Textos de Rogério Santos, com reflexões e atualidade sobre indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, videojogos, música, livros, centros comerciais) e criativas (museus, exposições, teatro, espetáculos). Na blogosfera desde 2002.
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sábado, 13 de maio de 2017
Museu Guerra Junqueiro
A traça do edifício está atribuída a Nicolau Nazoni, o arquiteto italiano responsável pela Torre dos Clérigos e outros edifícios simbólicos do Porto barroco. Fica junto à catedral da cidade, na rua de D. Hugo, 32. Doado pela família do escritor em 1940 à câmara municipal da cidade, com o espólio do poeta e com a condição de exposição das peças que ele reuniu em várias viagens que fez: arte sacra, faiança de Viana do Castelo, pratos de Nuremberga, cerâmica e mobiliário. Ressalto a sala de estar e a sala de jantar. O edifício está muito bem conservado, embora, a meu ver, algumas peças devessem ter mais destaque (com redução do exposto). Por exemplo, uma Senhora do Leite está no chão, sob outra peça, o que retira o relevo que merece. A condução da visita foi soberana. Muito obrigado.
Ao mesmo tempo, em exposição temporária, uma mostra de bibliografia e pintura amadora do escritor Raul Brandão, nos seus 150 anos de nascimento e cem anos da obra Húmus.
quinta-feira, 13 de abril de 2017
Museu Nadir Afonso
O Museu Nadir Afonso (Chaves, numa margem do rio Tâmega) merece ser visto (e refletido). Pintor, arquiteto e filósofo, Nadir Afonso Rodrigues nasceu em Chaves (1920) e licenciou-se em arquitetura na Escola Superior de Belas-Artes do Porto. Ele tinha 24 anos quando a sua obra A Ribeira entrou no Museu de Arte Contemporânea de Lisboa. Em 1965, abandonou a arquitetura e desenvolveu estudos sobre a geometria (e a abstração geométrica). Influenciaram-no os estudos, experiências e contactos em França (com Le Corbusier) e Brasil (com Óscar Niemeyer), como a vemos no museu, onde se exibem trabalhos das décadas de 1930 a 1970. Para saber mais sobre o pintor, que faleceu em 2013, ler aqui.
O museu, suportado no Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), foi orçado em nove milhões de euros, com projeto do arquiteto Siza Vieira (2016). Segundo a estratégia cultural da região, o Museu Nadir Afonso localiza-se dentro do perímetro do centro histórico e da reabilitação ribeirinha do Tâmega e forma um triângulo cultural com o Museu do Douro (Peso da Régua) e o Museu do Côa (Vila Nova de Foz Côa).
Sem contestar o valor arquitetónico do museu de Chaves, o seu volume parece-me exagerado, a lembrar outras obras em Portugal, como o CCB e o museu de Côa, acima indicado. A opção de colocar um conjunto de pinturas de menor formato acima do nível da longa janela de corredor voltado para o lado do rio não permite ver com profundidade as linhas geométricas e as cores dessas obras. Além disso, Chaves, cidade interessante a visitar, tem ainda problemas vindos da crise financeira da última década. Se o museu influenciará na produção de riqueza da região, com ida de interessados em conhecer melhor a obra do pintos, uma casa onde ele pintor viveu, mesmo junto à ponte de Trajano, com uma lápide sobre a porta a indicar tal situação, está em total ruína. Parece-me uma contradição violenta.
terça-feira, 7 de março de 2017
Museu Machado de Castro revisitado
A tarde estava magnífica. O visitante fez uma paragem para rever o Museu Nacional Machado de Castro (Coimbra). Turmas de escolas primárias corriam pela longa estrutura subterrânea, imaginando a prisão e os prisioneiros. Em cima, o observador deleitava-se a olhar com mais profundidade o cavaleiro medieval, século XIV, de mestre Pero, capela dos Ferreiros, Oliveira do Hospital. O cavalo dócil não parecia talhado para aquele guerreiro.
Na galeria municipal, prossegue a exposição de fotografia de António Luís Campos sobre os Açores (Crónicas da Atlântida). Na rua, um músico tocava trompete.
sábado, 4 de março de 2017
Ópera chinesa no Museu do Oriente

O ocidente gosta da ópera chinesa mas não conhece o seu repertório narrativo e o modo como se combinam o canto, a música, a dança, a mímica, a acrobacia e o humor. A ópera chinesa surgiu no final do século XI e a sua época dourada iniciou-se no século XIII. Há estilos regionais diferentes, mas destacam-se os de Beijing e de Cantão.
O repertório inclui comédias satíricas, histórias de amor, peças históricas e mitos fundadores da China. A exposição patente no Museu do Oriente explora quatro das mais célebres histórias: Romance dos Três Reinos, A Viagem ao Ocidente, A Lenda da Serpente Branca e o Pavilhão da Ala Oeste. Assim, compreendem-se traços gerais da história do país, como a crítica de costumes, a exaltação das virtudes guerreiras, o temor aos deuses, a transmissão da sabedoria dos mais velhos. Há ainda espaço para o teatro das marionetas.
Trajes, maquilhagem e acessórios identificam as personagens. Linhas negras indicam rugas. O branco é para ministros traidores e personagens violentas como generais e bandidos, o vermelho é para homens honestos e fieis, o azul para personagens vigorosas, o amarelo para calculistas, o verde para orgulhosos e o dourado para os deuses. As personagens masculinas dividem-se em idoso, jovem e guerreiro, as femininas em idosa, mulher virtuosa, cortesã ou criada, guerreira e jovem de família distinta. A estas personagens, juntam-se os rostos pintados e os palhaços [texto a partir dos elementos da exposição].
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
Museu José Malhoa
As vezes que visitei o Museu José Malhoa (Caldas da Rainha) trouxe boas recordações. Do pintor naturalista, o museu representa o maior núcleo da sua obra. Recordo o encantamento de obras como Retrato da Menina Laura Sauvinet (1888) e As Promessas (1933, ano da morte do pintor). Aquela foi aluna do artista, esta um pungente quadro de procissão. Da obra do pintor, destaco ainda O Fado, em exposição noutro museu.
Na última visita, fiquei com a sensação de sobrexposição de quadros. Uma leitura mais moderna da pintura aconselha a exposição de menos obras ou uma rotação de obras, de modo a um maior usufruto. E a qualidade de algumas delas não é tão conseguida, incluindo do autor que dá o nome ao museu.
De Rafael Bordalo Pinheiro, sobressai, no museu, o conjunto de 60 esculturas de terracota da Paixão de Cristo.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
Rosalía de Castro no museu Barata-Feyo
Diz o texto do museu Barata Feyo (1899-1990): "inaugurado em 2004 e projetado por um dos seus filhos, Arquitecto António Barata Feyo, acolhe um importante acervo de obras deste escultor da escola do Porto. Escultor, ensaísta e pedagogo, foi como estatuário que mais se notabilizou. Podemos admirar os aspetos mais significativos da sua obra, de onde se destacam três grupos temáticos principais: o retrato, a escultura oficial e escultura religiosa".
Salvador Barata Feyo nasceu em Angola, frequentou a Escola de Belas-Artes de Lisboa em 1923 (cursos de Pintura e Arquitetura), antes de se dedicar à Escultura, que conclui em 1929. Em 1933, obteve uma bolsa do Instituto de Alta Cultura e partiu para Itália. Participou na Exposição do Mundo Português em 1940 (estátua de D. João I) e, em 1949, começou a lecionar na Escola Superior de Belas-Artes do Porto. Recebeu diversos prémios: Escultura Mestre Manuel Pereira (1945 e 1951), Escultura da Fundação Calouste Gulbenkian (1957), primeiro lugar no concurso para o monumento ao Infante D. Henrique (Sagres, 1958). Entre 1950 e 1960, acumulou a atividade artística e docente com a direção do Museu Nacional de Soares dos Reis e assumiu o cargo de Conservador Adjunto dos Museus e Palácios Nacionais (a partir de texto de Joana Baião para o Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado).
Das suas obras expostas no museu das Caldas da Rainha, gosto muito dos trabalhos em gesso depois fixados em materiais mais fortes: Rosalía de Castro (1954, para a Praça da Galiza, no Porto) e Rainha D. Maria II (Famalicão). Durante muitos anos, eu admirei a escultura colocada no Porto. Ela estava em frente a uma vedação de sebe de arbustos, hoje, está libertada desse quase muro.
domingo, 18 de dezembro de 2016
Museu de Música Mecânica, de novo
No Museu de Música Mecânica (Pinhal Novo, Palmela), aprendi hoje que, antes da gravação de discos, houve gravação em cilindros. O equipamento era usado nomeadamente em escritórios em que as secretárias deixavam mensagens ao patrão sobre o expediente e restantes atividades comerciais da empresa. O que melhora a minha compreensão do registo sonoro. Na rádio, é dito que o registo inicial foi em disco. Será que as primeiras estações de rádio gravaram música em cilindros?
Na fotografia, uma das primeiras juke boxes, marca Regina, de seis cilindros (Estados Unidos, 1912). Colocada num sítio público, funcionava com uma moeda, com seis melodias cujos títulos se expunham na parte superior do aparelho.
No vídeo, o colecionador dr. Luís Cangueiro em três momentos da visita guiada: 1) fonógrafo de Edison, 2) Frank Sinatra numa canção de Natal, 3) canção Auld Lang Syne, melodia popular tradicional, conhecida em países ingleses e cantada para comemorar o começo do ano novo. Robert Burns em 1788 adaptou-a com um poema seu, conhecida como The Song that Nobody Knows, porque ninguém se lembra desse poema, que começa assim: Should auld acquaintance be forgot / and never brought to mind? / Should auld acquaintance be forgot/ and days of auld lang syne? / For auld lang syne, my dear, / for auld lang syne, / we'll take a cup of kindness yet, / for auld lang syne.
Atualização em 25 de janeiro de 2017: um leitor enviou-me a seguinte mensagem, que coloco aqui:
"Caro Professor Rogério Santos, descobri há pouco o seu blog, sobre o qual o felicito pela excelente compilação de artigos. No entanto, e sendo esta a minha área profissional, queria clarificar um pormenor no artigo "Museu da Música Mecânica, de novo" (https://industrias-culturais.hypotheses.org/27200).
"A hipótese que levanta sobre a possibilidade da gravação sonora em cilindro nas rádios carece clarificação. De facto, quando as rádios, nomeadamente em Portugal, iniciam a sua emissão sonora (exceptuando a rádio-telegrafia que não contém informação sonora), já a gravação em cilindros se encontrava em declínio. Adicionalmente, a gravação sonora em cilindro possui fraca qualidade de som, o seu suporte era extremamente frágil e o número de leituras era reduzido. Por esse motivo, no final dos anos de 1920, foi desenvolvida a gravação em "disco instantâneo" (também conhecidos por Laquers).
"A título de exemplo, cerca de 1912 a Colombia deixou de utilizar cilindros. O mesmo aconteceu por volta 1929 com Edison. Por fim, foi em 1925 que foi efectuada a transição da tecnologia de gravação em disco do domínio mecânico (conhecido por gravação acústica) para o domínio electromecânico (gravação eléctrica).
"Os melhores cumprimentos,
"Isaac Raimundo"
Na fotografia, uma das primeiras juke boxes, marca Regina, de seis cilindros (Estados Unidos, 1912). Colocada num sítio público, funcionava com uma moeda, com seis melodias cujos títulos se expunham na parte superior do aparelho.
No vídeo, o colecionador dr. Luís Cangueiro em três momentos da visita guiada: 1) fonógrafo de Edison, 2) Frank Sinatra numa canção de Natal, 3) canção Auld Lang Syne, melodia popular tradicional, conhecida em países ingleses e cantada para comemorar o começo do ano novo. Robert Burns em 1788 adaptou-a com um poema seu, conhecida como The Song that Nobody Knows, porque ninguém se lembra desse poema, que começa assim: Should auld acquaintance be forgot / and never brought to mind? / Should auld acquaintance be forgot/ and days of auld lang syne? / For auld lang syne, my dear, / for auld lang syne, / we'll take a cup of kindness yet, / for auld lang syne.
Atualização em 25 de janeiro de 2017: um leitor enviou-me a seguinte mensagem, que coloco aqui:
"Caro Professor Rogério Santos, descobri há pouco o seu blog, sobre o qual o felicito pela excelente compilação de artigos. No entanto, e sendo esta a minha área profissional, queria clarificar um pormenor no artigo "Museu da Música Mecânica, de novo" (https://industrias-culturais.hypotheses.org/27200).
"A hipótese que levanta sobre a possibilidade da gravação sonora em cilindro nas rádios carece clarificação. De facto, quando as rádios, nomeadamente em Portugal, iniciam a sua emissão sonora (exceptuando a rádio-telegrafia que não contém informação sonora), já a gravação em cilindros se encontrava em declínio. Adicionalmente, a gravação sonora em cilindro possui fraca qualidade de som, o seu suporte era extremamente frágil e o número de leituras era reduzido. Por esse motivo, no final dos anos de 1920, foi desenvolvida a gravação em "disco instantâneo" (também conhecidos por Laquers).
"A título de exemplo, cerca de 1912 a Colombia deixou de utilizar cilindros. O mesmo aconteceu por volta 1929 com Edison. Por fim, foi em 1925 que foi efectuada a transição da tecnologia de gravação em disco do domínio mecânico (conhecido por gravação acústica) para o domínio electromecânico (gravação eléctrica).
"Os melhores cumprimentos,
"Isaac Raimundo"
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
The Museum Reader: what practices should 21st century Museums pursue, how and why? An International Conference
Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, Lisboa, 9 e 10 de março de 2017
A conferência internacional The Museum Reader, organizada pelo Instituto de História da Arte da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e pelo Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, tem por objectivo propor linhas temáticas e pontos notáveis para pensar, reflectir e debater novas realidades, práticas e condições de trabalho detectadas nos museus deste século XXI. Pretende-se analisar e sistematizar novos modos e paradigmas, tendências e diferentes práticas e formas de pensar o papel das instituições artísticas no contexto do actual panorama artístico.
Em foco estarão os seguintes temas:
• Os museus na passagem do século XX para o século XXI
• O museu e a concepção neoliberal de cultura
• As transformações paradigmáticas das instituições artísticas no contexto da actual ordem social, económica e política
• A crítica institucional enquanto investigação dos contornos e funcionamento das instituições de arte
• O museu como lugar de negociação e conflito
• O potencial das instituições e a nova esfera institucional: o novo Institucionalismo, a museologia radical, museologia crítica
• Crítica e experimentação nas instituições artísticas
• Práticas institucionais e não institucionais no museu
• O museu e a concepção neoliberal de cultura
• As transformações paradigmáticas das instituições artísticas no contexto da actual ordem social, económica e política
• A crítica institucional enquanto investigação dos contornos e funcionamento das instituições de arte
• O museu como lugar de negociação e conflito
• O potencial das instituições e a nova esfera institucional: o novo Institucionalismo, a museologia radical, museologia crítica
• Crítica e experimentação nas instituições artísticas
• Práticas institucionais e não institucionais no museu
• Quais as exigências e desafios das práticas artísticas contemporâneas para os museus e instituições artísticas
• A futura identidade das instituições artísticas
• A futura identidade das instituições artísticas
Convidamos os interessados a enviar um resumo (não mais de 300 palavras), acompanhado de uma breve biografia (aprox. dois parágrafos) para os elementos do comité de organização, através do email themuseumreader2017@gmail.com, até 13 de Janeiro de 2017. Os participantes serão notificados até ao fim de Janeiro e o programa da conferência será anunciado em meados de Fevereiro. As línguas da conferência são o inglês e o português. Uma selecção das comunicações apresentadas na conferência serão publicadas num número especial da revista Wrong Wrong (wrongwrong.net, ISSN 2183-5527). Para assuntos administrativos e questões práticas, por favor contactar Patrícia Melo (themuseumreader2017@gmail.com). Mais informações: http://themuseumreaderconference.weebly.com
sexta-feira, 2 de dezembro de 2016
Museu de Banda Desenhada em Beja
A existência da Bedeteca e do Festival Internacional de Banda Desenhada fazem de Beja um dos principais centros de difusores desta arte no nosso país. Ciente de um património rico, o município de Beja decidiu apostar na criação de um equipamento que confirme a vocação da cidade em tal domínio, onde se faça um percurso pela História da Banda Desenhada Portuguesa, de 1850 à atualidade, com obras originais e forte componente multimédia. Ao Museu de Banda Desenhada acrescentam-se valências como ateliês, espaços de trabalho e galerias de exposições temporárias. O equipamento, que acolherá a Bedeteca de Beja, integra a estratégia de promoção, dinamização e valorização económica do centro histórico de Beja, com o mesmo a ser instalado em edifício do município (informação e imagem da entidade promotora). A informação enviada não aponta uma data para a abertura do museu.
terça-feira, 22 de novembro de 2016
Museu de Música Mecânica
O Museu de Música Mecânica excedeu as minhas expectativas. Situado em Pinhal Novo (Palmela), em edifício construído para o efeito (em forma de caixa de música), alberga cerca de 600 peças de música mecânica, coleção que Luís Cangueiro começou em 1987, quando comprou uma máquina de música mecânica num centro comercial de Almada por 30 mil escudos (quase 470 euros a preços atuais). Luís Cangueiro foi professor do ensino secundário e dedica-se à publicidade e ao hipismo.
Descobri um texto - que coloco a seguir, escrito por Teresa Margarida Cangueiro (e colegas) em abril de 2013 aqui - sobre o que se esperava do museu, agora tornado realidade (inaugurado em outubro de 2016):
“A música é algo intrínseca ao ser humano. A sociedade contemporânea tem uma relação diária com gira-discos, leitores de cassetes, ipods, iphones”, afirma Luís Cangueiro, “A história é a memória da humanidade, e será através das sonoridades que estes instrumentos nos transmitem que as gerações vindouras poderão recriar e reviver uma época já longínqua”. A prática colecionista de Luís Cangueiro remonta a muitas décadas atrás.
Em 2000, a coleção de instrumentos de música mecânica já contava com cerca de três centenas de peças. Como consequência, o proprietário deste importante espólio decidiu que se justificava a construção de um espaço próprio, de forma a poder preservar e expor estas peças de forma condigna. Tratar-se-ia de um espaço museológico privado, de acesso restrito a familiares e amigos.
O interesse em aumentar a área de construção de um pequeno espaço, destinado a utilização privada, seria transformar a edificação já quase concluída num projeto de museu que pudesse ser considerado de relevante interesse cultural. “A iniciativa da construção deste museu tem como objetivo contribuir para a divulgação da música mecânica, muito pouco conhecida em Portugal, ao contrário do que acontece com outros países da Europa”, acrescenta Luís Cangueiro. As previsões para a conclusão das obras de construção do museu apontam para o próximo ano.
A coleção prima pelas diversas tipologias que se distribuem pelos mais variados instrumentos. Estes têm como objetivo tentar compreender a importância e o lugar que a música ocupava na sociedade da época da segunda metade do Séc. XIX até aos anos 30 do Séc. XX. O acervo divide-se nas duas grandes áreas da música mecânica: os instrumentos de música mecânica e os fonógrafos e gramofones.
A primeira forma de instrumento musical mecânico foi a caixa de música de cilindro, tornando possível ouvir-se música em casa sem ter que aprender a tocar um instrumento. Dentro desta parte da coleção é possível encontrar as diversas tipologias dos instrumentos de música mecânica: caixa de música de disco metálico, caixa de música de cilindro metálico, o autómato, o instrumento de cilindro de madeira, o instrumento de suporte perfurado e diversos objetos ligados a estes instrumentos.
A segunda área da música mecânica é dedicada aos fonógrafos e gramofones. Estes aparelhos tornaram possível gravar e reproduzir no momento seguinte a voz humana pela primeira vez. Estes têm a capacidade de nos transmitir a sua sonoridade por intermédio de cilindros que imortalizam as canções dos artistas do passado.
O primeiro fonógrafo foi apresentado por Thomas Edison em 1877. Esta máquina era constituída por um cilindro posto em movimento por uma manivela e recoberto por uma folha de estanho muito fina. “Num dos lados havia um estilete preso a um diafragma para gravar o som, e no outro uma agulha presa a um outro diafragma para o reproduzir. Edison pôs lentamente em movimento o cilindro e recitou um poema infantil Mary Had a Little Lamb, ouvindo-se a sua voz a reproduzir estes versos”, explica o colecionador, “Assim, tinha acabado de nascer a primeira máquina falante, o Tin Foil Phonograph, a primeira invenção com a capacidade de registar a voz humana”. O surgimento do fonógrafo levou o público a desinteressar-se pelos instrumentos de música mecânica.
Posteriormente foi a vez do gramofone se impor em relação ao fonógrafo. O Gramofone foi inventado por Berliner em 1887. O gramofone substituiu claramente o fonógrafo como instrumento de reprodução, sendo considerado como o grande precursor dos gira-discos elétricos que chegaram até aos nossos dias. Nesta coleção estão incluídos diversos modelos de fonógrafos e gramofones: gramofones de viagem, gramofones de criança, grafonolas, objetos relacionados com esta área como brinquedos musicais, agulhas, etc. e as formas de comunicação utilizadas na promoção destes aparelhos.
O aparecimento da telefonia fez com que os gramofones perdessem gradualmente a sua influência. Durante décadas as máquinas falantes que constituem esta colecção eram os únicos meios para divulgar a música. Perante o som destas caixas falantes no plano acústico, estas são restauradas permitindo a audição destas sonoridades que nos transportam para o plano sentimental ao despertar uma profunda nostalgia através da recriação do fascínio que provocou nas gerações passadas.
A coleção começou como um passatempo, tornando-se no primeiro museu dedicado à música mecânica. Neste espaço é impossível resistir à audição dos sons mágicos e nostálgico, produzidos e reproduzidos por estas máquinas falantes. É através da memória auditiva dos visitantes que ficará parte da essência da sociedade desta época. Este museu será o palco de um concerto do passado. “Ver, ouvir e sentir” é a mensagem que se deixa a todos os visitantes que se aventurem nesta viagem musical. A difusão desta arte permitiu o universo de uma linguagem musical, sem barreiras linguísticas.
O Museu de Música Mecânica, para além das salas de exposição, tem um auditório, uma sala de exposições temporárias (atualmente com uma coleção de fotografias de Luís Cangueiro), um centro de documentação, uma cafetaria e um espaço de venda de artigos relacionados com o museu.
De um pequeno texto do colecionador, retiro: "Destes instrumentos poderiam ouvir-se as mais belas melodias, rodando simplesmente uma manivela, dando corda a uma mola, acionando pesos, movimentando pedais, articulando foles". De uma notícia do Público, de há quatro anos, sobre a coleção então ainda à espera de sítio definitivo, retiro a seguinte parcela: "E que sistemas [de produção de sons] são esses? Os cilindros de madeira, por exemplo, eram movidos rodando uma manivela e activavam várias peças, tais como um Gem Roller Organ de 1887 para se ouvir 39 segundos de Auld Lang Syne, uma conhecida canção tradicional inglesa de Ano Novo, ou um piano bastringue que toca sozinho a valsa Douce Risette. Os cilindros de metal são usados nas caixinhas de música. A Edellweiss (peça do final do século XIX) usa um disco de metal para ressoar 63 segundos de um excerto de La Fille de Madame Argot, uma ópera cómica criada por Charles Lecocq em 1872. Já o Coelophone Orquestre, uma peça francesa de 1884, prefere uma simples banda de cartão. E o gigantesco Seybold, que junta um piano, um acordeão e um tambor numa mesma peça, é capaz de animar uma sala com Mimi d"Amour usando um frágil rolo de papel".
Num olhar mais preciso, noto similitudes em tecnologias: entre aparelhos de música mecânica e telefones, na transição do século XIX para o XX; no cartão perfurado de aparelhos de música mecânica a lembrar os computadores das décadas de 1950 a 1970.
Descobri um texto - que coloco a seguir, escrito por Teresa Margarida Cangueiro (e colegas) em abril de 2013 aqui - sobre o que se esperava do museu, agora tornado realidade (inaugurado em outubro de 2016):
“A música é algo intrínseca ao ser humano. A sociedade contemporânea tem uma relação diária com gira-discos, leitores de cassetes, ipods, iphones”, afirma Luís Cangueiro, “A história é a memória da humanidade, e será através das sonoridades que estes instrumentos nos transmitem que as gerações vindouras poderão recriar e reviver uma época já longínqua”. A prática colecionista de Luís Cangueiro remonta a muitas décadas atrás.
Em 2000, a coleção de instrumentos de música mecânica já contava com cerca de três centenas de peças. Como consequência, o proprietário deste importante espólio decidiu que se justificava a construção de um espaço próprio, de forma a poder preservar e expor estas peças de forma condigna. Tratar-se-ia de um espaço museológico privado, de acesso restrito a familiares e amigos.
O interesse em aumentar a área de construção de um pequeno espaço, destinado a utilização privada, seria transformar a edificação já quase concluída num projeto de museu que pudesse ser considerado de relevante interesse cultural. “A iniciativa da construção deste museu tem como objetivo contribuir para a divulgação da música mecânica, muito pouco conhecida em Portugal, ao contrário do que acontece com outros países da Europa”, acrescenta Luís Cangueiro. As previsões para a conclusão das obras de construção do museu apontam para o próximo ano.
A coleção prima pelas diversas tipologias que se distribuem pelos mais variados instrumentos. Estes têm como objetivo tentar compreender a importância e o lugar que a música ocupava na sociedade da época da segunda metade do Séc. XIX até aos anos 30 do Séc. XX. O acervo divide-se nas duas grandes áreas da música mecânica: os instrumentos de música mecânica e os fonógrafos e gramofones.
A primeira forma de instrumento musical mecânico foi a caixa de música de cilindro, tornando possível ouvir-se música em casa sem ter que aprender a tocar um instrumento. Dentro desta parte da coleção é possível encontrar as diversas tipologias dos instrumentos de música mecânica: caixa de música de disco metálico, caixa de música de cilindro metálico, o autómato, o instrumento de cilindro de madeira, o instrumento de suporte perfurado e diversos objetos ligados a estes instrumentos.
A segunda área da música mecânica é dedicada aos fonógrafos e gramofones. Estes aparelhos tornaram possível gravar e reproduzir no momento seguinte a voz humana pela primeira vez. Estes têm a capacidade de nos transmitir a sua sonoridade por intermédio de cilindros que imortalizam as canções dos artistas do passado.
O primeiro fonógrafo foi apresentado por Thomas Edison em 1877. Esta máquina era constituída por um cilindro posto em movimento por uma manivela e recoberto por uma folha de estanho muito fina. “Num dos lados havia um estilete preso a um diafragma para gravar o som, e no outro uma agulha presa a um outro diafragma para o reproduzir. Edison pôs lentamente em movimento o cilindro e recitou um poema infantil Mary Had a Little Lamb, ouvindo-se a sua voz a reproduzir estes versos”, explica o colecionador, “Assim, tinha acabado de nascer a primeira máquina falante, o Tin Foil Phonograph, a primeira invenção com a capacidade de registar a voz humana”. O surgimento do fonógrafo levou o público a desinteressar-se pelos instrumentos de música mecânica.
Posteriormente foi a vez do gramofone se impor em relação ao fonógrafo. O Gramofone foi inventado por Berliner em 1887. O gramofone substituiu claramente o fonógrafo como instrumento de reprodução, sendo considerado como o grande precursor dos gira-discos elétricos que chegaram até aos nossos dias. Nesta coleção estão incluídos diversos modelos de fonógrafos e gramofones: gramofones de viagem, gramofones de criança, grafonolas, objetos relacionados com esta área como brinquedos musicais, agulhas, etc. e as formas de comunicação utilizadas na promoção destes aparelhos.
O aparecimento da telefonia fez com que os gramofones perdessem gradualmente a sua influência. Durante décadas as máquinas falantes que constituem esta colecção eram os únicos meios para divulgar a música. Perante o som destas caixas falantes no plano acústico, estas são restauradas permitindo a audição destas sonoridades que nos transportam para o plano sentimental ao despertar uma profunda nostalgia através da recriação do fascínio que provocou nas gerações passadas.
A coleção começou como um passatempo, tornando-se no primeiro museu dedicado à música mecânica. Neste espaço é impossível resistir à audição dos sons mágicos e nostálgico, produzidos e reproduzidos por estas máquinas falantes. É através da memória auditiva dos visitantes que ficará parte da essência da sociedade desta época. Este museu será o palco de um concerto do passado. “Ver, ouvir e sentir” é a mensagem que se deixa a todos os visitantes que se aventurem nesta viagem musical. A difusão desta arte permitiu o universo de uma linguagem musical, sem barreiras linguísticas.
O Museu de Música Mecânica, para além das salas de exposição, tem um auditório, uma sala de exposições temporárias (atualmente com uma coleção de fotografias de Luís Cangueiro), um centro de documentação, uma cafetaria e um espaço de venda de artigos relacionados com o museu.
sábado, 19 de novembro de 2016
Museu da Eletricidade (EDP)
A visita ao museu serviu também para ver o novo edifício e a instalação Mais Memória e Distopia em Pynchon Park, de exploração da influência do cinema e da literatura de Thomas Pynchon, conhecido por escrever livros longos e complexos com dezenas e centenas de histórias e personagens.
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
sexta-feira, 30 de setembro de 2016
Museu Etnográfico de Alvor
O Museu Etnográfico da Santa Casa da Misericórdia de Alvor procura ser um repositório de atividades e tradições daquela freguesia de Portimão, em especial as dedicadas ao mar e à terra (sem referências ao turismo). De entre as profissões, destaques para o mariscador, o taberneiro, o peixeiro, o professor e o barbeiro.
sábado, 18 de junho de 2016
Museu de Rádio e Televisão no Japão
O Museu de Radiodifusão da NHK (Tóquio), além do piso de entrada, tem dois de exposição e um com biblioteca digital. Nele aprendi duas coisas, a primeira delas a importância dos media eletrónicos na comunicação do século XX. A memória coletiva dos povos reside muito nela. O museu é tecnológico, com apresentação de peças (televisões, rádios), um estúdio de televisão (mas não da rádio) e um arquivo digital de programas de televisão. Há também sons mas não me parece existir em tão grande quantidade como o arquivo de imagens.
O segundo elemento que aprendi foi o da importância da comparabilidade das culturas mediáticas. Embora o Japão mantenha forte as tradições (isso vê-se no teatro e no modo como muitas pessoas, pelo menos em alguns dias, usam quimono), as tecnologias eletrónicas vieram trazer uniformizações (a globalização, como se escreve hoje). Nos momentos em que pesquisei no arquivo de imagens televisivas, encontrei um programa de festival da canção japonês de meados da década de 1960. A orquestração, o tipo de vestuário e mesmo a linha melodiosa de música ligeira eram quase iguais a um programa emitido em Portugal. A grande diferença é a língua.
Tal significa que a definição de programação popular na televisão passou por passos semelhantes em vários países. A influência americana parece-me mais saliente que a europeia no caso de Portugal, a seguir este exemplo acima identificado.
O segundo elemento que aprendi foi o da importância da comparabilidade das culturas mediáticas. Embora o Japão mantenha forte as tradições (isso vê-se no teatro e no modo como muitas pessoas, pelo menos em alguns dias, usam quimono), as tecnologias eletrónicas vieram trazer uniformizações (a globalização, como se escreve hoje). Nos momentos em que pesquisei no arquivo de imagens televisivas, encontrei um programa de festival da canção japonês de meados da década de 1960. A orquestração, o tipo de vestuário e mesmo a linha melodiosa de música ligeira eram quase iguais a um programa emitido em Portugal. A grande diferença é a língua.
Tal significa que a definição de programação popular na televisão passou por passos semelhantes em vários países. A influência americana parece-me mais saliente que a europeia no caso de Portugal, a seguir este exemplo acima identificado.
sexta-feira, 3 de junho de 2016
Prémio de melhor museu para o Museu da Misericórdia do Porto
O melhor museu de 2016 premiado pela Associação Portuguesa de Museologia é o Museu da Misericórdia do Porto, soube-se hoje. Além da categoria museu, ganhou ainda o prémio de melhor sítio da internet e categoria de aquisição, com a compra da pintura de Josefa de Óbidos, A Sagrada Família.

Quanto à melhor exposição coube a O Cabo Submarino num Mar de Conetividades, que esteve patente na Fundação Portuguesa das Comunicações. Telégrafo, comunicação telefónica, cabo coaxial e de fibra ótica e tecnologias da comunicação eram elementos importantes presentes na exposição (no vídeo, visita conduzida por Teresa Salema, membro do Conselho Executivo da Fundação Portuguesa das Comunicações).

Quanto à melhor exposição coube a O Cabo Submarino num Mar de Conetividades, que esteve patente na Fundação Portuguesa das Comunicações. Telégrafo, comunicação telefónica, cabo coaxial e de fibra ótica e tecnologias da comunicação eram elementos importantes presentes na exposição (no vídeo, visita conduzida por Teresa Salema, membro do Conselho Executivo da Fundação Portuguesa das Comunicações).
terça-feira, 17 de maio de 2016
Públicos dos museus
Li no Público que o visitante dos museus nacionais (perfil social predominante) é um indivíduo relativamente jovem (média de 41 anos no público nacional, 43 no estrangeiro), qualificada em termos de escolaridade e ocupação profissional, que visita o museu por diversos motivos - como conhecer melhor a diversidade cultural ou porque lhe dá prazer -, de acordo com o coordenador do estudo, José Soares Neves. Oito em cada dez são estreantes, um em cada quatro visitantes estrangeiros é francês. O Estudo de Públicos dos Museus Nacionais foi desenvolvido pela Direção-Geral do Património Cultural (que gere catorze museus) e Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa. Foram validados 14 mil questionários em computadores colocados no final da visita (47% portugueses, 53% estrangeiros).
sexta-feira, 15 de abril de 2016
NewsMuseum (Sintra)
Hoje, integrado num grupo, visitei o NewsMuseum (Media Age Experience), em Sintra, cuja inauguração está apontada para 25 de abril próximo (gentileza de Luís Paixão Martins).
A ideia do museu nasceu um ano atrás e teve 80 colaboradores a trabalhar até chegar ao momento de apresentação pública, num espaço de 900 metros quadrados, mesmo no centro de Sintra. Destaques, para mim, da recriação de espaço de emissão de rádio, do lounge e interatividade com imagens, páginas e vídeos (históricos e depoimentos de profissionais e investigadores, que narram a história do media e do jornalismo ao longo de várias salas (de guerra, fotojornalismo, desportivo, jornalismo e cinema, sala dos imortais, ética e liberdade de imprensa, realidade virtual - desmaterialização dos media), cada qual com o seu curador (profissional ou especialista que apresenta o conteúdo da sala, equipamentos de televisão.
A jóia do museu é a torre de Babel, uma enorme coluna que acompanha a altura dos diversos andares, com ecrãs ligados a 90 canais de televisão. Mas ainda a sala da propaganda, com cartazes políticos ao longo das últimas décadas, em que se pode colar um cartaz (isto é, simular a sua colagem), com um mural do criador de murais do MRPP junto a um busto de António Ferro, dentro da ideia de contradição máxima: o que é próximo e o que é distante.Ou a sala dos duelos, de que recordo o debate Soares-Cunhal (e a frase: "olhe que não, olhe que não"). Diretor: Rodrigo Manuel Botelho Moniz Moita de Deus (pelo nome, descobre-se logo ser bisneto do fundador de Rádio Clube Português, Jorge Botelho Moniz) [numa das fotografias a "colar" um cartaz]. Ver mais em NewsMuseum.
Já estou a ver o Newsmuseum a ganhar o prémio de melhor museu do ano. Pelo conteúdo, pelas ideias inovadoras nas diversas salas e pelas tecnologias de interatividade!
[António Ribeiro, António Mocho, João David Nunes, Luís Paixão Martins, Joaquim Furtado, Rogério Santos à porta do #NewsMuseum. Ligados à Rádio, desta ou daquela maneira. — com António Ribeiro, António Mocho, João David Nunes,Joaquim Furtado e Rogério Santos em Vila De Sintra]
A ideia do museu nasceu um ano atrás e teve 80 colaboradores a trabalhar até chegar ao momento de apresentação pública, num espaço de 900 metros quadrados, mesmo no centro de Sintra. Destaques, para mim, da recriação de espaço de emissão de rádio, do lounge e interatividade com imagens, páginas e vídeos (históricos e depoimentos de profissionais e investigadores, que narram a história do media e do jornalismo ao longo de várias salas (de guerra, fotojornalismo, desportivo, jornalismo e cinema, sala dos imortais, ética e liberdade de imprensa, realidade virtual - desmaterialização dos media), cada qual com o seu curador (profissional ou especialista que apresenta o conteúdo da sala, equipamentos de televisão.
A jóia do museu é a torre de Babel, uma enorme coluna que acompanha a altura dos diversos andares, com ecrãs ligados a 90 canais de televisão. Mas ainda a sala da propaganda, com cartazes políticos ao longo das últimas décadas, em que se pode colar um cartaz (isto é, simular a sua colagem), com um mural do criador de murais do MRPP junto a um busto de António Ferro, dentro da ideia de contradição máxima: o que é próximo e o que é distante.Ou a sala dos duelos, de que recordo o debate Soares-Cunhal (e a frase: "olhe que não, olhe que não"). Diretor: Rodrigo Manuel Botelho Moniz Moita de Deus (pelo nome, descobre-se logo ser bisneto do fundador de Rádio Clube Português, Jorge Botelho Moniz) [numa das fotografias a "colar" um cartaz]. Ver mais em NewsMuseum.
Já estou a ver o Newsmuseum a ganhar o prémio de melhor museu do ano. Pelo conteúdo, pelas ideias inovadoras nas diversas salas e pelas tecnologias de interatividade!
[António Ribeiro, António Mocho, João David Nunes, Luís Paixão Martins, Joaquim Furtado, Rogério Santos à porta do #NewsMuseum. Ligados à Rádio, desta ou daquela maneira. — com António Ribeiro, António Mocho, João David Nunes,Joaquim Furtado e Rogério Santos em Vila De Sintra]
quarta-feira, 13 de abril de 2016
domingo, 27 de março de 2016
Côa ou as gravuras não sabem nadar
Rapidamente, nos pôs a ler os traços e o significado em termos de animais representados: auroque, cabra e cavalo. Das interpretações e das dúvidas sobre como se teriam inscrito na pedra aquelas gravuras, foi tudo explicado, levando-nos ao museu de Côa, um magnífico edifício mas parecendo um bunker de guerra nuclear, o que amedronta um pouco.
Lá dentro, com excesso de informação visual, talvez a agradar a uma população juvenil que toma contacto pela primeira vez com um mundo de 25 mil anos antes do presente (BP - before present, com está escrito no texto em português). Pirotécnico, diria eu, ao ver citações de professores de reconhecida notoriedade da Universidade Nova de Lisboa mas cujos trabalhos de arte rupestre ignoro junto a imagens explicativas da evolução da cultura naquele vale. Sei que se podem reduzir as gravuras a simples (ou complexos) signos, mas daí a ter citações de professores dedicados a semiótica ou filosofia da linguagem parece-me exagerado. Sem me querer centrar nas citações, estas soam a soundbites dos jornalistas e dos técnicos de relações públicas.
Felizmente que a anunciada barragem no Côa não foi para a frente. Ficou um magnífico património num local de uma enorme beleza. E de fora ficou uma recente polémica de dificuldades financeiras, com histórias de jipes avariados. Houve jipe e houve explicações bem feitas pela guia. Lembrei-me do conceito ou grito "As gravuras não sabem nadar", a partir da música dos Black Company (1994) Não sabe nadar.
quinta-feira, 24 de março de 2016
Museu de Lamego
O Museu de Lamego está instalado no antigo paço episcopal, no largo de Camões, onde ficam alguns edifícios de grande valor histórico como a catedral. Reedificado na segunda metade do século XVIII, o palácio serviu de residência a oito prelados que ocuparam o governo da diocese de Lamego (1773-1911). O museu começou a ser instalado em 1907, quase a fazer um século. Tem tapeçarias flamengas e francesas dos séculos XVI e do XVII, ourivesaria, cinco painéis de retábulo pintado por Grão Vasco (século XVI) e peças de heráldica, túmulos, estelas funerárias, lápides, esculturas e elementos arquitetónicos de edifícios demolidos (informação do próprio museu).
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