domingo, 25 de fevereiro de 2007

O RAPAZ DOS DESENHOS


A peça, de Michael Healey (na imagem), tem versão de João Lourenço e Vera San Payo de Lemos (e dramaturgia desta última). Interpretam-na Luís Alberto (no papel de Mário), Rui Mendes (como Ângelo) e Pedro Granger (como Miguel).

Trata-se de uma peça terna sobre amizade e compreensão. Mário e Ângelo conheciam-se desde crianças, foram juntos para o serviço militar (frente da II Guerra Mundial, na Inglaterra), onde Ângelo foi ferido. De regresso ao Canadá, compraram uma quinta onde permaneceriam isolados, vivendo do trabalho agrícola. Os rituais rotineiros sucederam-se ao longo de anos até que Miguel, um jovem actor em busca de informações para escrever uma peça, introduz uma profunda alteração nessa vida cheia de gestos repetidos. A história que Mário contava a Ângelo acabaria por ser reconstruída.

A sala do Teatro Aberto onde a peça é representada é a mais pequena das duas salas, com uma arquitectura diferente da maior. Tem uma galeria - uma fila em torno da sala -, o que permite uma perspectiva distinta da peça. Ou seja, não se vêem os actores e as cenas de frente mas de cima. Eu vi de lado, ficando com uma memória peculiar desta peça, com uma grande qualidade de interpretação. Sem menosprezar o trabalho dos outros actores, realço o de Rui Mendes, fazendo o papel de um homem já velho, desmemoriado, mas apto a reconciliar-se com o passado se recontado e recontado.


A peça de Healey recolheu inspiração do teatro Passe Muraille (Canadá), que, nos anos 1970, esteve junto de uma comunidade rural à procura de histórias de agricultores para transpor para o palco. As primeiras representações decorreriam mesmo num celeiro, que a peça agora presente no Teatro Aberto também reconstitui.

Retiro do programa do espectáculo (p. 10):
  • Da mesma forma que um filme documental entrelaça fragmentos de testemunho cinemático para criar uma história não ficcional, a peça de teatro documental fixa o texto dramático a partir da linguagem gravada em situações da vida real. Entrevistas e transcrições de julgamentos de tribunal, artigos de imprensa escrita e transcrições radiodifundidas, gravações de discursos ao vivo e interrogatórios públicos - todas estas fontes do discurso contemporâneo falado podem ser usadas para criar um texto dramático sobre acontecimentos reais, não imaginários.

1 comentário:

Anónimo disse...

Kem é o Tubarão?

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