quarta-feira, 3 de março de 2010

SECTOR CULTURAL E CRIATIVO

Já se encontra disponível a versão integral do estudo O sector cultural e criativo em Portugal em GPEARI.

AUDIÊNCIAS DE TELEVISÃO

Em Fevereiro de 2010, a TVI obteve 27,5% de share de audiência, a SIC obteve 25,3%, a RTP1 registou 24,7%, o que ilustra um novo equilíbrio entre os três canais generalistas. A RTP2 alcançou 4,9% e o cabo e outros canais 17,6% (dados da Marktest Audimetria/MediaMonitor).

segunda-feira, 1 de março de 2010

ISTAMBUL EM EXPOSIÇÃO NO CCB

Hoje, no CCB, foi inaugurada a exposição Istambul Perdida, Anos 50-60, do grande fotógrafo turco Ara Güler, que não se deslocou a Lisboa em virtude do falecimento da sua mulher na semana passada. Apresentou a exposição a comissária Laura Serani (na fotografia).

Esta exposição marca o início do Festival Pontes para Istambul, mostra de fotografia, literatura, cinema e música até 1 de Abril. O jornal do festival, com o programa detalhado, ilustrado com fotos de Ara Güler, está disponível em Festival Pontes para Istambul.

Texto e imagem de Carlos Filipe Maia, a quem agradeço.

SECTOR CULTURAL E CRIATIVO

Hoje, decorreu a apresentação do estudo O sector cultural e criativo em Portugal, pelo professor Augusto Mateus, no Palácio da Ajuda (fotografia de Carlos Filipe Maia, a quem agradeço a amabilidade).


Ver sumário executivo aqui: "Os principais segmentos das indústrias culturais – os subsectores da edição e da rádio e televisão – são responsáveis por praticamente metade (47%) da riqueza produzida em todo o Sector, o que reforça a imagem de uma certa polarização e desequilíbrio no peso relativo dos diferentes segmentos que o integram e estruturam" (p. 3).

NOITES UTÓPICAS


Ver mais informações em Noites Utópicas.

ARTEMREDE


Ver mais em Artemrede.

JOANA VASCONCELOS

Joana Vasconcelos (Paris, 8 de Novembro de 1971) inaugura hoje, no Museu Colecção Berardo, em Lisboa, a sua primeira exposição antológica. Intitula-se Sem rede e é comissariada por Miguel Amado.

FRÉDÉRIC CHOPIN

O compositor e pianista Frédéric Chopin nasceu na Polónia (Żelazowa Wola) em 1 de Março de 1810, faz hoje duzentos anos. Morreria 39 anos depois em Paris.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

RADIO AND NARRATIVE: THE RE-ENCHANTMENT? CALL FOR PAPERS

Symposium 24 hours around radio stories, Brussels (Louvain University) 19-20 November 2010

The universe of narrative radio is now booming, and even seems to experience a new birth. A priori, one would however tend to think otherwise. Indeed, in radio drama, is narrative not limited to the production of niche programs reserved for few cultural channels? And in the documentary sector, where are the narrative content programs, except in the late hours of programming, even open community radios? Yet the narrative is reborn. On terrestrial radio, narrative now enjoys legitimacy in staging the radio news, where the story little by little found letters of nobility. It is also investing more and more sectors of the radio ad. Its location in the documentary production takes new forms. With more testimonial forms, it interferes with talk programs. And there is talk of a possible return of radio drama, whose nature has yet to imagine. On the new media, the narrative also begins to move, whether on web radios or audio-databases programs. It occupies new space, with a new language. At the birth of radio, the story was at the heart of this medium. Subsequently, it was widely rejected. Today, two are occupied in reacquainted. The opportunity is unique to review the various components of the related radio story, whether with a historical perspective (from the "golden age" to our days), a narratological reading or writing, a pragmatic semiotic analysis, a formal sociological perspective, or socio-economic and strategic interpretation.

Call for Papers is issued to researchers conducting studies on the radio in connection with the theme of the story, the setting of the story and narrative. Because this theme is at the crossroads of media, narrative and radio, the analysis of the relationship between radio and story will take place during a symposium co-organized by GRER (Group for Research and Studies on the Radio, France, www.grer.fr/) and the ORM (Media Narrative Observatory at the University of Louvain, Belgium, www.uclouvain.be/281217.html). This symposium will take place 24 hours in Brussels, Friday, from November 19th at 2pm to Saturday, November 20 th at 12am. Practical information on where and how the host will take place will be subsequently disclosed to registered participants and speakers.

Proposals for papers, including a brief description of the topic and a presentation of the author, should be sent before May 20, 2010 to: frederic.antoine@uclouvain.be. A scientific committee will review proposals and inform stakeholders on 1 July 2010. The text of the submission is sent before September 30, 2010 to: frederic.antoine@uclouvain.be. The communication may be submitted in French, English or Spanish. If, during the symposium, the communication is made in French or Spanish, it must be accompanied by a PowerPoint presentation in English. If, during the symposium, the communication is made in English, it must be accompanied by a PowerPoint presentation in French. There is no registration fee or participation fee for the stakeholders.

SCORSESE

Em Shutter Island, Martin Scorsese passa quase todo o filme a enganar o espectador. A narrativa que nos é apresentada mostra a personagem principal investida no papel de polícia que chega a um hospital-prisão psiquiátrico isolado para investigar o desaparecimento de uma doente. Por vezes, o realizador mostra-nos imagens perturbadoras da II Guerra Mundial, que associamos à personagem principal. Mas seguimos esta, acreditamos no seu papel. O polícia, mais o seu ajudante, procuram indícios, interrogam outros doentes, constroem uma teoria. Os médicos psiquiatras têm um ar estranho, secreto e quase sinistro e louco, o que nos leva cada vez mais a simpatizar com o polícia. Deste, acabamos por saber que a mulher morreu no incêndio da habitação, numa altura em que o polícia estava a trabalhar. E detectamos alguma violência no seu comportamento mas aceitamos este dada a missão para que fora incumbido.

Os sinais que Scorsese mostra constituem um puzzle ainda não inteligível: flashbacks, cenas de corredores com suspense, interrogatórios. Sabemos que a narrativa não encaixa, mas nunca abandonamos a perspectiva do polícia. Embora o cinema seja pródigo em nos apresentar uma permanente inverosimilhança, a história é contada através das movimentações dessa personagem - e acreditamos.

Claro que, quando a personagem procura um hospital num velho farol e encontra sucessivas salas vazias, o respeito que temos pela personagem esmorece. Ele procura o que não existe. Então, quando se assiste ao diálogo com o médico e o assistente, que encarnara o papel de polícia assistente, vemos que o puzzle de sinais ao longo do filme se encaixa. A personagem matara a mulher que amava por que esta matara os três filhos. Para fugir a esta realidade, ele refugiou-se na construção de uma outra personalidade, com todos os elementos a darem ao acontecimento matriz mas em que ele não era culpado mas procurava compreender os sinais de culpa.

O que se vê no filme é a construção irreal em torno da personagem, uma segunda personalidade, uma alucinação, com um denso enredo psicológico. O filme é uma alegoria da violência mental e das possibilidades de manipulação mental, através de fármacos ou de operações de lobotomia. Aliás, no filme, há uma frase em que o médico indica ser adepto de uma terceira via, a do diálogo com os doentes mentais. A personagem interpretada por DiCaprio não aparece nunca algemada para evitar que os seus movimentos sejam impedidos. O filme decorre na década de 1950, logo depois do final da II Guerra Mundial e há críticas a experiências feitas na Alemanha e na Coreia, países em que os americanos tomaram contacto com as realidades e experiências médicas feitas em torno da mente e do possível controlo do cérebro. Diz o realizador que voltamos, na actualidade, a ter medo e paranóia do outro, do controlo da liberdade e da expressão. Nos flashbacks, a personagem principal compara os rostos descarnados e quase mortos dos prisioneiros dos alemães da II Guerra Mundial com rostos semelhantes no hospital-asilo.

No filme, perdemos a noção do tempo - quantos dias, quantas noites de acontecimentos? Igualmente, o espaço é delimitado (as alas do hospital, os espaços dos directores do hospital, o farol, a floresta), mas há oportunidade de descobrir novos espaços dentro dessa delimitação. O conhecimento que temos do mundo é sempre cingido a um tempo e espaço. Mas se perdemos a noção desses limites? Por exemplo, no sonho, ou quando procuramos alguma coisa, o tempo e o espaço têm uma duração psicológica diferente. Dizemos "o tempo passou sem dar por ele", quando nos agrada o que fazemos. Ou "nunca mais passa", se ocorre o contrário. O filme representa, por outro lado, a ideia de viagem - entre a sanidade e a loucura. Por vezes, a fronteira é espessa, muitas vezes, é fina, quase transparente. Scorsese ensina-nos outra coisa: nunca devemos confiar na narrativa, no que nos contam. Quem nos conta tem um interesse em fazê-lo daquele modo e não de outro. Além de que o que compreendemos pode ser diferente do que o vizinho ao lado ou amigo interpreta.

Além de Leonardo DiCaprio, os outros actores principais são Mark Ruffalo, Ben Kingsley e Max von Sydow.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

PESQUISAR, ALTERAR, DESCOBRIR

São os principais verbos usados pelos estudantes que recorrem à internet. Pesquisar significa ir ao Google com a palavra-chave ligada ao tema. Alterar é fazer "corta e cola" de textos e frases - e a profundidade desta operação depende do tempo que se tem para o trabalho. Descobrir (citar ou parafrasear um texto) é a diferença face ao trabalho dos outros alunos. Ficam a faltar a reflexão e a crítica. Assim como os livros, as enciclopédias e os artigos das revistas científicas.

POP CULTURE

Call for Submissions for an Anthology on Pop Culture and Nature edited by Johannes Springer, Thomas Dören and Jochen Bonz. Please submit proposals for contributions until April 1, 2010 to johannes.springer@uni-bremen.de.

TIVE PENA DE LER ISTO ONTEM


Fonte: Ponto Media

OS POUCOS GANHOS DE AVATAR NOS PRÉMIOS BAFTA

Avatar não conseguiu sobressair nos pémios do cinema atribuídos pela BAFTA (British Academy of Film and Television Arts). Apesar de já ser o mais visto, o filme não conseguiu ganhar a Estado de Guerra, história sobre a guerra no Iraque, com seis estatuetas. Avatar ganhou estatuetas nas áreas de design de produção e de efeitos visuais especiais, obviamente categorias secundárias.

Mais informações no sítio da BAFTA.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

PRESIDENTE CANTOR

"Usilo Bambang Yudhoyono, o presidente indonésio, lançou recentemente um novo álbum de música pop intitulado Sei que vou chegar lá. Embora bem recebido, o álbum - o terceiro desde que se tornou presidente - não o retirou da apatia política" (i, caderno i Reportagem, hoje, p. 6).

PERDA DOS JORNAIS

"No conjunto, os jornais diários caíram 6,8% face ao ano homólogo" (i, hoje, p. 8).

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

SECTOR CULTURAL E CRIATIVO PORTUGUÊS EM ESTUDO

A apresentação do estudo encomendado pelo Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais (GPEARI) ao Professor Augusto Mateus, sobre O Sector Cultural e Criativo em Portugal, terá lugar na Galeria do Rei D. Luís, no Palácio Nacional da Ajuda, no dia 1 de Março às 15:00.

COLLOQUE PHOTO RENNES


L'IMAGE PUBLIQUE # 4 presents an European Interdisciplinary Conference. Photography at the Crossroads of Humanities and Social Sciences. Photographic approaches, uses of photography, cultural and social mediations. Tuesday 5th and Wednesday 6th of October 2010 – Rennes and Métropole (France). As objectives, this interdisciplinary conference comes into the framework of the European Gruntvig programme, being open to the works of young European researchers and favouring access for all types of public to current academic debate, notably in the course of continuing education. See more details at Colloque Photo Rennes.

PROJECTO ADDICT

O Clube ADDICT é um projecto de networking itinerante e temático para negócios criativos, que ocorre de dois em dois meses. O tema do primeiro Clube ADDICT, que decorreu no passado dia 11 de Fevereiro, foi Como é que o digital pode ajudar, manter e desenvolver as manualidades (artesanais)? Foi objectivo do encontro dar origem a parcerias e/ou ideias para negócios criativos.

Fonte: Newsletter de Janeiro de 2010 da Fundação da Juventude

INDÚSTRIAS CRIATIVAS

O Prémio Nacional de Indústrias Criativas - Unicer/Serralves é uma iniciativa da Unicer e da Fundação de Serralves, em parceria com a Fundação da Juventude, Agência de Inovação, ANJE, BPI, ESAD, IAPMEI, LMS Design, Universidade Nova de Lisboa e Universidade do Porto, estando a decorrer a fase 2 da sua 2ª edição.

O júri seleccionou uma lista de projectos que passarão à próxima fase do concurso (plano de negócio entregue até 31 de Março de 2010): Projecto 027 (BLUEWAVE: Filipa Reis), Projecto 009 (FIT ON PAPER: Paulo Taveira), Projecto 054 (PISA PAPÉIS: Nuno Ricou Salgado), Projecto 040 (SCIENCE OFFICE: Nuno Esteves), Projecto 007 (VERA VIANA: Rui Morais), Projecto 091 (UOU!: Gonçalo Cruz), Projecto 076 (OSTV: João Vasconcelos), Projecto 115 (TV ENERGIA: Vasco Ferreira), Projecto 021 (HABITAT ZERO: Diana Roth), Projecto 102 (JUST TRY IT, Montras Virtuais: João Abrantes de Oliveira).

Fonte: Newsletter de Janeiro de 2010 da Fundação da Juventude

FEIRAS FRANCAS



No âmbito das diversas acções do Palácio das Artes - Fábrica de Talentos, surge a recuperação de uma antiga tradição da cidade do Porto: as Feiras Francas, que tiveram o seu início em 1451, todos os dias 1 de cada mês, nas arcadas do Edifício Douro e que se conservaram pelo período de 111 anos. Ver mais no blogue Feiras Francas.

Fonte: Newsletter de Janeiro de 2010 da Fundação da Juventude

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

SÉRIE DE CINEMA EM PORTUGAL: ECRÃS, SESSÕES E ESPECTADORES

A década de 1970 foi aquela em que houve mais espectadores de cinema em Portugal, com uma média anual de mais de 30 milhões de espectadores (número máximo de mais de 40 milhões em 1976), número que baixou para os cerca de 15 milhões há dois anos. Ao invés, cresceu o número de sessões para quase 645 mil sessões em 2008, quando em 1974 se ultrapassou a primeira vez as cem mil. Quanto a ecrãs de cinema, havia 418 em 1967, número que foi baixando ao longo dos anos seguintes, chegando a 230 em 1992, e subindo nos anos seguintes, com um máximo absoluto em 2008, em que estavam activos 572 ecrãs.

Destas séries (presentes na base PORDATA, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, com o sociólogo António Barreto a presidente do conselho de administração, a partir de dados recolhidos pelo INE, e que este não possui de modo seriado), podem-se tirar algumas conclusões importantes (embora sem total rigor científico).

Uma delas é que, ao grande crescimento de ecrãs, não corresponde um movimento de expansão de espectadores. Em Portugal, viu-se mais cinema na década de 1970, nos anos em torno da mudança de regime político, com o pico máximo em 1976. Visionamento de filmes proibídos pela censura e novas cinematografias (caso da indiana, que teve mesmo cinemas dedicados à passagem de filmes da Índia) são explicações para essa subida, a que se poderá aliar um maior poder de compra e/ou sentimentos de maior consumismo.

Logo no ano seguinte, em 1977, arrancava a telenovela brasileira Gabriela, correspondendo a uma queda de idas ao cinema. Apenas em 1995 começa a lenta recuperação, no momento em que a SIC, um canal comercial, atingiu a liderança em termos de audiência de televisão. Outro dado interessante é a quebra de ecrãs na parte final da década de 1980, acompanhando o decréscimo de espectadores, mais seduzidos pela televisão.

Por outro lado, houve uma mudança lenta no modo como os ecrãs se distribuiram, desaparecendo salas antigas nos bairros e começando a instalar-se ecrãs múltiplos em centros comerciais. Lembremo-nos que os centros comerciais começaram a expandir-se na segunda metade da mesma década de 1980 (Amoreiras em Lisboa, Brasília Shopping no Porto), com um aumento significativo na década seguinte.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

CARTAS DO JAPÃO I - VISTAS

Rita Botelho viveu nove meses em Kyoto, Japão, tendo recentemente voltado para Portugal. No Oriente, ela esteve a estagiar como designer de produto numa empresa que promove e vende objectos de design japonês. Conta ela:


  • "Durante esse tempo, fui-me integrando progressivamente numa cultura totalmente diferente da portuguesa. Tive uma experiência de vida única numa cidade e país muito diferentes, que gostaria de partilhar com os leitores deste blogue através de algumas imagens que organizei em quatro temas: vistas; templos e santuários; tradições; e gastronomia".
Com as fotografias que aqui editamos, incluimos também textos escritos pela Rita Botelho. Agradeço-lhe a gentileza em aceitar publicar no Indústrias. Assim, o blogue edita algumas mensagens, a que dei o título de Cartas do Japão. O tema de hoje é vistas.


À esquerda: Osaka é a segunda maior capital económica do Japão e a maior cidade mais perto de Kyoto. Apesar da estética muito industrial, que contrasta com a beleza natural de Kyoto, Osaka é a cidade mais atraente para os jovens que procuram diversão e trabalho.


Em baixo: Centro de Kyoto. Podemos ver o rio Kamo que atravessa a cidade de Norte a Sul. A fotografia foi tirada da zona do meu local de trabalho e por isso esta paisagem acompanhou-me ao longo de nove meses. Kyoto é uma cidade conhecida pela simbiose entre a urbanização e a natureza e o rio é um dos principais elementos de ligação.





Em cima: cruzamento em Shibuya. Vi, pela primeira vez, o fenómeno das múltiplas passadeiras em Tokyo no filme Baraka. Visto ao vivo e fazer parte da multidão é uma sensação única. É, sem dúvida, uma das grandes atracções turísticas de Tokyo.

Em baixo: cemitério budista em Kyoto. Este foi o maior cemitério budista que alguma vez vi. Encontra-se situado num vale, no meio da natureza. É uma das imagens que ficaram bem marcadas na minha memória, pois despoletou em mim a curiosidade em saber mais sobre os ritos funerários dos japoneses e impressionou pela sua escala, que me fez lembrar uma maqueta de uma grande metrópole.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

INDÚSTRIA CULTURAL PARA CESAR BOLAÑO

  • CESAR BOLAÑO: O conceito de Indústria Cultural, na forma como é definido na Economia Política da Comunicação, mantém a sua validade enquanto a produção cultural hegemônica permanecer como atividade a serviço da acumulação de capital, ou seja, enquanto os bens e serviços culturais continuarem a ser produzidos por um trabalho subordinado de alguma forma às leis de mercado. As formas históricas concretas em que essa exploração do trabalho cultural se dá, no entanto, são variáveis. A globalização e a convergência são fenômenos ligados ao processo de reestruturação capitalista iniciado nos anos 1970, que afeta, entre muitas outras coisas, as diferentes indústrias culturais e da comunicação, ao promover o novo paradigma da digitalização. Algumas dessas indústrias passam por mutações fundamentais, outras surgem, algumas eventualmente desaparecerão na forma como são conhecidas, as formas da concorrência no interior de cada uma e entre elas se alteram, novos atores entram nos diferentes mercados culturais, outros serão possivelmente expulsos, mudarão em conseqüência os sistemas de regulação, mas a essência do fenômeno e suas contradições – que apontam, estas sim, para possibilidades de ruptura mais profundas, as quais também serão redefinidas nas novas condições – permanecem.
[in Máquina de Escrever, 13.2.2010]

FOTOGRAFIA COM SUSANA PAIVA

Objectivos: reflectir sobre as práticas contemporânea do fotodocumentalismo. O workshop visa desafiar os participantes a produzirem um pequeno ensaio fotográfico documental. Formadora: Susana Paiva. Local: Casa da Esquina, Coimbra. Datas: 3 a 7 de Março. Email: Casa da Esquina.

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA DE MÁRIO PIRES

"O Chiado é uma das zonas mais emblemática de Lisboa. Há muito que está presente nas letras portuguesas e faz parte dos hábitos da capital. Muitos dos seus ex-libris são igualmente lugares comuns fotográficos.

"Ao aceitar o desafio de fotografar o Chiado, apenas tinha a certeza de que não queria caminhar por trilhos já demasiado pisados. Não tendo pretensões a originalidade, escolhi tratar o tema de modo a reflectir sobre as dúvidas que sinto em relação ao papel da fotografia como "descritora" da realidade e às falhas desse modelo.

"Porquê escolher um único ponto de vista quando podemos ter vários ? Acredito que um dos papéis da arte é o de mostrar que a realidade tem muitos sentidos, muitos mais do que aqueles que os sentidos nos revelam. Espero apenas contribuir para que possam descobrir maneiras diferentes de olhar o Chiado".

Texto de Mário Pires como convite para a sua exposição de fotografia 7 Visões no Chiado, que inaugura no dia 26 de Fevereiro, pelas 18:30, e se prolonga até 30 de Março, no LiberOffice Chiado, Largo Rafael Bordalo Pinheiro, 16, Lisboa [imagem retirada do sítio Estética Fotográfica, do autor].

CENTRO COMERCIAL ROMA

Segundo me disseram, o centro reabriu, embora com um ainda diminuto número de lojas, entre as quais a cafetaria. Eu escrevera aqui, a 14 deste mês, sobre o encerramento daquele já antigo centro na avenida de Roma, em Lisboa.

ABERTO CONCURSO PARA NOVO DIRECTOR DO CENJOR


[fonte: Sindicato dos Jornalistas]

domingo, 21 de fevereiro de 2010

ACTIVIDADES DE INDÚSTRIAS CULTURAIS E CRIATIVAS EM PORTUGAL

"Em Portugal, o sector cultural e criativo cresceu mais do dobro do que a própria economia. Um crescimento anual de 2,9% torna-o num dos sectores mais dinâmicos da economia nacional face a uma taxa média de crescimento da economia situada nos 1,3%", escreveu Alexandra Carita na edição de ontem do Expresso. Na presente mensagem, a minha leitura é de realçar o peso do sector mas levantar dúvidas quanto aos números mostrados no estudo.

Os dados baseiam-se em estudo encomendado pelo Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais do Ministério da Cultura à empresa de consultoria de Augusto Mateus & Associados (ver documento aqui, o qual eu sigo nas linhas posteriores desta mensagem). O estudo considera um sector nuclear (património histórico e cultural, artes do espectáculo, artes visuais, criação literária), as indústrias culturais (música, edição, software educativo e de lazer, cinema e vídeo, rádio e televisão) e as actividades criativas (produção de serviços de software, arquitectura, publicidade e design), num total de treze sectores.

Após a identificação dos sectores, o estudo indica que o sector cultural e criativo originou, no ano de 2006, um valor acrescentado bruto (VAB) de quase 3,7 mil milhões de euros, responsável por 2,8% da riqueza criada nesse ano em Portugal, o que foi superior, por exemplo, "ao contributo dado pelas indústrias alimentares e bebidas e ou a dos têxteis e vestuário". A distribuição nos três sectores é assim apresentada (p. 3 do relatório):




Conforme se pode ler na p. 5 do relatório, "As Indústrias Culturais constituem o principal domínio de actividades do Sector Cultural e Criativo, representando um pouco menos de 80%, enquanto as Actividades Criativas e Actividades Culturais Nucleares assumem uma posição secundária, representando, respectivamente, cerca de 14% e 8%. O núcleo-duro das indústrias culturais – os subsectores da edição e da rádio e televisão – é, pelo seu lado e por si só, responsável por um pouco mais de metade do valor acrescentado produzido em todo o Sector Cultural e Criativo, o que reforça esta imagem de uma certa polarização e desequilíbrio no peso relativo dos diferentes segmentos que o integram e estruturam".

Logo depois, o relatório "realça o crescimento sustentado das Actividades Culturais Nucleares, de 10,9% ao ano, que se fica a dever, sobretudo, ao crescimento particularmente forte evidenciado pelas Artes do Espectáculo (13%), o mais elevado entre todos os sectores, mas, também, ao crescimento muito significativo das Artes Visuais, Criação Literária e do Património Cultural (de 9,1% e 8,6%, respectivamente)". Ao invés, "As Indústrias Culturais conheceram no seu conjunto, entre 2000 e 2006, uma taxa média de crescimento anual de 14,7%, portanto, abaixo da referência global do Sector Cultural e Criativo". Quanto a emprego, "o Sector Cultural e Criativo era responsável, em 2006, por cerca de 127 mil empregos, representando, desse modo, cerca de 2,6% do emprego nacional total" (p. 3).

Fico com algumas dúvidas quanto aos resultados deste estudo da consultora Augusto Mateus & Associados, pois noto uma grande discrepância face a dados que cobrem áreas semelhantes divulgados pelo INE (ver aqui no blogue e o texto completo daquele Instituto, documento intitulado Estatísticas da cultura - 2008). No estudo do INE, é taxativa a informação que, em 2008, o emprego cultural atingiu 52800 pessoas - isto é, dois anos depois face ao analisado pelo primeiro estudo aqui referenciado. O maior problema é que os dois documentos usam nomenclaturas diferentes quanto a sectores em estudo, no que pode residir a maior dificuldade de comparabilidade. Mas é imperioso que os dois documentos sejam cotejados, de modo a sabermos o que vale realmente o sector cultural e criativo.

MADEIRA

A Madeira, onde ontem ocorreu uma grande catástrofe, merece a solidariedade de todos (imagem retirada do jornal Público).