

Textos de Rogério Santos, com reflexões e atualidade sobre indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, videojogos, música, livros, centros comerciais) e criativas (museus, exposições, teatro, espetáculos). Na blogosfera desde 2002.
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Barcelos, Estremoz e Óbidos são cidades portuguesas distintas e distanciadas entre si. O que pretendo aqui, em poucas linhas, é traçar pontos convergentes e divergentes em torno do conceito de cidades criativas e a partir de duas ideias: produtos próprios e promoção.
faleceu o ano passado. Mas se comprar no sítio da banda (davematthewsband.com), cada CD vem com um disco ao vivo adicional. Igualmente online, o iTunes vende a versão standard por 10 dólares, mas pode comprar-se um outro CD por 20 dólares que inclui mais canções e um vídeo.

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A imagem estilizada remete, como acima disse, para a escultura, mas também para a banda desenhada, de estilo leve, rápido e vigoroso. A bandeira vermelha e os símbolos da foice e do martelo do Partido Comunista dominam o cartaz, no que constitui uma parcela poderosa. O casal aponta para a ruralidade (o trigo), mas o porte físico é urbano e jovem. Representa o futuro radioso (a ideia dos “amanhãs que cantam”).
À cabeça leva um saco; usa um avental apertado nas costas. Caminha na borda do passeio, quase junto à linha do eléctrico. Do lado esquerdo, encontram-se automóveis estacionados e ao fundo um veículo que parece ser um eléctrico. O CDS quer dar resposta à pobreza urbana. Há uma espécie de combate à decadência e envelhecimento urbano.
O cartaz do PPD tem alguma semelhança com o do PCP: a importância da bandeira desfraldada, com o braço esquerdo do homem levantado e mão a segurar a bandeira, junto à mulher estilizada fazendo o sinal V com a mão direita, gesto que ainda hoje o partido usa em comícios e reuniões partidárias. Mas difere porque se trata de um casal jovem urbano, ambos de cabelo longo e camisas justas e desapertadas, moldando o corpo. São mais elegantes que os representados no cartaz do PCP. A estilização é maior, dando a ideia de liberdade, de movimento. O cartaz dá, como o do PCP, a ideia de confiança no futuro. Mas alerta para a necessidade de um "Portugal livre", posição específica e oposta à do primeiro cartaz aqui presente, que quer preservar a revolução. 1974-1975, anos após a queda do regime do Estado Novo, são anos reveladores da dualidade política então instituída, as duas principais opções do novo regime: democracia ocidental ou de leste europeu?
A estética desses cartazes, em geral, não é muito interessante. Produtos baratos, de comunicação rápida, exigiam textos ou frases fortes, com imagem menos importante. Muitos cartazes parecem desenhos de estudantes adolescentes. Bigodes, cabelos compridos nas mulheres, punhos levantados são uma constante quando há figuração. Mas não há gente com óculos, por exemplo.




O primeiro exercício é uma defesa da posição da esquerda sobre a política cultural, repartida em três elementos: 1) criação de obras subsidiadas pelo Estado (cinema, teatro, dança, música), 2) democratização no acesso aos bens culturais, 3) descentralização. Conclui que deve haver um esforço para transformar o estatuto do consumidor em receptor crítico e mais esclarecido (p. 22). Por isso, o usufruto de bens culturais não é sinónimo de melhores e mais cultos cidadãos e que a leitura das obras de arte requer mecanismos de habituação e simpatias estéticas (p. 14). Quanto à descentralização, o autor tem um olhar crítico: as obras deveriam passar do interior dos países para as capitais e não ir do centro para a cidade periférica. Nesse texto, Pinto Ribeiro analisa a crise dos intermitentes em França e todo o problema dos criadores de arte, sujeitos a encomendas e a projectos. Para ele, os países europeus criaram legislação de apoio aos criadores, entretanto oportunisticamente aproveitada por empresários do audiovisual que viram na lei uma forma de escaparem a contratos de emprego permanente.