A leitura da tese de doutoramento de João Moreira dos Santos sobre relações públicas e estudo de caso da Anglo-Portuguese Telephone (APT) levou-me a procurar material que tinha recolhido sobre essa empresa e que há mais de 30 anos não via e, por isso, não trabalhei em termos de investigação histórica.
Agora, por exemplo, encontrei dois documentos que me elucidaram sobre a vida da telefonista e a precariedade de trabalho no final da década de 1940. Em ambos, expurguei os nomes das intervenientes.
Um deles é de 1948. Para crescer economicamente, a APT fez contratos leoninos com os empregados. A telefonista admitida entrava na reserva eventual, fora de regalias (serviços médicos ou vencimento quando doente) e sem aviso prévio se o posto de trabalho fosse extinto. Há um parágrafo mais elucidativo do que outros: trabalho temporário e serviço em dias isolados ou em determinadas épocas, como o verão.
O outro documento traz dados ainda mais relevantes, a partir da ficha de avaliação de pessoal de uma agente da central telefónica da Afurada (Vila Nova de Gaia), com contrato estabelecido em abril de 1946. Se, pelo primeiro documento, a precariedade resulta da necessidade de preencher vagas por férias, pelo segundo documento, toma-se conhecimento de uma empregada a residir no local de trabalho, com apoio da colaboração de familiares. Pelo documento, não se sabe que exigências e regalias se colocaram à empregada, mas admito que o contrato tivesse balizas de apoio social e médico semelhantes (ou, por isso, inexistentes). A estação onde a agente ficava a trabalhar era no lugar da Alumiara, em Canidelo. Não andarei longe da localização se a colocar na rua da Bélgica, entre Afurada de Cima e Lavadores, ainda hoje uma via de acesso essencial no percurso do centro de Gaia às praias.
A unidade de secagem de bacalhau, algumas fábricas de cerâmica, lavradores mais abastados, donos da frota pesqueira (pesca artesanal), lojas (mercearias e padarias), profissões liberais (como médicos), possivelmente já alguns concessionários da praia de Lavadores e o pessoal da antena de rádio dos Emissores do Norte Reunidos seriam alguns dos clientes da central telefónica. A estação da Afurada estava caracterizada como de tráfego médio.
Nessa época, a agente já era casada. O filho nasceria ainda em 1946 e a filha em 1950. Logo no ano do contrato, o marido foi autorizado a fazer serviço e para apoio da agente entrou uma empregada (criada) ainda em 1949. O pai da agente obteria autorização para residir na casa-central telefónica por um período curto em 1950 e em definitivo em 1954. Uma prima da agente, nascida em 1938, foi igualmente autorizada a residir no mesmo lar em 1950 mas impedida de trabalhar, assunto revogado em 1951 quando a jovem atingiu 14 anos de idade. O trabalho na central telefónica era 24 horas por dia, 365 dias por ano. Daí, a pequena equipa de quatro adultos: agente, marido, pai e prima. Talvez a empregada ainda ajudasse em algum momento.
Uma visitadora avaliaria o trabalho regular da agente telefonista da estação. A visitadora seria uma encarregada, já com experiência de serviço, correspondente à vigilante, que, na central com muitas telefonistas, zelava pelo bom atendimento e resolvia situações de telefonemas mais complexas. No caso presente, a tabela de avaliação geral não foi totalmente simpática para a agente: em cinco anos observados, 18 meses com muito bom, 16 com bom, 12 com sofrível e 11 com mau e 3 muito mau ou péssimo. O serviço começou a melhorar em 1952. Uma razão plausível para a melhoria seria a entrada da jovem prima, com o alargamento da equipa.
A remuneração mensal era de 400 escudos em 1946, tendo subido a 500$00 em abril de 1953, quatro anos depois do começo do contrato. Uma gratificação ou bónus anual (espécie de subsídio de férias de valor variável e atribuível ou não) não atingia o salário mensal, a oscilar entre 250$00 e 375$00, mas chegou a mil escudos em 1955.
Como seria garantir a subsistência de um agregado de oito pessoas com 400 escudos? O aluguer mensal de 120$00 era retirado do vencimento ou funcionava como usufruto? Há uma observação, em julho de 1951, que indica ter sido retirado o subsídio para a luz por ele ser incorporado no subsídio da energia, o que significa haver outros pagamentos não identificados nesta folha de pessoal. Apesar de muito distinto, podemos comparar aquele salário com preços de roupa de uma loja de luxo, em 1950, a Casa Africana: “Se a ouvinte vai para a praia, termas ou campo, não se preocupe com as suas toilettes: a Casa Africana tem modelos de vestidos todos diferentes ao preço de 200$00 a 250$00. Vestido de lantoc a 300$00. Vestido de linho a 350$00” (Arquivo Nacional Torre do Tombo, SNI, Caixa 791).
Uma última observação: o casamento estava vedado às telefonistas das maiores centrais mas não às agentes das centrais manuais de bateria local ou bateria central, possivelmente por força do isolamento profissional.
Textos de Rogério Santos, com reflexões e atualidade sobre indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, videojogos, música, livros, centros comerciais) e criativas (museus, exposições, teatro, espetáculos). Na blogosfera desde 2002.
Mostrar mensagens com a etiqueta Comunicação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Comunicação. Mostrar todas as mensagens
quarta-feira, 11 de julho de 2018
segunda-feira, 9 de julho de 2018
João Moreira dos Santos, as relações públicas e a APT
Hoje, no ISCTE, João Moreira dos Santos defendeu tese de doutoramento em Ciências da Comunicação com o título As Primeiras Manifestações de Relações Públicas Empresariais no Portugal do Início do Século XX (1910-1948). Modelos de Comunicação no caso The Anglo-Portuguese Telephone Co. Ltd. O aluno teve como orientadora a professora Sandra Pereira e como co-orientadora a professora Maria Inácia Rezola.
Retiro do resumo da tese o seguinte: "O presente estudo tem como objeto de análise as primeiras manifestações de Relações Públicas (RP) empresariais em Portugal, muito particularmente os modelos de RP adotados (Grunig e Hunt, 1984), procurando evidenciar o papel do contexto histórico na sua prática. Cingindo-nos ao período compreendido entre 1910 e 1948, seguimos como estratégia de pesquisa a metodologia de estudo de caso. Para o efeito, elegemos a The Anglo-Portuguese Telephone Company, Ltd. (APT), também conhecida como Companhia dos Telefones, que desenvolveu atividade em Portugal entre 1887 e 1967. Cientificamente, pretendeu-se contribuir para colmatar as lacunas existentes na historiografia nacional e europeia das RP empresariais".
Como arguente, interessou-me sobremaneira a análise da APT, presente nos capítulos V e VI. Daquele (A APT em Portugal e o contexto para as Relações Públicas), o agora doutor trabalhou breve historial da APT, introdução e adaptação (1882-1902), sistema de bateria central (1903-1930), sistema automático (1930-1967), contexto para as Relações Públicas, enquadramento contratual, ambiente político e regulatório, ambiente laboral, ambiente social, ambiente operacional e comercial, ambiente mediático, cultura empresarial e ambiente concorrencial. Do segundo (As Relações Públicas na APT), retiro os seguintes subcapítulos: organização, terminologia e conceptualização, dos secretários da administração à departamentalização, origem e progressão do termo, conceptualização teórica, influências estrangeiras na aquisição de competências, influência britânica, influência norte-americana, práticas e modelos de Relações Públicas, relações com o poder político e regulador, relações com os empregados, relações com a comunidade, relações com os clientes e relações com a comunicação social.
Das conclusões, o autor menciona indícios de que durante o terceiro quartel do século XIX algumas empresas e organizações enviavam aos jornais informação referente às suas iniciativas, serviços e produtos, numa atividade do tipo publicity. A nível empresarial, João Moreira dos Santos considera o pioneirismos das RP na APT, enquadradas sob esse mesmo termo – Relações com o Público – a partir dos anos 1930. Em 1948, Mello Portugal, funcionário do departamento de tipo-RP da APT, defendeu, contudo, que seria mais apropriado usar o termo Relações Públicas (Portugal, 1948), sendo essa, possivelmente, a primeira referência ao mesmo em Portugal. Nos anos 1950, o designativo Relações Públicas era já utilizado por empresas/organizações como a APT, Shell Portuguesa e CTT.
A APT (Anglo-Portuguese Telephone) era a empresa de telefones conhecida como Companhia dos Telefones, a operar nas áreas de Lisboa e Porto até 1967, quando deu origem aos TLP, fundidos com a parte de telecomunicações dos CTT em 1994, originando a Portugal Telecom.
Fonte: Ilustração, 16 de dezembro de 1933
Adaptação de anúncio da realidade inglesa à portuguesa. O júri da prova, mais o novo doutor, aparece na fotografia a seguir.
[da esquerda para a direita: Jorge Vieira, ISCTE, Nuno Estêvão Ferreira, Universidade Católica, Sandra Pereira, Escola Superior de Comunicação Social, João Moreira dos Santos, Gustavo Cardoso, ISCTE e presidente do júri, Gisela Gonçalves, Universidade da Beira Interior, e Rogério Santos, Universidade Católica]
Retiro do resumo da tese o seguinte: "O presente estudo tem como objeto de análise as primeiras manifestações de Relações Públicas (RP) empresariais em Portugal, muito particularmente os modelos de RP adotados (Grunig e Hunt, 1984), procurando evidenciar o papel do contexto histórico na sua prática. Cingindo-nos ao período compreendido entre 1910 e 1948, seguimos como estratégia de pesquisa a metodologia de estudo de caso. Para o efeito, elegemos a The Anglo-Portuguese Telephone Company, Ltd. (APT), também conhecida como Companhia dos Telefones, que desenvolveu atividade em Portugal entre 1887 e 1967. Cientificamente, pretendeu-se contribuir para colmatar as lacunas existentes na historiografia nacional e europeia das RP empresariais".
Como arguente, interessou-me sobremaneira a análise da APT, presente nos capítulos V e VI. Daquele (A APT em Portugal e o contexto para as Relações Públicas), o agora doutor trabalhou breve historial da APT, introdução e adaptação (1882-1902), sistema de bateria central (1903-1930), sistema automático (1930-1967), contexto para as Relações Públicas, enquadramento contratual, ambiente político e regulatório, ambiente laboral, ambiente social, ambiente operacional e comercial, ambiente mediático, cultura empresarial e ambiente concorrencial. Do segundo (As Relações Públicas na APT), retiro os seguintes subcapítulos: organização, terminologia e conceptualização, dos secretários da administração à departamentalização, origem e progressão do termo, conceptualização teórica, influências estrangeiras na aquisição de competências, influência britânica, influência norte-americana, práticas e modelos de Relações Públicas, relações com o poder político e regulador, relações com os empregados, relações com a comunidade, relações com os clientes e relações com a comunicação social.
Das conclusões, o autor menciona indícios de que durante o terceiro quartel do século XIX algumas empresas e organizações enviavam aos jornais informação referente às suas iniciativas, serviços e produtos, numa atividade do tipo publicity. A nível empresarial, João Moreira dos Santos considera o pioneirismos das RP na APT, enquadradas sob esse mesmo termo – Relações com o Público – a partir dos anos 1930. Em 1948, Mello Portugal, funcionário do departamento de tipo-RP da APT, defendeu, contudo, que seria mais apropriado usar o termo Relações Públicas (Portugal, 1948), sendo essa, possivelmente, a primeira referência ao mesmo em Portugal. Nos anos 1950, o designativo Relações Públicas era já utilizado por empresas/organizações como a APT, Shell Portuguesa e CTT.
A APT (Anglo-Portuguese Telephone) era a empresa de telefones conhecida como Companhia dos Telefones, a operar nas áreas de Lisboa e Porto até 1967, quando deu origem aos TLP, fundidos com a parte de telecomunicações dos CTT em 1994, originando a Portugal Telecom.
Fonte: Ilustração, 16 de dezembro de 1933
Adaptação de anúncio da realidade inglesa à portuguesa. O júri da prova, mais o novo doutor, aparece na fotografia a seguir.
[da esquerda para a direita: Jorge Vieira, ISCTE, Nuno Estêvão Ferreira, Universidade Católica, Sandra Pereira, Escola Superior de Comunicação Social, João Moreira dos Santos, Gustavo Cardoso, ISCTE e presidente do júri, Gisela Gonçalves, Universidade da Beira Interior, e Rogério Santos, Universidade Católica]
quarta-feira, 16 de maio de 2018
Ainda sobre as meninas dos telefones
"Está lá"? A legenda do desenho é elucidativa: "As meninas das reclamações debruçam-se sobre enormes calhamaços, quando nós cá de longe supomos que estão tranquilamente a namorar" (Domingo Ilustrado, 15 de fevereiro de 1925), após uma visita à central telefónica Norte (rua Andrade Corvo, Lisboa). O jornalista ainda teve oportunidade de ouvir "um murmúrio fresco do «para onde deseja»?".
terça-feira, 8 de maio de 2018
Relatos de futebol, técnicos e telefones
Num tempo em que se fala muito de futebol, deixo aqui algumas notas sobre o desporto e o modo como se faziam as ligações para os relatos nos estádios, incluindo técnicos da rádio e dos telefones.
De Alfredo Quádrio Raposo, o primeiro relator (ou relatador) desportivo profissional ao serviço da Emissora Nacional, reproduzo duas imagens (Rádio Nacional, 10 de julho de 1948, data não identificada). Um seu sucessor foi Artur Agostinho, de igual sucesso nas transmissões desportivas (imagem abaixo de abril de 1947, Gabinete Museológico e Documental da RTP). Não me lembro de ter escutado o primeiro mas retive no ouvido o tom de voz do segundo. De qualidade diferente, as imagens permitem-nos interpretar os ambientes em idêntico período. Elementos comuns em duas imagens são o microfone de peito e a boina, Quádrio Raposo a relatar no verão e Artur Agostinho no campo de futebol na primavera. Existe um terceiro elemento comum em todas as imagens: os relatos faziam-se à face do campo de jogos, com a assistência mesmo atrás, o que podia trazer problemas, caso os adeptos não gostassem dos comentários do relatador. Quádrio Raposo, nas duas imagens, tinha um bloco de apontamentos junto a si, ao passo que Artur Agostinho delega isso no seu assistente. Artur Agostinho usa auscultadores, o que permite ouvir o sinal de retorno e eventuais perguntas ou sugestões do estúdio, mas isso não acontece com Quádrio Raposo.
A segunda imagem de Quádrio Raposo, como aquela em que se vê Artur Agostinho, revela mais pormenores, como o assistente técnico, ao lado, junto a uma mesa técnica e com cabos (microfone e telefone). O assistente técnico intervinha quando houvesse alguma questão operacional de controlo de som. Os profissionais da Emissora Nacional (e a assistência) estão vestidos com gabardinas, a denunciar tempo chuvoso. À esquerda de Artur Agostinho, o assistente Helder Soares. Havia outro técnico na estação chamado Helder Sobral, "verdadeiros braços direitos e esquerdos do locutor", segundo informação oportuna de Orlando Dias Agudo, a quem agradeço. Outro dos assistentes técnicos da Emissora Nacional foi Álvaro Fonseca: ele levava o material, o OB e os microfones. Ele tinha um trabalho delicado, que a sua anterior prática de eletricista resolvia. No estádio do Lima (Porto), durante algum tempo campo onde jogou o FC Porto, a corrente elétrica para ligar o OB era de 110 volts. O técnico aventurava-se porque sabia o que fazia, embora pudesse apanhar, durante a montagem, um choque no microfone.
Nos bastidores dos relatos desportivos, havia outros profissionais, como o empregado dos telefones que ligava as linhas de comunicação. José de Almeida e Sousa era conhecido como o Almeida dos "campos de futebol" por fazer esse trabalho, homenageado por altura da sua reforma (Jornal de Notícias, 19 de outubro de 1969).
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018
Museu de telefones de José Valle
José Valle nasceu em 1939 e é engenheiro de máquinas e eletrotecnia. Entrou nos TLP em 1967 e pré-reformou-se na PT em 1997. De entre as funções profissionais que desempenhou, foi director da rede exterior da área de Lisboa (Conservação), director-geral da Tele-Larm e administrador delegado da CST – Companhia Santomense de Telecomunicações, de São Tomé e Príncipe.
Desde cedo, a sua paixão pelo colecionismo de telefones e aparelhos ligados à atividade levaram-no a procurar um local onde expusesse e desse uma sequência histórica à coleção. Em abril de 2015, abriu um espaço na Verdizela (Seixal). O sítio da internet é Museu dos Telefones de José Valle e o email é jose.valle@sapo.pt. A coleção de telefones de José Valle pode ser visitada mediante marcação prévia de dia e hora para a sua realização. Se a visita for em grupo, este não deverá ter mais de oito elementos por questões logísticas.
Coloquei um conjunto de vídeos que seguem a visita feita. No último vídeo, mais longo, o engº Valle explica de modo pedagógico a evolução dos telefones e das centrais telefónicas. Por favor, comentem esta mensagem e partilhem os vídeos. O trabalho individual deste antigo profissional das telecomunicações deve ser muito acarinhado e divulgado. Além do valor patrimonial, existe um enorme valor simbólico de uma atividade (uma indústria).


Coloquei um conjunto de vídeos que seguem a visita feita. No último vídeo, mais longo, o engº Valle explica de modo pedagógico a evolução dos telefones e das centrais telefónicas. Por favor, comentem esta mensagem e partilhem os vídeos. O trabalho individual deste antigo profissional das telecomunicações deve ser muito acarinhado e divulgado. Além do valor patrimonial, existe um enorme valor simbólico de uma atividade (uma indústria).


terça-feira, 4 de abril de 2017
Mediatização da política em livro
Com apresentação de Mário Mesquita, foi hoje lançado o livro de Rita Figueiras, A Mediatização da Política nas Redes Sociais (Alêtheia), na livraria da Alêtheia (Rua do Século, Lisboa).
Segundo a autora, docente de comunicação na Universidade Católica, o livro ajuda a compreender os casos políticos. Para ela, a política, independentemente da mediatização, continua a existir. Há um interesse recíproco. A mediatização da política implica que, quanto maior o palco, maior o bastidor, o espaço do escondido, de opacidade, de invisibilidade e de negociação em cada caso político e que medeia o político e o meio de comunicação. Ela escolheu poucas personagens políticas, levando o leitor a reconstruir os seus políticos. Por exemplo, não escreveu sobre Trump, mas o presidente americano está presente na sua ausência. Tema já pensado há muito, foi durante a campanha presidencial que levou à eleição de Trump que Rita Figueiras pensou em escrever o livro.
Mário Mesquita, o apresentador, falou de um livro relevante para a área do jornalismo e da política. Após evidenciar a ampla revisão da literatura, ele indicou que o livro questiona o tempo da política (e dos seus espaços tradicionais como os partidos e o parlamento) e o tempo cada vez mais curto dos media. A televisão primeiro e as redes sociais depois ajudaram à atual reconfiguração da política. Além da temporalidade, o apresentador destacou outros elementos do livro: a conflitualidade, a negociação permanente, a pressão mediática para que o político responda de imediato, sem cuidar de saber se alcança uma boa solução ou não. O tempo do político é contraditório do tempo do decisor. O jornalista torna-se uma espécie de árbitro perante o governo e de outras instituições mais largas como os poderes de Bruxelas. O jornalista habilita o político a usar a argumentação (mas também a retórica e a demagogia) no debate permanente na mediatização. Tal quer dizer que o político precisa de um tempo maior do que o ciclo eleitoral para realizar as suas bandeiras eleitorais mas o tempo político é curto-circuitado pelo tempo do online. Mário Mesquita apontou um novo conceito da autora: a flutuação na força da mediatização. Um exemplo falado foi o dos primeiros-ministros italianos, a partir de Berlusconi, com registos mediáticos inferiores dos seus sucessores. Outro, estudado pela autora, o da mediatização dos presidentes da República portuguesa: Aníbal Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017
Debate sobre jovens a ingressar na universidade
Promovido pela revista Forum Estudante, a comemorar 25 anos de existência, decorre hoje e amanhã o 5.º Encontro Nacional de Gabinetes de Imagem e Comunicação de ensino superior. A reunião agrega mais de 100 profissionais de comunicação e marketing em representação de 65 instituições. A presente edição trabalha a comunicação com os jovens saídos do ensino secundário e a atração a criar para o ingresso no ensino superior [primeira imagem tirada pela organização].
Com moderação de Rui Marques, o responsável do projeto Forum Estudante, participei no painel inicial (comunicação abaixo). Destaco ainda palavras-chave dos meus colegas de painel Vasco Trigo e Miguel Fontes: cultura do emotainment (após o tempo do infotainment), volatilidade (face às tecnologias), ritmo da mudança, inovação igual a diversidade, sofisticação e captação da atenção. A síntese final do painel, feita pelo moderador, apontou para a necessidade de equilibrar a abundância da informação com o escasso recurso da atenção.
Com moderação de Rui Marques, o responsável do projeto Forum Estudante, participei no painel inicial (comunicação abaixo). Destaco ainda palavras-chave dos meus colegas de painel Vasco Trigo e Miguel Fontes: cultura do emotainment (após o tempo do infotainment), volatilidade (face às tecnologias), ritmo da mudança, inovação igual a diversidade, sofisticação e captação da atenção. A síntese final do painel, feita pelo moderador, apontou para a necessidade de equilibrar a abundância da informação com o escasso recurso da atenção.
sábado, 21 de janeiro de 2017
Cais da Pedra, Cais Real e Cais das Colunas
O livro de Alexandra de Carvalho Antunes, Cais da Pedra e Cais Real. Planos Joaninos para a Marinha de Lisboa, foi lançado o mês passado, editado pela Canto Redondo.
Do prefácio de Vítor Serrão, retiro o seguinte: durante séculos, houve estruturas efémeras de desembarque de embaixadas, visitantes e comitivas oficiais na margem direita do rio Tejo, compreendendo o Terreiro do Paço da Ribeira, seu cais de pedra, e o cais real, na Praça de Belém, contíguo ao palácio realengo.
O texto agora publicado integra-se no trabalho de pós-doutoramento e que culminará numa monografia sobre o Cais das Colunas. Alexandra de Carvalho Antunes tem mestrado em Arte, Património e Restauro, com o trabalho A Arquitetura de Veraneio e o Palácio Anjos em Algés, depois publicado em livro e que fiz referência em novembro de 2007 aqui (O veraneio da família Anjos. Diário de Maria Leonor Anjos (1885-1887)). A investigadora concluiria ainda doutoramento em Arquitetura.
Trabalhando com fontes primárias, permitindo reconstituir no seu conjunto os equipamentos urbanos da faixa ribeirinha e revelar as suas formas e funções como melhoramentos portuários, Alexandra de Carvalho Antunes remonta a atual Praça do Comércio ao final do século XII, com aterros e assoreamentos sucessivos (p. 19). O topónimo Terreiro do Paço é devido a D. Manuel I, que trocou o Paço Real da Alcáçova, na colina do Castelo de S. Jorge, pelo Paço da Ribeira (p. 21). A construção de um cais de pedra iniciou-se nesse período. Muito depois, discutiram-se as questões do lançamento de imundícies no cais e a necessidade de reparar o edifício da alfândega do tabaco e relançar o cais já destruído (p. 25).
A designação do termo cais da pedra, em finais do século XVI, identificou cais de cantaria próximos dos Paços da Ribeira (p. 28). O próprio Cais das Colunas, no Terreiro do Paço, acumulou os dois nomes. Os cais de pedra iam de Marvila a Belém (p. 36). O de Belém, desenhado por Carlos Mardel, surge na bela capa do livro, com "uma vasta e formosa praça, com um amplo cais de cantaria sobre o Tejo", como se escrevia num documento da época (p. 44). As obras de construção do novo porto de Lisboa acabariam com o cais da praça de Belém, aliando-se às obras da linha de caminho de ferro Cascais-Lisboa, a funcionar desde 1889-1895 (p. 47).
O livro tem 15 páginas com planos, desenhos e gravuras que revelam a beleza dos cais da pedra junto à margem direita do rio Tejo. Tem ainda dois anexos, referentes a documentos de 1742, onde se elenca um conjunto grande de argumentos para a construção dos cais da pedra, incluindo a segurança, a defesa da cidade e o combate às lixeiras junto do rio e visíveis na maré vaza.
Da leitura deste livro, extraio conclusões, a primeira das quais o fechamento do rio por infraestruturas estatais, como o porto de Lisboa. Um movimento contrário nos anos mais recentes está a permitir, de novo, usufruir o contacto com o rio e numa grande extensão da costa ribeirinha. A segunda conclusão é o reflexo social provocada pela mudança de transportes: se o rio e o navio eram essenciais no transporte de pessoas e bens, a estação de caminho de ferro do Rossio, na baixa da cidade, alterou o uso social no tocante a pessoas. Nas décadas iniciais do século XX, as personalidades mais importantes eram alvo de acolhimento público à saída e chegada do comboio, o que se alterou quando o aeroporto entrou em funcionamento e visível nas fotografias tiradas junto ao avião à partida, para memória futura. Do rio e dos seus cais de embarque ficava então uma ideia ténue. O livro de Alexandra de Carvalho Antunes, numa vertente histórica e de arquitetura, vem situar de novo o tema, a que podemos associar os aspetos sociais, económicos e culturais. Uma terceira questão é a massificação do transporte - as pessoas viajam cada vez mais e as estruturas adaptam-se a essa procura e velocidade.
Do prefácio de Vítor Serrão, retiro o seguinte: durante séculos, houve estruturas efémeras de desembarque de embaixadas, visitantes e comitivas oficiais na margem direita do rio Tejo, compreendendo o Terreiro do Paço da Ribeira, seu cais de pedra, e o cais real, na Praça de Belém, contíguo ao palácio realengo.
O texto agora publicado integra-se no trabalho de pós-doutoramento e que culminará numa monografia sobre o Cais das Colunas. Alexandra de Carvalho Antunes tem mestrado em Arte, Património e Restauro, com o trabalho A Arquitetura de Veraneio e o Palácio Anjos em Algés, depois publicado em livro e que fiz referência em novembro de 2007 aqui (O veraneio da família Anjos. Diário de Maria Leonor Anjos (1885-1887)). A investigadora concluiria ainda doutoramento em Arquitetura.
Trabalhando com fontes primárias, permitindo reconstituir no seu conjunto os equipamentos urbanos da faixa ribeirinha e revelar as suas formas e funções como melhoramentos portuários, Alexandra de Carvalho Antunes remonta a atual Praça do Comércio ao final do século XII, com aterros e assoreamentos sucessivos (p. 19). O topónimo Terreiro do Paço é devido a D. Manuel I, que trocou o Paço Real da Alcáçova, na colina do Castelo de S. Jorge, pelo Paço da Ribeira (p. 21). A construção de um cais de pedra iniciou-se nesse período. Muito depois, discutiram-se as questões do lançamento de imundícies no cais e a necessidade de reparar o edifício da alfândega do tabaco e relançar o cais já destruído (p. 25).
A designação do termo cais da pedra, em finais do século XVI, identificou cais de cantaria próximos dos Paços da Ribeira (p. 28). O próprio Cais das Colunas, no Terreiro do Paço, acumulou os dois nomes. Os cais de pedra iam de Marvila a Belém (p. 36). O de Belém, desenhado por Carlos Mardel, surge na bela capa do livro, com "uma vasta e formosa praça, com um amplo cais de cantaria sobre o Tejo", como se escrevia num documento da época (p. 44). As obras de construção do novo porto de Lisboa acabariam com o cais da praça de Belém, aliando-se às obras da linha de caminho de ferro Cascais-Lisboa, a funcionar desde 1889-1895 (p. 47).
O livro tem 15 páginas com planos, desenhos e gravuras que revelam a beleza dos cais da pedra junto à margem direita do rio Tejo. Tem ainda dois anexos, referentes a documentos de 1742, onde se elenca um conjunto grande de argumentos para a construção dos cais da pedra, incluindo a segurança, a defesa da cidade e o combate às lixeiras junto do rio e visíveis na maré vaza.
Da leitura deste livro, extraio conclusões, a primeira das quais o fechamento do rio por infraestruturas estatais, como o porto de Lisboa. Um movimento contrário nos anos mais recentes está a permitir, de novo, usufruir o contacto com o rio e numa grande extensão da costa ribeirinha. A segunda conclusão é o reflexo social provocada pela mudança de transportes: se o rio e o navio eram essenciais no transporte de pessoas e bens, a estação de caminho de ferro do Rossio, na baixa da cidade, alterou o uso social no tocante a pessoas. Nas décadas iniciais do século XX, as personalidades mais importantes eram alvo de acolhimento público à saída e chegada do comboio, o que se alterou quando o aeroporto entrou em funcionamento e visível nas fotografias tiradas junto ao avião à partida, para memória futura. Do rio e dos seus cais de embarque ficava então uma ideia ténue. O livro de Alexandra de Carvalho Antunes, numa vertente histórica e de arquitetura, vem situar de novo o tema, a que podemos associar os aspetos sociais, económicos e culturais. Uma terceira questão é a massificação do transporte - as pessoas viajam cada vez mais e as estruturas adaptam-se a essa procura e velocidade.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
Revista Portuguesa de História da Comunicação
Está desde hoje disponível na internet o número zero da Revista Portuguesa de História da Comunicação.
Textos da sua editora Patrícia Teixeira (Introdução), Alberto Pena-Rodríguez (Apuntes históricos del Diario de Noticias de New Bedford (1927-1973)), Aline Strelow e Nádia Alibio (O Lábaro: Um jornal literário positivista no Sul do Brasil), Ana Regina Rêgo e Ranielle Leal Carlos (Castello Branco e a construção da Anistia no Brasil: a imposição do esquecimento), Antônio Hohlfeldt (Os médias e o império português nos séculos XIX e XX), Carla Baptista e Cláudia Henriques (O caso do Bispo do Porto na imprensa portuguesa (1958-1974): um episódio de resistência dos jornalistas durante o Marcelismo), Francisco Rui Cádima (O (des)controlo da Internet: para uma história da Darknet), Jaume Guillamet (Crisis del periodismo y naturaleza de los medios: El final de un ciclo), Maria Inácia Rezola (Emissora Nacional (1974-1975): uma estação do povo, ao serviço do povo), Rogério Santos (As audiências como elemento de compreensão das tendências da rádio entre as décadas de 1940 e 1970), Suzana Cavaco (Imprensa portuguesa em busca de um mercado luso-brasileiro (1825-1914)), Xosé López, Ana Isabel Rodríguez Vásquez e Andrea Valencia-Bermúdez (El Caton Compostelano: 217 anos de publicacións periódicas na Galiza).
Obrigado a Patrícia Teixeira e Jorge Pedro Sousa pelo trabalho na revista e no grupo de trabalho de História da Comunicação da SOPCOM.
Textos da sua editora Patrícia Teixeira (Introdução), Alberto Pena-Rodríguez (Apuntes históricos del Diario de Noticias de New Bedford (1927-1973)), Aline Strelow e Nádia Alibio (O Lábaro: Um jornal literário positivista no Sul do Brasil), Ana Regina Rêgo e Ranielle Leal Carlos (Castello Branco e a construção da Anistia no Brasil: a imposição do esquecimento), Antônio Hohlfeldt (Os médias e o império português nos séculos XIX e XX), Carla Baptista e Cláudia Henriques (O caso do Bispo do Porto na imprensa portuguesa (1958-1974): um episódio de resistência dos jornalistas durante o Marcelismo), Francisco Rui Cádima (O (des)controlo da Internet: para uma história da Darknet), Jaume Guillamet (Crisis del periodismo y naturaleza de los medios: El final de un ciclo), Maria Inácia Rezola (Emissora Nacional (1974-1975): uma estação do povo, ao serviço do povo), Rogério Santos (As audiências como elemento de compreensão das tendências da rádio entre as décadas de 1940 e 1970), Suzana Cavaco (Imprensa portuguesa em busca de um mercado luso-brasileiro (1825-1914)), Xosé López, Ana Isabel Rodríguez Vásquez e Andrea Valencia-Bermúdez (El Caton Compostelano: 217 anos de publicacións periódicas na Galiza).
Obrigado a Patrícia Teixeira e Jorge Pedro Sousa pelo trabalho na revista e no grupo de trabalho de História da Comunicação da SOPCOM.
quarta-feira, 26 de outubro de 2016
História da Comunicação em seminário
O Grupo de Trabalho de História da Comunicação da SOPCOM realizou ontem em Braga o seu primeiro seminário, com apoio e organização do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho. Nos oradores convidados, estiveram Antônio Hohlfeldt (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), Alberto Pena Rodríguez (Universidade de Vigo) e Manuel Pinto (Universidade do Minho).
Para Antônio Hohlfeldt, existe uma continuidade entre os velhos e os novos media, o que fascina uns pela novidade e instaura uma onda de preconceitos aos que pensam ainda nos velhos meios. Ele vê o mesmo tipo de práticas e deu um exemplo: hoje, coloca-se uma fotografia no Facebook; há um século, um leitor enviava a fotografia para o editor de um jornal publicar. Com referências a McLuhan e Lúcia Santaella, retirou desta a ideia de nenhum meio de comunicação ter desaparecido sempre que surge um novo. Lembrando uma experiência profissional em Montreal na área da rádio, trinta anos atrás, falou da adequação das ondas curtas de então à internet de hoje. O seu foco é a relação entre história e comunicação, partilhado aliás pelos outros participantes da mesa. O professor brasileiro lembrou ainda a importância da história cultural, citando um recente livro de Marialva Barbosa, e a necessidade urgente de se fazerem estudos comparados dos media, caso dos países de língua portuguesa.
Manuel Pinto fez a sua comunicação a partir da sua experiência como docente de história da comunicação e dos media, criticando a visão comum da cronologia, ou sucessão de factos, sem a contextualização e interpretação desses factos. Um segundo ponto da sua intervenção apontou para a tradição etnocêntrica da história, da perspetiva ocidental quanto se escreve sobre outras culturas e histórias. Uma outra crítica levou-o ao caráter instrumentalista da comunicação, com a apologia da tecnologia no centro da evolução ou modernidade. O professor da Universidade do Minho analisou ainda o lugar da história da comunicação nos currículos das licenciaturas do país, concluindo de 21 cursos que analisou existem 20 com unidades curriculares de História: oito chamam-se História dos Media, cinco História do Jornalismo, duas História da Comunicação e dos Media e cinco outras adotaram diferentes designação.
Alberto Pena Rodríguez apresentou quatro razões fundamentais para a existência de unidades curriculares no ensino da história da comunicação: epistemologia (a história encontra causas e consequências que conduzem aos processos que explicam onde estamos), inovação (que ajuda a compreender a tradição e a consequência de situações usando os dois termos), transversalidade (através de disciplinas, métodos, técnicas, rotinas) e significação cultural e social (o estudo do significado histórico para compreender as situações e as mudanças na sociedade). Ele teve ainda tempo para, seguindo o apelo de Antônio Hohlfeldt, apresentar um projeto em curso da história da imprensa luso-americana, onde retém, de entre outros aspetos, o olhar dos emigrantes face ao país de nascimento e as redes comerciais que eles estabelecem.
Como moderador da mesa inicial, Jorge Pedro Sousa prestou informações importantes para quem investiga a área, caso do próximo lançamento do primeiro número da revista do grupo de História da Comunicação (número zero). Salientou também o destaque a dar à página de Facebook do grupo (História da Comunicação) e recomendou o acompanhamento de congressos em 2017: Historiadores de Comunicação, a nível ibérico, no Porto, em setembro, e SOPCOM, com secção do grupo.
terça-feira, 13 de setembro de 2016
quinta-feira, 7 de julho de 2016
Comunicação e Cultura
Os dois números mais recentes da revista Comunicação e Cultura (Universidade Católica Portuguesa) constituem uma espécie de balanço de uma primeira fase: entrevistas (número 17, Diálogos Singulares, em português) e textos teóricos (número 18, Rethinking Communication and Culture, em inglês). Destaco do primeiro as entrevistas feitas a Barbie Zelizer, Michael Schudson, Gilles Lipovetsky, Daniel Dayan, Gaye Tuchman e James Curran. Do segundo, relevo os textos de Monika Schmitz-Emans, Sónia Pereira e Robert Doran. Uma longa e profícua releitura.


quarta-feira, 6 de julho de 2016
Eduardo Paz Ferreira e a sua sociedade decente
Eduardo Lourenço falava baixinho sobre a Europa e o caos. Ou a crise da Europa. Na sala cheia para assistir ao lançamento do livro de Eduardo Paz Ferreira, Por uma Sociedade Decente, entrava um doce som de grupo coral. Depois, apercebi-me que era um coral juvenil no andar de baixo da reitoria da Universidade de Lisboa.
Antes de Lourenço tinham falado Ricardo Paes Mamede e José Tolentino de Mendonça, aquele sobre a obra quase enciclopédica e atual, este sobre Thomas More e a Utopia e Jonathan Swift e As Viagens de Gulliver (a distopia). Antes ainda o ministro da Cultura, Luís Filipe de Castro Mendes, e o jornalista Nicolau Santos leram poemas.
Creio que Eduardo Paz Ferreira responde à minha questão de ontem (o venezuelano que montou o seu micro-negócio na escada do metropolitano e quer regressar ao seu país mas não tem dinheiro). Escreve ele, mesmo no final da obra, que é tempo de retomar iniciativas para transformarem a sociedade e atribuir centralidade à felicidade coletiva e acabar com a humilhação de pessoas e grupos sociais, lançados às margens da sociedade. Começar de novo e com outros valores, escreve ainda.
Antes de Lourenço tinham falado Ricardo Paes Mamede e José Tolentino de Mendonça, aquele sobre a obra quase enciclopédica e atual, este sobre Thomas More e a Utopia e Jonathan Swift e As Viagens de Gulliver (a distopia). Antes ainda o ministro da Cultura, Luís Filipe de Castro Mendes, e o jornalista Nicolau Santos leram poemas.
Creio que Eduardo Paz Ferreira responde à minha questão de ontem (o venezuelano que montou o seu micro-negócio na escada do metropolitano e quer regressar ao seu país mas não tem dinheiro). Escreve ele, mesmo no final da obra, que é tempo de retomar iniciativas para transformarem a sociedade e atribuir centralidade à felicidade coletiva e acabar com a humilhação de pessoas e grupos sociais, lançados às margens da sociedade. Começar de novo e com outros valores, escreve ainda.
segunda-feira, 4 de julho de 2016
Da estação de metro à Venezuela
Já o conheço de o ver ali há alguns anos. Aliás, uma vez escrevi aqui sobre ele, efabulando quem seria e como vivia. Nas escadas de saída do metro, ele monta o seu negócio mais que pequeno: chapéus de chuva, algumas bijuterias, outros adereços. Fuma com muita frequência e conversa com alguns clientes esporádicos. De há meses a esta parte colocou um cartaz solicitando apoio para regressar à Venezuela, o seu país. Na semana passada, distribuía retângulos de folha a pedir que lhe comprassem por 50 cêntimos um dos seus produtos para ajudar à viagem.
Abordei-o e contou-me a história. No seu país, enamorou-se por uma portuguesa e veio para cá, 23 anos atrás. Casou, foi pai, mas divorciou-se. Filhos e pai também se afastaram. Teve um recente acidente vascular cerebral, que lhe afetou a fala, embora o ouvisse com desenvoltura. Mostrou-me uma cicatriz da operação. Agora, os filhos venezuelanos (40 e 36 anos) e os cinco netos querem vê-lo no país dele.
O que falta nesta história dramática que envolve dois continentes?
Abordei-o e contou-me a história. No seu país, enamorou-se por uma portuguesa e veio para cá, 23 anos atrás. Casou, foi pai, mas divorciou-se. Filhos e pai também se afastaram. Teve um recente acidente vascular cerebral, que lhe afetou a fala, embora o ouvisse com desenvoltura. Mostrou-me uma cicatriz da operação. Agora, os filhos venezuelanos (40 e 36 anos) e os cinco netos querem vê-lo no país dele.
O que falta nesta história dramática que envolve dois continentes?
domingo, 26 de junho de 2016
Transportes públicos japoneses
O comboio japonês de alta velocidade chama-se shinkansen (新幹線) e é operado pela Japan Railways (JR). A velocidade anda entre os 240 e 320 quilómetros por hora e a linha mais utilizada é a que liga Tóquio a Osaca. O shinkansen, com 16 carruagens em média, é conhecido pela sua pontualidade e conforto. Quando está a aproximar-se de uma estação, o passageiro é informado da paragem por breves momentos.
Nas imagens, também interiores do metropolitano de Osaca e Tóquio, autocarro de Quioto e linha regional JR entre Quioto e Nara.
Nas imagens, também interiores do metropolitano de Osaca e Tóquio, autocarro de Quioto e linha regional JR entre Quioto e Nara.
sábado, 18 de junho de 2016
Museu de Correios e Telecomunicações (Tóquio)
O Museu dos Correios fica num nono andar de uma das torres da área conhecida como Skytrees (Tóquio), onde se combinam lojas, restaurantes, escritórios e zonas de lazer. Inaugurado em 2014, o museu parece não ter entrado nos roteiros da cidade, pois mesmo num posto de turismo da zona de Asakuka houve enorme dificuldade em localizar o museu. Junta equipamentos (muito mais de correios que telecomunicações), cartazes, peças de vestuário dos empregados de correios e uma extensa coleção de gavetas verticais de selos. Portugal tem dezanove gavetas, cobrindo nomeadamente a atualidade. Todo o dispositivo museológico é agradável, das cores à informação (aqui escassa para quem não saiba o japonês, o que é o caso).
quinta-feira, 16 de junho de 2016
Museu ferroviário de Quioto
O museu ferroviário de Quioto (Kyoto Railway Museum) abriu no final de abril deste ano. É uma nova atração da cidade, pela quantidade e qualidade de material exposto, como as locomotivas de carvão e os modernos comboios que operam na linha de alta velocidade Shinkansen (新幹線). A joia da coroa é uma enorme sala-anfiteatro cheia de linhas e comboios em miniatura a andar, o que causa muita alegria a crianças e adultos. Entrada 1200 ienes (cerca de dez euros).
Subscrever:
Mensagens (Atom)






















































