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sexta-feira, 13 de abril de 2018

A rádio na Seara Nova

O portal Revistas de Ideias e Cultura (RIC), dirigido por Luís Andrade e desenvolvido pelo Seminário de História das Ideias (SLHI), do Centro de Humanidades da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, em parceria com a Biblioteca Nacional e a Fundação Mário Soares, tem resgatado muitas revistas em papel tornadas agora digitais, como A Sementeira (1908-1919), Germinal (1916-1917),  suplemento de A Batalha (1923-1927), Renovação (1925-1926), A Águia, Seara Nova ou Atlântida.

Para este texto, parti de notícia editada no jornal Público. Aí, o jornalista Luís Miguel Queirós citou o responsável pelo portal: "«Enquanto os jornais fizeram a política, as revistas criaram a cultura com que o século passado interpretou e sentiu o mundo», diz Luís Andrade, recordando que quase tudo o que Fernando Pessoa publicou em vida saiu nestas publicações periódicas, e que foi também nelas que António Sérgio começou por divulgar os seus ensaios". A pesquisa pode fazer-se a partir de critérios como índice de autores, conceitos, assuntos, obras citadas ou nomes geográficos.

Procurei a revista Seara Nova e os textos publicados sobre rádio. Descobri 15, quatro dos quais de A. E. da Silva Neves, de 1938. Escolhi o editado em 18 de junho de 1938 (As Intimidades da Rádio). Em época em que o mundo estava mergulhado nas atrocidades da II Guerra Mundial e Portugal tinha uma ditadura que iria durar muitas décadas, parecia que a rádio não era um objeto de inovação e da civilização, dados os problemas que se levantavam: a rádio como meio de interesses económicos ou opiniões pessoais, a rádio em perigo de se tornar monopólio e dos que sonham em obter glória através dela. A. E. da Silva Neves questionava as taxas pagas por recetor e os dirigentes das estações que não suportavam críticas à programação, mas apelava também aos críticos que condenavam levianamente a ação artística e mental das estações. O colaborador da Seara Nova apresentava-se no seu primeiro texto como alguém a contribuir para a formação da opinião pública construtiva.


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

ALMA NOVA (1915-1918)

Na sua 2.ª série, a Alma Nova, (nascida em Faro, em 1914), tinha já escritório em Lisboa. Deixara de se auto-intitular "revista ilustrada de propaganda algarvia" para ser simplesmente "revista ilustrada" e, pouco depois, "revista mensal ilustrada pelo ressurgimento das Artes, Letras, Ciências e da Pátria". Não perdeu de imediato o seu pendor regionalista, expresso num programa que visava "zelar pelos interesses geraes do paiz e promover a propaganda de todas as suas regiões, sob o ponto de vista industrial, comercial e do Turismo".

No primeiro número da série, o Algarve merece destaque na cobertura do Congresso Regional Algarvio e em artigos de natureza etnográfica e toponímica. Ao seu fundador, Mateus Martins Moreno, juntam-se António Júdice Bustorff e Saavedra Machado (respectivamente como co-director e director artístico), e ao corpo original de colaboradores, maioritariamente ligados ao Algarve, por nascimento ou actividade profissional, vieram juntar-se nomes proeminentes do modernismo literário e artístico português. Ver mais aqui.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

TRAJECTOS Nº 16

O número 16 da revista Trajectos (correspondente à Primavera de 2010), dirigido por José Rebelo, tem como tema de capa "Arte e Política". Dentro, e neste dossiê, há textos de Muniz Sodré ("Arte e Estetização da Política"), João Teixeira Lopes ("A Recepção é a Arma do Povo?"), Isabel Sabino ("Rosas em Janeiro: Algumas Notas sobre Arte Política e Colectivismo"), Luísa Cardoso ("Arte e Política na URSS: Visões dos Dois Lados do Muro"), Vítor Sérgio Ferreira ("Cenas Juvenis, Políticas de Resistência e Artes de Existência"), Alexandre Melo ("A Propósito do Mecenato: o Lugar da Cultura na Política no Século XXI") e José Soares Neves ("Políticas Culturais Locais e Financiamento da Cultura: Crescimento e Planeamento").

Fora do tema de capa, há textos de Porfírio Silva e Javier Bustamante Donas ("Sociedades Humanas, Sociedades Artificiais: Perspectivas da Convergência"), Sara Velez Estêvão ("Design, Comunicação e Novas Tecnologias: uma Leitura de Vilém Flusser"), Óscar Mascarenhas ("O Jornalista de Investigação: uma Espécie de Detective e Historiador ao Serviço da Verdade dos Factos para lá dos Testemunhos", Antónia do Carmo Barriga ("A Emergência de um Subcampo: Tentativa de Conceptualização da Actividade do Colunista") e João Carlos Alvim ("O Homem no seu Deserto: Exercício de Ficção Científica", além de leituras de livros recentemente editados.

terça-feira, 13 de julho de 2010

CUORE

A revista é implacável, não poupando as vedetas e estrelas de cinema, música, moda e desporto. A capa demonstra essa atitude: compara a imagem das estrelas femininas antes e depois do Photoshop, o programa que apaga rugas e veias (Madonna, 51 anos) e coloca cintura mais fina e retoca joelhos (Demi Moore, 47 anos), retira rugas (Nicole Kidman, 43 anos). Mas também Kate Moss (36 anos), Heidi Klum (37 anos) e outras.

Textos-comentários: "sofisticada - para mostrar uma silhueta de meter inveja, nada melhor do que usar o «liquify» nos braços e pernas e subir os ombros e o peito. Com isso e um vestido bonito, qualquer uma pode ser perfeita" (Katie Holmes, 31 anos), "chegamos à conclusão de que o antes e o depois podiam ser fotos de uma mãe e uma filha muito parecidas" (Kate Moss), "A tatuagem desapareceu depois de seleccionar a pele limpa de Megan e de a colar sobre a zona do tattoo" (Megan Fox, 24 anos), "Uma boa postura pode fazer uma boa foto. Acrescentar sombras para definir linhas é só um extra" (Heidi Klum), "Evidentemente, a actriz não tem um tom de pele dourado. Isto consegue-se ao saturar os tons amarelos. No cabelo, «máscara de nitidez»" (Charlize Theron, 34 anos).

Podia continuar a escrever o que se lê na revista. Mas chega o título - Especial Retoques. O Photoshop engana... e muito - e o texto de apresentação: "Quando as celebridades saem nas capas das revistas ou nos cartazes de cinema, parecem divinas. Aqui está o verdadeiro segredo da beleza delas". Na capa já se antecipa o gozo: "Não percas as celebs que usam Photoshop (R) para melhorar o próprio aspecto. Assim, qualquer uma é gira".

Quanto às actrizes de Sexo e a Cidade, a revista atinge o sarcasmo: sobre Cynthia Nixon (44 anos), lê-se "À Miranda limparam-lhe o duplo queixo e, ao fazer isso, deixaram-lhe um pescoço enorme e nada real. A verdade é que parece uma girafa"; de Sarah J. Parker (45 anos) "A actriz está muito magra e assim vêem-se-lhe muito os ossos... No cartaz do filme, tanto a cara como o rosto são perfeitos. E até tem curvas! Que mentira"; de Kim Catrall (53 anos) "Para se ver livre das rugas nos olhos, primeiro tem que jogar com os «níveis» e depois desfocar a superfície. Assim até ficam com menos rugas do que indo à faca"; e de Kristin Davis (45 anos) "Repararam que no cartaz a Charlotte tem sombras debaixo do decote? O efeito óptico é espectacular, porque aumenta dois tamanhos de soutien com um só clique".

A revista Cuore foi fundada por Antonio Asensio Pizarro (1947-2001), criador do grupo Zeta. O filho Antonio Asensio Mosbah é o actual presidente do grupo. A revista tem redacção central em Madrid; o director em Portugal é Álvaro García.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

REVISTAS EM FORMAT IPAD

As publicações Condé Nast anunciaram ontem a edição da revista Wired em formato iPad. Outros títulos da mesma empresa editora, como Vanity Fair e GQ serão igualmente distribuídas em formato iPad. Neste novo formato há adaptações e reimaginação. Ler a notícia completa aqui. Isto num momento em que se anuncia que a Apple ultrapassa a Microsoft como a mais valiosa empresa de tecnologia, a ler aqui.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

OS MEUS LIVROS

A edição de Maio, que traduz o regresso da revista Os Meus Livros, traz duas entrevistas, a Pedro Tamen (poeta, tradutor e antigo editor e administrador da Gulbenkian) e Jorge Silva (director de arte da Leya), fala da reabertura da livraria Buchholz e das redes sociais e o seu papel na divulgação de livros.

domingo, 25 de abril de 2010

JORNAL 57

Em texto publicado no número 41 da revista Jornalismo e Jornalistas (já aqui referida), Álvaro Costa de Matos escreve sobre O jornal 57 e o Movimento de Cultura Portuguesa: história & memória. Contextualiza o aparecimento do jornal 57: lançado no importante ano de 1957, época em que, apesar da ditadura política, se assistiu a uma forte viragem em parte proporcionada pelo Diário Ilustrado e pela consolidação de revistas e jornais, casos da Vértice (1942-), do Globo (1943-1959), do Panorama (1941-1959), de O Tempo e o Modo (1961-1977), da Revista Filosófica (1951-1958) e de Filosofia (1954-1961).


O jornal 57 editou 11 números, com média de 3 a 4 números por ano, o que revela uma certa irregularidade. Dirigido por António Quadros, contou com a colaboração de outras figuras importantes do pensamento da época, como Orlando Vitorino, Afonso Cautela, Luís Zuzarte, Francisco Sottomayor, Ernesto Palma, Azinhal Abelho, Alfredo Margarido e Ana Hatherly. À colaboração literária juntou-se uma menor colaboração plástica, dada a assunção do texto em detrimento da imagem: Jorge Costa, Santiago Areal, Vieira da Silva e António Botelho.

No jornal 57, António Quadros assumiu o lugar de maior destaque, com textos sobre filosofia da história, estética e arte, existencialismo, ensino, cultura e ciência, dança e cinema, além de recensões e crítica literária. O programa filosófico e cultural do jornal era a filosofia portuguesa, como a conferida por Sampaio Bruno e Leonardo Coimbra, a necessidade dos "novos" assumirem a potencialidade criadora no sentido de um destino e missão como a que Camões, Guerra Junqueiro, Teixeira Pascoaes e Fernando Pessoa assumiram.

Álvaro Matos considera muito elevado o contributo do jornal 57, em especial o dinamismo e valorização da cultura portuguesa e o contributo dado ao conhecimento e divulgação de pensadores como Hegel, Nietzsche, Freud, Voltaire, Balzac, através de traduções, e da publicação de originais portugueses como Afonso Botelho, Natércia Freire e Agustina Bessa Luís.

Álvaro Matos é coordenador da Hemeroteca Municipal de Lisboa e investigador do Centro de Investigação Media e Jornalismo.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

O REGRESSO DA REVISTA OS MEUS LIVROS

A revista Os Meus Livros vai voltar às bancas já em Maio. Encerrada com a edição de Março deste ano, o título foi adquirido pela CE Livrarias, empresa da Coimbra Editora. O director continua a ser João Morales, a quem saúdo, assim como a editora.

segunda-feira, 15 de março de 2010

ENCERRAMENTO DA REVISTA OS MEUS LIVROS

A revista Os Meus Livros tem em circulação o último número, após cinco anos de existência. Novidades, entrevistas e números temáticos eram razões positivas para a revista. Razões negativas: quebra na publicidade e estagnação de vendas.

sábado, 13 de março de 2010

A ILUSTRAÇÃO NAS REVISTAS

Revistas das décadas de 1910 a 1940 e suas ilustrações é a proposta do livro de Theresa Lobo, professora associada do IADE, Ilustração em Portugal 1910-1940. Ou melhor, a autora escreve sobre os ilustradores que publicam trabalhos em magazines, jornais e cartazes.

Modernidade, capas, moda e ilustradores em publicações como Ilustração Portuguesa, Sempre Fixe, Cinéfilo, Imagem, Presença, Panorama e muitas mais têm aqui uma análise de muito interesse.

Theresa Lobo chama a atenção, por exemplo, para o magazine da década de 1920 como espelho e consciência de um quotidiano vibrante e de euforia pós-guerra. O magazine tornou-se um hábil fabricante de imagens (fotografias, desenhos), com um gosto e uma estética específicos. Portugal, que viveria uma época bastante agitada e controversa, aparece nessas imagens e ilustrações como uma boa representação.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

CAPAS DA VOGUE

Paris Vogue Covers 1920-2009 é um livro-álbum de Sonia Rachline editado pela Thames & Hudson em 2009, traduzido do francês por Ruth Sharman. Sonia Rachline escreve sobre a Vogue francesa há mais de 25 anos e entre outros livros publicou Vogue à la Mer e Vogue en Beauté.

O presente livro, com 122 ilustrações coloridas e 208 páginas abrangendo os 90 anos de vida da revista, tem capítulos versando os seguintes temas: ilustrações famosas; estúdio, teatro e moda; modelos e supermodelos; chapéus; jóias de Natal; Paris; star system; grandes cartazes; e moda e espectáculo. A revista americana iniciou a sua actividade em 1909, quando Condé Nast, um aficcionado dos media e da imprensa, comprou uma publicação falida, dirigida a mulheres de classe alta de Nova Iorque, mas com pouco dinheiro e leitoras. A estratégia de desenvolvimento de Nast foi centrar a Vogue mais no mercado e menos nas audiências de massa, procurando a qualidade e não a quantidade. Dirigiu-se ao público de rendimentos mais elevados através de campanhas sedutoras de publicidade.

Na introdução, escreve a autora que a capa de uma revista tem um estatuto distinto do resto da publicação. Ao contrário das outras páginas, continua Sonia Rachline, a capa é um trabalho colectivo que inclui ilustrador, designer gráfico, fotógrafo, modelo, editor ou ainda outro tipo de colaborador. Mas apenas a publicação tem os direitos de autor.

A Vogue tornar-se-ia uma espécie de íman, com capas feitas por ilustradores e fotógrafos famosos, tendências que transferiu para a edição francesa, saída em 1920 e agora em análise por Sonia Rachline. Ao longo de décadas, as capas reflectiram de muito perto as principais correntes artísticas, em termos de alta costura e estilos de vida, e ícones de uma sociedade específica. Já em finais da década de 1940, a revista adaptou-se a uma nova época (pós-Segunda Guerra Mundial), mas as capas mantiveram os valores e a estética que são a sua imagem de marca, mostrando a sociedade de consumo e o pronto-a-vestir da década de 1950, a emancipação  da mulher na década seguinte, a emergência de moda internacional nos anos de 1980, o culto das celebridades na década de 1990.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

REVISTAS DE JORNALISMO E MEDIA



O número de Outono de 2009 dos Cahiers du Journalisme (nº 20) é dedicado à economia do jornalismo e resulta de uma jornada de estudo na Maison des Sciences de l'Homme Paris-nord em Julho de 2008 no quadro de trabalho do REJ (Réseau d'Études sur le Journalisme). A revista, propriedade da École Supérieure de Journalisme de Lille (França) e da Université Laval (Québec, Canadá), tem por objectivo a difusão das investigações e análises das práticas jornalísticas em França e no mundo, num cruzamento de investigadores e produtores da comunicação sobre os principais temas de reflexão actual. O texto de introdução do tema, assinado por Dominique Augey (Université Paul Cézanne, França) e por Franck Rebillard (Université de Lyon), observa que a economia do jornalismo é um território muito menos explorado que a economia dos media e a sociologia do jornalismo. Procura, assim, compreender a socioeconomia das indústrias culturais e mediáticas e o contributo da economia mais tradicional, e associa a economia da informação com a economia dos media. A publicação tem textos, entre outros, de Nathalie Sonnac (novo modelo de negócio da imprensa), Philippe Bouquillion (indústrias culturais e conteúdos), Jean-Marie Charon (estratégias dos grupos de imprensa), Philippe Gestin e outros (produção multi-suporte nos grupos mediáticos franceses), Marie Schweitzer (modelo dos gratuitos), Nikos Smyrnaios (grupos de imprensa americanos na internet), José-Manuel Nobre-Correia (media e União Europeia), Bertrand Cabedoche (obamania à francesa), Gervais Mbarga (retórica do telejornal nos Camarões), Moustapha Samb (media e regulação na África ocidental) e Vinciane Haudebourg (Casa dos Jornalistas).

Também com data do Outono de 2009, e no seu número 15, a revista Trajectos, dirigida por José Rebelo e propriedade do ISCTE, tem como tema de capa a crise. Com um grafismo muito bonito, em especial no interior, a apresentação do responsável da publicação parte da dicotomia virtudes do mercado versus papel do Estado. Cita um estudo apresentado neste número, de Diana Andringa, em que a palavra crise surgiu em 1252 notícias no sítio da RTP, televisão pública, de Novembro de 2007 a Setembro de 2009. A crise, considera, deixa de ser tema de mediatização para se impor por si mesma. Embora de modo não explícito como os Cahiers du Journalisme, a Trajectos combina o trabalho de académicos e jornalistas que seguem agora estudos universitários de doutoramento, caso de Diana Andringa mas igualmente Adelino Gomes. É do trabalho editado por este que quero dedicar algum espaço, dado que escreve sobre o possível (ou não) desaparecimento do jornalismo. Adelino Gomes parte de alguns exemplos publicados sobre a profissão e as pressões que se exercem sobre ela para chegar ao núcleo central do seu texto: os olhares portugueses, ou seja, os dois mais importantes textos publicados em 2009. A saber, os livros dirigidos por Gustavo Cardoso e por José Luís Garcia, o primeiro optimista (redes, produtores de mensagens, audiências) e o segundo pessimista (recomposição socioprofissional dos jornalistas, crise de identidade profissional, emergência de novo paradigma sem contornos precisos, novas lógicas empresariais). É um texto para se ler na totalidade e que não tenho tempo aqui para sintetizar, e que se faz acompanhar por outros textos, como os de Tito Cardoso e Cunha (crise e crítica), Jean-Pierre Dubois (crise do sistema e do político), Miguel Serras Pereira (economia e democracia), João Carlos Alvim (cultura e pessimismo), Viriato Soromenho Marques (crise do futuro), Carlos Vieira de Faria (crise e cidade), Vera França e Elton Antunes (jornalismo em mudança), Fernando Lattman-Weltman (media e política), Manuel Carvalho da Silva (crise e causas) e Diana Andringa (sobre a palavra crise).

quinta-feira, 28 de maio de 2009

REVISTA SOBRE A EUROPA E OS MEDIA

"A Europa e os Media", próximo número da revista Media & Jornalismo, vai ser lançado no dia 3 de Junho, na Universidade Nova de Lisboa (auditório 1), à Avenida de Berna em Lisboa, a partir das 12:00. Teresa de Sousa, Miguel Gaspar, Margarida Marques, Ana Isabel Martins e Sérgio Ribeiro são convidados na apresentação da revista do CIMJ (Centro de Investigação Media e Jornalismo).

domingo, 24 de maio de 2009

A DIRECTORA DA VOGUE EM DOCUMENTÁRIO

Uma das notícias de capa da edição de hoje do Observer é o filme sobre a vida de Anna Wintour, directora da revista Vogue, realizado por R. J. Cutler (The September Issue) e que ganhou o prémio de documentário no festival de Sundance deste ano. Lembro que a lendária fama de directora exigente inspirou o filme O Diabo Veste Prada, com Meryl Streep como principal intérprete.

O sítio The September Issue, onde se pode ver uma parcela do documentário, descreve Anna Wintour, directora da Vogue há 20 anos, como a figura mais poderosa e polarizadora na moda e que corporiza a contradição fascinante de paixão e perfeccionismo reinando sobre um conjunto sempre em renovação de designers, modelos, fotógrafos e editores. O realizador R. J. Cutler acompanhou a produção da edição de nove revistas mensais, antecipando a edição de Setembro, que promete ser a maior de sempre.

Contudo, isso serviu para outra mulher, Grace Codding, se afastar da revista (Anna Wintour, à esquerda, e Grace Coddington, em fotografia de Greg Kessler, no sítio Style.com). Desde o momento em que Cutler mostrou interesse em fazer o documentário que a braço-direito de Wintour se opôs, acabando por sair da Vogue. Ao abandonar a publicação, o filme acabou por se centrar em Grace Codding. Pode dizer-se que as duas se complementavam e mudaram o mundo: Anna Wintour como directora criativa, Grace Codding como estilista de génio, aquela como empresária, esta como artista e artesã, possivelmente a mais importante estilista moderna. A relação entre as duas, que começaram a trabalhar na Vogue no mesmo dia, era fascinante e frutuosa, mas ao mesmo tempo tumultuosa, escreve Amelia Hills no Observer.

O filme será mostrado no festival de Edinburgo em 22 de Junho e exibido nas salas de cinema a partir de 11 de Setembro.

domingo, 29 de março de 2009

CULTURALITE


Culturalite é o tema central do número 6, o mais recente da revista Comunicação & Cultura, da UCP.

No editorial, escreve Catarina Duff Burnay: "«Televisão lite» e «literatura lite» são expressões comummente usadas para designar os produtos das indústrias culturais. [...] O sexto número da revista Comunicação & Cultura, longe de quaisquer preconceitos, propõe-se reflectir sobre o lado lite da vida, através da apresentação de seis artigos que exploram as revistas femininas, o cinema de Hollywood, a televisão e a telenovela, enquanto dispositivos antropologicamente válidos e essenciais para uma análise actualizada do estado da arte das ciências da comunicação e dos estudos de cultura".

Eu acrescentaria: trata-se de um jogo feliz do uso da palavra inglesa light, da sua pronúncia e das possíveis grafias e significados em português: cultura leve e espécie de estádio que quer ser arte mas não tem suficiente categoria para isso, pelo menos segundo os intelectuais. Será cultura de massa, ou cultura pimba? E por que consegue tantas audiências e leitores?

O volume tem textos de Lawrence Grossberg (e uma entrevista a ele), Elisabeth Bronfen, Maria da Graça Setton, Isabel Ferin, Isabel Gil, Jorge Fazenda Lourenço e Miguel-Pedro Quádrio e uma entrevista a Mário Jorge Torres, que é mais um texto de autor que entrevista (o entrevistador foi mais operador de vídeo, como se vê na parcela abaixo).

quarta-feira, 18 de março de 2009

REVISTA DE ARGUMENTISTAS E DRAMATURGOS


A APAD (Associação Portuguesa de Argumentistas e Dramaturgos) já editou o número 2 da sua revista trimestral dedicada ao cinema e ao teatro (ver aqui).

O tema do número é Empresas de Guionistas, onde se destacam os seguintes textos: entrevistas a Nuno Artur Silva (Produções Fictícias), Adriano Luz (Casa da Criação) e Nuno Bernardo (beActive), directório com as principais empresas de conteúdos, conversa com Alexandre Valente sobre Second Life, dois artigos sobre Robert Mckee (seminário em Lisboa, por Manuel Pureza; livro Story, por Jorge Palinhos), artigo sobre Direitos de Autor e análise a filmes (Ricardo Oliveira e Maria João Cordeiro) e ópera (António Lourenço).

Excerto do editorial:
  • Os argumentistas nunca foram os mesmos, em Portugal, desde meados da décadade 90, quando um grupo de autores decidiu criar uma empresa que coordenassee tornasse viável a produção contínua de guiões. Nasciam as Produções Fictícias (PF). Foi a partir deste ponto de partida que procuramos ouvir alguns protagonistas de uma face mais empresariável dos argumentistas.

terça-feira, 17 de março de 2009

LANÇAMENTO DO LIVRO DE HELENA CORDEIRO

Conforme indicara abaixo, foi apresentado hoje O Papel Principal. Um estudo de caso. As capas da Elle de edição Portuguesa, de Helena Cordeiro (ed. Media XXI). Eu tive muito prazer em fazer a apresentação de um trabalho que foi inicialmente uma dissertação de mestrado que orientei. Além de mim, falou também o editor, Paulo Faustino - e a autora, obviamente.



Parte da minha apresentação do livro:

  • O livro de Helena Cordeiro é sobre a leitura e o consumo de uma revista feminina, a Elle em edição portuguesa. Começa com as seguintes perguntas, na página 21: as capas da Elle veiculam que informação? O que destacam? Que temas principais? E que lugar têm as revistas na vida quotidiana da mulher portuguesa? A estas perguntas inteligentes, a autora deu respostas concretas, como se lê ao longo do livro.

    [...] O Papel Principal, o livro de Helena Cordeiro, não é herdeiro das polémicas em torno do Centre for Contemporary Cultural Studies de Birmingham, mas segue as linhas propostas pelas autoras acima indicadas, como se observa na bibliografia desta obra. No conjunto, Joke Hermes foi a investigadora que Helena Cordeiro seguiu de mais perto. Basta ver o modo como construiu o seu quinto capítulo. Escreve ela, na página 139: "as revistas femininas são tornadas importantes para os seus leitores através da construção de repertórios (fazendo referências a sistemas de significado subliminares) e, consequentemente, contabilizando visões estereotipadas das leitoras".

    Helena Cordeiro fez entrevistas em profundidade com dez mulheres leitoras das glossies, revistas de formato internacional, papel brilhante e preço elevado. Escolheu essas entrevistadas a partir de três variáveis: idade (25 a 40 anos), profissão, classe social/nível de vida (média, média alta). Obviamente, os resultados não são universais, mas representam aqueles estratos. A compreensão dos resultados só pode dar-se através da leitura da totalidade do capítulo. Mas fico-me com a observação que as revistas constituem uma "base de sustentação para os repertórios de conhecimento partilhado" (página 149).

    Além do trabalho de inquérito, na sequência de trabalhos das autoras já identificadas, Helena Cordeiro fez análise de conteúdo às capas e às chamadas na capa. Usou, assim, uma segunda metodologia de investigação, elemento crucial em sociologia. Olhou e interpretou as capas da Elle durante dezassete anos, onde sempre apareceram mulheres bonitas, elegantes e jovens, num evidente estereótipo da realidade. É que as mulheres com que nos cruzamos todos os dias podem não corresponder a esse perfil físico sem deixarem de ser encantadoras. As capas são também do domínio da moda e dos conselhos físicos e higiénicos. Helena Cordeiro conclui com outro tipo: a revista ajuda a alimentar o mito da mulher bela que atingiu a igualdade e a liberdade. Na Elle – e mais noutras revistas –, encontramos mensagens fortes e apelativas da sexualidade. Destaque para outra conclusão: a importância da expectativa confirmada – quando se compra uma revista feminina, sabe-se à partida o que se vai encontrar (página 154). O mesmo se poderia dizer das revistas masculinas, de desportos motorizados, de artes e leilões.

    [...] No começo do livro, Helena Cordeiro apresenta o editorial da primeira edição portuguesa da Elle, de autoria de uma jornalista entretanto desaparecida, Tereza Coelho. Escreveu ela que a Elle "Surgira em França depois da guerra, em Novembro de 1945, pelo entusiasmo e intuição de Hélène Lazareff (o marido, Pierre Lazareff, dirigia nesses tempos o France-Soir). Duas ideias básicas: surpreender a transformação quotidiana do mundo na viragem do século, afirmar a imagem de juventude que domina, cada vez mais, essa transformação" (página 19). Quotidiano em transformação e juventude são palavras chave da revista, então como hoje.

    A estrutura da obra de Helena Cordeiro assenta em três partes, a primeira das quais fala da representação da mulher na imprensa do género, a segunda da revista feminina e a terceira do corpus da revista analisada, a Elle. Fico-me na segunda parte, capítulo três, no qual a autora divide em uso quotidiano dos media, leitura das glossies, tipologias e significados dados às revistas, importância das revistas femininas no quotidiano da mulher e construção de novas realidades.

sábado, 14 de março de 2009

ESTUDO SOBRE REVISTAS FEMININAS

No próximo dia 17 de Março, pelas 18:30 e na Universidade Católica Portuguesa (Sala da Expansão Missionária), vai ser lançado o livro O Papel Principal. Um estudo de caso. As capas da Elle de edição Portuguesa, de Helena Cordeiro, numa edição da Media XXI.

Trata-se de um trabalho que tem como principal objecto o estudo das revistas femininas e o seu impacto nas leitoras. A autora estudou as capas da revista Elle mas também o seu conteúdo. Além disso, entrevistou muitas leitoras, dentro da perspectiva da etnografia.

O vídeo reflecte uma pequena entrevista com a autora.



No livro, Helena Cordeiro escreve sobre a representação da mulher, o corpo feminino nas revistas, a moda, a construção da sexualidade e as glossies (revistas de papel brilhante e com boa impressão gráfica, como a Elle).

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

OS MEUS LIVROS

A edição de Março da revista Os Meus Livros, à venda a partir de amanhã, além de artigos, entrevistas e notícias, oferece gratuitamente um livro a cada comprador (parceria com a editora Saída de Emergência). São livros com temas do fantástico, romântico, contemporâneo, thrillers, policiais, romance histórico e outros géneros.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

REVISTA COMEMORATIVA DOS 90 ANOS DO TRATADO DE VERSALHES

No ano em que se assinalam os 90 anos do Tratado de Versalhes, a revista Visão História e o Museu da Presidência da República lançam, em conjunto, um número dedicado ao tema. Aí, relembram a participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial, as figuras mais destacadas do Corpo Expedicionário Português e o quotidiano nas trincheiras (os soldados em festa na imagem passariam, em breve, por uma tremenda tragédia).

O lançamento da publicação será no próximo dia 19 de Fevereiro, pelas 19:00, no Museu da Presidência da República (Palácio de Belém, Praça de Afonso de Albuquerque, Lisboa).


[tropas portuguesas na Flandres, fotografia pertencente ao Museu de Angra do Heroísmo]