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segunda-feira, 4 de junho de 2018

Command Performance - Fazer um disco em 1942



O filme de William Ganz (1942), Command Performance, da RCA Victor, mostra os processos envolvidos na produção da gravação de discos de laca, incluindo a elaboração do disco master, o disco mãe e os estampadores (e matrizes).

Observação: a gravação musical era, à época, feita diretamente da peça tocada por músicos para o disco. Muito pouco tempo depois, o processo inicial de registo seria feito por fita magnética. No filme, fala-se em laca e ainda não em vinil.

domingo, 27 de maio de 2018

Contributo para o conhecimento da produção do disco

Durante muitos anos, parte das etapas da produção da indústria discográfica era feita fora do país, caso dos acetatos, a base da multiplicação de exemplares do disco ( Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha e França). Primeiro, as matrizes eram de cobre, passando depois a níquel (como se observa numa das imagens), material mais resistente e flexível. Os sons estampados na matriz eram transmitidos por meios eletrolíticos (de eletrólise) para o vinil do disco. Cada matriz podia ser usada para a impressão de 300 exemplares, em média. A Rádio Triunfo, a primeira editora do país, iniciaria o processo fabril de corte de acetatos e produção das matrizes de cobre em Portugal em 1960, em unidade fabril instalada na rua do Campo Lindo, no Porto.

Dentro do processo tecnológico, nasceram profissões como verificadora da qualidade (discos e matrizes), técnico de corte de acetatos (registo de som em acetatos a partir de bandas magnéticas), operadora de laboratório (análises e ensaios químicos), operador de galvano (pratear acetatos e carregar banhos eletrolíticos) e apontador arquivista (preparação de obra a executar, controlo de matérias-primas e produtos acabados). Como habilitações literárias, o analista principal tinha o curso industrial ou frequência de curso superior, o operador de galvano do ensino primário a frequência de ensino secundário, a apontadora frequência liceal e o técnico de som o curso industrial.

A terceira imagem é a capa de disco de 45 rpm do Grupo Folclórico Poveiro (etiqueta Alvorada, Rádio Triunfo). A editora (também fabricante, como escrevi acima) teve, em dois dos três sócios iniciais, responsáveis nascidos na Póvoa de Varzim, pelo que se aceita a ênfase dada à música local. A fotografia da capa mostra a parte ribeirinha da cidade, já com edifícios altos, e parte das embarcações de trabalho pesqueiro. Os nomes dos dois barcos em primeiro plano identificam uma realidade religiosa: Herança de Deus e Pastorinhos. Esse rancho seria responsável por um dos maiores êxitos da editora: O Mar Enrola na Areia, de 1957.


domingo, 13 de maio de 2018

Callas

A sinopse do filme Maria by Callas, de Tom Wolf (2017), indica: "Pela primeira vez, 40 anos depois da sua morte, a mais famosa cantora de ópera conta a sua história, nas suas próprias palavras. Um filme a partir de filmagens inéditas, fotografias nunca vistas, filmes pessoais em super 8, gravações ao vivo privadas, cartas íntimas e raras imagens de arquivo a cores".

E acrescenta incluir imagens e filmagens de, entre outros, Maria Callas, Vittorio De Sica, Aristotle Onassis, Pier Paolo Pasolini, Omar Sharif, Marilyn Monroe, Alain Delon, Yves Saint-Laurent, John Fitzgerald Kennedy, Luchino Visconti, Winston Churchill, Grace Kelly e Elizabeth Taylor.

Assim, o filme retrata a fascinante figura da cantora norte-americana (de Nova Iorque), regressada à Grécia dos seus pais com treze anos (1937), e onde ingressa na carreira musical. Não é um documentário como estamos habituados a ver na televisão, em que se cruzam depoimentos de especialistas numa matéria e que esclarecem os passos da pessoa a documentar. Apenas a sua professora Elvira de Hidalgo.

Para mim, outros pontos fracos do filme são que não explica adequadamente a razão porque a família saiu dos Estados Unidos, a troca sentimental dela por Jacqueline Kennedy por Onassis e a muita insistência, certamente para usar as imagens de arquivo, em chegadas de avião, entradas em automóveis, palmas nas salas onde cantou e vestidos e chapéus que usou e cãezinhos de estimação que a acompanhavam a todo o lado.


Mas fica, e isso é bastante para quem gosta de a ouvir e recordar, a sua imagem, nas entrevistas, de mulher tímida, nascida com nome de família Kalogerópulu e alterado para Callas, bem mais fácil de pronunciar, que sofreu com uma momentânea perda de voz em Roma (1958), e perdeu a carreira devido aos homens que amou, um porque explorou a sua condição mediática (o empresário Giovanni Battista Meneghini, bem mais velho que Callas, com quem casou) e outro porque era um bom vivant e, no fundo, aventureiro (Onassis) e a procurar constituir família e ter filhos. Uma vida simples, como acentuaria em entrevistas. O filho tido da relação com Onassis morreu no dia seguinte ao nascimento. A sua voz entraria em decadência e ela refugiou-se num apartamento em Paris, onde morreu. Apesar de muito famosa, creio que nunca terá alcançado a felicidade.

Se a glória foi efémera, a memória perdura. Maria Callas (1923-1977) cantaria em especial o bel canto, como Donizetti, Bellini e Rossini. Mas igualmente o repertório de Bizet e Wagner, entre outros [créditos das imagens: Leopardo Filmes].

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Sobre o Festival da RTP, livro de Callixto e Mangorrinha

João Carlos Callixto e Jorge Mangorrinha publicaram agora o livro Portugal 12 pts, da editora Âncora, com apresentação de Júlio Isidro na última segunda-feira na livraria Férin (Lisboa).

De Jorge Mangorrinha, já escrevi aqui sobre o seu pequeno livro Portugal e a Eurovisão. 50 Anos de Canções (1964-2014), não o chegando a fazer relativamente ao livro Festival RTP da Canção: uma História de 50 Anos: 1964-2014 (exemplar existente na biblioteca João Paulo II da Universidade Católica). Ambos sairiam em 2014. De João Carlos Callixto, escrevi recentemente sobre o seu livro Canta, Amigo, Canta. Nova Canção Portuguesa (1960-1974).


O livro, ou melhor um livro-álbum de 453 páginas, a obra que mais trabalho de construção deu ao editor na sua atividade de mais de 30 anos, tem três partes distintas: uma, mais pequena, assinada pelos dois autores, a explicar a obra, a segunda assinada por Jorge Mangorrinha (Ser ou não Festivaleiro) e a terceira por João Carlos Callixto (Playlist). Se a parte desenvolvida por Mangorrinha narra e interpreta os sucessivos festivais da RTP, o texto de Callixto contém a lista de todas as canções concorrentes ao festival por ordem alfabética (o leitor preferia por cantor ou artista, mas aceita a opção do autor), desde A Boca do Lobo, de 1975, a Zero Zero, de 2018.


Jorge Mangorrinha justificou a origem da investigação: estudo dos níveis de promoção turística na representação de Portugal, tema de um dos livros de 2014, chegando à possibilidade de afirmação do país através do festival da Eurovisão, o que aconteceu o ano passado com a vitória de Salvador Sobral. O livro agora editado vale, além do texto, pela riqueza iconográfica. João Carlos Callixto, em apresentação que aparece aqui em vídeo, faz uma análise temporal e encontra grandes marcos na história do festival da canção, de Maria Fátima Bravo (Vocês Sabem Lá, 1958), do grupo de artistas da rádio em que a Emissora Nacional teve muita importância, a Madalena Iglésias, cujo Sei Quem Ele É, de ritmo já pop, cantores de grupos de rock como Eduardo Nascimento e Carlos Mendes, cantautores, em que incluiu Simone de Oliveira (Desfolhada), época da Aryvisão (referência ao poeta Ary dos Santos), novo modelo com a revolução de 1974 (Carlos do Carmo a cantar oito canções), até chegar à década de 1990, com cantoras como Lúcia Moniz, Anabela, Sara Tavares e Dulce Pontes a conseguirem melhores classificações, e o acima referido Salvador Sobral, vencedor do festival da Eurovisão o ano passado.

No texto inicial, os dois autores lembram que Portugal canta na Eurovisão há mais de cinco décadas (p. 13) O primeiro em que participou, 1964, seria uma novidade estimulante no pequeno panorama cultural do país. À televisão a preto e branco passada para cores, foi-se exigindo mais da produção anual em representação na Eurovisão. Nos primeiros festivais apareciam os cantores mais conhecidos da música ligeira e as suas canções geravam êxitos comerciais. Com a entrada do rock da década de 1980, verificou-se um certo afastamento do modelo do festival, mas a atual década permitiu relançar o festival com uma nova estrutura e que culminou com a canção Amar pelos Dois (2017). Recupero ainda o primeiro parágrafo do texto assinado apenas por Jorge Mangorrinha, cheio de analogias com os títulos das canções vencedoras nos festivais da canção: "Em meio século de história, a canção portuguesa criada para Festival já jogou em diferentes palcos: na fé, no amor, no mar, na política, na arena taurina. Já se vestiu de menina, já largou balões e papagaios de papel. Já fez filhos por gosto, como as canções que têm sido o que fomos e o que somos. E amámos por dois" (p. 17).

Para acabar, uma referência ao apresentador: Júlio Isidro. Foram cerca de 25 minutos de uma quase conferência a entusiasmar a assistência. Os cerca de seis minutos do vídeo abaixo mostram a parte inicial dessa boa exposição.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Folhetim da rádio e a sua canção: Fernando Rocha

Eça de Deus (pseudónimo de Moisés Santos) foi folhetinista de rádio ao longo das décadas de 1950 e 1960. Eu não conheço o paradeiro dos seus textos de teatro radiofónico, pelo que apenas posso traçar dele um perfil pobre. Mas sei que um dos folhetins se chamava O Impostor, transmitido numa estação de rádio portuense. Como hoje na telenovela, houve necessidade de criar uma canção que marcasse o folhetim. Fernando Rocha, locutor e realizador de rádio não era cantor mas deu a sua voz a Sonho de Amor (pode ser ouvido em https://www.youtube.com/watch?v=_J96bvgbOgQ). Afinal, ele era o protagonista do sucesso radiofónico. Pelo que se depreende do texto da capa do disco, a radionovela já estava no ar quando foi pensada e concretizada a música.

A editora Valentim de Carvalho, através da Vadeca (Porto), convidou Fernando Rocha a gravar um single. Eça de Deus teve de "inventar" o lado B, o bolero Desilusão. O maestro Resende Dias passou as músicas para a pauta, fez os arranjos e reuniu um grupo de músicos, quase todos da Orquestra Sinfónica do Porto. Não havendo na cidade um verdadeiro estúdio, a gravação decorreu em armazém da Vadeca, na avenida Camilo. O espaço não tinha qualquer tratamento acústico ou isolamento. Iniciada a gravação, houve uma paragem, devido ao cantar de um galo. A equipa técnica e o material de gravação iriam de Lisboa. A gravação foi orientada pelo Hugo Ribeiro, competente engenheiro de som. A master foi para Londres e o disco publicou-se na marca Parlophone (dados fornecidos por Fernando Rocha, a quem agradeço).

Sobre o folhetim, embora focado no publicado na imprensa, Ernesto Rodrigues desenvolveu a sua tese de doutoramento, depois publicada (Mágico Folhetim. Literatura e Jornalismo em Portugal). Aqui, defende a existência de práticas culturais que decorrem da relação entre jornalismo e literatura, reproduzido ou noticiado em folhetins (fascículos, banda desenhada, cinema-folhetim, seriais, fotonovela, folhetim radiofónico e telenovela). O folhetim, escreve, faz um país inteiro parar todos os dias, sempre à mesma hora, para saber a continuação da história.

A produção do interesse romanesco, continua Ernesto Rodrigues, assenta no desenvolvimento da intriga, com picos de interesse e de audiência. Cada episódio joga com múltiplas peripécias, inesperadas ou comoventes, doseadas para se manter a curiosidade e a expectativa. O professor de Letras indica o procedimento narratológico do folhetim: descontinuidade acional, rutura temporal, alternância de espaços, dentro de espírito acumulatório e reiterativo, em que a intriga se complica, o texto se deslineariza, os cenários mudam e as personagens multiplicam-se, com relevo até para as secundárias. O discurso é rememorativo, anunciador, antecipador, apelativo, explicativo. Tudo justifica, seja o acaso ou a inverosimilhança. Uma última ideia que capto do livro de Ernesto Rodrigues: o folhetim criou, desde os primeiros passos (e hoje à volta das séries e telenovelas) uma autoconsciência do género, que faz a sua vitalidade e tradição.

Leitura: Ernesto Rodrigues (1998). Mágico Folhetim. Literatura e Jornalismo em Portugal. Lisboa: Editorial Notícias

quarta-feira, 11 de abril de 2018

António Mafra

Esta semana, veio a notícia da morte de um elemento do conjunto António Mafra.
A notícia falava de "José Mafra, de 83 anos, um dos fundadores do Conjunto António Mafra". António Mafra, compositor, letrista do conjunto e intérprete de guitarra portuguesa, morrera em 1977. O vocalista Manuel Barros morrera em julho de 2016. O grupo tinha sido reativado em 1986, com a entrada de Manuel da Campanhã, com viola braguesa e cavaquinho. Rui Guerra seria o agente do grupo.

O conjunto António Mafra despontara em 1955, como dois recortes a seguir indicam (Jornal de Notícias, 18 de fevereiro e 11 de setembro de 1955), a partir de concurso do melhor cantador das freguesias do Porto, patrocinado pelo Grupo Dramático Beneficente Mocidade d'Arrábida. Os irmãos António e José Mafra moravam nessa zona da cidade e faziam parte do grupo de músicos que acompanhava os candidatos ao prémio. O vencedor seria Manuel Barros, da freguesia de Nevogilde. Estava construído o esqueleto do conjunto Caixinha de Surpresas, a tocar ritmos sul-americanos, depois mudado para Conjunto António Mafra, após sucesso em peça encenada por António Pedro (Teatro Experimental do Porto), e com música escrita e cantada em português. O grupo era constituído por António Mafra (empregado comercial), José Mafra (empregado de modas de senhora), Alberto Pereira (mecânico especializado), Manuel Barros Ribeiro (técnico de refrigeração), Mário João Leite (técnico da Emissora Nacional), Manuel Pinto (vendedor da indústria têxtil) e Venâncio Castro (não consegui apurar a profissão).

Os sucessos em disco surgiram de imediato. O primeiro datou logo de 1958, Arrebita, Arrebita, Arrebita, a que se seguiram Centopeia, O Vinho da Clarinha, Sete e Pico, Oito e Coisa, Nove e Tal, Carrapito da Dona Aurora e Oh Zé, Olha o Balão. Os Mafras editariam mais de 30 discos, quatro deles em formato LP, e atuariam nos Estados Unidos (1963, 1964 e 1968), Inglaterra, França e Canadá. A rádio foi a grande promotora desse reconhecimento. Os elementos do conjunto nunca ambicionaram profissionalizar-se e fazer carreira musical nacional e, em especial, internacional.

Do êxito dos Mafras, não posso esquecer o contributo de três homens das indústrias culturais. O primeiro é José Fortes, reputadíssimo técnico de som, que gravou os Mafras no seu espaço de ensaio, à rua dos Clérigos, no Porto. José Fortes foi falar com Carlos Silva, produtor e locutor do programa Última Hora, de Rádio Porto, nos Emissores do Norte Reunidos, para passar música dos conjuntos que ele gravava, embora Carlos Silva já conhecesse os membros do conjunto, pois fora o locutor apresentador do concurso de 1955. Os estúdios de Rádio Porto ficavam precisamente no edifício onde os músicos ensaiavam. O terceiro nome aqui trazido é o de Arnaldo Trindade, que gravou na sua etiqueta Orfeu muitos dos sucessos de António Mafra. Aliás, os Mafras foram aos Estados Unidos através de Arnaldo Trindade, com Carlos Silva a apresentá-los nos espetáculos nos Estados Unidos e no Canadá.



Deixo para o fim um excerto de entrevista que o radialista Carlos Silva (programa Última Hora) me concedeu, onde ele, entre outras memórias (Domingos Lança Moreira, Maria Adalgisa Costa, Maria Amélia Canossa, Olga Cardoso e Marino Marini), falou do conjunto António Mafra (minuto 5:57). Uma leitura particular da cultura da rádio e da música ligeira portuense, agora em desaparecimento e à espera do labor dos historiadores.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Ao balcão da Valentim de Carvalho

Maria Luísa Sequeira foi profissional da editora Valentim de Carvalho ao longo de décadas. Ao balcão de uma loja, ela acompanhou e viu mudar géneros musicais, atendeu muitos clientes e contactou com artistas. Também fã, ela assistiu a concertos de alguns desses artistas e grupos, nomes marcantes na cultura da música popular. As vendas, as montras e a estrutura da empresa foram alguns outros tópicos da conversa, tornada uma memória dessa época.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

O ensino da música e a Emissora Nacional em João de Freitas Branco (1942)

O artigo de João de Freitas Branco na Arte Musical, com o título "O Problema da Música em Portugal", saiu a 25 de maio de 1942. Ele era filho do compositor Luís de Freitas Branco, também diretor da revista, e possuía o curso do Conservatório Nacional de Lisboa. Escreveu diversos livros sobre a música. Neste artigo, pouco tempo antes de assumir funções de assistente de programas musicais na Emissora Nacional (1944, estação para a qual criou ainda o programa O Gosto pela Música, em 1956), o autor discorreu sobre a música no nosso país.

Qual o diagnóstico traçado por João de Freitas Branco ao olhar uma sociedade em grave crise causada pela II Guerra Mundial? Mais do que encontrar razões de mudança, ele traçaria a situação da época e consideraria quatro elementos, o primeiro dos quais as sociedades de concertos, com sócios amadores de música, profissionais como médicos, engenheiros ou militares do quadro, que frequentavam aulas de piano para melhor compreender os concertos. As sociedades de concertos contribuíam para elevar o nível cultural das elites. O segundo elemento concernia às sociedades corais, que, com os seus dois ensaios semanais, serviam de passatempo e sabor artístico. O terceiro elemento, no domínio da formação, era o Instituto de Alta Cultura, que atribuía bolsas de estudo no estrangeiro. Um beneficiado seria José Vianna Motta.

Mas o alvo principal do artigo de João de Freitas Branco era a Emissora Nacional, então com cerca de oito anos de radiodifusão. O autor viu duas razões para destacar a importância da rádio. Por um lado, a Emissora Nacional dava "de comer à quase totalidade dos nossos melhores executantes", pelo que alertava para as condições económicas dos estudantes de música. Teriam emprego após a conclusão da sua formação musical? A outra razão era a da receção, pois a Emissora Nacional servia a instrução musical em pleno, com a boa música a chegar a todos por intermédio de um "pequeno aparelho de TSF". A rádio, no período negro da II Guerra Mundial e nas décadas seguintes, foi o ponto de arranque e de chegada da cultura popular e da alta cultura, divertindo e formando a opinião. À rádio de Estado, que teve ainda a função menos útil de ideóloga do regime político, não se pode negar a sua grande importância.

domingo, 1 de abril de 2018

Rádio Triunfo - a gravação do disco

Em 1973, a Fábrica de Discos Rádio Triunfo editava um folheto comemorativo da inauguração do seu estúdio de gravação em Lisboa. O folheto apresenta os diferentes passos da gravação do disco, da conceção musical à aquisição, usando textos curtos, desenhos e fotografias. A fábrica da Rádio Triunfo ficava em S. Mamede de Infesta (Matosinhos). A empresa abriu em 1946 e foi comprada pela Movieplay em 1983 [a reprodução do folheto não tem boa qualidade].

segunda-feira, 19 de março de 2018

José Fortes

Em 1965, José Fortes e Fernando Rangel formaram o estúdio de gravação Fortes & Rangel, à rua da Póvoa, 459 (Jornal de Notícias, 19 de abril de 1965) e admitiram um terceiro sócio, engº António Nunes ainda no mesmo ano (Diário do Governo, III Série, 4 de novembro de 1965), elevando o capital social de 50 mil para 225 mil escudos (mais de 87 mil euros a preços de 2018). Foi um estúdio de gravação muito importante no Porto de então. José Fortes tinha 22 anos. O objeto da empresa era, lia-se na escritura, o "comércio e indústria de registos magnetofónicos", designação que remetia para a gravação de fita magnética. Fernando Rangel prestava assistência técnica na Rádio Renascença, ainda com instalações na rua da Alegria (Porto). José Fortes debutara na Emissora Nacional e, depois, como responsável técnico do estúdio de gravação da Rádio Triunfo em Lisboa. Ele terá gravado mais de 500 discos, de António Mafra à Banda do Casaco e muita música erudita.





sábado, 17 de março de 2018

A canção portuguesa, de 1960 a 1974


João Carlos Callixto editou Canta, Amigo, Canta. Nova Canção Portuguesa (1960-1974) com o objetivo de reunir "a obra discográfica de um conjunto de intérpretes e compositores que contribuiu decisivamente para uma série de mudanças na música portuguesa" (p. 11). Para o sucesso da obra, valeu ao autor a "aprendizagem constante junto de muitos intervenientes e conhecedores deste período", continua a escrever Callixto. A Balada do Outono (1960), de José Afonso, marcaria o início de uma época. 1974, ou a sua proximidade, estabeleceria o fim do percurso da proposta do livro, enumerando-se alguns cantautores: António Macedo, Fausto, Samuel.

O livro é um dicionário, com entradas por nome de cantor, com uma curta biografia e destaque a alguns dos discos editados (e capas), sucessão que se lê com muito agrado. O autor indica critérios de escolha para o livro. Por exemplo, apenas entram discos originais, não se incluem discos de músicos e cantores anteriores ao período trabalhado e não figuram grupos de matriz rock ou fado e cantores africanos. A ênfase do livro é colocada na produção de fonogramas enquanto "materialização dos movimentos, das tendências musicais e culturais da época" (p. 14).

As entradas cobrem 103 músicos e cantores e tem espaço ainda para uma secção de discos coletivos. Com igual interesse a bibliografia, incluída no final do volume, e o rol de nomes nos agradecimentos, no começo do texto, marca significativa de trabalho devedor de muitos contributos. Livro editado pela Âncora, em 2014 (preço: 24,5 euros, 239 páginas).

sábado, 10 de março de 2018

Fernando Figueiredo e o conjunto António Mafra

Conheço bem o Fernando Figueiredo. Ele foi meu aluno (muito bom aluno) na Árvore, Cooperativa de Ensino Superior (Porto) e trabalhou comigo nas telecomunicações, conjuntamente com Carlos Vieira, Francisco Basadre, Júlio Teles e Maria Amélia Silva.

Agora, descobri que ele pertence ao conjunto António Mafra. Não o iniciado em 1955, quando em concurso de cançonetistas das freguesias do Porto organizado pelo Grupo Dramático e Beneficente Mocidade da Arrábida (Porto) se revelou o então vocalista do conjunto António Mafra (Manuel Barros Ribeiro). Em 1958, o encenador António Pedro precisou de uma tocata regional para peça de Camilo Castelo Branco e convidou o conjunto António Mafra. Os aplausos interrompiam a peça após a intervenção do conjunto (Jornal de Notícias, 23 de julho de 1969). O conjunto atuou nos Estados Unidos (1963, 1964 e 1968), Inglaterra, França e Canadá.

Como o Fernando Figueiredo (à direita na imagem) faz parte atual deste mítico conjunto portuense - grande e feliz surpresa -, prometo escrever, um dia próximo, sobre os Mafras.


terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Madalena Iglésias e o CPAR

Júlia Barroso, Francisco José (Galopim), Maria de Fátima Bravo, Artur Garcia, Maria Marize e Simone de Oliveira debutaram no Centro de Preparação de Artistas da Rádio (CPAR), estrutura da Emissora Nacional criada em 1947 e com Mota Pereira, cantor lírico, à sua frente. A ideia de António Ferro (então presidente da Emissora Nacional), era a rádio oficial (pública) ter artistas seus e com um tipo de canções adequadas ao tempo - música ligeira orquestrada. Os ensaios, para candidatos dos 14 aos 25 anos, decorriam todas as tardes nas instalações da Casa da Imprensa.

À "Flama" (meados de março de 1963 - não consegui apurar a data precisa), Mota Pereira disse: "o nosso apelo é mais para cançonetistas e intérpretes de «bossa nova», que aparentem um mínimo de todo artístico. Deito fora as cartas de recomendação: a melhor recomendação é a voz, o talento e a personalidade". Madalena Iglésias (1939-2018) foi uma das maiores revelações do CPAR, visível na sua vitória no festival da canção da RTP em 1966. Ela tinha voz, talento e personalidade.

Não gosto muito da expressão "nacional-cançonetismo", que abrange a música ligeira da época e a identifica apenas com o regime político de então. Também não gosto da expressão "música ligeira orquestrada", por extensa e por não responder ao propósito de Mota Pereira de intérpretes de "bossa nova".


terça-feira, 5 de setembro de 2017

Concurso de cantadeiras do Porto

Em 1949, duas entidades juntaram-se para realizar o concurso da rainha das cantadeiras do fado das freguesias do Porto: Portuense Rádio Clube e Jornal de Notícias. O objetivo principal era encontrar novos valores musicais para a rádio e o teatro. Publicitado em agosto, o concurso terminaria em novembro, com a vitória de Maria Rosa Rodrigues, de Ramalde, que teve uma curta carreira profissional e editou alguns discos com a etiqueta Alvorada, da Rádio Triunfo (Porto).

A notícia do Jornal de Notícias de 5 de setembro de 1949 (faz hoje 68 anos) dá conta de 400 jovens já inscritas, prontas a ensaiar, de segunda a sexta-feira nos horários 18:00-20:00 e 21:30-24:00, no salão da estação, à avenida Rodrigues de Freitas, para afinarem tons de voz e se adaptarem a público, além da gravação de discos. A etapa seguinte seria a das eliminatórias, inicialmente previstas para decorrerem em palcos de coletividades locais, levando Portuense Rádio Clube microfones para transmissão em programas de rádio. O espetáculo final decorreu no Coliseu do Porto. Uma notícia falaria em três mil espectadores. Os dois principais prémios eram uma máquina de costura (Oliva) e um recetor de rádio (Philips). Tudo isto implicou uma grande logística e o esforço de muitas pessoas, dos músicos aos ensaiadores. O homem da ideia foi João Pereira de Lima, presidente da estação de rádio e proprietário da tabacaria Tivoli, onde também se vendia lotaria, na praça da Liberdade, 33, Porto (hoje, ocupado parcialmente pela farmácia Vitália, quase na esquina com o Largo dos Lóios). Domingos Vieira, mais conhecido por Domingos Parker, seria o realizador por detrás do evento, repetindo o feito nos concursos seguintes de 1952 e 1955, agora ao serviço de duas outras estações de rádio portuense (Rádio Clube do Norte e Ideal Rádio).

Portuense Rádio Clube teve condições para ser uma grande estação. Fundada em 1937, foi a centralizadora no período inicial da II Guerra Mundial (todas as estações locais usavam a sua antena para emissão, pagando um valor pela sua utilização) e tinha uma frequência própria (ao contrário das outras estações portuenses, agrupadas no começo da década de 1950 nos Emissores do Norte Reunidos). Era uma estação e um clube. Durante a semana, funcionava como espaço de convívio. Aos fins-de-semana, havia bailes.

Mas a estação teve azares e erros de estratégia. Por exemplo, comprou um emissor, que chegou avariado ao Porto. Tal levou a nova encomenda, que não chegou a tempo do legalmente imposto e a licença de emissão foi cassada. A posição majestática e inflexível dos CTT, entidade que passava as autorizações de emissão à época, levou ao desaparecimento da estação, mesmo que as forças políticas do Porto lutassem pela manutenção da rádio. Em 1954, o terreno no Monte da Virgem (Gaia) para instalar o novo emissor foi vendido à Emissora Nacional, que o usou para emitir FM e ainda em onda média. Os seus principais animadores como Júlio Guimarães, Domingos Parker e Carlos Silva saíam para outras estações, o mesmo acontecendo a programas emblemáticos (A Voz dos Ridículos) e espetáculos (Parada da Alegria, no velho Palácio de Cristal, desaparecido em finais de 1951).

Sobre o concurso das cantadeiras, espero escrever com mais profundidade um dia.




domingo, 21 de maio de 2017

Acervos musicais e património local: memória e identidade


27 de maio (sábado) às 17:00, no Arquivo Municipal de Loulé. O caso da Sociedade Filarmónica União Marçal Pacheco, com a drª Maria Clara Assunção.



quinta-feira, 4 de maio de 2017

A exposição de discos Orfeu em Matosinhos



Hoje, na Casa do Design (Matosinhos), foi inaugurada a exposição Discos Orfeu, 1956-1983. Imagens / Palavras / Sons, uma homenagem ao grande editor discográfico Arnaldo Trindade (Porto, 1934) [ver vídeo abaixo]. Segundo a organização do evento, trata-se da primeira grande exposição sobre uma editora portuguesa. Comissariada por José Bártolo [ver vídeo abaixo], que assina um texto no pequeno catálogo, na exposição há uma mostra grande de capas de discos, que pertencem ao dono da Orfeu mas também a diversos colecionistas.

A editora Orfeu, que teve desde início o lema Disco é Cultura, publicou discos de cantores de intervenção como Adriano Correia de Oliveira, José Afonso, Fausto e Sérgio Godinho, conjuntos populares como Maria Albertina e António Mafra e rock dos Titãs e Pop Five Music Incorporated. Um dos discos emblemáticos foi o de José Cid 10000 Anos Depois Entre Vénus e Marte, que o cantor apresentou na Aula Magna da Universidade de Lisboa no começo desta semana, e cuja capa foi desenhada por Isabel Nabo. O catálogo Orfeu inclui discos de poesia de Aquilino Ribeiro, José Rodrigues Miguéis, Daniel Filipe, Agustina Bessa Luís, Miguel Torga, José Régio e Alberto Serpa. Nomes do design gráfico como Moreira Azevedo, José Santa-Bárbara, José Brandão, José Luís Tinoco e Alberto Lopes e fotógrafos como Fernando Aroso, Eduardo Gageiro e Patrick Ullmann encontram-se também associados à Orfeu.



terça-feira, 2 de maio de 2017

O concerto de 10000 Anos Depois Entre Vénus e Marte


10000 Anos Depois Entre Vénus e Marte foi um álbum conceptual escrito por José Cid em 1978 e editado pela Orfeu, de Arnaldo Trindade, com sintetizadores, guitarras, baixo e bateria. Ontem, na Aula Magna, ainda com o apoio vocal de duas sobrinhas-netas do cantor e compositor, foi feita a sua revisitação.

Na altura da edição, o poderio da União Soviética poderia conduzir a uma terceira guerra mundial, disse Cid, o que o levou ao disco baseado em ficção científica da autodestruição da humanidade e, ao mesmo tempo, na esperança da renovação. Dez mil anos depois, um homem e uma mulher regressavam à Terra para a repovoar novamente. Num ou outro momento, vi a influência dos Pink Floyd. Em 1978, o álbum teve o apoio de músicos como o guitarrista Mike Sergeant e o bateria Ramon Galarza. O disco tem sete faixas: O Último Dia na Terra (José Cid), O Caos (Manuel Lamas/Mike Sergeant), Fuga para o Espaço (José Cid), Mellotron, o Planeta Fantástico (José Cid), 10000 Anos Depois Entre Vénus e Marte (José Cid/Zé Nabo), A Partir do Zero (Ramon Galarza/José Cid) e Memos (José Cid). Na altura da edição, o disco de vinil vendeu 700 a 800 exemplares, o que quase provocou a desistência do músico. Depois, a edição americana em 1994, pela editora Art Sublime, trouxe um grande sucesso a nível mundial.

Do concerto de ontem, José Cid e companheiros tocaram ainda parte três faixas do próximo disco Vozes do Além ("estou a ficar velhote e a pensar na reencarnação", disse), e os registos Onde, Quando, Como e Porquê e Vida (álbum Sons do Quotidiano), muito dedicados a David Ferreira e Mário Martins, ligados à editora Valentim de Carvalho.

domingo, 30 de abril de 2017

Música séria (clássica)


Ao assistir a concertos do festival dos Dias da Música, em especial o dedicado a Henry Purcell (Fair Queen), lembrei-me do enorme esforço, ao longo de décadas, da Antena 2 (ou programa B, no nome antigo) na preparação, transmissão e registo de concertos. Lembrei-me ainda da longa história da rádio pública desde o seu começo, em especial a partir de 1949, com o desdobramento entre programa ligeiro e programa de música séria (clássica).

O recorte aqui presente (Jornal de Notícias, 1 de julho de 1957) refere esse desdobramento entre as 19:00 e as 21:00 e entre as 21:15 e as 23:45. Mas o programa A também tinha ainda música clássica, como trechos de ópera e trechos de piano. Hoje, a Antena 2 fornece o privilégio da música séria, embora com cada vez mais palavra, a parecer uma rádio-informação.

Uso aqui a designação música séria porque era comum em décadas anteriores. Theodor Adorno, um filósofo e grande cultor da música clássica, que escreveu muito sobre essa música,  também preferia a designação.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Discos Orfeu em exposição


Retiro de notícia editada no Diário de Notícias (27 de abril de 2017):

"Centenas de capas de discos da editora Orfeu, que gravou com José Afonso, Miguel Torga ou Sophia de Mello Breyner, vão ser exibidas em Matosinhos a partir de 04 de maio numa exposição inédita. Discos Orfeu - Imagens, Palavras, Sons (1956-1983) é o nome da «primeira grande exposição dedicada à emblemática editora» Orfeu, que chegou a gravar um disco por semana, e foi responsável pelo lançamento de discos de músicos como Adriano Correia de Oliveira, José Cid ou Sérgio Godinho, revelou hoje Câmara Municipal de Matosinhos.

A exposição tem inauguração marcada para a Casa do Design de Matosinhos na próxima quinta-feira, dia 4 de maio, pelas 17:00. Em entrevista telefónica à Lusa, o fundador da Orfeu, Arnaldo Trindade, sublinhou que a Discos Orfeu é a primeira exposição que reúne 60 anos de história daquela editora, que iniciou a sua atividade em 1956 e que é a responsável pela edição fonográfica de autores como José Régio, Eugénio de Andrade, José Rodrigues Miguéis ou Sophia de Mello Breyner. «É a primeira vez que se faz uma exposição destas e que representa 60 anos de trabalho (...), representa uma época bastante importante na nossa vida, porque foi de facto uma época das trevas, do regime anterior e que conseguiu, através da vontade e do entusiasmo de um grupo de jovens da altura, fazer uma obra que ainda hoje perdura, como é a de José Afonso, a do Adriano Correia de Oliveira, do Fausto, do Sérgio Godinho, de José Cid, do António Mafra e dos poetas a gravarem as sua obras», disse Arnaldo Trindade. A Orfeu nasceu em 1956, chegou a ter sede na rua de Santa Catarina e «teve a sorte» de estar no Porto num período que era uma «espécie de renascimento», aproveitando artistas oriundos do Teatro Experimental para declamarem poetas mortos, e artistas da Escola de Belas Artes, recordou o fundador da editora portuense.

A exposição, aberta até dia 12 de junho, tem a curadoria de José Bártolo e estrutura-se em cinco núcleos principais: No início era o verbo (1956-1959), Trovas do Vento que passa (1960-1967), Vozes da Revolução (1968-1975), Entre Vénus e Marte (1976-1979) e O fim da aventura (1980-1983). Entre as centenas de discos de vinil que vão estar em exposição ao longo do próximo mês e meio, o público vai poder ver trabalhos como Traz Outro Amigo também (1970) ou Cantigas do Maio (1971) de José Afonso, os discos Pano-Cru (1978) e Campolide (1979), de Sérgio Godinho, e 10.000 anos depois entre Vénus e Marte (1978), de José Cid. A mostra vai também revelar o primeiro contrato de José Afonso com a Orfeu ou os originais da arte final da capa do disco Coro dos Tribunais, revelou a autarquia, acrescentando que todo o trabalho de investigação para aquele certame foi coordenado por José Bártolo, em articulação com Arnaldo Trindade e Noly Trindade e teve ainda a colaboração técnica de João Carlos Callixto, Carlos Paes, João Pedro Rocha e Heitor Vasconcelos. 

O trabalho gráfico da Orfeu vai também estar em destaque na exposição com revelações de capas de discos assinadas por designers como José Santa-Bárbara, Fernando Aroso, José Brandão, José Luís Tinoco ou Alberto Lopes. Na Discos Orfeu - Imagens, Palavras, Sons (1956-1983) vai também haver oportunidade para apreciar imagens de fotógrafos da altura como Fernando Aroso, Eduardo Gageiro, Álvaro João, Nick Boothman, João Paulo Sotto Mayor ou Patrick Ullmann. A par da exposição decorre também uma programação paralela que juntará diversos artistas Orfeu, colecionadores e musicólogos, refere a autarquia, sem anunciar ainda os nomes e as datas".


[recorte do Jornal de Notícias, 3 de julho de 1959]