O livro organizado por José Ricardo Carvalheiro, As Caixas Mudaram o Mundo? Usos Femininos dos Media no Estado Novo, resulta da investigação inserida num projecto da Universidade da Beira Interior financiado pela FCT. Objectivo: saber os consumos dos media e a sua recepção pelo género feminino a partir da década de 1940, ou, como o livro diz mais acertadamente: "trabalhar com memórias acerca da recepção mediática na ditadura" (p. 10).
O meu ponto de descoberta foi o texto do organizador do livro "História oral, memória e recepção mediática". Nele, o autor procura "reconstituir e compreender o passado" (p. 45), o que o leva a captar as práticas e os contextos de uso dos media e os compreender na dimensão diacrónica (histórica). No texto, também se fala de memória e identidade, biografias e apreensão da recepção no passado e da interpretação dos textos às práticas significativas. Como corpo de observação empírica, a equipa de investigação conduziu 57 entrevistas a mulheres nascidas antes da Segunda Guerra Mundial e o início das emissões de televisão (1939-1957) em associações na Covilhã e em Coimbra em núcleos fabris e de serviços das duas cidades (p. 134). A partir das entrevistas, a equipa procurou reconstituir histórias de vida. Aqui, reside a riqueza da investigação agora publicada e que, além de José Ricardo Carvalheiro, inclui os nomes de João Carlos Correia, Maria João Silveirinha, Sara Portovedo, Diana Tomás e Catarina Valdigem.
Um dos outros capítulos que gostei de ler foi o dedicado às narrativas de vida de quatro lisboetas sobre a recepção da rádio, igualmente escrito pelo organizador do volume. Carvalheiro destaca as estruturas de relevância e as práticas criativas de recepção (p. 160). O livro insere-se na colecção "Comunicação, História e Memória", da MinervaCoimbra, dirigida por Isabel Vargues. Da colecção, já fiz aqui comentários do livro de Carolina Ferreira Os Media na Guerra Colonial.
Leitura: José Ricardo Carvalheiro (2014). As Caixas Mudaram o Mundo? Usos Femininos dos Media no Estado Novo. Coimbra: MinervaCoimbra, 284 páginas, 21 euros
Textos de Rogério Santos, com reflexões e atualidade sobre indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, videojogos, música, livros, centros comerciais) e criativas (museus, exposições, teatro, espetáculos). Na blogosfera desde 2002.
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segunda-feira, 4 de maio de 2015
quinta-feira, 12 de julho de 2012
A RTP e o sistema de medição de audiências
Hoje, ao fim da tarde, ouvi na rádio que a RTP, pela voz do seu presidente, Guilherme Costa, considera ter a auditoria ao sistema de medição de audiências da GfK provado que os resultados não são credíveis. Guilherme Costa mostrou preocupação com a próxima privatização de um canal.
terça-feira, 19 de junho de 2012
Resultados da auditoria ao sistema de audiências de televisão
Da newsletter Briefing de hoje, retiro a seguinte informação sobre a auditoria ao sistema de medição de audiências da CAEM: "O relatório preliminar da auditoria efetuada pela consultora PwC ao sistema de audimetria da CAEM não assinala questões que possam pôr em causa o contrato celebrado com a GfK". O relatório fez uma análise exaustiva dos aspetos relativos ao sistema de audimetria mas não produz uma conclusão definitiva.
A newsletter da Briefing continua assim: "A consultora PwC enuncia um vasto conjunto de questões, desde o establishment survey, ponto de partida para a criação da amostra de telespetadores, até às condições de segurança das instalações onde os dados são guardados. O relatório preliminar valida ainda os aspetos metodológicos relacionados com a instalação do painel e analisa a infraestrutura técnica do sistema, nomeadamente testando o limiar da perda de som e da falta de matching, aspetos suscitados publicamente nas primeiras semanas de funcionamento do novo sistema. É ainda referenciada a existência de indicadores de audiência de canais que não estão disponíveis free to air em boxes instaladas em lares que declararam não deter TV por subscrição. Os técnicos da PwC fizeram ainda um levantamento de riscos relacionados com a segurança do sistema. O relatório preliminar, sendo muito exaustivo na identificação das questões relacionadas com a prestação de serviços da GfK e, inclusivamente, com as convenções definidas no seio da CAEM, omite, no entanto, qualquer referência à eventualidade de os procedimentos adotados poderem pôr em causa a fiabilidade do sistema de audimetria. A apresentação foi feita na segunda-feira à CAEM, a entidade autorreguladora que agrupa as televisões, as agências de meios e os anunciantes".
Esperam-se comentários oficiais a este relatório.
A newsletter da Briefing continua assim: "A consultora PwC enuncia um vasto conjunto de questões, desde o establishment survey, ponto de partida para a criação da amostra de telespetadores, até às condições de segurança das instalações onde os dados são guardados. O relatório preliminar valida ainda os aspetos metodológicos relacionados com a instalação do painel e analisa a infraestrutura técnica do sistema, nomeadamente testando o limiar da perda de som e da falta de matching, aspetos suscitados publicamente nas primeiras semanas de funcionamento do novo sistema. É ainda referenciada a existência de indicadores de audiência de canais que não estão disponíveis free to air em boxes instaladas em lares que declararam não deter TV por subscrição. Os técnicos da PwC fizeram ainda um levantamento de riscos relacionados com a segurança do sistema. O relatório preliminar, sendo muito exaustivo na identificação das questões relacionadas com a prestação de serviços da GfK e, inclusivamente, com as convenções definidas no seio da CAEM, omite, no entanto, qualquer referência à eventualidade de os procedimentos adotados poderem pôr em causa a fiabilidade do sistema de audimetria. A apresentação foi feita na segunda-feira à CAEM, a entidade autorreguladora que agrupa as televisões, as agências de meios e os anunciantes".
Esperam-se comentários oficiais a este relatório.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
AUDIÊNCIAS EM PORTUGAL EM 1970
Com dados recolhidos entre 30 de Março e 3 de Maio de 1970 (há 41 anos, portanto), foram inquiridos sete mil indivíduos, 47% de homens e 53% de mulheres, com 23% de indivíduos com idade entre 15 e 24 anos, 21% entre 25 e 34 anos, 17% entre 35 e 44 anos, 16% entre 45 e 54 anos, 12% entre 55 e 64 anos e 11% com mais de 64 anos.
A audiência geral na imprensa diária colocava o Diário de Notícias com 21,6%, O Século com 15,8%, o Diário Popular com 15,3%, o Primeiro de Janeiro com 13,2%, o Jornal de Notícias com 9,5%, o Diário de Lisboa com 7,6%, o Comércio do Porto com 7,3%, A Capital com 5% e o Diário de Coimbra com 2,1%. Todos os jornais eram mais lidos por homens que por mulheres e pelos mais novos (até 34 anos). Acidentes e desastres (12%), dia a dia (10,5%), política internacional (8,2%), política nacional (6,9%) e desporto (6%) eram os assuntos de maior interesse para os leitores.
Na rádio, a líder era a Emissora Nacional, programa 1 (35,3%), seguida do Rádio Clube Português da Parede (30,6%), do Rádio Clube Português de Miramar (23,7%), da Renascença de Lisboa (12,4%), da Renascença do Porto (11,1%), da Rádio Graça (6,9%) e dos Emissores Norte Reunidos (5,6%). As mulheres ouviam mais que os homens a Emissora Nacional, programa 1, o Rádio Clube Português e a Renascença. O que mais gostavam de ouvir eram programas de noticiário, teatro, discos pedidos, música portuguesa e fados. Só depois vinham os programas desportivos.
A televisão, então com apenas um canal, era mais vista à segunda-feira, seguindo-se o domingo, e o quadro de programas preferidos incluia teatro (37,9%), variedades (30,2%), séries filmadas (27,3%), telejornal (27,2%). Muito depois, preferiam-se programas desportivos (9,6%), folclore (8,8%), tourada (6,2%) e fados e futebol (juntos) (5%).
Frequentar as salas de cinema era um hábito polarizado entre um grande consumo e uma ausência de consumo: 23,7% ia três a sete vezes por semana, 10,7% entre uma e duas vezes, 1,3% uma vez por semana, 14,8% tinham ido na semana anterior, 64,1% não frequentavam o cinema.
Uma conclusão geral seria a da baixa taxa de leitura, visão e audição dos media, o que significava baixos índices de influência na formação da opinião pública.
terça-feira, 10 de abril de 2012
Audiências de televisão
Segundo a revista Briefing de hoje, "a Kantar oferece-se para montar um novo sistema de medição das audiências da oferta de TV em Portugal, admitindo que o sistema atual da Marktest está aquém dos padrões de qualidade exigíveis devido ao «rápido progresso de terminação analógica», podendo prejudicar a própria reputação da empresa. Apesar desta constatação, um dos operadores de TV – a TVI – publicou, no início desta semana, um comunicado invocando os dados do sistema de audimetria Kantar Marktest para assinalar as performances de um seu novo programa. [...] a Kantar propõe-se criar um novo sistema de medição de audiências sob a condição de as operadoras de TV lhe garantirem «um contrato inicial de 2 anos». Neste momento, depois de concurso lançado no ano passado, as operadoras de TV já financiam o sistema da GFK. [...] A CAEM tem uma reunião marcada para quarta-feira e da mesma deverá resultar um compasso de espera até conclusão da auditoria pedida pelo operador público RTP, numa iniciativa que foi publicamente apoiada, na semana passada, pela TVI".
quinta-feira, 29 de março de 2012
Guerra de audiências
A TVI comunicou hoje à GfK e associados da CAEM - Comissão de Análise de Estudos de Meios que não reconhece a validade dos dados produzidos pelo seu painel, pelo que volta ao painel da Marktest. Em 13 de Fevereiro, a TVI votou na CAEM contra a entrada em vigor do sistema de medição de audiências da GfK por entender que a amostra da painel não garantia a representatividade demográfica da população portuguesa. A RTP teve a mesma atitude e manifestou isso de modo enérgico nas últimas semanas, enquanto a SIC e os operadores de televisão por cabo apoiaram o trabalho da GfK.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Novo adiamento da medição de audiências pela GFK
Lido na newsletter da Meios e Publicidade, a GfK adiou uma segunda vez o arranque do seu sistema de medição de audiências em televisão. A Comissão de Análise e Estudos de Meios (CAEM) solicitará à Marktest que prossiga em Fevereiro a prestação do serviço de audimetria. O sistema de medição de audiências da GFK ainda apresenta resultados que motivam dúvidas aos membros do conselho técnico de televisão da CAEM.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
CAEM
Retiro da newsletter de hoje da Meios e Publicidade "A Comissão de Estudo e Análise de Meios - CAEM - tem convocada para esta semana uma assembleia-geral para eleger os novos corpos sociais. Já fechada está a presidência, que é rotativa e está agora destinada aos meios (televisões). José Alberto Bastos e Silva, da SIC será o presidente da CAEM durante os próximos dois anos, com a presidência da assembleia-geral a ficar a cargo Eduardo Branco, actual presidente da direcção da Associação Portuguesa de Anunciantes (APAN). Os restantes lugares da direcção da CAEM serão ocupados por Manuela Botelho, secretária-geral da APAN, e por José Dias Pinheiro, presidente da direcção da Associação Portuguesa de Agências de Meios. A mudança de testemunho acontece num momento em que a CAEM está a ser alvo de uma queixa à Autoridade da Concorrência, interposta pela Marktest, no âmbito do concurso que atribuiu a medição de audiências, à GFK, para os próximos cinco anos. Para Luís Mergulhão, actual presidente, «este foi o mandato em que o mercado compreendeu a importância da CAEM». Criada em 1994, viu em 2008 os seus estatutos serem reformulados para criar mais dinamismo no mercado e à associação".
quarta-feira, 18 de maio de 2011
LIVRO DE PEDRO MAGALHÃES SOBRE SONDAGENS
Sondagens, eleições e opinião pública, de Pedro Magalhães, foi lançado no final da tarde no Instituto de Ciências Sociais. Ler mais em http://industrias-culturais.hypotheses.org/.
terça-feira, 17 de maio de 2011
domingo, 8 de maio de 2011
AUDIÊNCIAS E NOVOS CANAIS DE CABO
Anteontem, o Diário Económico publicou um suplemento comemorativo do primeiro aniversário do canal televisivo do grupo Ongoing, dedicado à economia, citando-me: "Rogério Santos, da Universidade Católica de Lisboa, enquadra esta evolução do Económico em dois movimentos cada vez mais visíveis: «a segmentação e a digitalização». «Enquanto as televisões generalistas terão mais dificuldade em crescer, tratando-se de um mercado maduro, a audiência dos canais por cabo estão a crescer cerca de 20%», explica, lembrando e importância do surgimento dos operadores Meo e Zon nesta área". O que eu quis dizer foi que o conjunto dos canais por cabo ultrapassou os 20% de audiência.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
AUDIÊNCIAS
Ontem, num hotel de Lisboa, a Marktest organizou uma conferência a informar que manterá a medição de audiências de televisão em 2012, apesar da GfK ter ganho o recente concurso lançado pela CAEM (Comissão de Análise de Estudos de Meios) [junto notícias do Jornal de Negócios e Diário Económico de hoje]. A Marktest anunciou também ter em ensaio 60 audímetros com tecnologia audiomatching, tendo já informado a CAEM que pretende adicionar os lares com este equipamento ao painel actual. Na conferência, foi apresentado o audímetro da Kantar, empresa com sede no Reino Unido, que detém 40% da Investimentos Marktest e que foi escolhida pela empresa portuguesa por ter a tecnologia mais fiável instalada em 24 países. O resultado do teste num período recente (28 de Março a 18 de Abril) indica não haver muitas diferenças em termos de audiência entre o sistema instalado e o novo, mas a amostra é reequilibrada. O audiomatching é a tecnologia igualmente a instalar no mercado português pela GfK. Caso as duas empresas façam análise de audiências no começo do próximo ano, assistir-se-á a uma desregulação no mercado como há muito não existia.
terça-feira, 3 de maio de 2011
AUDIÊNCIAS DE TELEVISÃO EM ABRIL
"Em Abril de 2011, a TVI obteve 25.8% de share de audiência, a SIC alcançou 23.2%, a RTP1 obteve 21.5%, a RTP2, 4.8% e o cabo e outros canais 24.6%, segundo os dados da Marktest Audimetria/MediaMonitor".
TELEVISÃO POR CABO E AUDIÊNCIAS
A quota de canais de cabo pode ter batido um dos canais generalistas em Abril. Nos últimos meses, essa quota de audiência dos canais por cabo tem ultrapassado os 20%, podendo já ter ficado à frente da audiência da RTP1. O jornal Expresso na edição de sábado indica que até 27 de Abril os mais de cem canais de cabo somavam 22,5% das audiências, três décimas acima da quota da RTP1. Os conteúdos dos canais generalistas mantêm-se nos designados blockbusters: notícias, novelas, grandes entrevistas, desporto e conteúdos de entretenimento como reality shows ou talent shows. Os canais de cabo com maior audiência são SIC Notícias (3%), AXN, FOX, Panda, Sport TV, Hollywood, SIC Mulher, RTPN, Disney e SIC Radical. A segmentação de audiências é cada vez maior, capitalizada nomeadamente pela oferta do IPTV, primeiro o Meo e depois a Zon, com novas ofertas e preços concorrenciais. No mesmo texto, indica-se que, por razões desse crescimento dos canais por cabo, as receitas publicitárias subiram.
terça-feira, 26 de abril de 2011
AUDIÊNCIAS DE TELEVISÃO
A GFK vai experimentar em breve o novo sistema de medição de audiências, com ele a iniciar a sério a 1 de Janeiro de 2012. Para o director-geral da empresa, António Salvador, "Começamos este mês a fase da identificação do universo e da selecção da amostra. A instalação dos aparelhos está prevista para o início da segunda metade do ano" (Correio da Manhã). A tecnologia a usar será a de audio-matching (método de amostragem de som para a detecção dos canais).
sexta-feira, 22 de abril de 2011
AUDIÊNCIAS DE MEIOS (1952)
“Todos os jornais e revistas possuem leitores, poucos ou muitos. Porém, os jornais e as revistas têm tiragens que nem sempre correspondem ao seu verdadeiro número de leitores. Há que diferenciar entre os chamados leitores regulares e os leitores ocasionais ou excepcionais, como sejam os leitores de domingo, nos jornais, ou de tiragens especiais, nas revistas” [Salviano Cruz (1952). "Problemas económicos dos jornais e revistas de Portugal e os seus leitores". A Revista de Pesquisas Económico-Sociais, 3: 303-319].
Assim, pergunta Salviano Cruz, quantos leitores tem determinada publicação? E como são qualitativamente, social e economicamente? O autor parte de um inquérito feito em Lisboa e no Porto pelo processo de amostra estruturada (embora não diga o número de inquiridos, a data em que o trabalho foi feito, qual a entidade que solicitou o estudo e a margem de erro, elementos hoje fundamentais num inquérito, mas indica haver dois estudos por ano, em Junho e em Dezembro). Trata-se, a meu ver, do primeiro texto e estudo de meios em Portugal, pelo que merece uma atenção especial.
Quanto a Lisboa, o jornal mais lido em 1952 era o Diário de Notícias, seguindo-se o Diário Popular, O Século e O Diário de Lisboa, este apresentado como “o jornal mais progressivo e dinâmico desde há 20 a 25 anos”. Além dos chamados quatro grandes, o autor faz uma classificação da imprensa independente em três grupos: 1) desportiva, com A Bola à frente, 2) política, com O Diário da Manhã à frente de A República, e 3) católica, com As Novidades e A Voz. Em Lisboa, 60% dos leitores de classe média e superior, 73% da classe média baixa e 70% de homens e 59% de mulheres lêem o Diário de Notícias; no Porto, 80% de leitores da classe média alta lêem O Primeiro de Janeiro, com 66% de homens e 43% de mulheres.
Já no tocante aos jornais do Porto, O Primeiro de Janeiro aparece à frente, seguido do Jornal de Notícias, O Comércio do Porto e o Diário do Norte. Na imprensa desportiva, O Norte Desportivo aparece à frente de A Bola e O Mundo Desportivo.
Enquanto em Lisboa a imprensa do Porto não chega aos 6%, no Porto a imprensa de Lisboa alcança 27%. Em termos de leitura regular, o Diário de Notícias atinge 57% dos leitores, a que se seguem O Diário Popular e O Século.
O impacto da publicidade junto dos leitores é um dos elementos primordiais do estudo de Salviano Cruz. Por exemplo, a publicidade a produtos higiénicos de carácter feminino no Diário de Lisboa parece pouco indicada. Por outro lado, o preço da publicidade em O Século pode não se justificar, dado o número pouco representativo de leitores que a apreciam. O autor recomenda ser pouco aconselhável economicamente fazer publicidade nos quatro principais jornais de Lisboa em simultâneo. No Porto, para os produtos populares de multidão (é a palavra usada), O Jornal de Notícias é o segundo mais indicado. Destaca-se a atitude menos receptiva à publicidade por parte de O Primeiro de Janeiro.
Salviano Cruz chama a atenção para as estatísticas inflacionadas de tiragem e de vendas apresentadas pelos jornais.
Quanto a revistas, o estudo conclui que 17% da população de Lisboa e 42% da população do Porto não lê revistas. As mais lidas são O Século Ilustrado (45 mil leitores), A Flama (cerca de 43 mil leitores), Modas e Bordados (quase 38 mil leitores). Os leitores regulares predominam sobre os ocasionais. Se O Século Ilustrado é lido pela classe média superior para cima e tem mais leitores masculinos no Porto e femininos em Lisboa, A Flama é lida pela classe média baixa, principalmente no Porto, com maior afluência de leitores católicos. Modas e Bordados e Eva são publicações para mulheres e As Selecções do Reader’s Digest tem na classe média alta o maior número de leitores.
Dos assuntos mais lidos nos jornais, primeiro vem o noticiário internacional e depois o nacional. Os leitores de O Século também gostam de ler os editoriais e o caso do dia (penso que crime ou outro assunto do dia) e os leitores do Diário de Notícias apreciam os anúncios e a secção Cidade.
O autor, na parte final do seu artigo, volta ao tema da publicidade. Escreve ele que, em contraste com as dificuldades da publicidade na imprensa, a da rádio está em aperfeiçoamento, além de que existem cerca de 600 mil aparelhos espalhados pelo país. O maior jornal não ia além de 90 mil leitores, o que indica uma maior concorrência entre os meios. A televisão ainda não tinha chegado e baralhado de novo as estimativas.
Quanto a Lisboa, o jornal mais lido em 1952 era o Diário de Notícias, seguindo-se o Diário Popular, O Século e O Diário de Lisboa, este apresentado como “o jornal mais progressivo e dinâmico desde há 20 a 25 anos”. Além dos chamados quatro grandes, o autor faz uma classificação da imprensa independente em três grupos: 1) desportiva, com A Bola à frente, 2) política, com O Diário da Manhã à frente de A República, e 3) católica, com As Novidades e A Voz. Em Lisboa, 60% dos leitores de classe média e superior, 73% da classe média baixa e 70% de homens e 59% de mulheres lêem o Diário de Notícias; no Porto, 80% de leitores da classe média alta lêem O Primeiro de Janeiro, com 66% de homens e 43% de mulheres.
Já no tocante aos jornais do Porto, O Primeiro de Janeiro aparece à frente, seguido do Jornal de Notícias, O Comércio do Porto e o Diário do Norte. Na imprensa desportiva, O Norte Desportivo aparece à frente de A Bola e O Mundo Desportivo.
Enquanto em Lisboa a imprensa do Porto não chega aos 6%, no Porto a imprensa de Lisboa alcança 27%. Em termos de leitura regular, o Diário de Notícias atinge 57% dos leitores, a que se seguem O Diário Popular e O Século.
O impacto da publicidade junto dos leitores é um dos elementos primordiais do estudo de Salviano Cruz. Por exemplo, a publicidade a produtos higiénicos de carácter feminino no Diário de Lisboa parece pouco indicada. Por outro lado, o preço da publicidade em O Século pode não se justificar, dado o número pouco representativo de leitores que a apreciam. O autor recomenda ser pouco aconselhável economicamente fazer publicidade nos quatro principais jornais de Lisboa em simultâneo. No Porto, para os produtos populares de multidão (é a palavra usada), O Jornal de Notícias é o segundo mais indicado. Destaca-se a atitude menos receptiva à publicidade por parte de O Primeiro de Janeiro.
Salviano Cruz chama a atenção para as estatísticas inflacionadas de tiragem e de vendas apresentadas pelos jornais.
Quanto a revistas, o estudo conclui que 17% da população de Lisboa e 42% da população do Porto não lê revistas. As mais lidas são O Século Ilustrado (45 mil leitores), A Flama (cerca de 43 mil leitores), Modas e Bordados (quase 38 mil leitores). Os leitores regulares predominam sobre os ocasionais. Se O Século Ilustrado é lido pela classe média superior para cima e tem mais leitores masculinos no Porto e femininos em Lisboa, A Flama é lida pela classe média baixa, principalmente no Porto, com maior afluência de leitores católicos. Modas e Bordados e Eva são publicações para mulheres e As Selecções do Reader’s Digest tem na classe média alta o maior número de leitores.
Dos assuntos mais lidos nos jornais, primeiro vem o noticiário internacional e depois o nacional. Os leitores de O Século também gostam de ler os editoriais e o caso do dia (penso que crime ou outro assunto do dia) e os leitores do Diário de Notícias apreciam os anúncios e a secção Cidade.
O autor, na parte final do seu artigo, volta ao tema da publicidade. Escreve ele que, em contraste com as dificuldades da publicidade na imprensa, a da rádio está em aperfeiçoamento, além de que existem cerca de 600 mil aparelhos espalhados pelo país. O maior jornal não ia além de 90 mil leitores, o que indica uma maior concorrência entre os meios. A televisão ainda não tinha chegado e baralhado de novo as estimativas.
sábado, 9 de abril de 2011
ELIHU KATZ
Só agora li o texto de Elihu Katz (אליהוא כ"ץ) sobre a leitura da recepção a partir da teoria dos efeitos limitados de Paul Lazarsfeld (original de 1989).
Nascido em 1926, o primeiro livro de Katz foi feito em co-autoria com Lazarsfeld (Personal influence: the part played by people in the flow of mass communications, 1955), sobre o fluxo da influência e das interseccções da comunicação de massa e interpessoal. Depois, entre aulas, nomeadamente na Annenberg School for Communication da Universidade da Pennsylvania, presidência da televisão de Israel (1967-1969) e livros, escreveu sobre o sociólogo francês Gabriel Tarde (pode ser lido no livro La réception, como o texto que indico em primeiro lugar), analisou o impacto da televisão com autores como Michael Gurevitch, escreveu Media events com Daniel Dayan (em português: A história em directo. Os acontecimentos mediáticos da televisão, Minerva, 1999), e participou no primeiro congresso da SOPCOM em 1999, com o importante texto One hundred years of communication research, onde falaria do seu "herói" Gabriel Tarde.
Lazarsfeld, nas suas investigações em especial no seu Bureau of Applied Social Research, criado em 1937, ocupou-se da comunicação de massa no processo de decisão: votar, comprar, ir ao cinema, mudar de opinião. Os efeitos dos media, até então profundos e duradouros sobre as audiências, eram temperados com os processos selectivos de atenção, percepção e memória. Estas, escreveu Katz, dependem de variáveis de situação como idade, história familiar, pertença política. O jornal, a rádio e os outros media partilham com o grupo primário um duplo papel: rede de informação, gerador de pressão social. Katz considera ainda aplicável, hoje, a teoria do fluxo de comunicação em dois passos, corrigindo algumas perspectivas como a substituição da influência pela informação, a partilha de influência de vários líderes, etapas múltiplas em vez de apenas duas.
Katz apresenta três perspectivas discordantes do modelo de efeitos limitados: institucional, crítico e tecnológico. O mais sedutor e o mais atacado por Katz é o crítico, centrado nos textos de Todd Gitlin. Curiosamente, o livro organizado por João Pissarra Esteves, Comunicação e sociedade. Os efeitos sociais dos meios de comunicação de massa, 2002, publica um texto de Katz e outro de Gitlin, onde este segundo autor evidencia a polémica). Gitlin, segundo Katz, releva a ambiguidade e liberdade de público e a escassa influência do líder de opinião, exactamente o oposto dos autores dos efeitos limitados. Para Gitlin, na leitura de Katz, o poder dos media é grande, com estes a construirem a realidade política e social, a decidirem o que é politicamente legítimo ou desviante, a fazerem a imagem dos movimentos sociais.
A leitura do texto de Katz permite-me reconstituir a visão sobre o paradigma dominante ou administrativo ou teoria dos efeitos limitados, como se chamou à linha de investigação de Lazarsfeld, já no final da década de 1970 e anos seguintes. A sua compreensão pode ter apenas um interesse histórico, mas leva-me a olhar a querela público-audiência de outro modo.
Leitura: Elihu Katz (2009). "Lire la réception à travers le modèle des effets limités. Actualité de Lazarsfeld". Em Cécile Méadel (coord.) La réception. Paris: CNRS Éditions, pp. 47-67
Nascido em 1926, o primeiro livro de Katz foi feito em co-autoria com Lazarsfeld (Personal influence: the part played by people in the flow of mass communications, 1955), sobre o fluxo da influência e das interseccções da comunicação de massa e interpessoal. Depois, entre aulas, nomeadamente na Annenberg School for Communication da Universidade da Pennsylvania, presidência da televisão de Israel (1967-1969) e livros, escreveu sobre o sociólogo francês Gabriel Tarde (pode ser lido no livro La réception, como o texto que indico em primeiro lugar), analisou o impacto da televisão com autores como Michael Gurevitch, escreveu Media events com Daniel Dayan (em português: A história em directo. Os acontecimentos mediáticos da televisão, Minerva, 1999), e participou no primeiro congresso da SOPCOM em 1999, com o importante texto One hundred years of communication research, onde falaria do seu "herói" Gabriel Tarde.
Lazarsfeld, nas suas investigações em especial no seu Bureau of Applied Social Research, criado em 1937, ocupou-se da comunicação de massa no processo de decisão: votar, comprar, ir ao cinema, mudar de opinião. Os efeitos dos media, até então profundos e duradouros sobre as audiências, eram temperados com os processos selectivos de atenção, percepção e memória. Estas, escreveu Katz, dependem de variáveis de situação como idade, história familiar, pertença política. O jornal, a rádio e os outros media partilham com o grupo primário um duplo papel: rede de informação, gerador de pressão social. Katz considera ainda aplicável, hoje, a teoria do fluxo de comunicação em dois passos, corrigindo algumas perspectivas como a substituição da influência pela informação, a partilha de influência de vários líderes, etapas múltiplas em vez de apenas duas.
Katz apresenta três perspectivas discordantes do modelo de efeitos limitados: institucional, crítico e tecnológico. O mais sedutor e o mais atacado por Katz é o crítico, centrado nos textos de Todd Gitlin. Curiosamente, o livro organizado por João Pissarra Esteves, Comunicação e sociedade. Os efeitos sociais dos meios de comunicação de massa, 2002, publica um texto de Katz e outro de Gitlin, onde este segundo autor evidencia a polémica). Gitlin, segundo Katz, releva a ambiguidade e liberdade de público e a escassa influência do líder de opinião, exactamente o oposto dos autores dos efeitos limitados. Para Gitlin, na leitura de Katz, o poder dos media é grande, com estes a construirem a realidade política e social, a decidirem o que é politicamente legítimo ou desviante, a fazerem a imagem dos movimentos sociais.
A leitura do texto de Katz permite-me reconstituir a visão sobre o paradigma dominante ou administrativo ou teoria dos efeitos limitados, como se chamou à linha de investigação de Lazarsfeld, já no final da década de 1970 e anos seguintes. A sua compreensão pode ter apenas um interesse histórico, mas leva-me a olhar a querela público-audiência de outro modo.
Leitura: Elihu Katz (2009). "Lire la réception à travers le modèle des effets limités. Actualité de Lazarsfeld". Em Cécile Méadel (coord.) La réception. Paris: CNRS Éditions, pp. 47-67
quarta-feira, 6 de abril de 2011
AUDIENCES
From Audience to Users and Beyond is the second Finnish COST Action-seminar. The organizer of the second conference is Aalto TAIK Department of Media in cooperation with Media Factory, Aalto SCI and Aalto ECON, Tampere University and University of Helsinki. Aalto University, Otaniemi, Finland June, 6-7, 2011. For more information contact Professor Maija Töyry (maija.toyry@aalto.fi).
AUDIÊNCIAS EM MARÇO
Em Março de 2011, a TVI obteve 26,3% de share de audiência, a SIC 23,5%, a RTP1 23,0%, a RTP2 4,4% e o cabo e outros canais 22,7%. Dos 15 programas mais vistos de Março, oito foram transmissões de futebol e programas associados, quatro programas de informação e entrevista e três novelas (Marktest).
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