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sábado, 17 de maio de 2008

PORTO ANTIGO

Pequeno vídeo (18' 50'') dedicado a todos(as) os(as) que gostam do Porto enquanto cidade, de entre os quais me incluo.


quarta-feira, 31 de outubro de 2007

CIDADE SURPREENDENTE


Carlos Romão, do blogue Cidade Surpreendente, tem um apurado sentido estético como já aqui escrevi.

Um postal seu, de 6 de Outubro, tinha o título Se esta rua fosse minha (
publicado no Indústrias, no dia 19), onde mostra "Quatro instantâneos de 5 de Outubro, o dia em que o Plano B transformou a Rua de Cândido dos Reis num espaço aberto a sucessivos eventos culturais. A performance Spirits - onde espíritos do passado, unidos pelo destino, invadem as ruas entrando num mundo que já não é seu - interpretada por Helena Oliveira e João Saraiva. Uma produção da PIA, Projectos de Intervenção Artística e Cultural. Silêncios, a pintura monocromática de Nuno Cabral exposta no Plano B. E nova performance, Maria Braun in Love, inspirada em três histórias de amor do cinema e da literatura, com a direcção artística de Dörte Lange" (obrigado, de novo, pela autorização de reprodução).


sexta-feira, 19 de outubro de 2007

UMA MEMÓRIA


Da produção blogueira, um dos blogues que mais aprecio é o de Carlos Romão, A Cidade Surpreendente. Alia uma muito grande qualidade fotográfica a textos antropológicos de inegável profundidade. Dele, retiro a mensagem datada de 24 de Julho último (texto e imagens), agradecendo a possibilidade que me deu de (o, as) transcrever.

Na Rua de Passos Manuel há um local que desperta a atenção dos transeuntes mais atentos. Param e espreitam, surpreendidos perante um antigo armazém de tecidos que continua em plena laboração. Da estrutura do edifício, construído em 1860, aos objectos que o povoam, quase tudo ali remete para o passado. O soalho de tábua trincada, as enormes bancas de trabalho, o postigo e as divisórias em madeira do escritório, o velho cofre, uma prensa e até uma antiga balança de dois pratos e travessão, com os pesos alinhados. Numa das paredes interiores há ainda uma marca que indica ter ali funcionado uma leiloeira.




A fundação do actual armazém remonta a 1921. O Porto de então estava em pleno crescimento, constituindo um pólo de atracção em toda a região norte do país. José Gonçalves, um dos fundadores, começou a trabalhar em Guimarães, aos 12 anos de idade. Quando chega ao Porto, para exercer a profissão de viajante, é já um jovem adulto cheio de esperança e vontade de singrar. Passa a visitar os clientes do interior do país, munido de uma mala com amostras de tecidos, e regressa à casa mãe com encomendas.

Aqui conheceu Serafim Soares Monteiro, chefe de armazém com comprovada experiência mercantil, adquirida desde 1905, ano em que principiara a trabalhar numa firma do Largo dos Lóios. Ligados por uma sólida amizade e auxiliados financeiramente por João Rodrigues Loureiro – um industrial de Valença do Minho, conterrâneo e protector de Gonçalves, que o tinha levado para Guimarães em 1906 como marçano – fundam o armazém de lanifícios Gonçalves, Monteiro & Cia., Lda. O negócio prospera rapidamente na baixa fervilhante de actividade. Compram tecidos por grosso a vinte fábricas portuguesas e quatro inglesas, vendendo depois para todo o Portugal e colónias. Com a morte dos fundadores a firma passa para os herdeiros, que nos anos 70 compram o prédio e avançam com um projecto de modernização das instalações. Esse desígnio, que alteraria por completo o que lá encontramos, viria a ficar pelo caminho devido à instabilidade provocada pela Revolução de Abril e ao posterior desaparecimento prematuro de José Milhão, o sócio mentor da remodelação.

José Augusto Gonçalves, um dos donos actuais e homónimo do fundador, afirma que há vinte anos se contavam pelas dezenas os armazéns deste ramo no Porto. Hoje subsistem apenas uns três ou quatro. Mostra-me uma peça de surrobeco, um pano castanho e grosso caído em desuso juntamente com o burel, como exemplo dos velhos tecidos que continua a vender, para grupos de teatro e ranchos folclóricos, a par das actuais e excelentes casimiras importadas de Itália e dos poliésteres asiáticos. Não se queixando do negócio acrescenta que, quando aparecer um comprador para o edifício, fechará as portas e irá para casa, dissipando em pó este interessante episódio da memória da cidade.


[texto e imagens de Carlos Romão, do blogue A Cidade Surpreendente; a música, a clicar no canto inferior esquerdo das imagens em slide, foi escolhida por mim]