terça-feira, 17 de junho de 2014

À procura do repórter Esso

Wedekind

O Despertar da Primavera, do dramaturgo alemão Frank Wedekind, escrito em 1890-1891, subiu ao palco do Teatro Universitário do Porto.

A peça trata do tema de adolescentes que andam à volta da sexualidade entretanto descoberta. Wendla Bergmann faz 14 anos no começo da peça. A mãe pretende aumentar a saia, por ter chegado a adolescente; ela quer saber como nascem os bebés. A mãe recusa, temendo um castigo superior. Melchior Gabor tem também 14 anos, e faz perguntas sobre religião, ética e sexualidade. Num dos seus encontros com Weldla, viola-a e engravida-a. O aborto comandado pela mãe da rapariga não corre bem e ela morre. Moritz Stiefel, o melhor amigo de Melchior, tem dúvidas constantes e suicida-se. Os pais de Melchior mandam-no para um reformatório. Após uma reunião do conselho de professores do colégio onde anda, sobre ele pende a acusação de responsável pelas mortes de Wendla e Moritz. Ilse, amiga de infância dos três, amante de vários pintores, é a última pessoa que fala com Moritz.

Nuno Matos, que agora encena a peça, escreve: "Os assuntos de que trata permanecem hoje bem presentes numa sociedade que continua a olhar com hipocrisia e medo para a educação sexual dos seus filhos". Mas a peça fala também do despertar do amor e da amizade. No texto que acompanha a peça, os alunos do TUP agradecem ter frequentado o curso. Por mim, foi um prazer ver a peça, embora nem sempre a interpretação fosse a melhor. Críticas maiores: o sotaque demasiado regional; o grande entusiasmo que faz esquecer a necessidade de atores em personagens mais compenetradas. Boa cenografia de Marta Pereira, Orlando Gilberto-Castro e Tiago Ascensão.

A morte dos jornais

"Eu acabei o curso de Ciências de Comunicação em 1998 e nesse ano comecei a trabalhar na secção de cultura do Diário de Notícias. O meu editor chamava-se Eurico de Barros e o editor adjunto chamava-se Nuno Galopim. São pessoas que dispensam apresentações no meio jornalístico português. Os dois foram despedidos do DN no final da semana passada, no decorrer de um processo de despedimento colectivo que afastará dos quadros da Controlinveste mais 158 pessoas. Decidi trazer os seus nomes para aqui porque é importante dar cara aos números e para que se perceba que ir para a rua deixou há muito de ser sintoma de incompetência ou de falta de empenho. Já não há forma, para utilizar a linguagem política, de «cortar na gordura». Tudo é carne. Quando eu saí do DN em 2007, o Eurico teria perto de duas centenas de folgas em atraso. Não sei quantas terá hoje. Nós gozávamos com ele por causa disso. A sua vida era aquele jornal, folgava em média um dia por semana. E não era só suor – muito pouca gente nesta terra escreve tão bem, com tanta elegância, tanta ironia e tanto sentido de humor quanto ele. Quando trabalhar muito e bem já não chega para mantermos o emprego, pela simples razão de que, ao fim de 30 anos de carreira, ter um salário de dois mil euros é considerado uma extravagância, então o nosso trabalho serve para quê?" (início do texto de João Miguel Tavares, hoje no Público, http://www.publico.pt/sociedade/noticia/a-morte-dos-jornais-1650568).

Volto de novo à questão. Não tenho comentários a fazer. Só me fica um imenso desapontamento e uma grande tristeza.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Regresso a casa

Regresso a Casa, peça de Harold Pinter e encenação de Jorge Silva Melo é a história de uma família de um pai e três filhos, mais um tio, em que o primogénito regressa a casa depois de uma ausência de seis anos, nos arredores de Londres. Família da classe trabalhadora (um taxista, um talhante de carne, um empregado que treina boxe para ser profissional, um profissional ligado à prostituição). O filho regressado (Teddy, Ruben Gomes), professor universitário nos Estados Unidos, traz a mulher.

O pai Max (João Perry) ocupa o centro da cena. O seu sofá é o trono sob o qual tudo gira. No final, a mulher, que deixa partir o marido sozinho, senta-se no sofá, evidência que aquele lar passa a rodar em torno dela. Em diálogos duros, repetitivos e sincopados, como se de monólogos se tratassem, vamos começando lentamente a saber da história da mulher, mãe de três filhos. Antes do casamento, Ruth (Maria João Pinho) fora modelo e os filhos tinham então nascido. Ela crescera perto do sítio onde Max e a família moravam, e voltava, fazendo um arco completo: nos Estados Unidos havia muita areia e muito pó. A economia doméstica do lar alterava-se: embora com um pequeno investimento de cada membro da família, a mulher regressada trataria do lar e o dinheiro obtido por ela na prostituição daria prosperidade ao lar. A mulher, afinal, ocupava o lugar vago de Jessie, a mãe prostituta e que Lenny (Elmano Sancho) vinga com Ruth. Sam, o tio (Jorge Silva Melo) contou uma história da cunhada já falecida e desmaiou. Antes, filosofara Max: "Se calhar não é má ideia ter uma mulher em casa. Se calhar até é uma coisa boa. Quem sabe? Se calhar devíamos ficar com ela".

Boa representação, sala quase cheia no dia da estreia da peça no Teatro S. João (foto da companhia Artistas Unidos).

sábado, 14 de junho de 2014

A notícia mais triste da semana: os despedimentos no grupo Controlinveste

Dia 11 de Junho, a opinião pública tomava conhecimento do despedimento colectivo de 160 trabalhadores do Grupo Controlinveste, dos quais 140 através de um processo de despedimento colectivo e 20 de rescisões por mútuo acordo, abrangendo um total de 64 jornalistas, com muito impacto no Diário de Notícias, Jornal de Notícias, O Jogo, Global Imagens e TSF (http://www.jornalistas.eu/?n=9264). Por exemplo, João Paulo Baltazar foi despedido por ganhar o salário mais alto da TSF no conjunto das equipas de informação, mas o repórter fotográfico Jorge Carmona (Global Imagens) também foi despedido, apesar de ganhar o salário mais baixo da sua empresa (http://www.publico.pt/portugal/noticia/jornalistas-protestam-em-lisboa-contra-despedimentos-na-controlinveste-1639661).

O Conselho de Administração da Controlinveste é presidido por Daniel Proença de Carvalho após a recomposição acionista, onde entraram os empresários António Mosquito (27,5%) e Luís Montez (15%), além dos bancos BCP e BES (ambos com 15%). O anterior proprietário, Joaquim Oliveira, passou a deter 27,5%. (http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=744330&tm=6&layout=121&visual=49). Recorde-se que em 2009 a Controlinveste já despedira 122 trabalhadores (http://www.tvi24.iol.pt/economia---emprego/jornalistas-protesto-controlinveste-tvi24/1559695-6374.html).

quinta-feira, 12 de junho de 2014

António Luís Campos expõe fotografias

Após a conclusão da licenciatura de engenharia electrotécnica e voluntário em organizações não governamentais, António Luís Campos dedicou-se à fotografia (além de líder de viagens). Há dez anos assina colaborações para a National Geographic Magazine. O autor, que gosta de fotografar deltas e a vida fluvial, expõe agora algumas dessas fotografias e outras não publicadas na revista. Muitas dessas fotografias, ele precisa de entrar na intimidade dos fotografados, para o que prepara a situação e procura transmitir o que vê.

Tudo começou quando um dia abordou um fotógrafo americano e lhe perguntou quais os critérios para produzir uma reportagem (fotografias e texto). O primeiro trabalho de António Luís Campos publicado foi o de uma borboleta bombardeira. Natureza, vida quotidiana e tecnologia e seus bastidores são áreas que tem explorado visualmente.


Na conferência que ele deu, falou da experiência de acompanhar uma patrulha da neve da serra da Estrela, em condições de muito frio. Aí, o restaurante e a tasca são portos de abrigo e onde explorou com mais proximidade os estados de alma dos elementos da equipa. Os trabalhos de fotografia demoram tempos variados, de um dia a semanas ou meses. Um dos temas que explorou na conferência foi o acompanhamento de uma actividade forense, que durou cerca de dois anos. Um outro trabalho referido foi o de azulejos dos séculos XVI e XVII com sinais de geometria e matemática, recursos didácticos usados nesse tempo. Outros destaques na revista foram dados a trabalhos sobre a cortiça, onde o espaço de escrita e fotografia foi além de 20 páginas, e energia eólica.

Pode ser visitado em http://www.antonioluiscampos.com/.

domingo, 8 de junho de 2014

Florência

Nos últimos três anos, procurei informações sobre a fadista Florência Rodrigues para um trabalho sobre rádio. A sua relação muito próxima com Domingos Parker, empresário da rádio e do mundo do espectáculo localizado no Porto, podia elucidar-me melhor sobre o seu percurso profissional. Não consegui, com muita pena minha.

Curiosamente, uma entrevista publicada em 20 de Março de 1971 pela revista Rádio & Televisão, impressa em papel muito mau, responde ao que eu queria saber. O texto começa assim: "Uma figurinha mignonne, uns olhos que parecem estar sempre a sorrir". Mignonne pode traduzir-se por bonitinha, ou charmosa ou graciosa. Entrevistada por Manuel Dias, depois conceituado jornalista do Jornal de Notícias, ela narraria o seu começo da actividade de "cantar mais ou menos a sério aos treze anos, num programa dirigido pelo Domingos Parker, a Hora do Garnisé. Houve um concurso de fadistas, eu concorri e fui a Rainha das Cantadeiras do Norte. Fui, depois, a Lisboa cantar num concurso idêntico de carácter nacional, voltei a ganhar e fui eleita Rainha das Cantadeiras de Portugal no Coliseu dos Recreios. Lembro-me que a terceira classificada foi a Natércia da Conceição".

A fadista iria depois para o Brasil e fez carreira durante cerca de dez anos. Ela não explica as razões da sua partida mas alude a uma razão da volta: a ausência do país de origem. Hábil, o jornalista pergunta-lhe porque se instalou no Porto e não em Lisboa, onde havia muitos recintos para trabalhar, teatro de revista e televisão. À resposta dela, a indicar ir cantar no mês seguinte a França e estar a planear ir aos Estados Unidos, o jornalista concluiu: "sempre é alguma coisa". Florência forneceu dados da sua discografia: seis composições a incluir num LP, que ainda teria mais cantigas de outros discos. No Brasil, ela gravara dois LP, tendo começado por gravar em 78 rotações por minuto, sistema à altura já anacrónico. Uma música muito conhecida da fadista seria Recado a Lisboa, de autoria de João Villaret.




sábado, 7 de junho de 2014

Feira do Livro

Foi hoje ao final da tarde lançado o livro A História na Ficção Televisiva Portuguesa, livro coordenado por Catarina Duff Burnay (ver curto vídeo abaixo) e com capítulos assinados pela responsável da obra e por José Miguel Sardica (idem), Eduardo Cintra Torres (idem), Rogério Santos, Carlos Capucho e Pedro Lopes.



Coliseu do Porto

Leio no Público online: "Dezoito anos após uma megamanifestação em defesa da continuidade do Coliseu do Porto como principal sala de espectáculos da cidade, o equipamento volta a estar em risco. Se nada for feito para solucionar o prejuízo registado nas contas de 2013, o presidente da Associação dos Amigos do Coliseu, José António Barros, admite que a sala pode, em último caso, «fechar»". As contas ontem aprovadas na assembleia da associação apresentam um saldo negativo de 129 mil euros. O encerramento do Coliseu seria uma perda para a cidade do Porto e para a zona da cidade onde a sala está incluída. Há 18 anos, houve um movimento contra a afectação da sala a uma nova função, que foi travada. Espero que haja, de novo, uma solução. De Lisboa, mando um abraço de solidariedade para que tal não aconteça.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Cultural Industries

"Canada’s cultural industries, driven by internationally-recognized innovators and entrepreneurs, play an important financial role.  Culture contributes more than $46 billion, accounting for 7.4% of Canada’s GDP, and more than 640,000 jobs to our economy. Canada’s cultural industry is three times bigger than our insurance industry and twice the size of our forest industry. At the provincial level, cultural industries are booming.  In Ontario alone, the creative industry GDP is now larger than the province’s energy industry, is approaching 70% of the auto manufacturing sector and surpasses those of agriculture, forestry and the mining sectors combined. Cultural industries create jobs, build relations between arts and business, revitalize urban areas, attract skilled workers and create spin-off businesses. Understanding this dynamic is at the heart of Global Public Affairs’ Cultural Industries practice offering, and consultants are engaged in a number of key areas affecting the sector including:
  • Copyright reform and intellectual property issues, including government mandated review of the Copyright Act in 2017
  • Levy and tariff applications before the Copyright Board of Canada
  • Funding support programs including the Canada Book Fund, Canada Media Fund, and Canada Music Fund as well as a variety of programs available for performing arts, festivals, museums and galleries
  • Canadian Radio-television and Telecommunications Commission hearings, reviews and studies
  • Digital Canada 150 strategy and its impact on sectors ranging from videogames to music, TV to experimental digital art
  • Infrastructure funding for cultural projects through the Building Canada Fund and Cultural Spaces Fund
  • International treaty negotiations, such as the Comprehensive Economic and Trade Agreement (CETA) between Canada and Europe, and the Trans-Pacific Partnership, to ensure the protection of creators’ rights
  • Monitoring federal and provincial parliamentary committees and political initiatives
"Global Public Affairs consultants have worked with a wide range of projects across all areas of the arts and culture community including music industry associations, collectives representing songwriters, recording artists, music publishers and record companies, film and television screenwriters, newspaper publishers, urban development organizations, performing arts centres and museums.  A number of these engagements have been undertaken with clients based in Quebec where cultural issues tend to have a higher profile in a unique environment" (http://globalpublicaffairs.ca/practice_group/cultural-industries/).

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Arquivo fotográfico da Lusa em formato digital

São mais de três milhões de imagens agora digitalizadas em http://lusa.fotos.sapo.pt. A fotografia mais antiga é de 1913. Elas retratam alguns dos principais acontecimentos da história de Portugal e do Mundo (dica de Maria João Nogueira, no Facebook).

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Cinquenta anos da Radio Caroline

 

Esqueci-me de escrever sobre os cinquenta anos da Radio Caroline, que entrou a funcionar em 28 de Março de 1964, no sábado de Páscoa. Caroline era o nome de um barco registado no Panamá e propriedade de uma empresa baseada no Liechtenstein e comprada pela Planet Productions, uma empresa registada na Irlanda e que pertencia à Planet Sales, entidade que vendia publicidade na primeira estação comercial de rádio na Grã-Bretanha. Logo à partida, um imbróglio de registos e empresas.

Um anúncio da estação seria: "Esta é a Radio Caroline em 199 [metros], uma estação que emite música todo o dia. Estamos no ar todos os dias das seis da manhã até às seis da tarde. A hora certa é meio-dia e um minuto e este é o programa de Christopher Moore" (Clark, 2014: 13). Além de Moore, o outro locutor era Simon Dee. O barco, com o capitão Baeker e da sua tripulação, tinha dois engenheiros suecos especializados em produção e transmissão de rádio.

O que se destaca fisicamente do barco como mostra a fotografia é a sua antena, de 51 metros de altura, o que o parece desequilibrar. O barco, ancorado fora das águas territoriais da Grã-Bretanha a nordeste de Felixtowe, atingindo Londres e todo o país mas também chegando à Holanda, Bélgica e França através dos dois emissores de 10 kW. Parecendo emissores de pequena potência, eles estavam sobre o mar, o que facilitava a propagação. O custo da transmissão era avaliado em 260 libras por semana, uma verba muito avultada para a época.

Em 1964, o monopólio de rádio na Grã-Bretanha, a BBC, era posto em causa. Como o barco estava em área internacional, a legislação e o poder militar a ela associado não podiam actuar. Mas também as associações discográficas procuraram impedir a transmissão de música, reclamando a cobrança de direitos de autor dos músicos. E os ouvintes da estação eram avisados pelos Correios de que não podiam ouvir estações ilegais sob pena de pagarem multas, o que se revelou paradoxal dado o número de cartas enviadas à estação em seu apoio. Os programas da BBC eram vistos como aborrecidos. E os anunciantes aproveitaram-se da novidade oferecida pela rádio pirata para colocarem aí muita publicidade, a necessária sobrevivência da estação. A locução era calma e informal, o que atraia quem a ouvia.

No dia do primeiro aniversário da Radio Caroline, quatro prémios especiais eram atribuídos pela estação: The Animals (House of Rising Sun), Petula Clark (Downtown), Tom Jones (It's not Unusual) e Beatles. Em 1966, Emperor Rosko entrava como dj na estação a ganhar 70 libras semanais e com um estilo próprio, tipo "Grande Cassaboo, eu tenho alguma coisa especial para o teu papá e a tua mamã, feliz por te ter no programa". Quando os Beatles foram aos Estados Unidos em Agosto de 1966, havia três dj de estações operando no mar da Grã-Bretanha. A música pop singrava muito devido às estações piratas de que a Caroline se tornou um ícone.

Leitura (apressada): Ray Clark (2014). Radio Caroline and the True Story of the Boat that Rocked. Stroud, Gloucestershire: The History Press, 256 páginas

terça-feira, 3 de junho de 2014

A rádio em Fernando Curado Ribeiro

Fernando Curado Ribeiro (1919-1995) publicou em 1964 o livro Rádio. Produção, Realização, Estética, já com o programa Sintonia 63 no ar. Sintonia 63 fechava o ciclo de 24 horas de emissão contínua do Rádio Clube Português.


O livro Rádio. Produção, Realização, Estética, agora com cinquenta anos de edição, divide-se em três partes e treze capítulos. A primeira parte, Produção Radiofónica, tem três capítulos: Exploração Radiofónica, Rádio e Cultura, O Ouvinte. A segunda parte, Realização Radiofónica, tem cinco capítulos: Rádio Teatro (texto, montagem, realização, ensaios, ambientes, relevo sonoro, ruídos e trucagem, música, interpretação, montagem final; Início da Arte Radiofónica. Nova Estética), Rádio Informação (noticiários, rádio repórter e rádio reportagem, terminologia e sinais usados na realização radiofónica), Voz. Palavra Falada, Textos. Palavra Escrita, Formação Profissional do Pessoal da Rádio (realização; considerações, cursos e aplicação prática). A terceira e última parte, Estética, tem quatro capítulos: Cânones da Estética Radiofónica, Possibilidades de uma Estética Aplicável à Rádio Publicidade, Integração da Rádio numa Estética Geral, Caminho e Resistências da Obra de Arte Radiofónica.

A sua leitura está a ser inspiradora.

sábado, 31 de maio de 2014

Ficção histórica televisiva

A História na Ficção Televisiva Portuguesa é um livro coordenado por Catarina Duff Burnay agora publicado e com capítulos assinados pela responsável da obra e por José Miguel Sardica, Eduardo Cintra Torres, Rogério Santos, Carlos Capucho e Pedro Lopes, todos docentes da Universidade Católica Portuguesa.

Como aborda a introdução, assinada por Catarina Duff Burnay e José Miguel Sardica, "a ficção televisiva sempre se constituiu como um produto âncora na definição das grelhas de programação. Histórias inspiradas na realidade e na memória são produzidas pelos canais públicos e privados de maneira continuada, arrastando audiências de forma transversal" (p. 13).

Os autores dos capítulos debruçaram-se cada um sobre uma série ou telefilme de ficção histórica. Assim, Eduardo Cintra Torres escreve sobre A Raia dos Medos (RTP1, 2000), Rogério Santos sobre A Vida Privada de Salazar (SIC, 2009), Carlos Capucho sobre Até Amanhã Camaradas (SIC, 2005) e Pedro Lopes sobre Conta-me Como Foi (RTP, 2007-2011). Um dos capítulos fundamentais deste novo livro é intitulado Os Temas da Ficção Histórica Audiovisual em Portugal (1909-2013), assinado por Catarina Duff Burnay e Eduardo Cintra Torres. Aqui, os dois autores escrevem: "pretendemos comparar a produção da memória histórica ficcional no audiovisual desde 1909, procurando continuidades e contrastes nos temas trabalhados pelo meio de massas audiovisual dominante em cada período" (p. 29), incluindo cinema, teleteatro e ficção dramática televisiva nos canais generalistas.

O trabalho agora publicado, que resulta de uma investigação desenvolvida nos últimos anos e com apresentação em congressos nacionais e internacionais, será lançado no próximo sábado, dia 7, pelas 17:00, no pavilhão da Universidade Católica Editora, na feira do livro de Lisboa.

Catarina Duff Burnay é responsável da licenciatura de Comunicação Social e Cultural da Universidade Católica Portuguesa, dirigente da Faculdade de Ciências Humanas daquela universidade e coordenadora da equipa portuguesa do Observatório Iberoamericano da Ficção Televisiva (OBITEL). O outro membro que assina a introdução, José Miguel Sardica, é o director da mesma Faculdade de Ciências Humanas.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

A rádio em Arnheim

Rudolf Arnheim publicou o livro  Radio no mesmo ano em que Walter Benjamin divulgou o texto A Obra de Arte na Era da Reprodutibilidade Técnica - 1936. Ambos judeus, ambos malditos. Arnheim preparara o livro desde finais da década de 1920, interessado na emergência dos novos media (rádio, primeiro, televisão, depois). O gramofone, o telefone, o cinema sonoro e a expansão da imprensa corriam a par da reprodução (fotografia e cinema, tecnologias e meios de expressão trabalhados por Benjamin, que escrevia sobre a perda da aura ou do sentido único da obra pela reprodução que alargava o conhecimento e tornava democrático o acesso às obras). O magnetofone (o gravador de som) estava também a aparecer. Foi igualmente um tempo muito duro, com as ditaduras e o fascismo e o nazismo, que conduziram a um grande desastre na Europa.

Arnheim (1904-2007) começara a sua actividade profissional como jornalista e cronista em jornais e revistas, caso do jornal satírico Stachelschwein e de Weltbühne, este um meio ligado à esquerda política e interdito logo em 1933. Arnheim estudara história da arte e escreveu uma tese sobre psicologia da arte dentro da perspectiva da Gestalt. Aliás, a área mais conhecida dele foi essa. Lembro o livro Arte e Percepção Visual, texto que me deu muito trabalho a ler e trabalhar há mais de vinte anos. Em 1932, Arnheim escrevia O Filme Enquanto Arte, onde abordou a imagem fílmica. Os seus trabalhos sobre a rádio seguiram muito o raciocínio teórico aplicado ao cinema. No ano seguinte, devido à ascensão de Hitler ao poder, ele abandonou a Alemanha e instalou-se em Roma, onde o editor Ulrico Hoepli lhe encomendou uma enciclopédia do cinema, tarefa não completada devido às leis raciais de Mussolini. Mas foi em Itália que Arnheim escreveu em inglês Radio (1936), com a tradução italiana em 1937 (La Radio Cerca la sua Forma) e alemã apenas em 1979. Arnheim, após uma passagem pela Inglaterra, foi viver e trabalhar para os Estados Unidos, onde ensinou na Universidade no Exílio na New York School for Social Research e em universidades como Harvard e Michigan.

Direcção e distância, o ouvido e a sua imagem do mundo, a reverberação, o elogio da cegueira [a rádio não permite ver, ou o audível por supressão do visível], a arte de falar e a sonoplastia são alguns dos tópicos tratados nos capítulos do livro. Arnheim acreditava que a televisão mataria a rádio, do mesmo modo que o cinema mudo fora extinto pelo sonoro. Para ele, a televisão resultaria do casamento do cinema com a rádio, sendo esta a rainha do ouvido, da palavra, da literatura e da música (p. 269). Interessante a perspectiva, com Arnheim a falar em tubos de raios catódicos mesmo no começo da televisão (antes da II Guerra Mundial) - a televisão acabaria com a diferença do teatro, transmitiria filmes e peças de teatro, seria púlpito de conferências e cenário de concerto (p. 262).

A voz, a montagem radiofónica, a ideia de Hörspiel (peça para ouvir, peça radiofónica) que ultrapassava o teatro radiofónico e se assumia como todo o trabalho da rádio. Ainda não havia o registo magnético e algumas das imagens gráficas do livro dão conta de um tempo em que a emissão radiofónica ainda sentia problemas, caso dos ruídos, mas em que a divulgação universal se fazia. Um exemplo: o Papa transmitia a partir de Rádio Vaticano para todas as nunciaturas do mundo através de ondas curtas (p. 225). Arnheim também dava uma importância muito grande às estações públicas e ao modo como ela podia formar os gostos da população, num sentido pedagógico e popular. Aí, não andava muito longe de Brecht.

Leitura: Rudolf Arnheim (2005). Radio. Lot: Van Dieren Éditeur

domingo, 25 de maio de 2014

Ié-Ié - memórias musicais dos anos 60

Daniel Bacelar, Claves e Ekos tomaram ontem conta do palco da Associação Desportiva e Cultural da Encarnação e Olivais, apresentados por Teresa Lage. Foi um fantástico retorno à música da década de 1960. Tudo devido ao lançamento do livro de Luís Pinheiro de Almeida, Biografia do Ié-Ié, que aqui já retratei, e ontem apresentado por Nuno Galopim, jornalista e realizador de programas de rádio na Radar.

Daniel Bacelar foi o primeiro músico português a gravar um disco de rock, então com 17 anos, com Fui Louco por Ti e Nunca (lado A; o lado B pertenceu aos Conchas). Na apresentação do livro, Nuno Galopim falou de memórias da alvorada da música pop rock portuguesa, vinda de finais da década de 1950. Para ele, esta corrente de música nasceu em Coimbra, de uma banda que não chegou a gravar, os Babies, de que fazia parte José Cid. O critério de entrada no livro de Luís Pinheiro de Almeida seria o das bandas que editaram discos. O livro, que começara por ser uma biografia dos Sheiks, acabou por se alargar no tempo - antes e depois.

Nuno Galopim chamou ainda a atenção de como a ditadura se soube aproveitar do entusiasmo da "rapaziada" em tocar guitarra. Enquanto fazia isto, "não se metia na política", como então se dizia. E lembrou o momento mítico da organização do concurso de rock pop organizado pelo Movimento Nacional Feminino entre 1965 e 1966 no Teatro Monumental e apoiado pelos media controlados pelo Estado. Não havia uma agenda política nos músicos, consciencializados logo depois, como um disco do Quarteto 1111 iria revelar.



sábado, 24 de maio de 2014

A Lancheira (2013)

Filme realizado por Ritesh Batra, com Irrfan Khan, Nimrat Kaur e Nawazuddin Siddiqui, tem duas histórias, a primeira delas antropológica, a dos dabbawalas de Mumbai [मुंबई], capital do estado indiano de Maharashtra, comunidade de mais de cinco mil entregadores de dabbas (lancheiras ou marmitas). Os dabbas entregam nos escritórios as refeições vindas das cozinhas das donas de casa e restaurantes, devolvidas ao fim do dia às respectivas casas. A entrega envolve diversos meios de transporte e a entrega é feita por analfabetos que usam um sistema de código de cores e símbolos para as entregar.

A história do filme é a de Saajan (Irrfan Khan), contabilista viúvo, que começa a receber a marmita de Ila (Nimrat Kaur), jovem mulher desprezada que procura reconquistar o marido através de pratos saborosos. Ela descobriu imediatamente a troca das lancheiras mas, em vez de reparar de imediato o erro dizendo ao marido ou ao dabba, estabeleceu um diálogo com o receptor da alimentação através de mensagens em bilhetes no fundo da marmita. Assim, começa uma troca de confissões até à marcação de um encontro. Aí, embora sem dialogarem directamente, Saajan compreende estar muito velho para avançar com o contacto. No próximo bilhete, ele escreve não poder acabar com os sonhos da jovem mulher mas dá conta dessa diferença de idade e de perspectivas de futuro, o que significa um corte definitivo nessa relação através de mensagens.

No filme, há uma calma imensa, um olhar intenso sobre os sentimentos humanos, a percepção de vidas vazias, cuja rotina acaba por destruir os ideais. Vidas que decorrem entre casa e o emprego, aqui com tarefas repetitivas, onde cada um procura ocupar o lugar do outro, no transporte público como no emprego. O filme não conclui, deixa pistas ao espectador.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Encyclopédie de la Parole

"É um concerto vocal", dizia um espectador a alguém com que se cruzou à saída. Concerto de vozes, pensei.  Desde 2007, a Encyclopédie de la Parole, dirigida por Joris Lacoste, vem recolhendo registos e repertório de fenómenos particulares da palavra, tais como cadência, compressões, melodias, repetições, timbres, saturações.

No espetáculo integrado no Alkantara Festival, a Encyclopédie de la Parole apresentou, entre outros, textos das reuniões dos Occupy Wall Street (2011), de filmes como ET (Steven Spielberg, 1982) e Taxi Driver (Martin Scorcese, 1973), excerto do álbum Home Invasion dos Ice-T (1993), conversas da audiência antes de um espectáculo registada por Joris Lacoste (2013), conversa entre duas crianças de dois anos registada por Stacy Doris (2008), excerto de uma conversa telefónica registada por Joris Lacoste (2012), excerto de conversa de amigos num jantar registado por Frédéric Danos (2013), excerto de um discurso de Obama (2008). A Suite nº 1: ABC são quarenta registos. O título quer dizer primeiro passo da composição vocal humana, o b-a-bá, o bláblá, o bruá, o vocabulário de base, o prazer da tradução e das entoações que fazemos dos sons das línguas que não entendemos, a actividade que as crianças fazem enquanto aprendem a língua, nunca mais acabando a repetição e entoação de um som, palavra ou conjunto pequeno de palavras.

Ver mais em Encyclopédie de la Parole.

[obrigado a Bruno Malveira]

A cultura no jornalismo contemporâneo

Está a decorrer hoje na Universidade Nova de Lisboa a apresentação de resultados do projecto O Lugar da Cultura no Jornalismo Contemporâneo. Do comunicado de imprensa promovido pela organização do evento, retiro a seguinte informação:

"Menos jornalismo cultural e menos cultura na primeira página. A crise financeira que afectou a economia europeia e norte-americana em 2008 explica algumas das mudanças no jornalismo e na cultura: menos investimento público no financiamento das actividades culturais, menos suplementos culturais e menos públicos e leitores. Mas a maioria das transformações registadas no âmbito do projecto de investigação A Cultura na Primeira Página – um estudo dos jornais portugueses na primeira década do século XXI (PTDC/CCI-COM/122309/2010), já estava em curso desde 2004: uma abordagem jornalística da cultura centrada em acontecimentos, como os festivais de cinema e música, as estreias de filmes e os lançamentos de livros. Longe da atenção dos media ficam a maioria dos restantes campos artísticos, como o teatro, a dança ou as artes plásticas. A cultura também não propicia muitas estórias de primeira página, mesmo numa década atravessada por uma intensa conflitualidade social e política em torno dos sucessivos cortes no financiamento das estruturas artísticas e actividades culturais. As manchetes com temas de cultura baixaram em todos os jornais analisados e quase nenhuma versou assuntos ligados à política cultural. Alguns jornais, como o semanário Expresso e a revista Visão, deixaram de publicar temas culturais na primeira página. Outros, como o Diário de Notícias, desinvestiram na visibilidade deste campo na primeira página. A única excepção é o Público, que continua a fazer da informação cultural uma forte marca de identidade editorial".

[fotografia: Enrique Bustamante na sua comunicação; vídeo: Carla Baptista na apresentação de resultados]

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Biografia do ié-ié

Escrito por Luís Pinheiro de Almeida, saiu recentemente o livro Biografia do Ié-Ié. Trata-se de um dicionário de entradas (bandas, programas de rádio, empresários, concursos) de um período vibrante (1964-1967), revisitado por um grande especialista.

Das bandas ou grupos, como então se dizia, Luís Pinheiro de Almeida dá o destaque principal no livro. De entre eles, porque me impressionaram na época, recordo Conjunto Mistério/Quarteto 1111 (pp. 127-130), Quarteto 1111 (pp. 252-258) e censura aos seus trabalhos (pp. 254-255, 274), Sheiks (pp. 269-286), Quinteto Académico, Pop Five Music Incorporated. Foi esta última banda qu fez a música que servia de indicativo ao programa de rádio Página 1. Há também espaço para as versões (p. 129) - as canções de êxito internacional tinham tradução (adaptação) de letra para português e cantor(a) nacional.

Popologia, uma conferência sobre cultura pop (Março de 1968) é analisada pelo autor (pp. 245-246). Ele apresenta também três programas essenciais da rádio portuguesa daquele período: Em Órbita, 23.ª Hora e Página 1. Ouvir os discos na rádio era uma forma habitual (p. 240), pois na época eram elevados os preços dos discos e em especial dos gira-discos. Os discos, até aí gravados numa pista, passaram a sê-lo em quatro pistas (p. 241) e mais. Com os estúdios da Valentim de Carvalho, a possibilidade aumentava para 16 pistas (p. 260). Em 1973, surgia o primeiro disco a usar o sintetizador Moog (p. 257). O livro destaca um empresário, Arlindo Conde (p. 66), e um concurso de ié-ié no Monumental em 1965 (pp. 93-117).

Para Luís Pinheiro de Almeida, o serviço militar obrigatório em África foi a morte do movimento musical ié-ié. Por exemplo, os Sheiks, que poderiam ter uma vida artística internacional, acabaram com a ida de alguns elementos para esse serviço militar (p. 233).

O livro será apresentado no próximo sábado, dia 24 de Maio, pelas 17:00, no Cine-Teatro da Encarnação, Lisboa. Enciclopédia da Música Ligeira Portuguesa (1998), escrita em parceria com João Pinheiro de Almeida (obra esgotada) e Beatles em Portugal (2012, 2ª edição), escrito com Teresa Lage, são duas das mais importantes obras do autor.

Leitura: Luís Pinheiro de Almeida (2014). Biografia do Ié-Ié. Lisboa: Documenta, 327 páginas, 23 euros

terça-feira, 20 de maio de 2014

Radio Ad

Radio Ad ou Anúncio de Rádio é o spot que está a ser usado para promover as eleições europeias desta semana. Ouço-o na Antena 1 e na rádio londrina Jazz FM, onde estou agora ligado através da internet. É um spot construído como se estivéssemos na década de 1950, a lembrar os anúncios cantados de então.

A rádio em 1970

Na edição de 27 de Junho de 1970, a revista semanal Rádio & Televisão publicava um longo texto sobre a rádio e os programas nocturnos. A televisão (RTP) alargara o seu horário para a hora do almoço, a Emissora Nacional e a Rádio Renascença tinham grelhas de programação em onda média de 24 horas diárias. Os programas nocturnos atraíam novos públicos.

 

domingo, 18 de maio de 2014

Vítor Pi

Ontem foi a inauguração do Museu de Artes de Sintra, no edifício do antigo Casino, junto ao Centro Cultural Olga Cadaval, herdando o espólio e a actividade da Galeria Municipal, constituído por colecções permanentes (Dórita Castel-Branco e Emílio de Paula Campose temporárias. Aqui, relevo a exposição de Vítor Pi, sob o tema Breu, patente até 18 de Junho (na primeira imagem, o pintor está junto ao seu painel na entrada nobre do edifício). Vítor Pi, além de pintor, é dinamizador na área do teatro [página do Facebook: Vítor Pi de Bustelo da Lage].


sábado, 17 de maio de 2014

A vida do homem da rádio Nunes Forte

Nunes Forte. Retrato de um Homem de Rádio, Espectáculo e TV, de Luciano Reis, foi hoje apresentado na livraria Bulhosa (Campo Grande).

Na rádio, Nunes Forte começou na Rádio Ribatejo, do capitão Jaime Varela Santos, que nunca usaria o microfone em proveito próprio e com um enorme respeito pelos ouvintes (p. 7), a escola como lhe chamaria (p. 39). Mas o radialista também recordaria nomes como António Manuel Couto Viana (onde integrou a companhia Gerifalto) e Odete de Saint-Maurice (programas infantis da Emissora Nacional). Nunes Forte seria um dos elementos da equipa base de Saint-Maurice (p. 121) e a quem pediu conselhos para os nomes dos seus filhos (p. 123). A rádio veio depois do teatro e da figuração em programas de televisão. Na Rádio Ribatejo, conheceu Maria Helena Varela Santos, depois locutora da RTP, António Sala, Jaime Fernandes e José Manuel Lourenço, entre outros.

Em 1968, Nunes Forte ficaria integrado no programa 1-8-0, de Rádio Peninsular, programa produzido por Paulo de Medeiros e Aurélio Carlos Moreira (pp. 70-71). Nesta estação, já com o nome de Alfabeta (resultara da fusão da Peninsular com Rádio Voz de Lisboa) chegou a coordenador geral (p. 100). Depois, esteve no Clube Radiofónico de Lisboa. Um dos seus programas foi Tudo Pode Acontecer (p. 107). O título do programa foi ainda usado para textos que publicou na revista Plateia, a partir de 1973 (p. 113). Nesse mesmo ano, avançaria com escritório e estúdio próprio para produções radiofónicas na rua Mãe d'Água (p. 121).

O resto do livro, como pediu o biografado na sessão de lançamento, não pode ser divulgado, a não ser que cada leitor o leia e descubra muitas histórias da vida do radialista, homem de televisão e do espectáculo.


Leitura: Luciano Reis (2014). Nunes Forte. Retrato de um Homem de Rádio, Espectáculo e TV. Lisboa: Fonte da Palavra, 335 páginas, 20 euros

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Lançamento do livro de Luís Pinheiro de Almeida

Biografia do Ié Ié, dia 24 de Maio, no Cine Teatro da Encarnação. Já lido, conto fazer aqui a minha leitura do livro muito em breve.


quinta-feira, 15 de maio de 2014

Lá Fhéile Pádraig


Eu deixara o New York Transit Museum e apanhara a linha A em direcção à rua 163, um longo percurso. Era o dia de Saint Patrick (em irlandês: Lá Fhéile Pádraig), 17 de Março. Muitos jovens vestiam roupa ou adereços de cor verde. Na estação de Fulton, entrou um bando alegre, quase para o estridente. No meio, Carlitos (ou Carlos) mantinha conversas com várias colegas, até que uma delas se sentou ao meu lado. Foi quando Carlitos me perguntou há quantos anos eu vivia na cidade. Expliquei-lhe a minha história, contei que Portugal ficava no extremo da Europa, julgando um menor conhecimento da geografia. Surpreendeu-me ao falar das línguas latinas. Mais: ao falar de jogadores de futebol da Colômbia a jogar em equipas portuguesas, como Jackson Martínez e James Rodriguez (este já fora do mercado nacional). Quando ele e os seus colegas efusivos saíram, cumprimentamos-nos como velhos conhecidos. Não sei o comportamento dele na sua escola secundária mas considerei que ele tinha conhecimentos sofisticados quanto a futebol. Importante? Coisas da globalização?