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terça-feira, 4 de junho de 2019

Bernardino Pires (8)

A história desta fotografia de Bernardino Pires é rapidamente apreensível, pelo que não vou escrever sobre ela. Mas interpreto alguns elementos secundários.
Mau grado o centro da imagem, a atenção das pessoas está no oposto. Logo mais dificuldades - não sabemos o ano, a rua e o que está a passar-se nas costas do homem dos gelados. Das figuras, olho para a esquerda: há duas crianças, uma com luz solar a banhar a sua cabeça e a outra de mão dada com a mãe. Logo a seguir, uma mulher madura segue de calçada com sapatos de tacão alto. Ela tem dificuldade em se movimentar - trocou a comodidade pelo lado de vaidosa que vai à festa. À direita, duas mulheres fotografadas servem para ajudar a identificar aproximadamente a época através dos penteados - meados da década de 1950.
O dia é de festa. Arrisco a que seja em junho, no tempo dos santos populares. A dimensão da rua não me permite reconhecer a localização, pelo que só posso especular. Três pistas: a rua tem um empedrado habitual na cidade, apresenta um perfil horizontal e ao fundo há outra rua que sobe, que podem eliminar algumas dúvidas de localização.
(espólio do filho Daniel Pires)


quinta-feira, 30 de maio de 2019

Bernardino Pires (5)

Na fotografia de Bernardino Pires em cima, vê-se a rua das Flores (Porto) quase até ao final, cheia de edifícios do século XVII em diante. O edifício da esquina com a rua Mouzinho da Silveira ostenta um anúncio que percorreu décadas de exposição - talvez o mais emblemático da cidade: "Vestir Bem e Barato Só Aqui". Só o reclame merecia ser considerado património nacional. Nem vestígios de automóveis, que vieram depois, nem esplanadas com guarda-sois a publicitarem cervejas e gelados, que existem hoje. Felizmente que agora, naquela rua encantadora que já foi de ourives e de ourivesarias, abriu um museu magnífico de arte sacra.

A fotografia tem outro plano, que me interessa explorar, a do muro à saída da estação ferroviária de S. Bento, um balcão para a cidade - para esta parte da cidade. Os dois homens da fotografia parecem desfrutar da paisagem exuberante, mostra da capacidade empreendedora da burguesia da cidade, que se desenvolveu com o comércio marítimo e fluvial ali mais abaixo.

Fardados (militares? taxistas?), talvez estejam apenas a observar algo que decorre mais à frente. Nós não sabemos mas imaginamos uma conversa mais acesa entre dois transeuntes. É um instantâneo que o fotógrafo não deixou perder, embora não nos tenha possibilitado conhecer a história toda.

A fotografia de Bernardino Pires em baixo também tem um pequeno muro como referência. Mas, ao contrário da anterior, em que o olhar dos homens fardados se virava para o exterior, a conversa entre namorados é para dentro. Possivelmente, estão a preparar o futuro do casal. Eles são jovens, elegantes e bem vestidos, ele com anéis nos dedos e ela com brincos (argolas), e bem penteados. Seria um passeio de domingo à tarde, com tempo para falar. Em dia quente, a conferir pela blusa e sapatos da rapariga. Um pormenor: o chão está sujo, pois um dos sapatos da jovem tem algo pegado ao tacão (papel? folha de árvore?).

O muro está colocado junto a um vale, pelo declive do fundo da imagem, se calhar um caminho onde corre o rio Douro (junto às Fontainhas). A rapariga ao lado, igualmente bem vestida, observa a paisagem, como os homens fardados da outra fotografia, a olhar para fora. A escarpa em frente não tem muitas árvores, talvez acácias e eucaliptos. O fundo da imagem tem um elemento estranho que não consegui interpretar - um drapeado. Não me parece ser um pano para toldo colocado em dia de festa. Ou, então, foi simplesmente uma falha no negativo.



quarta-feira, 29 de maio de 2019

Bernardino Pires (4)

A série de hoje de fotografias de Bernardino Pires mostra dois quadros: um fixo e outro em movimento. O fixo é o da vendedeira e do homem a dormitar. De vendedeira diz-se de quem trabalha num mercado de abastecimento de géneros alimentares (Ciberdúvidas). O quadro em movimento é o das pessoas que passam naquele espaço.

A mulher que vende já é velha, com rosto de sofrimento e olhar focado no vazio. As mãos, pousadas no regaço, parecem inchadas por doença. Veste um xaile, a indicar temperatura menos amena. Nos pés, parece que usa uns tamancos de madeira. O cesto à sua frente está vazio ou quase. Não sei se ela vendia alhos ou batatas; eu gostaria que fosse algo mais agradável como figos. O cesto atrás está mais cheio mas não adivinho o conteúdo.

Do homem, há menos detalhes, pois ele está escondido sob o casaco. Certamente a dormitar ou porque quis evitar o contacto visual com o fotógrafo. Mas, no casal, os sinais de pobreza são claros. Duas janelas em prédio ao fundo da arcada estão muito destruídas e sem vidros. Efabulo: seriam vendedores de alhos ou batatas de Gondomar? Ou da Maia?

Nas outras duas fotografias visualizam-se uma mulher de avental com um bebé ao colo e uma jovem com uma mala a lembrar uma lancheira, esta em passo mais rápido que aquela. O homem continua dobrado sobre si mesmo, a indicar estar a dormitar e não a evitar o fotógrafo. Este teria tirado as três imagens como instantes do quotidiano, quase a lembrar um filme, embora na terceira imagem ele se tenha deslocado para a sua esquerda (já sem se vislumbrar as janelas ao fundo da arcada).

O local é o de arcada da Ribeira (Porto), perto da ponte D. Luís I. Bernardino Pires fez muitas fotografias naquela área. O Barredo, o bairro por detrás da arcada, é muito antigo. Na época das imagens, as lojas em frente ao rio eram mais armazéns onde se guardavam legumes secos, como feijões, azeitonas e outros bens. Ainda havia tráfego fluvial - barcos e batelões acostavam; na outra margem do rio, a azáfama comercial envolvia barcos rabelos com vinho fino oriundo da Régua e chamado vinho do Porto. Um pouco acima do local fotografado, transitários e empresas marítimas ainda animavam muito a zona. A população local estava envolvida em pequenos ofícios, de carregador a trolha (pedreiro) e a empregado de loja de ferragens, que existiam pela rua de Mouzinho da Silveira acima. Na década de 1960, a zona da Ribeira entrou em decadência, com a mudança do peso do porto fluvial para o porto de Leixões (Matosinhos), a permitir a atracagem de navios de maior calado. Os transitários saíram todos para Matosinhos e Perafita (terminal de contentores). No final da década de 1970, houve renovação predial mas muitos dos moradores locais seriam colocados noutras zonas do Porto, alterando as características locais, hoje um grande espaço de restaurantes e alojamento local para turistas internacionais chegados em voos de baixo preço.




terça-feira, 28 de maio de 2019

Bernardino Pires (3)

Bernardino Pires fotografou a loja de fruta no rés-do-chão e o primeiro andar habitado com floreiras e um pequeno santuário, além da varanda de ferro a toda a largura do prédio. Concentrou ainda a sua atenção no rapazinho que seguia pela rua dos Caldeireiros a atravessar a travessa do Ferraz, não muito longe da então prisão ao Campo dos Mártires da Pátria (onde estivera preso Camilo Castelo Branco).

O rapazinho preenche uma parte da fotografia do lado esquerdo. Vê-se que está afoito na rua, conhece-a bem. De calções, blusa aberta e uma mão atrás das costas, olha para o lado no momento em que desce do passeio. Quantos anos teria ele? Quatro? Cinco? Vai fazer um recado? Ou vai ter com um companheiro para uma brincadeira? Na mão esquerda ele transporta um objeto mas eu não consigo perceber o que é.

Volto ao edifício e ao exterior. No primeiro andar, percebe-se que o prédio tem azulejos a revestir o seu exterior, com um desenho de figura circular, a aparentar uma boa construção. A luz solar desce forte pela rua e obscurece a parede visível da travessa do Ferraz. Pela minha leitura, passaria pouco tempo depois do meio-dia. Assim, talvez o rapazinho tivesse chegado de uma brincadeira no jardim do Campo dos Mártires da Pátria, o Jardim da Cordoaria (de João Chagas) e a preparar-se para almoçar.

[na foto a seguir, a imagem do local obtida através do Google Maps. As comparações entre as duas imagens deixo-as a quem ler esta mensagem]



segunda-feira, 27 de maio de 2019

Bernardino Pires (2)

Claude Monet pintou a catedral de Rouen em diversas horas do dia, de modo a obter diferentes impressões de cor. Na fotografia, Bernardino Pires usou um princípio próximo - o da usura do tempo num espaço.

Das imagens já publicadas pelo filho, Daniel Pires, há duas séries retratando mulheres: na estação ferroviária de S. Bento e nas arcadas da Ribeira do Porto. Fico-me pela primeira série. Na fotografia inicial, duas mulheres ainda jovens conversam. Muito serena, a mulher à direita parece estar a confessar um pormenor mais íntimo da sua vida - talvez a pedir um conselho à outra mulher. Elas estão sentadas junto a um pilar da entrada da estação e o fotógrafo indica-nos um pormenor, a do sítio onde elas se sentam: cestos fortes de verga onde transportam certamente produtos domésticos ou alimentares. Mas o maior enquadramento vai para a imagem de azulejos da estação. Uma análise superficial pareceria indicar que a atividade das mulheres se ligaria ao rio ou ao mar, mas a estação ferroviária não é rota para qualquer das áreas, exceto numa zona longínqua, a de Viana do Castelo. Olhando melhor a imagem de azulejos, vejo dois motivos: transporte de pessoas, com um guarda-chuva a despontar, transporte de mercadorias de praia ou de encosta com uma parelha de bois a ajudar a transferência desses bens. O vestuário das mulheres pode configurar esta minha hipótese. À falta de melhor descrição chamo-as de minhotas: o lenço, o avental, as cores percecionadas da roupa.

Não tenho ainda informação sobre o modo como Bernardino Pires fotografava: com tripé? Com que tipo de máquina? Portátil? A fotografar de modo discreto ou quase clandestino? Qual a diferença entre o que ele queria fotografar e o que aparece na imagem?

A segunda fotografia alarga o ângulo de visão. Uma das mulheres, a que parecia estar a confidenciar, está de pé, e veem-se duas outras mulheres que parecem fazer parte do mesmo grupo, dadas as semelhanças de vestuário, além de uma criança. A imagem revela-nos que estão no átrio da estação mesmo junto à porta de entrada para a gare dos comboios. Talvez a hora de partida esteja a aproximar-se e a mulher levantou-se.

Na terceira imagem, duas das mulheres e criança desaparecem de cena, a indicar movimento para o comboio ou saída para obter informações sobre horários. A fotografia revela um pormenor delicioso. A mulher a vestir roupa menos tradicional abaixa-se e pega num garrafão: vinho? azeite? O comboio deve estar pronto a partir, pois se observa movimento na entrada para a gare. Nas duas últimas fotografias, à entrada da gare, está um polícia no mesmo sítio, o que pode indicar que as fotografias teriam sido feitas quase umas atrás das outras, como se fossem instantâneos.

Por conseguinte, a decisão de fotografar é imediata, mas o fotógrafo não perde de vista os seus objetivos principais: o painel de azulejos e as mulheres em viagem. A conversa, a espera e o momento de partida estão bem patenteadas nas imagens. O comboio que não se vê poderia ser um movido por uma máquina a carvão (a vapor), como outras fotografias de Bernardino Pires mostram.

Desta análise, ficou-me uma pergunta: e os homens onde estão? Pela divisão social de tarefas existente à época, a atividade exercida pelas mulheres era doméstica - compras. Ou uma outra hipótese: visita a um familiar doente ou internado no hospital.

Mas há um tempo sereno de espera, sinal que hoje não encontraríamos: a estação de S. Bento, no Porto, como a do Rossio, em Lisboa, é (são) porta(s) de acesso a uma população flutuante e diária entre emprego na cidade e habitação nos subúrbios urbanos. O vestuário à minhota e os cestos de verga fazem parte da história de há sessenta setenta anos. A fotografia é um meio privilegiado de se estudar uma sociedade e um cultura. Bernardino Pires foi um bom observador dos costumes, combinando tempo e espaço com harmonia. Julgo, assim, muito útil contribuir para a divulgação de uma obra que não é mero trabalho de amador.




domingo, 26 de maio de 2019

Bernardino Pires (1)

[interrompo o longo silêncio e quebro por dias o fim do blogue. Uma razão: a escrita de alguns textos sobre um fotógrafo que estou a descobrir, embora já tivesse falado dele aqui: Bernardino Pires]

O que se segue é um começo de ensaio sobre Bernardino Pires (1904-1977), ilustrador e desenhador gráfico na área da publicidade, tendo trabalhado para grandes empresas como a Ciba-Geyge (atual Novartis), de produtos farmacêuticos e para agricultura [enquanto tentativa, o presente texto pode ser alterado no sentido de melhorar as interpretações que se seguem].

Apaixonado pela fotografia, participou em concursos patrocinados pela Associação Fotográfica do Porto, a título individual e integrado em grupo restrito de amigos – Tertúlia Fotográfica "4+" –, ganhando variados prémios. A época de maior atividade fotográfica foi durante as décadas de 1950 e 1960. As imagens abaixo cobrem este período, sem se poder datar com maior rigor tal produção, e refletem a realidade do Porto e seus arredores. O espólio fotográfico de Bernardino Pires inclui negativos 6x6, 35mm, filmes, diapositivos e amplicópias.

Das imagens já disponibilizadas no Facebook por Daniel Pires, a quem agradeço toda a informação prestada e permissão para escrever sobre o pai, destaco algumas. Ainda sem um grande apuro estético, eu identifico as imagens como pertencentes ao estilo neorrealista. Várias fotografias representam espaços de trabalho artesanal, como agricultura e venda de peixe e de legumes. Lazer ou compromisso social são fornecidos em outras imagens. No conjunto, há ainda imagens consideradas mais artísticas, como o nevoeiro a encobrir a ponte D. Maria Pia (Porto).

O movimento da mulher que transporta o saco à cabeça retirado da carroça junto à ria (de Aveiro, julgo) mostra-nos uma pessoa ágil e decidida, a deslocar-se rapidamente e em equilíbrio. O ligeiro desfocar da figura feminina ilustra essa velocidade. A imagem não nos revela o rosto, apesar dos óculos, mas podemos concluir que o esforço denota uma tarefa de rotina. Olho ainda os pés descalços, marcador de uma época.

"Grupo de amigos" mostra um conjunto de cinco crianças em redor, que convergem a sua atenção compenetrada para o mais velho, vestido com casaco, à direita, a mostrar um objeto - que não consigo identificar. As crianças estão descalças e o local parece-me junto à Ribeira (Porto), dado existir uma outra fotografia em local parecido - venda de legumes. A análise ao vestuário das crianças daria um ensaio. A fotografia remete para a obra cinematográfica de Manoel de Oliveira, Aniki-Bóbó (1942).

Bernardino Pires parece, por vezes, um fotógrafo tímido, pois as cenas são captadas por detrás. Talvez não quisesse perturbar os acontecimentos com a sua presença mas ficar-se no lado mais antropológico, como a imagem de homens montados em bicicleta. Eles estão em pausa e a escutar algo. Não nos são dadas muitas pistas mas vislumbra-se um homem ao fundo e voltado para os ciclistas. Distribuição de tarefas de trabalho? Escuta de relato de futebol no rádio (telefonia) em dia de domingo? A reunião iniciou-se sob a sombra de árvore mas o número de homens cresceu além da proteção daquela. Diversos indivíduos usam boinas. Na bagageira de algumas máquinas há embrulhos, talvez um lanche ou encomenda a entregar. Uma nota: as bainhas estão protegidas com molas, para evitar rasgões das calças junto dos pedais. Acrescento: à esquerda está um militar, à direita uma criança.

Menos habitualmente, o fotógrafo remeteu-nos para um universo mais abstrato mas sem descuidar o labor. Um exemplo desta modalidade é "Bicicleta", composição simétrica com troncos de madeira, certamente guardados em armazém. Cada tronco é um ponto branco de diferente tamanho. A bicicleta, a pá e as roupas constituem elementos suplementares de composição. Apesar de ser uma imagem a preto e branco, há cores distintas em cada um desses objetos.




segunda-feira, 2 de abril de 2018

Exposição fotográfica "Trago em Mim Todas as Feridas"

Obra coletiva de fotografia composta de conjunto de imagens realizadas durante ação de formação de Narrativas fotográficas em laboratório a preto e branco, promovido pelo Movimento de Expressão Fotográfica. Partiu da análise da obra Nuez, livro feito de poemas (Rui Baião) e de fotografias (Paulo Nozolino). Segundo a organização do evento, "as narrativas presentes são reflexo da viagem de cada uma das autoras na busca de uma identidade própria, que em algum momento se cruzaram com o trabalho do fotógrafo".

Dos ensaios fotográficos resultou um conjunto de 43 imagens de sete autoras. 7 de abril, 15:30-22:00, no Espaço MEF, Palácio de Laguares, rua Professor Sousa da Câmara, 156, Lisboa.


terça-feira, 2 de maio de 2017

Exposição de fotografias de moda

Até 30 de maio, o Instituto Português de Fotografia (rua da Ilha Terceira, 31A, Lisboa) promove uma exposição de fotografias de moda com trabalhos de 33 formandos. Para além da teoria, o curso profissional do Instituto Português de Fotografia promove a vertente prática. À próxima geração de fotógrafos de moda foram proporcionadas condições para atuarem de forma semelhante à realidade do mercado de trabalho. Para além do estúdio, tiveram acesso a agências, modelos profissionais e maquilhadora. Os formandos desenvolveram o conceito de cada sessão e responsáveis pela escolha dos cenários, guarda-roupa, adereços, iluminação e direção de modelos. Um misto de experimentação, conhecimentos e imaginação dos alunos André Peixinho, Ana Silva, António Abreu, António Góis, António Santos, Beatriz Rato, Bruno Rato, Carlota Fonseca, Cláudia Sousa, Daniela Alves, Diogo Pimenta, Duarte Martins, Filipa Rodrigues, Francisco Soares, Inês Lima, Inês Rodrigues, Jorge Almeida, Lília Lobão, Madalena Pereira, Mafalda Azevedo, Mafalda Gomes, Maria Neto, Miguel Florindo, Patrícia Carrascalão, Paulo Velosa, Pedro Madeira, Pedro Santos, Rita Pires, Rita Ricardo, Roberto Moura, Salomé Reis, Sara Sousa e Tiago Torrão. A exposição reflete a inspiração em trabalhos de Newton, Avedon, Lindbergh, Penn, Roversi e Bourdin, nomes que inspiram diferentes gerações de fotógrafos de todo o mundo. Horário: 9:30-13:30, 14:30-18:30 e 19:30-23:00 de segunda-feira a sexta-feira. Sábados, 9:30-13:00. Entrada livre (texto e imagem da entidade organizadora).

sexta-feira, 17 de março de 2017

Exposição do Instituto Português de Fotografia


O Instituto Português de Fotografia promove uma mostra de fotografias de oito finalistas do Curso Profissional de 2016: Angélica Moutinho [na imagem: Parte de Mim], Filipa Bernardo, Helena Amaral, José Carvalho, Luísa Neves, Margarida Góis, Margarida Macedo Basto e Rui Mourisca. Os trabalhos a refletirem um processo visual de reflexão, exploração e interação de espaços e da figura humana, onde se erguem fronteiras de contextualização social, cultural e económica.

A iniciativa decorre na Fábrica Braço de Prata (Lisboa), de ontem a 9 de abril (18:00-2:00, às quartas-feiras e quintas-feiras; 18:00-4:00, às sextas-feiras e sábados). Entrada gratuita.

sábado, 11 de março de 2017

Fotografias de Alfredo Cunha em exposição


São quatro décadas de trabalhos fotográficos de Alfredo Cunha expostos na Cordoaria Nacional (Lisboa) - Tempo Depois do Tempo. Na folha da exposição, Maria do Carmo Serén explica que o tempo na exposição surge repartido por decénios, em que o fotógrafo deixou imagens relativas a questões internacionais e nacionais, quase momentos decisivos de guerras, catástrofes, intervenções policiais. Em Portugal, no Iraque, no Nepal, em Moçambique ou Guiné-Bissau.

As imagens refletem valores. Do fotógrafo, que acredita na humanidade e na superação de dificuldades, como as vítimas de um terramoto, que se deixam fotografar de frente. Numa delas, uma rapariga assoma à janela da casa, quando todo o resto é destruição. O olhar do fotógrafo é, com muita frequência, duro, ao colocar no centro da sua objetiva, os desapossados ou marginais da sociedade. Por isso, do lado dos fotografados, verifico uma regular presença com dignidade, mesmo que a situação seja medonha. Recordo a imagem de um rapazinho, do lado direito da imagem, quando o resto é ocupado por polícias de choque em ação num bairro problemático. E da imagem de retornados pós-1974, caso de uma de Angola, com uma mulher atarantada, que perdera todos os seus bens e estava ali à procura de embarque para Portugal, com as crianças ao seu lado.

Uma das salas é reservada a retratos de figuras políticas e culturais desta longa e aventurosa carreira de Alfredo Cunha. Na minha retina ficaram as fotografias de Mário Soares, sentado à secretária do poder com o pé fora do sapato, do rosto rugoso (quase brumoso) de Vasco Gonçalves, e da bonita imagem da pintora Graça Morais. E, das imagens dos militares de 25 de abril de 1974, a de Salgueiro Maia, de espingarda na mão, a olhar levemente de lado para o fotógrafo.

Chamo, de novo, a atenção para a folha da exposição, de autoria de Maria do Carmo Serén, para a informação sobre as obras de Alfredo Cunha. Ela explica, embora seja melhor ver a exposição, as mudanças sociais que as fotografias testemunham. O exemplo pode ser Portugal: da feira de gado e da procissão no rio à exuberância da nova cultura urbana. Concluo: se fossem vivos e visitassem a exposição, muito gostaria de ler o que Roland Barthes e Eric Hobsbawm teriam para escrever.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Polaroid Park


Depois de exposições coletivas na Fábrica Braço de Prata em Lisboa, AMAC no Barreiro, Casa da Cultura de Beja, Casa da Zorra em Évora e UFCA em Algeciras, o Polaroid Park instala-se agora na Casa da Avenida em Setúbal. 28 fotógrafos partilhando o seu interesse pela fotografia em polaroid apresentam um conjunto de projetos individuais. Bem vindos ao POLAROID PARK (informação da entidade promotora).

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Venda de fotografias de autor

xS Print'S market é uma pequena venda semestral de fotografias de autor, incluindo provas de trabalho, séries limitadas e impressões únicas, com a particularidade das imagens comercializadas terem preços de venda a público acessíveis, entre os 10 e os 100 euros. Este mercado é uma excelente oportunidade de aquisição de pequenas obras artísticas, diretamente aos seus criadores, a auxiliar a viabilização de futuros projetos de cada um dos autores. Iniciativa criada no seio do projeto da EIF(E) - Escola Informal de Fotografia (do Espetáculo), que desde 2014 têm desenvolvido uma parceria com a Companhia Olga Roriz. Com a participação, nesta primeira edição, dos fotógrafos Arlindo Pinto, Magda e Domingos, Fernando Alves, Jose Zyberchema, Elisabeth Alvarez, Paula Arinto, Francisco Varela e Susana Paiva (informação da organização). Dia 3 de dezembro, das 15:00 às 20:00, no Palácio Pancas Palha, rua de Santa Apolónia, 12-16, Travessa do Recolhimento Lázaro Leitão, 1 (Lisboa). Ver mais aqui. O LabX Laboratório Experimental de Fotografia é um projeto de formação contínua, assente na pesquisa e experimentação fotográfica, coordenada pela fotógrafa Susana Paiva.


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Alexandra Hedison expõe no Centro Cultural de Cascais

A exposição Everybody Knows This is Nowhere, da artista norte-americana Alexandra Hedison, estará patente no Centro Cultural de Cascais de 7 de Outubro de 2016 a 8 de Janeiro de 2017.


[Untitled #5 (Nowhere)]

Alexandra Hedison é muito conhecida do público em geral pelo seu trabalho na área da representação na televisão e cinema, mas a exposição a decorrer em Cascais, dentro da programação contemporânea que o Centro Cultural tem vindo a desenvolver, representa o trabalho de fotografia documental sobre a ideia de narrativa mutável - reflexo da história pessoal da artista, da sua memória e da própria essência, tempo e mutabilidade de um lugar (informação e imagem fornecidas pela entidade organizadora).



terça-feira, 6 de setembro de 2016

Velhos no porto de Santa Cruz


De repente, lembrei-me de Edward Hopper (1882-1967). Mas o Instagram altera cores e linhas de perspetiva. [P. S.]

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Da fotografia ao azulejo

Da Fotografia ao Azulejo é uma exposição temporária que se pode visitar no museu Soares dos Reis (Porto). O tema é o azulejo enquanto decoração de espaços públicos e privados desde o século XVII em Portugal. Fachadas de edifícios de casas das cidades, mercados, instalações fabris e estações ferroviárias contam-se entre as que têm azulejos como elementos decorativos. Em muitas situações, os azulejos contam histórias ou são representações da paisagem, da sociedade e de momentos de trabalho. Lisboa, Porto (Vila Nova de Gaia) e Aveiro foram os centros fabris de trabalho do azulejo.

A exposição, para além de um grande repositório de imagens de locais onde ainda se veem os azulejos, mostra a maneira como artesãos e artistas pintam os azulejos a partir de modelos, nomeadamente fotografias. As fontes gráficas incluem livros, revistas e postais. Fotografias de Joshua Benoliel e de fotógrafos locais são empregues. Estas imagens trazem associadas a si a ideia de verdade. No Porto, há edifícios notáveis pelos azulejos, como a estação ferroviária de S. Bento e igrejas dos Congregados e de Santo Ildefonso, todos de autoria do pintor Jorge Colaço, produzidos em fábricas de Lisboa (Sacavém e Lusitânia). Já os painéis da igreja do Carmo (Porto) foram realizados nas fábricas de Vila Nova de Gaia (Senhor d'Além e Torrinha) [texto a partir do folheto que acompanha a exposição].


sábado, 16 de janeiro de 2016

Nicolás Muller

Nicolás Muller.Obras-Primas, retrospetiva da vida e obra do fotógrafo húngaro Nicolás Muller, patente no Centro Cultural de Cascais, organizada em Portugal pelo Ministério da Educação, Cultura e Desporto do Governo de Espanha e pelo festival PhotoEspanha. A exposição tem curadoria de Chema Conesa e produzida pela Comunidade de Madrid, com 70 fotografias a preto e branco, parte do espólio guardado pela filha de Nicolás, Ana Muller. Fotografias feitas na Hungria, França, Espanha, Portugal e Marrocos. Algumas fotografias foram feitas na zona ribeirinha do Porto.


quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

OPPIA

OPPIA significa Oporto Picture Academy, fica na rua Barão de S. Cosme, 228, no Porto, e abriu ontem com uma exposição de fotografias pinhole, Sol à Sombra, o sonho de Cristiano Pereira, e Os Retratos dos Poetas das Quintas de Leitura, de Patrícia Vieira Campos. Eu fora alertado por texto publicado no jornal Público do dia 28 deste mês, e fiquei a conhecer o projeto que associa fotografias pinhole [ou estenopeica], fotografias à la minute e películas super8, tudo formatos analógicos. Na cave, há espaço para formação, revelação de filmes e uma pequena biblioteca temática. Cristiano Pereira já fez um festival internacional de cinema de super8, no Porto, e passou em diversas universidades europeias com mostras dessas películas.



quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Nicolás Muller.Obras-Primas

Depois de Espanha e França, no âmbito do centenário do nascimento do fotógrafo húngaro Nicolás Muller, a exposição a inaugurar na próxima sexta-feira em Cascais pela Fundação D. Luís I integra a programação da Mostra Espanha 2015, organizada pelo Ministério da Educação, Cultura e Desporto de Espanha e pelo festival PhotoEspanha. A exposição, com curadoria de Chema Conesa e produzida pela Comunidade de Madrid, inclui cerca de 70 fotografias a preto e branco que fazem parte do espólio guardado pela filha de Nicolás, Ana Muller, hoje propriedade do Arquivo Regional da Comunidade de Madrid e, na exposição, organizadas cronologicamente entre 1935 e 1981. Nela, veem-se trabalhos iniciais na Hungria, em que denuncia a situação feudal dos camponeses, às reportagens, livros e retratos realizados em Espanha, onde veio a falecer. Antes de se fixar em Espanha, o fotógrafo passou por França, onde conheceu Brassaï e Robert Capa, e ainda por Portugal, onde permaneceu apenas uns meses e realizou um trabalho sobre a zona ribeirinha do Porto, uma das partes da exposição em Cascais (texto da entidade organizadora da exposição).


Nicolas Muller expo 2013_006 NIV RET. Descarregando Sal. Porto, Portugal, 1939

terça-feira, 17 de novembro de 2015

A fotografia estenopeica em António Campos Leal e a biblioteca de Pacheco Pereira

Hoje, ao final da tarde, António Campos Leal, em A Pequena Galeria, à avenida 24 de julho, 4C, aqui em Lisboa, apresentou o seu livro Luz nos Livros, editado pela Tinta da China. Luz nos Livros foi um projeto de fotografar a biblioteca/arquivo de José Pacheco Pereira usando a técnica fotográfica conhecida por estenopeica (pinhole, em inglês), processo elementar da formação da imagem. Para o fotógrafo, "o desafio foi encontrar essa relação entre a luz do pensamento e a luz que incidia nas suas superfícies, percorrendo livros, estantes, papéis, objetos e mesas".

O livro, um belo objeto estético, inclui um texto de José Pacheco Pereira. Nas paredes da galeria, está uma exposição de Luís Pereira [em baixo, vídeo com parte da intervenção do autor. A captação de imagem e som foi feita através de telemóvel, de onde algumas deficiências no som].


terça-feira, 13 de outubro de 2015

Código Postal: A2053N

Código Postal: A2053N é o trabalho fotográfico de Pepe Brix que documenta a vida a bordo dos bacalhoeiros portugueses, que ano após ano seguem viagem para os Grandes Bancos da Terra Nova em busca do Bacalhau. Publicado na edição de fevereiro da revista National Geographic Portugal, o trabalho está agora a percorrer as galerias do país e chega a Lisboa, ao Time Out Market (Mercado da Ribeira), com exposição a inaugurar em 15 de outubro, pelas 21:30. Pode ser vista até 15 de novembro. É apresentada como homenagem aos últimos heróis portugueses da pesca do bacalhau (informação da organização).