segunda-feira, 17 de janeiro de 2005

RAFAEL BORDALLO PINHEIRO EM EXPOSIÇÃO

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Inaugura-se no próximo dia 21 a exposição intitulada Bordallo Pinheiro, um génio sem fronteiras, no Museu Nacional da Imprensa, no Porto (junto à ponte do Freixo).

Para obter mais informação sobre o museu, clicar em Museu Virtual da Imprensa. Entretanto, o Museu tem patente a exposição Vencedores do VI PortoCartoon em Portugal, no átrio do Ministério das Finanças (Lisboa), até 31 de Janeiro (na imagem o Grande Prémio, atribuído a Grzegorz Szumowski).
TEMAS QUE EU GOSTO

1) Manga - no Público de ontem, a secção "Cultura" dedicou duas páginas ao fenómeno manga, a banda desenhada japonesa, tema que eu já aqui tenho trabalhado. Escrito pela jornalista Vanessa Rato, os pontos de partida foram a abertura de mais uma loja especializada em manga, a Kingpin of Comics, e um pequeno boom nas vendas em 2004. Este último facto deu-se devido a "duas das maiores editoras norte-americanas terem conseguido desbloquear os seus direitos de exportação, passando a disponibilizar para a Europa muitas novas obras".

Lê-se manga em inglês, mas também em francês e espanhol. A jornalista aponta lojas onde se podem adquirir revistas de BD nipónica nas duas primeiras línguas mas não em espanhol. E faz uma radiografia sucinta do leitor tipo da manga: nível etário maioritário entre 16 e 25 anos (os abaixo de 16 não compram, devido ao custo de cada revista, que ronda os €12), público masculino mas também feminino (há produção orientada para este segundo público), simultaneamente fãs da internet, quase apenas fiéis a este tipo de BD, formação média ou superior para os consumidores acima dos 25 anos.

A manga cobre géneros diferentes: romance, pornografia, ficção científica, terror e comédia de costumes. Mas há ainda histórias de amor escolar e com heroínas com poderes mágicos (dirigidos para as raparigas) e histórias de aventura, policiais, desporto e ficção científica (para os rapazes). Sem excluir mangas para adultos, quer homens quer mulheres.

2) Livrarias - ainda no Público, mas de anteontem, o destaque foi para as livrarias. E, apesar de haver quase sempre más notícias a ler nos jornais, este destaque trouxe boas novas. A primeira é que a Fnac e a Bertrand juntas venderam 5,5 milhões de livros em 2004! Aquela 3,5 milhões e a segunda 2 milhões. No ano que terminou há pouco, a Fnac facturou €40 milhões (mais 10% que em 2003) e a Bertrand € 30 milhões (subida de 16% face a 2003). Em termos de lojas, a Fnac tem sete lojas (de grande dimensão) e a Bertrand 39 por todo o país.

No artigo, assinado por Joana Gorjão Henriques, considera-se que o conceito de livraria é comum às duas cadeias: "há uma aposta no espaço, nas zonas de lazer, nos bares, na programação cultural, nos cartões de cliente, nos expositores, na escolha de livros em destaque". Uma explicação para o surto de lojas mais amplas coincidiu com a explosão de centros comerciais, o que se aplica mais à Fnac que à Bertrand - algumas lojas desta cadeia situam-se na rua, casos da Av. de Roma e do Chiado, ambas em Lisboa. A Fnac funciona como loja âncora, por exemplo nos Armazéns do Chiado e mesmo no Colombo.

O Público traça ainda o perfil de algumas das livrarias tradicionais - mas especializadas e de crescimento possível - de Lisboa e Porto. Inclui a Buchholz, que atravessa um período menos bom, mas não inclui a Almedina (e eu creio que a loja do Saldanha será um espaço de forte crescimento num centro comercial bonito, onde não falta um pianista a tornar mais agradável uma visita aquele sítio).

leemiller.JPG3) Fotografia - saíu na revista do El Pais de ontem, com o título A fotógrafa mais sedutora, um artigo sobre a fotógrafa Lee Miller, escrito por Lourdes Gómez e com um auto-retrato daquela (1932).

Lee Miller, feminista, musa dos surrealistas, modelo e fotógrafa, nasceu no estado de Nova Iorque em 1907 e faleceu em Londres setenta anos depois. O seu legado artístico foram cerca de 40 mil negativos, depois recuperados e reunidos pelo seu filho Anthony Penrose num fundo, os Arquivos Lee Miller.

Agora, a partir de 3 de Fevereiro próximo (e até 30 de Maio), serão mostradas 120 imagens a preto e branco daquela fotógrafa, na National Portrait Gallery, em Londres. A exposição envolve cinco grandes áreas: 1) retratos de estúdio de celebridades, 2) retratos informais de artistas, 3) retratos íntimos de amigos, 4) mulheres colaborando em tarefas de guerra na Inglaterra, e 5) vítimas civis da mesma II Guerra Mundial.

Fotografada por grandes profissionais das revistas da moda e por mestres como Picasso, Miller também fotografou Picasso, outros artistas como Max Ernst e Joan Miró e escritores como T. S. Elliot e Dylan Thomas. A relação amorosa que manteve com Man Ray, o artista dos ready-made, foi tumultuosa, mas a amizade manteve-se para além dessa relação. Mais tarde, casaria com Roland Penrose, artista inglês e coleccionador de arte contemporânea.

O artigo agora editado no El Pais aventa a hipótese de Lee Miller ter sido a primeira fotógrafa a entrar com os aliados em Paris, a 25 de Agosto de 1944. Ali fez imagens de amigos como Picasso e Jean Cocteau, bem como de Fred Astaire actuando para as tropas americanas e outras cenas dos primeiros dias da libertação (para obter mais informações da artista, apontar para o sítio Lee Miller Archives).

meios.JPG4) Blogues (ou o meu obrigado a Vanda Ferreira) - a revista Meios, da Associação Portuguesa de Imprensa, edição de Novembro/Dezembro de 2004, dedica as suas páginas centrais aos blogues ou diários de bordo, como também lhes chama.

Vanda Ferreira seguiu uma proposta minha, a da definição de blogues por tipo de especialização: 1) repetidores ou referenciadores, que se dedicam a recolher e reproduzir artigos, documentos e fazer links considerados relevantes para o blogueiro, 2) sinaleiros, que procuram e assinalam matérias determinadas, com destaque para as opiniões que apareçam na sua sequência, com mais interligações e interactividade, e 3) produtores, resultantes de blogueiros que os criam e alimentam com reflexões e outros elementos próprios.

Parti ainda da distinção dos blogueiros como comunidade interpretativa e imaginária, a partir de conceitos desenvolvidos por Barbie Zelizer e Benedict Andersen. E, nesse trabalho de Vanda Ferreira, comparei os blogues com os pioneiros da rádio, nos idos anos de 1922-1923, fomentadores de comunidades virtuais em todo o planeta, graças a pequenos emissores que eles próprios montavam.

domingo, 16 de janeiro de 2005

IMITAÇÃO DE CIDADE

[post que dedico a Jaime Almeida (1920-2005), certamente o meu maior amigo de sempre, ele que me apoiou ao longo de muitos anos, me levou a primeira vez ao Museu Militar, ao Museu dos Coches e ao Museu da Marinha, me fez passear pela carreira de eléctrico 28, me mostrou os Jerónimos, a Torre de Belém, as Portas de Santo Antão, o Chiado e o Rossio, e me fez amar Lisboa, eu que era criança e morava noutra cidade]

Na aula de sexta-feira, procurei definir públicos de consumo, a partir de alguns textos onde se caracterizam tipos de espaços de consumo como centros comerciais ou outlets. Segui um texto aqui já elencado, de Lehtonen e Mäenpää (Shopping in the East Centre Mall, 1997), e um outro, que descobri recentemente, de Rachel Bowlby (Carried away, 2000).

Aí distingui entre tour (movimento circular) e trip (movimento pendular) para representar o "andar" num desses espaços de consumo, que conciliam a razão de comprar bens essenciais e o hedonismo de ir às compras. Segui aquilo a que Lehtonen e Mäenpää chamam de sociabilidade de rua, tipo de partilha dos públicos de consumo (embora raramente chegue à forma de comunicação real).

E com Bowlby destaquei o elemento infantil da ida às compras, onde podemos ficar todo o tempo que quisermos a ver as lojas e as prateleiras, criando necessidades ou sonhando com o que vemos e tocamos nesses espaços. Com a mesma autora percorri os diferentes vocábulos, do supermercado ao hipermercado, do self-service à superette.

A imitação da cidade

cc.JPGNão previa o texto que Manuel Graça Dias escreveria no Expresso de ontem, intitulado A imitação da cidade.

Começa o texto do seguinte modo: "Uma noite destas, analisando com algum detalhe um mapa turístico emblemático [...], pude ler, a dado momento, impresso a negro, em letras grossas: «Centro comercial». A designação atravessava uma parte da planta preenchida por ruas miúdas em quase quadrícula e reportava-se à noção genérica de zona comercial ou «baixa»".

E continua quase a seguir: "Hoje, o conceito deslocou-se um bocado e é praticamente inconcebível falarmos em centro comercial sem pensarmos logo numa estrutura fechada, climatizada, artificialmente iluminada, cheia de lojas, músicas e desafios supostamente consumistas".cc1.JPG

O texto deve ser lido até ao fim. Pena que eu não tenha levado este documento para análise na aula, pois complementaria muito o que disse na aula e o que as(os) alunas(os) contribuiram. A páginas tantas estávamos a discutir se o El Corte Inglés era um representante legítimo do grande armazém francês de finais de oitocentos, um dos traços da modernidade como exclamou Walter Benjamin, se o outlet de Alcochete representaria o "novo" centro histórico das cidades e se as Amoreiras tinham perdido clientes para o Colombo ou para o El Corte Inglés.

Claro que a perspectiva de Manuel Graça Dias não é optimista. Sem querer pensar como ele, julgo que vale a pena reflectir em tudo o que escreveu. Até porque a minha definição de públicos de consumo precisa de ser mais bem burilada e a minha análise necessita de se alargar para espaços nicho como alguns centros comerciais e algumas lojas estão a desenvolver.

Leitura: Câmara Municipal de Lisboa (1989). Centros comerciais. Lisboa: CML [a mesma colecção de livros inclui textos sobre hipermercados, supermercados, comércio de especialidade, franchising]

sábado, 15 de janeiro de 2005

MUPIS

Gosto muito de ver as campanhas de publicidade que decorrem nos mupis (mobiliário urbano para informação). É um tipo de publicidade outdoor junto aos passeios - orientado para os peões -, mas também para automobilistas, quando parados em semáforos.

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No blogue tenho colocado algumas imagens. Ainda há dias, editei uma imagem da campanha do Expresso, onde se promove a colecção de CDs de música clássica, iniciada hoje. Fiz então alusão a outra edição do jornal Público, com o mesmo tipo de produto. Só mais tarde é que me apercebi que o jornal tinha uma campanha de publicidade sobre o assunto (para ler de olhos fechados).

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umic3.JPGUma outra campanha a decorrer é a referente ao portal do cidadão, iniciativa de implementação de facilidades de comunicação electrónica pelo Governo, em iniciativa da UMIC.

As mensagens são divertidas: saiba como visitar um museu no intervalo da novela, saiba como pedir uma certidão na pausa para o café, saiba como encontrar emprego enquanto lavar os dentes. Esperemos que haja impacto real com essa iniciativa.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2005

DUAS NOTÍCIAS SAIDAS NA NEWSLETTER DO EUROPEAN JOURNALISM CENTRE

A partir da newsletter de hoje do European Journalism Centre, relevo as seguintes notícias:

1) Deutsche Welle lança um sítio em árabe - com o lançamento do sítio em árabe, anteontem, a Deutsche Welle expande a sua presença na região do mundo onde se fala aquela língua. Os jornalistas online focarão o seu trabalho em acontecimentos na Alemanha, Europa e Médio Oriente. Complementarmente, darão informações sobre política, negócios, desporto, cultura e ciência.

2) canal japonês NHK censurou programa devido a pressão política em 2001 - a estação NHK alterou um documentário sobre escravatura sexual devido à pressão do partido Liberal Democrata, foi revelado anteontem por um responsável do canal.
AMERICANOS ACREDITAM MENOS NOS MEDIA QUE OS EUROPEUS

Um estudo de opinião pública Harris (Harris Poll) revela que há menos americanos que europeus a acreditarem nos media, indica hoje o blogue Media Network Weblog.

O inquérito envolveu 2092 adultos americanos, entrevistados entre 8 e 15 de Dezembro último, ao passo que os dados europeus provêem da sondagem Eurobarometer realizada entre Fevereiro e Março de 2004 nos 25 países da União Europeia. Assim, as atitudes dos americanos face aos media são bastante mais negativas que as dos europeus. Quase 3 para 1 dos americanos não acreditam na imprensa, a divisão nos europeus é quase de metade entre os que acreditam e os que não acreditam. Embora com valores diferentes, ocorre o mesmo com a rádio e a televisão.

Nos principais cinco países da União Europeia, a confiança na rádio ultrapassa os 55% e é da ordem dos 67% em Espanha e França, enquanto a confiança na imprensa é de 61% em Espanha e 60% em França, mas baixa para os 20% no Reino Unido, devido ao jornalismo tablóide de massas. Já quanto à televisão, a confiança chega aos 59% na Alemanha e 54% no Reino Unido, mas é apenas de 37% na Itália, onde o primeiro-ministro Berlusconi detém a propriedade de vários canais.
ESTATÍSTICAS DO CINEMA NO TERCEIRO TRIMESTRE DE 2004

O INE divulgou recentemente as estatísticas do cinema em Portugal para o terceiro trimestre de 2004, publica a newsletter da Marktest.com. O meio assistiu a aumentos de 17,5% no número de espectadores e de 22% nas receitas relativamente ao trimestre homólogo do ano anterior.

Assim, no 3º trimestre de 2004 realizaram-se 173,5 mil sessões de cinema e assistiram 5,1 milhões de espectadores, gerando receitas superiores a 20,9 milhões de euros. No mesmo período, foram 217 os recintos que projectaram filmes, tendo oferecido 480 ecrãs e cerca de 103 mil lugares de lotação.

Alguns dados curiosos presentes nestas estatísticas. O maior aumento no número de sessões deu-se no Alentejo, mais do que duplicando face a igual período do ano anterior, embora continue com a menor oferta de sessões de cinema. O maior aumento no número de espectadores registou-se na Região Autónoma dos Açores, com mais 80,6% do que no 3º trimestre de 2003. Do total de receitas, 48% provieram da região de Lisboa e 27% da região Norte. O preço médio por bilhete foi mais elevado na região de Lisboa, com um valor de €4,43.

Segundo o INE, que refere informações do ICAM (Instituto do Cinema, Audiovisual e Multimedia), o aumento no número de espectadores fica sobretudo a dever-se à exibição de filmes como Shrek 2, Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban e Homem Aranha 2.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2005

JORNAIS GRATUITOS

"Conhece o novo jornal gratuito Metro?", pergunta o jornal Público na sua coluna de hoje Vox populi (caderno local de Lisboa). Trata-se de um pequeno espaço regular onde se faz uma pergunta a leitores ou simples cidadãos interpelados pelo jornalista e pelo fotógrafo, em quase estilo de apanhado. As respostas são habitualmente simples, mostrando com alguma frequência desconhecimento no tema tratado. Funciona na página onde se insere a tribuna do leitor (cartaz sobre a região); logo é espaço público de opinião.

As respostas de hoje vão do conhecimento à ignorância do jornal Metro. Uma supervisora de 26 anos responde: "Sim, li-o uma vez. Gostei do jornal [...]. Duvido que o tenha lido, pois o referido jornal vai hoje na sua quinta edição.

Ora, que fenómeno é este do Metro e dos jornais gratuitos?

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Primeiro foi o Destak, já no seu quarto ano de existência, distribuido às portas do metropolitano de Lisboa. Aliás, o jornal ostenta o slogan O primeiro diário gratuito português. Parecendo regressar às origens do jornalismo, este tipo de imprensa tem conquistado espaço em vários países da Europa. A dar-lhe cobertura financeira a publicidade incorporada (a edição de anteontem, de que se vê parcialmente a capa, tinha um anúncio de página inteira do Correio da Manhã e fazia promoção do jornal Mundo Universitário, bem como uma secção de classificados de duas páginas - as centrais), em vinte páginas de jornal.

Agora é o Metro. Também em formato tablóide, um pouco maior que o Destak, o seu sustento económico é igualmente a publicidade, mas em maior quantidade que a do outro gratuito, também num total de vinte páginas do jornal. A última página traz um anúncio da Tele2 [as imagens mostram parcelas das capas das edições de ontem e de hoje. Por um erro do paginador, o número inserido no cabeçalho é, ontem e hoje, o quatro; prevê-se que amanhã seja o seis].

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Conteúdos e objectivos

A capa aposta na cor, com uma fotografia em destaque, que ilustra normalmente a manchete. Mas esta pode desdobrar-se em duas. Os temas são do conhecimento prévio dos leitores, adquirido nomeadamente na televisão: processo Casa Pia, condenação de Vale e Azevedo. Quer o Destak quer o Metro têm uma coluna à esquerda, remetendo para desenvolvimento nas páginas interiores.

A leitura é fácil: os textos lêem-se quase numa viagem de metro ou de autocarro e o jornal destina-se a ser deitado fora mal seja lido. Corrijo de imediato, pois os jornais têm a programação da televisão e páginas de lazer: palavras cruzadas, descubra as 10 diferenças, receitas de culinária, horóscopo e até a meteorologia. E também páginas de desporto, internacional e economia.

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gratuito6.JPG[a publicidade fica ao pé dos pontos de distribuição do jornal: as estações da Alameda (D. Afonso Henriques) (primeira imagem) e Areeiro (as outras duas)]

Ou seja: o Metro traz quase tudo o que possui um jornal que custa dinheiro. O fenómeno dos gratuitos pode ter duas consequências, sendo a primeira a conquista de novos leitores (no metro isso já é notório, com os passageiros a lerem o seu exemplar). Mas pode criar uma situação gravosa, a de os jornais pagos se ressentirem em termos de vendas, casos dos populares 24 Horas e do Correio da Manhã, mas ainda dos jornais de referência Diário de Notícias e Público. Além de que não é preciso ir procurá-lo à tabacaria ou quiosque; o jornal espera o leitor à porta do metro! Basta reflectir no slogan do novo jornal: A informação não tem preço. E, acima de tudo, as suas notícias leves não são tão fantasiosas, sensacionalistas ou bombásticas que as dos jornais populares e tablóides.

Das fichas técnicas retiro os seguintes elementos: o Metro pertence à Transjornal Edição de Publicações e conta como director Nuno Henrique Luz, com uma redacção de seis elementos, um deles estagiário. A periodicidade é de segunda a sexta-feira. Não possui indicação de tiragem. Funciona na zona das Amoreiras, em Lisboa. O Destak pertence à Metro News Publicações, tem como chefe de redacção Cristiana Pereira e sete jornalistas a trabalharem, além da editora. A tiragem é de cem mil exemplares. Funciona em Carnaxide.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2005

SUGESTÕES CULTURAIS EM CD-ROM

O Expresso do último sábado - dentro de uma linha de renovação jornalística e multimedia - lançou um CD- ROM (Cartaz Expresso) com as sugestões culturais do mês, incluindo texto, vídeo e fotografia. Trata-se de uma novidade em termos dos jornais do país.

expressocartaz.JPGApesar dos interesses comerciais envolvidos - Optimus, SIC, SIC Radical, Blitz, Texto Editores, Millennium BCP, Witch, entre outros - trata-se de uma iniciativa a aplaudir.

Filmes, espectáculos, livros, exposições, desporto, crianças e videojogos são as secções do CD-ROM, com thrillers, sínteses e informações das actividades culturais, recreativas e desportivas do mês.

A recomendação do filme para Janeiro é Perto de mais, de Mike Nichols, com Julie Roberts no principal papel, enquanto o livro sugerido no CD-ROM é o polémico Lust, de Elfriede Jelinek, da Editora Estampa. Já em termos de videojogos, a oferta é grande, incluindo Fire captain e Project zero 2. Paula Rego nas exposições e bailado são ainda outros conselhos do Cartaz Expresso em CD-ROM.

Publicidade dos media

O mesmo Expresso lançou uma campanha publicitária, caso dos mupis, a propósito da colecção de grandes compositores (de CDs, a acompanhar cada edição semanal do jornal, o que também o Público está a fazer).

Por seu lado, a Antena 1 fez sair publicidade sob o slogan As músicas da Antena 1 andam no ouvido de toda a gente, agora que houve alterações na sua programação [confesso que tenho andado distraido, pois outros afazeres têm-me afastado do prazer da rádio]. Rui Veloso e José Nuno Martins dão cara em dois dos mupis (não sei se há mais).

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terça-feira, 11 de janeiro de 2005

UM BLOGUE SOBRE SONDAGENS

Escreveu Pedro Magalhães no começo do seu blogue Margens de erro, no passado dia 6: "O objectivo deste blogue é simples. Achei que seria bom que existisse em Portugal uma fonte de informação sistemática sobre as sondagens que vão sendo publicadas. É também provável que, por obrigação profissional, tenha de recolher alguma dessa informação, especialmente durante os próximos treze meses onde haverá eleições legislativas, autárquicas e presidenciais. É possível que tenha algumas coisas para dizer sobre essas sondagens. E essas coisas raramente são ditas (ou podem ser ditas) noutras fontes de informação que não um blogue. Logo, serão ditas e escritas aqui. É só isto. É um princípio".

Os meus sinceros parabéns ao propósito de Pedro Magalhães, professor universitário, colunista de jornais e cientista social conceituadíssimo na matéria. De um leitor doravante fiel, até porque são próximas as eleições legislativas - e as que se seguem - e convém andarmos informados.
PROVEDORES DO LEITOR EM AUTO-RETRATO

Conforme anunciei neste blogue, decorreu hoje, ao fim da tarde e na Universidade Lusófona, o colóquio Provedores do leitor em auto-retrato, que contou com a presença de provedores antigos ou actuais como Joaquim Furtado e Joaquim Fidalgo (Público), José Carlos Abrantes (Diário de Notícias) e Manuel Pinto (Jornal de Notícias).

O momento também serviu para a apresentação do livro de Joaquim Fidalgo, Em nome do leitor. As colunas do provedor do Público, comentado por Fernando Correia.

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[na imagem, da esquerda para a direita: Mário Mesquita, director da colecção de livros, Fernando Correia, Joaquim Fidalgo e Isabel Garcia, editora da MinervaCoimbra]

Fernando Correia, professor da universidade organizadora e responsável da revista JJ - Jornalismo e Jornalistas, fez um muito interessante comentário à obra e aos provedores do leitor em si. Começou por situar o aparecimento destes "representantes" dos leitores em 1997 (Mário Mesquita no Diário de Notícias e Jorge Wemans no Público). Ainda em 1997, registou-se a ocorrência de outros factores importantes para o jornalismo português: surgiram duas instituições ligadas à investigação, o CIMJ e a SOPCOM, foram lançadas as colecções de livros de comunicação e jornalismo da MinervaCoimbra e da Editorial Notícias, fez-se o inquérito a jornalistas divulgado no congresso do ano seguinte.

Correia, que se referiu à guerra das audiências na televisão comercial e ao aparecimento e fortalecimento de grupos mediáticos nesse período, chamou a atenção para o facto de que a figura do provedor poderia ter sido encarada como simples estratagema dessas organizações jornalísticas, no sentido de apaziguar a discordância dos leitores. Contudo, o provedor tornar-se-ia, e ainda segundo Fernando Correia, o reflexo e agente do impacto dos media e impôs uma nova posição do olhar jornalístico.

Sobre Joaquim Fidalgo e o seu livro, o apresentador deste destacou quatro traços marcantes: 1) profundo conhecimento da sala de redacção (rotinas produtivas), 2) preocupações pedagógicas, 3) desassombro na crítica às cedências dos interesses jornalísticos devido a pressões comerciais, e 4) constante valorização do leitor.

Provedores do leitor em auto-retrato

O colóquio, que se prolongou por cerca de duas horas, foi um espaço de experiências que só em momentos como este se ouve e partilha. José Carlos Abrantes, por exemplo, falou dos seus oito meses que leva como provedor do Diário de Notícias, tendo já conhecido três directores, sabida como é a recente turbulência directiva naquele jornal centenário, ambiente nada propício para a relação do "representante" dos leitores com a organização jornalística. Já Joaquim Fidalgo destacou o papel do provedor como alguém que muda lentamente as mentalidades dos jornalistas (ele não usou estas palavras). Isto é, a pedagogia do provedor contribui para um melhor jornalismo (ou, pelo menos, para que não haja pior jornalismo, como explicou).

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[na imagem, da esquerda para a direita: Joaquim Furtado, Manuel Pinto, Maria José Matta, a moderadora do debate, José Carlos Abrantes e Joaquim Fidalgo]

Manuel Pinto, professor da Universidade do Minho - como Joaquim Fidalgo - e actual provedor do Jornal de Notícias (Porto), falou em silêncio do jornalismo, usando expressões metafóricas (aquilo que não acede à visibilidade, as zonas da noite, que não conquistam lugar), para esclarecer os jogos de interesses de fontes de informação (políticas, económicas, desportivas, de iniciativas ocasionais).

lusofona1.JPGJá Joaquim Furtado, que se despediu no passado domingo como provedor do leitor do Público, no seu comentário tomou uma perspectiva interrogativa: o provedor de um jornal será o mesmo se estiver noutro jornal? Isto é, ele partiu do princípio que se o provedor influencia o jornal, este influencia aquele. E concluiu afirmando que o provedor é alguém identificável a quem o leitor recorre.

Obviamente mais coisas foram ditas - e igualmente de interesse - mas a noite e a dimensão do texto levam-me a ficar por aqui.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2005

COLÓQUIO SOBRE PROVEDORES DO LEITOR

Amanhã, dia 11, pelas 18:00, na Universidade Lusófona, ao Campo Grande (Lisboa), decorrerá a apresentação do livro de Joaquim Fidalgo, Em nome do leitor. As colunas do provedor do Público, comentado por Fernando Correia.

A apresentação do livro inclui-se no colóquio Provedores do leitor em auto-retrato, onde estarão presentes Joaquim Furtado (provedor do leitor do Público), Joaquim Fidalgo (professor da Universidade do Minho, antigo provedor do Público, entre 1999 e 2001, e autor do livro acima referido), José Carlos Abrantes (provedor do Diário de Notícias) e Manuel Pinto (provedor do Jornal de Notícias e professor da Universidade do Minho). O debate será moderado por Maria José Mata (da universidade organizadora), seguindo-se comentários de Carla Rodrigues Cardoso e Bárbara Barroso.
O CASO RÁDIO RENASCENÇA (1974-1975)

Foi tema da tese de mestrado de Paula Alexandra Fernandes Borges Santos, defendida na Universidade Nova de Lisboa. O trabalho, cujo título exacto é A igreja e o 25 de Abril: o caso Rádio Renascença (1974-1975), ganhou o prémio Fundação Mário Soares 2004. Uma síntese da tese pode ser vista no sítio da Fundação Mário Soares.
TESE DE MESTRADO SOBRE MEDIA E DEMOCRACIA EM PORTUGAL

Foi hoje defendida a tese de mestrado de Nuno Coimbra Mesquita, sob o título Mídia e democratização em Portugal: do marcelismo à consolidação democrática, no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, recebendo a classificação de muito bom com distinção.

O estudo agora apresentado aborda o papel dos media no processo de democratização de Portugal, indo da liberalização de Marcelo Caetano à consolidação democrática, dentro da óptica da ciência política. O texto começa com o enquadramento teórico dos media e da democracia, trabalha a transição para a democracia e passa os principais tópicos relacionados com os media e a democracia em Portugal após a sua consolidação. Nacionalização e privatização dos media fazem parte desta análise, bem como o impacto da nova imprensa de referência surgida nos anos 1980 e 1990 e o peso das novas estações privadas de televisão.

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[O cartoon, de João Abel Manta, no Diário de Lisboa, de que se reproduz aqui a sua capa, tem a seguinte legenda: Sopeira era a sua avó torta. Eu sou a preparadora dos géneros alimentícios. As mudanças políticas em 1974-1975 também tiveram influências nos costumes!]

Nuno Mesquita parte do princípio que, se a transição democrática potuguesa já foi muito estudada, falta investigação sobre o papel dos media nacionais. A questão inicial é: em que medida os media se relacionam com o processo de democratização em Portugal, do marcelismo à consolidação democrática? O autor compara o percurso em direcção à democracia em Portugal com outros países, nomeadamente a Hungria (mas também o Chile e a Espanha) - seguindo esses paralelismos ao longo de toda a tese.

O trabalho empírico incide sobre dois jornais de referência portugueses (Expresso e Diário de Notícias, entre 1989 e 1992) e estuda as campanhas eleitorais legislativas de 1987, 1991, 1995 e 1999 e a sua cobertura mediática.

Dos governos autoritários versus totalitários à democracia

O agora mestre pela Universidade Católica Portuguesa partiu da distinção entre governos autoritários (que procuram desmobilizar e reprimir a população) e totalitários (com objectivos social-revolucionários) - embora empregando as mesmas estratégias: censura, repressão da liberdade de imprensa - para chegar à liberalização (ou tentativa, no caso de Marcelo Caetano) e à transição democrática, antes da consolidação do regime democrático.

Se, para Salazar, a imprensa não tinha um lugar de destaque, Caetano investiu mais nos media, com preferência para a televisão (onde passou as suas conversas em família). Claro que - ao contrário do que a tese deixa transparecer - a imprensa era um objecto considerado importante para Salazar (como o comprova a tese de doutoramento de José Rebelo, em que o ditador se servia de entrevistas a jornalistas estrangeiros para depois incitar a publicação de excertos em jornais nacionais). Mas, com Caetano, pelo menos no período inicial, em 1969, os jornais publicariam temas e textos críticos.

O texto assenta muito na factualidade dos acontecimentos ocorridos ao longo de mais de trinta anos. Para o autor, oriundo de São Paulo (Brasil), a descrição dos eventos serve para contextualizar o seu próprio conhecimento e, caso seja publicada no seu país, tem um sentido didáctico. António Costa Pinto, do ISCTE, no papel de arguente, destacou a boa utilização da literatura relevante e o trabalhar dos conceitos de liberalização, transição e consolidação do regime democrático. A tese foi orientada por Pedro Magalhães, do Instituto de Ciências Sociais.

A tese agora defendida constata a ideia seguinte: há falta de estudos sistemáticos na área. Isto é: precisamos de trabalhar muito.

domingo, 9 de janeiro de 2005

LEITURAS

sundaytimes912005.JPG1) Al-Jazira

Dentro de dez meses, a Al-Jazira, o canal árabe de notícias por satélite, começará a emitir também em língua inglesa. Espera ultrapassar em muito os já 50 milhões de espectadores com que conta, lê-se no caderno Culture do Sunday Times de hoje - a propósito da saída do livro Al-Jazeera: how Arab TV News challenged the world, de Hugh Miles.

Antes de 1996, a Arábia Saudita promovera um canal de televisão por satélite, resultado de uma joint-venture com a BBC. Mas as tentativas de controlo por parte do poder político saudita levaram ao encerramento desse canal de notícias equilibradas e dotadas de sentido. Os 250 jornalistas que pertenciam à estação ficaram sem emprego, mas a recém-formada Al-Jazira aproveitou 120 deles. Muitos deles atingiriam, entretanto, posições de relevo no interior da estação. As primeiras emissões - de duração diária de seis horas - foram feitas por um canal de fraco sinal e reduzidas audiências no Qatar, país com 80 mil habitantes.

A Al-Jazira quis aumentar o sinal, mas não havia qualquer satélite com espaço disponível. Até que o Canal France International, em vez de mostrar um programa educativo para crianças, passou um filme pornográfico de 30 minutos (chamado Club Privé au Portugal). A licença foi retirada a esse canal e o seu espaço de satélite ocupado pela Al-Jazira. Informação equilibrada e muitos debates marcaram o canal, robustecido com o 11 de Setembro de 2001, ao ser a estação onde passaram os comunicados e vídeos da Al-Qaeda, a organização terrorista de Bin Laden, responsável pelos atentados desse dia em solo americano.

Os americanos não gostam da estação. Quando entraram em Cabul, no Afeganistão, em Novembro de 2001, bombardearam os escritórios que a estação ali possuía. O mesmo aconteceu em Abril, quando as forças dos Estados Unidos entraram em Bagdad, no Iraque. E o actual governo interino também não simpatiza com a Al-Jazera.

Contudo, as cachas continuam a fluir à Al-Jazera, como quando entrevistaram Khalid Sheikh Mohammed e Ramzi Binalshibh, os dois principais cérebros dos ataques do 11-S.

2) Sexo e violência nos videojogos

O tema ocupa duas páginas do El Pais de hoje. Por ele (assinado por P. Gosálvez e A. Fraguas), fica-se a saber que sete milhões de espanhóis, entre crianças e adolescentes, usam videojogos, um negócio de €800 milhões em 2003 que já factura mais do que as indústrias do cinema e da música. Os videojogos incluem géneros variados como acção, simuladores, desportivos, de estratégia.

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A indústria diz que o público consumidor dos jogos vídeo está a envelhecer (média: 25 anos). Mas também conclui que mais de metade dos pais com filhos menores de 14 anos já comprou para videojogos estes. A questão principal é que dois relatórios recentes - um da Amnistia Internacional (AI) e outro da universidade espanhola de Léon - debatem os conteúdos sexuais e violentos dos jogos e a permissidade ao seu acesso por parte dos jovens e das crianças. A AI analisou 50 jogos, alguns dos quais se encontram à venda em quiosques ou são acessíveis através da internet, em que mais de metade fomenta o abuso dos direitos humanos, com delitos como assassínio, violação, escravatura, tortura ou extermínio de civis em zonas de guerra.

Em Espanha, os videojogos estão classificados por idade, para tentar controlar esse tipo de conteúdos, desde 2003, seguindo o código PEGI (Informação Pan-Europeia do Jogo). A realidade, porém, é que qualquer jovem ou criança os podem comprar sem restrições, como se não houvesse inibição de uma criança em entrar numa sala de cinema para ver um filme cotado para adultos. Não há qualquer estudo que faça a correlação entre o uso de videojogos e a violência manifestada pelos seus jogadores, mas a questão é delicada e merece todo o cuidado.
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Há dias, dava conta do roteiro da Câmara Municipal de Oeiras, o 30 DIAS. Hoje, posso apresentar a capa do mesmo roteiro, em que o destaque vai para Carlos d'Almeida Ribeiro, 35 anos, director do TIO, Teatro Independente de Oeiras. Mas há ainda uma referência à exposição de pintura que abre no próximo dia 16, onde estarão presentes quadros de Albano Neves e Sousa e Delfim Maya.

Também a Associação Abril em Maio, a funcionar no Regueirão dos Anjos, 68, em Lisboa, fez sair o seu boletim Estaca Zero deste mês. Uma das actividades principais diz respeito à cultura africana em Portugal. Para além de uma exposição e feira de literatura caboverdiana e mostra de vídeo e documentário de Cabo Verde, há ainda um jantar de cachupa (dia 15) a que se segue um espectáculo pelo grupo de dança Sankofa.

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Na actividade Não é cinema, a Abril em Maio projectará amanhã Conversas com Glicínia, de Jorge Silva Melo (que eu vi recentemente aqui na Culturgest), e Gérard fotógrafo Lissabon/Wuppertal/Lisboa, de Fernando Lopes (1998), no dia 31. Claro que há outras fitas anunciadas.

sábado, 8 de janeiro de 2005

LEITURAS DOS JORNAIS E DOS BLOGUES

1) Crítica ao livro de António Pinto Ribeiro (Abrigos) feita por Pedro Mexia (Diário de Notícias, 7 de Janeiro). Ideias centrais: criação, difusão e recepção artística; política cultural; urbanismo e cosmopolitismo; retrato do novo intelectual; abrigos (cafés, mercados, museus, aeroportos). A não perder, pelo rigor.

2) Rede digital de cinemas a criar pelo ICAM (Público, 7 de Janeiro; Expresso, 8 de Janeiro). Prevê-se, até ao Verão, haver cinco salas piloto em Lisboa, Tondela, Tavira e Porto. Depois, e até ao fim deste ano, chegará às 20 salas. Há ainda uma só sala com projecção digital total (Alvaláxia, Lisboa). Os filmes portugueses da Cinemateca Portuguesa serão transmitidos para esses cinemas através da internet.

3) Madragoa Filmes cria o passe cinema (Expresso, 8 de Janeiro). Pelo valor de €13 mensais ou €150 anuais, a Madragoa Filmes, de Paulo Branco, lançou um passe cinema. Tal possibilita ver até um máximo de dois filmes por dia sem pagar mais dinheiro. São 77 os cinemas do grupo Madragoa, espalhados por várias cidades do país. Em Lisboa, cobre parte significativa dos cinemas que frequento.

4) Entrevista de David Ferreira sobre o actual mercado discográfico (DN Música, 7 de Janeiro). Uma só citação: "E [o Estado] tem de intervir com urgência em três matérias: a pirataria (a física e também a digital), a rádio e o IVA". A ler com muitíssima atenção. Atendendo à mensagem do homem da EMI Music Portugal, iniciei, no lado direito deste blogue, uma campanha de incentivo à compra de música e jornais nacionais.

5) Artigo de opinião de Nuno Cintra Torres sobre a lei do audiovisual (Expresso, 8 de Janeiro). A separação nítida entre televisão de difusão terrestre (free) e televisão por cabo/satélite está a acabar em termos de modelo de negócio. As receitas (na primeira através de comercialização de tempo de emissão, na segunda através de assinatura) misturam-se no novo modelo da plataforma multicanal. A lei do audiovisual não terá seguido esta alteração, segundo o articulista.

6) A situação da livraria Buchholz (Expresso, 8 de Janeiro). Parece que não se encontra na melhor situação financeira a livraria situada na rua Duque de Palmela, em Lisboa. Estará a decorrer uma passagem de propriedade, tendente a eliminar a situação de pré-falência. Espero que a livraria recupere. Lá comprei muitos livros nestes últimos dez anos.

7) Rádio digital nos Estados Unidos em avanço (blogue Media Network Weblog, 6 de Janeiro) . 21 das principais estações americanas estabeleceram um acordo em Las Vegas, no dia 5, para acelerar a conversão de duas mil estações de AM e FM em tecnologia digital (HDRT - High Definition Radio Technology), cobrindo os principais cem mercados daquele país. Também a rádio pública (minoritária nos Estados Unidos) anunciou recentemente a sua passagem para a HDRT, com um investimento de 21 milhões de dólares. Há 175 milhões de ouvintes diários no país, quer em AM quer em FM.

8) Origem do blogue muitomentiroso (Diário de Notícias, 7 de Janeiro). O blogue notabilizou-se por escrever sobre o caso da pedofilia, mas com autores anónimos. Agora, a Polícia Judiciária parece ter descoberto a origem: o jornal Correio da Manhã.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2005

UMA ABORDAGEM AO CIBERJORNALISMO BRASILEIRO

Na aula de ontem de Públicos e Audiências tivemos o prazer de ouvir Daniela Bertocchi falar de ciberjornalismo brasileiro.

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Anterior directora do portal USP Online (página da internet da Universidade de São Paulo, em 2003-2004), actualmente a trabalhar no projecto Mediascópio da Universidade do Minho, enquanto prossegue a sua investigação académica, e também animadora do blogue Intermezzo, Bertocchi fez uma história sucinta do aparecimento da internet no Brasil (1995) e alguns dos projectos a que esteve ligada em São Paulo, a cidade donde é oriunda.

No seu país, a internet e os jornais digitais cresceram rapidamente. As redacções dos novos media eram formadas por jovens ainda pouco experientes, em que não havia manuais de redacção nem linha editorial realmente projectada mas onde grandes empresas investiam em termos de publicidade. Bertocchi chegou a integrar uma redacção de cerca de 60 jornalistas.

Com o rebentar da bolha de 2000-2001, estes grandes projectos desapareceram ou foram muito reduzidos. Actualmente, voltam a surgir propostas de media digitais, embora, segundo a conferencista, estes meios não eliminem as edições em papel. Aliás, nota Daniela Bertocchi, os meios digitais ainda usam muito a linguagem jornalística existente no suporte em papel. Para ela, e olhando para a realidade portuguesa, há bastante transposição do conteúdo dos jornais impressos para o multimedia.

Cobertura mediática de novo tipo

Em 1999, o portal Terra iniciou uma nova abordagem às questões de ensino, nomeadamente no acesso à universidade (ano vestibular), associando os media clássicos à internet. Testemunhos de alunos candidatos às provas vestibulares, que se realizam a um sábado e domingo, eram fotografados e gravados em vídeo. Além disso, os professores comentavam as provas dos alunos, passando da televisão para a internet, dando assim possibilidade aos alunos de acederem aos comentários. Para além da impressão dos comentários, os alunos podiam conversar em modo chat com os seus professores, tornando a comunicação em tempo real.

Desde o começo e até 2002 foram feitos 27 programas. Isto tudo atendendo a que há no Brasil cerca de 1600 universidades, sendo que as públicas, apesar de em número muito reduzido, têm uma elevada procura, o que torna as provas de acesso difícil atendendo às vagas oferecidas.

Uma vantagem dos jornais digitais

USPonline.JPGEm 2004, rebentou, por um tempo considerável, uma greve de professores e funcionários da Universidade de São Paulo, reivindicando melhores salários. Piquetes de greve impediram a saída dos media impressos e emissão dos televisivos da Universidade (há um canal universitário que pode ser visto nos lares de São Paulo). A Universidade tem cerca de cinco mil professores e 70 mil alunos.

Também a redacção do USP online viu as suas instalações ocupadas. Contudo, dada a grande mobilidade de um meio digital, foi possível a equipa de redacção instalar-se num outro sítio e continuar a produzir informação sobre a vida da Universidade, tornando-se o único medium a conseguir fazê-lo (imagem referente a publicação editada em 30 de Junho de 2004).

quinta-feira, 6 de janeiro de 2005

OS MEUS LIVROS

osmeuslivros.JPGEsta é a capa da revista Os meus livros, da SaúdePress, referente ao presente mês. A assinar o editorial, o novo editor, João Morales.

Escreve ele: "Iniciamos neste número uma nova etapa nesta revista que se quer de todos; leitores, editores, escritores e, permitam-me a imodéstia, os seus artesãos. Cada vez mais, queremos ser considerados como uma presença indispensável aqueles para quem os livros continuam a ser um dos símbolos das suas vidas".

Conhecia o excelente trabalho de João Morales como editor da MediaXXI. Agora acredito que as suas capacidades sejam, de novo, bem postas à prova. Morales sucede a Tereza Coelho à frente da publicação cujo director-geral é Luís Penha e Costa.

Na revista saída agora para as bancas o destaque vai para a entrevista com Fernando Guedes, responsável da editora Verbo. Há ainda muitas páginas com apresentações sucintas de livros, indicação de saídas de livros durante o mês, críticas, pré-publicações e uma secção de livros infantis, em 84 páginas que são leves (mas não fúteis).

O nicho de mercado da revista - que já vai no seu terceiro ano - distingue-se de publicações que operam na mesma área: JL - Jornal das Letras e da Ler.

Preço: €2,5. Publicação mensal. Fotografia de Artur Henriques e design de Maria do Céu Costa e Patrícia Cabral (coord.).

quarta-feira, 5 de janeiro de 2005

AINDA SOBRE ALEXANDRE O GRANDE

O filme de Oliver Stone estreia-se hoje na vizinha Espanha. Tal foi motivo para uma apresentação pública de Alexandre o Grande (Alejandro Magno no título castelhano), ontem em Madrid. Estiveram presentes o próprio realizador, mais Collin Farrell (que faz de Alexandre no filme) e Val Kilmer (que faz de Filipe II).

Na conversa de um hora, onde Farrell terá fumado e bebido mais do que falado, como conta o El Pais de hoje, foi destacado o facto de Angeline Jolie (que faz de mãe de Alexandre) ter apenas mais onze meses de vida que Farrell, e que este interpretou o seu papel acentuando o seu sotaque de Dublin. Grande parte da película foi rodada em Marrocos e Tailândia e o adestrador de cavalos procedeu de Toledo, ali ao lado de Madrid. A duração inicial do filme era de cinco horas, mais tarde reduzidas para cerca de três.

Foram reforçadas as ideias de que Dario (o imperador persa derrotado) aparece no filme com uma figura muito próxima de Bin Laden e que a actualidade política faz estabelecer um paralelo crescente entre Alexandre e G. W. Bush. Alexandre, aos 25 anos de idade, reinava já sobre os territórios dos actuais Egipto, Líbia, Israel, Jordânia, Síria, Líbano, Iraque, Afeganistão, Uzebesquistão, Paquistão e Índia. Será que Bush quer fazer o mesmo?
A PORTUGAL TELECOM (PT) E A ENTRADA NO CAPITAL DA FOLHA DE SÃO PAULO

Só li agora a notícia, através da leitura do jornal Público, tema que me parece muito importante de analisar.

Em breve, a notícia diz que a PT "passou a controlar 21% do capital da holding Folha-UOL, resultado da fusão entre a Folha de São Paulo e o portal de internet UOL". A PT já detinha uma participação no portal UOL.

O Folha de São Paulo é um dos principais e influentes meios de comunicação do Brasil. Mesmo que a PT não tencione envolver-se no negócio - nomeadamente do jornal, ainda controlado pela família Frias -, importa ver o comportamento do grupo de telecomunicações nos media que detém em Portugal. Há dias, um diário económico dava por certa a venda do sector dos media da PT. E, ainda esta semana, o Público sugeria que o ano que agora se iniciou iria ser complexo para a PT (em vista a questão do negócio do cabo versus rede fixa).

Com esta nova situação no Brasil, não se alterarão as perspectivas da PT?

OS BLOGUES E O ROTEIRO MENSAL DE OEIRAS

Na edição de Janeiro de 2005, o 30DIAS, roteiro mensal da Câmara Municipal de Oeiras, publica um texto sobre blogues, intitulado Blogues - diários pessoais e transmissíveis, onde é feita uma referência a este blogue. Do texto, destaco a seguinte passagem: "podem encontrar-se no ciber-espaço dois tipos de blogues: aqueles cujos autores expressam os seus pensamentos sem permitir a interferência de estranhos, e outros onde os visitantes têm o poder, e o direito, de exprimir opiniões, desde que respeitando as regras éticas, não escritas mas existentes, de criticar sem blasfemar".

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Obrigado ao Gabinete de Comunicação e Departamento de Assuntos Sociais e Culturais e a Carlos Filipe Maia, que me enviou a informação. E um abraço a Luís Macedo e Sousa, velho amigo dos meios universitários.

O 30DIAS pode ser visualizado no sítio www.cm-oeiras.pt.

PRODUÇÃO CULTURAL E INDÚSTRIAS CULTURAIS

Desde meados dos anos 1980 que se fala da nova economia, por oposição à produção de massa. A nova economia é representada por actividades de alta tecnologia computorizadas e digitalizadas, produtos de consumo neo-artesanais e serviços, organizados em redes complexas de valor acrescentado. Também se fala em nova economia cultural (ou indústrias de produtos culturais).

Há dois movimentos. Um compõe-se de grupos de pequenos produtores, marcados por formas de produção neo-artesanais e especialização flexível [ver texto deste blogue editado em 29 de Dezembro último, numa leitura de Neil Coe e Jennifer Johns (2004). "Beyond production clusters", no livro de Dominic Power e Allen J. Scott (eds.) Cultural industries and the production of culture]. O que quer dizer: concentrados na feitura de categorias específicas de produtos (vestuário, filmes, jogos), mas com rápidas alterações nas especificações de design dos produtos.

Estes pequenos produtores giram em torno de um pequeno número de fortes instituições (capital económico, capital de prestígio), o segundo grupo, o qual tende a organizar-se em linhas de system houses. O termo significa exactamente a articulação entre empresas que encomendam e empresas subcontratadas e que fazem parcelas do produto, mas onde existem, ao longo da cadeia de valor, elevados valores de capital e/ou trabalho.

Os principais estúdios de Hollywood são exemplos clássicos de system houses. Outros casos do mesmo fenómeno são os grandes editores de revistas (mas não as empresas tipográficas), bem como produtores de jogos electrónicos, operadores de cadeias de televisão, ou mesmo costureiros. Os grandes produtores são de particular importância na economia cultural porque actuam com frequência como centros de redes de produção mais vasta incorporando empresas mais pequenas. Além disso, desempenham uma parcela crítica no financiamento e distribuição de muita da produção independente.

Se as grandes empresas são centrais para a economia cultural, há alguns aspectos do seu poder que estão sob ameaça. É o que está a acontecer nas indústrias da música e do cinema em que recentes avanços tecnológicos trazem novas possibilidades de desintermediação e distribuição.

Leitura: Dominic Power e Allen J. Scott (2004). “A prelude to cultural industries and the production of culture”. In In Dominic Power e Allen J. Scott (eds.) Cultural industries and the production of culture. Londres e Nova Iorque: Routledge

Observação: Dominic Power é professor associado em Geografia Económica na Universidade de Uppsala. Allen J. Scott, professor de Estudos Políticos e Geografia na Universidade de Califórnia, Los Angeles, lançou em Novembro último o livro On Hollywood: the place, the industry. Em 2003, Scott ganhou o prémio Vautrin Lud.

terça-feira, 4 de janeiro de 2005

CADEIA DE VALOR DO CINEMA

Volto hoje ao texto de Carla Martins e colegas, saído na revista do Obercom com o título A cadeia de valor do audiovisual (2004). Sigo a cadeia de valor do cinema (2004: 68-69).

Considera-se uma cadeia de valor composta por seis pontos. O primeiro é a fase de desenvolvimento, compreendendo os "procedimentos avaliativos que determinam a exequabilidade do projecto e a sua planificação", assim como a previsão em termos de públicos. Investigação, criação e autoria, aquisição de direitos e orçamentação incluem-se nesta primeira fase.

Cadeiadevalor.JPGA produção envolve realização, filmagens, equipas, cenários, guarda-roupa. Os autores optaram pela inclusão da fase de pós-produção, que implica a finalização do argumento e do orçamento de produção, com definição de locais, aluguer de instalações, transportes, seguros. Edição de imagem e som, trabalho de laboratório, duplicação em formatos como o DVD e efeitos gráficos (animação, efeitos especiais) também se encontram neste ponto da cadeia de valor.

Já a fase de direitos significa a existência de negociação e contratualização dos mesmos, assim como a gestão do catálogo através da distribuição e exibição do filme.

A estratégia de distribuição traz junta a si a fase de marketing e promoção, com todo o potencial de comercialização da obra. A distribuição nas salas de cinema pressupõe, no momento ou em período posterior, a comercialização noutras janelas (televisão, vídeo/DVD). A janela do cinema é a motora mas as maiores receitas podem vir dos direitos de exploração das outras janelas.

Finalmente, o consumo é o momento de ganhos económicos da obra. Quanto maiores públicos ou vendas maior é o sucesso da obra.

Observação: o modelo da cadeia de valor costuma ser apresentado na horizontal. Dado que a coluna do blogue é estreita, tive de a adaptar a uma posição vertical.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2005

QUATRO ANOS DE PONTO MEDIA

Parabéns ao António Granado pelos quatro anos do seu blogue Ponto Media. É de uma longevidade sempre actual. Esperemos que continues por muitos e bons anos!
AS TECNOLOGIAS DE 2004

Segundo o caderno Computadores do jornal Público de hoje, de entre as tecnologias que marcaram 2004 destacam-se algumas que tenho vindo a trabalhar neste blogue: DVDs, iPod, jogos e, claro, os blogues. Destes, escreve Pedro Fonseca, o autor das duas páginas da peça: "um dicionário da Merriam-Webster considerou-a a palavra mais pesquisada em 2004 e a revista Fortune destacou-os como principal tendência do ano". Para além de um "espaço de escrita pessoal (mesmo em formato colectivo", os blogues, continua Pedro Fonseca, "são forma rápida de acompanhar a actualidade (como se confirmou com o maremoto no Sudoeste Asiático) e a importância foi reconhecida pela Microsoft, que lançou um serviço próprio".

Pedro Fonseca dá ainda relevo ao spam, ao wi-fi e à UMIC, entre outras, como as tecnologias ou as entidades que mais se destacaram no ano agora terminado.

As empresas

No caderno de Negócios do El Pais de ontem - e que já aludi ontem mesmo - há também um destaque para as empresas. Isto é: Microsoft e Google.

google.JPGDa Microsft, escreve Patricia Fernández de Lis o seguinte: "A ambição da Microsoft podia ter-se detido aí, no fabrico e melhoria do sistema operativo Windows. Mas continuou: o pacote de aplicações Office, o navegador da Internet Explorer, o portal MSN, a consola Xbox". O ano passado, 28 anos após ter surgido, a empresa de Seattle facturou 36 milhões [presumo que euros] e empregava mais de 55 mil pessoas. Passou à frente de empresas e produtos como CP/M, Corel, Netscape, tendo apenas a enfrentá-la um jovem finlandês: Linus Torvalds, o criador do sistema operativo Linux.

A mesma jornalista espanhola referencia, em outro texto, o peso da IBM, a qual deve perder o M do seu nome. Isto porque a IBM faz muito mais dinheiro com o negócio ou business que com as máquinas (daí ter alienado recentemente aos chineses a sua actividade de fabrico de computadores): compare-se a facturação de 43 mil milhões de dólares em serviços de tecnologias de informação com 28 mil milhões da divisão de equipamentos!

domingo, 2 de janeiro de 2005

LEITURAS DE HOJE

1) El Pais, caderno de Negócios, p. 3 - sobre centros comerciais, em entrevista a Víctor Manuel Gómez Izquierdo, responsável pela "promoção de novos centros de ócio e comércio - junto com a modernização dos centros comerciais mais antigos, já obsoletos na sua concepção -; e na recuperação de zonas urbanas deterioradas, como os antigos armazéns do Chiado em Lisboa, após o incêndio de 1988".

Para Víctor Gómez, "o perfil do consumidor evoluiu nos últimos anos e hoje procura centros integrados de ócio e comércio, em detrimento das fórmulas tradicionais de centros comerciais. O salto qualitativo foi importante; passamos de uma grande superfície com hipermercado e lojas de apoio a centros que integram lazer e comércio, em que coexistem vários motores; supermercado, cinemas, restaurantes... Estes centros converteram-se em espaços de vida às pessoas que a ele chegam quer para comprar quer para se divertir ou passear".

2) Sunday Times, caderno News Review, p. 10 - sobre blogues, em artigo assinado por Robbie Hudson.
sundaytimes112005.JPGPara o jornalista do Sunday Times, os blogues deixaram de ser uma simples curiosidade da internet e tornaram-se um dos principais media. No Verão passado, a revista do Times imortalizou o moderno herói como o Joe Blog (para nós seria o Zé blogueiro).

Os blogues constituiram, sem dúvida, o fenómeno da internet no ano agora findo. E as estatísticas estão aí para o confirmar. Segundo o pesquisador de blogues Technoratti, havia 2 milhões de blogues em Março passado; hoje já ultrapassa os 5 milhões.

Um grande número de blogues - 4 em 5 sugere uma dissertação de Fernanda Viegas, do Massachusetts Institute of Tecnhology [a que eu já fiz aqui referência] - dedica-se a "satisfação pessoal", com tudo o que isso implica em termos de olhar para o umbigo. Alguns distraem, outros educam, outros informam. Alguns blogues tem um grande sucesso e tornam-se objecto de culto, como os de Salam Pax, que arriscou a sua vida ao escrever em Bagdad durante a guerra do Iraque, e da infame rapariga de Londres conhecida apenas por Belle de jour. Também os blogues políticos adquiriram peso, tornando-se, a par da televisão por cabo, os novos agentes do poder na política americana.

Observação: o texto de Hudson tem mais informação importante, mas o post fica por aqui.

sábado, 1 de janeiro de 2005

PUBLICIDADE NOS MUPIS DE FIM-DE-ANO

Alguns dos anúncios destinaram-se ao consumo da noite passada, como a cerveja e a festa no Terreiro do Paço (Lisboa), ou ao consumo próximo (lotaria do dia 3, em que com o dinheiro se pode comprar tudo - uma casa nova, um automóvel, até uns sogros novos!).

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Depois, há a publicidade a espectáculos (pintura, teatro, bailado). O mais interessante nesta mostra é a promoção de Madrid: se vieres a Madrid já és de Madrid).

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Finalmente, a publicidade de uma agência publicitária, que manda mensagens distintas para os seus clientes. É uma forma original de transmitir as boas festas e desejar um bom ano novo.

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Como o blogueiro do I. C. não tem dotes de publicitário, fica tão só a expressão escrita: desejo - a todos os leitores do blogue - um excelente 2005, no plano material e espiritual, marcado de sucessos pessoais e profissionais.
A TELEGRAFIA E A RÁDIO SEM FIOS DE ROBERTO LANDELL DE MOURA

Já tinha lido informações sobre os inventos do padre Landell de Moura, nomeadamente no blogue A Minharadio, de António Silva. Por exemplo, a 1 de Dezembro último, este blogueiro dava conta de que "A editora Debras Verlag, da cidade de Konstanz, Alemanha, está a lançar o livro Pater und Wissenschaftler (Padre e cientista), de autoria do jornalista brasileiro Hamilton Almeida, que relata a fascinante e dramática história do cientista gaúcho Roberto Landell de Moura (1861 - 1928)".

Recentemente, Jorge Guimarães Silva, do blogue A Rádio em Portugal, fez-me chegar a cópia de um livro de Arnaldo Nascimento e Murillo de Sousa Reis, editado em 1982, com o título Subsídios para salvar uma dívida (Porto: Tipografia Costa Carregal), onde é narrada a vida do padre Moura e as suas experiências.

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landell3.JPGNascido em 1861 em Porto Alegre (Brasil), seguiu a vida sacerdotal mas também fez o doutoramento em Física e Química.

No seu post de há um mês atrás, António Silva elaborou um pequeno percurso da vida de Landell de Moura, "precursor do rádio, da televisão e do teletipo, entre outras notáveis descobertas. Foi quem transmitiu, pela primeira vez no mundo, no final do século XIX, a voz humana à distância através de uma onda electromagnética. Apesar da sua genialidade, não recebeu apoio de ninguém, foi ignorado e perseguido. Quis unir a religião à ciência e acabou acusado de ter pacto com o diabo. Patenteou os seus inventos no Brasil e nos EUA, realizou experiências e, ainda assim, não foi reconhecido na sua época. No Brasil, chegaram a destruir os seus aparelhos e impedir os seus estudos".

Diz o livro de Arnaldo Nascimento e Murillo de Sousa Reis: "Estas teorias valeram graves ultrajes, que o marcaram para toda a vida. Em 1900, testemunhada por várias autoridades brasileiras, criou a lâmpada de três eléctrodos que servia tanto para transmitir como para receber mensagens telefónicas e telegráficas, sem fio condutor. Só depois de seis anos, em 1907, Lee de Forest apresentava ao mundo a «sua» célebre «lâmpada de três eléctrodos». Em 1910 patenteia no Brasil sob o número 3279 um «aparelho apropriado à transmissão da palavra à distância, com ou sem fios, através do espaço, da terra e da água»" (p. 16).

Landell de Moura foi inclusive aos Estados Unidos, para patentear as suas invenções (transmissor de ondas, telefone sem fios, telegrafia sem fios), durante 1904. Porém, sem dinheiro para pagar a desenhadores e mecânicos, que transformassem os seus projectos em instrumentos práticos e úteis, o seu conhecimento foi ignorado, ao contrário de Marconi, que recebia honrarias de muitos e dinheiro das empresas e dos governos [mas outros inventores também passaram ignorados toda a vida ou sofreram rudes golpes, como o próprio Lee de Forest].

Regressado ao Brasil, o padre Moura julgava ser acolhido com sucesso, após a publicação de notícias sobre os seus inventos nos jornais dos Estados Unidos. Mas não: os jornais do seu país não deram qualquer relevo e o presidente da República não respondeu a uma carta que o inventor lhe enviara.

Observação: as imagens foram retiradas do livro publicado por Arnaldo Nascimento e Murillo de Sousa Reis.
A PROGRAMAÇÃO DA EMISSORA NACIONAL A 1 DE JANEIRO DE 1935

EN.JPGFaz hoje setenta anos que a programação da Emissora Nacional, no seu primeiro período de emissão, foi a seguinte (segundo o jornal O Século):

Às 12: abertura da estação; discos; às 12 e 25: concerto pelo Septimimo de Flaviano Rodrigues: «Paris-Vienne», marcha, Clerice; «Cleopatra», abertura, Mancinelli; 2º andamento da «Sinfonia Patética» de Tchaikovsky; «Bailado índio», da ópera «Lakmé», Delibes; às 13: noticiário; concerto pelo Septimimo de Flaviano Rodrigues: «Mazurca», Rui Coelho; «André Chenier», selecção da ópera «Giordano»; «Danse Persanne», Guiraud; às 13 e 30: «Crónica automobilística», do livro «Ó Chico não sejas azelhudo», de Sanches de Castro; às 13 e 35: discos; às 14: fecho.

A Emissora Nacional ainda estava no seu período experimental. As emissões oficiais começariam a 1 de Agosto de 1935 (e inauguração a 4). Como se observa, o tipo de programação era essencialmente de música clássica, estrutura que vinha das estações privadas pioneiras e da alta cultura dominante no meio musical.

Outro elemento é a da transmissão em directo por uma pequena orquestra, o Septimimo. Um terceiro elemento a destacar (mas já na emissão da noite) é a da palestra de Fernando Homem Cristo, sobre As cores, a política e a moda, programa de doutrina política do Estado Novo.

Observação: o 1º de Janeiro de 1935 foi uma terça-feira.

Observação 2: este é o ano em que a RDP (anterior Emissora Nacional) comemora setenta anos de existência oficial. Os meus parabéns antecipados à estação pública.