casa da Música, que devia ter sido concluido em 2001 para a Porto capital europeia da cultura: o edifício-sede do Banco Português de Negócios, que nascerá nas traseiras daquela e que fecha o campo de visão até à Foz (do Douro). Mas o arquitecto diz que há uma solução para transformar o projecto do banco. Esperemos que consiga.

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Rádio Festival

Diz quem a ouve que é a rádio mais pimba do Porto. Curiosamente, ela foi comprada recentemente por Luís Montez, que a juntou a um grupo com projectos muito distintos como as rádios Oxigénio e a Radar.

O certo é que teve, em 2004, um share de 8,6% na região onde funciona, o que representa a maior fatia de audiência das rádios locais em todo o país. Por isso, não é de admirar que decorra esta festa no Palácio de Cristal (pavilhão Rosa Mota), com muitos cantores populares. Sem ser especialista nesses cantores e bandas, retiro o nome do conjunto Maria Albertina, que tem uma longa existência e uma história de êxitos populares.
pandora.jpgJANTAR DE BLOGUEIROS(AS)

Foi um sucesso o jantar organizado pelo blogue Pandora'Box. 42 convivas num simpático restaurante de Moscavide, com blogueiros(as) vindos do Porto, Figueira da Foz, Beja, Lisboa e não sei mais de onde. Com um convidado especial, o Rui Morgado, que fez um grande espectáculo de magia. E ainda uma sessão de poesia, em especial um poema a ler no blogue da Pandora.

No seu curto mas emocionado discurso, a Ção Alves da Pandora'Box diria que o seu blogue é real, faz parte da sua vida. Se está lá uma loucura, é dela; se está uma tristeza, é dela. Considera que os bits-afectos são reais: é possível estabelecer amizades a sério pela internet. Para a Ção Alves, alguns dos amigos que grangeou pela internet (em especial nos blogues) já fazem parte de um círculo próximo.

Entretanto, o blogue Praça da República em Beja - que publicou algumas imagens do jantar de ontem - já anunciou a realização de um almoço para o dia 21 de Maio.

sábado, 2 de abril de 2005

NO SEGUNDO CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE HANS CHRISTIAN ANDERSEN

Quem não leu, na sua infância ou primeira adolescência, um conto de Andersen?

andersen3.jpgNo dia em que se comemora o segundo centenário do nascimento de Andersen (1805-1875), vale a pena ver o modo como Portugal se associa ao evento. Assim, enquanto o Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (IPLB) preparou o passatempo "Ajuste de Contos", o jogo "Conta com Andersen" e o SAL – Serviço de Apoio à Leitura, a Biblioteca Nacional tem uma mostra bibliográfica patente até 14 de Maio, acompanhada de um catálogo(€10) [imagem retirada do sítio do IPLB].

A visita de Andersen a Portugal

"H. C. Andersen opholdt sig i Portugal i 3 måneder, på et tidspunkt, hvor han allerede var berømt og oppe i arene. Han kom fra Spanien, som han ikke var begejstret for. Han var fascineret af Portugal klima, af folks åbenhed, af den tids genopbyggede Lissabons fornyede æstetik – Lissabon med alleerne og teatrene – men også af optogene og tyrefægtningerne.

"Em 1866, no ocaso da vida e famoso, H. C. Andersen estanciou em Portugal durante três meses. Vindo de Espanha, que desadorava, fascinou-o o clima de Portugal, a lhaneza da gente, a estética renovada daquela Lisboa da Regeneração - Lisboa das avenidas e dos teatros - mas também das procissões e das touradas"
[texto em dinamarquês e português retirado do catálogo da exposição na Biblioteca Nacional]. Em muitos outros sítios, haverá manifestações de recordação desse profícuo contador de histórias.

Segundo o texto de Silva Duarte (no catálogo da exposição), ele foi hóspede dos O'Neill, amigos de longa data, e conheceu também Setúbal, Sintra, Aveiro e Coimbra. Permaneceu entre nós exactamente de 6 de Maio a 14 de Agosto desse ano, deixando um relato (Uma visita em Portugal em 1866; Et Besog i Portugal 1866). Os O'Neill moravam na quinta do Pinheiro, perto do Aqueduto das Águas Livres, aqui em Lisboa. Foi visitado por nacionais e dinamarqueses e o rei D. Fernando recebeu-o no Palácio das Necessidades.

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A Sereiazinha, O rei vai nu, A polegarzinha, O soldadinho de chumbo, João Grande e João Pequeno, O patinho feio, A princesa e a ervilha, A rapariguinha e os fósforos, Os sapatinhos vermelhos, O cofre voador e O sapo seriam alguns dos contos que preencheram a infância de muitos nós.
A LUTA DAS CERVEJEIRAS ESTÁ ACESA

À Nova Sagres Zero % (sem álcool) respondeu a Super Bock Twin (também sem álcool). Se a primeira mostra a barriga de um jogador da selecção nacional de futebol (a cervejeira é patrocinadora desta) - com o slogan Mantenha-se em forma. Beba uma cerveja - , a marca de Leça do Bailio convidou duas actrizes da novela Senhora do Destino - com o slogan No dia 6, com qual das duas é que vai jantar?

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A da esquerda, Carolina Dieckman (no papel de Isabel Tedesco), e a da direita, Carol Castro (no papel de Angélica), fazem parte da novela de sucesso da SIC, e que recentemente foi notícia por ter acabado no Brasil, com o casamento de Maria do Carmo (Suzana Vieira) com Giovanni Improtta (José Wilker).

Assim, no Público de 13 de Março escrevia-se sobre "um dos maiores sucessos do género na história da televisão brasileira", com uma "audiência média de 60 por cento e share de oitenta e três por cento no último capítulo, exibido na sexta-feira, e desfecho que seguiu à risca as técnicas consagradas do folhetim". Em Portugal, a Senhora do Destino seria, no dia 30 de Março, segundo a newsletter da
Meios & Publicidade, "o programa mais visto pelos telespectadores portugueses, com uma audiência média de 17,9% e um share de 45,2%" (A quinta das celebridades II, da TVI, ficaria em segundo lugar com uma audiência média de 14,8% e um share de 34,6%). O final da história para Portugal será "exibida exactamente como foi por aqui, com o mesmo final, inclusive o casamento de Do Carmo", conforme o sítio da Globo.

Da telenovela, uma forma de arte, à publicidade alma gémea

Carlos Chaparro, professor de jornalismo citado no Observatório da Imprensa, analisou a novela e a que lhe sucedeu (gentileza de Daniela Bertocchi, do projecto Mediascópio da Universidade do Minho, que me arranjou uma cópia). Escreve Chaparro: "Senhora do Destino sai do ar, para dar lugar a América. E o negócio continua. Porque telenovela é uma forma de ganhar dinheiro, muito dinheiro, com a manipulação de gostos, ideias, sonhos e vontades, em escala de multidões. Mas essa é apenas uma forma de olhar as coisas, um lado da verdade. Outra forma será a de perceber que o produto cultural telenovela também é arte, e se constitui importante meio de instigação à discussão pública, em torno de temas, costumes e factos ligados à realidade e aos valores da sociedade".

Escreve mais à frente, Chaparro: "Entretanto, a saga da nordestina Maria do Carmo Ferreira da Silva continuará a render dinheiro à Globo, agora no mercado internacional. Para correr mundo, a obra ganhará reedições cuidadosas, que a deixarão mais enxuta, sem merchandising. E sem os excessos de alongamento que o marketing impõe a autores, directores e actores, quando o sucesso no mercado interno aumenta o potencial publicitário". E quase conclui: "Como produto cultural e artístico, a telenovela agrega o trabalho criativo de uma gama enorme de profissionais. Podemos calcular, por exemplo, que Senhora do Destino reuniu em seu elenco pelo menos setenta actores e actrizes, boa parte deles artistas de primeira linha, como José Wilker, Glória Menezes, Raul Cortez, Suzana Vieira, Renata Sorrat, Ioná Magalhães e José Mayer – gente que deu o melhor do seu talento e da sua competência, para que ao público fosse oferecida uma emocionante representação de entes humanos em conflito, na recriação de uma realidade próxima dos telespectadores".

Resta-nos acompanhar a trama todos os dias à noite. E talvez a beber uma cerveja sem álcool. Pode ser Super Bock, mas por que não uma Sagres? Sem álcool, pois o novo código de estrada entrou em vigor e podemos querer dar um passeio a seguir à Senhora do Destino. Na realidade, longe vai o tempo em que o vinho dava de comer a um milhão de portugueses, como dizia o slogan há três ou quatro décadas atrás. Agora, a concorrência toma conta das cervejas. É nelas que reside o grande consumo.

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[aproveito a ocasião para enviar uma saudação a Isabel Férin da Cunha, da Universidade de Coimbra, com quem aprendi a olhar a novela brasileira como meio de estudo, e que tenho passado aos meus alunos, com sucesso, diga-se de passagem. Já para Carlos Chaparro, um ribatejano há muito instalado em São Paulo, o abraço pode não ser tão rapidamente lido e aceite - mas lá vai ele]

sexta-feira, 1 de abril de 2005

AGENDAS CULTURAIS MUNICIPAIS

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Da Agenda Lx Abril - que aumenta de 128 para 144 páginas -, destaco o IndieLisboa, aqui ao pé de casa, no Fórum Lisboa e nas salas King, de 21 de Abril a 1 de Maio. Há uma retrospectiva do chinês Jia Zhang-Ke (e o seu primeiro flme Pickpocket) e um foco na jovem cinematografia argentina. E também a Festa da Música, no CCB, com Beethoven e companhia, de 22 a 24 de Abril. Já comprei bilhetes para uns concertos.

Quanto à agenda 30 dias em Oeiras para este mês, os destaques vão para as Vozes do fado, espectáculos que começam hoje (e incluem o nascido no concelho, Pedro Moutinho), no auditório municipal Eunice Muñoz, e o Estoril Open, o torneio de ténis mais conhecido em Portugal, no Estádio Nacional. Já para o dia mundial da dança aconselho a exposição de figurinos de Abílio de Matos e Silva para o bailado O pássaro de fogo, também no auditório municipal Eunice Muñoz. E uma referência especial às bandas de garagem de Oeiras (espero voltar a este assunto).
OBRIGADO AOS(ÀS) LEITORES(AS) DO BLOGUE

Desde que comecei a escrever no blogue, o mês de Março de 2005 foi o que teve mais visitantes (7754). Obrigado a todos(as). E também aos que, vindos do Brasil, procuram o blogue, pois subiram cerca de 5% (agora quase perto dos 24%) no mês que ontem acabou.
CRIANÇAS E FÃS DE DESENHOS ANIMADOS – DA INOCÊNCIA À VIOLÊNCIA

O tema escolhido por Carla Pereira, aluna do mestrado de ciências da comunicação da Universidade Católica, é actual. No trabalho final do módulo de Media, Públicos e Audiências, ela debruçou-se sobre os “potenciais efeitos negativos da exposição televisiva”, em especial o consumo de desenhos animados, chegando a falar em “cultura infantil subversiva”. Mas de que se trata, afinal?

Carla Pereira escreve que, “ao admirarem uma determinada personagem (fictícia), as crianças tornam-se peritas na arte de imitação, primeiro individual depois colectiva, reforçada pelo encontro com outras crianças na escola” (p. 10). Para entender melhor a situação, a autora aplicou um inquérito com perguntas fechadas e semi-abertas a 28 crianças de uma escola particular de Lisboa. Considerou quatro dimensões: 1) caracterização do inquirido (idade e sexo), 2) hábitos de consumo televisivo, 3) preferências de séries infanto-juvenis, e 4) fãs e fanatismo. Realizou um pré-teste antes de aplicar o questionário. Da população inquirida, 81% tem sete anos e 19% oito anos, com 54% de rapazes e 46% de raparigas.

carlapereira3.jpgDas crianças inquiridas, 73% vêm desenhos animados todos os dias, sendo que 24% vêem mais ao fim-de-semana. Em termos de tempos livres, a maioria das crianças (69%) dedica mais tempo a ver televisão do que a brincar com os pais e os irmãos. Os picos de maior audiência dão-se antes do jantar (durante a semana) e depois do jantar (ao fim-de-semana). Do total das crianças, 19% afirma ver televisão a qualquer hora.

Rápida caracterização de alguns desenhos animados

A autora analisou 27 séries de desenhos animados. Das preferidas, Kim Possible vem em primeiro lugar, seguindo-se Lilo & Stitch, Digimon, Recreio, Sabrina, Timon & Pumba, Doreimon e Dave o bárbaro. Kim Possible, personagem respeitada e admirada na escola pelos amigos, é tratada pelos pais como criança pequena. Aventureira, perita em defesa e luta pessoal, é uma excelente aluna. Já Lilo é uma menina orfã, que adopta Stitch, uma mascote que parece um cão mas é o resultado de experiência genética que usa Lilo como escudo humano contra captores extra-terrestres. Stitch tem uma inteligência superior aos humanos e também uma grande força destruidora.

carlapereira4.jpgJá Digimon caracteriza-se pela aventura de um menino misterioso, com um amigo digimon que se encontra no digimundo a escravizar todos os digimaus que lá vivem. Se o Recreio conta com cinco heróis que têm como objectivo tomar conta do recreio e proteger os fracos dos fortes, Dave o bárbaro é alguém com a força de dez homens que, na companhia das suas duas irmãs, protege o reino na ausência dos pais.

Enquanto as meninas, prossegue o estudo de Carla Pereira, se identificam mais com as personagens Kim Possible e Sabrina, os meninos preferem as personagens de Digimon, Ninja, Stitch e Medabots.

carlapereira2.jpgMuitas das crianças gostam de brincar com os colegas no recreio imitando as suas personagens favoritas (p. 17). Assim, 81% gostam da personagem pelo facto de ser valente e amigo, 73% por ser bonito e corajoso, 65% por ser forte e feliz, 62% por ser divertida e 58% por ser simpática. Acrescenta a mestranda: "Categorias como mau, feio e irritado não foram assinaladas em qualquer dos inquéritos. Isto poderá levar a depreender que as crianças ficam fascinadas pela beleza, riqueza fácil, ficção demagoga, e iludidas por considerarem fazer parte de um mundo onde tudo é perfeito, belo e de fácil acesso. Perante as contrariedades, basta ser forte, valente e corajoso, sem olhar a meios para atingir os seus fins, já que os desenhos animados preferidos demonstram que raramente as personagens são repreendidas ou castigadas pelo mal".

As meninas atribuem maior valor às categorias de bonito, simpático e feliz; os meninos preferem a valentia e a amizade.

Conclusões

carlapereira1.jpgO estudo exploratório de Carla Pereira demonstra que 77% das crianças ocupam 90% do seu tempo livre a ver televisão sem qualquer restrição por parte dos pais. Estes "não seleccionam os desenhos animados por confiarem na capacidade das actuais indústrias de conteúdos e novas tecnologias (megamedia) em conceberem séries pedagógico-formativas. Contudo a violência e a agressividade manifesta-se em qualquer série sem qualquer explicação adicional, deixando ao critério das crianças a descodificação do conteúdo. A necessidade de ocupar as crianças para libertar os pais dessa função tem ido mais longe". Das crianças inquiridas no trabalho, 42% têm "televisão no quarto, dos quais 64% são meninas e 36% meninos".

A metodologia, o empenho e o modo de apresentação do trabalho de Carla Pereira (apesar de ter um número pequeno de inquiridos e pertencentes a uma escola identificada com uma classe de alto nível económico) levou-me a concluir estar perante um trabalho muito rigoroso. O texto termina do seguinte modo: "A sociedade não pode parar a manifestação da violência nos desenhos animados mas pode contribuir para a minimização dos seus efeitos" (p. 20). A mestranda - com uma criança na idade dos inquiridos, pelo que a observa permanentemente em casa e nos períodos em que a leva e vai buscar à escola -, fez um trabalho notável de visionamento das séries de desenhos animados, como ficou provado na apresentação do trabalho em PowerPoint (em sessão pós-entrega de notas). Encorajo-a a prosseguir esta investigação noutro âmbito.