Mostrar mensagens com a etiqueta Imprensa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Imprensa. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Imprensa empresarial em discussão

João Moreira dos Santos, como já escrevi aqui, foi o curador da exposição ainda patente na Biblioteca Nacional. Hoje, no seminário organizado pela SOPCOM e pela APCE, ele foi um dos oradores, traçando a história da imprensa empresarial em Portugal em dois tópicos centrais: censura e politização. Deu exemplos de jornais de empresa do tempo do Estado Novo, que exibiam a indicação "visado pela censura", como outro meio de informação qualquer. O orador destacou três tipos de censura: de conteúdo (prévia), do editor (autorização estatal do lugar de editor) e diretor (autorização estatal do lugar de diretor). A censura seria centralizada no SNI em 1944. O segundo elemento apresentado por João Moreira dos Santos foi o da politização, no Estado Novo com o elogio público das figuras gradas do regime, com fotografias publicadas em jornais de empresa, e já nos primeiros anos da democracia com o apoio à revolução e tendo como editores comissões de trabalhadores ou outras estruturas de participação dos trabalhadores.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Imprensa empresarial em Portugal


João Moreira dos Santos é o comissário da exposição ontem inaugurada na Biblioteca Nacional sob o título Imprensa Empresarial em Portugal: 145 anos de Jornais de Empresa. O primeiro jornal publicado seria editado em 1869 pela Caixa de Crédito Industrial. A mostra é representativa de cerca de 900 títulos que João Moreira dos Santos recolheu, não podendo expor todos, dado o espaço disponível (abaixo vídeo com o comissário da exposição a apresentar os principais objetivos da mostra).

Uma referência exemplar à Associação Portuguesa de Comunicação de Empresa (APCE), criada em 1990, e à sua figura tutelar, Vítor Baltasar, diretor do jornal Águas Livres, que a exposição homenageia.



[o som do vídeo está baixo, pelo que deve aumentar para ouvir em condições]

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Imprensa empresarial em Portugal


Gosto do cartaz da exposição Imprensa Empresarial em Portugal. 145 Anos de Jornais de Imprensa, a inaugurar dia 6 de outubro, às 18:30, na Biblioteca Nacional. Retiro da apresentação da exposição:

"Esta exposição bibliográfica celebra não só os 145 anos deste género particular de imprensa, mas também o 20.º aniversário do primeiro livro nacional publicado sobre a referida temática – Imprensa Empresarial: da Informação à Comunicação (Porto: Edições ASA, 1995) –, obra da autoria de João Moreira dos Santos, comissário e autor desta exposição. Tendo por base uma amostra relevante de publicações – representativas de um universo de cerca de 900 títulos empresariais, publicados desde 1869 por empresas de todos os sectores de atividade económica –, é possível seguir a história económica e política de Portugal dos últimos dois séculos, verificando os seus reflexos na linha editorial e gráfica dos chamados «jornais de empresa», a qual foi sendo alterada ao longo dos diferentes regimes políticos portugueses".

terça-feira, 21 de abril de 2015

Inquérito de imprensa cristã (2009)

Em 2009, foi lançado um inquérito às publicações ligadas à Associação de Imprensa Cristã, com desenho do inquérito, inserção de dados e interpretação de resultados trabalhado pelo CESOP (Centro de Sondagens e Opinião Pública), centro da Universidade Católica Portuguesa. Houve 997 respostas de inquéritos válidos para um total de 36 publicações (envio de 12325 inquéritos por correio, junto da publicação, com envelope franqueado para resposta).

 

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Eugénia Maria

Vera Lagoa (pseudónimo de Maria Armanda Falcão, a primeira apresentadora das emissões experimentais da RTP em Setembro de 1956) teve uma coluna popular no Diário Popular, chamada Bisbilhotices. Na de 7 de Fevereiro de 1968, ela escreveu sobre uma locutora - Eugénia Maria - e a sua homenagem por ter ganho um prémio da Casa da Imprensa. Como coluna de mexericos sociais, retiro uma frase do texto: "Eugénia estreou um vestido que a emagrecia imenso, de gola e punhos brancos, que foi muito admirado". Na prosa, não sabemos qual o prémio que ela ganhou, nem o programa (Talismã, Rádio Clube Português) nem o produtor (Gilberto Cotta, e não somente Cotta), mas ficamos a conhecer a impressão causada pelo vestuário. Vera Lagoa foi, no meu entender - para além das opiniões políticas que ela produziu em semanário muito posterior a esta data -, o modelo de comentário das revistas populares, de televisão e cor de rosa que existem hoje.


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Pinto Balsemão sai do Conselho Europeu de Editores

Francisco Pinto Balsemão (1937-) foi durante 15 anos o presidente do Conselho Europeu de Editores (EPC), cargo que abandona agora. Ele, que "transformou o EPC, adaptando-o aos novos desafios e respondendo às ameaças e oportunidades colocadas pela era digital", lembra que o "mercado único digital oferece enormes benefícios. É uma família de meios de comunicação social, culturas e línguas diferentes; esta diversidade enriquece a União Europeia. Exorto o novo chefe digital a considerar que não pode haver nenhuma abordagem tamanho único em relação a qualquer regulamentação dos meios de comunicação social; as nossas diferenças são os nossos pontos fortes e aquilo que proporciona valor à sociedade". Em comunicado da EPC, recorda-se que no mandato de Balsemão, houve "muitas questões de cariz regulamentar que afectam os meios de comunicação social, publicidade, privacidade de dados, comércio electrónico, jornalismo financeiro, auxílios estatais, serviços de comunicação audiovisual, harmonização do IVA, entre outras. Mas nenhuma tão crucial nesta época de revolução digital como a questão dos direitos de autor - a melhor maneira de incentivar os criadores de conteúdos a disponibilizarem os seus conteúdos online" (texto a partir de notícias publicadas na imprensa).

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

História da imprensa de língua portuguesa

Em inglês, o livro A History of Press in the Portuguese-Speaking Countries (2014), organizado por Jorge Pedro Sousa, Helena Lima, Antonio Hohlfelft e Marialva Barbosa, tem nove capítulos, quatro sobre a imprensa em Portugal, três sobre a imprensa no Brasil, um sobre a imprensa na Galiza e um sobre a imprensa nas antigas colónias portuguesas. Como indica o prefácio, o objectivo do livro é tornar conhecida a génese e evolução da imprensa escrita em português à comunidade internacional.

No caso da imprensa portuguesa, os períodos estudados foram a monarquia, a Primeira República, a Ditadura e o pós-1974. No caso do Brasil, os períodos estudados foram a monarquia e a república. Um terceiro capítulo é dedicado aos jornalistas.

O capítulo sobre a imprensa das antigas colónias, assinado por Antonio Hohlfelft, despertou o meu interesse, dada a falta de bibliografia sobre o tema, como o historiador reconhece (p. 599). Hohlfelft (p. 611) elenca um conjunto de características comuns aos jornais estudados, de que destaco a troca de informação entre os diferentes jornais, com citação e transcrição de artigos, circulação de temas entre os jornais formando uma espécie de opinião pública geral, um jornal proibido era substituído por um novo título com o mesmo editorial e obrigações financeiras e assinantes, por vezes os jornais das colónias opunham-se a empresas coloniais, algumas de capitais ingleses e alemães, julgadas ineficientes, períodos sequenciais de censura, formato tablóide mas permitindo outros tamanhos, exigência inicial da identificação do director e do editor. Antonio Hohlfelft analisou a imprensa colonial em depósito na Biblioteca Municipal do Porto respeitante a Goa, Angola, Cabo Verde, Moçambique, Macau, S. Tomé e Guiné-Bissau.

Leitura: Jorge Pedro Sousa, Helena Lima, Antonio Hohlfelft e Marialva Barbosa (org.) (2014). A History of Press in the Portuguese-Speaking Countries. Ramada e Porto: Media XXI, 692 páginas, 25€  

sábado, 5 de abril de 2014

A imprensa portuguesa pós-1974

No blogue Notas de Circunstância, J.-M. Nobre-Correia escreve Análise: um momento da história em perspectiva. Nele, faz o seu balanço sobre a imprensa nacional após 1974. Para Nobre-Correia, essa imprensa foi destroçada. Vale a pena ler e discutir esta perspectiva.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

A imprensa portuguesa em novo livro de José Tengarrinha

tengarrinhaJosé Tengarrinha publicou um novo livro a que deu o nome de Nova História da Imprensa Portuguesa das Origens a 1865, um volumoso livro de mil páginas editado pela Temas e Debates/Círculo de Leitores, e que se torna indispensável para quem queira conhecer a realidade social, económica, cultural e política desta indústria.

No prefácio, o autor começa com a definição de imprensa, inicialmente a máquina de imprimir e depois também o produto: impressos, revistas ou jornais. Adiante, ele traça a história da imprensa em Portugal a partir do momento em que o seu objeto se apresenta como periódico e envolve homens de letras como Alexandre Herculano ou Eduardo Coelho.

Identifica a história da imprensa como aquela que resulta de critérios formais estabelecidos na década de 1940 - a consideração do jornal como chega ao leitor. Destes e de outros critérios, Tengarrinha releva quatro fases da sua história: 1) primórdios, da Gazeta de 1641 à revolução de 1820, 2) nascimento da imprensa de opinião, até ao estabelecimento da monarquia constitucional em 1834, 3) liberais contra liberais, indo do fim da guerra civil até à regeneração, e 4) da regeneração em 1851 à organização industrial da imprensa em 1865. O esquema de classificação das publicações periódicas atende a um conjunto de fatores tais como âmbito geográfico, relação com os poderes públicos e religiosos, orientação, conteúdos, periodicidade e género.

Entre as páginas 845 e 880, o historiador faz o que ele chama um breve balanço mas que representa um longo caminho e que subdivide em áreas: 1) transição para o jornalismo moderno (empresa jornalística e jornalista, dificuldades técnicas, ilustração e gravura, portes do correio e expedição, o papel como matéria prima cara, primeiros movimentos reivindicativos dos tipógrafos, e 2) imprensa e evolução da sociedade oitocentista portuguesa.

Detenho-me na sua análise à imprensa jornalística, em que assinala uma maior complexidade a partir de 1834 (pp. 854-857). O jornal passava a ter um editor, um redator responsável ou chefe de redação, um a dois noticiaristas e um folhetinista. Os noticiaristas ganhavam um salário pequeno, pelo que precisavam de ter outros rendimentos. O negócio era regra geral pouco lucrativo e Tengarrinha estima um mínimo de 200 cópias para um jornal subsistir no tempo. Na segunda metade do século XIX, o jornal começava a deixar de ser visto como tendo função doutrinária para passar a ser considerado como uma mercadoria, evidenciado pela presença crescente de anúncios pagos.

José Tengarrinha é doutorado em História e professor catedrático jubilado, presidente do Instituto de Cultura e Estudos Sociais (Cascais) e autor de muitas obras sobre a imprensa das quais destaco História da Imprensa Periódica Portuguesa (1965) e Imprensa e Opinião Pública em Portugal (2006). Tengarrinha foi o arguente da minha tese de mestrado defendida em 1994.

Leitura: José Tengarrinha (2013). Nova História da Imprensa Portuguesa das Origens a 1865. Lisboa: Temas e Debates/Círculo de Leitores, 1003 páginas, 24,40 €

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A venda do Washington Post

O Washington Post resistiu a Nixon mas não à internet, consideram os media desta semana quando comentam a venda do jornal da família Graham ao fundador da Amazon, Jeff Bezos. Este vai pagar 250 milhões de dólares (190 milhões de euros) e terá garantido os princípios e os valores do jornal. O Post nunca foi um jornal para ganhar dinheiro mas como agente de promoção de uma sociedade mais informada, culta e democrática (sigo os textos de Rita Siza e João Pedro Pereira, do Público de 7 de agosto). A quebra da imprensa em papel é mostrada no percurso do Washington Post: há 20 anos, tinha uma média de 832 mil assinaturas; este ano, a circulação baixou para 450 mil exemplares. Nos últimos cinco anos, as receitas desceram mais de 25% e a redação baixou de mil profissionais para 640 pessoas. A perda dos jornais tem a ver com a mudança de hábitos de leitura e com o número de milionários com interesse no papel social e cívico dos jornais. Do lado de Bezos, sabe-se que ele está habituado a prejuízos. A sua Amazon, lançada em 1994, começou a dar lucros em 2003 mas em 2012 teve prejuízo. Experimentar mas manter as equipas de administração e de direção editorial são duas ideias chave de Bezos, que não se vai envolver na gestão quotidiana. Uma certeza apenas: os media digitais e o online são o futuro. As suas linhas de sucesso é que ainda não estão determinadas.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Intelectuais brasileiros e portugueses pedem permanência de Carlos Fino em Brasília

NOTA À IMPRENSA

Intelectuais brasileiros e portugueses pedem permanência de Carlos Fino em Brasília

Preocupados com a informação de que o Ministério dos Negócios Estrangeiros português teria decidido extinguir o cargo de Conselheiro de Imprensa na Embaixada de Portugal em Brasília, dezenas de jornalistas, acadêmicos e diversos outros profissionais do Brasil e Portugal decidiram enviar carta ao actual responsável pela diplomacia portuguesa, Paulo Portas.

A medida, se tomada, implicaria na saída do jornalista Carlos Fino, que ao longo dos últimos anos vem, com todo o empenho e dedicação, desempenhando essas funções.

O objetivo da missiva, disponível online em http://www.peticoesonline.com/peticao/fica-fino/346, é evitar que tal decisão se concretize, o que, a verificar-se, além de prejudicar algumas iniciativas de cooperação em curso na área da mídia, poderia também refletir-se negativamente nas celebrações do Ano de Portugal no Brasil e do Brasil em Portugal, que irão realizar-se entre 7 de setembro de 2012 e 10 de Junho de 2013.
A campanha conta com perfil nas redes sociais (www.twitter.com/ficafino e https://www.facebook.com/pages/Carlos-Fino/293117707412186?ref=tn_tnmn) e com a participação de prestigiados jornalistas e professores de diversas instituições de ensino superior dos dois países.

Depoimentos

Abaixo, alguns depoimentos a respeito da importância da permanência de Carlos Fino em Brasília:
“Aprovo e apóio com entusiasmo esta iniciativa. (...) Em 14 anos de contato com vários conselheiros de imprensa de várias embaixadas aqui em Brasília, asseguro que ele é dos melhores profissionais que já passaram por esta capital, em termos de eficiência, disposição e extremo profissionalismo no atendimento aos jornalistas em busca de informação. Isso torna ainda mais viável e consolidado o aprofundamento das relações bilaterais.”
Vera Souto – Editora - TV Globo

Carlos Fino é um dos mais emblemáticos jornalistas portugueses, de tal maneira marcou, ao longo de quarenta anos, a sua memória pública e o seu imaginário. Trabalhando na Embaixada Portuguesa em Brasília, "Carlos Fino colocou a sua extraordinária carreira profissional ao serviço da aproximação das comunidades portuguesa e brasileira, assim como do inter-conhecimento e da cooperação entre os média de Portugal e do Brasil. Seria lastimável que este aristocrata do jornalismo português fosse afastado de um lugar onde tem feito um notável trabalho, servindo Portugal e prestigiando o jornalismo português.
Moisés de Lemos Martins - Presidente da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação (SOPCOM), e também da Federação Internacional de Comunicação Lusófona (LUSOCOM)

“É com muita honra e a certeza de estar tomando a iniciativa correta por tudo o que o Sr. Carlos Fino tem realizado em prol da cooperação no âmbito da CPLP que assino a presente carta de apoio.”
Lúcio Flávio Vale da Silva, Coordenador Externo da Escola Internacional de Futebol da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - EIF-CPLP-FEF-UnB

“O estreitamento das relações entre Brasil e Portugal tem no jornalista Carlos Fino um entusiasmado defensor, como provam sua ação na embaixada de Portugal e também a participação, como convidado especial, na série de TV Lá e Cá, exibida na RTP2 e na TV Cultura, durante minha gestão como presidente da emissora”.
Paulo Markun – jornalista, ex-apresentador do programa “Roda Viva” – da TV Cultura, o mais prestigiado programa de entrevistas da TV brasileira

“Meus sinceros cumprimentos pela iniciativa. (...) tenho o privilégio de poder considerar o CarlosFino um grande amigo, extraordinária figura humana e um dos mais competentes profissionais a quem tive o prazer de conhecer no exercício do jornalismo. Ético, sério, inteligente, perspicaz, amigo incondicional dos amigos, Carlos é daquelas pessoas a quem chamo de "amigo sem tempo nem distância". Está e estará sempre presente em minha memória e no coração. Torço para que ele permaneça no posto especialmente quando se celebra o Ano de Portugal no Brasil (e vice-versa). Afastá-lo do cargo neste momento será uma perda irreparável. Vamos aguardar que o bom senso prevaleça de modo a permitir que possamos continuar tendo a satisfação de conviver com o Carlos por, pelo menos, mais alguns anos.
Humberto Netto – jornalista

“Com certeza, (...) não podemos deixar que isso ocorra! Carlos é um grande profissional, além de um amigo.E, certamente, gostaríamos de tê-lo por aqui não apenas neste que será o ano de PT no BR, mas, por muito tempo, haja vista que Carlos tem nos brindado com sua experiência ímpar junto aos jornalistas brasileiros e lusófonos. Seria uma perda inestimável se ele fosse removido do Brasil. Não concordamos com isso, evidentemente.”
Alcimir Carmo, secretário executivo na Federação dos Jornalistas de Língua Portuguesa

Acredito que a imprensa brasileira, por exemplo, nunca esteve tão perto de Portugal graças ao brilhante trabalho que vem sendo realizado por Carlos Fino.Um jornalista que conhece comunicação como ninguém e sempre pronto a dar informações e auxiliar a todos quando se trata de divulgar Portugal.
Edgar Lisboa, Colunista Político do Jornal do Comércio (RS), presidente do Instituto Brasileiro do Rádio (IBR)

Exmo. Sr. Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Dr. Paulo Portas,

O ano de 2012 é estratégico para as relações luso-brasileiras, na medida em que a partir de setembro será celebrado o ano de Portugal no Brasil e vice-versa, momento adequado para o lançamento de bases de uma cooperação cada vez mais permanente que transforme retórica em práticas e atitudes.

Nesse sentido, nós, abaixo-assinados, gostaríamos de contar com a decisão de Vossa Excelência no sentido de manter a presença do jornalista Carlos Fino à frente das atividades como Conselheiro de Imprensa na Embaixada de Portugal em Brasília.

Uma eventual saída de Carlos Fino, agora, precisamente quando se prepara aquele evento, poderia colocar em risco uma série de esforços e articulações, umas já em curso outras em começo de projeto, promissoras de impactos humanos, científicos e económicos positivos no relacionamento entre os dois países.

Ao longo dos últimos sete anos, pudemos testemunhar o esforço de Carlos Fino em abrir espaço para a relação luso-brasileira nos órgãos de comunicação social, destacando sua atividade na assessoria da imprensa e na série de programas "Lá e Cá", trabalho realizado em parceria da RTP com a TV Cultura, que tem plenas possibilidades de prosseguir, agora numa nova série em acordo com a TV Brasil.

Cumpre relatar também que, como atestam os jornalistas que recorreram à Embaixada em busca de informação, é importante destacar a eficiência, o profissionalismo e a extrema correção com que ele sempre desempenhou sua tarefa. Na prática, isso também colaborou para o aprofundamento das relações bilaterais, na medida em que os meios de comunicação passam a veicular mais informações e abrir mais espaço sobre Portugal.

Ademais, são incontáveis as colaborações de Carlos Fino ao intercâmbio entre Brasil e Portugal, por meio de sua presença em encontros audiovisuais (a exemplo do Festlatino, em Pernambuco), eventos acadêmicos (LUSOCOM, em São Paulo), palestras, cursos (como o por ele realizado na Associação Brasileira de Imprensa, no Rio de Janeiro e também em São Paulo, na Bienal Internacional do Livro e sob os auspícios da Federação dos Jornalistas de Língua Portuguesa - FJLP) promoção de acordos de cooperação e participação em debates com estudantes, pesquisadores e professores de graduação e pós-graduação de prestigiosas instituições de ensino brasileiras, tais como, entre outras, Universidade de Brasília, Universidade Católica de Brasília, Universidade de Fortaleza, Universidade de São Paulo, Itaú Cultural, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Federal Fluminense, e portuguesas como Universidade do Minho, Universidade Lusíada, Universidade de Coimbra, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Universidade Portucalense.

Sabemos que o momento econômico português exige medidas de contenção que sacrificarão necessariamente muitas iniciativas e comprometerão muitos planos anteriormente definidos. No entanto, julgamos que, mesmo neste contexto, a ligação de Portugal ao Brasil deve não só ser protegida como até fortalecida. Numa altura em que as notícias dão abundantemente conta da intensificação dos fluxos de emigração de Portugal para o Brasil, apelamos à especial sensibilidade do Governo Português, no sentido de, com este gesto, encorajar uma relação entre dois países a que não faltam razões para reforçar os seus laços.

São motivações de ordem histórica, económica, política e simbólica que fundamentam o nosso entendimento de que a presença de Carlos Fino em Brasília, pelo menos até ao termo do Ano de Portugal no Brasil e do Brasil em Portugal, se traduziria em ganho efectivo para ambos os países, em termos de visibilidade, ação e promoção de uma cooperação cada vez mais alicerçada e com resultados que podem ser aferidos.

Encerrar o posto de conselheiro de imprensa na embaixada e afastar uma pessoa que desfruta de reconhecido prestígio junto dos media e dos meios universitários da comunicação no Brasil, e que, além disso, tem dado provas de grande empenho no fomento das relações bilaterais, não será certamente,
Senhor Ministro, a melhor forma de começar o Ano de Portugal no Brasil e do Brasil em Portugal.

Estamos à disposição para quaisquer esclarecimentos.

Com os melhores cumprimentos,

1) Fernando Oliveira Paulino, professor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília

2) Vera Souto, jornalista, Editora-TV Globo

3) Rogério Santos, professor da Universidade Católica Portuguesa

4) Madalena Oliveira, professora da Universidade do Minho

5) Giovana Teles, jornalista

6) Moisés de Lemos Martins, Presidente da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação (SOPCOM), e também da Federação Internacional de Comunicação Lusófona (LUSOCOM)

7) Dad Squarisi, jornalista

8) Laurindo Leal Filho, professor da Universidade de São Paulo

9) Zélia Leal Adguirni, professora da Universidade de Brasília

10) Lúcio Flávio Vale da Silva, Coordenador Externo da Escola Internacional de Futebol da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - EIF-CPLP-FEF-UnB

11) Humberto França, vice-presidente para Relações Internacionais da Fundação Biblioteca Brasileira de Nova York e Presidente e fundador do Movimento Festlatino

12) Ricardo Noblat, jornalista

13) Francisco Câmpera, repórter da TV Bandeirantes

14) Samy Leal Adguirni, repórter da Folha de S. Paulo, correspondente em Teerã

15) Paulo Markun, jornalista

16) Antonio Hohlfeldt, Presidente da INTERCOM - Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação

17) Dione Moura, professora da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília
18) Luiz Martins da Silva, prof. da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília

19) Viviane dos Santos Brochardt, mestranda da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília

20) Guiomar de Grammont, professora da Universidade Federal de Ouro Preto, Minas Gerais

21) Pedro Rafael Vilela Ferreira, mestrando da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília

22) Luana Spinillo Poroca, mestranda do Programa de Pós Graduação em Comunicação da Universidade de Brasília

23) Rodrigo Garcia Vieira Braz, doutorando da Faculdade de Comunicação da UnB

24) Eduardo Hollanda - Revista Brasileiros - Editor Especial

25) Márcia Marques, professora da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília

26) Roberto Petti, Gestão de Direitos e de Beneficiamento de Conteúdo TV Globo

27) José Carlos Torves, Diretor executivo da Federação Nacional de Jornalistas

28) Rolemberg Estevão de Souza, Conselheiro da Carreira de Diplomata do Ministério das Relações Exteriores

29) Sylvia Moretzsohn, professora de jornalismo na Universidade Federal Fluminense (Niterói/RJ)

30) Leyberson Lelis Chaves Pedrosa, jornalista e mestrando em Comunicação Social pela Universidade de Brasília.

31) José Eduardo Barella, jornalista

32) Paulo Caruso, Revista Época e Fundação Padre Anchieta - TV Cultura , São Paulo

33) José Brandão Coelho, Presidente Honorífico,Câmara de Comércio Brasil Portugal Paraná

34) Sérgio Dayrell Porto, professor da Faculdade de Comunicação da UnB

35) Alfredo Prado, jornalista, diretor dos portais Portugal Digital e África21 Digital

36) Kátia Cubel, jornalista, presidente do Prêmio Engenho de Comunicação – O Dia em que o Jornalista Vira Notícia

37) Carlos Manuel Pedroso Neves Cristo, Diretor da "Flecha de Lima Associados"

38) Alexandre Jorge Cavalcanti Ayres, médico do Hospital Universitário de Brasília

39) Humberto Netto, Assessor de Imprensa da Delegação da União Europeia no Brasil

40) Alcimir Antonio do Carmo, secretário executivo da Federação dos Jornalistas de Língua Portuguesa – FJLP

41) Osvaldo Ferreira, Maestro Titular - Orquestra Sinfônica do Paraná, Programador Musical - Allgarve 2011, Director Artístico - Oficina de Música de Curitiba

42) Ana Elisa Santana, jornalista e funcionária da TV Escola

43) Carlos Alberto Ribeiro De Xavier - Assessor Especial do Ministério da Educação

44) Manuel Fernando Lousada Soares, Diretor da LS – Net, Ex Secretário de Estado Adjunto de Tecnologia Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior,

45) Liziane Guazina, Professora da Faculdade de Comunicação da UnB.

46) Ana Lúcia Prado Reis dos Santos, professora da Universidade da Amazônia, Belém-Pará e doutoranda da Universidade Fernando Pessoa, Porto-Portugal.

46) Victor Gentilli, jornalista, professor da Universidade Federal do Espírito Santo

47) Rogério Christofoletti, professor da Universidade Federal de Santa Catarina
48) Luiz Egypto de Cerqueira, jornalista, redator-chefe do Observatório da Imprensa (Brasil)

49) Ray Cunha, escritor e jornalista

50) Fábio Henrique Pereira, professor da Faculdade de Comunicação da UnB.

51) Flávia Rocha, jornalista

52) Walter Guimarães, jornalista

53) Paulo Victor Chagas, estudante e extensionista do Programa Comunicação Comunitária

54) Emily Almeida Azarias, estudante de Comunicação da Universidade de Brasília

55) Luiz Motta, professor da Faculdade de Comunicação da UnB, ex-secretário de Comunicação do Distrito Federal

56) Francisco Sant'Anna, jornalista, editor responsável do programa Diplomacia da TV Senado.

57) Lúcia Helena Alves de Sá, Presidente da Associação Casa Agostinho da Silva

58) Amândio Silva, Presidente da Associação Mares Navegados

59) Silvestre Gorgulho, Jornalista e ex-secretário de Estado de Cultura do Distrito Federal

60) Mariana Martins de Carvalho, doutoranda do Programa de Pós Graduação da Universidade de Brasília

terça-feira, 14 de junho de 2011

MOSTRA DE CINEMA SOBRE DESPORTO


Entre os dias 16 e 17 de Junho vai-se realizar no Teatro Académico Gil Vicente (TAGV), em Coimbra, o ciclo de cinema 8 mm com futebol – I Mostra de Cinema sobre Desporto, organizado numa parceria entre o CEIS20 – Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra, o Teatro Académico Gil Vicente e a Universidade de Sevilha. Destaco a apresentação, no dia 17 de Junho, pelas 17:00, do livro de Francisco Pinheiro História da Imprensa Desportiva em Portugal, com apresentação do livro por Isabel Vargues, professora universitária (Universidade de Coimbra) e Joaquín Marín Montín, professor universitário (Universidade de Sevilha). Saber mais em http://www.tagv.info/.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

LIBERDADE DE IMPRENSA

O Gabinete para os Meios de Comunicação Social (GMCS) e a Comissão Nacional da Unesco (CNU) decidiram dar visibilidade às questões relacionadas com a Liberdade de Imprensa, realizando eventos comemorativos no dia 3 de Maio – Dia Mundial da Liberdade de Imprensa - e noutros dias ao longo do mesmo mês. Destaco para amanhã os seguintes eventos:

18h30 – Universidade Católica Portuguesa. Lançamento, em parceria com o Diário de Notícias, do Prémio de Jornalismo “Jovens Talentos”. O mote para o concurso será a Liberdade de Imprensa. A peça vencedora será publicada no Diário de Notícias e o seu autor terá direito a frequentar um estágio de três meses no mesmo jornal;
18h45 – Universidade Católica Portuguesa. Conferência sobre a temática da Liberdade de Imprensa, a proferir por Francisco Pinto Balsemão (presidente do grupo Impresa).

sexta-feira, 22 de abril de 2011

AUDIÊNCIAS DE MEIOS (1952)

“Todos os jornais e revistas possuem leitores, poucos ou muitos. Porém, os jornais e as revistas têm tiragens que nem sempre correspondem ao seu verdadeiro número de leitores. Há que diferenciar entre os chamados leitores regulares e os leitores ocasionais ou excepcionais, como sejam os leitores de domingo, nos jornais, ou de tiragens especiais, nas revistas” [Salviano Cruz (1952). "Problemas económicos dos jornais e revistas de Portugal e os seus leitores". A Revista de Pesquisas Económico-Sociais, 3: 303-319].

Assim, pergunta Salviano Cruz, quantos leitores tem determinada publicação? E como são qualitativamente, social e economicamente? O autor parte de um inquérito feito em Lisboa e no Porto pelo processo de amostra estruturada (embora não diga o número de inquiridos, a data em que o trabalho foi feito, qual a entidade que solicitou o estudo e a margem de erro, elementos hoje fundamentais num inquérito, mas indica haver dois estudos por ano, em Junho e em Dezembro). Trata-se, a meu ver, do primeiro texto e estudo de meios em Portugal, pelo que merece uma atenção especial.

Quanto a Lisboa, o jornal mais lido em 1952 era o Diário de Notícias, seguindo-se o Diário Popular, O Século e O Diário de Lisboa, este apresentado como “o jornal mais progressivo e dinâmico desde há 20 a 25 anos”. Além dos chamados quatro grandes, o autor faz uma classificação da imprensa independente em três grupos: 1) desportiva, com A Bola à frente, 2) política, com O Diário da Manhã à frente de A República, e 3) católica, com As Novidades e A Voz. Em Lisboa, 60% dos leitores de classe média e superior, 73% da classe média baixa e 70% de homens e 59% de mulheres lêem o Diário de Notícias; no Porto, 80% de leitores da classe média alta lêem O Primeiro de Janeiro, com 66% de homens e 43% de mulheres.

Já no tocante aos jornais do Porto, O Primeiro de Janeiro aparece à frente, seguido do Jornal de Notícias, O Comércio do Porto e o Diário do Norte. Na imprensa desportiva, O Norte Desportivo aparece à frente de A Bola e O Mundo Desportivo.

Enquanto em Lisboa a imprensa do Porto não chega aos 6%, no Porto a imprensa de Lisboa alcança 27%. Em termos de leitura regular, o Diário de Notícias atinge 57% dos leitores, a que se seguem O Diário Popular e O Século.

O impacto da publicidade junto dos leitores é um dos elementos primordiais do estudo de Salviano Cruz. Por exemplo, a publicidade a produtos higiénicos de carácter feminino no Diário de Lisboa parece pouco indicada. Por outro lado, o preço da publicidade em O Século pode não se justificar, dado o número pouco representativo de leitores que a apreciam. O autor recomenda ser pouco aconselhável economicamente fazer publicidade nos quatro principais jornais de Lisboa em simultâneo. No Porto, para os produtos populares de multidão (é a palavra usada), O Jornal de Notícias é o segundo mais indicado. Destaca-se a atitude menos receptiva à publicidade por parte de O Primeiro de Janeiro.

Salviano Cruz chama a atenção para as estatísticas inflacionadas de tiragem e de vendas apresentadas pelos jornais.

Quanto a revistas, o estudo conclui que 17% da população de Lisboa e 42% da população do Porto não lê revistas. As mais lidas são O Século Ilustrado (45 mil leitores), A Flama (cerca de 43 mil leitores), Modas e Bordados (quase 38 mil leitores). Os leitores regulares predominam sobre os ocasionais. Se O Século Ilustrado é lido pela classe média superior para cima e tem mais leitores masculinos no Porto e femininos em Lisboa, A Flama é lida pela classe média baixa, principalmente no Porto, com maior afluência de leitores católicos. Modas e Bordados e Eva são publicações para mulheres e As Selecções do Reader’s Digest tem na classe média alta o maior número de leitores.

Dos assuntos mais lidos nos jornais, primeiro vem o noticiário internacional e depois o nacional. Os leitores de O Século também gostam de ler os editoriais e o caso do dia (penso que crime ou outro assunto do dia) e os leitores do Diário de Notícias apreciam os anúncios e a secção Cidade.

O autor, na parte final do seu artigo, volta ao tema da publicidade. Escreve ele que, em contraste com as dificuldades da publicidade na imprensa, a da rádio está em aperfeiçoamento, além de que existem cerca de 600 mil aparelhos espalhados pelo país. O maior jornal não ia além de 90 mil leitores, o que indica uma maior concorrência entre os meios. A televisão ainda não tinha chegado e baralhado de novo as estimativas.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

ELLE E OUTRAS REVISTAS MUDAM DE MÃOS

O grupo francês Lagardère, até agora o maior editor de revistas no mundo, cede 102 títulos publicados em 15 países (com excepção da França) ao grupo americano Hearst por 651 milhões de euros. A Elle, que conta 42 edições em todo o mundo, é uma das publicações em questão (fonte: J.-M. Nobre Correia, texto publicado hoje no Diário de Notícias).

sábado, 29 de janeiro de 2011

IMPRENSA E INTERNET

Na sua coluna do Diário de Notícias publicada hoje, J.-M. Nobre-Correia escreve sobre sucessivas crises que abalaram a imprensa: a rádio nas décadas de 1940 e 1950, a televisão nas décadas de 1960 e 1970, a perda dos monopólios com proliferação de rádios e televisões nas décadas de 1970 e 1980, a internet com abundância de fontes de informação e interactividade e possibilidade de criação de media nas décadas de 1990 e 2000. Para combater a quebra de vendas, abriram-se portas à "economia da gratuidade" e a passagem das "informações de serviço e dos classificados esvaziou seriamente duas funções sociais primárias dos jornais". Mas a internet não permitiu atingir os resultados esperados em termos de pagamento das consultas, de assinaturas e de receitas publicitárias. O novo tablet da Apple parecia alterar esta situação, mas J.-M. Nobre-Correia apresenta razões para um novo falhanço.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

AID

Fernando Alves Monteiro, 65 anos, licenciado em teologia e administrador do Diário do Minho há cerca de dez anos, foi eleito presidente da Associação da Imprensa Diária (AID). A AID engloba todos os jornais diários regionais e procura representar, defender e promover os interesses empresariais dos seus associados, além de salvaguardar a liberdade de expressão e de pensamento (a partir de notícia do Público).

Os primeiro e segundo vice-presidentes são Adriano Callé Lucas (Diário de Aveiro) e José Miguel Piçarra (Diário do Sul). Este último presidiu já aos destinos da AID. Igualmente, Alves Monteiro fora já vice-presidente da associação.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

PRACTICES AND CONSUMPTION OF CHRISTIAN PRESS READERS

In 2009, the Portuguese Christian Press Association (AIC, Associação de Imprensa de Inspiração Cristã) held a survey of publications that belongs to the Association, with 22 questions. The CESOP (Centro de Estudos de Sondagens e Opinião Pública, Centre for the Study of Polls and Public Opinion) from Catholic University of Portugal was responsible for this survey and its analysis. There were a total of 997 answers from valid surveys, concerning a total of 36 publications. It was not my intention to project the idea of a community of knowledge (Zelizer), nor to work on concepts such as passive or critical audiences (Hall), but to look into a specific set of publications (daily, weekly, fortnightly, monthly) included in the association. The production of this survey had several objectives, the first of which was to know the readers of the publications identified with religious ideals. Then, the intention was to find out the receptivity of those readers to advertising, as well as relating local, national and international news, with the objective of calculating the interaction in reading between regional and global topics.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

PUBLICIDADE VERSUS JORNALISMO

Samuel Godinho, director-geral executivo da agência Carat Portugal, à revista "Pública" (Público, de 8 de Agosto último) falou da relação da publicidade com o jornalismo e da existência da imprensa. Para ele, a imprensa "tem de se redimensionar, reinventar do ponto de vista de conteúdos, olhar cada vez mais para o que o consumidor quer [...] As empresas estão por vezes distraídas, não têm acompanhado as dinâmicas do mercado e a evolução geracional do consumo. Os índices de leitura da população não aumentaram o que não quer dizer que os jovens estejam a ler menos, e estarão porventura muito mais informados do que a geração dos seus pais. [...] Têm acesso à informação de outras formas".



O enunciado deste responsável da Carat Portugal merece reflexão, dada a importância das afirmações. Reconhece que os índices de leitura não aumentaram mas crê que haja mais informação acedida e consumida, o que parece uma contradição. Considera que há empresas distraídas na concepção dos seus modelos de negócio, desacompanhando as novas tendências. A meu ver, as empresas de media que actuam nos mercados considerados tradicionais - caso da imprensa em papel - têm trabalhado na internet mas ainda não encontraram um modelo rentável. Isso acontece em todo o Ocidente e não é problema apenas em Portugal. O responsável da Carat Portugal indica ser necessária a reinvenção de conteúdos, mas não sugere que tipo de reinvenção. Isto é, apontam-se os problemas mas surge uma dificuldade em apresentar soluções.

Talvez mais perto das soluções estejam Lennart Weibull & Åsa Nilsson, no texto editado este ano “Four decades of European newspapers: structure and content”, no livro de Jostein Gripsrud e Lennart Weibull, Media, markets & public spheres. Para os autores, há tendências precisas: aumento do preço dos jornais, quebra de publicidade por migração para a internet, aparecimento de jornais gratuitos. Mas também mais suplementos (muitos com linha editorial própria), fragmentação (com alargamento de temas culturais, económicos e desportivos, por exemplo), apropriação de bandeiras da imprensa tablóide pelos jornais de qualidade (como a ilustração editorial do tema central da edição, mais espaço para temas de consumo, bem-estar, entretenimento e "fofocas"). Estas linhas talvez indiquem o futuro da imprensa, a sua reinvenção, além do retrato dos problemas por Samuel Godinho, mesmo que desagradem a defensores de um modelo específico de imprensa.