REFLECTIONS, REFLECTIONS
Não conhecia o blogue Reflections, reflections, de Alessandra Barros, onde fala sobre "política, guerras culturais, religião, relacionamentos, vida, media, desportos e sexualidade". Ela colocou o Indústrias Culturais como um dos dois blogues favoritos não escritos em inglês.
Embora não tenha um retrato preciso dela, parece-me que escreve a partir da Virgínia, Estados Unidos, nasceu em 1975 (Brasil?), é conhecida por Ale ou Ally, gosta muito do marido Rafael e dos seus filhos Arnold (sete anos) e Chuck (dois anos), e tem uma predilecção por gatos e pelo seu iPod.
Não partilho com ela todas as perspectivas que se lêem no blogue, mas destaco o material que coloca sobre o tema contra a pornografia infantil, assim como links para revistas culturais americanas.

Textos de Rogério Santos, com reflexões e atualidade sobre indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, videojogos, música, livros, centros comerciais) e criativas (museus, exposições, teatro, espetáculos). Na blogosfera desde 2002.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2005
T. S. ELIOT E A CULTURA
T. S. Eliot (1888-1965), poeta, crítico e editor, premiado com o Nobel da literatura em 1948, estudou em Harvard, na Sorbonne (Paris) e em Oxford. Nasceu nos Estados Unidos (Missouri), mas chegou a Inglaterra em 1914, onde trabalhou primeiro como professor e depois como empregado no Lloyd's Bank, enquanto escrevia poesia, acabando por ficar nesse país europeu [imagem retirada do sítio Modern American Poetry, onde se pode ler muita informação sobre Eliot].
O propósito do presente post é destacar a importância do seu texto Notas para uma definição de cultura, tema que trabalhei em aula de mestrado, juntamente com outros autores como Francesco Crespi, Raymond Williams e Terry Eagleton, antes de saltar para as definições de indústria cultural.


Para T. S. Eliot (1996: 22), a palavra cultura associa-se ao desenvolvimento de: 1) indivíduo, 2) grupo ou classe, e 3) toda a sociedade. Trata-se da primeira grande ideia que se encontra no trabalho de Eliot. Acentua que a cultura de um indivíduo não se isola da cultura do grupo e que a cultura do grupo não se abstrai da cultura de toda a sociedade. O autor fala ainda de desintegração cultural, que pode ser o resultado da especialização cultural, e ocorre quando duas ou mais camadas se separam de forma a se tornarem culturas diferentes. Depois, ele articula cultura com urbanidade, civilidade, erudição, filosofia e artes. Fala ainda de duas forças que se opõem uma à outra: atracção e repulsão (Eliot, 1996: 70).
Uma outra ideia principal de Eliot é a ligação que faz entre cultura e religião. Para ele, nenhuma cultura pode surgir ou crescer sem ser em relação a uma religião (Eliot, 1996: 30). O desenvolvimento da cultura e o desenvolvimento da religião fazem parte de um mesmo processo. Pergunta Eliot se o que se chama cultura e o que se chama religião serão duas ou uma só realidade. A sensibilidade artística ficaria empobrecida se divorciada da sensibilidade religiosa.
Como terceira principal ideia, Eliot contesta que a cultura seja propriedade de uma pequena parte da sociedade. A cultura é concebida como a criação de uma sociedade como um todo (Eliot, 1996: 41), apesar de a elite ter tido, no passado, o repositório da cultura.
Leitura [existem, pelo menos, duas traduções do texto; eu prefiro a indicada em primeiro lugar, porque, apesar de não conhecer o original, ela me parece a mais bem traduzida, pelo menos em compreensão]:
Eliot, T. S. (1996). Notas para uma definição de cultura. Lisboa: Século XXI
Eliot, T. S. (1992). Ensaios escolhidos. Lisboa: Cotovia
O propósito do presente post é destacar a importância do seu texto Notas para uma definição de cultura, tema que trabalhei em aula de mestrado, juntamente com outros autores como Francesco Crespi, Raymond Williams e Terry Eagleton, antes de saltar para as definições de indústria cultural.
Para T. S. Eliot (1996: 22), a palavra cultura associa-se ao desenvolvimento de: 1) indivíduo, 2) grupo ou classe, e 3) toda a sociedade. Trata-se da primeira grande ideia que se encontra no trabalho de Eliot. Acentua que a cultura de um indivíduo não se isola da cultura do grupo e que a cultura do grupo não se abstrai da cultura de toda a sociedade. O autor fala ainda de desintegração cultural, que pode ser o resultado da especialização cultural, e ocorre quando duas ou mais camadas se separam de forma a se tornarem culturas diferentes. Depois, ele articula cultura com urbanidade, civilidade, erudição, filosofia e artes. Fala ainda de duas forças que se opõem uma à outra: atracção e repulsão (Eliot, 1996: 70).
Uma outra ideia principal de Eliot é a ligação que faz entre cultura e religião. Para ele, nenhuma cultura pode surgir ou crescer sem ser em relação a uma religião (Eliot, 1996: 30). O desenvolvimento da cultura e o desenvolvimento da religião fazem parte de um mesmo processo. Pergunta Eliot se o que se chama cultura e o que se chama religião serão duas ou uma só realidade. A sensibilidade artística ficaria empobrecida se divorciada da sensibilidade religiosa.
Como terceira principal ideia, Eliot contesta que a cultura seja propriedade de uma pequena parte da sociedade. A cultura é concebida como a criação de uma sociedade como um todo (Eliot, 1996: 41), apesar de a elite ter tido, no passado, o repositório da cultura.
Leitura [existem, pelo menos, duas traduções do texto; eu prefiro a indicada em primeiro lugar, porque, apesar de não conhecer o original, ela me parece a mais bem traduzida, pelo menos em compreensão]:
Eliot, T. S. (1996). Notas para uma definição de cultura. Lisboa: Século XXI
Eliot, T. S. (1992). Ensaios escolhidos. Lisboa: Cotovia
domingo, 20 de fevereiro de 2005
PARABÉNS PORTUGAL, PARABÉNS PELA VITÓRIA DO PS NAS ELEIÇÕES DE HOJE
[imagens feitas em Junho do ano passado, quando o país atravessava um momento menos depressivo que nos últimos meses, aquando do campeonato europeu de futebol, com múltiplas bandeiras nacionais nas janelas das habitações ou nas viaturas, que tirei em Braga, S. Pedro do Sul e Lisboa. Esperemos que regresse a esperança e se reduza a crispação social, razões que necessitam do esforço de todos, sem qualquer exclusão]


[imagens feitas em Junho do ano passado, quando o país atravessava um momento menos depressivo que nos últimos meses, aquando do campeonato europeu de futebol, com múltiplas bandeiras nacionais nas janelas das habitações ou nas viaturas, que tirei em Braga, S. Pedro do Sul e Lisboa. Esperemos que regresse a esperança e se reduza a crispação social, razões que necessitam do esforço de todos, sem qualquer exclusão]
LEITURAS E REFLEXÕES DE HOJE
1) Stop à pornografia
Cartoon editado no Le Monde de hoje. Em crítica o canal de televisão RTL 9.
O jornal traz ainda um texto a ler com calma - o que ainda o não fiz - sobre investigação jornalística. Em França, os canais têm todos o formato de jornalismo de investigação, onde procuram incomodar o poder, enfraquecer a linguagem dos poderosos e sair do circuito das fontes oficiais de informação. Os textos são assinados por Guillaume Fraissard e Macha Séry.
2) Um blogue surpreendente
Descobri esta semana o blogue A Cidade Surpreendente, de Carlos Romão, de "imagens e algumas palavras sobre o Porto, permeado de incursões ligeiras a territórios exteriores". As fotografias, de azuis e entardeceres fantásticos, merece uma visita. Parabéns ao blogueiro.
3)Million dollar baby
Escreve-se no blogue A montanha mágica: “É obrigatório ir ver Million Dollar Baby. Não, não é um filme. Não é. Decrete-se um recolher obrigatório para dentro duma qualquer sala de cinema onde esteja a ser mostrado. Não é um filme. Não. É...”.
Eu partilho totalmente – e gostaria de escrever aqui algo sobre o filme de Clint Eastwood. Quem quiser, aconselho a ir vê-lo à sala do Monumental e não à do Londres, pois aqui a cópia apresenta defeitos, ouvi de um espectador furioso junto da bilheteira, e a Lusomundo ainda não a substituiu.
4) José Gil e um país de invejosos
Pergunta: "Diz que não existe um espaço público em Portugal, que este é ocupado pelo espaço dos media, que funcionam em circuito fechado".
Resposta: "Digo que os media têm uma responsabilidade, mas os media são as pessoas que os fazem" (José Gil, autor de uma obra recentemente publicada, Portugal hoje - o medo de existir, entrevistado por Cristina Pires, na revista Notícias Magazine, de hoje).
5) Tiragens dos jornais em Espanha
Em 2004, os principais jornais diários de Espanha subiram em termos de vendas. Assim, o El Pais subiu para 469183 exemplares diários, o El Mundo para 308229, o ABC para 276915, El Periodico para 171214 e La Razón para 145707. O catalão La Vanguardia seria o único a perder leitores, baixando para 203715 (fonte: El Pais).
6) O efeito consola
Este ano, devem sair quatro novas consolas para videojogos: duas portáteis (PSP da Sony, DS da Nintendo) e duas novas versões (Playstation da Sony, XBox da Microsoft). Também se espera que o ano seja cheio de acordos e de problemas para os fabricantes de videojogos. Estes, enquanto não estão no mercado algumas das novas consolas, não vendem jogos e têm de desenhar rapidamente novos ou adaptar os antigos às características das máquinas que se anunciam, o que implica somas elevadas em I&D nos jogos. É o efeito consola!
Mas o mercado de videjogos tem crescido bastante nos últimos três anos: Ubisoft (150%), Take-Two (154%), EA (124%) e Activision (53%). Se, anos atrás, havia apenas empresas que viviam somente de videojogos (Atari, Sega, Nintendo), outras empresas chegaram ao mercado: Sony (actual líder de consolas, a Playstation), Microsoft(XBox), Nokia (NGage). Agora, também a News Corp e a Disney mostraram o seu interesse neste mercado.
Uma das questões-chave é a exploração de direitos intelectuais. Da mesma forma que no cinema e nos telefones celulares, a actividade de videojogos desperta muito interesse económico. E estima-se que, no ano em curso, haja o mínimo de uma empresa de videojogos que seja o objectivo de um conglomerado de media (fonte: El Pais).
1) Stop à pornografia
O jornal traz ainda um texto a ler com calma - o que ainda o não fiz - sobre investigação jornalística. Em França, os canais têm todos o formato de jornalismo de investigação, onde procuram incomodar o poder, enfraquecer a linguagem dos poderosos e sair do circuito das fontes oficiais de informação. Os textos são assinados por Guillaume Fraissard e Macha Séry.
2) Um blogue surpreendente
Descobri esta semana o blogue A Cidade Surpreendente, de Carlos Romão, de "imagens e algumas palavras sobre o Porto, permeado de incursões ligeiras a territórios exteriores". As fotografias, de azuis e entardeceres fantásticos, merece uma visita. Parabéns ao blogueiro.
3)Million dollar baby
Eu partilho totalmente – e gostaria de escrever aqui algo sobre o filme de Clint Eastwood. Quem quiser, aconselho a ir vê-lo à sala do Monumental e não à do Londres, pois aqui a cópia apresenta defeitos, ouvi de um espectador furioso junto da bilheteira, e a Lusomundo ainda não a substituiu.
4) José Gil e um país de invejosos
Pergunta: "Diz que não existe um espaço público em Portugal, que este é ocupado pelo espaço dos media, que funcionam em circuito fechado".
Resposta: "Digo que os media têm uma responsabilidade, mas os media são as pessoas que os fazem" (José Gil, autor de uma obra recentemente publicada, Portugal hoje - o medo de existir, entrevistado por Cristina Pires, na revista Notícias Magazine, de hoje).
5) Tiragens dos jornais em Espanha
Em 2004, os principais jornais diários de Espanha subiram em termos de vendas. Assim, o El Pais subiu para 469183 exemplares diários, o El Mundo para 308229, o ABC para 276915, El Periodico para 171214 e La Razón para 145707. O catalão La Vanguardia seria o único a perder leitores, baixando para 203715 (fonte: El Pais).
6) O efeito consola
Este ano, devem sair quatro novas consolas para videojogos: duas portáteis (PSP da Sony, DS da Nintendo) e duas novas versões (Playstation da Sony, XBox da Microsoft). Também se espera que o ano seja cheio de acordos e de problemas para os fabricantes de videojogos. Estes, enquanto não estão no mercado algumas das novas consolas, não vendem jogos e têm de desenhar rapidamente novos ou adaptar os antigos às características das máquinas que se anunciam, o que implica somas elevadas em I&D nos jogos. É o efeito consola!
Mas o mercado de videjogos tem crescido bastante nos últimos três anos: Ubisoft (150%), Take-Two (154%), EA (124%) e Activision (53%). Se, anos atrás, havia apenas empresas que viviam somente de videojogos (Atari, Sega, Nintendo), outras empresas chegaram ao mercado: Sony (actual líder de consolas, a Playstation), Microsoft(XBox), Nokia (NGage). Agora, também a News Corp e a Disney mostraram o seu interesse neste mercado.
Uma das questões-chave é a exploração de direitos intelectuais. Da mesma forma que no cinema e nos telefones celulares, a actividade de videojogos desperta muito interesse económico. E estima-se que, no ano em curso, haja o mínimo de uma empresa de videojogos que seja o objectivo de um conglomerado de media (fonte: El Pais).
TELEVISÃO REGIONAL
[post dedicado a Dora Mota e a todo o grupo Mediascópio (Universidade do Minho)]
Na passada terça-feira, num seminário interno sobre media, foi analisada a questão da televisão regional. A minha posição não foi muita positiva. Quero agora esclarecer melhor o que penso.
Olhando, por exemplo, o Minho, em que a edição diária local do Público foi encerrada poucos meses atrás, ou uma região como a península de Setúbal, em que as rádios têm tido problemas financeiros, como é que se pode falar em instaurar televisão regional, se as condicionantes legais desaparecerem?
Os custos fixos em televisão são mais elevados que nos outros media e a consequente elaboração de conteúdos implica uma rede produtiva mais vasta que uma qualquer indústria cultural. A cadeia de valor na televisão acaba por ser mais larga - porque vertical, mas também horizontal - que noutras indústrias culturais. Seguindo de perto o que Patrice Flichy escreveu um dia, a televisão tem dois níveis em termos de produção: 1) fluxo, o da programação diária, como os noticiários e novelas ou programas de entretenimento e (in)formação que são emitidos com regularidade, e 2) stock, o dos programas pensados a médio e longo prazo (séries, grandes reportagens, jornalismo de investigação).
Uma das críticas feitas às rádios locais - e que serve como exemplo de não boa prática - é o facto de a grande maioria delas ter arrancado, em 1989 (ano da legislação que permitiu a legalização de rádios piratas e livres), sem estudos de viabilidade económica. Avançaram-se com projectos sem cuidar se eles teriam sustentação em termos de publicidade e outros ganhos. Resultado: muitas estações não abriram na altura devida e muitas outras foram sendo adquiridas por grupos que não tinham concorrido ao seu licenciamento mas possuíam capitais para as comprar, desvirtuando eventualmente os projectos. A ideia de rádio de proximidade - com auscultação permanente das populações e dos seus desejos e interesses - foi transformada, ao longo dos anos, em repetidores (rádios nacionais encapotadas) ou em gira-discos de playlists.
À tentação do poder central em controlar a televisão - como nos anos de 1930 e décadas seguintes ocorreu com a rádio -, não parece fácil as regiões e cidades do país acederem à possibilidade de emitir em televisão. E a história de experiências (Lisboa, Abrantes, outros sítios), mostrada por Pedro Coelho em tese de mestrado já aqui referida (e que aguarda publicação em livro), não dá uma imagem brilhante das organizações. Mais recentemente, um grupo sediado no Porto tem feito publicar notícias nos jornais, em que se dá conta da intenção de lançar um canal regional por cabo. A dúvida que se coloca é, de novo, a sua viabilidade económica.
Análise SWOT e financiamentos
Resolvidas as questões legais e tecnológicas, que programação se espera de uma televisão regional? Informação da região, concertos e espectáculos com artistas da região, comprando ou produzindo séries (estas usando profissionais da região: produtores, realizadores, argumentistas, cenógrafos, electricistas; indústrias horizontais, como catering ou aluguer de espaços e veículos). A questão principal é o financiamento, pois tudo isso implica muito dinheiro. Quem paga? As indústrias locais, as câmaras municipais, as entidades locais? Lembro apenas que projectos aparentemente sólidos como o da televisão digital terrestre em Espanha e Inglaterra acabariam por falir, enquanto os projectos de televisão autónoma no país vizinho enfrentam problemas sérios de endividamento.
Há, a meu ver, duas hipóteses, uma integrada, outra tecnológica, dentro de uma leitura de oportunidades e perigos (análise SWOT). A primeira implica o esforço colectivo de uma região, apostando num cluster de actividades em que a televisão é uma delas e articulada a outras como o turismo. Na Inglaterra, quando se fala em indústrias criativas pensa-se em moda ou em joalharia ou mesmo em recuperação de sítios fabris adaptados a outras funções (museus). Além de nova edificação - já falei aqui no museu Guggenheim, em Bilbau, que inverteu a tendência depressiva da região, pois o novo espaço de arte contemporânea veio trazer muita gente à cidade basca.
A segunda destaca os saltos tecnológicos, os quais poderão permitir fazer aquilo que parece hoje difícil, pelo menos do ponto de vista económico (e de conteúdos). A rádio primeiro e agora a internet são lições que mostram possibilidades inimagináveis: hoje, a edição de jornais e newsletters (além dos livros), bem como emissões on-line de rádios, é muito mais fácil do que se imaginaria até há pouco.
Mas uma e outra das variáveis aqui equacionadas estão acima da vontade de quem regista o panorama dos media numa região. Implica decisões políticas, económicas, sociais e educativas a médio e longo prazo. Por exemplo, uma televisão regional necessita de uma escola que forneça quadros (gestão, técnicas, artes). Haverá vontade política de fazer políticas de desenvolvimento na longa duração?
[post dedicado a Dora Mota e a todo o grupo Mediascópio (Universidade do Minho)]
Na passada terça-feira, num seminário interno sobre media, foi analisada a questão da televisão regional. A minha posição não foi muita positiva. Quero agora esclarecer melhor o que penso.
Olhando, por exemplo, o Minho, em que a edição diária local do Público foi encerrada poucos meses atrás, ou uma região como a península de Setúbal, em que as rádios têm tido problemas financeiros, como é que se pode falar em instaurar televisão regional, se as condicionantes legais desaparecerem?
Os custos fixos em televisão são mais elevados que nos outros media e a consequente elaboração de conteúdos implica uma rede produtiva mais vasta que uma qualquer indústria cultural. A cadeia de valor na televisão acaba por ser mais larga - porque vertical, mas também horizontal - que noutras indústrias culturais. Seguindo de perto o que Patrice Flichy escreveu um dia, a televisão tem dois níveis em termos de produção: 1) fluxo, o da programação diária, como os noticiários e novelas ou programas de entretenimento e (in)formação que são emitidos com regularidade, e 2) stock, o dos programas pensados a médio e longo prazo (séries, grandes reportagens, jornalismo de investigação).
Uma das críticas feitas às rádios locais - e que serve como exemplo de não boa prática - é o facto de a grande maioria delas ter arrancado, em 1989 (ano da legislação que permitiu a legalização de rádios piratas e livres), sem estudos de viabilidade económica. Avançaram-se com projectos sem cuidar se eles teriam sustentação em termos de publicidade e outros ganhos. Resultado: muitas estações não abriram na altura devida e muitas outras foram sendo adquiridas por grupos que não tinham concorrido ao seu licenciamento mas possuíam capitais para as comprar, desvirtuando eventualmente os projectos. A ideia de rádio de proximidade - com auscultação permanente das populações e dos seus desejos e interesses - foi transformada, ao longo dos anos, em repetidores (rádios nacionais encapotadas) ou em gira-discos de playlists.
À tentação do poder central em controlar a televisão - como nos anos de 1930 e décadas seguintes ocorreu com a rádio -, não parece fácil as regiões e cidades do país acederem à possibilidade de emitir em televisão. E a história de experiências (Lisboa, Abrantes, outros sítios), mostrada por Pedro Coelho em tese de mestrado já aqui referida (e que aguarda publicação em livro), não dá uma imagem brilhante das organizações. Mais recentemente, um grupo sediado no Porto tem feito publicar notícias nos jornais, em que se dá conta da intenção de lançar um canal regional por cabo. A dúvida que se coloca é, de novo, a sua viabilidade económica.
Análise SWOT e financiamentos
Resolvidas as questões legais e tecnológicas, que programação se espera de uma televisão regional? Informação da região, concertos e espectáculos com artistas da região, comprando ou produzindo séries (estas usando profissionais da região: produtores, realizadores, argumentistas, cenógrafos, electricistas; indústrias horizontais, como catering ou aluguer de espaços e veículos). A questão principal é o financiamento, pois tudo isso implica muito dinheiro. Quem paga? As indústrias locais, as câmaras municipais, as entidades locais? Lembro apenas que projectos aparentemente sólidos como o da televisão digital terrestre em Espanha e Inglaterra acabariam por falir, enquanto os projectos de televisão autónoma no país vizinho enfrentam problemas sérios de endividamento.
Há, a meu ver, duas hipóteses, uma integrada, outra tecnológica, dentro de uma leitura de oportunidades e perigos (análise SWOT). A primeira implica o esforço colectivo de uma região, apostando num cluster de actividades em que a televisão é uma delas e articulada a outras como o turismo. Na Inglaterra, quando se fala em indústrias criativas pensa-se em moda ou em joalharia ou mesmo em recuperação de sítios fabris adaptados a outras funções (museus). Além de nova edificação - já falei aqui no museu Guggenheim, em Bilbau, que inverteu a tendência depressiva da região, pois o novo espaço de arte contemporânea veio trazer muita gente à cidade basca.
A segunda destaca os saltos tecnológicos, os quais poderão permitir fazer aquilo que parece hoje difícil, pelo menos do ponto de vista económico (e de conteúdos). A rádio primeiro e agora a internet são lições que mostram possibilidades inimagináveis: hoje, a edição de jornais e newsletters (além dos livros), bem como emissões on-line de rádios, é muito mais fácil do que se imaginaria até há pouco.
Mas uma e outra das variáveis aqui equacionadas estão acima da vontade de quem regista o panorama dos media numa região. Implica decisões políticas, económicas, sociais e educativas a médio e longo prazo. Por exemplo, uma televisão regional necessita de uma escola que forneça quadros (gestão, técnicas, artes). Haverá vontade política de fazer políticas de desenvolvimento na longa duração?
sábado, 19 de fevereiro de 2005
O IKEA SEGUNDO SÓNIA MORAIS SANTOS
Confesso que não gostei das intervenções dela no programa da manhã da Antena 1, ao longo de vários meses, conforme o escrevi aqui. Mas os seus textos no DNA à sexta-feira são pequenas pérolas, que eu leio atentamente. Logo: fui injusto para com ela [tenho seguido a sua vida familiar, através dos seus textos; desejo felicidades à sua agora aumentada família].
Na edição de ontem, ela escreveu sobre o Ikea. De um modo fascinante! Ao contrário da minha escrita, pretensamente mais analítica e sociológica, o seu modo de escrever é um fresco, seguimos as frases como se estivéssemos a ver. Ela é uma jornalista com um forte sentido de reportagem, para não dizer romancista. Nas suas peças, está lá tudo: cheiros, gestos, o burlesco e o grotesco.
Recordo que, uma ocasião, quando escrevi aqui no blogue sobre o outlet de Alcochete, Sónia Morais Santos também o fez no mesmo dia. Aquilo que eu vi em tons cinzentos, ela mostrou uma paleta de cores. Agora, numa altura em que eu dei voz aos meus alunos de licenciatura [e aproxima-se o tempo de dar voz aos de mestrado], e em que falei do Ikea, ela escreve sobre o tema. Quase que dá vontade de pegar nos textos dela e compará-los com os que saem aqui. Eu ficaria a perder, certamente.
Tenho escrito também sobre a importância do caderno de sexta-feira do Diário de Notícias, dirigido por Pedro Rolo Duarte. Os textos que este edita no DNA são também motivo de muito prazer em termos de leitura. Copio aqui parte da página onde ele reflecte sobre revistas, um espaço de muita e boa informação. Pois vejo a capa da revista do Sunday Times sobre a qual eu também escrevi.
Chamo, contudo, a atenção para a entrevista de capa: Dalila Rodrigues, a nova directora do Museu Nacional de Arte Antiga. Inteligente e bonita, qualidades que aprecio obviamente numa mulher, a entrevista conduzida por Paula Oliveira traça um retrato que vale a pena ler. E as(os) alunas(os) do mestrado irão com certeza trabalhar este texto, dentro dos conceitos de indústrias culturais e criativas que espero desenvolver nas semanas mais próximas.
Confesso que não gostei das intervenções dela no programa da manhã da Antena 1, ao longo de vários meses, conforme o escrevi aqui. Mas os seus textos no DNA à sexta-feira são pequenas pérolas, que eu leio atentamente. Logo: fui injusto para com ela [tenho seguido a sua vida familiar, através dos seus textos; desejo felicidades à sua agora aumentada família].
Recordo que, uma ocasião, quando escrevi aqui no blogue sobre o outlet de Alcochete, Sónia Morais Santos também o fez no mesmo dia. Aquilo que eu vi em tons cinzentos, ela mostrou uma paleta de cores. Agora, numa altura em que eu dei voz aos meus alunos de licenciatura [e aproxima-se o tempo de dar voz aos de mestrado], e em que falei do Ikea, ela escreve sobre o tema. Quase que dá vontade de pegar nos textos dela e compará-los com os que saem aqui. Eu ficaria a perder, certamente.
Chamo, contudo, a atenção para a entrevista de capa: Dalila Rodrigues, a nova directora do Museu Nacional de Arte Antiga. Inteligente e bonita, qualidades que aprecio obviamente numa mulher, a entrevista conduzida por Paula Oliveira traça um retrato que vale a pena ler. E as(os) alunas(os) do mestrado irão com certeza trabalhar este texto, dentro dos conceitos de indústrias culturais e criativas que espero desenvolver nas semanas mais próximas.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005
SÉRIES DE TELEVISÃO
Alguns grupos de alunos de licenciatura escolheram o tema para escrever os seus trabalhos.
Sexo e a cidade
Esta série de televisão, agora em reposição num canal de cabo, foi tema de trabalhos de dois grupos. A série Sexo e a cidade tem como centro quatro mulheres que vivem em Nova Iorque, pertencendo a um estrato de classe média alta, com altos níveis de consumo e padrões liberais de relacionamento com o género oposto.
Um dos grupos foi constituído por Inês Cruz, Carolina Marrote e Laura Oliveira. As alunas inquiriram 50 pessoas do género feminino entre os 20 e os 45 anos de idade, tendo como objectivo perceber se uma telespectadora encontra ligações entre a ficção e a realidade ou se a faz por puro entretenimento.


Do conjunto de entrevistadas, 27 consideram-se fãs da série no sentido dado por Grossberg, autor já referenciado várias vezes no blogue. Para as alunas, a razão prende-se com o facto do gosto das mulheres recair em dramas, romances e séries onde a ênfase é colocada mais nas relações que na acção. No inquérito, as respostas tenderam para a personagem Carrie Bradshaw (10 em 27): “sonhadora, solteira, bonita, tradicionalmente mais conservadora, que discute com as amigas assuntos difíceis e delicados, como por exemplo a independência financeira, emocional e sexual da mulher, mas que continua na busca do homem perfeito, acreditando que um dia o há-de encontrar”, escreveram as alunas. Charlotte York (5), Samantha Jones (2) e Miranda Hobbes (1) têm a restante preferência das inquiridas, das quais 19 se identificam com as personagens, em especial na moda (12) e no estilo de vida (7).
Também o grupo de Marta Rodrigues, Laura Fernandez e Bernardo Silva abordou o mesmo tema. O inquérito, de oito perguntas, foi feito a 27 pessoas, maioritariamente do género feminino (dos 18 aos 47 anos, mas predominância do nível etário dos 19 aos 24 anos). Entre três hipóteses (ver frequentemente, de vez em quando e nunca), a maioria vê a série de vez em quando, pois ela é transmitida tarde (24 respostas), porque os telespectadores estão ocupados (2) ou porque dá um programa mais interessante ao mesmo tempo (1). A exemplo do grupo anterior, também este recolheu uma resposta semelhante quanto à personagem: Carrie (7), Miranda (2), Samantha (2) e Charlotte (1) [não está aqui todo o universo estudado].
[na imagem, Kim Cattrall, intérprete da personagem Samantha, na capa do Sunday Times, de 2 de Janeiro último]
Para que série pende o telespectador?
Carla Pereira, Rogério Costa e Tiago Trovão, com o título A recepção de séries de culto, procuraram descobrir qual a série mais vista de entre um conjunto que eles colocaram no inquérito, respondido por 14 mulheres e 11 homens. Assim, de sete séries, as mais populares são Sexo e a cidade e Simpsons; de várias faixas etárias, a dos 22-24 é a que consome mais séries [observação: os alunos não ponderaram a resposta face a um maior número de respondentes nessa faixa etária, o que distorce os resultados]. Perfil da personagem e temas são os principais motivos de adesão.
Finalmente, João Martins e Sofia Trigo, num trabalho apurado, compararam os fãs das séries Dawson’s Creek, ER – Serviço de urgência e Ficheiros secretos, entrevistando 30 estudantes universitários dos dois géneros e com idades compreendidas entre 20 e 30 anos. Como ER – Serviço de urgência está a ser transmitido no canal por cabo SIC Mulher, há um número maior de respondentes que afirma ver a série. Das razões que levam os inquiridos a verem as séries, os alunos concluem pelo entretenimento (33%), pela distracção (32%) [não consigo ver distinção entre estas variáveis] e interesse (28%). De outras perguntas feitas no questionário, relevo a das séries terem ou não uma função social: 67% acha que sim. Ainda no questionário foi perguntado se costumam ver séries portuguesas: os respondentes afirmaram não ver em 83%, embora 86% ache importante a existência delas.

Alguns grupos de alunos de licenciatura escolheram o tema para escrever os seus trabalhos.
Sexo e a cidade
Esta série de televisão, agora em reposição num canal de cabo, foi tema de trabalhos de dois grupos. A série Sexo e a cidade tem como centro quatro mulheres que vivem em Nova Iorque, pertencendo a um estrato de classe média alta, com altos níveis de consumo e padrões liberais de relacionamento com o género oposto.
Um dos grupos foi constituído por Inês Cruz, Carolina Marrote e Laura Oliveira. As alunas inquiriram 50 pessoas do género feminino entre os 20 e os 45 anos de idade, tendo como objectivo perceber se uma telespectadora encontra ligações entre a ficção e a realidade ou se a faz por puro entretenimento.
Do conjunto de entrevistadas, 27 consideram-se fãs da série no sentido dado por Grossberg, autor já referenciado várias vezes no blogue. Para as alunas, a razão prende-se com o facto do gosto das mulheres recair em dramas, romances e séries onde a ênfase é colocada mais nas relações que na acção. No inquérito, as respostas tenderam para a personagem Carrie Bradshaw (10 em 27): “sonhadora, solteira, bonita, tradicionalmente mais conservadora, que discute com as amigas assuntos difíceis e delicados, como por exemplo a independência financeira, emocional e sexual da mulher, mas que continua na busca do homem perfeito, acreditando que um dia o há-de encontrar”, escreveram as alunas. Charlotte York (5), Samantha Jones (2) e Miranda Hobbes (1) têm a restante preferência das inquiridas, das quais 19 se identificam com as personagens, em especial na moda (12) e no estilo de vida (7).
Para que série pende o telespectador?
Carla Pereira, Rogério Costa e Tiago Trovão, com o título A recepção de séries de culto, procuraram descobrir qual a série mais vista de entre um conjunto que eles colocaram no inquérito, respondido por 14 mulheres e 11 homens. Assim, de sete séries, as mais populares são Sexo e a cidade e Simpsons; de várias faixas etárias, a dos 22-24 é a que consome mais séries [observação: os alunos não ponderaram a resposta face a um maior número de respondentes nessa faixa etária, o que distorce os resultados]. Perfil da personagem e temas são os principais motivos de adesão.
Finalmente, João Martins e Sofia Trigo, num trabalho apurado, compararam os fãs das séries Dawson’s Creek, ER – Serviço de urgência e Ficheiros secretos, entrevistando 30 estudantes universitários dos dois géneros e com idades compreendidas entre 20 e 30 anos. Como ER – Serviço de urgência está a ser transmitido no canal por cabo SIC Mulher, há um número maior de respondentes que afirma ver a série. Das razões que levam os inquiridos a verem as séries, os alunos concluem pelo entretenimento (33%), pela distracção (32%) [não consigo ver distinção entre estas variáveis] e interesse (28%). De outras perguntas feitas no questionário, relevo a das séries terem ou não uma função social: 67% acha que sim. Ainda no questionário foi perguntado se costumam ver séries portuguesas: os respondentes afirmaram não ver em 83%, embora 86% ache importante a existência delas.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005
UMA TESE SOBRE TELEVISÃO
Luís Oliveira Martins defendeu a sua tese de mestrado, Mercados televisivos europeus. Causas e efeitos das novas formas de organização empresarial, na Universidade Católica Portuguesa, com a classificação de Muito Bom. O arguente foi, como escrevi noutro post, Manuel Pinto, da Universidade do Minho.
O autor analisou: 1) transformações nos mercados de comunicação social (desde 1980), 2) União Europeia: da paleotelevisão à neotelevisão, 3) concentração empresarial e pluralismo de conteúdos, 4) o mercado de televisão em Portugal, 5) desafios para o futuro. Em estudo, quatro vectores de mudança: 1) forte evolução tecnológica: novas formas de comunicação, como a televisão por satélite, por cabo e por rede digital ou ainda a internet, 2) movimentos de desregulamentação dos mercados: maior protagonismo dos agentes económicos privados, 3) formação de grandes grupos: as empresas actuam não só em vários segmentos de mercado (imprensa, rádio, televisão, internet) como em vários países (internacionalização), 4) surgimento de novas questões e preocupações: impacto da concentração empresarial nos conteúdos (pluralismo).
Características estruturais
Luís Oliveira Martins elencou os principais factores que levam à formação de grandes grupos de comunicação: 1) resposta à crescente concentração da indústria da publicidade, 2) exploração de economias de escala e de sinergias, 3) diversificação dos riscos de negócio, 4) procura de novas oportunidades em mercados diferentes, 5) aumento de quota de mercado e melhoria da capacidade de relacionamento com fornecedores e distribuidores, 6) causas não económicas (os gestores têm necessidade de novos desafios profissionais ou pretendem mais poder pessoal).
Considerou as principais estratégias de expansão empresarial: 1) crescimento horizontal: combinação de forças entre empresas situadas no mesmo estádio da oferta ou que operam exactamente no mesmo tipo de actividade, 2) crescimento vertical: expansão a jusante ou a montante do estádio da oferta do negócio principal, 3) crescimento diagonal: as empresas entram em novas actividades, num processo de diversificação multimedia, 4) internacionalização/globalização: as empresas tornam-se transnacionais, i.e. com presença em múltiplos países e, em alguns casos, com uma estrutura de gestão descentralizada.
E quis saber também os riscos associados aos movimentos de concentração: 1) aumento da complexidade da gestão: se as empresas crescem demasiado depressa, a sua gestão pode tornar-se difícil e ineficiente, 2) custos de coordenação interna: os grandes grupos podem ter de despender muitos recursos para assegurar uma adequada coordenação dos vários negócios, 3) excesso de endividamento: para financiar a sua expansão, as empresas podem recorrer excessivamente a dívida financeira, 4) “choque de culturas”: os sistemas de valores das empresas integradas no mesmo grupo podem colidir.
Televisão portuguesa: tendências recentes
De entre as principais, Luís Oliveira Martins conclui: 1) SIC e TVI lideram audiências: a primeira lidera audiências globais e a segunda lidera no prime-time (20h-24h), 2) projecto RTP em reestruturação: mudança de gestão, abertura da 2: a parcerias, racionalização de custos, 3) aposta em canais temáticos distribuídos por cabo: SIC-Notícias, SIC-Mulher, SIC-Radical, RTP-N, RTP-Memória, 4) rentabilidade do sector melhora em 2003/2004: SIC e TVI com lucros e RTP com redução de prejuízos.
Há, no quadro da União Europeia, os seguintes objectivos prioritários para os canais de sinal aberto: alcançar uma rentabilidade sustentada, clarificar o estatuto/missão dos prestadores de serviço público de televisão e concretizar a televisão digital terrestre. Já no terreno nacional, os objectivos são: 1) SIC e TVI concorrem com canais temáticos (TV Cabo), com diversificação de fontes de receita e estabilidade dos níveis de rentabilidade; 2) RTP consolida a missão da empresa, diversifica receitas e equilibra definitivamente das contas.
O agora mestre é professor no departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Nova de Lisboa. Sinto-me duplamente satisfeito: 1) este departamento foi onde eu fiz uma parte significativa do meu percurso universitário, 2) na sua tese, o aluno foi orientado por mim.
Luís Oliveira Martins defendeu a sua tese de mestrado, Mercados televisivos europeus. Causas e efeitos das novas formas de organização empresarial, na Universidade Católica Portuguesa, com a classificação de Muito Bom. O arguente foi, como escrevi noutro post, Manuel Pinto, da Universidade do Minho.
O autor analisou: 1) transformações nos mercados de comunicação social (desde 1980), 2) União Europeia: da paleotelevisão à neotelevisão, 3) concentração empresarial e pluralismo de conteúdos, 4) o mercado de televisão em Portugal, 5) desafios para o futuro. Em estudo, quatro vectores de mudança: 1) forte evolução tecnológica: novas formas de comunicação, como a televisão por satélite, por cabo e por rede digital ou ainda a internet, 2) movimentos de desregulamentação dos mercados: maior protagonismo dos agentes económicos privados, 3) formação de grandes grupos: as empresas actuam não só em vários segmentos de mercado (imprensa, rádio, televisão, internet) como em vários países (internacionalização), 4) surgimento de novas questões e preocupações: impacto da concentração empresarial nos conteúdos (pluralismo).
Características estruturais
Luís Oliveira Martins elencou os principais factores que levam à formação de grandes grupos de comunicação: 1) resposta à crescente concentração da indústria da publicidade, 2) exploração de economias de escala e de sinergias, 3) diversificação dos riscos de negócio, 4) procura de novas oportunidades em mercados diferentes, 5) aumento de quota de mercado e melhoria da capacidade de relacionamento com fornecedores e distribuidores, 6) causas não económicas (os gestores têm necessidade de novos desafios profissionais ou pretendem mais poder pessoal).
Considerou as principais estratégias de expansão empresarial: 1) crescimento horizontal: combinação de forças entre empresas situadas no mesmo estádio da oferta ou que operam exactamente no mesmo tipo de actividade, 2) crescimento vertical: expansão a jusante ou a montante do estádio da oferta do negócio principal, 3) crescimento diagonal: as empresas entram em novas actividades, num processo de diversificação multimedia, 4) internacionalização/globalização: as empresas tornam-se transnacionais, i.e. com presença em múltiplos países e, em alguns casos, com uma estrutura de gestão descentralizada.
E quis saber também os riscos associados aos movimentos de concentração: 1) aumento da complexidade da gestão: se as empresas crescem demasiado depressa, a sua gestão pode tornar-se difícil e ineficiente, 2) custos de coordenação interna: os grandes grupos podem ter de despender muitos recursos para assegurar uma adequada coordenação dos vários negócios, 3) excesso de endividamento: para financiar a sua expansão, as empresas podem recorrer excessivamente a dívida financeira, 4) “choque de culturas”: os sistemas de valores das empresas integradas no mesmo grupo podem colidir.
Televisão portuguesa: tendências recentes
De entre as principais, Luís Oliveira Martins conclui: 1) SIC e TVI lideram audiências: a primeira lidera audiências globais e a segunda lidera no prime-time (20h-24h), 2) projecto RTP em reestruturação: mudança de gestão, abertura da 2: a parcerias, racionalização de custos, 3) aposta em canais temáticos distribuídos por cabo: SIC-Notícias, SIC-Mulher, SIC-Radical, RTP-N, RTP-Memória, 4) rentabilidade do sector melhora em 2003/2004: SIC e TVI com lucros e RTP com redução de prejuízos.
Há, no quadro da União Europeia, os seguintes objectivos prioritários para os canais de sinal aberto: alcançar uma rentabilidade sustentada, clarificar o estatuto/missão dos prestadores de serviço público de televisão e concretizar a televisão digital terrestre. Já no terreno nacional, os objectivos são: 1) SIC e TVI concorrem com canais temáticos (TV Cabo), com diversificação de fontes de receita e estabilidade dos níveis de rentabilidade; 2) RTP consolida a missão da empresa, diversifica receitas e equilibra definitivamente das contas.
O agora mestre é professor no departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Nova de Lisboa. Sinto-me duplamente satisfeito: 1) este departamento foi onde eu fiz uma parte significativa do meu percurso universitário, 2) na sua tese, o aluno foi orientado por mim.
A MINHA AGENDA HOJE
A) 14:30 - Tese sobre mercados de televisão. Luís Oliveira Martins defende a sua tese de mestrado Mercados televisivos europeus: causas e efeitos das novas formas de organização empresarial, na Universidade Católica Portuguesa. Arguente: Manuel Pinto (Universidade do Minho). Faço parte do júri.
B) 18:30 - Início do módulo Novas tecnologias e indústrias culturais no mestrado de Ciências da Comunicação, na mesma universidade.
Programa
1) Teoria das indústrias culturais. Cultura e indústrias culturais. Definições de cultura e indústria cultural. O conceito de reprodutibilidade técnica.
2) Determinismo tecnológico. Tecnologia, multimedia e cibercultura. A tecnologia como extensão das capacidades humanas e o sublime tecnológico.
3) Globalização económica e cultural. A sociedade em rede. Cadeia de valor e indústrias criativas. Concentração mediática e de produção e distribuição cultural. Trabalho cultural e profissões.
4) Actividades criativas, produtivas e comerciais. Indústrias culturais editoriais e de fluxo. Os dois modelos – lógica editorial das mercadorias culturais (disco, cinema e livro) e lógica da produção de fluxo (imprensa, rádio, televisão, internet).
5) Indústrias culturais, convergência e digitalização. Economia e estruturas. Novos formatos e conteúdos tecnológicos (e-books, e-learning, jogos vídeo, blogues, jornalismo em linha, arquivos digitais de televisão). A arte digital.
Leituras
a) Gerais
* Hesmondhalgh, David (2002). The cultural industries. Londres, Thousand Oaks e Nova Deli: Sage - introdução
* Hartley, John (ed.) (2005). Creative industries. Malden, MA, Oxford e Victoria: Blackwell
* Tay, Jinna (2005). “Creative cities”. In John Hartley (ed.) Creative industries. Malden, MA, Oxford e Victoria: Blackwell
b) Leituras de grupo
1) * Scott, Allen J. (2005). On Hollywood. The place, the industry. Princeton and Oxford: Princeton University Press – cap. 1, cap. 6
2) * Scott, Allen J. (2005). On Hollywood. The place, the industry. Princeton and Oxford: Princeton University Press – cap. 9
* Caves, Richard (2000). Creative industries. Cambridge, MA, e Londres: Harvard University Press – cap. 1
3) * Caves, Richard (2000). Creative industries. Cambridge, MA, e Londres: Harvard University Press – cap. 3, cap. 9
4) * Power, Dominic, e Allen J. Scott (eds.) (2004) Cultural industries and the production of culture. Londres e Nova Iorque: Routledge – cap. 4, cap. 11
5) * Power, Dominic, e Allen J. Scott (eds.) (2004) Cultural industries and the production of culture. Londres e Nova Iorque: Routledge – cap. 7
* Jones, Mike (2003). “The music industry as workplace”. No livro de Andrew Beck (ed.) Cultural work. Understanding the cultural industries. Londres e Nova Iorque: Routledge – cap. 8
6) * Murphie, Andrew, e John Potts (2003). Culture & technology. Nova Iorque: Palgrave – cap. 3
Livros a usar com maior frequência no módulo




Referências
1) Hartley, John (ed.) (2005). Creative industries. Malden, MA, Oxford e Victoria: Blackwell
2) Hesmondhalgh, David (2002). The cultural industries. Londres, Thousand Oaks e Nova Deli: Sage
3) Murphie, Andrew, e John Potts (2003). Culture & technology. Nova Iorque: Palgrave
4) Power, Dominic, e Allen J. Scott (eds.) (2004) Cultural industries and the production of culture. Londres e Nova Iorque: Routledge
5) Scott, Allen J. (2005). On Hollywood. The place, the industry. Princeton and Oxford: Princeton University Press
A) 14:30 - Tese sobre mercados de televisão. Luís Oliveira Martins defende a sua tese de mestrado Mercados televisivos europeus: causas e efeitos das novas formas de organização empresarial, na Universidade Católica Portuguesa. Arguente: Manuel Pinto (Universidade do Minho). Faço parte do júri.
B) 18:30 - Início do módulo Novas tecnologias e indústrias culturais no mestrado de Ciências da Comunicação, na mesma universidade.
Programa
1) Teoria das indústrias culturais. Cultura e indústrias culturais. Definições de cultura e indústria cultural. O conceito de reprodutibilidade técnica.
2) Determinismo tecnológico. Tecnologia, multimedia e cibercultura. A tecnologia como extensão das capacidades humanas e o sublime tecnológico.
3) Globalização económica e cultural. A sociedade em rede. Cadeia de valor e indústrias criativas. Concentração mediática e de produção e distribuição cultural. Trabalho cultural e profissões.
4) Actividades criativas, produtivas e comerciais. Indústrias culturais editoriais e de fluxo. Os dois modelos – lógica editorial das mercadorias culturais (disco, cinema e livro) e lógica da produção de fluxo (imprensa, rádio, televisão, internet).
5) Indústrias culturais, convergência e digitalização. Economia e estruturas. Novos formatos e conteúdos tecnológicos (e-books, e-learning, jogos vídeo, blogues, jornalismo em linha, arquivos digitais de televisão). A arte digital.
Leituras
a) Gerais
* Hesmondhalgh, David (2002). The cultural industries. Londres, Thousand Oaks e Nova Deli: Sage - introdução
* Hartley, John (ed.) (2005). Creative industries. Malden, MA, Oxford e Victoria: Blackwell
* Tay, Jinna (2005). “Creative cities”. In John Hartley (ed.) Creative industries. Malden, MA, Oxford e Victoria: Blackwell
b) Leituras de grupo
1) * Scott, Allen J. (2005). On Hollywood. The place, the industry. Princeton and Oxford: Princeton University Press – cap. 1, cap. 6
2) * Scott, Allen J. (2005). On Hollywood. The place, the industry. Princeton and Oxford: Princeton University Press – cap. 9
* Caves, Richard (2000). Creative industries. Cambridge, MA, e Londres: Harvard University Press – cap. 1
3) * Caves, Richard (2000). Creative industries. Cambridge, MA, e Londres: Harvard University Press – cap. 3, cap. 9
4) * Power, Dominic, e Allen J. Scott (eds.) (2004) Cultural industries and the production of culture. Londres e Nova Iorque: Routledge – cap. 4, cap. 11
5) * Power, Dominic, e Allen J. Scott (eds.) (2004) Cultural industries and the production of culture. Londres e Nova Iorque: Routledge – cap. 7
* Jones, Mike (2003). “The music industry as workplace”. No livro de Andrew Beck (ed.) Cultural work. Understanding the cultural industries. Londres e Nova Iorque: Routledge – cap. 8
6) * Murphie, Andrew, e John Potts (2003). Culture & technology. Nova Iorque: Palgrave – cap. 3
Livros a usar com maior frequência no módulo
1) Hartley, John (ed.) (2005). Creative industries. Malden, MA, Oxford e Victoria: Blackwell
2) Hesmondhalgh, David (2002). The cultural industries. Londres, Thousand Oaks e Nova Deli: Sage
3) Murphie, Andrew, e John Potts (2003). Culture & technology. Nova Iorque: Palgrave
4) Power, Dominic, e Allen J. Scott (eds.) (2004) Cultural industries and the production of culture. Londres e Nova Iorque: Routledge
5) Scott, Allen J. (2005). On Hollywood. The place, the industry. Princeton and Oxford: Princeton University Press
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005
PARA O JORGE GUIMARÃES SILVA, DO BLOGUE A RÁDIO EM PORTUGAL
Um abraço de amizade por ter feito, no seu blogue, uma referência a um dos meus livros, Olhos de boneca, de onde retirou o seguinte trecho: "Do nosso rei D. Luís I, conta-se um curioso episódio, registado pela imprensa de 1884.
Enlutado pela morte de um elemento da sua família, o monarca não pôde assistir à estreia da ópera Laureana, do maestro Augusto Machado. Ao instalar entre o teatro S. Carlos e o palácio da Ajuda uma linha especial para o efeito, a companhia dos telefones permitiu a D. Luís a audição da obra musical. Na sala de concertos da casa real, colocava-se «uma grande jardineira, coberta com um pano de veludo carmesim franjado a ouro.
No centro, via-se um grande açafate de camélias e, nas extremidades, dois candelabros iluminando os oito receptores destinados à transmissão da ópera». [...]após essa experiência de sucesso, a empresa que dirigia o teatro de S. Carlos anunciou, em Outubro de 1885 «assinaturas telefónicas para a temporada da ópera». O preço, para as 90 récitas da época inteira, era de 180 mil reis. A música por telefone chegou até Palhavã, Olivais e Braço de Prata".
As imagens respeitam a essa história, da caneta de Bordalo Pinheiro. Hove mesmo uma empresa de telecomunicações na Hungria que transmitia informações e música - era quase a rádio por fios (ainda não se tinha pensado na internet).
Um abraço de amizade por ter feito, no seu blogue, uma referência a um dos meus livros, Olhos de boneca, de onde retirou o seguinte trecho: "Do nosso rei D. Luís I, conta-se um curioso episódio, registado pela imprensa de 1884.
As imagens respeitam a essa história, da caneta de Bordalo Pinheiro. Hove mesmo uma empresa de telecomunicações na Hungria que transmitia informações e música - era quase a rádio por fios (ainda não se tinha pensado na internet).
EDIÇÃO DE LIVROS SOBRE OS MEDIA APOIADA PELO INSTITUTO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
O Instituto da Comunicação Social apoiou financeiramente a edição de 17 livros sobre media, no concurso do segundo semestre de 2004. Das editoras, a Minerva (Coimbra) viu apoiados sete livros, a Livros Horizonte dois e outras um (Nova Vega, Notícias, Caminho, Quimera e Celta), além de dois individuais.
Livros de provedores de leitor (Fernando Martins, Estrela Serrano), sobre o papel dos assessores (Vítor Gonçalves), telenovela brasileira (Verónica Policarpo), televisão de proximidade (Pedro Coelho) e história da Emissora Nacional (Nelson Ribeiro) contam-se entre os temas e autores. O autor deste blogue também foi contemplado: o meu texto intitulado As vozes da rádio, 1924-1939 tem luz verde (financeira) para publicação. Estou com uma grande vontade de o ler... em livro!
O apoio do ICS para a edição de livros no segundo semestre de 2004 foi de €51 mil. Cada obra terá um patrocínio de €3 mil. No primeiro semestre do ano passado, o ICS apoiara já três livros, todos pertencentes à Livros Horizonte (colecção do Centro de Investigação Media e Jornalismo) , num total de €9 mil.
O Instituto da Comunicação Social apoiou financeiramente a edição de 17 livros sobre media, no concurso do segundo semestre de 2004. Das editoras, a Minerva (Coimbra) viu apoiados sete livros, a Livros Horizonte dois e outras um (Nova Vega, Notícias, Caminho, Quimera e Celta), além de dois individuais.
Livros de provedores de leitor (Fernando Martins, Estrela Serrano), sobre o papel dos assessores (Vítor Gonçalves), telenovela brasileira (Verónica Policarpo), televisão de proximidade (Pedro Coelho) e história da Emissora Nacional (Nelson Ribeiro) contam-se entre os temas e autores. O autor deste blogue também foi contemplado: o meu texto intitulado As vozes da rádio, 1924-1939 tem luz verde (financeira) para publicação. Estou com uma grande vontade de o ler... em livro!
O apoio do ICS para a edição de livros no segundo semestre de 2004 foi de €51 mil. Cada obra terá um patrocínio de €3 mil. No primeiro semestre do ano passado, o ICS apoiara já três livros, todos pertencentes à Livros Horizonte (colecção do Centro de Investigação Media e Jornalismo) , num total de €9 mil.
A CULTURA EM RAYMOND WILLIAMS
Raymond Williams propõe distinguir: 1) as relações variáveis entre produtores culturais e instituições sociais reconhecíveis, 2) variáveis em que os produtores culturais se organizam em formações. Ele releva sobretudo as ligações entre produtores e instituições. Observa dois tipos fundamentais de relações: 1) patronato, 2) mercado.
O primeiro caso é o do artista instituído, aquele que, em certas sociedades antigas, era oficialmente reconhecido como parte da própria organização social central – muitas vezes um poeta. São os exemplos do bardo na organização oficial do reino ou tribo ou do historiador em termos actuais. A diferenciação de funções foi resultado do desenvolvimento interno, à medida que cada função requereu mais habilidade e tempo e também resultado de mudanças sociais na organização social.
O segundo caso analisado por Williams é o dos artistas e dos patronos. Distingue cinco áreas: 1) da instituição ao patrono, 2) contratação e encomenda, 3) protecção e manutenção, 4) patrocínio, e 5) o público como patrono.
O poeta, por exemplo, estava dependente de uma família aristocrata. O que significa a passagem de relações sociais numa instituição para relações sociais de troca, integradas na família patrocinadora. Uma outra forma de patronato é a instituída na corte ou dentro de uma família poderosa, em que havia uma organização de artistas como parte da organização social. Tal foi particularmente importante em pintura e música. Os detalhes em que ocorria o patrocínio eram variados e caminha-se para um sistema de mestre e aprendiz. Williams chama a atenção para o facto de algumas obras mais conhecidas de arte (pintura, escultura, arquitectura) se desenvolver no interior da Igreja, caso das obras encomendadas pelo Vaticano. E nos mosteiros encontram-se formas específicas de arte e literatura, conforme as regras religiosas específicas.
A terceira forma de patronato ocupa-se menos com o contrato ou comissão directa mas mais com o tipo de protecção ou reconhecimento social. As companhias teatrais da Inglaterra do tempo de Isabel I são um exemplo, com apoio face às condições sociais e legais inseguras em que viviam teatros e actores. As obras eram dedicadas a patronos específicos, os quais garantiam a protecção acima assinalada. Enquanto os patrocínios elencados no parágrafo anterior ofereciam hospedagem, recompensa e, em algumas situações, retribuição monetária directa, o tipo de patronato isabelino entrava já no domínio comercial. Havia mesmo apoios ao arranque de uma carreira.
Quanto ao público como patronato significa que é o conjunto do público que assume as funções anteriormente desempenhadas pela corte, pela família ou por um patrono individual. Contudo, a característica definidora das relações sociais do patronato é sempre a situação privilegiada do patrono.
Artistas e mercados
Raymond Williams dedica espaço a definir a posição dos artistas no mercado, dado que considera haver um longo período de sobreposição entre patronato e mercado nas artes. Mas o mercado implica a obra de arte como mercadoria e o artista como um tipo especial de produtor de mercadorias.
A situação mais antiga e simples é a do artesanato, do produtor independente que põe a sua obra à venda. A situação seguinte da produção de mercadorias tem duas etapas: 1) o produtor não vende a obra directamente mas através de um intermediário distribuidor, que pode tornar-se o seu empregador, 2) o produtor vende a sua obra a um intermediário produtor, começando a instituir-se relações tipicamente capitalistas, pois o intermediário ao comprar visa obter lucro na venda posterior. Williams aponta o caso de livreiros que passam a editores.
Uma nova etapa definida pelo autor é a do profissional de mercado. Há dois indicadores precisos das relações de mercado, situação visível no domínio dos escritores: copyright (direitos de autor) e royalty (pagamento relativo a cada exemplar vendido), este último resultado de um contrato negociado. Assim, o escritor tornava-se participante no processo da venda da sua obra no mercado.
Finalmente, a actividade profissional empresarial, associada a avanços nas áreas da cultura e de meios de comunicação de massa. Estes desenvolvimentos, no campo do escritor, por exemplo, resultaram na criação de empresas e consórcios editores de revistas e jornais. Os casos de maior crescimento profissional deram-se nos media (cinema, rádio e televisão), que oferecem emprego assalariado mediante um contrato.
[Raymond Williams (1921-1988), considerado um dos fundadores dos cultural studies ingleses, foi autor de livros como Culture and society (1958), Television: technology and cultural forms (1974) e Keywords (1976)]
Leitura: Raymond Williams (2000). Cultura. São Paulo: Paz e Terra, pp. 35-53.
O primeiro caso é o do artista instituído, aquele que, em certas sociedades antigas, era oficialmente reconhecido como parte da própria organização social central – muitas vezes um poeta. São os exemplos do bardo na organização oficial do reino ou tribo ou do historiador em termos actuais. A diferenciação de funções foi resultado do desenvolvimento interno, à medida que cada função requereu mais habilidade e tempo e também resultado de mudanças sociais na organização social.
O segundo caso analisado por Williams é o dos artistas e dos patronos. Distingue cinco áreas: 1) da instituição ao patrono, 2) contratação e encomenda, 3) protecção e manutenção, 4) patrocínio, e 5) o público como patrono.
O poeta, por exemplo, estava dependente de uma família aristocrata. O que significa a passagem de relações sociais numa instituição para relações sociais de troca, integradas na família patrocinadora. Uma outra forma de patronato é a instituída na corte ou dentro de uma família poderosa, em que havia uma organização de artistas como parte da organização social. Tal foi particularmente importante em pintura e música. Os detalhes em que ocorria o patrocínio eram variados e caminha-se para um sistema de mestre e aprendiz. Williams chama a atenção para o facto de algumas obras mais conhecidas de arte (pintura, escultura, arquitectura) se desenvolver no interior da Igreja, caso das obras encomendadas pelo Vaticano. E nos mosteiros encontram-se formas específicas de arte e literatura, conforme as regras religiosas específicas.
A terceira forma de patronato ocupa-se menos com o contrato ou comissão directa mas mais com o tipo de protecção ou reconhecimento social. As companhias teatrais da Inglaterra do tempo de Isabel I são um exemplo, com apoio face às condições sociais e legais inseguras em que viviam teatros e actores. As obras eram dedicadas a patronos específicos, os quais garantiam a protecção acima assinalada. Enquanto os patrocínios elencados no parágrafo anterior ofereciam hospedagem, recompensa e, em algumas situações, retribuição monetária directa, o tipo de patronato isabelino entrava já no domínio comercial. Havia mesmo apoios ao arranque de uma carreira.
Quanto ao público como patronato significa que é o conjunto do público que assume as funções anteriormente desempenhadas pela corte, pela família ou por um patrono individual. Contudo, a característica definidora das relações sociais do patronato é sempre a situação privilegiada do patrono.
Artistas e mercados
Raymond Williams dedica espaço a definir a posição dos artistas no mercado, dado que considera haver um longo período de sobreposição entre patronato e mercado nas artes. Mas o mercado implica a obra de arte como mercadoria e o artista como um tipo especial de produtor de mercadorias.
A situação mais antiga e simples é a do artesanato, do produtor independente que põe a sua obra à venda. A situação seguinte da produção de mercadorias tem duas etapas: 1) o produtor não vende a obra directamente mas através de um intermediário distribuidor, que pode tornar-se o seu empregador, 2) o produtor vende a sua obra a um intermediário produtor, começando a instituir-se relações tipicamente capitalistas, pois o intermediário ao comprar visa obter lucro na venda posterior. Williams aponta o caso de livreiros que passam a editores.
Uma nova etapa definida pelo autor é a do profissional de mercado. Há dois indicadores precisos das relações de mercado, situação visível no domínio dos escritores: copyright (direitos de autor) e royalty (pagamento relativo a cada exemplar vendido), este último resultado de um contrato negociado. Assim, o escritor tornava-se participante no processo da venda da sua obra no mercado.
Finalmente, a actividade profissional empresarial, associada a avanços nas áreas da cultura e de meios de comunicação de massa. Estes desenvolvimentos, no campo do escritor, por exemplo, resultaram na criação de empresas e consórcios editores de revistas e jornais. Os casos de maior crescimento profissional deram-se nos media (cinema, rádio e televisão), que oferecem emprego assalariado mediante um contrato.
[Raymond Williams (1921-1988), considerado um dos fundadores dos cultural studies ingleses, foi autor de livros como Culture and society (1958), Television: technology and cultural forms (1974) e Keywords (1976)]
Leitura: Raymond Williams (2000). Cultura. São Paulo: Paz e Terra, pp. 35-53.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2005
NOVO NÚMERO DA REVISTA OBSERVATÓRIO
Saíu, com data de Dezembro de 2004, o número 10 da Observatório, revista do Obercom.
O tema de capa resulta de um seminário ocorrido em 22 de Março do ano findo sob o título Televisão interactiva: avanços e impactos, e que se fez eco neste blogue na altura respectiva.
O seminário, lê-se na apresentação deste número, contou com duas apresentações feitas por convidados estrangeiros de renome e quatro sessões dedicadas a temáticas complementares. Normas técnicas, como o MPEG (Moving Picture Expert Group) e MHP (Multimedia Home Platform), foram apresentadas e discutidas nessa sessão que decorreu na sede Ordem dos Engenheiros, que organizou o evento em conjunto com o Obercom.
Ainda da nota prévia, assinada por Francisco Pereira (Instituto Superior Técnico) e Rui Cádima (Universidade Nova de Lisboa), destaco o seguinte passo: "A oferta da televisão interactiva passa assim pelo desenvolvimento tecnológico, sobretudo ligado à representação e transmissão digital, pelo desenvolvimento de aplicações e pela criação de conteúdos".
Preço de cada exemplar: €10.
O tema de capa resulta de um seminário ocorrido em 22 de Março do ano findo sob o título Televisão interactiva: avanços e impactos, e que se fez eco neste blogue na altura respectiva.
O seminário, lê-se na apresentação deste número, contou com duas apresentações feitas por convidados estrangeiros de renome e quatro sessões dedicadas a temáticas complementares. Normas técnicas, como o MPEG (Moving Picture Expert Group) e MHP (Multimedia Home Platform), foram apresentadas e discutidas nessa sessão que decorreu na sede Ordem dos Engenheiros, que organizou o evento em conjunto com o Obercom.
Ainda da nota prévia, assinada por Francisco Pereira (Instituto Superior Técnico) e Rui Cádima (Universidade Nova de Lisboa), destaco o seguinte passo: "A oferta da televisão interactiva passa assim pelo desenvolvimento tecnológico, sobretudo ligado à representação e transmissão digital, pelo desenvolvimento de aplicações e pela criação de conteúdos".
Preço de cada exemplar: €10.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005
TECNÓFILOS, TECNÓFOBOS E STAR TREK
Há quem divida em pessoas em dois grupos, os tecnófilos e os tecnófobos, escreve Nelson Ascher (Folha de S. Paulo, 19 de Abril de 2004). Ora, quais as diferenças entre uns e outros?
O tecnófilo tira fotografias digitais e envia-as aos amigos juntamente com as mensagens electrónicas, é fã de séries de ficção científica (como os trekkies, os fãs da série Star Trek) e abandona qualquer conversa para discutir acaloradamente vantagens e desvantagens de um PC face ao Macintosh. Já o tecnófobo, apesar de ter comprado um computador, ainda gosta da caneta de tinta permanente e da caligrafia de médico, desdenha da televisão (em especial a MTV) e prefere filmes independentes ou de países marginais aos circuitos comerciais e não faz download de música pela internet ou ouve num leitor de MP3 [imagem de Ascher, nascido em 1958 em São Paulo, retirada do sítio Centre International de Poésie Marseille].
Se aderiu entusiasticamente ao computador e logo se ligou à internet – continua a escrever Ascher –, usando o Google diariamente, e recorre ao IMDb (Internet Movie Database) para tirar dúvidas cinematográficas, identifica-se mais com a cultura de massa. Ao invés, se se agarra às tecnologias mais antigas, em sua volta vê apenas decadência manipulada pelas indústrias culturais. Ascher desanca nos tecnófobos, que se insurgem contra a rede McDonald’s e rejeitam os alimentos geneticamente modificados, chamando-os de Frankenfood (de Frankenstein, livro escrito por Mary Shelley, que apoiou os ludditas originais).
Porém, o mundo real, reconhece o mesmo Nelson Ascher, não é assim tão a preto e branco, pois tem muitos cambiantes. Embora fosse mais fácil catalogar as pessoas num ou noutro grupo.
Star Trek
Os alunos Carlos Maia, Joana Mil-Homens e João Lameira escreveram um texto a que designaram por Star Trek e os seus fãs. Trata-se de uma análise ao comportamento dos trekkies, os fãs de uma série que acabou recentemente, nos Estados Unidos, ao fim de 18 anos de emissões - e que eu coloco entre os tecnófilos.


Como decorreu o trabalho empírico dos alunos? Eles contactaram o
Clube Star Trek Portugal e enviaram 20 inquéritos, com uma maioria masculina (75%) de população respondente e entre os 26 e 30 anos (80%). Por a maioria dos personagens da série ser masculina, supõe-se que o número de fãs mais elevado nesse género seja a razão.
Só mais recentemente é que as mulheres passaram a desempenhar alguns papéis importantes (segurança, médica, conselheira com poderes telepáticos). Muitos dos inquiridos localizavam-se principalmente em Lisboa e Porto, embora a agregação de clubes como o Star Trek de Portugal use mais a internet, relativizando a preponderância dos grandes centros [logótipo retirado do sítio do clube nacional].
Das respostas, os alunos concluiram haver um número elevado de iniciados no clube (45% são fãs da série há menos de quatro anos), explicado pelo facto da SIC Radical estar a repor a série desde pouco tempo atrás. A quase totalidade (19 em 20) tem material relacionado com a série (DVDs, bonecos), embora o questionário não tivesse sido desenhado para se obter quantificações de aquisição desse material. A aquisição do material fora feita na internet (57,9%), o que confirma o uso dos novos media por parte dos trekkies.
Aliás, todos os respondentes afirmaram frequentar sítios da internet relacionados com a série.
Dois dos inquiridos responderam ter adquirido o material da série fora do país, o que levou os alunos a trabalharem duas hipóteses: 1) os fãs deslocam-se ao estrangeiro com o propósito de comprar, 2) os fãs não se desligam da série mesmo quando em trabalho ou gozo de férias [na imagem, notícia publicada no jornal Expresso, de 17 de Novembro de 2001).
Duas a cinco horas diárias é quanto os trekkies dedicam ao seu objecto de culto, nomeadamente fóruns, encontros e jogos online. 85% dos inquiridos responderam que já participaram em encontros internacionais de fãs da série e muitos consideram que esta influenciou muito a sua vida. Ou seja, as aventuras da nave espacial Entreprise encontram-se num patamar afectivo muito elevado para estes jovens, visível nas galerias de fotografias (ver imagens no sítio do Clube Star Trek Portugal, aquando da sua oficialização, em Carcavelos, a 31 de Janeiro de 2004). E entre eles encontram-se fãs excêntricos.
Observação: devo a D. Bertocchi, do blogue Intermezzo, o recorte da Folha de S. Paulo, de 19 de Abril do ano passado, que agora recuperei.
Há quem divida em pessoas em dois grupos, os tecnófilos e os tecnófobos, escreve Nelson Ascher (Folha de S. Paulo, 19 de Abril de 2004). Ora, quais as diferenças entre uns e outros?
Se aderiu entusiasticamente ao computador e logo se ligou à internet – continua a escrever Ascher –, usando o Google diariamente, e recorre ao IMDb (Internet Movie Database) para tirar dúvidas cinematográficas, identifica-se mais com a cultura de massa. Ao invés, se se agarra às tecnologias mais antigas, em sua volta vê apenas decadência manipulada pelas indústrias culturais. Ascher desanca nos tecnófobos, que se insurgem contra a rede McDonald’s e rejeitam os alimentos geneticamente modificados, chamando-os de Frankenfood (de Frankenstein, livro escrito por Mary Shelley, que apoiou os ludditas originais).
Porém, o mundo real, reconhece o mesmo Nelson Ascher, não é assim tão a preto e branco, pois tem muitos cambiantes. Embora fosse mais fácil catalogar as pessoas num ou noutro grupo.
Star Trek
Os alunos Carlos Maia, Joana Mil-Homens e João Lameira escreveram um texto a que designaram por Star Trek e os seus fãs. Trata-se de uma análise ao comportamento dos trekkies, os fãs de uma série que acabou recentemente, nos Estados Unidos, ao fim de 18 anos de emissões - e que eu coloco entre os tecnófilos.
Como decorreu o trabalho empírico dos alunos? Eles contactaram o
Clube Star Trek Portugal e enviaram 20 inquéritos, com uma maioria masculina (75%) de população respondente e entre os 26 e 30 anos (80%). Por a maioria dos personagens da série ser masculina, supõe-se que o número de fãs mais elevado nesse género seja a razão.
Das respostas, os alunos concluiram haver um número elevado de iniciados no clube (45% são fãs da série há menos de quatro anos), explicado pelo facto da SIC Radical estar a repor a série desde pouco tempo atrás. A quase totalidade (19 em 20) tem material relacionado com a série (DVDs, bonecos), embora o questionário não tivesse sido desenhado para se obter quantificações de aquisição desse material. A aquisição do material fora feita na internet (57,9%), o que confirma o uso dos novos media por parte dos trekkies.
Dois dos inquiridos responderam ter adquirido o material da série fora do país, o que levou os alunos a trabalharem duas hipóteses: 1) os fãs deslocam-se ao estrangeiro com o propósito de comprar, 2) os fãs não se desligam da série mesmo quando em trabalho ou gozo de férias [na imagem, notícia publicada no jornal Expresso, de 17 de Novembro de 2001).
Duas a cinco horas diárias é quanto os trekkies dedicam ao seu objecto de culto, nomeadamente fóruns, encontros e jogos online. 85% dos inquiridos responderam que já participaram em encontros internacionais de fãs da série e muitos consideram que esta influenciou muito a sua vida. Ou seja, as aventuras da nave espacial Entreprise encontram-se num patamar afectivo muito elevado para estes jovens, visível nas galerias de fotografias (ver imagens no sítio do Clube Star Trek Portugal, aquando da sua oficialização, em Carcavelos, a 31 de Janeiro de 2004). E entre eles encontram-se fãs excêntricos.
Observação: devo a D. Bertocchi, do blogue Intermezzo, o recorte da Folha de S. Paulo, de 19 de Abril do ano passado, que agora recuperei.
domingo, 13 de fevereiro de 2005
TARNATION
O filme de Jonathan Caouette é muito triste (por exemplo, quando o autor/realizador mostra a decadência mental da sua própria mãe, Renee, no momento em que canta e brinca com uma pequena abóbora). Mas, para além da história autobiográfica e de uma estética distinta da cinematografia dominante, há um aspecto que quero aqui realçar: o uso das tecnologias no filme.
Caouette, que filmou a sua vida e a da sua família disfuncional desde os seus nove anos, reuniu muito material que, em 2003, aos 30 anos, resolveu organizar. Fez 88 minutos de filme das cerca de 160 horas que tinha, usando filmes Super-8, Betamax, VHS, Hi-8 e Mini-DV, e mesmo fotografias, misturadas no computador, o que dá à fita uma certa irrealidade. Colou ainda excertos de emissões de televisão e músicas da época, parecendo, por isso, um documentário.
Caouette, que filmou a sua vida e a da sua família disfuncional desde os seus nove anos, reuniu muito material que, em 2003, aos 30 anos, resolveu organizar. Fez 88 minutos de filme das cerca de 160 horas que tinha, usando filmes Super-8, Betamax, VHS, Hi-8 e Mini-DV, e mesmo fotografias, misturadas no computador, o que dá à fita uma certa irrealidade. Colou ainda excertos de emissões de televisão e músicas da época, parecendo, por isso, um documentário.
BRÉTEMAS
Um blogue galego que descobri agora, Brétemas, sobre Notas do traballo de edición (em galego e não castelhano), parece-me um espaço a descobrir e a ler com muita atenção. A partir de Vigo.
E um fortíssimo agradecimento pelo link do seu blogue a este IC. Não sei como fazer...
Um blogue galego que descobri agora, Brétemas, sobre Notas do traballo de edición (em galego e não castelhano), parece-me um espaço a descobrir e a ler com muita atenção. A partir de Vigo.
E um fortíssimo agradecimento pelo link do seu blogue a este IC. Não sei como fazer...
DUAS NOTÍCIAS DE IGUAL INTERESSE
1) Jantar de blogueiros(as) agendado para Coimbra. O blogue Pastel de Nata está a organizar um jantar no próximo dia 26, em Coimbra. Inscrevam-se!
2) Tese sobre mercados de televisão. Luís Oliveira Martins defende a sua tese de mestrado Mercados televisivos europeus: causas e efeitos das novas formas de organização empresarial a 17 de Fevereiro, pelas 14:30, na Universidade Católica Portuguesa.
1) Jantar de blogueiros(as) agendado para Coimbra. O blogue Pastel de Nata está a organizar um jantar no próximo dia 26, em Coimbra. Inscrevam-se!
2) Tese sobre mercados de televisão. Luís Oliveira Martins defende a sua tese de mestrado Mercados televisivos europeus: causas e efeitos das novas formas de organização empresarial a 17 de Fevereiro, pelas 14:30, na Universidade Católica Portuguesa.
E SE DESLIGÁSSEMOS OS TELEVISORES DURANTE UM MÊS?


Esta é a proposta do Le Monde de hoje, a partir do trabalho do sociólogo e realizador de cinema Patrick Volson. Volson fizera uma experiência semelhante há vinte anos (1986, em Créteil, conjuntamente com Jean-Claude Raspiengeas, para a Antenne 2). Agora, para o canal Arte, conseguiu que dois matemáticos, um restaurador, um especialista em psicomotricidade, um conselheiro municipal, professores, o responsável do pessoal da embaixada inglesa, um casal de reformados [que possuía quatro televisores em casa!] e outros tenham aceite viver sem televisão em casa, entre 8 de Janeiro e 6 de Fevereiro.
Ora, em vinte anos - o lapso de tempo das experiências de Volson - muita coisa mudou na tele. Multiplicaram-se as cadeias de televisão, com o cabo e o satélite, surgiu o telecomando e o zapping, os mais jovens perderam lentamente o hábito de ler jornais retirando o essencial da informação a partir da televisão. Mas há um aumento de desconfiança face à tele e um sentimento de culpa perante a qualidade de programação. De todo o modo, privar-se da tele durante tanto tempo é uma aventura, lê-se no texto assinado por Macha Séry.
A ideia principal da nova experiência era saber como ocupar as três horas e 22 minutos que, em média, um francês gasta a consumir televisão. Em 1986, algumas das cobaias redescobriu o prazer de conversar, a ópera, a rádio. Agora, um dos participantes, professor de robótica, que confessaria a sua dependência da tele e do zapping, e designaria a sua filha como bulímica da tele, reconheceria a importância desta ruptura. Ele também redescobriu o prazer da rádio e o seu filho deu mais atenção ao gato. Uma outra criança já tinha tempo para os deveres escolares. Mas nem todos aguentam uma duração tão elevada de afastamento: já na experiência de 1986, uma quinquegenária, capitulou. Ela sentia-se orfã, precisava de recuperar as caras conhecidas que entram todos os dias em casa graças à tele.
Patrick Volson, apesar da sua formação em sociologia, não pretendeu fazer um inquérito com uma amostra significativa, mas acabaria por ter um retrato empírico da realidade. E argumentar a favor do que associações de telespectadores têm feito: movimentos anti-publicidade ou alertas para a programação infantil (por causa da violência). Isto é, reflectir sobre a televisão e chamar a atenção para o seu consumo exagerado e acrítico.
Outras notícias de interesse na edição do Le Monde

As duas páginas sobre Arthur Miller, anteontem desaparecido, e a notícia sobre uma revista mensal saída em Marrocos, a Police Magazine, em árabe e francês. A publicação mistura pontos de vista de comissários da polícia (alguns adeptos da linha dura quanto a direitos humanos) e jornalistas contestatários, numa ideia de conciliar a polícia com o cidadão, escreve Jean-Pierre Tuquoi no Le Monde. São cinquenta páginas de reportagens e crónicas. Uma das peças fala de um marroquino condenado à morte, acusado de crimes violentos e actos de pedofilia.
Pergunta: haverá tempo para uma publicação destas continuar nas bancas de jornais? Pelos vistos, toda a gente quer lá pôr publicidade - agentes concessionários de automóveis, companhias de seguros, empresas de informática -, o que parece assegurar uma manutenção tranquila. Se eu puder, estarei atento a este aggionarmiento jornalístico.
Esta é a proposta do Le Monde de hoje, a partir do trabalho do sociólogo e realizador de cinema Patrick Volson. Volson fizera uma experiência semelhante há vinte anos (1986, em Créteil, conjuntamente com Jean-Claude Raspiengeas, para a Antenne 2). Agora, para o canal Arte, conseguiu que dois matemáticos, um restaurador, um especialista em psicomotricidade, um conselheiro municipal, professores, o responsável do pessoal da embaixada inglesa, um casal de reformados [que possuía quatro televisores em casa!] e outros tenham aceite viver sem televisão em casa, entre 8 de Janeiro e 6 de Fevereiro.
Ora, em vinte anos - o lapso de tempo das experiências de Volson - muita coisa mudou na tele. Multiplicaram-se as cadeias de televisão, com o cabo e o satélite, surgiu o telecomando e o zapping, os mais jovens perderam lentamente o hábito de ler jornais retirando o essencial da informação a partir da televisão. Mas há um aumento de desconfiança face à tele e um sentimento de culpa perante a qualidade de programação. De todo o modo, privar-se da tele durante tanto tempo é uma aventura, lê-se no texto assinado por Macha Séry.
A ideia principal da nova experiência era saber como ocupar as três horas e 22 minutos que, em média, um francês gasta a consumir televisão. Em 1986, algumas das cobaias redescobriu o prazer de conversar, a ópera, a rádio. Agora, um dos participantes, professor de robótica, que confessaria a sua dependência da tele e do zapping, e designaria a sua filha como bulímica da tele, reconheceria a importância desta ruptura. Ele também redescobriu o prazer da rádio e o seu filho deu mais atenção ao gato. Uma outra criança já tinha tempo para os deveres escolares. Mas nem todos aguentam uma duração tão elevada de afastamento: já na experiência de 1986, uma quinquegenária, capitulou. Ela sentia-se orfã, precisava de recuperar as caras conhecidas que entram todos os dias em casa graças à tele.
Patrick Volson, apesar da sua formação em sociologia, não pretendeu fazer um inquérito com uma amostra significativa, mas acabaria por ter um retrato empírico da realidade. E argumentar a favor do que associações de telespectadores têm feito: movimentos anti-publicidade ou alertas para a programação infantil (por causa da violência). Isto é, reflectir sobre a televisão e chamar a atenção para o seu consumo exagerado e acrítico.
Outras notícias de interesse na edição do Le Monde
As duas páginas sobre Arthur Miller, anteontem desaparecido, e a notícia sobre uma revista mensal saída em Marrocos, a Police Magazine, em árabe e francês. A publicação mistura pontos de vista de comissários da polícia (alguns adeptos da linha dura quanto a direitos humanos) e jornalistas contestatários, numa ideia de conciliar a polícia com o cidadão, escreve Jean-Pierre Tuquoi no Le Monde. São cinquenta páginas de reportagens e crónicas. Uma das peças fala de um marroquino condenado à morte, acusado de crimes violentos e actos de pedofilia.
Pergunta: haverá tempo para uma publicação destas continuar nas bancas de jornais? Pelos vistos, toda a gente quer lá pôr publicidade - agentes concessionários de automóveis, companhias de seguros, empresas de informática -, o que parece assegurar uma manutenção tranquila. Se eu puder, estarei atento a este aggionarmiento jornalístico.
LUX
O trabalho de Carlos Ferreira, Jaime Anahory e Antía Queiruga, sobre a discoteca Lux, não teve um suporte teórico tão elevado como outros trabalhos de licenciatura a que eu já referi. Além disso, os dados quantitativos incluídos podiam ser mais precisos, carecendo de maior cuidado no seu tratamento e interpretação. Contudo, pesando os prós e os contras, decidi fazer aqui a síntese desse texto.

Os alunos inquiriram 27 frequentadores da discoteca, na madrugada de 26 de Novembro último, entre as 2:30 e as 3:30, nas imediações da mesma [imagem retirada do sítio LuxFrágil]. O grupo entrevistado era composto por 60% do género masculino e 40% do género feminino, sendo 40% estudantes, 20% empresários, 15% desempregados, 15% outros e 10% jornalistas (a pergunta idade, delineada no inquérito, não aparece respondida nos resultados).
Quanto a atributos mais valorizados no espaço de diversão nocturna, os respondentes escolheram: géneros de música e artistas (32%), ambiente (30%), qualidade de serviço (22%), segurança (11%) e decoração (5%). Uma pergunta levemente distinta - o que mais lhe agrada na discoteca - levaria a resultados próximos: géneros de música e artistas (31%), ambiente (20%), qualidade de serviço (29%; aqui há uma troca com a opção ambiente), segurança (14%) e decoração (6%).
Em termos de assiduidade, das 27 respostas, 15% frequentam a discoteca duas vezes por semana, 45% uma vez, 20% uma vez por mês e 20% raramente. Há aqui uma identificação dos frequentadores com a Lux, confirmada ligeiramente noutra questão, quando 55% responde que não frequenta outra discoteca.
Outra pergunta caracterizadora da fidelidade é a da frequência em tempo: 15% são clientes da discoteca há cerca de seis anos, 30% há quatro anos, 35% há dois anos, 15% há menos de um ano e 5% ia à Lux a primeira ou segunda vez [com números pequenos como 27 respondentes, há distorções face à realidade e os alunos não foram rigorosos; basta ver que 5% de respondentes iam a primeira/segunda vez, o que significa 1,35 pessoas, valor impossível de concretizar].
A fidelização dos clientes leva-os a classificarem a discoteca com os valores de muito bom (55%), bom (30%) e razoável (15%). A electro-pop e a hip-hop recolheram as preferências dos fregueses da Lux, conquanto os alunos não tenham especificado valores absolutos ou relativos.
O trabalho de Carlos Ferreira, Jaime Anahory e Antía Queiruga, sobre a discoteca Lux, não teve um suporte teórico tão elevado como outros trabalhos de licenciatura a que eu já referi. Além disso, os dados quantitativos incluídos podiam ser mais precisos, carecendo de maior cuidado no seu tratamento e interpretação. Contudo, pesando os prós e os contras, decidi fazer aqui a síntese desse texto.
Os alunos inquiriram 27 frequentadores da discoteca, na madrugada de 26 de Novembro último, entre as 2:30 e as 3:30, nas imediações da mesma [imagem retirada do sítio LuxFrágil]. O grupo entrevistado era composto por 60% do género masculino e 40% do género feminino, sendo 40% estudantes, 20% empresários, 15% desempregados, 15% outros e 10% jornalistas (a pergunta idade, delineada no inquérito, não aparece respondida nos resultados).
Quanto a atributos mais valorizados no espaço de diversão nocturna, os respondentes escolheram: géneros de música e artistas (32%), ambiente (30%), qualidade de serviço (22%), segurança (11%) e decoração (5%). Uma pergunta levemente distinta - o que mais lhe agrada na discoteca - levaria a resultados próximos: géneros de música e artistas (31%), ambiente (20%), qualidade de serviço (29%; aqui há uma troca com a opção ambiente), segurança (14%) e decoração (6%).
Em termos de assiduidade, das 27 respostas, 15% frequentam a discoteca duas vezes por semana, 45% uma vez, 20% uma vez por mês e 20% raramente. Há aqui uma identificação dos frequentadores com a Lux, confirmada ligeiramente noutra questão, quando 55% responde que não frequenta outra discoteca.
Outra pergunta caracterizadora da fidelidade é a da frequência em tempo: 15% são clientes da discoteca há cerca de seis anos, 30% há quatro anos, 35% há dois anos, 15% há menos de um ano e 5% ia à Lux a primeira ou segunda vez [com números pequenos como 27 respondentes, há distorções face à realidade e os alunos não foram rigorosos; basta ver que 5% de respondentes iam a primeira/segunda vez, o que significa 1,35 pessoas, valor impossível de concretizar].
A fidelização dos clientes leva-os a classificarem a discoteca com os valores de muito bom (55%), bom (30%) e razoável (15%). A electro-pop e a hip-hop recolheram as preferências dos fregueses da Lux, conquanto os alunos não tenham especificado valores absolutos ou relativos.
sábado, 12 de fevereiro de 2005
De 21 de Abril a 1 de Maio, o segundo festival internacional de cinema independente INDIELISBOA 2005 decorrerá nas salas do Fórum Lisboa (antigo cinema de Roma) e King (três salas), todas aqui perto, à Avenida de Roma [a edição do ano passado decorrera no cinema São Jorge, fechado há meses].
Segundo a imprensa de hoje, esperam-se mais sessões, filmes, convidados, iniciativas paralelas e espectadores. O apoio do ICAM subiu de €50 mil para € 100 mil.
CADEIA DE VALOR NO CINEMA
Allen J. Scott, no seu mais recente livro, Hollywwod (2005: 36-41), defende dois tipos de organização empresarial no cinema, como escrevi no dia 9 deste mês: a) system house, definido como unidades de produção em larga escala e que fornece um número limitado de produtos extremamente variados e complexos, b) especialização flexível, referente a pequenas unidades de produção focadas numa parcela estreita de actividades (caso da produção de filmes independentes, design de vestuário, edição de filmes). Mas, mais à frente, ele advoga um terceiro tipo de empresa, que constitui um círculo intermediário entre as subsidiárias das majors e as independentes aliadas às mesmas majors (Scott, 2005: 47).
Esta estruturação vem a propósito da organização do cinema português, a partir do Guia profissional do audiovisual. Cinema, televisão, vídeo, 1993-1994, que descobri recentemente. O Guia elenca as profissões em torno das três indústrias do audiovisual (ou indústrias culturais) e fornece nomes e moradas, para facilidade de contactos. Claro que, à distância de onze anos, muitos das empresas e das moradas dos profissionais estão desactualizadas, mas aqui importa realçar o esforço de sistematização.
Assim, existem elementos dos seguintes itens: produtoras, produtores [o feminino para empresas, o masculino para profissionais], chefes de produção, assistentes de produção, secretárias de produção, distribuidoras, realizadores de cinema, primeiros assistentes, segundos assistentes, anotadoras, directores de fotografia, operadores de imagem, operador, assistentes de imagem, chefes electricistas, chefes maquinistas, grupistas, som e assistentes de som. Mas também decoradores, assistentes de decoração, cenógrafos, aderecistas, construção, guarda-roupa, assistentes de guarda-roupa, costureiras, aluguer de guarda-roupa, cabeleireiras, cabeleireiras e postiços, maquilhadoras, efeitos especiais, montadores, assistentes de montagem, músicos, produtoras de animação, realizadores de filmes de animação, animadores, operadores, laboratórios,
importadores de filmes, impressoras de legendas e tradutores de actividade cinematográfica e da televisão. E ainda estúdios, estúdios de som, salas de montagem, distribuidores de material e equipamento cinematográfico, material de cinema, montagem de equipamentos, desmontagem e montagem de ecrãs, fabrico de néons, agências de figuração e actores, actrizes, actores e críticos. Para finalizar, salas de cinema de Lisboa, salas de cinema do Porto, projeccionistas ambulantes, agências de bilhetes, cineclubes, legislação da RTP, frequência de áudio e vídeo, apresentadores de televisão, produtores de televisão, realizadores de televisão, realizadores/jornalistas, operadores de câmara portátil, produtoras de vídeo, pós-produtoras de vídeo, editoras de vídeo, editoras associadas, empresas duplicadoras de imagem, agências de publicidade, produtoras de publicidade associadas, produtoras de filmes de publicidade, realizadores de filmes publicitários, directores de produção de filmes publicitários, operadores de câmara de filmes publicitários.
Retiro alguma informação respeitante a filmes galardoados internacionalmente à volta daquele período: em 1990, O processo do rei (João Mário Grilo), Recordações da casa amarela (João César Monteiro) e Non ou a vã glória de mandar (Manoel Oliveira); em 1991, Nuvem (Ana Luísa Guimarães), Retrato de família (Luís Galvão Teles) e Alex (Teresa Vilaverde); em 1992, Adeus princesa (Jorge Paixão da Costa).
Claro que não se consegue reconstituir a sociologia ou a economia geográfica da cinematografia portuguesa como faz Allen J. Scott a Hollywood. Mas podemos fazer um apanhado do número de profissionais e sua localização geográfica para percepcionarmos a realidade portuguesa. No Guia, há 18 produtores, 93 realizadores, 3 cenógrafos, 137 actrizes e 13 agências de figuração e actores, entre muitas outras profissões e actividades.
Leitura: Manuel Costa e Silva (dir.) (1993). Guia profissional do audiovisual. Cinema, televisão, vídeo, 1993-1994. Lisboa: D. Quixote e Instituto Português do Cinema
Allen J. Scott, no seu mais recente livro, Hollywwod (2005: 36-41), defende dois tipos de organização empresarial no cinema, como escrevi no dia 9 deste mês: a) system house, definido como unidades de produção em larga escala e que fornece um número limitado de produtos extremamente variados e complexos, b) especialização flexível, referente a pequenas unidades de produção focadas numa parcela estreita de actividades (caso da produção de filmes independentes, design de vestuário, edição de filmes). Mas, mais à frente, ele advoga um terceiro tipo de empresa, que constitui um círculo intermediário entre as subsidiárias das majors e as independentes aliadas às mesmas majors (Scott, 2005: 47).
Assim, existem elementos dos seguintes itens: produtoras, produtores [o feminino para empresas, o masculino para profissionais], chefes de produção, assistentes de produção, secretárias de produção, distribuidoras, realizadores de cinema, primeiros assistentes, segundos assistentes, anotadoras, directores de fotografia, operadores de imagem, operador, assistentes de imagem, chefes electricistas, chefes maquinistas, grupistas, som e assistentes de som. Mas também decoradores, assistentes de decoração, cenógrafos, aderecistas, construção, guarda-roupa, assistentes de guarda-roupa, costureiras, aluguer de guarda-roupa, cabeleireiras, cabeleireiras e postiços, maquilhadoras, efeitos especiais, montadores, assistentes de montagem, músicos, produtoras de animação, realizadores de filmes de animação, animadores, operadores, laboratórios,
Claro que não se consegue reconstituir a sociologia ou a economia geográfica da cinematografia portuguesa como faz Allen J. Scott a Hollywood. Mas podemos fazer um apanhado do número de profissionais e sua localização geográfica para percepcionarmos a realidade portuguesa. No Guia, há 18 produtores, 93 realizadores, 3 cenógrafos, 137 actrizes e 13 agências de figuração e actores, entre muitas outras profissões e actividades.
Leitura: Manuel Costa e Silva (dir.) (1993). Guia profissional do audiovisual. Cinema, televisão, vídeo, 1993-1994. Lisboa: D. Quixote e Instituto Português do Cinema
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2005
SALAMANCA - PLAZA MAYOR
No seu blogue Nocturno com gatos, Soledade Santos escreveu ontem sobre a neve que caíu na sua terra e publicou uma imagem de Salamanca à noite, que eu lhe oferecera há algum tempo.
A lembrar essa ida à cidade do rio Tormes e da livraria Cervantes, deixo aqui algumas outras imagens.
Não há grande necessidade de as legendar: Plaza Mayor numa manhã cheia de sol mas com algum frio (Novembro de 2004) e algumas lojas das arcadas. Uma das fotografias é de abrir o apetite: um pequeno-almoço de churros com chocolate (para a Ana e para mim). Só não provei um gelado que a Soledade me aconselhara porque esqueci o nome do gelado e da cafetaria.




Observação: o blogue Nocturno com gatos continua a ser um exemplo de um espaço particular de tertúlia virtual entre a Sol e muitas(os) amigas(os). Um espaço que também poderia tornar-se real, com leitura das suas poesias. Talvez um dia ela organize um serão para irmos todos ouvir e participar.
No seu blogue Nocturno com gatos, Soledade Santos escreveu ontem sobre a neve que caíu na sua terra e publicou uma imagem de Salamanca à noite, que eu lhe oferecera há algum tempo.
Não há grande necessidade de as legendar: Plaza Mayor numa manhã cheia de sol mas com algum frio (Novembro de 2004) e algumas lojas das arcadas. Uma das fotografias é de abrir o apetite: um pequeno-almoço de churros com chocolate (para a Ana e para mim). Só não provei um gelado que a Soledade me aconselhara porque esqueci o nome do gelado e da cafetaria.
Observação: o blogue Nocturno com gatos continua a ser um exemplo de um espaço particular de tertúlia virtual entre a Sol e muitas(os) amigas(os). Um espaço que também poderia tornar-se real, com leitura das suas poesias. Talvez um dia ela organize um serão para irmos todos ouvir e participar.
ARTES CRIATIVAS (III)
[conclusão dos posts publicados nos dias 4 e 7 de Fevereiro]
Andy C. Pratt (2004), na sua pesquisa, parte do texto Creative Industries Mapping Document 1998, em que o sucesso das indústrias culturais [aqui há a assunção do conceito indústrias culturais como equivalendo a indústrias criativas, ao invés de Hartley e do próprio Creative Industries Mapping Document 2001] se revelou uma surpresa para os decisores políticos e para os públicos (2004: 19). Primeiro, porque não havia dados sistematicamente recolhidos antes. Segundo, porque o sector cultural como um todo, e o seu elemento comercial em particular, é relativamente novo e tem crescido muito depressa.
Apesar de serem indústrias já há muito constituídas (cinema, televisão, publicidade), eram reconhecidas como um sector apoiado pelo Estado, ou vistas como periféricas face à economia "real" (excepto nos Estados Unidos). O elemento mais importante da promoção inglesa das suas indústrias culturais é o reconhecimento da dimensão económica da cultura. Isto contrasta muito com as tradicionais conceptualizações das políticas culturais quer como gestão do património quer como ideal humanista. Por estas razões, o Reino Unido tornou-se um modelo da nova política cultural, entre o dirigismo de França e o laissez-faire dos Estados Unidos.
Pratt explora o passo seguinte na agenda inglesa das indústrias culturais: regionalização [como especifiquei no post anterior]. O segundo Mapping Document (2001) dá conta deste passo, que se sucede à implantação de governos regionais e ao estabelecimento de uma base evidente para as indústrias criativas. Isto significa que o contributo das indústrias culturais na economia resultou em impactos directos, indirectos e ainda em análises múltiplas. Os modelos mais recentes das indústrias culturais procuram capturar toda a “cadeia de produção” [cadeia de valor], da conceptualização ao consumo. Esta perspectiva holística reconhece as indústrias culturais como se compondo de actividades de produção, distribuição e consumo. Na prática, a diferença fundamental entre os modelos ocupacional e de cadeia de produção é que este último inclui um conjunto de actividades de apoio que tornam possível o resultado das indústrias culturais.
O modelo do sistema de produção das indústrias culturais (CIPS no inglês) de Pratt (1997) é um exemplo do modelo de cadeia de produção que envolve o sistema de produção dentro dos bens culturais que são produzidos. Assim, o autor identifica quatro momentos no sistema de produção cultural: 1) origem do conteúdo, 2) inputs de entrada, 3) reprodução, 4) troca. Posteriormente, Pratt sugeriu mais dois momentos: 5) educação e crítica, e 6) arquivo.
Pratt considera que há um número significativo de pequenas empresas. As indústrias culturais são vistas tradicionalmente como indústrias que têm uma proporção elevada de empregados em situação ocasional, irregular ou de emprego por conta própria. Este modelo contrasta com a maioria das outras indústrias em que essa irregularidade é vista como marginal. O sector cultural tem tal modelo irregular como nuclear.
Sumariando, o quadro é o de um grande número de pessoas envolvidas numa indústria dominada por micro-empresas e com uma rotação muito elevada (em empresas e empregados). O mercado de trabalho tem uma grande proporção de empregados por própria conta (free lance e a contrato). As actividades culturais consideram-se como actividades agradáveis que trazem grandes salários. Por outro lado, dado o domínio do sector por pequenas empresas e freelancers, os vencimentos de trabalho a tempo inteiro no sector são 20% mais elevados que a média geral.
Uma questão relacionada com as dimensões micro-espaciais das actividades das indústrias culturais é a dos clusters (feixes de actividades inter-relacionadas). Salienta-se a propensão das empresas e do trabalho para funcionarem juntos em termos de características chave das indústrias culturais . A investigação acentua a existência e as características gerais de um número de clusters do sector cultural. Do mesmo modo, as indústrias culturais apoiam-se em teias ricas de relações baseadas na actividade comercial ou não. As actividades não relacionadas comercialmente podem ser as que não têm fins lucrativos e artísticos.
Leitura: Pratt, Andy C. (2004). “Mapping the cultural industries. Regionalization; the example of South East England”. In Dominic Power e Allen J. Scott (eds.) Cultural industries and the production of culture, pp. 19-32.
[conclusão dos posts publicados nos dias 4 e 7 de Fevereiro]
Andy C. Pratt (2004), na sua pesquisa, parte do texto Creative Industries Mapping Document 1998, em que o sucesso das indústrias culturais [aqui há a assunção do conceito indústrias culturais como equivalendo a indústrias criativas, ao invés de Hartley e do próprio Creative Industries Mapping Document 2001] se revelou uma surpresa para os decisores políticos e para os públicos (2004: 19). Primeiro, porque não havia dados sistematicamente recolhidos antes. Segundo, porque o sector cultural como um todo, e o seu elemento comercial em particular, é relativamente novo e tem crescido muito depressa.
Apesar de serem indústrias já há muito constituídas (cinema, televisão, publicidade), eram reconhecidas como um sector apoiado pelo Estado, ou vistas como periféricas face à economia "real" (excepto nos Estados Unidos). O elemento mais importante da promoção inglesa das suas indústrias culturais é o reconhecimento da dimensão económica da cultura. Isto contrasta muito com as tradicionais conceptualizações das políticas culturais quer como gestão do património quer como ideal humanista. Por estas razões, o Reino Unido tornou-se um modelo da nova política cultural, entre o dirigismo de França e o laissez-faire dos Estados Unidos.
Pratt explora o passo seguinte na agenda inglesa das indústrias culturais: regionalização [como especifiquei no post anterior]. O segundo Mapping Document (2001) dá conta deste passo, que se sucede à implantação de governos regionais e ao estabelecimento de uma base evidente para as indústrias criativas. Isto significa que o contributo das indústrias culturais na economia resultou em impactos directos, indirectos e ainda em análises múltiplas. Os modelos mais recentes das indústrias culturais procuram capturar toda a “cadeia de produção” [cadeia de valor], da conceptualização ao consumo. Esta perspectiva holística reconhece as indústrias culturais como se compondo de actividades de produção, distribuição e consumo. Na prática, a diferença fundamental entre os modelos ocupacional e de cadeia de produção é que este último inclui um conjunto de actividades de apoio que tornam possível o resultado das indústrias culturais.
O modelo do sistema de produção das indústrias culturais (CIPS no inglês) de Pratt (1997) é um exemplo do modelo de cadeia de produção que envolve o sistema de produção dentro dos bens culturais que são produzidos. Assim, o autor identifica quatro momentos no sistema de produção cultural: 1) origem do conteúdo, 2) inputs de entrada, 3) reprodução, 4) troca. Posteriormente, Pratt sugeriu mais dois momentos: 5) educação e crítica, e 6) arquivo.
Pratt considera que há um número significativo de pequenas empresas. As indústrias culturais são vistas tradicionalmente como indústrias que têm uma proporção elevada de empregados em situação ocasional, irregular ou de emprego por conta própria. Este modelo contrasta com a maioria das outras indústrias em que essa irregularidade é vista como marginal. O sector cultural tem tal modelo irregular como nuclear.
Sumariando, o quadro é o de um grande número de pessoas envolvidas numa indústria dominada por micro-empresas e com uma rotação muito elevada (em empresas e empregados). O mercado de trabalho tem uma grande proporção de empregados por própria conta (free lance e a contrato). As actividades culturais consideram-se como actividades agradáveis que trazem grandes salários. Por outro lado, dado o domínio do sector por pequenas empresas e freelancers, os vencimentos de trabalho a tempo inteiro no sector são 20% mais elevados que a média geral.
Uma questão relacionada com as dimensões micro-espaciais das actividades das indústrias culturais é a dos clusters (feixes de actividades inter-relacionadas). Salienta-se a propensão das empresas e do trabalho para funcionarem juntos em termos de características chave das indústrias culturais . A investigação acentua a existência e as características gerais de um número de clusters do sector cultural. Do mesmo modo, as indústrias culturais apoiam-se em teias ricas de relações baseadas na actividade comercial ou não. As actividades não relacionadas comercialmente podem ser as que não têm fins lucrativos e artísticos.
Leitura: Pratt, Andy C. (2004). “Mapping the cultural industries. Regionalization; the example of South East England”. In Dominic Power e Allen J. Scott (eds.) Cultural industries and the production of culture, pp. 19-32.
EM 2004 SUBIU O CONSUMO DE RÁDIO EM PORTUGAL
Após os indicadores sobre consumo de blogues, a Marktest divulgou agora os dados do consumo de rádio em Portugal em 2004 (estudo Bareme Rádio), os quais apontam para uma subida. A audiência acumulada de véspera para o meio rádio situou-se nos 58,0% no ano de 2004.
Na análise anual, verifica-se uma quebra no consumo de rádio entre 2000 e 2002 (56,3% para 54,7%) e um aumento nos anos 2003 e 2004, registando 58,4% e 58,0% de audiência acumulada de véspera. No último trimestre de 2004 este indicador atingiu os 59,4%, o segundo mais elevado nos últimos cinco anos (apenas no primeiro trimestre de 1999 se registou um valor mais elevado, de 60,0%). Por regiões, é no Grande Porto que se regista o maior consumo de rádio. No total do ano de 2004, a audiência acumulada de véspera de rádio foi de 65,3% naquela região, mais 7,3 pontos percentuais do que a média do universo em estudo.
O Bareme Rádio analisa o comportamento dos residentes no país (excepto regiões autónomas), com 15 e mais anos, relativamente ao meio rádio. A dimensão do estudo é 20160 entrevistas/ano. Os indicadores são analisados pelas variáveis demográficas usuais: género, idade, região, classe social e ocupação. Lançado em 1994, o Bareme-Rádio é o único estudo existente em Portugal, que fornece informação sobre as audiências de rádio para todo o país.
Após os indicadores sobre consumo de blogues, a Marktest divulgou agora os dados do consumo de rádio em Portugal em 2004 (estudo Bareme Rádio), os quais apontam para uma subida. A audiência acumulada de véspera para o meio rádio situou-se nos 58,0% no ano de 2004.
Na análise anual, verifica-se uma quebra no consumo de rádio entre 2000 e 2002 (56,3% para 54,7%) e um aumento nos anos 2003 e 2004, registando 58,4% e 58,0% de audiência acumulada de véspera. No último trimestre de 2004 este indicador atingiu os 59,4%, o segundo mais elevado nos últimos cinco anos (apenas no primeiro trimestre de 1999 se registou um valor mais elevado, de 60,0%). Por regiões, é no Grande Porto que se regista o maior consumo de rádio. No total do ano de 2004, a audiência acumulada de véspera de rádio foi de 65,3% naquela região, mais 7,3 pontos percentuais do que a média do universo em estudo.
O Bareme Rádio analisa o comportamento dos residentes no país (excepto regiões autónomas), com 15 e mais anos, relativamente ao meio rádio. A dimensão do estudo é 20160 entrevistas/ano. Os indicadores são analisados pelas variáveis demográficas usuais: género, idade, região, classe social e ocupação. Lançado em 1994, o Bareme-Rádio é o único estudo existente em Portugal, que fornece informação sobre as audiências de rádio para todo o país.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2005
OBRIGADO PELO COMENTÁRIO DE HUGO NEVES DA SILVA
Apesar de estar na coluna dos comentários a um post que coloquei ontem sobre os outdoors da MCO-TVI, quero relevar para esta parte nobre do blogue o comentário de Hugo Neves da Silva, a quem agradeço a informação. O meu comentador escreveu:
"Os canais multimedia corporativos não são uma novidade recente em Portugal. Desde 1998 que o Banco Atlântico, agora Millennium, tinha nas suas filiais, junto às máquinas automáticas, canais multimedia nos quais passavam diversos conteúdos, como notícias, informação sobre a Bolsa, etc. Mais recentemente, tanto a Galp como a Repsol têm, em diversas estações de serviço pelo país canais multimedia com diversos conteúdos como notícias nacionais, regionais, sugestões de lazer e é claro publicidade. Ontem mesmo, foi lançado o canal Castello Lopes, nas salas de cinema Castello Lopes, também esse um canal multimedia, com traillers de cinema, bloopers, quizs de cinema, etc.".
O comentário que faço ao comentário é que os painéis que analisei não são canais multimedia corporativos, são canais de publicidade. Os que Hugo Neves da Silva refere são canais usados para promover produtos das marcas nos espaços onde eles(as) se encontram inseridos. No Metropolitano de Lisboa ou numa empresa de transportes públicos não há nada a comprar para além da viagem. Aliás, os promotores da notícia que eu citei ontem realçaram a combinatória das qualidades técnicas da televisão e da exposição imediata da publicidade exterior.
Apesar de estar na coluna dos comentários a um post que coloquei ontem sobre os outdoors da MCO-TVI, quero relevar para esta parte nobre do blogue o comentário de Hugo Neves da Silva, a quem agradeço a informação. O meu comentador escreveu:
"Os canais multimedia corporativos não são uma novidade recente em Portugal. Desde 1998 que o Banco Atlântico, agora Millennium, tinha nas suas filiais, junto às máquinas automáticas, canais multimedia nos quais passavam diversos conteúdos, como notícias, informação sobre a Bolsa, etc. Mais recentemente, tanto a Galp como a Repsol têm, em diversas estações de serviço pelo país canais multimedia com diversos conteúdos como notícias nacionais, regionais, sugestões de lazer e é claro publicidade. Ontem mesmo, foi lançado o canal Castello Lopes, nas salas de cinema Castello Lopes, também esse um canal multimedia, com traillers de cinema, bloopers, quizs de cinema, etc.".
O comentário que faço ao comentário é que os painéis que analisei não são canais multimedia corporativos, são canais de publicidade. Os que Hugo Neves da Silva refere são canais usados para promover produtos das marcas nos espaços onde eles(as) se encontram inseridos. No Metropolitano de Lisboa ou numa empresa de transportes públicos não há nada a comprar para além da viagem. Aliás, os promotores da notícia que eu citei ontem realçaram a combinatória das qualidades técnicas da televisão e da exposição imediata da publicidade exterior.
842 MIL HORAS A NAVEGAR NOS BLOGUES EM 2004
Foi ontem divulgado o estudo Netpanel da Marktest sobre consumos de internet em 2004 no nosso país e direccionado para os blogues. Assim, 602 mil residentes em Portugal com quatro e mais anos navegaram durante 842 mil horas nos blogues. Apenas em Dezembro, o número atingiu 220 mil utilizadores únicos.
Em termos de perfis, o género masculino domina (68,9%), seguindo-se o feminino (restantes 31,1%). Dos níveis etários, o dominante é o do 15/34 anos (63,9%), seguindo-se o mais de 35 anos (28,3%) e o dos 4/14 anos (7,8%). Quanto a classes sociais, a de maior peso é a AB (47,7%), seguindo-se a C1 (29,7%) e a C2/D (22,6%). Em termos de regiões, e de acordo com os parâmetros da Marktest, a Grande Lisboa representa 32,1%, seguindo-se o Litoral (31,4%), o Interior (22,2%) e o Grande Porto (14,4%) [esta divisão por regiões merecia ser melhor trabalhada, mas não possuo mais dados; o Interior, por exemplo, tem um valor significativo em termos de consumo, o que pode querer dizer que o habitual estereótipo da divisão litoral/interior não se faz sentir aqui]. Dos blogues mais procurados destacam-se Blogger, com 193 mil visitantes únicos, e Photoblog, com 115 mil.
O Netpanel começou em 2002. A amostra é constituida por 1000 lares que representam cerca de 3000 indivíduos, e assenta numa estratificação de lares e local de utilização (lar ou local de trabalho).
Foi ontem divulgado o estudo Netpanel da Marktest sobre consumos de internet em 2004 no nosso país e direccionado para os blogues. Assim, 602 mil residentes em Portugal com quatro e mais anos navegaram durante 842 mil horas nos blogues. Apenas em Dezembro, o número atingiu 220 mil utilizadores únicos.
Em termos de perfis, o género masculino domina (68,9%), seguindo-se o feminino (restantes 31,1%). Dos níveis etários, o dominante é o do 15/34 anos (63,9%), seguindo-se o mais de 35 anos (28,3%) e o dos 4/14 anos (7,8%). Quanto a classes sociais, a de maior peso é a AB (47,7%), seguindo-se a C1 (29,7%) e a C2/D (22,6%). Em termos de regiões, e de acordo com os parâmetros da Marktest, a Grande Lisboa representa 32,1%, seguindo-se o Litoral (31,4%), o Interior (22,2%) e o Grande Porto (14,4%) [esta divisão por regiões merecia ser melhor trabalhada, mas não possuo mais dados; o Interior, por exemplo, tem um valor significativo em termos de consumo, o que pode querer dizer que o habitual estereótipo da divisão litoral/interior não se faz sentir aqui]. Dos blogues mais procurados destacam-se Blogger, com 193 mil visitantes únicos, e Photoblog, com 115 mil.
O Netpanel começou em 2002. A amostra é constituida por 1000 lares que representam cerca de 3000 indivíduos, e assenta numa estratificação de lares e local de utilização (lar ou local de trabalho).
LOJAS E CENTROS COMERCIAIS –II
[continuação do post de ontem]
Colombo versus Amoreiras
Finalmente, o grupo de de Ana Rita Pires, Mariana Gomes da Costa e Rosa de Oliveira Pinto procurou encontrar uma identidade e distinção entre os clientes das Amoreiras e os do Colombo. Foram inquiridas 30 pessoas nas Amoreiras e outras 30 no Colombo, concluindo-se que a maioria delas visita cada um destes espaços uma vez por semana.
Fazendo uma separação por géneros, as investigadoras anotaram que as mulheres que visitam o Colombo fazem-no uma vez por semana, ao passo que os homens o procuram quando estritamente necessário, o que as levou a percepcionar pela maior fidelidade das mulheres ao centro comercial.
As principais razões de escolha são hábito (22) e proximidade geográfica (20), no caso do Amoreiras, e diversidade de escolha (20) e proximidade geográfica (18), no caso do Colombo. Para as Amoreiras, a razão da proximidade - um pouco acima da mesma referência ao Colombo - justifica-se pela elevada densidade populacional da zona, próxima dos bairros de Campo de Ourique e de Campolide.
As alunas não esconderam, ao longo do texto, a sua preferência pelas Amoreiras. Eu também o faria se falássemos do Fonte Nova, em Benfica, por oposição ao Colombo - pela dimensão, pelas lojas ainda não franchisadas, apesar destas estarem a diminuir, por uma clientela de bairro que se desloca a pé e não em transporte pessoal. Para Ana Rita Pires, Mariana Gomes da Costa e Rosa de Oliveira Pinto, o frequentador-tipo das Amoreiras "assume declaradamente que se sente emocionalmente ligado ao centro". 22 dos respondentes nas Amoreiras estão ligados ao centro pelo ambiente (afectivo, estético) que lá se respira. E as alunas clarificariam o significado do termo desafogamento quando aplicado ao Amoreiras: "posso andar sem muita gente à minha volta" (João Neves, 49 anos, um dos entrevistados).
À pergunta "o que mais lhe agrada no centro?", as respostas foram ambiente, restauração e diversidade de lojas nas Amoreiras e diversidade de lojas, restauração e supermercado no Colombo. A restauração, notam as alunas, é melhor no Amoreiras, apesar da menor dimensão: elas salientam o Garden Burger, muito apreciado pelos jovens, e que não existe no Colombo. Algumas respostas apontaram também no sentido da identificação com uma loja, caso da Havaneza: embora exista nos dois espaços de compras, uma das respondentes (não identificada, 50 anos) ressalvou a fidelidade a essa loja nas Amoreiras. E este centro seria o ideal se também tivesse a FNAC (João Tiago Correia, 29 anos). Ou "a tradição é bastante importante para o sucesso das Amoreiras" (Filipa Paneiro, 50 anos).
Finalmente, é curioso destacar o facto de uma loja funcionar como pólo de atracção (ou âncora). Inevitavelmente a FNAC é a loja mais procurada no Colombo (informação que as alunas obtiveram do centro de informação do centro comercial). Mas dois dos respondentes salientaram a importância do sapateiro (presumo que de consertos).
Observação: no final do semestre, premiei os três melhores trabalhos. O de Ana Rita Pires, Mariana Gomes da Costa e Rosa de Oliveira Pinto foi um deles. Os outros seriam Morangos com açúcar, de Gisela Pereira, Marta Amado e Sofia Palma, e O clube de fãs de Mafalda Veiga, de Ana Sofia Rocha, Natacha Almeida e Rita Félix Soares - já aqui resumidos. O prémio para cada grupo foi o livro de Maria Filomena Mónica, O filho da rainha gorda. De notar que o texto Morangos com açúcar já teve 1,07% de visitas assinaladas pelo eXTReMe Tracking, desde 18 de Janeiro, quando coloquei o post sobre este seriado juvenil.
Leitura: Bowlby, Rachel (2000). Carried away. The invention of modern shopping. Londres: Faber and Faber
[continuação do post de ontem]
Colombo versus Amoreiras
Finalmente, o grupo de de Ana Rita Pires, Mariana Gomes da Costa e Rosa de Oliveira Pinto procurou encontrar uma identidade e distinção entre os clientes das Amoreiras e os do Colombo. Foram inquiridas 30 pessoas nas Amoreiras e outras 30 no Colombo, concluindo-se que a maioria delas visita cada um destes espaços uma vez por semana.
As principais razões de escolha são hábito (22) e proximidade geográfica (20), no caso do Amoreiras, e diversidade de escolha (20) e proximidade geográfica (18), no caso do Colombo. Para as Amoreiras, a razão da proximidade - um pouco acima da mesma referência ao Colombo - justifica-se pela elevada densidade populacional da zona, próxima dos bairros de Campo de Ourique e de Campolide.
As alunas não esconderam, ao longo do texto, a sua preferência pelas Amoreiras. Eu também o faria se falássemos do Fonte Nova, em Benfica, por oposição ao Colombo - pela dimensão, pelas lojas ainda não franchisadas, apesar destas estarem a diminuir, por uma clientela de bairro que se desloca a pé e não em transporte pessoal. Para Ana Rita Pires, Mariana Gomes da Costa e Rosa de Oliveira Pinto, o frequentador-tipo das Amoreiras "assume declaradamente que se sente emocionalmente ligado ao centro". 22 dos respondentes nas Amoreiras estão ligados ao centro pelo ambiente (afectivo, estético) que lá se respira. E as alunas clarificariam o significado do termo desafogamento quando aplicado ao Amoreiras: "posso andar sem muita gente à minha volta" (João Neves, 49 anos, um dos entrevistados).
À pergunta "o que mais lhe agrada no centro?", as respostas foram ambiente, restauração e diversidade de lojas nas Amoreiras e diversidade de lojas, restauração e supermercado no Colombo. A restauração, notam as alunas, é melhor no Amoreiras, apesar da menor dimensão: elas salientam o Garden Burger, muito apreciado pelos jovens, e que não existe no Colombo. Algumas respostas apontaram também no sentido da identificação com uma loja, caso da Havaneza: embora exista nos dois espaços de compras, uma das respondentes (não identificada, 50 anos) ressalvou a fidelidade a essa loja nas Amoreiras. E este centro seria o ideal se também tivesse a FNAC (João Tiago Correia, 29 anos). Ou "a tradição é bastante importante para o sucesso das Amoreiras" (Filipa Paneiro, 50 anos).
Finalmente, é curioso destacar o facto de uma loja funcionar como pólo de atracção (ou âncora). Inevitavelmente a FNAC é a loja mais procurada no Colombo (informação que as alunas obtiveram do centro de informação do centro comercial). Mas dois dos respondentes salientaram a importância do sapateiro (presumo que de consertos).
Observação: no final do semestre, premiei os três melhores trabalhos. O de Ana Rita Pires, Mariana Gomes da Costa e Rosa de Oliveira Pinto foi um deles. Os outros seriam Morangos com açúcar, de Gisela Pereira, Marta Amado e Sofia Palma, e O clube de fãs de Mafalda Veiga, de Ana Sofia Rocha, Natacha Almeida e Rita Félix Soares - já aqui resumidos. O prémio para cada grupo foi o livro de Maria Filomena Mónica, O filho da rainha gorda. De notar que o texto Morangos com açúcar já teve 1,07% de visitas assinaladas pelo eXTReMe Tracking, desde 18 de Janeiro, quando coloquei o post sobre este seriado juvenil.
Leitura: Bowlby, Rachel (2000). Carried away. The invention of modern shopping. Londres: Faber and Faber
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2005
PEQUENAS NOTAS
1) No Público de hoje vem uma notícia sobre a expansão do modelo de outdoors da Media Capital nas estações do Metropolitano de Lisboa. Diz o texto, a partir de take da Lusa, que a MCO-TV [Media Capital Outdoor], designação comercial do suporte, combina as qualidades técnicas da televisão com a exposição imediata da publicidade exterior.
O sistema apareceu por altura do Euro 2004. O standard do suporte nas estações de metro fica entre as duas linhas do comboio, voltado para as gares [na estação do Marquês de Pombal, fica junto a uma estátua de gesso do marquês, degradada pelas infiltrações de água; o sistema umas vezes funciona, outras não. Já ouvi mas sem imagem, no Campo Grande, por exemplo].
Metro do Porto e Transtejo são os transportes que se seguem. Neste último tipo de transporte, há que adaptar a duração do tempo de programação à viagem. O mesmo acontece com o SIC Indoors, no centro comercial Vasco da Gama, na zona da restauração (uns dez minutos depois do começo do programa, volta ao início, como num carrossel). Mais à frente, a notícia que cito fala em televisão sem zapping, que cobre 80% do tráfego diário do metropolitano. Efectivamente, um passageiro (ou um cliente do Vasco da Gama) não consegue estar em sossego. Trata-se de um meio de comunicação totalitário, sem opção de escolha género desligar ou mudar.
2) Do livro que estou a ler, Hollywwod, de Allen J. Scott (2005: 36-41), retiro duas ou três ideias: a meca do cinema tem sofrido, nas duas últimas décadas, uma transformação empresarial de grande envergadura. O velho sistema de estúdios assentava num grupo dominante de sete majors, cada uma delas integrada verticalmente através da produção, distribuição e exibição. Com a decisão antitrust Paramount, de 1948, as majors perderam o controlo das salas de cinema, na mesma altura em que a televisão conquistava audiências aos filmes, e que representou competitividade, incerteza e instabilidade na indústria.
Hoje, as majors, reduzidas em número, desinvestiram em muita da sua capacidade produtiva e de compromissos contratuais, tornando-se os centros nervosos de redes de produção desintegradas verticalmente. Em tal processo, surgiram muitas firmas, pequenas mas especializadas, em subsectores da indústria, fornecendo serviços de tipo distinto às majors.
À produção de massa sucederam dois tipos de organização empresarial: a) system house, o qual se pode definir como unidades de produção em larga escala, fornecendo um número limitado de produtos extremamente variados e complexos; b) especialização flexível, referente às pequenas unidades de produção focadas numa parcela estreita de actividades (por exemplo, produção de filmes independentes, design de vestuário, edição de filmes).
Assim, o sistema de produção de Hollywood pode ser descrito em termos de um modelo assente em empresas majors e independentes, interligadas em círculos cada vez mais alargados de fornecimento directo ou indirecto de serviços. Estas empresas interagem através de três estádios de desenvolvimento: a) pré-produção (elaboração da ideia original, preparação de cenários, procura de financiamento, escolha de actores), b) produção (filmagens e funções associadas como iluminação e maquilhagem), c) pós-produção (processamento fotográfico, edição de imagem, edição de som).
1) No Público de hoje vem uma notícia sobre a expansão do modelo de outdoors da Media Capital nas estações do Metropolitano de Lisboa. Diz o texto, a partir de take da Lusa, que a MCO-TV [Media Capital Outdoor], designação comercial do suporte, combina as qualidades técnicas da televisão com a exposição imediata da publicidade exterior.
O sistema apareceu por altura do Euro 2004. O standard do suporte nas estações de metro fica entre as duas linhas do comboio, voltado para as gares [na estação do Marquês de Pombal, fica junto a uma estátua de gesso do marquês, degradada pelas infiltrações de água; o sistema umas vezes funciona, outras não. Já ouvi mas sem imagem, no Campo Grande, por exemplo].
Metro do Porto e Transtejo são os transportes que se seguem. Neste último tipo de transporte, há que adaptar a duração do tempo de programação à viagem. O mesmo acontece com o SIC Indoors, no centro comercial Vasco da Gama, na zona da restauração (uns dez minutos depois do começo do programa, volta ao início, como num carrossel). Mais à frente, a notícia que cito fala em televisão sem zapping, que cobre 80% do tráfego diário do metropolitano. Efectivamente, um passageiro (ou um cliente do Vasco da Gama) não consegue estar em sossego. Trata-se de um meio de comunicação totalitário, sem opção de escolha género desligar ou mudar.
Hoje, as majors, reduzidas em número, desinvestiram em muita da sua capacidade produtiva e de compromissos contratuais, tornando-se os centros nervosos de redes de produção desintegradas verticalmente. Em tal processo, surgiram muitas firmas, pequenas mas especializadas, em subsectores da indústria, fornecendo serviços de tipo distinto às majors.
À produção de massa sucederam dois tipos de organização empresarial: a) system house, o qual se pode definir como unidades de produção em larga escala, fornecendo um número limitado de produtos extremamente variados e complexos; b) especialização flexível, referente às pequenas unidades de produção focadas numa parcela estreita de actividades (por exemplo, produção de filmes independentes, design de vestuário, edição de filmes).
Assim, o sistema de produção de Hollywood pode ser descrito em termos de um modelo assente em empresas majors e independentes, interligadas em círculos cada vez mais alargados de fornecimento directo ou indirecto de serviços. Estas empresas interagem através de três estádios de desenvolvimento: a) pré-produção (elaboração da ideia original, preparação de cenários, procura de financiamento, escolha de actores), b) produção (filmagens e funções associadas como iluminação e maquilhagem), c) pós-produção (processamento fotográfico, edição de imagem, edição de som).
MM EM DVD
O anúncio do jornal madrileno El Mundo diz: Marylin, el mito. Las mejores películas del mayor icono del cine. Assim, para além da colecção de livros sobre cozinha das regiões e comunidades espanhola, o El Mundo edita agora DVDs com filmes de Marylin Monroe (treze no total).
A colecção começa no próximo domingo 13, com a película Os homens preferem as loiras, passando a sair com o jornal de quinta-feira. O preço é de €8,95 cada DVD, mas Portugal não está incluido na rota de distribuição (por questões de direitos de autor). Marylin suicidou-se em 5 de Agosto de 1962, quando tinha 36 anos.
A edição do El Mundo de ontem, dia 8 de Fevereiro, ocupa quatro páginas com Marylin Monroe: duas sobre a colecção de DVDs e duas sobre a exposição patente no Centro Cultural de la Villa de Madrid, com o título Marylin. São 290 peças (fotografias, quadros e esculturas nela inspiradas). Como escreve o jornalista Antonio Lucas: uma vida desenhada para os flashes das máquinas, feita à medida dos títulos dos jornais e das páginas frívolas das revistas dos anos 1950 e 1960. Dizia Marylin Monroe, aliás Norma Jean Baker: "Em Hollywood, podem pagar mil dólares por um beijo mas apenas 50 cêntimos pela alma".
A exposição agora presente em Madrid dá de Marylin a imagem de tótem com a marca MM. E destacam-se fotografias imemoráveis, como a forjada por Andy Wharol, que a elevou à categoria de bem de consumo inalcançável, como a sopa Campbell's, ou o furor dos soldados americanos destacados na guerra da Coreia, em 1954, quando a actriz os visitou, "armada" com braços e pernas nuas de fazer perder a cabeça.
Nada melhor do que ler a prosa de David Torres na mesma edição de El Mundo: "Quando Fritz Lang inventou em Metrópolis a mulher ideal, um andróide loiro e belíssimo que escravizava os homens, não podia imaginar que os directores da Twentieth Century Fox iam fazer realidade com uma jovem modelo chamada Norma Jean Baker. [...] Anos depois, convertida numa beleza estonteante e baptizada com um duplo M que serigrafava o catálogo de curvas que era o seu corpo, Norma Jean transformou-se da noite para a manhã no seu sonho: Marylin Monroe, a loira esplêndida, coquete, doce e tola que caminhava sobre as cabeças dos homens".
Lido isto, só resta comprar os DVDs da loira (apenas em Espanha). E aumentar o consumo de cinema em casa, o que traz novas questões, como explicam Carla Martins e colegas em A cadeia de valor do audiovisual (2004: 59). A utilização do filme nas fases seguintes da cadeia de valor reveste-se da maior importância para o financiamento de produções cinematográficas cada vez mais caras. É que o maior nível de lucro de um filme se atinge com o vídeo e o DVD. A janela DVD parece levantar problemas, levando a indústria cinematográfica a ver condicionada a aprovação de projectos à previsão do sucesso a ter na comercialização do DVD, reduzindo a variedade da oferta na produção. Aplicando ao caso dos DVDs dos jornais: instaura-se um gosto pelos filmes mais antigos, designando-os como de culto, ou atendendo aos blockbusters, o que retira espaço para filmes experimentais ou de ruptura estética e temática.
O anúncio do jornal madrileno El Mundo diz: Marylin, el mito. Las mejores películas del mayor icono del cine. Assim, para além da colecção de livros sobre cozinha das regiões e comunidades espanhola, o El Mundo edita agora DVDs com filmes de Marylin Monroe (treze no total).
A colecção começa no próximo domingo 13, com a película Os homens preferem as loiras, passando a sair com o jornal de quinta-feira. O preço é de €8,95 cada DVD, mas Portugal não está incluido na rota de distribuição (por questões de direitos de autor). Marylin suicidou-se em 5 de Agosto de 1962, quando tinha 36 anos.
A edição do El Mundo de ontem, dia 8 de Fevereiro, ocupa quatro páginas com Marylin Monroe: duas sobre a colecção de DVDs e duas sobre a exposição patente no Centro Cultural de la Villa de Madrid, com o título Marylin. São 290 peças (fotografias, quadros e esculturas nela inspiradas). Como escreve o jornalista Antonio Lucas: uma vida desenhada para os flashes das máquinas, feita à medida dos títulos dos jornais e das páginas frívolas das revistas dos anos 1950 e 1960. Dizia Marylin Monroe, aliás Norma Jean Baker: "Em Hollywood, podem pagar mil dólares por um beijo mas apenas 50 cêntimos pela alma".
A exposição agora presente em Madrid dá de Marylin a imagem de tótem com a marca MM. E destacam-se fotografias imemoráveis, como a forjada por Andy Wharol, que a elevou à categoria de bem de consumo inalcançável, como a sopa Campbell's, ou o furor dos soldados americanos destacados na guerra da Coreia, em 1954, quando a actriz os visitou, "armada" com braços e pernas nuas de fazer perder a cabeça.
Nada melhor do que ler a prosa de David Torres na mesma edição de El Mundo: "Quando Fritz Lang inventou em Metrópolis a mulher ideal, um andróide loiro e belíssimo que escravizava os homens, não podia imaginar que os directores da Twentieth Century Fox iam fazer realidade com uma jovem modelo chamada Norma Jean Baker. [...] Anos depois, convertida numa beleza estonteante e baptizada com um duplo M que serigrafava o catálogo de curvas que era o seu corpo, Norma Jean transformou-se da noite para a manhã no seu sonho: Marylin Monroe, a loira esplêndida, coquete, doce e tola que caminhava sobre as cabeças dos homens".
Lido isto, só resta comprar os DVDs da loira (apenas em Espanha). E aumentar o consumo de cinema em casa, o que traz novas questões, como explicam Carla Martins e colegas em A cadeia de valor do audiovisual (2004: 59). A utilização do filme nas fases seguintes da cadeia de valor reveste-se da maior importância para o financiamento de produções cinematográficas cada vez mais caras. É que o maior nível de lucro de um filme se atinge com o vídeo e o DVD. A janela DVD parece levantar problemas, levando a indústria cinematográfica a ver condicionada a aprovação de projectos à previsão do sucesso a ter na comercialização do DVD, reduzindo a variedade da oferta na produção. Aplicando ao caso dos DVDs dos jornais: instaura-se um gosto pelos filmes mais antigos, designando-os como de culto, ou atendendo aos blockbusters, o que retira espaço para filmes experimentais ou de ruptura estética e temática.
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