quarta-feira, 16 de março de 2011

MADEIRA


Algumas legendas: filete de espada com banana e molho de maracujá, prego no bolo do caco (se bem que é excelente bolo do caco - pão típico - com manteiga de alho), espetada com milho, batata frita e salada (em restaurante de Câmara de Lobos), anúncios e montras de lojas (loja do Cristiano Ronaldo - CR7, pastelaria OPAN com bons bolos incluindo queijadas tradicionais, loja de vinhos/licores) (fotografias de P.C., a quem agradeço a gentileza de permissão de publicação).

terça-feira, 15 de março de 2011

COMPRE UM LIVRO A PRESTAÇÕES

O meu livro Indústrias Culturais: Imagens, Valores e Consumos (2007) custa 94 reais no Brasil e pode ser comprado em prestações até "7X de R$ 14,24 com juros". Não fosse eu o autor, logo muito interessado em vender exemplares, aconselharia a sua compra em prestações suaves!

TESES DE MESTRADO SOBRE VIDEOJOGOS

Foram apresentadas duas teses de mestrado sobre videojogos já em 2011 na Universidade Católica: Tiago Sousa (Revolução lúdica - os videojogos em análise: uma perspectiva teórica, histórica e crítica) e Teresa Abreu (Afinal não é só para crianças. Videojogo. O conceito que está a mudar o mundo). Os autores dos trabalhos fazem aqui um balanço dos mesmos.

quinta-feira, 10 de março de 2011

GFK GANHA AUDIÊNCIAS

A GFK ganhou o concurso de audimetria, comunicou hoje a Comissão de Análise de Estudos de Meios (CAEM). A Marktest, que actualmente assegura a medição das audiências de televisão, ficou em segundo lugar (notícia a partir da newsletter Meios e Publicidade).

NEGLECTED MEDIA


Neglected Media, The 6th Annual Conference of the CGC, Ottawa Marriott Hotel, March 10 & 11, 2011. Conference Themes: Forgotten people, places, and periods of media theory, Underutilized research methodologies, New subjects for communication studies, Overlooked everyday mediation, Neglected intersections of academic study, Negligence in the media industries.

MEDIA, TRANSPORTATION AND SOCIETY

[Panel 1: Technologization of Public Spaces. Thursday, March 10, 2011, 9:15 – 10:45 am]

"Last summer, while having a drink at the cafés of the small seaport where I spent my holidays, clients of various ages were connecting their laptops to the internet and checking their email. I felt as surprised as when, during the first half of the 1990s, in London, I saw passersby talking on the mobile phone. I knew about these technologies but I was not aware of their massive social use, especially in holiday places or out on the street. Such changes take place extremely fast, but they make us think about the technological, social, economic and cultural causes and consequences of those alterations, which is what I do here. In order to understand them, I work concepts such as relation between transportation, communication and culture (Carey, 1992; Packer, 2006; Urry, 2010), networks (Castells, 2002), consuming places (Urry, 2003), contraction of time and space (Virilio, 1995, 1996; Urry, 2003), public and private life (Flichy, 1995), strong and weak bonds (Urry, 2010; Castells, 2002) and cultures of speed, mobility and hypermobility (Urry, 2003, 2010; Vannini, 2009), and their prosthesis, extensions (McLuhan, 1997) and biomechanical additions (Virilio, 1995). The text seeks to understand the relationship between means of communication and transportation in society and stresses the impact of new electronic devices on people’s lives and, especially, on their holidays and free time. [...]".

terça-feira, 8 de março de 2011

ZOMBIE BOY AO LADO DE LADY GAGA

Rick Genest, de 25 anos, oriundo de Montréal, Canadá, tem o corpo todo tatuado, parecendo um morto-vivo. Daí o seu apelido: Zombie Boy. Ele trabalhava na limpeza de fachadas no centro da cidade para pagar as suas tatuagens até ao mês passado, quando a estilista de Lady Gaga, Nicola Formichetti, o indicou para entrar no último clip da cantora, Born this way, tornando-se assim estrela mundial, já visto mais de 13 milhões de vezes no YouTube. Ao mesmo tempo, aparecia em Janeiro último num desfile de Thierry Mugler em Paris, na prestigiada semana de moda masculina. Depois, na semana passada, associou-se à colecção feminina de Mugler.

As tatuagens de Genet, que o tornam uma espécie de homem repugnante, podem ser vistas na sua página do Facebook (informação a partir do texto de Hugo Damas, La Présse Montréal, 5 de Março).

WANDA KOOP


A Galeria Nacional de Arte (Ottawa) tem exposições temporárias de grande nível como a de Wanda Koop. A colecção de pintura renascentista e moderna da Europa é menos poderosa, com uma política de aquisições ao longo dos anos dependente do que há no mercado. A arte contemporânea canadiana, bem representada na Galeria, tem semelhanças estéticas e de movimentos artísticos aos de outros países. Cada época marca de modo indelével a cultura mundial, o que significa que não há particularismos regionais mas um cosmopolitismo internacional. Assim, torna-se relativamente fácil reconhecer as correntes artísticas.

segunda-feira, 7 de março de 2011

CULTURA DOWNLOAD

A jornalista Lucinda Canelas partiu à procura de jovens com 21 anos, a idade do jornal Público. Uma das entrevistadas lembrava-se do gravador de vídeo VHS mas nunca tinha ouvido falar em discos de vinil. Em 1990, o CD já existia mas ainda predominava o vinil. Hoje, há muitas tecnologias: portátil, telemóvel, mp3. Por outro lado, a cultura jovem do começo da década de 1990 associava-se a um espaço territorial específico, ao passo que hoje o território é virtualizado e à distância de um clique.

A jornalista procurou traçar o perfil do jovem português de 21 anos com base nos seus consumos culturais, aludindo a que nem sempre os estudos distinguem consumos técnicos e de lazer. Primeiro, nota a existência de uma predominância esmagadora de jovens conectados à internet. Depois, a presença constante da música. Em terceiro, a ideia que os amigos e a família continuam a ser parceiros estratégicos. Em quarto lugar, e apesar da internet e das redes sociais, a convivência continua a ser importante, caso de bares e cafés, que criam uma geografia urbana. O meio social é um factor a levar em conta quando se trata de consumos culturais, continua a ler-se no texto de Lucinda Canelas. Tecnologia, escolaridade e urbanização são três eixos primordiais dos consumos culturais dos jovens.

O texto toca outras questões. O motivo central dele é o download, como aparece no título da peça jornalística: A cultura deles está no ADN e no download. Geração download surge na chamada de atenção da capa do jornal. Já não é geração rasca ou parva como se tem dito nestas últimas semanas, mas a geração que descarrega ficheiros, com grande parte dos consumos culturais ilegais, escreve a jornalista. Aqui, devia haver uma distinção entre internet e descarregamentos, por um lado, e consumos culturais (ler livros, ir a espectáculos como cinema, teatro e dança), por outro lado. Aliás, o sociólogo entrevistado destaca que houve crescimento de públicos em todas as áreas culturais.

NUNO SANTOS NA RTP

"O jornalista Nuno Santos confirmou que aceitou o convite para ser o novo director de informação da RTP, depois da saída de José Alberto Carvalho. O jornalista deixa o lugar de director de programação da SIC" (Público).

POSTAIS DE OTTAWA

sábado, 5 de março de 2011

RIGOR E CREDIBILIDADE DA INFORMAÇÃO

"Os jornais têm como missão clássica informar o público. A informação inclui notícias, reportagens, comentários, entrevistas e análises. Mas, como repositórios de informação, os jornais podem ser também produtores de serviços. Um jornal pode seleccionar informação relevante para um leitor tendo em conta a sua localização [...]. Mas, para além da informação, um jornal pode também oferecer a possibilidade de aquisição de serviços, algo que já existe nos portais. [...] A vantagem de um jornal como o Público sobre a web [...] tem a ver com o rigor e credibilidade da informação" (António Câmara, director da edição de hoje do Público, comemorativa dos 21 anos de existência do jornal).

INDOMÁVEL

Indomável (True Grit, 2010) é um filme realizado por Ethan Coen e Joel Coen, com Jeff Bridges, Matt Damon e Hailee Steinfeld nos principais papéis. Conta a história da vingança de uma rapariga a quem assassinaram o pai, a partir do livro True Grit, de Charles Portis. Um velho xerife acede ao pedido convicto da rapariga e prepara uma caça ao homem (ver trailer aqui). Em 1969, a história originara o filme A velha raposa, de Henry Hathaway, com John Wayne como protagonista (ver trailer aqui).

No meu entender, o filme merecia ganhar óscares na recente cerimónia de Hollywood (foi nomeado para dez óscares mas não recebeu nenhum).

INFORMAÇÃO DA RTP

Nuno Santos, actual director de programas da SIC, é o nome indicado para director de informação da RTP, após a saída de José Alberto Carvalho para a TVI, de acordo com os jornais Público e Diário de Notícias. A ser verdade, significa que está a haver uma circulação de nomes nos três canais de televisão hertziana, com um intensidade que não me lembro. O nome contraria as hipóteses que o jornal Sol ontem indicava e que eu reportei aqui.

HIPSTER

Conforme o texto inserido na Wikipedia, hipster é um termo que surgiu na década de 1940 e foi revisitado nas décadas de 1990 e de 2000 para descrever adolescentes mais velhos e jovens adultos, urbanos e da classe média, com interesses culturais de correntes minoritárias, como rock indie, cinema independente, revistas como Vice [com edição portuguesa em 2009] e Clash, e sítios como Pitchfork. O termo empregue na década de 1940 identificava o aficcionado do jazz, do bebop em particular, popularizado no início dessa década, que adoptava o estilo de vida do músico de jazz, com vestuário, uso da cannabis e outras drogas, atitude descontraída, humor sarcástico, pobreza auto-imposta, e códigos sexuais descomprometidos. O hipsterismo agrega, se quisermos, elementos de movimentos marginais do pós-guerra como beat, hippie, punk e grunge, continuo a ler na página da Wikipedia.

A revista Pública dedicou atenção a este tema na edição de 30 de Janeiro último, com assinatura de David Pinheiro Silva e Joana Amaral Cardoso. Para os autores, o hipster é um estilo, uma escolha de visual com base cultural, em que capitalismo, internet, música e moda ajudam a definir o estilo da cultura jovem actual. O texto ajuda a compor o que a Wikipedia não engloba, ao procurar identificar os estilos da moda juvenil ao longo das décadas: "Nos anos 1970 havia o hippie, nos anos 1980 o punk e nos anos 1990 o slacker, que ouvia rock grunge e vestia camisas de flanela. A roupa desportiva de b-boys e b-girls da cultura hip-hop seguiram-se-lhe. [...] Hoje, quando olhamos para os adolescentes e jovens adultos, haverá sempre pelo menos um hipster entre eles".

Lê-se ainda que o fenómeno hipster se resume a gosto, conceito que encontramos definido em Pierre Bourdieu. O prefixo hip é sinónimo de algo de novo e fresco. O hipster tem um distanciamento face à política e é adepto do grande consumo, ideia contrária à da definição da Wikipedia, o que me deixa confundido. Um investigador assinalado no texto da Pública indica mesmo que os hipsters não fazem nada de mal, não fazem mesmo nada. Também são considerados como flaneurs, como Baudelaire escreveu. Talvez, no fundo, seja mais uma série de referências adoptadas a nível visual do que uma contracultura ou movimento, onde não há uma substituição de referências mas uma sua acumulação, que remete para a singularidade. Vítor Ferreira, sociólogo citado no texto, diz: "A história do hippie e do punk é escrita nos termos do sistema social e político em que se inseriam. Aqui [nas cenas juvenis actuais] há uma deriva heterotópica, porque se fragmenta muito, em que a acumulação de referências é que vai dar substância biográfica e individual aquela trajectória e remete para uma série de referências que a vão singularizar".

GASTRONOMIA NO MUDEU DO DESIGN

Durante três fins-de-semana decorrem provas gastronómicas dos restaurantes premiados do Lisboa à Prova, aos sábados e domingos de 12 a 27 de Março, no MUDE – Museu do Design e da Moda, colecção Francisco Capelo, no âmbito da sua parceria com o Lisboa à Prova, aberto ao público. Além da prova gastronómica, haverá também a possibilidade de participar em tertúlias, com os seguintes temas: A Gula é Pecado? e A Cozinha segundo Rafael Bordalo Pinheiro, durante a mostra, nos dias 19 e 26 de Março, na Sala Pereira Coutinho, no piso 1, e em dois ateliês de Experimentação, com os temas Sal, Azeite e Vinagre e Ervas Aromáticas, Flores Comestíveis e Rebentos, também nos dias 19 e 26 de Março.

A MINHA VIDA DAVA UM BLOGUE, ESCREVE ELA

Esta semana, conheci a autora do blogue Jojozinha, um blog, sobre quem escrevi aqui e aqui. Ela é muito inteligente, como prova o prémio que recebeu enquanto aluna de comunicação. Vou continuar a ler os seus textos.

sexta-feira, 4 de março de 2011

REDES SOCIAIS E REVOLUÇÃO

"A reportagem [de Paulo Moura sobre a revolta na África do norte, nomeadamente sobre o Egipto] confirmava, entretanto, que o papel das redes sociais foi meramente instrumental, pois não é a tecnologia que faz a revolta, são os revoltados quem usa a tecnologia" (Eduardo Cintra Torres, Público, hoje).

O PÚBLICO VOLTA ÀS CAPAS BONITAS


Depois de um período de desinspiração, o jornal Público volta às capas bonitas. Já esta semana, uma das capas tinha chamado a minha atenção, mas deixei escapar a oportunidade de a manifestar aqui. O tema de capa de hoje é excelente e bem construído, mesmo que o leitor não concorde com tudo o que está escrito. Se tiver tempo disponível durante o dia de hoje, espero voltar ao tópico.

A COLUNA DO ARQ. JOSÉ ANTÓNIO SARAIVA NO SOL

A de hoje traz uma curiosa história da TVI desde 1992 e das confidências que lhe foram fazendo ao longo dos anos. Quando, na atribuição de frequências aos canais privados, se perguntava o que seria preferível: um canal liderado por Paulo Portas (através da proposta de Proença de Carvalho) ou pela Igreja Católica, a resposta pendeu para a segunda proposta. Mas a hierarquia da Igreja não conseguiu trabalhar bem o negócio, que foi parar às mãos do grupo Cisneros, a Lusomundo e a Sonae, com Belmiro de Azevedo a nomear José Eduardo Moniz como director-geral. Logo depois, com o Big Brother, a TVI ganhava a liderança de audiências à SIC. Isto quando a TVI mudara de patrão de novo, com Paes do Amaral como seu principal responsável e a formar a posterior Media Capital. Marcelo Rebelo de Sousa iniciaria um espaço de comentário político, na sequência do que fazia na estação de rádio TSF. Na altura do governo de Santana Lopes, um seu ministro atacou o programa do professor e este demitiu-se, por aparente falta de apoio de Paes do Amaral, causando grande alarido nos media da época.

José António Saraiva fala da história da TVI como uma arena política, quando enuncia a saida de Paes do Amaral para fundar o grupo editorial Leya, sendo a Media Capital substituída pela espanhola Prisa. Teoricamente, escreve o director do Sol, o canal passava a ter o controlo dos socialistas. Mantendo-se Moniz como director-geral do canal e a sua mulher como editora do jornal das sextas-feiras, formava-se uma espécie de anti-poder (palavras minhas). O primeiro-ministro queixou-se do tratamento dado pelo noticiário (a par do jornal Público, dirigido por José Manuel Fernandes), nomeadamente devido ao caso Freeport. Então, a Ongoing e a PT procuram adquirir a TVI, o negócio é publicitado antes de ocorrer, acabando por não se efectuar. A Ongoing contrata José Eduardo Moniz e Manuela Moura Guedes, mulher deste, sai do canal e ingressa na SIC.

Dúvidas e perguntas do arqº José António Saraiva: "José Eduardo Moniz era, sem margem para dúvidas, o «guardião» das audiências da TVI - e as audiências em televisão valem milhões. Como se compreende que os espanhóis da Prisa o tenham deixado ir-se embora com tanta facilidade"? E, com o recente regresso de Paes do Amaral à TVI, como se compreende os contratos de José Alberto Carvalho e de Judite de Sousa? E como se vão entender Paes do Amaral e Marcelo Rebelo de Sousa? Que lutas se travam nos seus bastidores?

DIRECÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RTP

Segundo o jornal Sol de hoje, a RTP pondera dois modelos de direcção de Informação, um tendo José Fragoso como director-geral, acumulando as funções na informação e na programação, outro com Jorge Wemans na informação, deixando a direcção do canal RTP2, para colmatar recentes saídas. O jornal adianta existir uma proposta de reestruturação da empresa, o que me parece mais difícil de ocorrer, dado o pouco tempo que a administração ainda tem de mandato. Outro elemento que se recolhe da notícia é o adiamento do arranque do canal RTP Música, previsto para 7 de Março, dia de aniversário da RTP (televisão), projecto liderado por Jaime Fernandes. Razões: prioridade da administração em encontrar substitutos para José Alberto Carvalho e Judite de Sousa (que dá uma entrevista à revista Lux) e pré-aviso de greve dos trabalhadores da estação pública para a data de aniversário.

NOTÍCIAS SOBRE O JORNAL PÚBLICO

1) "Cláudia Azevedo admite a cobrança de conteúdos no «Público online». «Estamos a olhar para isso como todos os grupos de comunicação social», afirmou a responsável pela unidade de Media da Sonaecom, que inclui o Público. E acrescentou: «a versão iPad é agora gratuita mas vai ser paga», com a responsável a considerar que não faz sentido não se pagar pelos conteúdos" (Jornal de Negócios).

2) "A partir de amanhã, 5 de Março, dia em que celebramos o 21º aniversário do Público, todos os comentários dos leitores do «Público Online» vão passar a ser lidos antes de serem publicados" (Público).

PORTO


De repente, lembrei-me do dia em que foi anunciada a dissolução dos Beatles. Fernando B. e eu descíamos a baixa do Porto a trautear as músicas da banda inglesa, como se quiséssemos fazer uma retrospectiva encaixada na vida de adolescentes que éramos. Procurei agora no mp4 algumas músicas deles. O brilho continua ali, mas já não fiquei impressionado. Confesso que ouvi pela nostalgia das relações entre o consumo original das músicas, através da rádio, e as histórias pessoais vividas à época.

Não chegámos à porta da sala de espectáculos quase em frente ao café da Brasileira, hoje renomeado café di Roma, com uma clientela escassa, porta aberta para a rua deixando entrar o fio da manhã de inverno e com um som musical ambiente deprimente, numa parcela de rua em que os bancos desapareceram, tendo ficado edifícios inúteis e fechados. Parece-me, contudo, que o título da peça (ou musical?) se assemelha aos de então. Vai dar banho ao cão é um título que não soa bem, quase infeliz, diria.

quinta-feira, 3 de março de 2011

REGULAÇÃO DOS MEDIA

A regulação dos media em Portugal é o tema principal do número mais recente da revista Trajectos (nº 17). Na apresentação do tema, escreve José Rebelo, director da publicação, que Portugal conheceu diversas instâncias de regulação externa dos media nas últimas três décadas. A saber: Conselho de Imprensa, instituido com a primeira lei de imprensa (1976), Conselho da Comunicação Social (1982), com a revisão constitucional desse ano, Alta Autoridade para a Comunicação Social (1989) e Entidade Reguladora para a Comunicação Social, que agora concluiu o primeiro mandato.

Num dos textos do dossiê, Arons de Carvalho destaca uma característica inerente a todas as instâncias de regulamentação, a sua parlamentarização. A posição deste fundador e antigo deputado do PS é contrariada pelo texto assinado por António Filipe, do Partido Comunista, que, em vez da parlamentarização das instâncias regulamentadoras, diz que essas instâncias têm sido de governamentalização, pois os seus dirigentes são indicados apenas pelos dois principais partidos: PS e PSD.

O dossiê tem ainda nomeadamente textos dos primeiros provedores dos media públicos (Paquete de Oliveira e Adelino Gomes), de uma vogal da ERC (Estrela Serrano) e do presidente do Conselho de Opinião da RTP (Manuel Coelho da Silva).

quarta-feira, 2 de março de 2011

OFICINAS INSTRUMENTAIS

As oficinas instrumentais são ateliês de construção de instrumentos musicais e objectos sonoros e a aplicação musical dos mesmos. Pensadas especialmente para serem uma introdução prática e sensorial à musica, utilizando métodos pedagógicos modernos, inovadores e sobretudo atraentes. Este ensino permite aproveitar todas as aptidões que os formandos possuem e/ou podem vir a desenvolver. Sábado, 26 de Março de 2011, das 15:00 às 18:00, para destinatários de todas as idades, inscrições através do email institutodemusica.clp@gmail.com ou na recepção do Clube Literário do Porto (Rua Nova da Alfândega, 22, Porto).

INDÚSTRIAS CRIATIVAS EM COIMBRA

Na próxima sexta-feira, dia 4 de Março, e no Salão Nobre da Câmara Municipal de Coimbra, decorrem duas actividades do POTENCIAL C: Empreendedorismo no Sector das Artes, Cultura e Indústrias Criativas (10:30-13:00); Propriedade Industrial no Sector da Cultura e Criatividade (14:30-17:30). Mais informações: http://potencialc.wordpress.com/, dviegas@agenciainova.pt (dica: Nuno Conde, a quem agradeço).

terça-feira, 1 de março de 2011

A CASINHA DOS PAIS DA GERAÇÃO PARVA

Luís Nazaré é um reconhecido economista, antigo presidente do Instituto de Comunicações de Portugal, actual ANACOM, e presentemente docente do ISEG. Foi dirigente político e encontra-se ligado aos corpos sociais de um dos maiores clubes desportivos do país. Dele exige-se rigor analítico. O texto que escreveu ontem no Jornal de Negócios, intitulado A casinha dos pais, deveria ter sido mais cuidadoso. Começa assim o texto: "Sem que nada o justificasse, eis que um grupo musical com nome de mulher se vê guindado a um estatuto de referência sociopolítica. Um punhado de rimas de inspiração pequeno-burguesa (como certeiramente assinalou Vicente Jorge Silva) bastou para que alguns dos nossos melhores espíritos perdessem a perspectiva analítica das coisas e se deixassem embalar pela conveniência juvenil do momento. Resta o mérito de ter reavivado o debate sobre o emprego, as qualificações, o mercado do ensino dito superior e as necessidades da economia portuguesa".

A referência é à música da banda Deolinda sobre a geração parva. Na letra (e música) de Pedro da Silva Martins, Parva que sou, lê-se: "Sou da geração sem-remuneração/e nem me incomoda esta condição…/Que parva que eu sou…/Porque isto está mau e vai continuar/já é uma sorte eu poder estagiar/Que parva que eu sou…./e fico a pensar/que mundo tão parvo/onde para ser escravo/é preciso estudar…/Sou da geração casinha-dos-pais/Se já tenho tudo, pra quê querer mais?/Que parva que eu sou [...]".

Para simplificar, a discussão nas semanas mais recentes divide os portugueses em duas gerações: a parva, ou rasca (na definição antiga de Vicente Jorge Silva), hoje com 25-30 anos; a dos direitos adquiridos, mais velha, com o extremo mais idoso em idade de reforma.

Socorro-me de um texto de Rosalind Gill (2011), em livro que ando a ler e de onde respigo algumas ideias. A autora, que escreve sobre o trabalho precário assente em cultura de incerteza, radica esta na transformação do capitalismo avançado sob o impacto da globalização, rápido desenvolvimento das tecnologias de informação e mudança da governação política e económica no sentido do neoliberalismo. Hoje, fala-se habitualmente de pós-fordismo, sociedade pós-industrial (Bell), sociedade em rede (Castells), modernidade líquida (Bauman), novo espírito do capitalismo (Boltanski e Chiapello), sociedade do risco (Beck), cujas características principais são o risco, a insegurança e a contingência.

Gill (2011: 250) ironiza: na sociedade presente, os trabalhadores criativos ocupam um lugar especial, pois são vistos simultaneamente como celebrantes e críticos do futuro do trabalho. Por um lado, parecem afastar-se da noção tradicional de carreira, assente em conhecimentos e posições adquiridas e nunca postas em causa. Por outro lado, actualizam constantemente saberes e conhecimentos, liderando o papel da classe criativa, à Richard Florida, encarregada de fornecer a panaceia para os males sociais: regenerar áreas urbanas, promover a coesão social e comunitária, e desenvolver a saúde, o bem estar e a qualidade de vida. Adoçados por todos os governos, tornam-se num novo modelo de trabalhadores do futuro: ao mesmo tempo, empreendedores e motivados por altos valores (ligando a criatividade às possibilidades financeiras das novas empresas tecnológicas, geradoras da aproximação entre arte e negócio), tolerantes ao risco, e trabalhadores imateriais e membros icónicos de uma geração com emprego informal, precário e intermitente. A retórica actual combina, pois, empreendimento e criatividade com baixos salários e insegurança, completa o raciocínio a professora de análise social e cultural do King’s College London.

Claro que não posso escamotear as posições ideológicas de Rosalind Gill, como ela as evoca no início do seu capítulo: marxismo, feminismo e pensamento pós-estruturalista (óptica foucaultiana). Mas ela mergulha mais fundo do que Luís Nazaré, com afirmações a meu ver menos felizes, caso de: "Como explicar a avalanche de licenciados em Comunicação Social ou em Relações Internacionais? Um amigo meu, com algum sarcasmo, avança uma tese – os primeiros sonham em ser entrevistadores, os segundos em ser entrevistados". Será que os 11,2% de desemprego que assolam o país provêm apenas de licenciados em humanidades? Não falta algo no pensamento do reputado economista?

Leitura: Rosalind Gill (2011). "«Life is a pitch». Managing the self in new media work". In Mark Deuze (ed.) Managing media work. Los Angeles, Londres, Nova Deli, Singapura, Washington: Sage

DO TWITTER AOS MEDIA CLÁSSICOS

Em texto editado recentemente, Ethan Bauley refere um estudo da HP que indica quais os tópicos determinantes das conversas nas redes sociais, caso do Twitter. Para Bernardo Huberman, director do Labs’ Social Computing Research Group da HP, não são os mais prolíficos "escritores" do Twitter que marcam a agenda e as tendências das notícias, mas os media tradicionais, com aqueles a funcionarem como filtros e amplificadores.

A equipa da HP recolheu dados durante 40 dias no Outono de 2010, com uma amostra de 16,32 milhões de mensagens de Twitter. Identificou 22 utilizadores que foram a fonte de muitos repetidores de mensagens de Twitter quando o tópico indicava uma tendência. Desses 22, 72% eram mensagens de Twitter oriundas de media com CNN, New York Times, El Pais e BBC.

TELEVISÃO DIGITAL TERRESTRE

A campanha de divulgação da TDT (Televisão Digital Terrestre) começa em 10 de Março, quando o governo anunciar publicamente o projecto. As primeiras emissões analógicas terrestres a encerrar ocorrem a 12 de Janeiro de 2012.