quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

O JOGO DO MONOPÓLIO


O jogo do Monopólio está a lançar uma edição Mundial. Para o efeito, tem no portal Monopoly uma votação on-line para eleger as grandes cidades do mundo.

As 22 cidades mais votadas vão constar do tabuleiro desta nova edição mundial. Para tal é necessário fazer o registo e votar por Lisboa! O objectivo é que esta actividade seja divulgada porque Lisboa precisa de ficar dentro das maiores cidades para aparecer no tabuleiro e está, de momento, em 42º lugar. Faltam 16 dias para a competição acabar.



Os meus agradecimentos a Maria Rita Ramada pela informação.

FASCÍNIO DE ULISSES


Mais informações: Galeria Luís Serpa.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

FOLEFEST 2008


Para além da exposição Os Mundos do Acordeão (oito fotografias de José Costa e oito desenhos e pintura de Helder Milhano (inauguração no dia 14, na Casa do Arco do Bispo, Castelo Branco), decorre, nos dias 21 a 23, o 2º Concurso e Festival de Acordeão de Castelo Branco, cujos promotores são o Conservatório Regional de Castelo Branco e a Escola Superior de Artes Aplicadas.


O festival conta nomeadamente com os concertos de Iñaki Alberdi e Iñigo Aizpiolea, duo de acordeões vindos de Espanha (21 de Fevereiro, às 21:30) [à esquerda], Pedro Santos e Paulo Jorge Ferreira, duo de acordeões (22 de Fevereiro às 11:00) e Alexander Sevastian, acordeão solo, vindo do Canadá (22 de Fevreiro, às 21:30) [em baixo].


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

CINEMA EM CARTAZ


Trata-se de um vídeo feito a partir da exposição levada a cabo na Cordoaria Nacional e que eu fiz aqui referência, a 12 de Maio de 2007. Recordo que a exposição estava estruturada em seis núcleos: 1) a caminho da sétima arte, 2) do palco ao ecrã, 3) da graça à desgraça, 4) silêncio... acção, 5) norte, sul, este, oeste, 6) os incompletos, e 7) projecção de filmes (Les victimes de l'alcool; Rigadin, peintre cubiste; Les misérables; Fantômas).

LIVRO DE CARLOS CAPUCHO SOBRE CINEMA


Começou a ser distribuído no mercado o livro de Carlos Capucho, Magia, luzes e sombras. 1974-1999: vinte e cinco anos de filmes no circuito comercial em Portugal, uma edição da Universidade Católica Editora.

Livro que resulta da sua tese de doutoramento (defesa sobre a qual eu escrevi
aqui, a 24 de Outubro de 2005), Carlos Capucho divide-o em três partes: 1) fundamentação, 2) exibição cinematográfica em Portugal entre 1974 e 1999 (com ênfase para o BC - Boletim Cinematográfico, dentro do Secretariado do Cinema e do Audiovisual, organismo ligado à Igreja Católica), 3) estudo de casos.

Do que escrevi em Outubro de 2005 retiro a seguinte passagem:

a investigação levou em conta "a defesa de um quadro de preparação técnica e científica que habilite os educadores e os formandos para a compreensão dos mecanismos da comunicação mediatizada no sentido de os dotar com capacidade crítica, essencial para o exercício de tarefas educativas no campo dos media". Noutras partes do mesmo texto, destaca a importância da "formação dos agentes educativos (docentes, formadores e animadores culturais)", dada a complexa mas importante "rede de códigos verbais, sonoros, icónicos, retóricos, estilísticos" do cinema. Lê-se ainda: "No caso específico do cinema, compreender um filme significa não só reconhecer e identificar os elementos visuais e sonoros mas também compreender o discurso fílmico que se concentra nos códigos cinematográficos".

Espero voltar em breve a escrever sobre este livro (com 604 páginas).

Carlos Capucho é professor auxiliar na Universidade Católica Portuguesa, onde coordena a licenciatura em Comunicação Social e Cultural. Do seu currículo, e para além do doutoramento em Ciências da Comunicação, destaco o estágio feito no Centre Recherche et Communication (Lyon, França), a fundação do Grupo de Pesquisa Audiovisual, a instalação da Logomedia (onde foi formador e realizador) e a docência anterior no Instituto Piaget e na Escola Superior Maria Ulrich.

VIDEOARTE NA GULBENKIAN

Até 7 de Março aceitam-se candidaturas para o Curso de Videoarte dentro do Programa Gulbenkian Criatividade e Criação Artística (PGCCA). O curso, a decorrer entre 6 de Outubro e 12 de Dezembro, terá como formadores Chantal Akerman, Harun Farocki e Jean-Pierre Gorin, entre outros.

Segundo a organização, "Os docentes deste curso destinado a jovens artistas, com idades compreendidas entre os 22 e os 35 anos, irão proporcionar uma formação intensiva de dez semanas nas áreas do filme e do vídeo de arte. O conjunto de workshops será intercalado com períodos dedicados à produção individual de obras originais realizadas pelos doze candidatos que serão seleccionados para o curso".

O que é a videoarte?

Ainda seguindo o comunicado do Programa Gulbenkian Criatividade e Criação Artística (PGCCA),

  • Com início na década de sessenta, a videoarte constituiu uma revolução no panorama das artes, criando contaminações de linguagens, de géneros e de media, o que inspirou formas de produção artística novas e inéditas. A videoarte deu origem a investigações e produções teóricas inovadoras, radicalizando a paisagem da performance, das artes visuais, ao mesmo tempo que se constituía, ela própria, como um género artístico novo, apesar de multidisciplinar. Hoje, a videoarte é muitas coisas – entre o cinema, as artes plásticas, a performance audiovisual, a poesia, etc. – e o próprio termo é, por vezes, insuficiente para titular algumas obras neste âmbito. Continuamos neste curso a utilizar o termo, algo clássico, mas que permite uma aprendizagem múltipla, tanto teórica e histórica como prática. O curso recorre à tecnologia mais actual, utilizada para aumentar a eficácia das propostas artísticas e nunca como um fim em si mesmo. Por isso, e dentro da multiplicidade de propostas autorais, os artistas serão convidados a conceber uma obra que ultrapasse a dimensão tecnológica e se constitua como um produto de imaginários criativos.
Mais informações: Programa de Criatividade da Gulbenkian.

NOTAS PARA UMA AULA DE TEORIA DA COMUNICAÇÃO (2)


Para Carlos Araújo (2001: 119), no começo do século XX, investigadores da escola de Chicago como Park, Burgess e Cooley estudaram os processos comunicativos a nível microssociológico, tendo a cidade como local de observação. No mesmo período, Charles Peirce escreveria sobre semiótica, campo de trabalho sobre os significados a partir da perspectiva pragmática. Nos anos de 1930, H. Blumer, igualmente da escola de Chicago, falou de interaccionismo simbólico, e autores da escola de Palo Alto, vindos de áreas como antropologia, linguística, matemática, sociologia e psiquiatria, inauguravam outra tradição, reunidos à volta de Bateson, Goffman e Watzlawick, os quais propuseram uma compreensão da comunicação como processo social permanente.

Contudo, estas correntes seriam marginais face ao que se designou como mass communication research, hegemónica entre os anos 1920 e 1960. Carlos Araújo (2001: 120) fala em três grandes grupos de investigação: 1) teoria matemática da comunicação, 2) corrente funcionalista (Lasswell, Lazarsfeld, Merton), 3) mass communication research, voltada para os efeitos (e que recobre a segunda corrente), com teoria dos efeitos ilimitados, efeitos limitados e efeitos cognitivos de longo prazo.

O mesmo investigador encontra quatro características comuns na comunicação de massa: 1) orientação empírica, 2) carácter pragmático, com estudos feitos com base em encomendas do Estado e das grandes empresas, 3) estudos voltados para a comunicação mediática, e 4) com um modelo comunicacional fundador (emissor, receptor, canal, sinal, ruído).

Assim, podemos concluir que, com a mass communication research nos EUA e por volta dos anos 1930, se desenvolveram estudos sobre os media, em especial analisando os seus efeitos e funções – o que marcou, por outro lado, o início da teoria da comunicação.

Leitura: Carlos Alberto Araújo (2001). “A pesquisa norte-americana”. In Antonio Hohlfeldt, Luiz C. Martino e Vera Veiga França (org.) Teorias da Comunicação. Conceitos, Práticas e Tendências. Petropólis: Editora Vozes

domingo, 10 de fevereiro de 2008

NOTAS PARA UMA AULA DE TEORIA DA COMUNICAÇÃO (1)


A partir do texto de Lawrence Grossberg, Ellen Wartella, D. Charles Whitney e J. MacGreggor Wise (2006). Mediamaking. Mass media in a popular culture (imagem de Grossberg a partir do sítio da Universidade do North Carolina at Chapel Hill; imagem de Wartella do sítio da Universidade do Minnesota; imagem de Whitney do sítio da Universidade da California Riverside; não consegui a imagem do quarto autor).

Que efeitos têm os media sobre nós? Por volta de 1960, Joseph Klapper dizia que era difícil provar o efeito dos meios de comunicação. Era o tempo do modelo dos efeitos limitados em termos de influência dos media. Sugeria-se então que, quando (e se) os media afectam o comportamento, fazem-no através de uma rede de outros factores de influência, como as características pessoais, situação social, clima geral de opinião e cultura.

Ora, desde o começo dos estudos mediáticos, há analistas que afirmam que os media afectam fortemente o comportamento da audiência e outros que concluem pela influência limitada dos media sobre o comportamento.

O comportamento (o que as pessoas fazem com base no que obtêm dos media) interessa-nos muito. Por exemplo, um anúncio comercial a dizer que a Mercedes é uma marca de confiança não é feito para as pessoas acreditarem ou não mas para desenvolver um comportamento – a tendência para a sua compra. Do mesmo modo, um político calcula o impacto de um discurso televisivo em termos de como isso afecta o voto dos eleitores. E também se quer saber os efeitos comportamentais da violência e da sexualidade presente nos media, em especial os efeitos nas crianças.

Com o desenvolvimento de cada meio electrónico no século XX, levantou-se sequencialmente a questão pública – que efeitos? Nos anos de 1920, com os filmes temia-se um comportamento licencioso; levariam os filmes a que os adolescentes tivessem uma conduta sexual que as gerações anteriores não tinham tido? Quando veio a televisão, uma geração depois, perguntou-se se aquela não transformava os adolescentes em delinquentes juvenis. Indagava-se sobre o efeito dos programas violentos na televisão, cinema e banda desenhada dos anos 1950 no comportamento agressivo das crianças.

Estudar os efeitos dos media no comportamento humano tem sido uma das principais actividades de psicólogos, sociólogos e outros cientistas sociais no campo da comunicação. Muita da pesquisa feita sobre os efeitos comportamentais dos media reside no modelo de transmissão de comunicação. Lasswell (1948) perguntou: quem diz o quê a quem em que canal e com que efeito (os cinco w).

É preciso perceber que tipos de efeitos existem. Para os psicólogos sociais, existem três: cognitivo (intelectual, conhecimento), afectivo (emocional, avaliativo) e conativo (intencional, comportamental; persuasivo). Uma mensagem mediática pode ter influência num factor mas pode não ter nos outros. Acontece isso com os anúncios. Geralmente, as consequências ou efeitos das mensagens mediáticas podem separar-se em intencionais ou não intencionais. No caso de um anúncio, pode haver uma intenção primária ou manifesta (aberta) que encoraje uma audiência a comprar um produto, mas pode haver uma intenção latente (escondida, coberta).

Grossberg e colegas lembram a transmissão radiofónica da Guerra dos Mundos, por Orson Welles, cujos efeitos podem resultar em: 1) as mensagens podem ter consequências inesperadas ou antecipadas, 2) mesmo que uma grande maioria da audiência não seja afectada por uma mensagem, ela pode ter consequências sociais importantes em alguns membros, 3) o efeito dos media pode estabelecer-se segundo vários critérios. Nós também poderíamos referir A Invasão dos Marcianos, de José Matos Maia, transmitida na Rádio Renascença em 25 de Junho de 1958, e que provocou semelhante alvoroço que a transmissão de Welles.

Denis McQuail (2000) anota que os media podem conduzir a diferentes tipos de mudança: 1) mudança intencional (conversão), 2) mudança intencional, 3) mudança mínima de forma ou intensidade de resposta, 4) facilita a mudança, 5) reforça o que existe (não há mudança) e 6) previne a mudança. Dizer, por exemplo, que as mensagens mediáticas podem facilitar a mudança é argumentar que, apesar das outras forças sociais serem uma causa primária de mudança, as mensagens mediáticas tornam as mudanças mais fáceis ou rápidas.

Quanto aos tipos de efeitos, precisamos de pensar em diferentes escalas de tempo: 1) a exposição a mensagens de curta duração ocorre quando se é exposto a uma só mensagem, por exemplo, um programa de televisão; fica-se satisfeito quando se vê, mas não se volta a pensar no assunto, 2) a exposição a mensagens de duração média relaciona-se com um conjunto de mensagens interligadas como uma campanha de um produto ou o marketing social de inibição de fumar em locais públicos e fechados, 3) a exposição a mensagens mediáticas de longa duração ocorre após muita exposição acumulada no tempo e com mensagens interligadas. Exemplos: o argumento que a violência da televisão leva a comportamento agressivo, ou que a pornografia leva a violência contra as mulheres. Além disso, os efeitos dos media podem ser transitórios ou persistentes.


Lawrence Grossberg estará em Lisboa, na Universidade Católica Portuguesa, a leccionar temas de cultura, em Maio próximo.

Leitura: Lawrence Grossberg, Ellen Wartella, D. Charles Whitney e J. MacGreggor Wise (2006). Mediamaking. Mass media in a popular culture. Thousand Oaks, Londres e Nova Iorque: Sage, pp. 293-301

CONSTANÇA LUCAS EXPÕE DESENHOS DE POETAS PORTUGUESES E BRASILEIROS


Carlos Drummond de Andrade e Fernando Pessoa fazem parte do conjunto de desenhos de poetas feitos por Constança Lucas, expostos entre 21 de Fevereiro e 29 de Março na comemoração dos 16 anos da livraria Alpharrabio (1992/2008).


Os outros poetas são António Gedeão, António Ramos Rosa, Cecília Meireles, Dalila Teles Veras, Eugénio de Andrade, Florbela Espanca, Herberto Hélder, Irene Lisboa, João Guimarães Rosa, Jorge de Sena, Manoel de Barros, Mario Quintana, Matilde Rosa Araújo, Sophia de Mello Breyner Andresen, Torquato Neto e Zeca Afonso.

A livraria e centro cultural Alpharrabio fica na Rua Eduardo Monteiro 151, Santo André, São Paulo. Para saber mais, procurar no sítio da livraria e no blogue.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

REFLEXÕES EM TORNO DA REVISTA NOTÍCIAS TV, QUE SAI À SEXTA


1. Não gosto. Trata de fofocas das pequenas celebridades do nosso universo televisivo, tipo José Castelo Branco, Sónia Araújo, Jessica Athayde (apresentada com ex-moranguita) ou Joana Solnado.

2. Mas compreendo que é um muito bom produto. Ao ser vendida conjuntamente com o Jornal de Notícias e o Diário de Notícias, aproxima-se dos 150 mil exemplares, o que bate a concorrência de revistas dedicadas à televisão, tipo Caras ou Lux. E sem custo acrescido, pois está incluído no preço do jornal. A outra grande razão vem abaixo, no ponto 4.

3. Comparo a revista Notícias TV com o caderno Ípsilon, do Público. Há, nas duas publicações, públicos-alvo distintos a atingir. O Ípsilon (que resultou da fusão de dois cadernos, está a fazer um ano, o Y e o Mil Folhas) tem a marca da geração Y. Por oposição, a Notícias TV atinge fundamentalmente a geração baby boomer. Passo a explicar. A geração Y representa a geração nascida entre 1976 e 2000, opondo-se às anteriores gerações, a X, nascida entre 1962 e 1975, e a dos baby-boomers, após a Segunda Guerra Mundial, nascida entre 1945 e 1961. A geração Y é filha da geração baby-boomer, agora em lento desaparecimento do mercado de trabalho (reforma), dando lugar à geração X. A geração baby boomer vista pela geração Y é nomeada como a dos pais de helicóptero, expressão pejorativa dos que consomem muita televisão ou estão dentro dela (retirei a expressão da
wikipédia). Começa, entretanto, a falar-se de uma nova geração, nascida a partir de meados da década passada, apelidada de novo silêncio (a do iPod e que está a entrar no secundário). Na terminologia do OberCom, que tem trabalhado a recepção dos media segundo gerações, à geração iniciática (a nascida no começo dos anos 1950, quando a televisão arrancava na Europa, também chamada paleotelevisão) opõe-se a geração multimedia (a mais recente, da idade dos computadores, filha daquela), ficando no meio a geração intermédia (a da neotelevisão). Isto é: termos diferentes para nomear as mesmas gerações.

4. Posso ver o assunto de maneira mais simples: o caderno do Público orienta-se para um público urbano, jovem, consumidor de media mas também forte consumidor de outros bens culturais - as indústrias culturais e criativas no seu conjunto; o caderno Notícias tem por alvo um público mais velho e geral, em que os consumos de media estão centralizados na televisão. Ora, este é substancialmente maioritário nas cidades onde os jornais do grupo Controlinvest actuam (os Notícias de Lisboa e do Porto), logo há um enorme mercado a manter e conquistar.

5. Apesar de eu não gostar no geral, o Notícias TV tem coisas importantes e sérias: a interpretação das audiências de televisão, por exemplo. Nuno Azinheira é dos jornalistas que melhor interpreta os consumos de televisão; logo, são páginas que devem ser consultadas, pela informação que mostra e analisa (e que me lembra as páginas de um Diário de Notícias que começa a ficar longínquo, em que Azinheira fazia par com Miguel Gaspar, a meu ver uma dupla de génio). Esta semana, as páginas 74 e 75 são imperdíveis. Por exemplo: 1) minuto de ouro: o jogo de futebol em que interveio o Benfica, 2) minuto de lata: o serviço Euronews, 3) grande entrevista com a espécie de Robin dos Bosques que é o bastonário da Ordem dos Advogados, em que os telespectadores eram basicamente do interior do país, classe baixa e com mais de 55 anos.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

OS VÍDEOS DO VIDEOLAB


Sérgio Gomes é paginador de um jornal de Coimbra e Pedro Almeida é professor de educação física. Um dia, este desafiou aquele, que dirigia um workshop sobre edição de vídeo no festival Caminhos do Cinema Português, em Coimbra, a criar uma associação - o Projecto Videolab.

A história vem no Jornal de Notícias de hoje e fala igualmente da mostra de vídeo na livraria-café Gato Vadio (Porto), a partir de amanhã (já falei desta mostra no dia
4), organizada pelos dois. Custo dos bilhetes de ingresso: 1 euro. Escreve o jornal: "O bastante, esperam, para pagar as viagens entre Coimbra e a Invicta".


No texto, assinado por Nelson Morais (e fotografia de Bruno T. Pires), ainda há tempo para percebermos que a associação já passou mais de 500 filmes em três anos, sem subsídios nem intuitos comerciais, tendo com muita frequência aceitação de realizadores com trabalhos que estiveram nos melhores festivais a aceitar passar os seus vídeos gratuitamente. Com a qualidade como grande critério do Projecto Videolab, este espaço da internet transformou-se rapidamente numa boa plataforma de experiências artísticas.

O tema da mostra é You talkin' to me?, a frase que Robert de Niro repete em frente ao espelho em Taxi Driver, pois na maioria dos vídeos (18) aparece alguém a olhar ou a falar directamente para o espectador.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

3,7 MILHÕES LIGADOS AO HI5?


Olá Rogerio,
Gostaria de te adicionar à minha rede de amigos do hi5. Tens de confirmar que somos amigos para que possamos conhecer novas pessoas. Por favor, aceita ou recusa o meu pedido, acedendo ao site do hi5:
Aceite o Amigo
Obrigado,
Geração High Tech
(recebido hoje na minha caixa do correio às 17:31)


Recebo, quase dia sim dia não, uma mensagem deste tipo. Inicio a sessão no hi5 e espreito a quantidade de pessoas que estão ligadas na rede social e outras que me esqueci de ligar entretanto. Lá estão o Miguel, a Katyuska, a Lauri, a Sara, o Ouri, a(o) valsousatv - pessoas que serão simpáticas mas que eu não conheço embora acabe por aceitar e dizer que a(o) conheço do trabalho ou de amigos que fiz no hi5. Uma dessas pessoas está a "trabalhar mas a observar o mercado" e colocou na rede 25 fotografias. Uma outra tem uma mensagem forte: "A tua amiga não tem novidades - diz-lhe para adicionares algo de novo".

Anteontem, o tema foi assunto do Público, com chamada de capa: Redes sociais - já somos 3,7 milhões agarrados ao Hi5. Na reportagem, de escrita escorreita e agradável, falam vários elementos dessa rede e uma docente universitária.

É um tema actual, interessante. Mas o número de ligados ao Hi5 pareceu-me elevado. E li, entre a primeira e a segunda coluna, que os jovens dos 15 aos 24 são os que mais usam o computador à noite para acesso ao Hi5. Em nenhuma parte do texto se associa esse nível etário aos utilizadores da rede social, mas a proximidade de parágrafos fez-me sentir essa identidade.

Ora, recorrendo aos dados da população portuguesa no portal do
INE, os grupos etários aparecem com estes números:

A leitura deste quadro prova que o número é, com certeza, exagerado. Mesmo contando toda a população portuguesa dos 10 aos 24 anos ela atinge perto de 1,3 milhões. Para chegar aos 3,7 milhões precisaríamos de ter quase toda a população até aos 44 anos ligada ao hi5.

Olhando o texto com mais atenção, a jornalista fala de várias redes sociais: MySpace, Orkut, Facebook, Sapo, Clix. Eu estou ligado, pelo menos que me lembre, a três dessas redes. Será que conto por três portugueses?

Competiria à jornalista - e ao editor - averiguar se está correcto o número. Afinal, o que fica do texto é o empolgante título.

Faço minhas as sábias palavras de Mário Mesquita no seu livro O jornalismo em análise, a propósito de um título semelhante:

"A hipótese que tenho por mais plausível reside na vontade de apostar a todo o custo numa linguagem apelativa. A concorrência entre jornais é intensa, o mercado exíguo e urge encontrar respostas eficazes".

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

CHURROS EM SALAMANCA


De repente, fiquei com uma grande vontade de comer churros e beber chocolate na Plaza Mayor de Salamanca. Recordo-me de ter escrito uma mensagem em 11 de Fevereiro de 2005 sobre a degustação de churros. Agora, nessa mensagem, foi colocada o seguinte comentário: "Obrigada por não escolher «churrería marca VALOR» em Rua Libreros junto a nossa famossísima Universidade para degustar um chocolate com churros. Vivir nesta rúa já não é tão COOL desde que abrieron esa churrería num local que não é apto para essa actividade. ¡até a rana de la fachada se quejaba de la peste a churros! O Tribunal Superior de Justicia de Castilla y León anuló su licencia de apretura, pero ¡NADA! ahí siguen con su negocio. Para a Câmara Municipal desta ciudad os vezinos são um cero à esquerda" [assinado: Helena].

A MULTIDÃO ESTUDADA POR CINTRA TORRES


É um texto do tamanho de um capítulo de livro (23 páginas). Nele, Eduardo Cintra Torres propõe-se estudar o conceito de multidão, que podemos associar a público, audiência e massa, nas suas proximidades e distinções. Cintra Torres precisa melhor o conceito - multidão religiosa em dois autores de língua francesa (Zola e Huysmans). Como é que eles trabalharam em romances a ideia de multidão religiosa de Lourdes, na passagem do século XIX para o XX?

Cintra Torres, docente da Universidade Católica, crítico de televisão, a preparar tese de doutoramento e autor de livros como A tragédia televisiva (2006) e Anúncios à lupa. Ler publicidade (2006), tem aqui um exercício fino e rigoroso. Passa pelos clássicos (Le Bon, Tarde) mas anota: "Não sabemos se o romance de Zola terá influenciado directamente as reflexões posteriores de Tarde, Le Bon e os outros que reclamavam escrever cientificamente sobre as multidões" (p. 735).

O romance Lourdes, de Zola, teve grande êxito editorial. Zola terá sido o primeiro autor de renome a debruçar-se sobre o fenómeno da devoção de massas na aldeia dos Pirinéus, a partir das aparições da Virgem Maria a Bernadette Soubirous, esclarece Eduardo Cintra Torres. Este dá-nos, igualmente, conta da forma como Zola trabalhou o tema. Visitou Lourdes em 1892 e longamente em 1893, entrevistou personagens importantes do local e leu obras sobre os aspectos religiosos (p. 739). Podemos situar, seguindo Cintra Torres, o trabalho de Zola entre o etnólogo e o repórter de investigação. O romance reproduziria as notas que Zola tomou em Lourdes, nomeadamente as descrições de multidão. Aliás, um dos elementos fundamentais do romance é a presença esmagadora da multidão no santuário (p. 740), estimada em cerca de 150 mil pessoas por ano, número espantoso atendendo às dificuldades de transportes nessa época.

Zola imaginaria uma trama com personagens como padres, bispos, crentes e especuladores. O romance começa com a viagem de um comboio especial de Paris a Lourdes e acaba com a viagem de regresso. As personagens principais são Pierre Froment, um padre descrente, e Marie, sua amiga e paralítica, cheia de fé e que se cura na estadia em Lourdes.

Fraternidade e comunidade evangélica são elementos de destaque no livro de Zola, e que se repetirá no livro de Huysmans, As multidões de Lourdes. Francês de origem holandesa, Huysmans visitara Lourdes em 1903 e 1904. De modo distinto de Zola (Germinal, Lourdes), este segundo autor tem outra visão da multidão, tem medo dela, acha que ela faz um assalto ao espaço público de Lourdes (p. 749). A multidão é confusão, horda, matilha, amontoado, turba, fluxo (p. 750).

Eduardo Cintra Torres faz uma comparação subtil mas curiosa:
enquanto Zola viu Lourdes em parte como consequência do falhanço da ciência e do progresso em dar felicidade às pessoas, Huysmans viu-a como consequência do falhanço da democracia de massas (p. 751). Afinal, tratava-se, nas palavras de Cintra Torres, de articular "o fenómeno religioso de Lourdes e a teoria sócio-política da multidão através de duas obras literárias de referência" (p. 753).

A meu ver, e seguindo esta leitura, Huysmans estava mais perto de Le Bon do que Zola.

Leitura: Eduardo Cintra Torres (2007). "A multidão religiosa de Lourdes em Zola e Huysmans". Análise Social, 184: 733-755 (separata)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

DESEJO UM EXCELENTE DIA DE CARNAVAL


Procurarei regressar na quarta-feira!

COLOCAR IMAGENS COM A PICAPP


A empresa PicScout, com a nova plataforma
PicApp, informa que, em breve, blogueiros e outros editores on-line poderão incluir nos seus sítios, de modo gratuito, cartoons, fotografias de arte, fotografias de arquivo e mesmo fotografias de acontecimentos recentes. Milhões de imagens com direitos de autor, anteriormente de uso ilegal, serão fornecidos pela Getty Images, um grande fornecedor de imagens e multimedia.

Segundo as informações recolhidas, o processo de colocação das imagens a disponibilizar será fácil. A tecnologia PicApp permite aos editores on-line seleccionar as imagens com direitos de autor e que pertencem a empresas que estabeleceram parcerias e colocá-las para ilustrar mensagens e comentários no blogue ou no sítio on-line.

Neste momento, apenas têm acesso ao PicApp elementos convidados, mas os blogueiros interessados podem contactar a empresa
para participar na versão beta.

INDÚSTRIAS CRIATIVAS - AINDA MAIS SOBRE O ASSUNTO


O BIAD (Birmingham Institute of Art & Design) é uma instituição que fornece um ambiente dinâmico e estimulante para estudar arte, arquitectura, design e media, segundo garante o sítio.


Não conheço o BIAD para aceitar ou discordar. Mas relevo o círculo activo de blogues em Birmingham. Ontem, escrevia sobre o
new music strategies, de Andrew Dubber. Hoje, indico o Created in Birmingham, de Pete Ashton, um autêntico distribuidor de informação sobre indústrias criativas em Birmingham.

INDÚSTRIAS CRIATIVAS - MAIS SOBRE O ASSUNTO


O jornal Público volta hoje a destacar as indústrias criativas, desta feita atendendo aos espaços rurais.

Retiro dois excertos do trabalho assinado por Catarina Selada e Inês Vilhena da Cunha:


  • A fixação de criativos pode ser um factor indutor do desenvolvimento das áreas rurais, zonas de baixa densidade ou pequenos centros urbanos. Para tal, as áreas rurais deverão reunir activos endógenos locais (atractivos naturais e histórico-culturais), vantagens construídas (atractivos artísticos e culturais) e boa acessibilidade (proximidade de um centro urbano).

    [...] Os activos específicos do território são complementados por atractivos construídos que interessam à classe criativa. Por um lado, infra-estruturas de conhecimento, instalações de apoio à actividade cultural e artística, museus, galerias de arte, centros de design, hotéis, estúdios para artistas ou incubadoras de artes. Por outro, eventos temporários como exposições, festivais e workshops associados às indústrias criativas. Estas vantagens derivam, muitas vezes, de estratégias específicas de desenvolvimento local centradas na atracção e fixação de criativos e na projecção de uma imagem do território associada à cultura e às artes.
Não ponho em causa as conclusões do artigo mas apenas a bondade delas. Por esta leitura, fica-se com a ideia que infra-estruturas de conhecimento, instalações de criatividade cultural e acessibilidade são suficientes. Pode não passar de uma receita, como há uns anos os feixes de actividades [clusters] de Michael Porter. No papel, funcionavam bem [diagnóstico e execução], mas não houve prática consequente.

A meu ver, é preciso igualmente - ou com mais força - vontade política quer do Governo central quer do Governo local ou municipal quer dos intervenientes directos. E educação, metas e objectivos parcelares a cumprir, e interacção - pessoas e instituições a cooperarem e não a disputarem um destaque ou pequena atenção, envolvendo-se em disputas e questiúnculas regionais. Um decreto ou uma lei, se mal aplicados, não têm qualquer resultado. O mesmo pode acontecer com estas ideias.

BANDA DESENHADA


Foi numa aula da semana passada que ouvi Nelson Dona, o responsável pelo Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA). Ele falou da banda desenhada (BD) enquanto arte (a 9ª), da linguagem da BD, da apresentação do festival da Amadora e da indústria da BD (mundo editorial).


A BD enquanto arte nasce, conjuntamente com o cinema, do contexto da revolução industrial, com base na imprensa. Logo, a BD implica reprodução – é uma indústria cultural –, onde se fala da imprensa, de revistas, do livro. Em Portugal, o primeiro autor foi Rafael Bordallo Pinheiro, ainda no século XIX. Até aos anos de 1920, usava-se o termo ilustrado para designar um tipo de imagem, caricatura ou desenho. A BD aparecia em jornais. Entre os anos 1930 e meados dos anos 1960, a designação passou a ser história aos quadradinhos (vinheta ou moldura).

Nesses anos 1930, surgiam revistas especializadas com artistas como Almada Negreiros, Stuart Carvalhais e Cottinelli Telmo. Os nomes dessas publicações eram Camarada, Gafanhoto, Pim-pam-pum, designações que evocam públicos-alvo específicos: crianças e adolescentes. E o bissemanal Mosquito (1936-1953), de António Cardoso Lopes, em que as histórias mais longas continuavam em números seguintes, atingindo cem mil exemplares cada número. O Mosquito tinha um suplemento feminino, A Formiga, em tamanho mais pequeno que a revista, dirigido pela tia Nita (mãe do actor Mário Viegas), que escrevia número a número cartas tipo correio sentimental. A partir dos anos 1960, surge a revista Tintim, coordenada por Vasco Granja, começando a privilegiar-se a BD franco-belga. A revista portuguesa seria a primeira feita fora de França e a primeira editada a cores em todo o mundo.

BD, designação adoptada desde finais dos anos de 1960, vindo do francês, significa tira desenhada (inglês: strip) e tira dominical, adquire palavras específicas em cada país. Assim, no Brasil é quadrinho, na América Latina historieta, na Itália fummeto e no Japão mangá. Nos Estados Unidos mantém a designação comics.

A BD é uma narrativa dupla de texto e imagem, situando-se entre a cultura literária e as artes visuais. Um dos pais da BD é Rodolphe Töpffer (1799-1846), gravador e teórico da futura BD, para quem esta era uma associação de literatura e história ilustrada – a literatura gráfica. Outro pioneiro da BD foi Richard Felton Outcault (1846-1905), o primeiro a inserir o balão como espaço de inserção do texto nas vinhetas.

Ora, balão e vinheta fazem parte da gramática da BD, a par de figuras/personagens, onomatopeia, linhas cinéticas (de movimento), quadro (o que está dentro da vinheta), prancha (página), elipse (tempo existente entre duas vinhetas). À gramática junta-se o tempo de trabalho de um álbum: estima-se que um livro como o Tintim demorasse dois a três anos a fazer. E a discussão sobre se a BD é cultura de comunicação de massas – eu prefiro a designação de indústria cultural, dada a sua reprodutibilidade técnica e massificação, como o cinema, a televisão e a internet. A BD perdeu a conotação de ser uma actividade voltada para públicos muito jovens, agarrando hoje leitores de todas as idades.

O FIBDA

O Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA) arrancou em 1990, com apoio da Câmara Municipal da Amadora. Começou com a ideia de jovens quererem fazer um fanzine (fanáticos de magazine). Entretanto, corria um concurso sobre aviação portuguesa em BD, o que ajudou a alicerçar a ideia. Por outro lado ainda, a Amadora era um concelho em que residiam (ou tinham residido) artistas ligados à BD, como António Cardoso Lopes, o responsável pelo Mosquito. Nesse arranque do que é hoje o FIBDA fez-se uma pequena exposição. Simultaneamente, vivia-se um boom da BD, levando os promotores do evento a internacionalizarem-no na terceira edição.

O FIBDA é, actualmente, para além da mostra de novos artistas, lugar para exposições temáticas e de outras estéticas, conferências, venda de livros e promoção da leitura, e prémios (os nossos óscares na BD), com um custo total anual rondando os 400 mil euros, suportados maioritariamente pela autarquia. O festival funciona com um cariz artístico e que integra eventos paralelos que atraem públicos distintos (caso do FIBDA júnior, com ateliês). O FIBDA – e actividades e instituições como o Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem e o serviço de itinerância de exposições – emprega seis colaboradores a tempo inteiro, mas atinge as 200 pessoas por ocasião do festival. A itinerância de exposições está a alcançar diversos pontos do globo, prova da notoriedade e reconhecimento do bom trabalho desenvolvido pela equipa.

A próxima edição do festival vai ter uma boa representação da BD chinesa, grande potência mundial e com elevada qualidade estética, a qual esteve no centro do muito recente festival de Angoulême (França). A entrada da China no mercado mundial da BD veio alterar a correlação de forças entre as várias áreas do planeta. Se os Estados Unidos são o principal produtor e exportador de BD, o eixo França-Bélgica (20% da indústria editorial reside na BD) e o Japão eram outros pólos fundamentais da indústria.

VIDEOARTE


O
Projecto Videolab vai dar início a um ciclo de apresentações multimedia na Livraria-Café "Gato Vadio" (Porto), a começar em 9 de Fevereiro.

As iniciativas Videolab arrancaram em 2004 e pretendem responder a: o que caracteriza a linguagem do vídeo? Qual o espaço ideal para a sua apresentação? Há um espaço ideal?

A programação é a seguinte: Loud and Clear de Dietmar Krumrey (3' excerto, EUA), The State of Things de Amelia Winger-Bearskin (9', EUA), Entitled As de Arzu Ozkal Telhan (3'31'', Turquia), Gay? de Jean Gabriel Périot (2', França), Packaged Goods de Leah Meyerhoff (1', EUA), Der Bewohner de o habitante (3'06'', Portugal), Ornamental de Anna Chiaretta Lavatelli (1'50'', EUA), Baby Marleena de Erica Eyres (4'30'', Escócia), Falling Down de Jan Hakon Erichsen (53'', Noruega), Mother look what they've done to me (a tribute to Amanda Lear) de Risk Hazekamp (5'20'', Holanda), Gender Bender Hallo de Alison Williams (5'17''’, África do Sul), Perfect de Johanna Lecklin (1', Finlândia), O Burro de Artur Varela (4', Portugal), Ah Pook is Here de Philip Hunt (6', Grã-bretanha/Alemanha), Fine, Thanks de Ruggero Mantovani (1'50'', Itália), Front de Johanna Reich (1'56'', Alemanha) e Slippy Bunny de Corrine Bot (5'40'', Holanda).

domingo, 3 de fevereiro de 2008

INDÚSTRIAS CRIATIVAS


No caderno P2 do Público de hoje, há destaque à ida de Tom Fleming, consultor inglês para as indústrias criativas, ao Porto - a convite de entidades daquela cidade.

À situação de depressão que se vive no Porto e em parte do norte do país, o consultor está convicto de que a aposta na cultura e na criatividade trará retorno (investimentos, emprego sustentado e alegria). Cidades desorganizadas e "criatividade geradora de projectos inovadores" não se anulam, mas esta pode melhorar o comportamento social e cultural daquelas.


O jornalista (Abel Coentrão) segue a carreira de Tom Fleming: programa político em que participou na formação de uma agência para o desenvolvimento das indústrias culturais na Islândia, depois de um doutoramento em Políticas Culturais e um trabalho em Manchester no final da década passada, quando as indústrias criativas e culturais passaram a constar da agenda política governamental inglesa.

Sheffield pode ser o modelo de comparação para o Porto deprimido. Cidade ligada a indústrias tradicionais, caso da indústria metalúrgica, Sheffield perdera 60 mil postos de trabalho em três anos. Depois, foi o palco de projectos musicais como os Cabaret Voltaire, Human League, ABC ou Def Leppard.

Tom Fleming tem três dias de conhecimento do Porto e passou por Lisboa - isto é, não conhece o país. Apesar da possibilidade de repetir êxitos, será que as realidades são aproximadas? Ou as receitas externas ficam-se pela moldura?


Para conhecer melhor Tom Fleming, ver o seu sítio.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

DIGITAL E ANALÓGICO - A CONTINUAÇÃO DA DISCUSSÃO


Não tenho lido Andrew Dubber com atenção, mas a mensagem que ele colocou hoje no seu blogue new music strategies fez-me ler demoradamente o que escreveu.

Partilho o seu ponto de partida e tenho dito exactamente do mesmo modo: a internet é como a electricidade, mas elas diferem nas aplicações: browsers, email, mensagens síncronas, equipamentos. Já não tenho a convicção do que vem a seguir, por não ser a minha especialidade: quando se usa a internet para fazer música on-line, o efeito é parecido com o secar o cabelo com uma torradeira.

Mais à frente, volta a um território que já me é mais familiar, o da distinção entre media analógicos e media digitais:

Os media analógicos são contínuos. Pensemos no sulco de uma gravação ou no fluxo de uma onda electromagnética. Por outro lado, os media digitais são descontínuos. Pensemos nas cópias [samples] individuais que surgem num CD. Para um indivíduo analógico de nove anos (Andrew, 1976), começava-se no começo de uma imagem [slide] e continuava-se num movimento suave até ao final, momento a momento. Para uma criança "digital" [aspas minhas] (Jake, 2001), começa-se na imagem inicial, mas pode saltar-se, ou voltar atrás, lento ou em rápida mudança, até se chegar ao fim.

E, logo depois, continuo a seguir o seu raciocínio:


Os media digitais, sendo feitos a partir de componentes partilhados universalmente (isto é: os zeros e uns), dividem-se facilmente nas suas partes e misturam-se com outras coisas digitais, dando origem a uma coisa nova. Todos os textos são hipertextos. Compreender os textos mediáticos quer dizer compreender o resultado de relacionamento entre coisas. Ver um filme também envolve visitar o IMDb ou um blogue de fãs, e procurar colocar o filme numa rede conceptual de filmes feitos por um dado realizador, com um actor específico, ou um género específico.

Bom, o resto pode ser lido
aqui.

LIVRO DE RITA FIGUEIRAS


No passado dia 22 de Janeiro, Rita Figueiras lançou o seu livro O comentário político e a política do comentário, com prefácio de J. M. Paquete de Oliveira.

Com a presença do reitor da Universidade Católica Portuguesa, Professor Manuel Braga da Cruz, a apresentação coube a José Pacheco Pereira, historiador, docente universitário e comentador político.

O vídeo seguinte inclui uma das partes da apresentação do livro:


AGENDAS CULTURAIS


Das três agendas culturais (Oeiras, Lisboa, Cascais), destaco uma entrevista dada por José Atalaya, maestro, a Carla Rocha (30 Dias).

De 80 anos, ainda cheio de projectos, o maestro conta como começou a sua paixão pela música, de que não gostava. Preferia aviões, mas não pode seguir. Depois, ouviu uma palestra na rádio sobre Beethoven. E apaixonou-se pela música e ensinou música a muita gente. Por mim, ele é uma espécie de Bernstein português, que ensinava música durante os concertos.


MAGAZINE ARTES


Na edição nº 59 da Magazine Artes, com uma capa tirada do filme Tattoolst, a estrear no Fantasporto, o director Pedro Teixeira Neves chama a atenção para o texto de Vítor Silva Tavares, director da editora e colecção de livros &Etc.

Tavares, que se recusa a aceitar os setenta anos que lhe dá o Bilhete de Identidade, ganhara um prémio de revelação no Jornal do Comércio, de 202 escudos (perto de um euro, na actual moeda). Auto-avaliando-se como ingénuo (acredita nas pessoas), cinéfilo (nos velhos espaços desaparecidos, como o Cinearte e o Paris) e "fazedor" de documentários de 16 mm (indo até à África ocidental, havendo quem tenha feito dele o pioneiro do cinema de ficção angolano), considera três elementos fundamentais na sua existência: tabaco, mão & esferográfica.

Vítor Silva Tavares escreve contos e críticas de cinema. É quando aparece o & etc como magazine cultural do Jornal do Fundão, originando depois uma "chafarica amadora" (nas palavras do próprio) que "teima em publicar best-sellers de 300 exemplares desde há 35 anos". E as histórias em torna do magazine, da editora (e da sua vida) são muitas, desde ir ao gabinete do director da Censura a "protestar contra um corte mais imbecil do que é costume", as conversas com Mário Cesariny, Almada Negreiros ou Luís Pacheco, as filmagens com Manuel Costa e Silva em Festa, trabalho e pão, o escasso tempo para aprontar o suplemento literário do Diário de Lisboa. Os livros da & etc bateriam aliás um record do Guiness com mais exemplares devolvidos do que os da própria tiragem! Isto segundo a distribuidora.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

NOBRE-CORREIA NO DIÁRIO DE NOTÍCIAS


A partir de amanhã, José Manuel Nobre-Correia, professor da Universidade Livre de Bruxelas, passa a colaborar com o Diário de Notícias. A rubrica chamar-se-á Planeta Media.

Ao professor e ao jornal endereçamos as maiores felicidades.

CINEMA EM ESTUDO DO OBERCOM



Cinema em Ecrãs Privados, Múltiplos e Personalizados. Transformação nos consumos cinematográficos, de Rita Cheta, é o estudo mais recente do OberCom.

Lê-se no seu começo: "Na estrutura de apresentação do presente estudo, procurou-se responder a um conjunto diversificado de objectivos organizados analiticamente do seguinte modo: 1) Identificar as características mais significativas em termos do consumo cinematográfico na sociedade portuguesa, salientando a penetração das várias gerações de media e equipamentos tecnológicos e o seu papel nas transformações nos modos de consumo; 2) Captar o sentido das potenciais transformações nos modos de consumo dos conteúdos cinematográficos no seio da população portuguesa; 3) Caracterizar os principais perfis de consumo e do consumidor de conteúdos cinematográficos; 4) Identificar exploratoriamente alguns factores condicionadores de um crescimento rápido e generalizado desses consumos, designadamente os consumos cinematográficos/audiovisuais em banda larga".

Inquérito extensivo por questionário, através de uma entrevista directa, o "estudo permitiu a identificação de 4 Perfis de Consumo e de Consumidor de Conteúdos Cinematográficos, que remetem para diferenciados perfis sóciotecnológicos presentes na sociedade portuguesa actual" (p. 39).


Assim, o estudo traça os perfis de: 1) não consumidores (cine-excluídos), perfil residual e em desaparecimento, 2) 1ª geração tecnológica (cine-convencionais), em erosão, caracterizados pelo convencionalismo nos seus modos de consumo cinematográficos, de tipo massificado e em mono-plataforma (TV), 3) 2ª geração tecnológica (cine-integrados), perfil maioritário e caracterizado "pela forte penetração do consumo de DVD na esfera doméstica e da regularidade intensiva do seu uso", com domiciliação dos consumos combinada com idas às salas de cinema, e 4) 3ª geração tecnológica (cine-inovadores), perfil minoritário mas em crescimento e afirmação, caracterizado pela "multiplicidade, personalização, interactividade e inovação nos seus modos de consumo de conteúdos cinematográficos", através da "mobilidade dos equipamentos tecnológicos para visualizar conteúdos de cinema e multimedia".

Pela extensão e riqueza do texto, aconselho a sua leitura no sítio do OberCom.

EDWARD HOPPER


Edward Hopper (1882-1967) estará em exposição no Art Institute of Chicago (EUA), de 16 de Fevereiro a 10 de Maio. É pena ficar tão longe!

Retiro da revista Magazine Artes deste mês:
  • Mestre do intimismo, pintor realista, a solidão e a introspecção são dados fundamentais da sua pintura, que ao mesmo tempo repercute em muito o ser e a essência do american life style.



[imagem retirada do sítio Art Institute of Chicago, óleo sobre tela Nighthawks, de 1942]

OS MEDIA SEGUNDO DEVEREUX


Para Devereux, vivemos num mundo saturado de media, confrontados com mensagens e imagens distribuídas por conglomerados de media. Os media têm a capacidade de estabelecer comunicação com muitas pessoas de diversos níveis sociais.

O autor fala de cinco modos de conceptualizar os media para além da simples imagem de emissor e receptor: 1) textos mediáticos como produtos culturais de significado social, cultural e político, 2) media como indústrias ou organizações, 3) media como agentes da mudança social e globalização, 4) textos mediáticos como bens/serviços produzidos pelas indústrias mediáticas, e 5) media como agentes de socialização e poderosas fontes de significado social.

Devereux fixa oito temas centrais: 1) significado e extensão da globalização dos media, 2) propriedade e controlo dos media, 3) forças dentro e fora das organizações mediáticas que modelam a criação dos produtos mediáticos, 4) qual o melhor modo de analisar o conteúdo mediático, 5) como é que os textos mediáticos representam o mundo social, 6) peso democrático dos media em termos de acesso e participação da audiência, 7) de que modo são as audiências agentes activos na construção de significado, e 8) qual o impacto das tecnologias sobre a sociedade e o seu peso sobre a mudança social.

Em Understanding the media – título que nos remete imediatamente para McLuhan e em que parte substancial do livro pode ser lida aqui –, Devereux analisa o modo como os conglomerados de media monopolizam a propriedade e a distribuição de acontecimentos culturais, caso da compra e controlo de eventos desportivos e clubes de futebol. E escreve que, a par da concentração, se assiste a uma perda de importância da esfera pública mediática, o que traz consequências a notícias, reportagens e jornalismo de investigação. As notícias tendem para o entretenimento, populismo e "infotainment" e as audiências tornam-se consumidores e não cidadãos.

Docente da Universidade de Limerick (imagem dele com estudantes, retirada do sítio da sua universidade), Eoin Devereux [e-mail: eoin.devereux@ul.ie] tem interesses em sociologia cultural e económica, focada especialmente em análise dos media, exclusão social e pobreza, que ele tem estudado relativamente à Irlanda.

PINTURA EM RUI JORDÃO


Rui Manuel Jordão foi jogador de futebol, tendo passado pela selecção nacional e por clubes como o Benfica ou o Sporting. Era conhecido por Jordão - quem não se lembra da elegância dos seus passes?

Agora, ele assume a faceta de artista plástico, expondo no Museu do Vinho Bairrada (Anadia) as suas "figuras com tinta".

Nascido em Benguela (Angola), mas com nacionalidade portuguesa, da sua biografia fica a saber-se que concluiu, em 1970, os estudos na Escola Industrial e Comercial Venâncio Deslandes. Mais perto de nós, nos anos lectivos de 1997 a 2001, conclui Pintura e Desenho, Introdução à Historia da Arte, História da Arte do séc. XX, Temas de Estética e Teorias da Arte Contemporânea, na Sociedade Nacional de Belas-Artes, em Lisboa. Frequentou também o Curso de Modelagem, ministrado pelo escultor Sebastião Quintino, e o atelier livre de pintura, com o pintor Jaime Silva. É fundador do grupo Metamorfosis.



Para além da pintura de Rui Jordão, o museu apresenta mais duas exposições: "travo a barro e pedra", esculturas de José Plácido, e pintura do mestre Cândido Teles (1939-1999), patentes até 9 de Março.

Os meus agradecimentos a Pedro Dias (Direcção do Museu do Vinho Bairrada).