sexta-feira, 13 de abril de 2007

POR DETRÁS DO ECRÃ


Por detrás do Ecrã. Televisão para crianças em Portugal é o título do livro de Sara Pereira ontem apresentado em Braga. Não possuindo ainda mais elementos sobre aquele trabalho, transcrevo a síntese encontrada no sítio
Webboom (da Porto Editora):

O estudo da relação crianças-televisão pode incidir quer na vertente da televisão e do sistema mediático, quer na vertente das audiências, nomeadamente dos públicos infantis. Este livro focaliza-se na primeira dimensão, pretendendo contribuir para o conhecimento da programação televisiva para a infância no quadro da televisão portuguesa.

O estudo que aqui se apresenta pretende dar conta do quanto e do que é oferecido às crianças pelos canais generalistas portugueses, mas também do porquê e do como.

Foi com este propósito que se realizaram entrevistas a profissionais que intervêm e acompanham a televisão para crianças, procurando-se auscultar as suas perspectivas sobre esta temática, bem como conhecer os critérios e as opções dos responsáveis pela programação para a infância dos canais em análise.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

REVISTA NADA


Sumário : Pensar a ordem e a desordem: uma poética da excepção, de Daniel Innerarity; Da consciência quântica aos mundos paralelos tecnoxamânicos, entrevista a Roy Ascott por João Urbano e Gonçalo Furtado; Nova tecnologias, velhas ideias: Notas para uma genealogia da arte computacional, de André Favillao; Livro Porético, de Silva Carvalho; Desaparecimento, Falha e Êxodo, entrevista a João Tabarra por João Maria Gusmão e João Urbano; A Biotecnologia como Medialidade - Estratégias da Media Art Orgânica, de Jens Hauser; Da Programação do Inconsciente às Tecnologias Estéticas, entrevista a Hugo Liu por Paulo Urbano; Decon: Desconstrução, Descontaminação, Decomposição, de Marta de Menezes; Três Filmes Cerebrais para Gilles Deleuze, de Susana Viegas; A Tempestade, de João Urbano; Our machines/ our selfs. Corpos fragmentados e domesticados na reprodução assistida, de Martha Ramirêz-Gálvez.

Mais informações no sítio nada. Edição: Urbanização Rua Dr. João Soares, 13, 1º Esq., 1600-060 Lisboa.

AGENDA CULTURAL DE LISBOA EM RUPTURA?


Vem no jornal Público de hoje: o ateliê Silva! Designers "decidiu interromper a produção da agenda cultural da Câmara Municipal de Lisboa por causa de dívidas que se acumulavam há dez números".
Entretanto, o director municipal de Cultura, Rui M. Pereira, "garante que a agenda do próximo mês sairá na data prevista e que a equipa da Câmara, que assegura a recolha e tratamento da informação relativa a eventos culturais da cidade, está preparada para fazer face a esta situação" (continuação da citação da notícia escrita por Sérgio Gomes).

Actualmente, a agenda era feita com uma divisão de tarefas entre a equipa da Câmara e a do ateliê de Jorge Silva. Este, "para além do projecto gráfico, tinha a seu cargo mais de uma dezena de colaboradores a trabalhar na área editorial, para onde eram canalizados mais de dois terços dos custos mensais" (continuação da notícia). Daquele ateliê, saíram 30 números.
Comentários:
Se há uma equipa na CML que está preparada para fazer face à situação, e se a mudança será até para melhor, então porque não terminaram a colaboração há mais tempo? Porque deixaram arrastar a dívida por dez meses?
Viver na Alta de Lisboa - http://viveraltadelisboa.blogspot.com/index.html

A CML é capaz de fazer melhor que o atelier? Ninguém pode dizer que não. Só não percebo por que razão, sendo assim, continuaram, meses a fio, a encomendar a agenda ao atelier, sem pagar o serviço. Hum.....
Por guidinha - lisboa
http://www.publico.clix.pt/comentarios.asp?id=1290901#commentarios

MARIA FLOR PEDROSO É DA RÁDIO


É interessante assistir a um programa de entrevista na televisão e, depois, ler o que sobre ele escrevem os jornais. Foi esse o exercício que fiz após o programa de ontem com José Sócrates. Centro a minha leitura em dois jornais que li - Público e Diário de Notícias.

O Público estava mais comprometido (envolvido), pois foi o motor da polémica dos diplomas do primeiro-ministro. Dá-lhe cerca de meia primeira página - manchete e destaque do jornal e fotografia de Sócrates a meio corpo, ocupando duas colunas. Dedicou quatro páginas ao assunto e mobilizou três jornalistas, quatro colunistas (um deles sendo jornalista do diário) e obteve comentários de dirigentes dos principais partidos políticos. Dentro do rigor do jornal, as notícias assinadas por jornalistas (em espaços de notícia) são equilibradas, em especial na descrição e análise da entrevista de Sócrates. Já os colunistas expressam pontos de vista subjectivos, de acordo com o que habitualmente escrevem sobre matérias próximas. Identifico-me mais com a subjectividade expressa por António Barreto.

Embora não dentro do cânone definido por Boorstin (citado em Ana Cabrera, Missão Paz em Timor: percurso de um pseudo-acontecimento, 2001, volume colectivo com o nome O jornalismo português em análise de casos), a questão das qualificações académicas do primeiro-ministro parece-me assentar no domínio do pseudo-acontecimento. Boorstin apresentou-o como a vontade moldada por promotores para corresponder aos interesses dos media, em que aqueles constroem um acontecimento e uma estratégia de comunicação (Cabrera, 2001, p. 199). Aqui, o promotor é difuso (não canónico, como no modelo de Boorstin; ou de Dayan e Katz, quando estes escrevem sobre mega-acontecimentos ou acontecimentos preparados para a televisão e os media em geral) - um blogueiro insiste no tema e um jornal pega nele, escreve acentuadamente sobre ele, levando ao interesse de outros jornais e media em geral. O que era uma sugestão, uma ideia, cresce de peso e transforma-se em evento.

O Público, enquanto jornal que seguiu um promotor difuso, carrega com duas perspectivas, opostas segundo a minha leitura. Por um lado, teve um enorme mérito ao despoletar nos media clássicos e promover um debate nacional, obrigando a opinião pública a exprimir-se. Um jornal, o jornal Público, prova que, afinal, os jornais ainda estão interventivos - e a sua morte anunciada carece de prova. Por outro lado, o jornal carrega o ónus de escrever longamente sobre um tema, repisando observações e ângulos de vista. Não nos podemos esquecer que, noutra situação, as tendências sexuais do mesmo José Sócrates foram alimentando em fogo brando o inquirido, o qual só falou quando bem entendeu. E os media também exigiam resposta imediata, como nesta situação.

Já o Diário de Notícias, menos envolvido no assunto, deu um destaque inferior na primeira página e ocupou as três páginas seguintes a dissecar a entrevista e a apresentar outros agentes sociais e políticos que não Sócrates. Chamando-lhe "Crise da licenciatura" (uma designação tão curiosa quanto oportuna), empregou quatro jornalistas, que escreveram todo o espaço. Mas ouviram-se vozes populares (contei cinco entrevistados) e três consultores de comunicação. E o jornal usou o espaço do Editorial para falar do assunto, com o título "O exame de ontem". Respigo duas parcelas da peça, com as quais estou de acordo:

"Foi, sobretudo, convincente (que, lembre-se, não é uma virtude dos sinceros mas daqueles que convencem) quando falou das 55 cadeiras que fez para ter a sua licenciatura e quando, depois de ser ministro, aos 45 anos, decidiu estudar mais e tirar um MBA. Aí, o propagandista furou sob a pele do homem que se defendia e convidou os portugueses a estudar mais. [...] Voltando ao exame de ontem: essa licenciatura não lhe pode ser recusada. Passou e publicamente".
Isto é, há coisas mais importantes a discutir na vida política e pública portuguesa do que este tema.

Mas há dois outros pontos que quero destacar do que li hoje. O primeiro é uma frase estranha deixada por Miguel Gaspar, jornalista que leio com muito apreço, no seu comentário do Público: "Maria Flor Pedroso, que é da rádio, estava a jogar fora e deixou-se ficar num lugar mais apagado". Mas a jornalista alimenta a discussão televisiva dominical com o professor Marcelo Rebelo de Sousa e não me parece que seja assim apagada como o Miguel Gaspar escreve. É que há uma questão a considerar: o terreno televisivo é facilmente trabalhado por Sócrates. Os cidadãos nacionais conheceram-no, após o seu percurso de ministro, nos debates dominicais com Pedro Santana Lopes, onde era o menino bem comportado que estudara adequadamente a lição e apresentava os seus pontos de vista bem organizados.

O outro ponto é o receio de Sócrates quanto à blogosfera. Como bem notou Pedro Mexia no seu comentário no Público, a palavra blogosfera entrou na discussão política. E o receio de Sócrates é bem fundado: os spin doctors e os políticos aprenderam, nos últimos anos, a trabalhar com os media, em especial a televisão. Ora, os blogues representam um meio de comunicação diferente: são individuais, obedecem a agendas (ou obsessões) próprias, são meios sem estrutura - financeira, recursos humanos -, o que dificulta qualquer ingerência, seguem caminhos múltiplos (dada a grande quantidade de blogues), estão em plataformas electrónicas colocadas fora do país. O que não permite uma leitura fácil do que escrevem nem o que pretendem. Claro que a esfera pública cresceu, é menos controlável e mais democrática, pois possibilita que os que não tinham voz a passem a ter (não me refiro a blogues anónimos ou de pura calúnia). Numa plataforma em que especialmente o custo da sua instalação é zero.

COMENTÁRIO SOBRE INDÚSTRIAS CRIATIVAS E COLAGENS


Amanhã, para quem estiver em Lugano (Suíça), pode ver o trio de Lluís Coloma, integrado no 6º Festival International de Boogie Woogie. Lluís Coloma partilha o festival com nomes como Mitch Woods (Estados Unidos), Axel Zwingenberger (Alemanha), Little Willie Littlefield (Estados Unidos), Chris Conz (Suíça), Anke Angel (Holanda), Silvan Zingg (Suíça) e Philippe LeJeune (França) (ver o sítio de Lluís Coloma).


O jazz é uma das indústrias criativas de maior importância em países como os Estados Unidos ou o Reino Unido. Mas também a Europa tem assistido ao nascimento de bandas de muita qualidade e de grande impacto em termos de audiências. Para mim,
Lluís Coloma (piano) - acompanhado de Manolo Germán (contrabaixo) e Marc Ruiz (bateria) - engloba-se nesta tipologia, com um percurso apreciável no panorama do jazz (boogie woogie). O primeiro disco de Coloma data de 2002, Remember, onde a par de versões de Count Basie, Thelonious Monk e Ramsey Lewis, registou dez temas originais. Seguiram-se Boogielogy (2005) e Lonely avenue (2006).



Ouvir o trio é um prazer. Mas, para além dos originais e das versões, o que salta da alegria de execução e comunhão com o público é o disponível, a música de assemblage, o retomar de experiências e cruzamentos, num permanente vaivém dinâmico. Diria mesmo a citação, a colagem. Esta existe na música mas também no cinema (lembrar o filme em exibição actualmente, O bom alemão), na internet. Como também ocupa a literatura e a pintura. O que ilustra que o trabalho criativo humano é uma constante reinterpretação, em que uma qualquer revolução se faz juntamente com a evolução e a tradição de regras e estilos vigentes.

De outro local surge a cópia, o plágio - enquanto ausência de esforço criativo e de compreensão pelo que se aprende e recupera.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

BLOGUES CONHECIDOS COM CARA NOVA


Do mesmo modo que os media tradicionais fazem alterações de design, também os novos media o usam. Ou porque se cansaram do design, ou porque abrem novas oportunidades estéticas e de comunicação. Foi, assim, nos últimos dias, com o Intermezzo, blogue colectivo liderado por Daniela Bertocchi, investigadora na Universidade do Minho. Está muito mais moderno e atraente, e os colaboradores parecem ter ganho um novo alento para escreverem regularmente.

Outro blogue que mudou foi o de João Carlos Correia, colega e amigo que trabalha como docente na Universidade da Beira Interior. Após um longo silêncio, ele voltou com os seus textos. E mudou o nome para
Comunicação & Artes. Diz ele: "Mudámos tudo.Desde logo o nome que é aquilo que costuma sobreviver nestas coisa. Depois o grafismo. Em grande parte tudo deve à mudança de orientação. Este blog passa a ter por área de referência os Estudos em Comunicação e Artes com especial enfâse âs relações entre jornalismo e politica e entre cultura e media. As artes são intemporais e relacionam-se bem, nesta era de indústrias culturais, com o tempo e o modo das coisas. A vantagem do digital é o de permitir esta reformulação de cada medium num instante". Enquanto seu leitor, achava mais lúdico o nome Baleia Branca - a designação inicial. Depois, encontro no título e nas propostas editoriais alguma cumplicidade com o que se faz cá em casa. O que me agrada muito.

Como é normal, desejo longa vida a ambos os projectos, ainda por cima quando ficaram revitalizados.

NOVO DESIGN DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS

Pedro Rolo Duarte despede-se da sua coluna do Diário de Notícias. E do Diário de Notícias. Escreve ele que passaram depressa os 25 anos de colaboração permanente nas páginas do jornal. Recorda em especial os 10 anos de uma paixão chamada "DNa".

Agora vai caber a vez à revista "6ª". Nas páginas centrais do jornal de hoje é publicitado o novo design para a próxima sexta-feira, dia 13 (os responsáveis do jornal não são agoirentos, pois arriscam arrancar com o novo design num dia assim). E da "6ª" nada! Em sua substituição, parece haver o caderno "DN Televisão" - com 100 páginas. Não é exagero? E o texto vai aparecer mais frequentemente substituido pelas infografias, pois estas são "uma das formas rápidas de contar uma história".

Certamente que as mudanças não significam o fim do mundo. Os responsáveis do jornal esperam que os leitores gostem e comprem. Mas há sempre a sensação de fim de ciclo e de interrogações do que vem depois. Pelo menos uma coisa não foi mexida, o logótipo, coisa que o Público fez, descaracterização apenas dezassete anos após o arranque do jornal.

TINTORETTO


EXPOSIÇÃO DE TINTORETTO NO MUSEU DO PRADO (MADRID)

Trata-se, a meu ver, de um dos grandes acontecimentos culturais actuais na capital espanhola. Jacopo Tintoretto (1518 ou 1519/1594) disputou a liderança no panorama visual da Veneza do século XVI com Ticiano e Veronese. A exposição patente no consagrado Museu do Prado é a primeira mostra monográfica desde 1937 - há setenta anos já! - quando Tintoretto foi apresentado na sua Veneza (Palazzo Pesaro). Claro que há dificuldades em apresentar Tintoretto, pois muitos dos seus trabalhos residem em igrejas e palácios, onde foram produzidos para esse efeito (logo, inamovíveis). Algumas das suas mais belas obras são largas composições com temas religiosos e da mitologia grega, como se observa na exposição e no magnífico catálogo que acompanha a mostra.

No museu madrileno há 49 pinturas, divididas em quatro secções: 1) começos, até 1546; 2) anos decisivos, 1547-1555; 3) principal ciclo pictórico, 1556-1575; 4) anos finais, 1576-1594.

Tintoretto não foi um artista precoce. Além disso, as suas primeiras obras foram simultaneamente ambiciosas e imperfeitas. Outra crítica ao pintor veneziano foi a rapidez com que efectuava as obras, resultando que alguns dos que lhe encomendavam trabalhos recomendassem para ser mais lento. Uma crítica final seria que Tintoretto criou uma escola, com diversos trabalhos realizados pelos seus colaboradores, embora a ele atribuídos.

O salto qualitativo processa-se em 1545. E, mau grado, os comentários e as hostilidades - a principal residente em Ticiano, outro dos principais pintores da época -, o certo é que a obra vista no Prado é de um fascínio total. Não vista, por estar na Scuola Grande di San Rocco, em Veneza, a decoração feita por si (1564-1588) surge-nos como um esquema pictórico unificado num espaço público de grande dimensão, com cenas da vida de Cristo. Tintoretto é o pintor religioso mais prolífico na Veneza do século XVI, assinala Frederick Ilchman no catálogo da exposição de Madrid (p. 63). Em mais de 50 anos de trabalho, pintou para dezenas de igrejas e confrarias venezianas. Já visto na actual exposição, há cenas de batalhas e temas não religiosos (retratos, cenas da mitologia grega, alegorias).

Jacopo Comins, aliás Robusti, aliás Tintoretto, remete-nos para a palavra tintoretto. Explica Miguel Falomir no catálogo da exposição: tintoretto salienta a importância do desenho (disegno), entendido como instrumento de aprendizagem, experimentação e composição (p. 21). E escreve Robert Echols, no mesmo catálogo, que o ponto de focagem de Tintoretto é o funcionamento do corpo - em movimento, como energia. As figuras do pintor veneziano agem, alcançam, dobram-se, giram, raramente repousam (p. 28). A concepção da forma humana do pintor está determinada pela escultura, acrescenta o mesmo crítico. A cor adequa-se ao claro-escuro.

Exposição patente até 13 de Maio, aconselho a quem for visitá-la a comprar bilhetes online. Pode apanhar-se uma fila de duas horas de espera, como aconteceu ao blogueiro!

terça-feira, 10 de abril de 2007

A DIMENSÃO EDUCATIVA DA TELEVISÃO NA ERA DIGITAL


Este é o tema da conferência de José Manuel Perez-Tornero, no âmbito dos 50 anos da RTP na próxima quinta-feira, dia 12, às 15:00, no anfiteatro B2 do Campus de Gualtar da Universidade do Minho.

A sessão conta ainda com Moisés de Lemos Martins (Universidade do Minho), Rui Matos (RTP) e José Alberto Lemos (RTP-N), com moderação de Manuel Pinto (Universidade do Minho).

José Manuel Pérez-Tornero é professor titular e investigador do Departamento de Jornalismo e Ciências da Comunicação da Universidade Autónoma de Barcelona, onde dirige o Gabinete de Comunicação e Educação. Enquanto especialista em alfabetização digital, foi um dos peritos escolhidos pela União Europeia para relançar a educação para os media no espaço comunitário.

No final da sessão, serão lançados dois livros, um pertencente ao conferencista (Comunicação e Educação na Sociedade da Informação - Novas Linguagens e Consciência Crítica), outro a Sara Pereira, docente do Instituto de Estudos da Criança e investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (Por Detrás do Ecrã: Televisão para Crianças em Portugal). Ambos os livros pertencem à colecção "Comunicação" da Porto Editora

A iniciativa decorre em colaboração com a RTP, no âmbito dos 50 anos de vida do operador público de televisão, e servirá igualmente para uma demonstração-apresentação do canal RTP Mobile.

[informação fornecida pela organização do evento]

TELEVISÃO EM PORTUGAL


Vai decorrer na Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) um debate subordinado ao tema Televisão em Portugal: Que Presente? Que Futuro? Com Paquete de Oliveira (provedor do telespectador da RTP), Isabel Medina, Jorge Leitão Ramos, Jorge Perdigão Queiroga e Júlio Isidro. Moderação a cargo de José Nuno Martins.

Dia 13 de Abril, pelas 18:30, no Auditório Maestro Frederico de Freitas, na sede da SPA - Av. Duque de Loulé, 31, em Lisboa.

DIAS DA MÚSICA


No Centro Cultural de Belém, de 20 a 22 de Abril, para muitos pianos e orquestras. Substitui a anterior organização da Festa da Música.


AGENDA CULTURAL DE OEIRAS


O Dia Internacional dos Monumentos e Sítios é no dia 18. Em Oeiras, segundo a agenda cultural 30 Dias, haverá uma visita guiada ao centro histórico da cidade, por José Meco, e uma palestra sobre património, de Paulo Pereira.

Outros motivos de interesse da agenda 30 Dias deste mês são as novas exposições no Centro de Arte (colecção Manuel de Brito), poesia em Abril e a entrevista a Manuel Alegre.


CERIMÓNIAS RELIGIOSAS EM ESPANHA


Em Espanha, a religiosidade da Semana Santa tem um forte carácter de rua, nomeadamente com as procissões saídas de várias igrejas de cada cidade. Estas cerimónias possuem um grande impacto visual e musical, com entrelaçamento de tradição e espiritualidade, e fazem parte dos roteiros históricos e culturais do país vizinho.

Nos dois primeiros vídeos, registo passos de cerimónias religiosas desse tipo em Badajoz e Madrid. O terceiro vídeo mostra um pequeno pormenor de missa na igreja de Carmen Descalzo, na rua de Alcalá a chegar à Gran Vía, em Madrid, onde Félix Lope de Vega, dramaturgo tornado sacerdote com idade avançada, cantou missa em 1614.



segunda-feira, 9 de abril de 2007

TEATRO ABERTO

Com a estreia de (Selvagens) Homem dos Olhos Tristes, de Händl Klaus, João Perry regressa aos palcos. Conhecido pela exploração da ficção no seu expoente máximo, o austríaco Händl Klaus "envolve o espectador na construção das próprias personagens, sendo muitas vezes comparado ao realizador David Linch" (da informação fornecida pelo teatro).

Sob a direcção de João Lourenço, os actores Francisco Pestana, Gracinda Nave, João Perry, Jorge Corrula e Paulo Oom dão vida a esta história que nos leva a reflectir sobre a solidão e o individualismo da sociedade actual.

HOMEM-LUA NO MONTIJO


Na próxima sexta-feira, pelas 21:30, o Cinema - Teatro Joaquim d'Almeida apresenta o espectáculo Homem-Lua, pelo Teatro Palma (Escola Secundária Jorge Peixinho, Montijo). Custo do bilhete: €3.

Da informação do Teatro Palma (a quem pertence igualmente a imagem aqui incluída), lê-se:

"À nossa frente um homem cujo “estilo de vida”, cómodo e conformado, é agitado pelas vozes incómodas e inconformistas da(s) sua(s) consciência(s) personificada(s) em cena. Conseguirá ele dar uma oportunidade a essas vozes e contrariar o seu destino? A resposta a esta questão centra-se no seu desejo inconsciente e puro de ser feliz, libertando a sua vida de uma existência absurda e vazia. Ao mostrar que podemos sentir-nos culpados pela vida que vamos “arrastando”, este Homem-Lua mostra-nos também que a PASSAGEM de uma situação a outra está na importância que damos às coisas simples e na capacidade de as transformarmos em felicidade. Neste espectáculo, a busca dessa felicidade é vida, acção e movimento, juventude, irreverência, simplicidade e diversão. Aqui, as tristezas transformam-se em alegrias, despertam desejos e sonhos que revelam a essência do ser humano: SER HOMEM ou MULHER, e, sobretudo SER UM HOMEM ou UMA MULHER FELIZ".

Observação: Não possuo informação sobre autor e actores.

MÊS DA RÁDIO DE AUTOR


A Rádio Universidade de Coimbra (RUC), durante os dias úteis de Abril, apresenta programas dedicados ao conceito de rádio de autor. Integrada nas comemorações dos 21 anos da estação, entre as 18:00 e as 19:00, a RUC convidou 21 projectos (107,9 MHz em Coimbra).

Hoje, é a vez da participação da Rádio Zero, do Instituto Superior Técnico de Lisboa, com programa gravado para o efeito. Amanhã, dia 10, Pedro Esteves, voz da TSF, é autor do primeiro programa de rádio em podcast com o seu "Lado B". Quarta-feira, dia 11, José Duarte mostra 5 minutos de Jazz, no programa "A menina Dança?" (Antena 1). Já na quinta-feira, dia 12, Inês Meneses, voz da Radar, apresenta "Fala Com Ela", em conversa com Carlos Vaz Marques. Finalmente, na sexta-feira, dia 13, a Família Fazuma, a partir de um projecto radiofónico e do site
radiofazuma, está na Antena 3, onde apresenta "Música Enrolada".

Até ao fim do mês, outras rádios universitárias como Aveiro, Marão e Algarve e nomes como Henrique Amaro, Luís Rei, Fernando Alvim,Rui Miguel Abreu, Joaquim Paulo e Vítor Junqueira serão protagonistas de mais emissões.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

PÁSCOA


O blogueiro vai descansar uns dias neste período pascal. Boas férias e até breve.

A FILHA REBELDE


Começámos a ler a história de Annie Pais da Silva no Expresso, por José Pedro Castanheira. Depois, este e Valdemar Cruz escreveram o livro A filha rebelde. Agora, chega ao teatro com versão de Margarida Fonseca Santos e dramaturgia e encenação de Helena Pimenta, espanhola de pai português.

É a história da filha do director da PIDE, a polícia política do regime de Salazar, que foge para Cuba e se apaixona por Che Guevara. Diz a encenadora: "Inicialmente, tive medo de cair no romance cor-de-rosa porque Annie é uma personagem muito emotiva e há uma série de acontecimentos que nos poderiam conduzir por um caminho de ligeireza".

Relações de poder e de família num período conturbado e triste em Portugal, muito bem retratado na encenação. Um palco vasto, com zonas de enredo bem demarcadas, em que a luz e a aproximação ou afastamento da boca do palco dão conta da intensidade das situações. Ou: ascensão e queda de uma mulher, queda e substituição de um regime, com a história de um indivíduo a servir de contraponto à história de um país, através das suas pulsões e sentimentos contraditórios.

Annie Pais da Silva é muito bem representada por Ana Brandão. A peça está em cena no Teatro Nacional D. Maria II.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

FÃS DE STAR WARS

  • Bem-vindos ao 1º clube de coleccionadores e entusiastas da Saga STAR WARS criado em Portugal no ano em que se celebra o 30º aniversário da estreia do 1º filme que teve lugar naquela Galáxia muito, muito distante, numa viagem maravilhosa que começou no dia 25 de Maio de 1977. O Episódio IV.
[blogue STAR WARS Clube Coleccionadores Portugal SWCC-PT, mensagem inicial em 14 de Dezembro último]

Em mensagem de hoje, escreve-se:

  • Iniciamos uma nova secção cujo objectivo é auto explicativo: «Coleccionismo - Trades/Trocas».Derivado da nossa experiência, é para nós óbvio que coleccionar nem sempre implica adquirir. Tantas e tantas vezes possuimos algo nas nossas colecções de cuja compra ou posse nos arrependemos, quer por nos termos desviado do objectivo inicial que os motivou, quer porque nos parece que tal objecto já não se enquadre na estética e/ou tema mais exactos do nosso hobby [passatempo], actualmente. A alternativa, nestes casos é, pois, "trocar" ou"vender". Com este propósito em vista, vamos aqui passar a incluir listas de procuras, vendas ou trocas de coleccionáveis STAR WARS, que recebamos por e-mail: swccportugal@gmail.com.
Os fãs de Star Wars, para além do blogue, possuem o sítio swccportugal, pelo que vale a pena acompanhar esta actividade temática especí­fica de ficção cientí­fica (FC), na verdade um grande fenómeno de cultura popular:

AUDIÊNCIAS DE TELEVISÃO


No passado mês de Março, a TVI obteve 28,0% de share de audiência, ao passo que a RTP1 chegou aos 27,6%, e a SIC 25,8%, segundo os dados da Marktest Audimetria/MediaMonitor, que aqui sigo. A RTP2 alcançou os 4,4% e o vídeo e outros canais os 14,2%.

O destaque do mês foi o conjunto de transmissões de futebol, com nove jogos a atingirem o top dos quinze programas mais vistos no mês, além de um outro programa de comentários relacionados com o futebol. Dos restantes programas, destacaram-se duas novelas, dois programas de entretenimento e um noticiário.

terça-feira, 3 de abril de 2007

UM LIVRO SOBRE MCLUHAN


Lançamento do livro de Filipa Subtil, Compreender os Media. As
Extensões de Marshall McLuhan
. Dia 18, pelas 18:30, na FNAC do Chiado.

Filipa Subtil é docente na Escola Superior de Comunicação Social (Lisboa).


FORMAÇÃO DE ACTORES E CASTING


Cursos: informa experience@netcabo.pt.

CANÇÕES LIVRES DE DIREITOS DIGITAIS NO iTUNES

Os jornais destacam hoje o anúncio da venda do catálogo EMI sem qualquer tipo de restrições legais sobre os direitos digitais a partir de Maio, com o serviço iTunes a ser o primeiro a usufruir dessa vantagem.

CORREIO DO PROVEDOR DO LEITOR


José Carlos Abrantes, na sua coluna do provedor do leitor do Diário de Notícias, põe o correio dos leitores em dia. Hoje, refere cartas de leitores do jornal que apontam uma postura de desvio do jornal (menos objectivo, mais tendencioso). Um dos leitores, que afirma ler o jornal há 77 anos - logo um fiel mas muito velho leitor -, anota que o diário insiste em assuntos escabrosos como a pornografia, sexualidade e prostituição.

Em meu entender, é difícil comparar um produto informativo como um jornal de duas épocas tão distintas. Há temas novos (e controversos, por oposição a uma disfarçada hipocrisia ou autocensura no tratamento de dados assuntos oitenta anos atrás, sem esquecer a censura política), há secções bem definidas (e especializadas, como ciência, cultura, artes), a fotografia ocupa um espaço que quase não existia, as peças noticiosas têm uma maior dimensão nos assuntos e com profundidade (as notícias de meados do século XX eram mais curtas ou breves) - mesmo que hoje nos queixemos da redução de tamanho. Isto sem esquecer a influência dos outros media, em especial os do audiovisual: o jornal já não é o elemento da informação mais recente mas reflecte tendências, detalha e aprofunda acontecimentos, acompanha a produção informativa e de lazer vinda desses media electrónicos.

A memória, sem nos apoiarmos noutros instrumentos - como a comparabilidade do que é comparável -, engana-nos. A pedagogia que pensávamos existir em décadas passadas nos jornais ainda se mantém. E lêem-se as colunas de opinião com o mesmo entusiasmo que muitos anos atrás.

IMPÉRIO DOS SENTIDOS


Quando foi publicitada a actual grelha da Antena 2, pareceu-me deslocada a ideia do programa da manhã ser uma mistura de música com notícias.

Mas o Império dos Sentidos, de Paulo Alves Guerra (e inicialmente Gabriela Canavilhas), com produção de Manuela Gomes e Manuela Lima, é uma surpresa agradável todos os dias. Hoje, por exemplo, ouvi Paulo Alves Guerra, muito bem preparado, entrevistar António Barreto, a propósito do programa daquele sociólogo na RTP, Portugal Retrato Social (passa hoje na televisão pública o segundo de sete documentários).

LIVROS ESCRITOS POR JOVENS ANTES DOS 20 ANOS


A editora MinervaCoimbra, de Coimbra, vai lançar uma nova colecção de livros, a Colecção Geração 21, resposta a jovens talentos com propostas de publicação na editora.

A faixa etária desses autores vai dos 12 aos 21 anos. Como coordenadores, haverá dois jovens: um de 21 e outro de 25 anos. Os requisitos essenciais - diz a informação da editora - "são a estruturação dos temas, a criatividade e a qualidade dos textos. À semelhança de outras colecções, a selecção é feita por um conselho editorial e os textos são revistos e corrigidos por professores de língua portuguesa". Aos dois coordenadores, cabe-lhes ajuizar do interesse dos textos apresentados. O objectivo da colecção, continua a informação da editora, "é fazer com que os nossos jovens, ao verem o exemplo de outros, da mesma idade, que ousaram comunicar através da escrita, dando largas à sua criatividade, o façam também. Acreditamos que este projecto possa ser um incentivo à leitura e à escrita".

Assim, para arranque da colecção, será apresentado o livro Nono brasão, de Ana Martins, de 14 anos no dia 20 de Abril, pelas 18:30, no El Corte Inglés, em Lisboa. A jovem autora começou a escrever o livro com 12 anos.

Ver mais no blogue
MinervaCoimbra.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

VIGIAR OS QUE VIGIAM?

"O universo dos blogues - chamado blogosfera pelo escritor de ficção Bill Quick (Proponho um nome, 2001) - inclui um grande número de sítios dedicados a histórias pessoais, jornalismo, hóbis, ou outros tópicos que, normalmente, não parecem pertencer ao interesse público mais amplo. Sem dúvida, estes blogues pessoais recompensam quer os seus autores quer os seus leitores, e devem ser objecto sério de estudo enquanto forma de comunicação interpessoal mediada por computador à escala global" (Stephen D. Cooper, Watching the watchdog. Bloggers as the fifth estate, 2006, p. 15) [tradução livre minha].

Os jornalistas que se previnam contra este livro. Ele contém mensagens de perfídia para a profissão.

PRÉMIO PARA ANNA POLITKOVSKAYA


A newsletter de hoje do European Journalism Centre destaca o prémio póstumo atribuído à repórter russa Anna Politkovskaya pela UNESCO.


Seguindo a recomendação de um júri independente de profissionais dos media, o Director-Geral da UNESCO, Koïchiro Matsuura, designou, na sexta-feira, a jornalista Anna Politkovskaya como a laureada de 2007 do Prémio UNESCO/Guillermo Cano World Press Freedom, atribuído anualmente no Dia Mundial de Liberdade da Imprensa, a 3 de Maio.

O prémio, criado em 1997 pela UNESCO, homenageia o trabalho de um indivíduo ou organização que defende ou promove a liberdade de expressão, em especial quando põe a sua vida em risco. Este ano, o 10º aniversário do Prémio é celebrado em Medellin, Colombia, a cidade onde viveu Guillermo Cano, o editor assassinado há 20 anos. Cano havia denunciado as actividades dos barões da droga do seu país. Anna Politkovskaya, assassinada em Outubro de 2006, implicava frequentemente nos seus textos para o Novaya Gazeta, jornal de Moscovo, a violência política diária russa na Tchetchechnia.

domingo, 1 de abril de 2007

Públicos e audiências

Na altura do seu lançamento (Novembro último), fiz alusão ao livro organizado por José Carlos Abrantes e Daniel Dayan, Televisão: das audiências aos públicos, ideia germinada após o colóquio realizado pelo CIMJ (Centro de Investigação Media e Jornalismo), em 2000, na Fundação Calouste Gulbenkian. José Carlos Abrantes desafiou Daniel Dayan a criar uma tipologia de públicos e promoveu um curso no mosteiro da Arrábida em 2001. Na Gulbenkian, Dayan falara de públicos de televisão. Na Arrábida, Dayan falou de quase-públicos e outro investigador francês vindo da área das imagens do cinema (Jean-Pierre Esquenazi) expressou a perspectiva de não-públicos. No curso da Arrábida estiveram outros investigadores de nomeada internacional, como Todd Gitlin, John Fiske e Dominique Mehl.

Esta incursão de autores, em especial os de língua francesa, pela área dos públicos havia de gerar mais fortuna. Não se pode dizer que o colóquio e o curso no nosso país tenham sido determinantes, mas encontram-se textos posteriores que abordam isoladamente a problemática dos públicos. Jean-Pierre Esquenazi publicou em 2003 Sociologie des publics, traduzido para português no ano passado (e que eu fiz uma apresentação na altura). Esquenazi articula o termo público com as várias ciências sociais e diversas correntes culturais e etnográficas e literárias, dando conta da riqueza do vocábulo segundo contextos sociais e culturais distintos.

Já em 2005, em inglês, Sonia Livingstone coordenava uma obra intitulada Audiences and publics: when cultural engagement matters for the public sphere. Será arriscado dizer que esta última obra partiu da discussão científica em Portugal, mas é de destacar que, em dois textos ali inseridos, pontificam Daniel Dayan e Dominique Mehl. E, se em língua francesa, há uma defesa do conceito público enquanto dimensão racional, argumentativa e participativa e de audiência como ver ou ouvir televisão, verifica-se que Sonia Livingstone afina pela mesma medida, como comprova o interessante texto final onde público e audiência são trabalhados enquanto palavras com uma origem, significado e camadas de conotações em vários países europeus: Reino Unido, França, Eslovénia, Grécia, Dinamarca e Alemanha (pretendo voltar a isto).

No texto de Dayan incluído no livro coordenado por Sonia Livingstone, há uma referência bibliográfica curiosa. Dayan fala de um livro comum a si, a Elihu Katz e a Mário Mesquita, editado em 2003 pela Minerva com o título Televisao, Publicos [sem acentos, como está no livro]. Creio haver um erro de Dayan pois saiu um livro de Dayan e Katz intitulado A história em directo (Media events, no original) em colecção de livros dirigida por Mesquita. O que é mais um elemento a indicar a importância de encontros e livros em Portugal sobre a problemática dos públicos.

























































Da colecção de livros aqui seleccionada, a antologia Audiences studies é um exemplo clássico da perspectiva anglo-americana e que se distingue do livro europeu e continental dirigido por Sonia Livingstone. Em Audiences studies, agrupam-se as audiências a partir de entradas: 1) mudança de paradigma, dos efeitos para os usos e gratificações, 2) pânico moral e censura ou a audiência vulnerável, 3) leitura como resistência ou a audiência activa, 4) espectador e audiência ou teoria do ecrã, onde emerge um texto de Laura Mulvey, 5) audiência e fãs, com as ideias de textos de culto e comunidades, 6) audiências femininas, 7) comunidades interpretativas, com nações e etnias.

Finalmente, há uma identidade entre o livro dirigido por Olivier Donnat e Paul Tolila, (Le(s) public(s) de la culture, e o organizado pelo Observatório de Actividades Culturais, Públicos de cultura. Ambos resultam de colóquios, onde a observação empírica ali apresentada aponta para mudanças (ou ausência de) nas hierarquias culturais atendendo a idade, género, classe, habilitações literárias, geografia e tipologia de emprego. Disparidades nestas representações equivalem a consumos culturais distintos, simultaneamente heterogéneos (as classificações de públicos cultivados e displicentes no livro português) e homogéneos (caso das características do mesmo público cultivado ou retraído, segundo a nomenclatura do Observatório de Actividades Culturais). A uma irresistível ascensão das práticas audiovisuais, de grande massificação, correspondem, por oposição, práticas culturais de elite, como o consumo de ópera e de música clássica. Em que se coloca sempre a questão da constituição (e manutenção) de novos públicos em práticas culturais mais intelectuais. Daí a necessidade de estudar eventos como o Porto 2001, o Festival Internacional de Teatro de Almada ou a Expo'98.

PÚBLICOS DE CINEMA


Em 19 de Junho de 2006, escrevi sobre o livro O cinema português e os seus públicos, coordenado por Manuel José Damásio e editado pela Universidade Lusófona. Hoje, retomo a sua análise, assente, como especifica o título, no cinema português - incluindo saber porque não se gosta habitualmente de cinema português. Embora procurasse integrar toda a produção cinematográfica exibida em Portugal – sala de cinema, televisão, vídeo, cabo, internet -, o estudo acabou por incidir no cinema consumido em sala. Usaram-se duas metodologias:

1) Estudo descritivo quantitativo, feito a partir de diversas variáveis – inquérito. Este incidiu em quatro áreas: recolha de dados demográficos, hábitos de visionamento, questionário de satisfação face ao cinema português, sugestões motivacionais. Recolheram-se 1878 questionários.

2) Estudo exploratório qualitativo, que identificou áreas de intervenção para transformar as percepções e atitudes detectadas no estudo quantitativo – focus group ou grupo de discussão. Realizaram-se quatro grupos de discussão, três em Lisboa e um no Porto, num total de 26 participantes (12 homens, 14 mulheres). Esta metodologia procurou recolher a opinião do público espectador, mas também agentes ligados directamente ao cinema e críticos e estudiosos da área (p. 32).

Para Manuel José Damásio, coordenador do texto, as análises quantitativas estão exclusivamente preocupadas em produzir um mapa abstracto que nos permita delimitar a composição (demográfica, geográfica e psicográfica) da massa de indivíduos que constitui a audiência e identificar os seus comportamentos. Se a análise quantitativa (rating) se preocupa com a medição de audiências, a análise sócio-culturalqualitativa – tem como objectivo o significado cultural que as actividades dos grupos possuem a curto, médio e longo prazo. A análise quantitativa tem a exposição como factor significativo para a compreensão da audiência; os modelos sócio-culturais preocupam-se com a análise dos conteúdos, influências pessoais, usos e gratificações. Estamos no domínio ainda da teoria dos efeitos limitados, de Lazarsfeld, o que revela algumas deficiências na evolução conceptual, e me leva a distinguir texto e inquérito dentro do livro. Nada sobre teorias da recepção (Stuart Hall) ou recepção cultural (Pierre Bourdieu). Comparado com a análise de Esquenazi (2006), os resultados da análise de Damásio são mais antigos. Isto apesar de, no início do relatório do estudo (p. 31), referir que procurou recolher informações sobre atitudes e crenças – satisfação, percepção, motivação, interesses – e comportamentos – hábitos, práticas.

O título do estudo comporta a palavra público, mas Manuel José Damásio aposta nas audiências (p. 25). Para ele, audiência é a soma complexa de um conjunto de interesses individuais e de acções e sistemas de condições que emergem para assegurar um processo de mediatização tecnológica de acontecimentos e volumes de informação. A meu ver, o enfoque central da definição é a mediatização tecnológica, conquanto não faça referência directa a televisão, rádios, jornais ou internet. Ou seja, para o autor, a audiência é uma espécie de ecrã face às tecnologias, tem condições ou não para receber acontecimentos e volumes de informação. Nesta definição inicial, nada é adiantado sobre os modos de recepção, a cultura, as variáveis sociográficas como idade ou habilitações literárias.

Assim, as estratégias do estudo das audiências envolvem, indo do particular para o mais geral (p. 25): 1) participante individual na audiência, 2) actividade dos participantes no evento enquanto parte da audiência, 3) espaço e tempo do evento, 4) relações de poder que estruturam o evento, 5) informação mediatizada com que os participantes interagem. Manuel José Damásio, depois, elenca os aspectos básicos de relacionamento entre uma audiência e um evento mediático: 1) variáveis demográficas, 2) volume de exposição, 3) intervalo espácio-temporal de exposição, 4) localização geográfica da audiência, e 5) identificação do conteúdo informativo.

Estas definições conduzem a um determinado desenho do inquérito – e às suas insuficiências. Por exemplo, os quadros incluídos no livro são resultado directo, sem cruzamento de variáveis, como fazem os investigadores do Observatório de Actividades Culturais. Além disso, os quadros não têm números, o que dificulta qualquer cruzamento de uns com outros. Claro que se deve realçar a importância de inquérito (pp. 84-87) e do focus group (pp. 88-89), até porque não há outros estudos sobre o tema.

Dos grupos de discussão, ver resultados (pp. 74-79), que incluem: 1) razões porque vê cinema e não vê cinema português, 2) falta de promoção de filmes, 3) importância do aumento da produção, 4) financiamento (a nível universitário, por exemplo), 5) making of, com crítica implícita ao cinema de autor, 6) narrativas, e 7) novos públicos.