quinta-feira, 15 de novembro de 2007

AL JAZEERA


Faz hoje um ano que o serviço em inglês do canal árabe Al Jazeera entrou a funcionar.

PINTURA DE HÉLIO CUNHA


Inaugurada a sua exposição na Sociedade Nacional de Belas-Artes, no dia 21 de Novembro, pelas 19:00, com o título A idade de ouro/25 anos de pintura. Sobre ele, escrevi em 18 de Outubro de 2005.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

GRUPO BARBATUQUES EM PORTUGAL


Em 3 e 4 de Dezembro, pelas 21:30, estará em Portugal (Cine-Teatro Avenida de Castelo Branco), com dois espectáculos exclusivos, o grupo brasileiro BARBATUQUES (http://www.barbatuques.com.br/).

  • O grupo de percussão corporal Barbatuques desenvolve um trabalho artístico baseado na exploração dos inúmeros sons que podem ser produzidos pelo corpo humano. Palmas, estalos, batidas no peito, sapateados, vácuos de boca, recursos vocais entre vários outros sons, são encadeados na produção de ritmos e melodias. O resultado é uma "orquestra de roda" onde todos os músicos tocam e improvisam sobre o mesmo instrumento.

    O grupo Barbatuques foi fundado em 1996, é dirigido pelo músico Fernando Barba e conta com treze percussionistas corporais. O grupo já lançou o CD Corpo do Som em 2002 e acaba de lançar o seu segundo CD intitulado O seguinte é esse, ambos pela etiqueta MCD (informação veiculada pela organização dos espectáculos, a APSARA, Gestão Cultural,
    http://www.apsara.pt/).

CAMPANHA PASSAPORTE DE LEITURA NAS BIBLIOTECAS DA ESTREMADURA (ESPANHA)

Arrancou, no dia 24 de Outubro, Dia da Biblioteca, o sistema Passaporte de Leitura nas 448 bibliotecas da Estremadura (Espanha), tendo já atingido 20 mil.

O Passaporte da Leitura é um projecto dirigido aos utilizadores - em especial utilizadores jovens - das bibliotecas públicas, a quem se oferece um programa de leituras ligadas à ideia de viagem (imagem retirada do sítio Lectura Extremadura. Ele serve como iniciação à literatura de qualidade através de títulos, autores e temas adequados ao crescimento de leitura dos adolescentes, enquanto releva a importância do bibliotecário como mediador da leitura.

Segundo o sítio Lectura Extremadura,
  • El Pasaporte se ofrece como un programa abierto: ha seleccionado catorce títulos desde finales del siglo XVIII hasta el XX, equilibrando las lenguas de origen, las tradiciones literarias y, siempre, con el apoyo de la experiencia de los lectores, para que se sientan motivados sin entorpecer la gestión de la biblioteca; el proyecto se adapta sin dificultades a la dinámica de actividades de la misma: en ciclos de cine y literatura, como guía en clubes de lectura, en concursos y premios, como fondo de sugerencias o como propuesta a la que los mismos lectores añaden títulos...

CONCERTOS NAS IGREJAS DE LISBOA


Os concertos, com apoio do pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, iniciam-se a 25 deste mês, realizando-se alternadamente em cinco Igrejas da capital: Basílica dos Mártires (25 de Novembro, 9 de Dezembro e 13 de Janeiro); Igreja da Madalena (2 e 16 de Dezembro); Igreja de S. Nicolau (6 de Dezembro), Igreja da Conceição Velha (8 de Dezembro) e Igreja da Encarnação (6 de Janeiro).

Inclui concertos do canto gregoriano à música sacra renascentista, de Vivaldi e Haydn a Tomás Luís de Victoria e Carlos Seixas, entre muitos outros autores, passando ainda pela música contemporânea.

Para mais informações, contactar João Freitas Ferreira (
jff@belodemorais.com.pt).

PRÉMIO DA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE ESCRITORES ENTREGUE A VÍTOR AGUIAR E SILVA


A Associação Portuguesa de Escritores (APE) atribuiu este ano o Prémio Vida Literária APE/CGD a Vítor Aguiar e Silva, docente universitário em Coimbra e Braga (imagem retirada do sítio da Universidade do Minho). Da obra editada, destaca-se Teoria da Literatura e Camões: Labirintos e Fascínios (editada por Livros Cotovia), uma colectânea de ensaios já premiada em 2004 pela APE (categoria de Ensaio) e pela Associação Portuguesa de Críticos Literários.

O Prémio vale 25 mil euros e distinguiu noutras edições autores como Miguel Torga, José Saramago, Sophia de Mello Breyner, Óscar Lopes, José Cardoso Pires, Eugénio de Andrade e Mário Cesariny.

A cerimónia de entrega deste prémio realiza-se no dia 21 de Novembro, pelas 18:00, na Culturgest, contando com a presença do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

GUIBSON DANTAS COM BLOGUE

Cienciação é o novo blogue de José Guibson Dantas, antigo aluno da Universidade Católica Portuguesa e actual docente no Brasil, donde é oriundo (Recife).

MARTIN ALLOR (1996) SOBRE AUDIÊNCIAS


Desde meados dos anos de 1980 que, aos estudos dos media, regressou o tema das audiências. Tem-se como audiência uma categoria analítica fixa que é objecto de conhecimento e intervenção. Do mesmo modo que outros intelectuais ou grupos, como publicitários, especialistas de sondagens, programadores de televisão, reguladores, os investigadores dos media olham as audiências com inusitada atenção.

Martin Allor (1996) argumenta contra a utilidade de audiência enquanto conceito abstracto de uma totalidade. E segue Bourdieu, com a ideia de pares antagónicos ou antinómicos: teoria/prática, micro/macro, agência/estrutura, sujeito/objecto, materialismo/idealismo, qualitativo/quantitativo, teoria/método. A investigação está entre a definição de audiência como passiva e activa e a de audiência como parte de um público ou agente social.

Os dois conjuntos de oposições operam em níveis diferentes de abstracção. O primeiro faz interpretações analíticas das práticas individuais; o segundo especifica o tipo de ser social com que a audiência se relaciona. Allor chama a atenção para a instabilidade do conceito audiência, pois ele implica um complexo campo semântico/discursivo (e até contraditório). Designa um conjunto de níveis: co-presença de sujeitos numa situação de recepção, relação social activa da interpretação colectiva, mercado de um bem cultural específico, construção imaginária dos criadores culturais, público de um género particular, totalidade dos potenciais receptores de um dado meio. Além disso, a audiência tem ligações discursivas a outros termos do século XIX que designavam colectivos: massa, multidão, popular, público. Hoje, associar-se-ia a: interface do utilizador, estilos de vida no marketing, perfis na pesquisa do audiovisual. A polissemia relativa de audiência traduz-se nos pares antagónicos de activo/passivo e de espectador individual/membro de um público.

Allor evidencia dois de investigação: 1) predomínio da recepção do audiovisual, a televisão em particular, 2) epistemologia da descodificação leitura/significado como modelo dominante no processo de recepção. A epistemologia da leitura exclui outros aspectos da prática social relacionada com os media e os indivíduos. As relações semióticas implicam construir um texto e (re)construir o texto do leitor/espectador.

Talvez a mais importante tendência tenha sido a da estratégia etnográfica. Ao focar uma prática contextualizada, a investigação etnográfica opera a complexidade nas relações entre agentes e mediação cultural. As metodologias etnográficas (entrevista, focus group, observação participante) utilizam dados de âmbito limitado, mas referem-se a modelos globais de audiência.

Recentemente, avançou-se para um terceiro modelo, assente em práticas de consumo de bens e tecnologias domésticcas. Os bens culturais e as tecnologias domésticas são enquadrados como objectos problemáticos a tratar nos inquéritos. Projectos de investigação liderados por Roger Silverstone (já falecido) e David Morley sobre as relações entre tecnologia doméstica, estruturas familiares e reprodução do nacional são elementos importantes. Neste tipo de trabalhos surgem noções de economia moral do lar e consumo (doméstico e familiar), mas não tomados como valores universais.

Leitura: Martin Allor (1996). "The politics of producing audiences". In James Hay, Lawrence Grossberg e Ellen Wartella The audience and its landscape. Oxford: Westview Press, pp. 209-218

terça-feira, 13 de novembro de 2007

MANUAL PARA PAIS CUJOS FILHOS VÊEM DEMASIADA TELEVISÃO


Manual para pais cujos filhos vêem demasiada televisão, de Serge Tisseron, terceiro livro da colecção "A Construção do Olhar", das Edições 70, será apresentado por Daniel Sampaio, que também prefacia a obra, no dia 15 de Novembro, 5ª feira, às 19:00 horas, na Livraria Almedina, ao Saldanha (Lisboa). Convidados-surpresa darão curtos depoimentos.

CONFERÊNCIAS DE OUTONO DO SINDICATO DOS JORNALISTAS

Este mês, às quintas-feiras, na sede do Sindicato dos Jornalistas.

TRAJECTOS


Revista de Comunicação, Cultura e Educação, dirigida por José Rebelo, agora no número 11, tem o tema Identidades/Diferenças em debate. José Rebelo, Michel Wieviorka, João Freire, Isabel Guerra, Jean-Pierre Dubois, Luís Moita, Armando Verdiglioni, Marinús Pires de Lima e Cristina Nunes e Diana Andringa escrevem sobre o assunto.

Destaco ainda: O(s) Público(s) do Fantasporto: Perfis-tipo e Modalidades de Apropriação Ritualista do Festival Internacional de Cinema do Porto, de Tânia Leão, e Problema Público e Processos de Enquadramento: O Caso Madeleine McCann, de Isabel Babo-Lança.

BAUDELAIRE EM COLÓQUIO INTERNACIONAL (II)


Excertos de comunicações apresentadas hoje (Isabel Gil, Teresa Cruz e Fernando Pinto do Amaral).

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

JORGE PALMA

  • Chegado da guerra, fiz tudo p'ra sobreviverem nome da terra, no fundo p'ra te merecer recebe-me bem, não desencantes os meus passos faz de mim o teu herói, não quero adormecer. Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo o que não vivi, hei-de inventar contigo sei que não sei, às vezes entender o teu olhar mas quero-te bem, encosta-te a mim.
Jorge Palma (Encosta-te a mim) [ver e ouvir vídeo em Jukeboxblog]

BAUDELAIRE EM COLÓQUIO INTERNACIONAL


Organizado pelo CECC – Centro de Estudos de Comunicação e Cultura (Faculdade de Ciências Humanas, UCP) e com os apoios institucionais do Institut Franco-Portugais, Lisbonne, Goethe-Institut (Instituto Alemão), Lissabon, The British Council e Instituto Cervantes, Lisboa, realizou-se hoje, com continuidade amanhã, o Colóquio Internacional Baudelaire e as posteridades do moderno.



Segundo a organização,

  • Em 2007, comemoram-se os 150 anos da publicação de Les Fleurs du mal, a obra fundadora da poesia moderna, e, coincidentemente, os 140 anos da morte de Charles Baudelaire, unanimemente considerado como o primeiro teórico da modernidade estética. Este colóquio, para além de um intuito comemorativo, pretende constituir uma oportunidade para fazer uma reflexão crítica alargada sobre as posteridades do moderno, reunindo, para esse efeito, em torno da figura de Baudelaire, um conjunto significativo de especialistas e investigadores, nacionais e estrangeiros. O colóquio, partindo das questões da modernidade, suscitadas por Baudelaire e a sua obra de poeta e de crítico de arte, tem também como preocupação pôr a ideia de modernidade em questão. E daí o desejo de provocar intervenções sobre temas diversos, das questões da identidade aos fenómenos da moda e dos media, e sobre algumas das figuras que fazem parte da própria posteridade de Baudelaire.


Do programa, fazem parte comunicações, entre outras, de José Tolentino Mendonça, Maria Filomena Molder (de ambos tenho excertos no vídeo), Teresa Cruz, António Guerreiro, Fernando Pinto do Amaral, Isabel Gil e Eugénia Vasques.


domingo, 11 de novembro de 2007

EUROPEAN FILM FESTIVAL


Começou no dia 8 e vai até 17 deste mês, desenrolando-se no Estoril (nos cinemas Cascais Villa e Casino Estoril).


Destacam-se: competição, fora de competição, homenagem a Almodóvar, retrospectiva David Lynch, à volta de Werner Schroeter, parceria Cinemateca Portuguesa, Master Classes, encontros com o público.

Ver informações detalhadas no sítio http://www.europeanfilmfestivalinestoril.com/.

TELENOVELAS

O ano 2000 marca o início de explosão na produção nacional de telenovelas, lê-se no novo estudo do OberCom (http://www.obercom.pt/client/?newsId=418&fileName=wr_12.pdf). Nos últimos seis anos produziram-se mais telenovelas em Portugal do que ao longo das duas décadas precedentes. Segundo as autoras do novo estudo publicado pelo OberCom [Rita Cheta e Sofia Aboim],
  • este movimento de explosão acompanha um período de rápidas mudanças na vida familiar em Portugal. Alteram-se as formas de constituição do casal, com a diminuição dos casamentos religiosos e o crescimento dos vínculos civis, bem como através do aumento das uniões de facto e dos filhos nascidos fora do casamento formal. A família torna-se também mais pequena, com menos filhos e menos parentes a viver na mesma casa. Alteram-se também as trajectórias familiares, cada vez mais marcadas pelo divórcio e os novos casamentos e, de modo geral, intensifica-se o fluxo de entradas e saídas de uma situação familiar para outra: da conjugalidade para viver só ou apenas com os filhos, de novo para uma situação conjugal, mais tarde para uma família marcada pelos “meus, teus e os nossos”. As mulheres tornam-se cada vez mais protagonistas de mudanças na família. Por um lado, reforçando a sua presença no sistema educativo e no mercado de trabalho. Por outro lado, derrubando os tabus em torno da sexualidade feminina. Ao tradicional modelo dualista que opunha a “mulher mãe e sexualmente casta” à “mulher sexualmente disponível”, contrapõe-se novos “modelos do feminino”. A mulher independente, profissional, sexualmente activa e que estabelece relações mais paritárias com os homens torna-se cada vez mais um modelo socialmente legítimo. Corresponderão os modelos familiares veiculados pelas telenovelas portuguesas a esse panorama de mudança na família? Este relatório coloca esta e outras questões que são levantadas pelos cenários transportados pelas telenovelas, a partir da análise de 6 telenovelas em exibição ou recentemente exibidas na SIC e TVI e que nos revelam ambientes entre o tradicional e o moderno, entre o conservadorismo e o subversivo.
Rita Cheta e Sofia Aboim - que dividem as telenovelas em três tipos: fábula, romance e quotidiano - estudaram as seguintes: Floribella (SIC), Doce Fugitiva (TVI), Tempo de Viver (TVI), Fala-me de Amor (TVI), Morangos com Açúcar (TVI) e Jura (SIC).

Como só agora descarreguei o ficheiro pdf., ainda não li o documento. Mas considero-o, desde já, imprescindível, dado o tema (e a actualidade).

Um reparo: na bibliografia, há a ausência total de estudos portugueses, em especial os conduzidos por Isabel Ferin e os trabalhos de Verónica Policarpo e Catarina Burnay. Eles estão editados, logo: são acessíveis. Espero que, em edição posterior, as autoras expressem estes pontos de vista. Análise de telenovela sem referências aquelas investigadoras não é uma análise completa.

CULTURA E INDÚSTRIAS CULTURAIS

  • Nas vésperas da Teia 2007: Tudo de Todos esta edição da revista Cultura e Mercado se dedicará à discussão da Cultura livre e “periférica”, construídas fora da lógica da Indústria Cultural, da produção de massa e de outros monstros de nomes tão conhecidos de nossos leitores. Ser periférico, livre e independente é uma questão ao mesmo tempo geográfica, social e psicológica, não necessariamente nesta (des)ordem. Na essência dos movimentos que buscamos mostrar aqui, uma coincidência com o processo Teia: são pessoas buscando fazer e mostrar sua produção cultural, assim como viver dela, em uma onda que pode pulverizar os recursos que baseiam os conglomerados de mídia e entretenimento, dividindo-os entre os diversos produtores, ou mesmo multiplicá-los, enquanto continuar a aumentar o volume de recursos gastos com cultura em todo o mundo. Neste especial construído no caminhar pelos “subterrâneos da liberdade”, o repórter Guilherme Jeronymo toma como ponto de partida a Semana de Arte Moderna da Periferia, abordando a própria semana e o cinema que estarão presentes nela e que estão pelas ruas e nos movimentos que constroem essa discussão sobre o que é Cultura na periferia hoje. Por outro caminho que desemboca, no final das contas, na mesma trilha, Dum de Lucca nos mostra a visão dos artistas independentes sobre os festivais que se desenrolam hoje no país. Nesta edição contaremos ainda com provocações sobre o tema em nosso Fórum, e com o artigo de Ana Carla Fonseca sobre a democracia cultural e a economia da cultura no Second Life, na seção Tribuna. Não deixe de ler também o segundo artigo do debate Jornalismo Cultural em Pauta, do programa Cultura e Pensamento. Angelita Pereira apresenta os aspectos da cobertura jornalística da chamada área cultural, que realizada pelos meios tradicionais de comunicação, é deliberadamente voltada para o mercado e para o consumo de produtos culturais.
(editorial de Cultura e Mercado, com data de 6 de Novembro último, a ler e acompanhar)

NEWSLETTER DA SOPCOM


Com a Newsletter Nov 2007 - SOPCOM, a Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação aparece mais activa. O editorial da newsletter, assinado por Moisés de Lemos Martins, é bem específico de tal:
  • Nos últimos tempos, a página online da Sopcom sofreu uma melhoria de realçar, dando uma imagem não apenas mais apelativa da nossa Associação, mas igualmente uma imagem que traduz melhor a sua riqueza, variedade e importância científica. A acompanhar esta dinâmica, que compreende uma apresentação dos GT constituídos e das suas actividades, a Newsletter, ora editada, passa a disponibilizar aos sócios informação, não apenas sobre o dia-a-dia das Ciências da Comunicação de Norte a Sul do país, como sobre alguns dos principais acontecimentos científicos, nacionais e internacionais (colóquios, seminários e congressos), que contaram com a participação directa da Sopcom, aumentando consideravelmente, esperamos nós, a comunicação na página e a interacção entre os sócios.
Destaques, agenda, provas académicas e livros são algumas das rubricas. Desejo à Direcção da SOPCOM e a Paulo Serra, da UBI, longa duração para este projecto.


ESTUDOS COMPARADOS (1)


De Henrik Ibsen, vi recentemente encenações de O construtor Solness e Casa de bonecas (adaptação). Ibsen está considerado como "um dos dramaturgos mais importantes e influentes em toda a literatura dramática universal" (Carlos Aladro, encenador da peça O construtor Solness, com Luís Miguel Cintra e Beatriz Batarda entre outros, no teatro Cornucópia, em Lisboa).

Henrik Ibsen (1828-1906), norueguês - numa altura em que o seu país procurava raízes culturais para se afastar da influência da Dinamarca e da Suécia, países que haviam dominado a Noruega -, nasceu numa família abastada, mas a ruína espreitá-la-ia quando ele tinha 15 anos. Ibsen trabalhou num boticário, indo mais tarde para Oslo para estudar medicina, não entrando porém na universidade.

O teatro era a sua grande paixão, tendo tomado cargos importantes em alguns teatros noruegueses, como o de Cristiania. As suas ideias e o facto de o público ter recebido mal as suas peças levam-no ao exílio, vivendo na Alemanha e em Itália. Nas suas peças trabalha o naturalismo da representação e utiliza o diálogo coloquial moderno (do catálogo de O construtor Solness).

Na peça, Solness é "um patético construtor [...], que tem mau génio e mau perder, apalpa a guarda-livros, maltrata os empregados, trama os colegas, é ambicioso como quase toda a gente, e quer beijar uma garota apetitosa" (Luís Miguel Cintra, no mesmo catálogo). Cintra interpreta o papel de Solness, enquanto Beatriz Batarda faz de jovem Hilde, dois papéis muito bem desempenhados. Hilde tem idade (23 anos), Solness não, mas possui certamente mais 40 anos que ela. Solness julga-se eterno ganhador mas a velhice e a morte começam a assustá-lo. Isto quando Hilde lhe surge em casa, reclamando uma promessa antiga. Lentamente, as contradições tomam posse nele, urdido na teia que a rapariga lhe traça. Solness acaba por morrer (de medo), ao subir a uma torre que construira (e que escala, caindo da vertigem da altura).


A (uma) mulher desempenha a posição charneira. Se Solness não dá atenção à mulher (de quem diz estar morta embora viva), a jovem exerce um fascínio que o leva a ceder em todos os sentidos. Aqui, a história pessoal de Ibsen tem importância. Aos 61 anos, iniciava uma relação com uma mulher muito mais nova, Emilie Bardach, a primeira de quatro relações sucessivas com mulheres muito jovens. Três anos depois, em 1892, escrevia O Construtor Solness, onde se evidencia essa relação e o tema da juventude aparece em primeiro lugar.

De arquitectura complexa, em que os actores/actrizes desenvolvem personagens difíceis, num cenário sóbrio, quase austero, a relação homem velho/mulher nova é, como escrevi acima, essencial. Mas realço o lugar da mulher em si. Se a mulher de Solness tem uma relação de inferioridade com ele, Hilde ganha ascendente. A história pessoal do autor e o lento movimento social fazem o género feminino ganhar espaço no interior da família.

É o que se observa em Casa de bonecas. Dirigido por Lee Breuer para a companhia Mabou Mines (Nova Iorque), em curta digressão em Madrid (Teatro Español), na casa das bonecas os homens têm a altura dos brinquedos ou das crianças, caso de Torvald Helmer, Rank e Krongstad.

Diz o pequeno catálogo que acompanhou a peça, representada em estilo pós-modernista: "É a casa das bonecas na realidade um mundo patriarcal, em que não há lugar para a mulher? Através desta metáfora, o feminismo de Ibsen mostra-se como uma parábola à medida. A casa das bonecas é o mundo onde podem habitar apenas as mulheres-boneca que permitem aos seus homens sentirem-se superiores". Mas Nora Helmer, a dona da casa de bonecas, supera-se, e despede-se de Torvald (e das crianças), marcando a morte do amor.

Do mesmo modo que em O Construtor Solness, Casa de bonecas é igualmente uma peça complexa e de grande dramatismo e esforço físico dos actores/actrizes. Nesta segunda peça, Maude Mitchell (que faz de Nora), retira a cabeleira, mostrando a nuca rapada, e despe-se, abandonando o palco e apresentando-se num camarote, com voz distorcida. Isto enquanto no fundo do palco um teatrinho de fantoches reproduz camarotes com pares abanando a cabeça e gesticulando. A imolação de Nora significa redenção, recomeçar a vida, vitória da mulher sobre a condição doméstica.


Em trinta anos de existência do Teatro da Cornucópia, esta é a primeira vez que Ibsen é representado.

Casa de bonecas (peça representada em inglês mas com legendas em castelhano) foi premiada este ano no Festival de Edimburgo. A companhia Mabou Mines está a rodar um filme sobre o espectáculo, a apresentar no Festival de Cinema de Sundance de 2008. A companhia existe desde 1970 e tem seis elementos permanentes que trabalham simultaneamente como actores, escritores, desenhadores e técnicos, tendo começado a sua trajectória com montagens de performance em círculos de vanguarda de Nova Iorque. Nos anos mais recentes, alargou a sua actividade, incluindo obras radiofónicas, longas-metragens, trabalhos em vídeo e textos gerados por computador.

MADRID


Imagens de Madrid.


sábado, 10 de novembro de 2007

SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO NACIONAL DE LISBOA



O blogue
Guilhermina Suggia está a fazer correr uma petição a favor do salão nobre do Conservatório Nacional de Lisboa.

Salão construído em 1881, segundo projecto do Arq. Eugénio Cotrin e com tectos pintados por José Malhoa, está há cerca de sessenta anos sem sofrer obras de beneficiação. Dizem os animadores do blogue: "Está a cair com a total indiferença dos responsáveis".

Foi nesse salão que Guilhermina Suggia tocou pela primeira vez, em 25 de Março de 1901, então integrada no Quarteto Moreira de Sá.

Numa iniciativa do movimento
FORUM CIDADANIA LX, está a circular uma petição dirigida ao Presidente da República, ao Presidente da Assembleia da República, ao Primeiro-Ministro, à Ministra da Educação, à Ministra da Cultura e ao Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, pedindo que salvem o Salão Nobre do Conservatório. A petição pode ser assinada aqui.

IKNIES


José Tavares tem um blogue, o ART IKNIE - não actualizado há uns tempos - cujo objecto principal são desenhos. Muito bonitos, digo. Ele espera publicar mais imagens em breve nesta linguagem iknie, que "já existe há dez anos e é a primeira simbólica real e universal do mundo com cerca de 70 000 mil anatogramas. A palavra Iknie vem da palavra grega ícon". Ver também em Iknies.


A ALEGRIA DO BLOGUEIRO

QUANDO RECUPEROU O TEMPLATE DO BLOGUE E LIMPOU UNS SÍMBOLOS PARASITAS ALI NO FRONTISPÍCIO MESMO POR BAIXO DA IMAGEM DA CANTORINHA MARIA ARLIETE.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

PROBLEMA DE TEMPLATE


Por um erro de manipulação, o template do blogue foi alterado.

Espero ser breve na sua correcção.

MARC AUGÉ EM LISBOA


Lançamento do livro de Marc Augé Para que vivemos?, no dia 15, pelas 18:30, no Instituto Franco-Português (Av. Luís Bívar, 91, Lisboa). Presentes ainda José Rebelo (ISCTE) e Valérie Suire (edições 90º)

Marc Augé, etnólogo e director de Estudos da École des Hautes Études en Sciences Sociales, onde foi presidente entre 1985 e 1995, elegeu a sociedade actual como objecto do seu estudo. Publicou nomeadamente La Traversée du Luxembourg (1985), Un ethnologue dans le métro (1986), Domaines et châteaux (1992), Sens des autres (1994) e Fictions fin-de-siècle (2000).

LIVROS SOBRE INDÚSTRIAS CULTURAIS


Estão já nas livrarias em Espanha dois livros da Fundación Alternativas editados pela Gedisa sobre indústrias culturais e televisão.


Os títulos são precisamente: Alternativas de política cultural e Alternativas a la televisión actual, escritos por vários investigadores de nomeada, como Enrique Bustamante, Gloria Gómez-Escalonilla e J.M. Pérez Tornero.

Fico-me, nesta mensagem, pelo Alternativas de política cultural, que cobre o desenvolvimento de três indústrias culturais: cinema, livro, música. Uma das características fundamentais do livro é a trajectória analítica desses sectores, do diagnóstico do mundo analógico até aos cenários desenhados no horizonte digital, escreve Bustamante no prefácio. Além da importância que assumem o Estado, as regiões e as autarquias, interessados no fomento dessas indústrias culturais (e criativas).

Veja-se o sumário do capítulo sobre música: situação internacional, com concentração de empresas e homogeneização; indústria em Espanha e a pirataria; novas tecnologias e novos modos de distribuição, comercialização e consumo; políticas de promoção de PME em Espanha; direitos de autor; promoção da música no âmbito educativo.

INCUBADORA DE INDÚSTRIAS CRIATIVAS


Para ler o artigo de Filipa M. Ribeiro (Edit on Web) sobre Incubadora de indústrias criativas na região do Norte concilia méritos da economia na cultura, clicar aqui.

CONTRIBUTO PARA A HISTÓRIA DO DESPORTO


O Instituto Superior da Maia (ISMAI) leva a efeito no próximo dia 21 um colóquio de História Contemporânea dedicado à Educação Física e Desporto.


A educação física na passagem do século XIX para o XX e no Estado Novo, o desporto na imprensa e a formação de professores nos anos de 1960 ou 1970 são temas de comunicações. Para saber mais informações, contactar através do email
amiguel@maieutica.ismai.pt.

REVISTA DE LAZERES


O Guia da Noite Lx Magazine é "uma revista que pode ir contigo para todo o lado, na mala, no bolso ou no portátil. Gostávamos mesmo que fosse a tua companheira inseparável", escreve Sandra Silva, directora editorial, neste primeiro número. Também disponível em www.guiadanoite.net. A publicação, gratuita e com 25 mil exemplares, terá periodicidade trimestral.

ARTES CRIATIVAS EM JESUS RORIZ


Maria de Jesus Roriz - com curso de Artes Circenses do Chapitô, Formação Profissional Corte e Costura, Formação Profissional de Animadora de ATL na Voz do Operário e Formação Inicial de Formadores - tem criado colecções de moda e artigos de praia e desporto de várias marcas e fatos de gala-danças de salão. Faz ainda passagens de modelos, workshops com crianças na reciclagem de materiais domésticos, expressão, malabarismo, jogos lúdicos, criou a peça de teatro Os treta e um programa na Rádio Atneu (Vila Franca de Xira), além de figurinista de Homem-Estátua (recordista de imobilidade).




Igualmente trabalha e executa figurinos para clown, faz tipis em lona, toldos e obras decorativas de grandes espaços. Este ano, entre outras actividades, Jesus Roriz criou e confeccionou o figurino (época) para homem-estátua e obteve uma menção honrosa em Espinho para homens-estátua. Jesus Roriz faz ainda pintura facial e corporal.

Para contactos profissionais, o seu email é
este.