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quinta-feira, 31 de maio de 2018

O barroco em Rui Osório

De Rui Osório (1940-2018), recordo o que escrevi aqui em 10 de junho de 2010.

"Rui Osório é cónego da paróquia de S. João Baptista da Foz do Douro (Porto) desde 2006, sucedendo ao padre Joaquim Fonseca. Vem deste mas foi Rui Osório quem se dedicou exemplarmente ao restauro das obras religiosas da paróquia, nomeadamente a igreja começada a construir entre 1709 e 1712 e concluída em 1736. Escreve o cónego e autor do livro Tesouro Barroco da Foz do Douro (2010, edição da Paróquia de S. João Baptista da Foz do Douro) que a igreja barroca "deveria ser mais visitada no circuito turístico do Porto e obrigatoriamente referida [...]. Passam por ali muitos turistas, nacionais e estrangeiros, que desconhecem esse notável e deslumbrante tempo barroco" (p. 58). O livro fala do Porto, da zona da foz do rio Douro, onde está implantada a igreja barroca, de Raul Brandão e os seus textos sobre aquela zona, da presença beneditina e da ordem de S. Bento, da igreja de S. João Baptista, da sua talha esplendorosa, dos diferentes padroeiros, das capelas da paróquia e da acção social e da dinamização paroquial. O livro, além do texto muito bem trabalhado e documentado, tem fotografias de Pereira de Sousa, no que constitui um belo livro-álbum".


Rui Osório foi jornalista do Jornal de Notícias, onde chefiou a redação, e fundou a publicação Voz Portucalense, além de pároco na Foz do Douro (Porto). Ouvi-o falar com muito entusiasmo do barroco do Porto.

terça-feira, 10 de abril de 2018

Artistas e concursos

Em encontro de artistas, no passado dia 31 de Março, constituiu-se uma comissão informal, de onde saiu um grupo de trabalho informal e voluntário com a missão de redigir uma carta com as posições consensuais apuradas no encontro e de solicitar uma audiência ao Primeiro-Ministro, agendada para o dia 12 de abril. Está a ser definida a comitiva que apresentará as conclusões expressas na carta e que incluirá pessoas do grupo de trabalho e outras que representem estruturas que foram a concurso, de forma a assegurar uma maior representatividade. Na audiência, serão abordados apenas os pontos referidos na carta aberta: revisão do modelo de apoio às artes e dotação orçamental para a cultura. A expectativa é que se criem condições para um diálogo franco e regular entre o Estado e os artistas.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Manuel Couto Viana

A biografia de Manuel Couto Viana (1897-1970) pode ser vista de dois ângulos: o artístico e o político. Eu prefiro o primeiro, mas não deixarei de falar do segundo.

Antes de eclodir a I Guerra Mundial, ele ligou-se a exposições que marcaram o primeiro modernismo português. Ele fez capas de livros de autores de Viana do Castelo, cartazes de festas - como as apresentadas aqui -, ilustrações em jornais e revistas, decoração de exposições, récitas teatrais e organização de cortejos. Foi ainda editor e redator principal do Notícias de Viana.

Na cultura, a sua campanha mais divulgada foi a do renascimento do uso da indumentária das lavradeiras vianesas, que seria tema muito usado nos seus desenhos e aguarelas.

Casado com a asturiana (de Oviedo) Maria Romana González de Lena y Carreño, ele foi pai de Maria Manuela Couto Viana (1919-1983), Maria Adelaide Couto Viana (1921-1990) e António Manuel Couto Viana (1923-2010). Este último publicou o livro Ferro-Velho: Memórias e Estudos (1990), editado pela Câmara Municipal de Viana do Castelo, com textos de desenhos do seu pai, permitindo melhor reconstituir a biografia de Manuel Couto Viana.

Dos três cartazes aqui presentes sobre a Romaria da Agonia (Viana do Castelo), há uma continuidade de dois deles, porque feitos quase em sequência cronológica, antes e depois da participação do artista na I Guerra Mundial, onde integrou o Corpo Expedicionário Português como alferes miliciano. No primeiro (1912), há quatro figuras típicas isoladas e duas peças de conjunto, ao passo que no segundo (1914), o artista resume a informação a duas peças de conjunto. Uma figura de conjunto é comum nos dois cartazes, na parte inferior deles, o lado festivo. As outras imagens revelam trajes e instrumentos de trabalho.

O terceiro, que dei mais destaque, já é uma produção de 1933, quando o seu programa estético atinge um grau superior: o traje da mulher lavradeira vianesa (com posses na terra). Não tenho conhecimentos para poder indicar uma influência dos Delaunay (em Vila do Conde), junto a Amadeu Sousa-Cardoso e julgo que o programa de António Ferro, de recuperação da cultura popular, ainda não estava no terreno. O traço não é tão saboroso como em Sonia Delaunay mas é igualmente rico em termos de cor e pormenor: o traje visto de frente e de trás, com apontamentos do lenço na cabeça, as chinelas pretas com meia branca, os bordados do avental e as jóias. Aqui, já comentei o traje usado pela filha Manuela, que recupero abaixo, onde também são visíveis os adereços do lenço branco e do pequeno saco, além da imponência das filigranas.


[Maria Manuela Couto Viana com o traje de Meia Senhora, ao lado de Luísa Cerqueira com traje de Mordoma, na Festa do Traje (década de 1950, catálogo do Museu do Traje de Viana do Castelo)]

O lado menos interessante da biografia de Manuel Couto Viana, para mim, é o político. Depois de frequentar engenharia na universidade de Charlsttenburg, em Berlim (1912-1914), e combatido em França pelo exército português, no regresso a Viana do Castelo foi presidente da Associação Comercial da cidade, vereador da câmara municipal em força política monárquica e vice-cônsul de França. Se, em 1933, foi nomeado delegado distrital do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência (INTP), em 1945 seria convidado para Secretário da Junta Central das Casas do Povo, em Lisboa.

Um dos seus papéis no INTP foi o de "uniformizar" os sindicatos, alguns ainda ligados à CGT e ao anarco-sindicalismo. Numa operação de manobra, como ele escreveu explicitamente, deu a entender ao sindicato da construção civil, ainda revolucionário, que lhe reconhecia importância real, mas foi falando do seu conceito de sindicato corporativo, aquele que rejeitava a luta de classes e visava estabelecer a paz social. Couto Viana fez eleger para presidente o sócio do sindicato mais reivindicativo e palavroso e que todos pareciam admirar. Rapidamente, o novo presidente perdeu força, porque virara déspota, "próprio do bom socialista", sendo apeado logo depois. O homem do Estado Novo só encontraria resistência séria e organizada na Associação de Classe dos Empregados no Comércio.

domingo, 9 de abril de 2017

Paula Rego no museu e no cinema


O filme, realizado pelo filho Nick Willing, é elegante e terno, mas também revela medos, fantasmas e obsessões, descendo à intimidade da pintora Paula Rego e abrindo pistas para a compreensão da sua obra. Sim, nós precisamos de signos e de interpretação para entendermos as suas pinturas. O ideal de belo e harmonioso não faz parte da estética dela, mas o grotesco e o violento. Documentário e exposição, patentes desde esta semana no cinema Ideal (Lisboa, onde vi o filme) e na Casa das Histórias (Cascais), ajudam-se mutuamente. Na exposição, parcelas das falas de Paula Rego no filme acompanham as telas que vimos mais fugidiamente no ecrã.

As séries sobre o aborto, as mulheres-cão, o crime do padre Amaro (a partir de Eça de Queirós), as pinturas zoomórficas de coelhos, ursos e macacos e as obras no período da depressão de 2007, sempre escondidas e agora reveladas numa só sala (onze quadros), representam um percurso muito rico desde a aprendizagem artística na Slade School of Fine Arts (Londres), de 1952 a 1956, onde ela também conheceu aquele que viria a ser o seu marido Vic Willing. O filme revela melhor o seu itinerário biográfico, entre Ericeira e Estoril, de um lado, e Londres, do outro. A exposição mostra o percurso artístico marcado pela biografia: as alegrias, as tristezas, os sonhos e os pesadelos.

A par da exposição de obras e temas emblemáticos dos trabalhos da pintora, em Cascais veem-se fotografias, cartas, livros que pertenceram a Paula Rego, uma pintura da sua mãe (que aquela comenta no filme) e até a reconstituição do seu estúdio, visto no filme mas mais próximo de nós na exposição.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Urban Sketchers

Na sequência de Lisboa por Urban Sketchers, a Zest Books associou-se aos Urban Sketchers Portugal para a criação de um projeto de maior fôlego: Portugal por Urban Sketchers – Norte, Sul e Ilhas. Um álbum de formato médio com 250 imagens de quase noventa desenhadores, com técnicas e estilos diferentes, que retratam Portugal com o olhar e a mão de maneira mais humana e intimista. Os desenhos [esboços], feitos no local, retratam o momento, a alma, as paisagens, monumentos, vivências, cidades e serras, vividos e registados pela sensibilidade e técnica dos artistas.

Lançamento no dia 24 de Março, 18:30, no Museu Nacional de Arqueologia (informação da entidade promotora).


terça-feira, 7 de março de 2017

Museu Machado de Castro revisitado


A tarde estava magnífica. O visitante fez uma paragem para rever o Museu Nacional Machado de Castro (Coimbra). Turmas de escolas primárias corriam pela longa estrutura subterrânea, imaginando a prisão e os prisioneiros. Em cima, o observador deleitava-se a olhar com mais profundidade o cavaleiro medieval, século XIV, de mestre Pero, capela dos Ferreiros, Oliveira do Hospital. O cavalo dócil não parecia talhado para aquele guerreiro.

Na galeria municipal, prossegue a exposição de fotografia de António Luís Campos sobre os Açores (Crónicas da Atlântida). Na rua, um músico tocava trompete.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Lisboa, cidade global no Renascimento

A exposição A Cidade Global. Lisboa no Renascimento abriu no final de fevereiro, envolta em polémica, por causa do quadro que serve como centro da exposição: Rua Nova dos Mercadores, pertença da Kelmscott Manor. Esta obra foi encontrada no espólio de Dante Gabriel Rossetti e a sua data seria atribuída pelas comissárias da exposição Annemarie Jordan e Kate Lowe, baseadas em cartas do seu antigo proprietário, entre 1570 e 1619. Mas não existe nenhuma análise laboratorial para saber a certeza. Da pintura, relevo as colunas, que permitem um longo percurso sob os edifícios, as persianas de madeira, uma arquitetura similar ao longo da rua (que dava para o Rossio), o comércio na rua e as figuras variadas (mercadores, membros do clero, militares, mulheres, criados negros, animais).

A obra seria a continuidade do quadro O Chafariz d'El Rei, da coleção de Joe Berardo, cuja data se atribui no catálologo da exposição ao século XII (1560-1580). Esta obra teria sido alvo de uma análise à madeira e à pigmentação. Mas alguns historiadores contestam a sua autenticidade, nomeadamente pela existência de um cão com coleira mas sem dono, o que não seria habitual (a revista do Expresso de 25 de fevereiro último traz textos de Vítor Serrão e de Diogo Ramada Curto, com posições opostas). Ao ver a reprodução deste quadro, surpreendo-me com um barqueiro que me faz lembrar Van Gogh (1853-1890) e um rio encapelado pintado à maneira dos pós-impressionistas, mas, ao mesmo tempo, parece haver a ironia de Hieronymus Bosch (1450-1516).

Independentemente da polémica, a exposição - que partiu do livro escrito pelas duas curadoras The Global City - On the Streets of Renaissance Lisbon - mostra pintura, contadores e cofres, porcelanas e lacas, gravuras que representam animais exóticos, um rinoceronte que o sultão de Guzarate ofereceu a D. Manuel I, o envio do rinoceronte ao papa mas que morreu afogado quando o barco naufragou, com a gravura imortalizada por Dürer (um animal cheio de couraças de ferro, pois o alemão não vira o animal mas desenhou-o a partir da descrição dele feita), sedas e panos. As mercadorias afluíam de África, Brasil e Ásia. No conjunto, a exposição descreve uma Lisboa cosmopolita e capital de império, com multculturalismo e inúmeros produtos e objetos exóticos trocados entre Portugal e o oriente após a viagem marítima de Vasco da Gama. O terramoto de 1755 destruiria a cidade mas ficaram memórias agora presentes no Museu Nacional de Arte Antiga. A arquitetura da Rua Nova dos Mercadores desapareceu.



sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Almada Negreiros na Gulbenkian

Luís Trindade, no seu texto no catálogo da exposição (pp. 73-79), fala em três narrativas do século XX (antagonismos, totalitarismos e revoluções tecnológicas e científicas) para tentar enquadrar o percurso de Almada Negreiros. Como o artista criou durante muito tempo (entre as décadas de 1910 e 1960), é ainda difícil encontrar a sua dimensão. Talvez dentro da perspetiva da tensão entre a violência e a ordem. Mas, continua, o modernismo em que Almada se insere - e muitos outros artistas - tornou-se classicismo ou museologismo, paradoxo da classicização da vanguarda. Luís Trindade vai ainda mais longe, ao identificar o atraso da arte portuguesa face à europeia e americana - a falta ("estou atrasado") ou a narrativa do "atraso" - que Almada pretende preencher.

No texto de apresentação do catálogo, revela-se a dimensão da exposição, com curadoria de Mariana Pinto dos Santos: mais de quatrocentas obras, muitas delas pertença da Gulbenkian, onde está a exposição. Almada colaboraria com a Fundação desde 1957, ao participar na I Exposição de Artes Plásticas, recebendo o prémio extraconcurso. Depois, em 1964, pintou uma réplica do Retrato de Fernando Pessoa e, em 1966, interveio na exposição póstuma de Bernardo Marques. Quando a atual sede da Gulbenkian foi inaugurada, o seu mural Começar estava pronto. O artista morreu pouco depois.

A exposição está organizada em oito núcleos, o catálogo em nove. Sem classificar, a exposição (e o catálogo) ilustra a riqueza de trabalhos de José Almada Negreiros (1893-1970). Pintor, artista gráfico, autor de livros, com ligação ao cinema e ao teatro, dele se expõe um património capaz de o colocar como homem do século XX que Luís Trindade procura. A recomendar no catálogo, além dos outros, a leitura do texto da curadora Mariana Pinto dos Santos.



quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

O rasgado na obra de Miró

Sou mais velho que os jovens que usam calças de ganga com tecido rasgado ou mesmo com buracos. Demorei a perceber a razão, pois só agora, ao revisitar a exposição de Miró, compreendi o sentido da moda.

Na fase final da sua vida, o artista catalão tratou mal as telas que pintava. A tela deixara há muito de ser meio de representação naturalista e parecia esgotar a criatividade estética abstrata. Os símbolos presentes em muitas das obras de Miró também pareciam perder a inocência e a alegria de anos antes. A compra de telas tornara-se mais fácil economicamente. Faltava desprezar o meio, fazer-lhe perder a dignidade de o usar para comunicar, mas dotá-la de uma nova vida. Daí os golpes, os cortes, os buracos na tela - como se observa na obra exposta em ponto alto da casa de Serralves.

Num dos filmes que acompanham a exposição, vê-se como as telas eram tratadas pelo surrealista: queimadas, cortadas a estilete, com a tinta a ser derramada sem qualquer intuito figurativo mas apenas aleatório. O artista olhava para o resultado do que fazia, à medida que a tinta se espalhava, caminhando por cima da tela e da tinta ainda fresca. Queimar, limpar com um pano, voltar a colocar outra tinta com um dedo, virar a tela do avesso, cortar com um estilete ou tesoura - eis algumas das atitudes até à conclusão do quadro. Depois, assiste-se a uma exposição de quadros no jardim da sua residência. Pelos buracos, observa-se a natureza, as árvores, as folhas, o chão, uma parcela de edifício.

A tela já não se esgota nas suas formas e dimensão mas interage com o exterior, criando outro mundo de interpretação. É o mesmo com a roupa esfarrapada. Passado um período de carência, em que o roto era sinónimo de pobreza, a sociedade da abundância recuperou esses traços e esteticizou-os. A arte surge mesmo do que seria inimaginável.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Rosalía de Castro no museu Barata-Feyo


Diz o texto do museu Barata Feyo (1899-1990): "inaugurado em 2004 e projetado por um dos seus filhos, Arquitecto António Barata Feyo, acolhe um importante acervo de obras deste escultor da escola do Porto. Escultor, ensaísta e pedagogo, foi como estatuário que mais se notabilizou. Podemos admirar os aspetos mais significativos da sua obra, de onde se destacam três grupos temáticos principais: o retrato, a escultura oficial e escultura religiosa".

Salvador Barata Feyo nasceu em Angola, frequentou a Escola de Belas-Artes de Lisboa em 1923 (cursos de Pintura e Arquitetura), antes de se dedicar à Escultura, que conclui em 1929. Em 1933, obteve uma bolsa do Instituto de Alta Cultura e partiu para Itália. Participou na Exposição do Mundo Português em 1940 (estátua de D. João I) e, em 1949, começou a lecionar na Escola Superior de Belas-Artes do Porto. Recebeu diversos prémios: Escultura Mestre Manuel Pereira (1945 e 1951), Escultura da Fundação Calouste Gulbenkian (1957), primeiro lugar no concurso para o monumento ao Infante D. Henrique (Sagres, 1958). Entre 1950 e 1960, acumulou a atividade artística e docente com a direção do Museu Nacional de Soares dos Reis e assumiu o cargo de Conservador Adjunto dos Museus e Palácios Nacionais (a partir de texto de Joana Baião para o Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado).

Das suas obras expostas no museu das Caldas da Rainha, gosto muito dos trabalhos em gesso depois fixados em materiais mais fortes: Rosalía de Castro (1954, para a Praça da Galiza, no Porto) e Rainha D. Maria II (Famalicão). Durante muitos anos, eu admirei a escultura colocada no Porto. Ela estava em frente a uma vedação de sebe de arbustos, hoje, está libertada desse quase muro.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Cerâmica portuguesa em livro

Editado pela APICER – Associação Portuguesa das Indústrias de Cerâmica e de Cristalaria, coordenado editorialmente por Lurdes Morais, conceção e textos de Carlos Lacerda, Clara Pimenta do Vale, Lurdes Morais e Monstros & Companhia – Soluções de Comunicação e fotografia de Clara Pimenta do Vale, saiu o livro Cerâmica Portuguesa: Tradição e Inovação [pode ser consultado aqui].

Retiro da introdução: "O livro Cerâmica Portuguesa: Tradição e Inovação pretende ser uma mostra do que de melhor Portugal tem para oferecer nesta área, num contexto de mercado global e da necessária diferenciação em que uma indústria deve apostar para se afirmar nesse contexto. O projeto editorial aposta na força da imagem, enquanto testemunho da ação, e no papel das palavras de apoio de muitas pessoas, ou instituições, que reconhecem o carácter diferenciador da indústria cerâmica portuguesa, não apenas do ponto de vista do produto final, mas também como repositório de saberes e de uma forte identidade social e cultural" [imagem: painel de azulejo da autoria de Hundertwasser na estação de metro do Oriente, Lisboa].

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Eduardo Calvet Magalhães

Eduardo Calvet Magalhães, 96 anos, faleceu hoje em Viana do Castelo.

Calvet Magalhães foi um animador cultural de primeira água. Quando em 1963, no café Majestic, intelectuais e artistas do Porto discutiam o movimento cultural da cidade, nasceu a Árvore – cooperativa de Atividades Artísticas.

Em 1976, abria-se um novo rumo na Árvore, com o impulso de Eduardo Calvet de Magalhães, Rolando Sá Nogueira, Arnaldo Araújo e José Rodrigues. Em 1982, a componente letiva conhecia um grande desenvolvimento, com a criação da cooperativa de ensino polivalente e artístico Árvore. Como jovem docente, eu participei nessa aventura, onde ensinei nomeadamente Estética e Teoria da Comunicação.

O corpo de Calvet Magalhães estará no Tanatório de Matosinhos na sexta-feira, com homenagem às 15:30.

Atualização a 8 de janeiro de 2017: na homenagem a Calvet de Magalhães, disse-se que ele não fora um homem de sucesso mas promoveu o sucesso em algumas pessoas e criou sucesso a vários objetos em que se envolveu. Uma forma calorosa de recordar uma vida dedicada à arte e à cultura, com muitos amigos e discípulos naquela hora de despedida.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Obras de Manuela Castro Matos


Manuela Castro Matos (1964, Alcobaça), licenciada em direito, trabalha vidro fundido na área de decoração, atividade que assume em 2001 como opção de vida. Depois, seguiram-se exposições, encomendas e um prestígio crescente. Neste ano, a revista alemã Neues Glas publicou um artigo sobre as suas criações e esteve representada na muito recente exposição do Bornholm Art Museum na Dinamarca. Agora, pode ver-se no Centro Cultural de Cascais, com o título Rosáceas.

sábado, 12 de novembro de 2016

Amadeu de Sousa Cardoso

Amadeu de Sousa Cardoso em exposição até 31 de dezembro no Museu Soares dos Reis (no começo de 2017, no Museu do Chiado, em Lisboa). Reconstituição da exposição de 1916 daquele grande artista plástico nacional. Das 114 obras expostas no Porto há 100 anos, estão cerca de 70% delas, identificadas a partir dos catálogos originais. Em novembro de 1916, no Jardim Passos Manuel, já demolido, a exposição causou polémica, havendo que tenha agredido o artista por discordar das formas do representado, mas alcançou 30 mil visitantes em 12 dias, o que foi impressionante. No mês seguinte (dezembro de 1916), a exposição na Liga Naval Portuguesa (Lisboa) foi mais elitista e cativou o grupo de Orpheu e Almada Negreiros. Com a ajuda do pai e do tio, Amadeu montou as exposições, fez os catálogos e deu entrevistas aos jornais. Na época, foi reconhecido como futurista.

Um destes dias, Margarida Acciaiuoli defendeu uma revisão da história da arte contemporânea para dar maior relevo ao pintor. Estou de acordo.


quinta-feira, 10 de novembro de 2016

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Arte e medicina em exposição em Soure

De 12 de novembro a 9 de janeiro de 2017, no Museu Municipal de Soure vai estar patente a exposição Arte & Medicina, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. A equipa de curadoras da CulturAge (Cristina Nogueira e Carolina Gomes) centrou o discurso expositivo em dois eixos, relacionados com a arte e com o património hospitalar. A exposição convida o visitante a um percurso que o leva à reflexão da representação da medicina na arte, bem como médicos, doenças e hospitais. Por outro lado, visa o conhecimento do percurso histórico da realidade local através da exibição de exemplares do património hospitalar.

Na exposição, há 56 reproduções de pinturas e iluminuras de museus de todo o mundo sobre medicina e médicos, doenças e hospitais, como Picasso, Rembrandt, Bruegel, Gerrit Dou, Metsu, Goya y Lucientes, Eakins, Jiménez Aranda, Luke Fildes, Toulouse-Lautrec e Frida Kahlo. No segundo eixo expositivo, fez-se uma seleção de manuscritos e objetos médicos pertencentes ao antigo Hospital da Misericórdia de Soure, surgido no século XVII [informação da entidade organizadora].


quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Marcel Broodthaers: una retrospectiva

O Museum of Modern Art (Nova Iorque) e o Museo Reina Sofía (Madrid) organizaram um retrospetiva muito completa do artista belga Marcel Broodthaers (1924-1976), de grande produção artística nas décadas de 1960 e 1970 (cerca de 300 obras presentes). Isso inclui os objetos mais antigos feitos com mexilhões (um dos pratos favoritos dos belgas) e ovos, um e outro materiais frágeis e ilustrativos de uma arte pobre e efémera. Depois, a exposição percorre os seus objetos posteriores, como o museu fictício, o Musée d’Art Moderne. Département des Aigles, e a retrospetiva Décor. A poesia, os livros e o cinema constituem outros espaços de trabalho criativo do artista, inicialmente fotógrafo de imprensa que, já maduro, resolveu dedicar-se às artes plásticas.


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Maria Pedro Olaio e Sofia de Medeiros expõem em Coimbra

"A junção de dois versos de poemas separados de Sophia de Mello Breyner Andresen dá o mote para a exposição que o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha acolhe, em Coimbra, aquando da comemoração dos 500 anos da beatificação daquela que nasceu princesa de Aragão e foi a sexta rainha de Portugal, por via matrimonial com o rei D. Dinis, a Rainha Santa Isabel. “Com teus gestos me vestiste, na nudez da minha vida” não só reúne trabalhos paradigmáticos dos vastos percursos artísticos de Maria Pedro Olaio e de Sofia de Medeiros como também põe a nu, à luz do agora visível, histórias, significados e gestos materializados em obras mais recentes" (texto e cartaz de apresentação enviados pela organização).


sábado, 10 de setembro de 2016

José Rodrigues

Faleceu hoje este artista plástico. De entre outras atividades, ele foi fundador da cooperativa Árvore e da bienal de Cerveira. No Porto, a sua escultura na ribeira do Douro, conhecida pelo "cubo", provocou celeuma quando instalada. Na imagem, o trabalho escultórico interior feito por José Rodrigues em edifício de telecomunicações (TLP, atual PT, à rua Tenente Valadim, Porto).