domingo, 21 de fevereiro de 2010

QUANDO O CINEMA CHEGOU A PORTUGAL


António dos Santos Júnior, empresário do Real Coliseu de Lisboa, na rua da Palma, em Lisboa, comprara um projector chamado animatógrafo Rousby, o qual iria revelar a fotografia animada projectada ao público português, em 17 de Junho de 1896. O "número" de Rousby foi anunciado como "animatógrapho e cinematógrapho". Mas as coisas correram mal, pois o Real Coliseu não tinha elctricidade e o gerador alugado não foi eficaz, pelo que os 200 convidados tiveram de aceitar as desculpas de Rousby. No dia seguinte, a apresentação correu bem melhor, com oito filmes que duravam de 20 segundos a um minuto cada.

Nessa altura, estava em cena uma opereta no Real Coliseu, O comendador Ventoinha, em três actos. O "animatógrapho e cinematógrapho" foi apresentado num dos intervalos, sem encarecer o preço: 100 réis na geral. Havia um ecrã de tela branca, com dimensão de três por 2,5 metros, com a projecção feita nas costas do ecrã, humedecido para aumentar a transparência. Na escuridão da sala, sucederam-se exlamações impertinentes e obscenas, havendo espectadores que solicitariam maior controlo para evitar tais zaragateiros.

[as duas imagens do Real Coliseu de Lisboa foram retiradas de aqui]

Leitura: A. J. Ferreira (2009). O cinema chegou a Portugal. Lisboa: Bonecos Rebeldes, pp. 25-29

LIVRO DE MARTA AMADO LANÇADO EM COIMBRA

Vidas Desencontradas, romance de Marta Amado, foi ontem lançado em Coimbra (na fotografia, a autora está ao centro; à direita, Sofia Palma). Coube-me a apresentação do livro, que se pode ler mais abaixo na mensagem.




COIMBRA

O Museu Municipal fechado ao domingo é um reflexo do lento abandono do centro histórico da cidade. Talvez a cidade esteja agora polarizada no centro comercial do outro lado do rio, o que ilustra as mudanças sociológicas ligadas ao consumo e não à fruição.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

NÚCLEO CAIXA PRETA ENCENA DISSIDENTE, TEXTO DE MICHEL VINAVER

O Núcleo Caixa Preta estreia no dia 25 de Fevereiro de 2010 (até 1 de Abril), no SESC Consolação (Espaço Beta - R. Dr. Vila Nova, 245 – V. Buarque, S. Paulo), o espectáculo Dissidente, criado a partir do texto inédito no Brasil de um dos maiores dramaturgos vivos da França, Michel Vinaver. A montagem mostra a vida quotidiana de uma mãe (Cácia Goulart, indicada ao Prémio Shell Melhor Actriz 2008 e 2003/SP por Bartleby e Navalha na Carne respectivamente) e Felipe (José Geraldo Rodrigues, de Linha de Passe), seu filho adolescente.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

POLAROID - LEILÃO DE FOTOGRAFIAS

A 16 de Outubro de 2009, o jornal i publicava Polaroid is back: "As pequenas fotografias que se revelam no instante seguinte estão de volta. A empresa Summit Global Group vai recomeçar a fabricar as máquinas fotográficas da marca Polaroid e as películas das máquinas vão ficar a cargo de uma fábrica holandesa. Apesar de ter entrado em bancarrota em 2008, a licença de comercialização da Polaroid foi comprada em Maio por outra empresa por 87,6 milhões de dólares (cerca de 58,8 milhões de euros) e agora, as Polaroid vão voltar às lojas em 2010 com modelos digitais e analógicos. E os clientes mais fiéis também não vão ser esquecidos. Também vão ser postos à venda rolos para as máquinas mais antigas".

Hoje, no mesmo i, o texto de Carol Vogel (New York Times) destaca a má gestão e o avanço da fotografia digital como o problema que a Polaroid sentiu. Daí, a venda de 1200 obras no próximo Verão em leilão da Sotheby's. Fundada em 1937, foi à falência a primeira vez em 2001 e a segunda vez em 2008. Desta vez, um tribunal condenou a Polaroid a vender uma parte da sua colecção de fotografias, com nomes como Ansel Adams, Robert Rauschenberg, Robert Frank, Robert Mapplethorne, Andy Warhol e outros, esperando-se que a venda de 1200 objectos atinja entre 5,5 e 8,45 milhões de euros. A colecção Polaroid possui mais de 10 mil imagens.

UMA ANÁLISE DA RECEPÇÃO DA NOVELA FLORIBELLA

Ontem, na Universidade Católica, Ana Luísa Branco defendeu o seu relatório de estágio (mestrado) com o tema A Floribella aos olhos das crianças: diferenças de género. A aluna, que havia estagiado no departamento de Licenciamento e Merchandising na SIC, procurou compreender as razões do sucesso da Floribella, ao nível das audiências, do volume de negócio que proporcionou ao licenciamento e junto dos espectadores mais novos (o relatório, que ficou com uma estrutura próxima de dissertação, foi co-orientado mais directamente por Verónica Policarpo, docente daquela universidade). O que interessa aqui no blogue é verificar o modo como a aluna analisou o fenómeno junto do público infanto-juvenil.

A primeira temporada de Floribella decorreu de 31 de Março de 2006 a 10 de Março de 2007 e a segunda de 20 de Abril de 2007 a 17 de Janeiro de 2008. A intérprete de Floribella foi a actriz Luciana Abreu (revelada como cantora no programa Ídolos), enquanto o príncipe Frederico Fritzenwalden foi interpretado por Diogo Amaral e o conde Máximo foi Ricardo Pereira.

A aluna partiu de duas bases distintas: 1) formato melodramático – bem versus mal, bons versus maus, expectativa de final feliz, 2) definição de Vladimir Propp sobre o que é comum em todos os contos: agressor (ou mau), doador (ou provedor), auxiliar, princesa, mandatário, herói, e falso herói. Usou uma abordagem qualitativa (conhecer a opinião das crianças portuguesas sobre a Floribella, reconstituindo os significados que atribuiram à história e às personagens, com acesso a diferentes contextos educacionais, familiares e económicos) em três unidades de observação (instituições escolares diferentes, dezoito crianças de idades aproximada até 12 anos e espectadoras assíduos de Floribella, com três sessões de grupos de foco, seis crianças em cada instituição, metade rapazes e metade raparigas, com elaboração de fichas de caracterização social e dos hábitos de consumo mediático das crianças, entrevistas orientadas por um guião e sessões gravadas com gravador digital).

Na primeira instituição escolar (colégio privado), os rapazes viam mais a Floribella do que as raparigas, as raparigas mostraram inicialmente alguma vergonha em admitir que gostavam da novela, rapazes e raparigas viram mais a primeira temporada do que a segunda, a maioria, sem televisão nos quartos, via os episódios na sala com a família, a internet faz parte do seu dia-a-dia, mas a maioria não consultava a página da Floribella, os rapazes preferem programas de comédia e as raparigas preferem séries infanto-juvenis, desenhos animados e programas de entretenimento.

Na segunda instituição escolar (escola privada, mas com apoios sociais), os rapazes e raparigas viram assiduamente as duas temporadas da Floribella, os episódios eram vistos maioritariamente na sala, com familiares, as raparigas vêem mais televisão que os rapazes, os rapazes utilizam mais a internet que as raparigas, rapazes e raparigas apontaram como preferência as séries infanto-juvenis e programas de entretenimento.

Na terceira instituição escolar (instituição particular de solidariedade social), rapazes e raparigas viam a primeira temporada "todos os dias", reduzindo o consumo na segunda temporada, viam os episódios numa sala comum a todos, utilizam muito pouco a internet, rapazes e raparigas preferem ver desenhos animados, as raparigas referiram também algumas novelas.

Em termos de produtos licenciados, os elementos dos grupos de foco entenderam que, se a música era para todos, todos os outros produtos tinham as meninas como alvo, apesar de não darem muita importância aos produtos (bastava ver na televisão), preferindo produtos relacionados com música (CD, DVD de karaoke e jogos). Rapazes e raparigas relembram a Floribella com carinho e entusiasmo, raparigas encantaram-se com uma história de amor, rapazes divertiram-se com as peripécias, as crianças são espectadores activos, os rapazes preferem a coragem e a audácia, enquanto as raparigas valorizam a doçura, o carinho e o romance, o contexto cultural e os grupos de pares onde estão inseridos influenciam a forma como as crianças admitem (ou não) gostar deste tipo de ficção, com a música, o humor e a presença de crianças num cenário grande e colorido a serem ingredientes para o sucesso da novela. A aluna também considerou que, embora o merchandising ajudasse, ele não foi determinante para o sucesso da novela.

ARCO-ÍRIS ÀS 8 DA MANHÃ

FOTOGRAFIA E DIREITOS DE AUTOR

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

À VOLTA DO NEGÓCIO DA TVI

A informação contida nesta mensagem já se encontra desactualizada e fica como memória documental no blogue. Na edição de anteontem do Público, indicava-se que a Ongoing teria desistido de adquirir 35% da Media Capital, proprietária do canal de televisão TVI. Isto apesar da própria Ongoing ter desmentido (na mesma notícia) a desistência do negócio. O investimento previsto ronda os 124 milhões de euros.

Entretanto, a Assembleia da República começou a ouvir um conjunto de personalidades em torno da questão da putativa aquisição daquele canal de televisão pela PT no Verão passado e da liberdade de expressão e de informação.

EDITORA BABEL

Paulo Teixeira Pinto constituiu o grupo livreiro Babel, tendo adquirido as editoras Verbo, Ulisseia, Guimarães e Ática. Babel será também o nome de cinco livrarias a nível nacional. Torna-se, com estas operações de compra o quinto grupo nacional. O editor anunciou a reedição das obras de Agustina Bessa-Luís, Jorge de Sena e Fernando Pessoa (fonte: Os Meus Livros, Janeiro 2010).

PLANO NACIONAL DE LEITURA

Fernando Pinto do Amaral, 49 anos, poeta e professor universitário, é o actual coordenador do Plano Nacional de Leitura, cargo desempenhado anteriormente por Isabel Alçada, actual ministra da Educação (fonte: Os Meus Livros, Janeiro 2010).

A RÁDIO NA ERA DIGITAL

Brian O’Neill (ed.), com Per Jauert, Marko Ala-Fossi, Stephen Lax, Lars Nyre e Helen Shaw (2010). Digital Radio in Europe: Technologies, Industries and Cultures.

Apresentação do livro (em inglês): "Radio, the oldest form of electronic broadcasting, has been described as the last medium to go digital. Yet developments have been underway for over twenty years to create new technologies and digital platforms for the transmission of radio in digital form. Drawing upon extensive cross-national research conducted by the Digital Radio Cultures in Europe research group, this volume offers the first comprehensive review of the complex environment in which European digital radio now operates. The title describes the technologies, policies and different strategies utilized to bring radio into the digital era".

Mais informações aqui.

HISTÓRIA E INDÚSTRIAS CULTURAIS

O curso A História Contemporânea vista pelas Indústrias Culturais, dentro do programa anual de formação do Museu da Presidência da República, vai ter lugar neste museu nos dias 25 e 26 de Fevereiro. Mais informações em http://www.museu.presidencia.pt/.

GOOGLE APOIA WIKIPEDIA

A Google deu dois milhões de dólares à Wikipedia, disse anteontem o fundador da enciclopédia online, Jimmy Wales. O apoio destina-se às necessidades de largura de banda e serviços multimedia. A Wikipedia tem presentemente dois centros de dados, um na Florida e outro em Amsterdão. Disse Wales que, com o aumento de tráfego fora da Europa e dos Estados Unidos, a Wikipedia precisa de se expandir para outros espaços.

AUDIÊNCIAS DA RÁDIO

De acordo com os dados do Bareme Rádio (Marktest), referentes a 2009, 57% dos residentes no Continente com 15 ou mais anos afirmou ter ouvido rádio na véspera. O relatório indica que "Os quadros médios e superiores são o target que observa maior afinidade com a rádio, com 75,1% de audiência acumulada de véspera. Os indivíduos entre os 25 e os 34 anos (74,3%), os homens (65,3%), os indivíduos das classe social alta (71,3%) e média alta (66,4%), tal como os residentes nas regiões do Grande Porto (64%) também registam valores acima da média. Os reformados e pensionistas, as domésticas, os indivíduos com mais de 64 anos e os pertencentes à classe social baixa, pelo contrário, evidenciam hábitos de escuta de rádio abaixo da média do universo".

Os momentos de maior audiência de rádio (numa análise para períodos de 15 minutos) aconteceram entre as 11 e as 11:15m, com 15,6%.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

CONCERTO PELA INTERNET

Acabou agora mesmo a Missa Solemnis de Beethoven, com o Coro Gulbenkian e a Orquestra de Câmara da Europa, dirigidos pelo maestro John Nelson, transmitido em directo do Grande Auditório Gulbenkian pelo canal medici.tv (imagens recolhidas cerca das 19:30-19:40, de grande qualidade).

TEATRO COMO TEMA DE DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

Célia Caeiro defendeu hoje provas de mestrado na Universidade Católica com o tema intitulado Propostas de reflexão em torno das políticas culturais e da importância da cultura, e do teatro em particular, na sociedade portuguesa contemporânea. Foi arguente a professora Eugénia Vasques.



Célia Caeiro é responsável de marketing e produção executiva do Teatro Aberto (Lisboa).

CONCERTO PELA INTERNET

Hoje, às 19:00, a Missa Solemnis de Beethoven, com o Coro Gulbenkian e a Orquestra de Câmara da Europa, dirigidos pelo maestro John Nelson, no Grande Auditório Gulbenkian, será igualmente transmitida em directo pela mais importante plataforma audiovisual dedicada à música clássica: o canal medici.tv.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

HISTÓRIA DA IMPRENSA PERIÓDICA DESPORTIVA PORTUGUESA, 1875-2000

É o título da tese de doutoramento que Francisco Pinheiro vai defender no próximo dia 26 de Fevereiro, pelas 10:00, na Sala de Actos da Universidade de Évora.

Para o candidato, "Fazer a história da imprensa periódica desportiva portuguesa foi o objectivo da minha investigação de doutoramento, que
englobou a análise a 940 publicações periódicas desportivas, criadas em Portugal entre 1875 e o ano 2000. A construção desta história do jornalismo desportivo português permite compreender a importância e dimensão real desta área de especialização jornalística e fazer o seu enquadramento na história dos media em Portugal e no contexto internacional. Este estudo possibilitou ainda a identificação das principais linhas editoriais e tendências discursivas subjacentes à actividade jornalística desportiva portuguesa, assim como os diferentes trajectos e retóricas, em distintos espaços e dimensões temporais".

Desejo boas provas a Francisco Pinheiro.

Francisco Pinheiro é autor do livro A Europa e Portugal na imprensa desportiva (1893- 1945), editado em 2006 pela MinervaCoimbra. Autor de outros livros sobre o futebol e organizador de tertúlias e exposições sobre aquele desporto, no livro acima identificado propõe "identificar e caracterizar os discursos produzidos, nos principais jornais desportivos portugueses, sobre a Europa e a nossa identidade nacional", desde o começo do primeiro jornal desportivo (1893). Esse jornal fundador foi O Velocipedista (Porto), dedicado ao ciclismo.

O LIVRO DE MARTA AMADO


Vidas desencontradas (2009), editado pela Papiro, vai ser apresentado em Coimbra (FNAC Fórum Coimbra) no próximo sábado, dia 20 de Fevereiro, pelas 17:00.

O livro de Marta Amado é um romance feminino. Uma mulher, Sarah, dois homens, Joseph e Robert, e a governanta e confidente, Emma, constituem as personagens principais. Sabemos da história através dos três primeiros, mas é fundamentalmente a partir da acção e pensamento de Sarah que a narrativa nos é evidenciada e desenvolvida. Sarah e o seu diário, muito mais tarde recuperado pela filha Mary, a qual surge apenas no último capítulo.

A COMÉDIA EM PUBLICAÇÃO

Editado pela Intellect, o jornal Comedy Studies cobre múltiplos aspectos da comédia, com artigos sobre a comédia antiga e contemporânea, entrevistas a escritores e comediantes, cartas, editoriais e análise bibliográfica. O jornal procura ser um instrumento na criação de um discurso interdisciplinar sobre a natureza e prática da comédia, como se lê no editorial do primeiro número, agora editado:

"O lançamento da publicação Comedy Studies, pela licenciatura da Universidade de Solent atrairá muita atenção em termos de discussão da comédia. Para estudantes, fãs e profissionais da comédia, a pergunta é porque não se considerou antes a atenção da universidade à milenar tradição (de Aristóteles a Chris Morris)? A revista é um passo à frente no desenvolvimento do estudo da comédia como disciplina universitária, um fórum de discussão, análise e crítica da comédia. Para o qual oferece uma plataforma mundial aos académicos, autores e leitores interessados em comédia de modo a publicarem as suas opiniões e ideias".

OS ESTÚDIOS DA ABBEY ROAD ESTÃO À VENDA?

A EMI, empresa de música, está em contacto com potenciais compradores dos estúdios da Abbey Road, onde os Beatles fizeram a maior parte dos seus registos, como o álbum que tem o nome dos estúdios (1969). Tais conversações indiciam as dificuldades na actividade por parte da empresa Terra Firma que a comprou em 2007. Ler a notícia completa em Wall Street Journal.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

DO GOSTO AO CONSUMO

Estávamos a analisar um documento sobre as gerações consumidoras dos media e das indústrias culturais. Falei em produtos culturais de qualidade e populares. Um aluno chamou-me a atenção para, por exemplo, a arte do sapateado. Como a podemos classificar face a indústrias como a televisão ou o cinema ou a artes criativas como o concerto musical ou a exposição de pintura? A qualidade é um conceito de gosto. Concluímos que os consumos de cultura têm de possuir mais elementos de avaliação, como a tradição e a ruptura, o conservadorismo e a novidade, o equilíbrio entre ambos. Depois, as diversas gerações têm consumos desiguais: elevados até aos 26-30 anos (e muita diversidade de consumo, incluindo práticas de saída nocturna e de convívio), redução a partir desse nível etário (menos tempos livres, mais preocupações económicas como habitação, família, emprego), leve aumento de consumos, mas mais orientados para actividades específicas, a partir dos 40-45 anos. A geografia é um outro elemento a considerar - o investimento das autarquias em cultura e entretenimento é assimétrico: segundo dados das Estatísticas da Cultura 2008 (INE), o Alentejo dedica mais dinheiro à cultura que a Grande Lisboa, mas é na metrópole em torno da capital que está concentrada a produção cultural e onde ocorrem mais espectáculos.

CELEBRITIES STUDIES

Routledge announces the publication of Celebrity Studies from 2010 and is currently accepting papers (see call for papers here). The journal is also currently accepting papers for a collection of upcoming special issues such as: 1) Aging and the Female Celebrity, 2) Celebrity and the Transnational, 3) Michael Jackson: Celebrity, Death and the King of Pop, 4) Sex and the Celebrity. For further information about each of these issues and for details on how to submit visit this site and click on the relevant title. See also here.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

CONGRESSO SOBRE RÁDIO NO ISCSP


No próximo dia 25 de Março, no ISCSP, vai decorrer o congresso internacional Pós Rádio: R@dio como media social? Segundo informações da organização, será o primeiro do género a usar plataformas digitais, com muitos dos convidados estrangeiros a participarem através de videoconferência.

Alguns dos temas a discutir, com a apresentação de casos de sucesso reunindo profissionais e investigadores, serão: Blogues, podcasts e redes sociais: ferramentas de marketing para a rádio, Redes e projectos sobre a rádio no contexto europeu, A convergência multimédia como um desafio técnico e humano, Rádios de cultura livre: independência e criatividade, música na rede: tendências e estratégias, Internet: fronteiras diluídas entre rádio e a música. Alguns dos convidados estrangeiros serão: Guy Starkey (Head of Media and Cultural Studies, Faculty of Arts, Design and Media, University of Sunderland), Angeliky Gazi (Cyprus University of Technology), Brian O'Neill (Dublin Institute of Technology), Guy Starkey (University of Sunderland), Brian O'Neill (Dublin Institute of Technology), Richard Berry (University of Sunderland), Nik Goodman (Radio Consultant) e Paul Campbel (Amazing Tunes/Amazing Radio).

O evento será ainda ocasião para apresentar a linha de investigação e os projectos em curso do Grupo de Pesquisa de Comunicação e Media (CAPP/ISCSP) e o livro A Rádio e as indústrias culturais, de Paula Cordeiro, coordenadora científica do congresso e da linha de pesquisa Radio Research acima identificada. O livro é publicado pela editora Livros Horizonte.

MODA E DESPORTO

No jornal inglês Independent, uma notícia que me interessou diz respeito à designer Angy Morton, que vai apresentar uma colecção de moda ligada ao desporto, isto é, aos emblemas e cores dos clubes da primeira liga de futebol britânica. O resultado é deveras curioso, pelo que aconselho a leitura do texto e, em especial, as imagens do vestuário construído pela designer, no jornal Independent.

A passagem de modelos vai decorrer no próximo dia 24, às 21:00, no Jalouse Club, Mayfair, em Londres, como se pode ler no anúncio abaixo. O blogueiro, apesar do interesse, não tem convite, pelo que não vai lá estar.

AVENIDA DE ROMA

A notícia não tem muitos dias: o Centro Comercial Roma fechou. Situado em plena avenida de Roma, em Lisboa, já funcionava há perto de 30 anos, com um conjunto razoável de lojas. Tinha um restaurante muito popular, uma papelaria (que fechou e reabriu, embora sem a oferta anterior), sapatarias, lojas de roupa, um cabeleireiro. A administração do condomínio terá ido à falência, sem pagar as dívidas que se foram acumulando.

É uma parte da cidade que morre. Não muito longe dali, o conjunto de salas de cinema Quarteto desaparecera há algum tempo, como dei aqui notícia. O Centro Comercial, além dos problemas de condomínio, não se modernizou, e o Acqua Roma, centro comercial mais perto da Praça de Londres, terá disputado a clientela daquele.

THE FUTURE OF CULTURAL WORK

  • As ‘creativity’ and ‘creative work’ have become buzzwords for progress, so the cultural and creative industries have become an instrumental feature of national economic and cultural policies. Most recently, cultural, artistic and creative labour has been identified as leading the transition to a more fluid, affective and converged ‘innovation’ economy, where cultural work is valued more for its ability to diffuse ideas and ‘creative energies’ than for its intrinsic value, or for its (potentially) socially transformative or redemptive potential.
Organisers: Mark Banks and Stephanie Taylor (CRESC, Open University), Rosalind Gill and Andy Pratt (Centre for Culture, Media and Creative Industries Research, King’s College, London). Date: Monday 7 June 2010. Venue: Open University London Regional Centre, Camden. Keynote speakers: David Hesmondhalgh, Georgina Born, Mark Deuze, Melissa Gregg (final list TBC).

Call for Papers: send to m.o.banks@open.ac.uk until April 9th.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

PROJECTO ENCONTROS VISTO POR MARGARIDA BOTELHO

Hoje, o blogue abre-se a uma colaboração exterior. Margarida Botelho esteve recentemente em Moçambique, como ela conta a seguir. Pareceu-me muito interessante a sua experiência e, apesar de um pouco fora da linha editorial do blogue, entendo que o seu testemunho deve ser partilhado.
  • O projecto ENCONTROS percorreu Moçambique com a apoio do Programa INOV-ARTE, dgARTES e da Unesco. Durante 8 meses viajei por Moçambique com uma mochila cheia de livros em branco, que foram pouco a pouco ganhando vida. Desenhei um projecto de literacia comunitária com base na ideia que a experiência de construir um livro (literalmente) com a nossa história de vida fornece-nos mais ferramentas para entendermos quem somos e o mundo que nos rodeia. Em algumas situações limite ajuda a sobreviver: treinando competências cognitivas que podem ser determinantes no desenvolvimento social e económico de comunidades muito pobres. A partir da ideia de planificação e de story board, todos os participantes trabalharam comigo num ritmo diário, recebendo um livro em branco, lápis, pincéis e tintas. A partir daí com uma grande liberdade de expressão, escreviam em português ou em línguas locais e ilustravam a sua história. No final, os livros eram apresentados à comunidade numa exposição/festa e passavam a pertencer uma “biblioteca comunitária”. Um dos lugares por onde passei e que mais marcou a minha “história” foi o campo de refugiados da UNHCR, em Nampula, com refugiados provenientes maioritariamente da República Democrática do Congo, Ruanda e Burundi (Margarida Botelho).

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

CAPAS DA VOGUE

Paris Vogue Covers 1920-2009 é um livro-álbum de Sonia Rachline editado pela Thames & Hudson em 2009, traduzido do francês por Ruth Sharman. Sonia Rachline escreve sobre a Vogue francesa há mais de 25 anos e entre outros livros publicou Vogue à la Mer e Vogue en Beauté.

O presente livro, com 122 ilustrações coloridas e 208 páginas abrangendo os 90 anos de vida da revista, tem capítulos versando os seguintes temas: ilustrações famosas; estúdio, teatro e moda; modelos e supermodelos; chapéus; jóias de Natal; Paris; star system; grandes cartazes; e moda e espectáculo. A revista americana iniciou a sua actividade em 1909, quando Condé Nast, um aficcionado dos media e da imprensa, comprou uma publicação falida, dirigida a mulheres de classe alta de Nova Iorque, mas com pouco dinheiro e leitoras. A estratégia de desenvolvimento de Nast foi centrar a Vogue mais no mercado e menos nas audiências de massa, procurando a qualidade e não a quantidade. Dirigiu-se ao público de rendimentos mais elevados através de campanhas sedutoras de publicidade.

Na introdução, escreve a autora que a capa de uma revista tem um estatuto distinto do resto da publicação. Ao contrário das outras páginas, continua Sonia Rachline, a capa é um trabalho colectivo que inclui ilustrador, designer gráfico, fotógrafo, modelo, editor ou ainda outro tipo de colaborador. Mas apenas a publicação tem os direitos de autor.

A Vogue tornar-se-ia uma espécie de íman, com capas feitas por ilustradores e fotógrafos famosos, tendências que transferiu para a edição francesa, saída em 1920 e agora em análise por Sonia Rachline. Ao longo de décadas, as capas reflectiram de muito perto as principais correntes artísticas, em termos de alta costura e estilos de vida, e ícones de uma sociedade específica. Já em finais da década de 1940, a revista adaptou-se a uma nova época (pós-Segunda Guerra Mundial), mas as capas mantiveram os valores e a estética que são a sua imagem de marca, mostrando a sociedade de consumo e o pronto-a-vestir da década de 1950, a emancipação  da mulher na década seguinte, a emergência de moda internacional nos anos de 1980, o culto das celebridades na década de 1990.