Textos de Rogério Santos, com reflexões e atualidade sobre indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, videojogos, música, livros, centros comerciais) e criativas (museus, exposições, teatro, espetáculos). Na blogosfera desde 2002.
terça-feira, 20 de dezembro de 2005
Foi o que se disse ontem em almoço de convívio, lê-se no Diário de Notícias: "acessível, mais cosmopolita, com mais notícias, mais próximo do leitor e com opinião mais selectiva". Um suplemento de economia, como eu já aqui escrevera, novas revistas à sexta-feira e ao sábado e um melhor Notícias Magazine ao domingo ficam como algumas das metas para o próximo ano. A liderança do segmento de mercado é o objectivo. Espera-se agora a reacção do Público.
O Diário de Notícias de hoje (na página editada por Eurico de Barros e Catarina Homem Marques) refere que, após a estreia do filme Match Point, realizado por Woody Allen, a estrela norte-americana "vai agora entrar no filme seguinte do autor de Annie Hall, que, tal como Match Point, será ambientado na capital inglesa" (ver meu postal de 11 deste mês). Sucede que o Guardian de hoje, em entrevista ao realizador assinada por Emma Brockes, assinala o seguinte: "No dia antes de [eu, Emma Brockes] estar com Allen, ele tinha acabado de fazer outro filme, chamado Scoop, também feito em Londres e em que Scarlett Johansson é a estrela, a ser estreado no próximo ano". Isto é, o filme já está pronto.
Não gostaria de ver como são feitos os filmes de animação que têm feito as nossas delícias, em especial no Natal? Estou a lembrar-me, por exemplo, do Finding Nemo, em 2003, e dos Incredibles, o ano passado. O que têm em comum? Foram feitos nos estúdios Pixar. Agora, diz-nos Bárbara Celis (jornal El Pais, de domingo passado), é possível ver uma exposição dedicada a vinte anos de um estúdio de animação, exactamente a Pixar, no MoMA (Museum of Modern Art), em Nova Iorque, que se pode visitar até 6 de Fevereiro (a exposição, depois, virá para um pouco mais perto de nós, para o Museu da Ciência em Londres).
Um dos personagens mais célebres criados pela Pixar é a excêntrica desenhadora Edna do filme Incredibles (lembram-se?). No MoMA, há desenhos e collages de artistas como Teddy Newton, onde se explica como essa personagem foi concebida, a partir de três traços até à definição final.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2005
Saíu já o número respeitante a Outubro/Dezembro da revista JJ - Jornalismo e Jornalistas, do Clube dos Jornalistas (capa de Frederico Penteado). Destaco - conquanto ainda os não tenha lido - os textos de Vanda Ferreira (Desemprego no jornalismo), António José Teixeira (O impacto da propriedade dos media no jornalismo português), Helena Garrido (Jornalismo económico em tempo de concentração) e J.-M. Nobre Correia (Da glaciação à oligopolização). Como se pode reparar, o director e a directora-adjunta do Diário de Notícias têm aqui textos de reflexão (o de Helena Garrido é uma republicação do trabalho surgido em número recente da revista Caleidoscópio, da Universidade Lusófona; os de António José Teixeira e do professor Nobre Correia são comunicações apresentadas no Curso de Verão de Cascais, em Julho passado, organizado por Mário Mesquita).
Há ainda uma entrevista a Carlos Santos Pereira a propósito do seu livro Guerras de informação, conduzida por Telmo Gonçalves, e uma entrevista-artigo de Elsa Resende à jornalista da RTP Daniela Santiago, que editou recentemente um livro intitulado Inferno no paraíso - 15 dias no Sri Lanka depois do Tsunami, trágica ocorrência a fazer agora um ano (26 de Dezembro) no sudoeste asiático (fotografia de José Frade).
E, perdoe-me quem me lê, a bonita publicidade da Editorial Caminho ao meu livro As vozes da rádio.
O blogue Interactividade, criado no âmbito do curso de Jornalismo Digital da Associação de Radiodifusão Académica FM, da Universidade Lusíada (Porto). Durou enquanto decorria o curso ministrado por Jorge Guimarães Silva (Outubro a Dezembro). Ele criou "um leitor de áudio no template e outro num post".
Correcção (feita no dia 20 de Dezembro, pelas 17:43): Jorge Guimarães Silva foi um dos formandos e não o responsável do curso de jornalismo digital acima identificado, e a colocação de áudio e vídeo nos blogues fez parte do módulo "Criação de páginas web". As minhas desculpas pelo erro.
A história do filme The producers, a estrear em Londres no próximo dia 26 (em plena concorrência com filmes como King Kong e Narnia), passa por dois judeus, Max Bialystock (interpretado por Nathan Lane) e Leo Bloom (Matthew Broderick) tornados sócios na Broadway, e que descobrem um musical celebrando Hitler (Springtime for Hitler). Mel Brooks, que desejou simultaneamente chocar e agradar à audiência, recoloca o musical no final dos anos 1950, quando a Broadway estava no seu zénite. West Side Story, The sound of music (que no cinema chamámos Música no coração) e My fair lady eram peças então muito populares. O filme conta ainda com a actriz Uma Thurman num dos principais papéis.
Para dizer que saiu uma página no Diário de Notícias de hoje, assinada por Susana Pinheiro, sobre a tese de doutoramento de Felisbela Lopes, professora da Universidade do Minho. Ontem, fora o Público a escrever sobre essa tese. O título da peça de hoje é uma citação da autora da tese: "A TV não é um espelho, mas sim um prisma da sociedade".
Para quem não leu a notícia no jornal em papel, pode consultá-la aqui.
A imagem é muito agradável, a condução dos actores é escorreita, mas há uma representação muito teatral. Destaco o desempenho de Rogério Samora, o contador das conquistas galantes, com um defeito no andar fruto de um tiro que levou na guerra, porque "estava escrito lá em cima".
domingo, 18 de dezembro de 2005
A sala de trabalho de Soledade Santos, do blogue Nocturno com Gatos. O silêncio da mata, com o ácer e os sobreiros. Que inveja!
O detalhe da compra da divisão de cinema da Dreamworks, co-fundada por Steven Spielberg, pela Viacom, proprietária dos estúdios da Paramount, vem hoje no El Pais, em texto de Sandro Pozzi.
Em operação avaliada em mais de €1,3 mil milhões, a compra da divisão de cinema da Dreamworks pela Viacom é um passo adiante na reestruturação desta última. A Viacom, mais os estúdios Paramount, controla as cadeias de televisão CBS e MTV, num processo nítido de concentração da propriedade na indústria do entretenimento. Isto em dois blocos: 1) Paramount, MTV e Dreamworks, 2) CBS e rede de rádio Infinity.
Na nova relação de forças em Hollywood, o perdedor desta aquisição são os estúdios da Universal, que tinham um pacto com a Dreamworks para distribuir as suas películas até 2010 e que agora precisam de lutar para manter esses investimentos após a consolidação da fusão entre Dreamworks e Paramount, esta última a grande rival da Universal na indústria de entretenimento.
Aconteceu quinta-feira à noite e a polícia inglesa revelou-o ontem: uma escultura de Henry Moore, Figura inclinada (1969), com cerca de 3,5 metros de largura e pesando 2,1 toneladas, foi roubada por três homens, com recurso a uma grua e um camião Mercedes.
O receio da polícia é que o bronze da escultura, avaliada em €4,5 milhões, seja derretido, valendo aos ladrões a quantia de €7,5 mil. Os ladrões exploraram falhas de segurança, pois a escultura havia sido deslocada do sítio habitual, após uma exposição que decorreu no Brasil.
Moore é considerado uma figura de proa da escultura inglesa do século XX. Falecido em 1986, produziu uma obra de 666 esculturas, três mil desenhos e oito mil gravuras, totalizando um valor de mercado de €195 milhões. Em 1997, uma das suas esculturas foi roubada da Waddington Gallery, em Londres, mas descoberta, logo depois, no interior de um táxi. Já em 1995, outra escultura, Rei e raínha, fora vandalizada perto de Dumfries [dados retirados das notícias publicadas hoje pelo El Pais e The Observer].
O tema de abertura do Diário de Notícias é o programa "Ab...sexo", de Marta Crawford, na TVI. Espaço nobre no canal mais popular da televisão, há peças de três jornalistas femininas (Paula Brito, Fernanda Câncio e Rute Araújo) e um editorial-comentário de Miguel Gaspar, de onde retiro o seguinte: ""Aqui, não há véus nem biombos que atrapalhem um discurso simples que vai das técnicas para aumentar o prazer à prevenção para ultrapassar os riscos. O programa tem a simplicidade de um manual de instruções. E isso é uma bofetada sem luva no Portugal moralista que, à esquerda e à direita, permanece agarrado a um obscurantismo atroz". Já sentia falta dos textos de Miguel Gaspar.
Ao folhear os dois matutinos de hoje, confirmo a minha ideia da importância em ler jornais, como assinalo na coluna direita deste blogue: "Leiam jornais de referência em papel". A formação de uma opinião pública consciente faz-se das leituras múltiplas de notícias, comentários e críticas. E, olhando para os comentários sobre a reunião dos 25 da União Europeia e para o acordo orçamental da Europa para 2007-2013 depreende-se que, para além da vitória conseguida por Portugal, o comentário de Luís Naves (Diário de Notícias) merece ser reflectido ("Uma vitória e um fracasso"). É que há os novos países da UE que têm vantagens competitivas próximas: níveis educativos mais altos, proximidade em relação aos grandes mercados europeus, doses elevadas de investimento externo e "demografia certa". Sublinho os níveis educativos altos e acrescento a importância de ler jornais e livros - e não nos deixarmos esmagar no peso do audiovisual.
sábado, 17 de dezembro de 2005
AFINAL, O CAMPO PEQUENO NÃO VAI FICAR TÃO BONITO COMO EU PENSARA
Já abriu uma loja na zona comercial da praça de toiros do Campo Pequeno, aqui em Lisboa. Não gosto nada do acesso. Como se consegue perceber na primeira imagem, perde-se a visão da imponência da própria praça, com a abertura exagerada de uma entrada, que nem sequer respeita os materiais existentes previamente, o tijolo.Trata-se de vulgar entrada para um centro comercial! Não há, na câmara de Lisboa ou nas entidades oficiais, quem tenha bom gosto e impeça obras pirosas como esta?
Já bastava o mamarracho do edifício-sede da Caixa Geral de Depósitos, no topo leste do Campo Pequeno, e o centro comercial Alvaláxia no não muito distante Campo Grande (topo norte) como marcas de fealdade de uma cidade europeia que era bonita, para termos agora uma revitalizada praça de toiros com um acesso para a galeria comercial característico de um espaço suburbano. Sem falso orgulho, a praça de toiros aberta ao público em 1892 é (era) das mais bonitas de todo o mundo. No acesso à loja de brinquedos Centroxogo ainda existe um painel com várias imagens do novo Campo Pequeno (com obras previstas até à Primavera de 2006), mas perdeu-se a minha ideia romântica do espaço. Agora, a realidade mostra-se muita mais feia que as imagens trabalhadas em computador.Sem ser uma crítica ao espaço comercial de brinquedos, pois a decisão do acesso de mau gosto é anterior à implantação da loja, recupero um artigo de Céu Neves, intitulado Brinquedos e decorações lideram prendas no sapatinho, saído no Diário de Notícias, de 27 de Novembro último, sobre o Centroxogo: "continuam a ser os brinquedos os grandes responsáveis pelo aumento de negócio na época natalícia. Neste segmento, as novas tendências têm uma vertente didáctica e multimedia, como os jogos com CD-ROM, CD, DVD e MP3". Mais à frente, a jornalista fala das várias grandes superfícies como a Toys'R'Us mas também da "Centroxogo, empresa espanhola de comercialização de brinquedos com oito lojas em Portugal, a última das quais recentemente instalada em Lisboa. Os artigos não são mais baratos, mas há brinquedos de «marca branca» a custos baixos".
Visitei a loja ao fim da tarde de hoje, aproveitando para fazer as fotografias acima colocadas. Trata-se de um espaço com muita procura - claro que estamos a dias do Natal e o momento, apesar da crise económica, é de comprar prendas. Vi muitos produtos baratos, quase todos oriundos da China. Por exemplo, pistas de automóveis com licenças de marca (como a BMW) mas produzidas naquele gigantesco país asiático. E também a Barbie. Além disso, muitos dos brinquedos remetem para memórias recentes do cinema, da televisão e dos videojogos, numa mistura de indústrias culturais em que os brinquedos são o último elo da cadeia imaginária dos consumidores.
Segundo a newsletter do European Journalism Centre, ontem editada, os habitantes de um espaço idílico na Califórnia, fundado por artistas, estão em luta contra um popular programa de reality tv, da MTV, que dizem estar a destruir as características originais da cidade. Isto porque a série retrata a vida fácil de um grupo de estudantes universitários, adictos das comunicações celulares e que passam o tempo em festas, boatos, surf e compras.
Os adolescentes locais, continua o texto da newsletter, tornaram-se famosos - a filha de Rod Stewart é namorada de um deles -, pelo que muitas famílias se mudaram para a cidade a fim dos seus filhos poderem ser convidados a entrar na série. Mas os residentes mais antigos entendem que a série é uma distorção dos valores instituidos numa cidade centenária, onde viveram figuras como Bette Davis, John Steinbeck e Tennessee Williams. Os cidadãos manifestantes estão mobilizados para que a próxima série - a terceira - seja a última, planeando boicotar as filmagens ou recorrendo ainda a medidas mais radicais.
Para além da tese e das arguências, quero deixar aqui registadas algumas notas que tirei da argumentação de Manuel Pinto, orientador de tese de Felisbela Lopes.
Na génese do trabalho defendido na segunda-feira em Braga, e que aqui esbocei uma síntese, disse, está o programa "Mediascópio" (que tive o prazer de colaborar este ano). Inicialmente, tal projecto desenrolou-se em termos de fontes de informação, caso das da televisão, marcando os estudos de jornalismo, inscritos num conjunto que passa por Francisco Rui Cádima, o principal arguente na tese de segunda-feira, e por trabalhos anteriores de Felisbela Lopes [e, acrescento eu, de Isabel Ferin e Nuno Goulart Brandão]. O esforço desenvolvido pela nova doutora e por outros pesquisadores significa um esforço assinalável de colmatar zonas de silêncio dos media em Portugal, no seu geral, e da televisão, em particular.
A investigação já produzida representa uma contrapartida aos intelectuais que olham a televisão como tendo uma influência nefasta. Aí engrena a tese de Felisbela Lopes, Uma década de televisão em Portugal - 1993-2003. Estudo de programas de informação semanal dos canais generalistas. À curva descendente desse tipo de programação, até 2001, parece opor-se uma outra linha, onde se detectam sinais de despertar. Manuel Pinto entende que, em 2002-2003, houve um novo problematizar da cultura, quando se fez o debate público sobre a televisão estatal. Perguntou ele: a discussão então gerada não serviu para questionar a programação do serviço público de televisão? Manuel Pinto entende que os estudos sobre os media e a televisão ajudam a compreender estes e a aprofundar e fundamentar a crítica para uma televisão esclarecida e eficaz [nota: a escola de Braga, como eu costumo chamar aos docentes de Comunicação da Universidade de Braga, pela sua produção bibliográfica e actividade cívica, teve diversas intervenções públicas, caso de textos publicados em jornais de referência em favor do serviço público, nomeadamente do segundo canal da RTP].
Na conclusão do seu raciocínio, o professor da Universidade de Braga viu a tese então em defesa como um estudo recortado sobre a informação a partir de três pontos: 1) evolução do sector ao longo de um período de tempo, 2) contextualização, e 3) comparação entre os vários operadores de televisão. Isso acarretaria: 1) problematização que foi emergindo, como a questão das televisões temáticas (e do que não se fala), 2) quem tem voz e quem é remetido ao silêncio, e 3) esforço para exprimir a heterogeneidade do espaço público, objecto de expressão e, simultaneamente, de silêncio.
A manhã estava muito fria, pelo que era preciso esperar que o sistema de ar condicionado aquecesse a sala de aula. No corredor, o sol entrava radioso pelas vidraças. Assim, decidi começar a aula nesse sítio, ignorando algum ruído de alunos e alunas atravessando o sítio. Em discussão, um dos capítulos do recente livro de Andy Bennett, Culture and everyday life, especialmente o capítulo 4, "Media and new media", tema obrigatório de discussão nessa aula.
Quando voltámos para a sala, senti uma diferença grande. Perdera-se a luminosidade e um sentimento de alguma liberdade informal, que, ontem à noite, no jantar de confraternização de alunos e professores, foi recordado. As fotografias de A. B. registam dois momentos desses cerca de 10-15 minutos.
Luciano Canhanga retomou o seu blogue Olho Atento, a partir de Luanda, Angola, depois de um grave acidente de viação. Não sei classificar muito bem o seu blogue, mas ele mistura bem, como se fosse um sábio, jornalismo com literatura. E, por uma associação rápida, lembro-me do livro que acabei de ler, o de Lobo Antunes, sobre o seu tempo em Angola, durante a guerra colonial. A magia da terra angolana, reconhecida pelo escritor, revê-se neste blogue.
Por ele se fica a conhecer a realidade angolana, quiçá muito diferente das versões oficiais que nos chegam. Em suma, dificuldades do dia a dia dos angolanos (que eu conheço com mais de trinta anos de distância). Basta ler este bocado da sua escrita: "Parece-me que vivem duas categorias de pessoas em Angola. Os Homens (governantes e clientes) e os Selvagens (nós os simples mortais)".
Creio valer a pena espreitar o seu blogue. Repito sempre isto: foi uma enorme alegria eu ensinar ao Luciano os rudimentos de ligação à blogosfera. Longa e feliz vida para ele.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2005
Segundo os seus promotores, é "a primeira iniciativa de publicidade self-service em Portugal. Esta Rede Micro-Anúncios (Rede MA) tem como objectivo estabelecer a ponte entre anunciantes e sites, para publicação de pequenos anúncios de texto (mais tarde, possivelmente outro tipo de anúncios)".
Para o começo da sua actividade, a Rede Micro-Anúncios quer trabalhar com alguns dos melhores sítios e blogues. Há uma fase piloto, com adesão e "notoriedade garantida (com mais tráfego) quando a Rede MA for divulgada nos media como a primeira iniciativa self-service de publicidade em Portugal. Neste período de piloto, os sítios/blogues aderentes passarão anúncios gratuitos de outros sítios/blogues igualmente aderentes, incluindo instituições de caridade.
Procura-se programador informático com conhecimentos de PHP, XML e, na melhor das hipóteses, com experiência na plataforma Wordpress. Objectivo: colaborar em sítio com conteúdos culturais.
Contactar: vandaferreira@netcabo.pt.
De um leitor do blogue recebi esta informação (desconhecia, claro):
"O jornalista e escritor Miguel Sousa Tavares será um dos novos colunistas do EXPRESSO a partir de Janeiro. O convite foi feito pela nova direcção, e marca o regresso do jornalista ao nosso jornal onde trabalhou nos anos oitenta. Miguel Sousa Tavares era colunista do Público desde 1991".
Muito obrigado pela ajuda.
André Carvalho, do blogue Geração Rasca, continua a surpreender-me com o seu fino humor.
Para ele, eu estaria, nesse encontro, à espera - na primeira fila - de quem falasse em blogger para eu logo corrigir blogueiro ou blogue. Eu, na realidade, sentei-me inicialmente na segunda fila, mas troquei com uma senhora amiga de outra senhora, para as deixar a comentar em voz baixa o que se ia passando. Mas, para a fotografia do André Carvalho, eu apenas fiquei na primeira fila. Antes na primeira que na última, pois não precisava de esticar o pescoço para ver.
Moura Guedes não resiste à Prisa e Pedro Tojal rescinde com Media Capital Radios preenchem duas das três páginas do jornal, na secção dos "Media". O artigo de Paula Brito sobre a apresentadora do noticiário da TVI anota que o estilo da apresentadora, "recorrendo muitas vezes a comentários pessoais e caretas", "terá sentido a pressão das muitas críticas, algumas delas vindas de responsáveis próximos do accionista espanhol Media Capital". Embora a ideia de "responsáveis próximos de" não seja técnica e deontologicamente correcta, pela imprecisão quanto a fontes de informação (e a jornalista conhece certamente os livros de estilos dos media, que dizem para se evitar estas expressões), fica na ideia de muitos de nós (enquanto opinião pública) que a saída da pivô da TVI se deve, efectivamente, à necessidade de a reposicionar por parte dos novos donos da estação.
Há, a meu ver, um só problema: se o noticiário é líder (com 31,1%, segundo a notícia em que me apoio), porquê mudar? Não é pluralista? Ou é apenas sensacionalista?
A outra notícia, sobre a saida de Tojal do grupo Media Capital, assinada por F. M., também situa a alteração devido à nova estratégia imposta pela Prisa, o grupo espanhol que detém 33% do grupo.
Começo a manifestar a minha preocupação em termos de pluralismo de ideias veiculado pelo grupo. Quer se gostasse do estilo Moura Guedes ou não, sabia-se o que ela era. Agora, entra-se no domínio da especulação. Isto porque se dizia que Paes do Amaral era o fiel da balança, entre o poder da Prisa e o da RTL, mas o que está a acontecer é que as "pedras" por ele colocadas estão a sair. Por pressão da Prisa, escreve o Diário de Notícias. O que vai acontecer mais? E a RTL, que medidas também vai tomar? E o Governo português, ou a entidade reguladora que o representa, vai continuar em silêncio?
Escrevi aqui, há pouco tempo, sobre o plano tecnológico anunciado pelo Governo, pela razão única de ele contemplar as indústrias criativas. Mas lendo os jornais de hoje, e fixando-me na fotografia de capa do Diário de Notícias, mostrando um Primeiro-Ministro com evidente má disposição, sobre um destaque em que se escreve ter sido indicado um terceiro dirigente para o plano tecnológico, não posso dispensar a semiótica para compreender a ligação entre texto e imagem (de Nuno Fox).
José Tavares demitiu-se o mês passado. Miguel Lebre de Freitas mal se aguentou umas escassas semanas. Ambos tinham sido apresentados como especialistas de renome na área. Agora, o nomeado é Carlos Zorrinho, militante do partido do poder. O plano tecnológico perde a assunção de estratégia global para passar a ser um instrumento do poder central, possivelmente de carácter propagandístico. Isto não é mau?
O título da coluna de Miguel Sousa Tavares de hoje é Catorze anos. Ele escreve logo de início: "Comecei a escrever no Público em 1991. Estamos em 2005: foi há 14 anos". E acaba assim: "Este breve balanço, como já perceberam, é uma despedida. Catorze anos chegam hoje ao fim. Naturalmente. Sem rancores e já com inevitáveis saudades. A partir de agora, passo a ser só mais um leitor às sextas-feiras".
Miguel Sousa Tavares é conhecido pela sua frontalidade e paixão. Às vezes, não tem razão, emocional como é. Mas escrever a expressão sem rancores no final do texto - embora amaciada pela outra de que já está com saudades - quer dizer, descontando a sua vertente de emoção, que ele não sai a bem do jornal.
O que aconteceu? Será que ele também vai para a concorrência, leia-se Diário de Notícias? Fico em pulgas para saber novidades.
O livro lê-se como um romance pleno de acção, mesmo que muitas das cartas contenham versões minimais de outras. A repetição das cartas tem a ver com a monotonia dos dias, longe dos familiares e dos amigos queridos e afastado do conforto de uma cidade (Lisboa), onde o autor vivia. Mas há três ou quatro temas que, embora se repetindo ao longo das cartas, ilustram uma progressão. É como a nossa vida quotidina: fazemos gestos semelhantes todos os dias, mas vamos alterando um pouco esses gestos, porque envelhecemos ou ganhamos experiência.
A saudade da mulher (e da filha que vai nascer aqui em Lisboa quando ele está lá longe, em Gago Coutinho - o nome de então de uma vila angolana perto da fronteira com a Zâmbia). Daí que as cartas comecem sempre com "minha jóia querida" e acabem com "gosto tudo de ti". Outra linha constante é a referência à sua necessidade de escrever, ele que debutava e seria bastante mais tarde reconhecido como grande escritor. Escrevia ele a 5 de Abril de 1971 (p. 117): "Tenho continuado a história, agora a caminho da página número 70, vamos a ver se consigo que fique boa". A 21 de Maio do mesmo ano (p. 171): "Entretanto lá vou empurrando a história para a frente". No dia 8 de Julho (p. 232) escrevia: "Acabada a primeira parte, eis-me a trotar na segunda".
O atraso de correspondência era outra constante da vida do seu dia a dia: "Desde 4ª feira passada (hoje é 3ª) que não recebo notícias tuas e que nada sei a teu respeito" (6 de Abril de 1971, p. 118) . Muitas vezes, considera que o amor entre ele e a mulher está a chegar ao fim, pois ela não lhe responde. Mas das suas cartas percebe-se que ela se queixava do mesmo. Cada aerograma demorava muitos dias, devido aos circuitos complexos de correio no interior de Angola. Hoje, tais lamentações não seriam possíveis, graças ao telemóvel e, em especial, a internet [há poucas semanas, uma reportagem de televisão mostrava os soldados destacados em missão internacional no Afeganistão com uso de internet e envio de imagens fotográficas. O tempo de demora reduziu-se a instantes].
Um tema marginal, mas que retoma com alguma regularidade é o da compra de bebidas brancas a preços baixos: "A propósito de oficiais, cada um tem direito por mês a 3 garrafas, duas de uísque e uma de conhaque, de marcas estupendas, a preços de cerca de 100$00. [...] Embora não goste de nada disso (e tenho pena) ficamos cheios de alcoóis para os visitantes do nosso quimbo" (carta de 29 de Março de 1971, p. 109. Quimbo em umbundo, a língua da região, significa casa)
Retenho ainda da leitura do livro: 1) o conhecimento que ele adquiriu com o capitão Ernesto Melo Antunes, comandante de uma das companhias do seu batalhão (certamente aí colocado depois de, em 1969, ter sido o único oficial das Forças Armadas portuguesas a fazer parte de uma lista oposicional à linha do regime, ele que seria um dos oficiais do 25 de Abril de 1974 e que assumiu uma posição de liderança, com o Documento dos Nove, uma posição moderada após a radicalização à esquerda do regime em 1975 e 1975. Melo Antunes, homem culto, emprestava livros e revistas como o Nouvel Observateur e jogou xadrez com Lobo Antunes, ensinando-lhe várias entradas, como o livro indica); 2) a tomada de consciência política (apesar de, numa primeira fase, parecer favorável à situação, vai-se distanciando da posição oficial); 3) a leitura das bibliotecas (fracas) dos outros colegas quando os seus livros já tinham sido lidos; 4) os boatos (ficar na frente de combate todo o tempo da comissão e não rodar para um sítio mais calmo; uma segunda comissão); 5) as mortes de soldados, a que se acresce o facto de, como médico, acompanhar todos esses casos de modo directo.
O dia em que me cruzei com António Lobo Antunes
Escrevi uma mensagem com este título, a 10 deste mês. Na página 334 do seu livro, ele relata que passou em Dala, a caminho de Malange. Eu estava destacado nessa altura na pequena vila banhada pelo rio Chiumbe. Como ele não demorou senão duas horas na localidade, deixo aqui alguns pormenores de Dala (talvez ele descubra o meu blogue e fique mais elucidado sobre esse local, 33 anos depois). Afinal, os temas que ele trata no livro são-me familiares; e, como se escrevia no Público da semana passada, iria haver leitores que se aproveitariam dessa leitura, o que acontece comigo.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2005
Segundo o blogue O Meu Mundo Cor-de-Rosa, "Hoje quem estivesse presente no A2 da UCP por volta das 10h30 [correcção minha: muito mais mais tarde], certamente acharia que tinha entrado noutra dimensão. Balões, bolo, chapéus, apitos..." [imagens reproduzidas do blogue O Meu Mundo Cor-de-Rosa, a segunda com a própria equipa do blogue].
As notícias correm depressa na Media Capital. Agora, segundo o Diário Digital, o "director-geral do segmento de rádio da empresa rescindiu o contrato por mútuo acordo e deixará todas a funções que exercia no grupo". Segundo a notícia, as rádios da Media Capital vão iniciar uma nova fase, "após o fim de um ciclo de cerca de três anos com resultados globalmente positivos", em que Pedro Tojal "teve um contributo importante para a renovação" das rádios do grupo.
Recorde-se que Tojal granjeou reconhecimento público à frente da RFM, canal que lidera as audiências. E, agora, o que vai ele fazer? E que novas vamos ter mais no grupo de Paes do Amaral nos próximos dias?
O autor, doutorado em sociologia pelo ISCTE e investigador no CIES-ISCTE, é presidente do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, desde Julho passado. A edição do presente texto é da Verbo; o livro, que espero ler com rapidez, tem 390 páginas e custa €29.
Ainda não li o que os blogues dizem do afastamento da pivô do "Jornal Nacional" da TVI. Só sei o que veio nas notícias nos jornais (apreciei especialmente a capa do jornal tablóide-popular 24 Horas!).
Segundo a jornalista, ela atingiu os objectivos a que se propusera, ao contribuir para colocar o canal no topo das audiências, graças a um tipo de jornalismo popular voltado para as pessoas (estou a citar de memória). Contudo, isto indicia que a TVI vai sofrer alterações, devido aos novos sócios, caso da Prisa, a qual já anunciara ir mexer na informação.
Outro assunto que me parece interessante é o da produção de conteúdos nacionais. A SIC parece apostada em produção nacional, uma das chaves de sucesso da ascensão da TVI. Ora, o contrato que liga a TVI à NBP parece acabar dentro de dois anos. E depois? Que movimentos se passam nos dois canais de televisão, agora que a renovação da licença não parece oferecer dúvidas (em parte pelo silêncio dos decisores políticos)?
No blogue Media Network Weblog, em mensagem de ontem, lê-se que o Ministro sueco da Cultura e Educação não tomará a decisão de acabar com a rede analógica de FM naquele país. O governo não forçará a estação pública Sveriges Radio a arrancar com a programação em DAB. Razão: falta de dinheiro, pois há de 25 a 30 milhões de receptores analógicos na Suécia. Se a Sveriges Radio gastou €40 milhões no DAB para transmissão em quatro cidades, foi congelada a decisão de estabelecer uma rede para todo o país.
A Suécia segue a decisão tomada pela Finlândia, que encerrou a ideia do DAB já o ano passado. Deste modo, a Sveriges Radio vai concentrar-se noutras tecnologias como o webcasting, podcasting, rádio via telefone celular (DVB-H) e via televisão digital terrestre.
Curiosamente, o ano passado por esta altura, o DAB conhecia uma história de sucesso no Reino Unido, o que me fez aumentar a esperança de uma resolução idêntica para Portugal, dado o empate de capital feito pela RDP (agora integrada na RTP). Isto apesar de, entretanto, mostrar que outras tecnologias, como o podcasting (que a TSF está a promover), poderiam ser solução. Agora, estes exemplos vindos de países mais ricos ilustram a eventual falência do DAB. O que me deixa a pensar: será que o Reino Unido se enganou e avançou para uma tecnologia sem futuro? Ou aquele país prepara-se para fazer mais um corte com o Continente [leia-se: União Europeia]?