terça-feira, 7 de novembro de 2006

COLÓQUIOS E SEMINÁRIOS

Por estes dias, há uma animação em torno de colóquios e seminários.

Em Belfast, de 23 a 26, o encontro da rede de cidades e regiões da Europa para a cultura. Para além da assembleia-geral, onde haverá alteração de estatutos, o congresso propõe-se trabalhar comunidades em transição, analisar políticas, festivais e desafios, olhar as culturas das cidades, apreciar as candidaturas a capitais da cultura e pôr em confronto a diversidade social e cultural dos países que integram esta rede.

Já em Cascais, decorrerá (dias 10 e 11) o II Encontro Nacional de Casas-Museus. Destaque para as experiências de museus como os ligados às Câmaras Municipais do Porto e de Cascais e os museus Dr. Anastásio Gonçalves, João Soares e Abel Salazar. Da introdução do desdobrável, lê-se que as casas-museu resultaram da residência de alguém que dedicou à comunidade o seu património (científico, literário, médico, político).



Da mostra internacional de dança contemporânea (Sevilha, de 1 a 19 do corrente) salto para actividades em Serralves (Porto). Primeiro, as "Conversas nocturnas" (6 de Novembro a 15 de Dezembro) sobre futebol, fotografia, metamorfoses da cidade e documentário e encruzilhada. Certamente as conversas sobre fotografia e cinema - se eu estivesse no Porto nos dias da sua realização - mereceriam a minha ida aquele sítio. Mas Serralves também se prepara para uma mostra dos anos 80, com um catálogo a acompanhar a exposição.


E outras conversas marcam dois dias em Montemor-o-Novo (11 e 12): programar, corpo, experiência e fazer - sempre nas margens. Do conjunto de nomes destaco José Gil (filósofo), Ruth Rosengarthen (artista e historiadora de arte), Isabel Corte Real (docente em mestrado de Curadoria), Maria Teresa Cruz (professora da Universidade Nova de Lisboa) e Rui Horta (coreógrafo e, certamente, um dos donos da casa). Uma realização das Oficinas do Convento - Associação Cultural de Arte e Comunicação.


Obrigado ao meu fornecedor habitual deste tipo de informações, Carlos Filipe Maia.

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

MAIS LIVROS A LANÇAR

  • De José Carlos e Daniel Dayan (organizadores) vai sair o livro Televisão: das audiências aos públicos (lançamento durante o seminário internacional do CIMJ, a 14 de Novembro). Será, com certeza, um texto que interessa muito ao blogueiro cá de casa.

    Editado na prestigiada colecção Media e Jornalismo (Livros Horizonte/CIMJ) e com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, o livro tem contributos de Carlos Fogaça, Daniel Dayan, Dominique Mehl, Eduardo Cintra Torres, Eliseo Veron, Guillaume Soulez, Jean-Pierre Esquenazi, John Fiske, José Carlos Abrantes, Jostein Gripsrud, Sabine Chalvon e Todd Gitlin. O livro inclui ainda uma síntese elaborada por Felisbela Lopes a partir de contributos de António José da Silva, Isabel Ventura, José Jorge Barreiros e Tito Cardoso e Cunha.

    O livro Televisão: das audiências aos públicos teve origem em colóquio organizado pelo Centro de Investigação Media e Jornalismo (CIMJ), na Fundação Calouste Gulbenkian. Aí, Daniel Dayan fez uma intervenção em que se referiu aos públicos de televisão. Conta José Carlos Abrantes: "Na altura questionei o conferencista. A resposta, aludindo à necessidade de criar tipologias de públicos, levou-me a planear e concretizar, em colaboração com este investigador, um outro momento de palavra, um curso da Arrábida".
  • O livro Sigilo profissional em risco. Análise dos casos de Manso Preto e de outros jornalistas no banco dos réus, de Helena de Sousa Freitas, na colecção Comunicação da editora MinervaCoimbra, será lançado no dia 16 de Novembro, pelas 18:30, na FNAC Chiado, em Lisboa. A obra será apresentada pela jornalista Sofia Pinto Coelho e conta com a presença do jornalista Manso Preto, de Alfredo Maia (presidente do Sindicato dos Jornalistas) e de Mário Mesquita (director da colecção Comunicação).

    Da informação disponibilizada pela editora, lê-se: "Não sendo a Autora uma jurista, aborda, no entanto, um problema da maior complexidade jurídica e que é o do direito dos jornalistas ao sigilo profissional, mais precisamente o direito a não revelarem as suas fontes de informação. Para os jornalistas, o sigilo profissional é, não apenas um dever deontológico, mas também um direito fundamental cuja protecção a Constituição impõe e a lei, designada­mente o Estatuto dos Jornalistas, assegura e concretiza" (Jorge Reis Novais, professor da Faculdade de Direito de Lisboa).


  • Também o livro de Verónica Policarpo Viver a telenovela. Um estudo sobre a recepção vai ter uma apresentação pública no dia 28 deste mês, pelas 18:30, na sala dos Descobrimentos da Biblioteca João Paulo II, na Universidade Católica. A apresentação estará a cargo da professora Isabel Ferin (Universidade de Coimbra). Embora já me tenha a ele referido aqui, espero voltar para uma apreciação mais completa.

ÁGUAS FURTADAS Nº 10 ESTÁ A CHEGAR


O aguasfurtadas é o blogue da revista de literatura, música e artes visuais com o mesmo nome. Pode ver em baixo o vídeo de promoção do número da revista a sair.



Retiro alguma informação sobre o conteúdo da publicação:
  • Na área da poesia, e como é habitual, a "aguasfurtadas" 10 incluirá diversos autores cujo trabalho é ainda pouco conhecido de grande parte dos leitores, mas que merecem a maior das atenções. Entre eles estão Rogério Rola, Pedro Amaral, Gez Walsh (traduzido por Helder Moura Pereira) e Angélica Freitas. Verdadeiras revelações, na nossa opinião.
A revista aguasfurtadas é uma edição do Núcleo de Jornalismo Académico do Porto, com sede na rua Miguel Bombarda, 187, R/C, 4050-381 Porto. Para mais informações: jup@jup.pt.

LIVROS DA PORTO EDITORA (COLECÇÃO COMUNICAÇÃO)

Agora em lançamento, primeiro no Porto, esperando-se depois para Lisboa. No Porto, é no dia 9, às 18:30, na Universidade Fernando Pessoa (à praça da Arca d'Água).

Dos livros agora lançados, apenas não li o de Helena Sousa. Dos outros, creio já ter referido aqui todos, nomeadamente os de Jean-Pierre Esquenazi - que os meus alunos têm lido em francês - e o seminal texto de Armand Mattelart e Érik Neveu sobre a escola dos cultural studies, possivelmente a melhor obra sobre aquela corrente (e que os meus alunos de mestrado liam em francês, igualmente).

Sem qualquer intuito comercial da minha parte (sou leitor comprador de livros), felicito a editora e os directores da colecção por tão oportunos e importantes textos agora publicados. Sem desfazer a qualidade dos nacionais, os dois textos traduzidos são fundamentais para as áreas de indústrias culturais e públicos da comunicação e da cultura.

SEMINÁRIO DE CULTURA DE MASSAS EM PORTUGAL NO SÉCULO XX

Realiza-se amanhã, terça-feira, dia 7, a segunda sessão do II Seminário de Cultura de Massas em Portugal no Século XX.

Filipa Coelho e Ricardo Noronha apresentam Tóbis Portuguesa: entre a Política do Espírito e a indústria cultural, às 18:00, na sala de reuniões do 7º piso da Torre B da FCSH/UNL.

O blogue do Seminário de Cultura de Massas é
aqui.

domingo, 5 de novembro de 2006

TELEVISÃO VIA INTERNET


O fenómeno de canais de televisão pela internet está a crescer, embora o blogueiro não possa aquilatar da qualidade, quantidade e sustentabilidade económica, cultural e informativa dos mesmos. Prometo estar atento ao fenómeno, escrevendo aqui o que apurar de novo.

Agora, recebi a informação da existência da
valsousa.tv, um projecto desenvolvido por Rafael Telmo, com sede em Bitarães (Paredes). E, pelo PORTAL WebTV, obtêm-se informações e links para várias estações de televisão pela internet (ou webtv na formulação dos próprios canais).

LIVRO SOBRE PUBLICIDADE

Está já anunciado o lançamento do livro de Eduardo Cintra Torres Anúncios à lupa - ler publicidade, uma edição da Bizâncio.

Será na Livraria Barata (Av. de Roma, 11, aqui em Lisboa), no dia 9 de Novembro, pelas 18:30. A obra contará com a apresentação de José Carlos Abrantes e Pedro Bidarra. Segundo a editora, o livro tem 188 páginas e custa €11,25.

INDÚSTRIAS CRIATIVAS


Galileu, de Bertolt Brecht, no Teatro Aberto, e Graça Morais, na Cordoaria Nacional - duas possiblidades de ver indústrias criativas. De Galileu, Brecht traça o percurso de vida desde o tempo de professor de matemática na universidade de Pisa até à abjuração das suas teorias após processo instaurado pela inquisição. Ao lado de Rui Mendes, a comemorar cinquenta anos de actividade dramática, e Irene Cruz, triunfam os jovens Afonso Pimentel e Carla Chambel.

De Graça Morais, um conjunto de 150 obras - óleos, pastéis e guaches, para além de um azulejo -, numa mostra representativa da colecção da Fundação Paço d'Arcos. Centauros, anunciações, imagens de Cabo Verde, máscaras e brinquedos são alguns dos temas de uma exposição aberta até Janeiro do próximo ano.


Da agenda cultural de Lisboa retiro as informações do KANEMA - Festival Internacional dos Cinemas Africanos, a decorrer entre 17 e 26 no cinema São Jorge, da retrospectiva de Álvaro Lapa (pintura), a partir do dia 23, no Museu da Cidade, da exposição de Amadeo Souza-Cardoso na Gulbenkian, a inaugurar no dia 15, e da Mostra de Teatro Jovem de Lisboa, que arrancou ontem no Museu do Teatro e se prolonga até dia 26.

FESTIVAL BOLLYWOOD

No próximo Verão, cinco cidades de Yorkshire (Reino Unido) levarão a efeito o Festival de Cinema Indiano. O encontro anual é um contributo ao cinema indiano, apreciado por milhões de espectadores em todo o mundo. A indústria cinematográfica indiana começou com o cinema mudo, em 1913, e hoje os filmes, produzidos na região de Mumbai, são preenchidos com músicas e danças.

O Reino Unido, logo a seguir à própria Índia, é o país com maior consumo destes filmes. Actualmente, faz êxito a película Kabhi Alvida Naa Khena [o blogueiro não está habilitado a traduzir]. Mumbai, o equivalente ao Hollywood americano, atrai concursos de beleza, passagens de modelos e actores de televisão que querem triunfar no cinema made in India. Contudo, como nos Estados Unidos, somente uns poucos é que conseguem sucesso, tornando-se ícones nacionais e com reconhecimento a nível global.

[do jornal The Observer de hoje, a partir de peça de Vanessa Thorpe]

COMBOIO COM PONTE 25 DE ABRIL (LISBOA) AO FUNDO

"UMA VIDA NOVA", DE NUNO PIRES



aqui referi o filme de Nuno Pires, Uma vida nova. Agora, o Lusofilias - Ciclo de Cinema Documental Lusófono, do Porto, vai passar esse filme, no dia 8, pelas 21:00, no Teatro Rivoli. O tema deste ano são as migrações. Um dos outros filmes-documentário pertence a Diana Andringa Era uma vez um arrastão.



[vídeo de promoção do filme de Nuno Pires]

A LUTA PELA MEDIA CAPITAL

Depois das notícias dos dias mais recentes em volta da Media Capital e da OPA lançada pela Prisa (detentora de 33% do capital do grupo possuidor da TVI e de outros activos, e proprietária de media espanhóis, como El Pais), o grupo português voltou a ser notícia ontem no Expresso (texto de Pedro Lima).


Na notícia, dá-se conta do interesse em Paes do Amaral em se libertar do negócio com os espanhóis da Prisa (com quem assinou um direito de preferência pela aquisição da sua quota, indo de 12% a 13,3%). Como a nova lei das OPA entra em vigor na próxima semana, a qual altera os compromissos assumidos anteriormente, a questão promete continuar nos próximos dias, o artigo do Expresso é muito claro em explicações.

sábado, 4 de novembro de 2006

AUDIÊNCIAS DE TELEVISÃO EM OUTUBRO DE 2006

Para a Marktest, em termos de audiências da televisão em Outubro de 2006, a TVI obteve 28,5% de share de audiência, a SIC registou 26,4%, a RTP1 obteve 25,6%, o segundo canal público 5,1% e o vídeo e outros canais 14,4%.

3ª VAGA 2006 DO BAREME RÁDIO

A Marktest acabou de divulgar resultados da 3ª vaga do Bareme Rádio.

Assim, a "RFM é a estação de rádio mais ouvida em Portugal, com um reach semanal de 27,0%, uma audiência acumulada de véspera de 13,7% e 23,0% de share de audiência. A Rádio Renascença regista 20,5% de reach semanal, 10,1% de audiência acumulada de véspera e 13,9% de share de audiência. A estas duas estações do Grupo Renascença, segue-se a Rádio Comercial, Grupo Media Capital Rádio, com 18,1% de reach semanal, 6,9% de audiência acumulada de véspera e 9,7% de share de audiência e a Cidade FM, deste mesmo Grupo, com 11,0% de reach semanal, 4,8% de audiência acumulada de véspera e 5,9% de share de audiência".

PREGUIÇA VERSUS INDÚSTRIA CULTURAL


Vinha no Público de ontem: no Porto, um colectivo propunha-se discutir temas como a escola empresarial e a indústria cultural.

DE SANTARÉM

No passado dia 1, o Público, em peça assinada por Luís Filipe Sebastião (caderno local), fez referência ao processo do teatro Rosa Damasceno, em Santarém. Imóvel classificado de interesse público, o Supremo Tribunal de Justiça reconheceu a pretensão da Câmara Municipal exercer o direito de preferência na venda daquele teatro, abandonado nos últimos anos. Uma associação de interesses locais tinha feito uma escritura de compra e venda do imóvel, antigo cine-teatro, agora anulada pela decisão do tribunal. Parece ser uma vitória de todos os que defendem o património histórico e cultural da cidade, como a notícia bem o diz.


Partindo desta questão - Rosa Damasceno -, existe uma oportunidade soberana para percorrermos alguns pontos de Santarém, da catedral às Portas do Sol e à vista do rio Tejo, dentro da parte mais histórica da cidade.

Assim, as imagens dão conta de ruas estreitas com comércio (as imagens foram feitas a um domingo, pelo que está tudo deserto, mas onde se pode admirar melhor a arquitectura dos edifícios), de símbolos (no jardim, desde a data 1933 inscrita no brasão junto à porta de entrada, significativo do mais que longo período governado por Salazar, perto de esculturas sobre a primeira guerra mundial e uma mais modernista), a praça maior junto à catedral, a importância do gótico na arquitectura religiosa da cidade, algumas fachadas de lojas de comércio de rua, e a natureza expressa em árvores. Sem esquecer os sons - do comboio, dos pássaros no jardim, de pessoas ao telefone celular, dos leitores de jornais na esplanada (hoje, com o dilúvio que está a cair, isso não deverá ser possível), enquanto se observa o rio a espraiar-se ao longe.





























sexta-feira, 3 de novembro de 2006

BIBLIOTECAS

Em artigo a ler com atenção na edição de hoje do Público, José Miguel Júdice fala dos números do orçamento anual da Biblioteca Nacional (BN). Escreve o advogado e anterior bastonário da Ordem dos Advogados que o investimento da BN desceu de €2,15 milhões (dois terços do custo das exposições da Porto 2001) em 2004 para €1,4 milhões (menos que a ópera e menos que os €2,5 milhões para a colecção privada de Joe Berardo) em 2007.

Diz ainda Júdice que "o Estado é e sempre será o agente principal da defesa do património cultural português. Por maioria de razão na cultura que não tenha mecenas". E os livros são parte essencial do património, embora não interessem em resultados e votos, continua.

Ao mesmo tempo, no número mais recente da revista Os Meus Livros, indica-se que as bibliotecas municipais de Lisboa tiveram 746 mil visitas em 2005 e atenderam mais de 322 mil pedidos, assim como 4170 iniciativas. A biblioteca Camões foi a de maior actividade (1064), seguida da Orlando Ribeiro (698).

NOTÍCIAS DA TELEVISÃO

Para além de futebol, novelas e reality-shows, a audiência segue os noticiários e reportagens - é a conclusão do trabalho de Luísa Oliveira, editado ontem na Visão.

A jornalista seguiu os estudos da Marktest para a semana de 24 a 30 de Outubro: o noticiário da RTP figura entre o 1º e o 10º lugar, o da SIC entre o 3º e o 12º lugar, o da TVI entre o 4º e o 11º lugar, a "Grande Reportagem" (SIC) no 5º lugar e "Em Reportagem" (RTP) em 6º lugar. Há um número reduzido de leitores de jornais (70 cópias por mil habitantes), mas as primeiras notícias a que prestamos atenção são as dos noticiários das 20:00.

Os canais aproveitam, na perspectiva de Rui Cádima (Universidade Nova de Lisboa), para a contaminação da lógica da programação nas práticas informativas. A informação noticiosa da televisão, que se estende por muito mais tempo do que nas congéneres europeias, cede frequentemente ao espectáculo.

Obrigado a Marina Fernandes por me ter chamado a atenção para o texto da Visão.

CICLO DE CINEMA NA UNIVERSIDADE CATÓLICA


Durante este mês e até ao início de Dezembro, realiza-se um Ciclo de Cinema organizado pelo Grupo de Cinema constituído por alunos do Curso de Comunicação Social e Cultural da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica. No ciclo agora proposto, há um conjunto de filmes centrados na figura da Mulher.

Assim, as sessões vão incluir os seguintes filmes (nas datas indicadas):

Novembro
7 - Thelma e Louise (Ridley Scott), Estados Unidos
14 - Um dia inesquecível (Etore Scola), Itália
21 - Central do Brasil (Walter Sales), Brasil
28 - A Esposa turca (Fatih Akin), Turquia

Dezembro
5 - Tudo sobre a minha mãe (Pedro Almodovar), Espanha

Todas as sessões terão lugar no Auditório 1, às 14.00.

Retiro, do texto de Martinho Lucas Pires e Bernardo Mata preparado para o último filme, o seguinte:
  • Ao longo da sua obra, Pedro Almodóvar mostrou-se capaz de entrar no restrito mundo feminino e, melhor do que ninguém, passá-lo para a tela. Por isso mesmo, num ciclo de cinema dedicado à Mulher nunca poderia faltar o cunho do mais famoso realizador espanhol. “Tudo Sobre a Minha Mãe” é dos filmes em que melhor se nota a capacidade de Almodóvar em transmitir os sentimentos, as especificidades e a essência da Mulher, ou não fosse este um filme completamente dominado por personagens femininas. As mulheres de “Tudo Sobre a Minha Mãe” são actrizes, freiras, médicas e prostitutas, mas é precisamente o facto de serem mulheres que as une para lá de todas as diferenças sociais: é a identidade feminina que se evidencia. Almodóvar nunca julga as suas personagens que, por mais grotescas que sejam, são sempre apresentadas com dignidade. Este é, aliás, um dos pontos fortes do filme e de grande parte da obra do realizador: conseguir que personagens e situações que à primeira vista nos parecem pouco mais que caricaturas, acabem por nos tocar profundamente. “A única coisa que tenho de verdadeiro são os sentimentos e os litros de silicone” diz a certa altura a personagem de Agrado, representando perfeitamente esta ambiguidade.

NÚMEROS DO CINEMA

Dos dados mais recentes do ICAM, retira-se a informação que houve um crescimento de cerca de 555 mil espectadores nos primeiros sete meses do ano, por comparação com período homólogo de 2005 (11,849 milhões de espectadores em 2006 face a 11,294 milhões em 2005).


O filme mais visto durante o ano é O código da Vinci, com 753 mil espectadores (em 300 ecrãs), a que se segue Os piratas das Caraíbas, com 632 mil espectadores (em 275 ecrãs). Já na semana mais recente já com dados estatísticos (19 a 25 de Outubro), o Filme da treta, de José Sacramento, é o mais visto (mais de 65 mil espectadores), a que se seguem O guardião e Maria Antoinette. Em termos de exibidores, no primeiro semestre, a Lusomundo registou 3,63 milhões de espectadores, à frente de Castello Lopes (1,25 milhões) e Medeia (369 milhares).

Os jornais de hoje (Público, Diário de Notícias) dão ênfase a alguns destes números, baseados nos dados do ICAM e também na apresentação de dados de um estudo da Marktest sobre hábitos de consumo [ver notícia do Jornal de Notícias de hoje].

Assim, as salas UCI Arrábida 20, no Arrábida Shopping, em Vila Nova de Gaia, são as preferidas, com dois milhões de espectadores nos 20 ecrãs. Aquele multiplex é preferido pela faixa etária dos 15 aos 34 anos (87%). Dos que costumam ir habitualmente ao cinema, 578 mil vão todas as semanas e 1,6 milhões vão uma vez por mês, sendo o sábado o dia preferido pelos espectadores (41%).

Os blockbusters (como O Código da Vinci, Os piratas das Caraíbas e Idade do gelo 2) foram os principais responsáveis pelo aumento de 5% dos espectadores. Para os últimos meses do ano, normalmente os mais fortes em espectadores, esperam-se filmes realizados por Martin Scorsese e Clint Eastwood, entre outros.

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

VOLTANDO AOS SUPLEMENTOS DOS JORNAIS E AO CINEMA


Olhando melhor para os suplementos de sexta-feira passada - "6ª", do Diário de Notícias, e "Y", do Público - detecta-se um alinhamento notável com o filme A Prairie Home Companion - Nos bastidores da rádio, um outro filme em que Meryl Streep actua. Ambos os suplementos dedicam duas páginas ao filme de Robert Altman (81 anos), um deles (Diário de Notícias) com uma entrevista à actriz e os dois jornais com textos dos seus críticos mais conceituados (Mário Jorge Torres no Público e João Lopes no Diário de Notícias).


O filme reconstrói a existência de um programa ao vivo para uma rádio local (WLT), no Minnesota, chamado exactamente A Prairie Home Companion, que, ao fim de mais de trinta anos de emissão com músicos country a partir de um teatro, encerrava para dar lugar a uma outra função. O filme narra o último espectáculo ao vivo, conduzido por Garrison Keillor, o apresentador do próprio programa (que felizmente ainda existe a partir do teatro Fitzgerald em St. Paul, Minnesota) e co-autor do argumento, ao lado de Altman.

Para além da recriação de um programa ao vivo para uma rádio - e como são sempre bonitos os filmes que falam sobre a rádio -, há um entrelaçar constante entre o espectáculo a partir do palco e as pequenas histórias que se contam nos bastidores. Isto torna os 105 minutos do filme numa recepção agradável, com Meryl Streep a cantar ao lado de Lily Tomlin, uma das cantoras que Streep aprecia muito. Um outro papel importante é desempenhado por Kevin Kline, na personagem de um detective particular transformado em segurança do cinema, Guy Noir (o tipo noir, em homenagem ao film noir).

Nunca se vê a estação de rádio, exceptuando no genérico, mas é muito curiosa a ligação entre publicidade e espectáculo. Garrison Keillor canta ou lê directamente os anúncios publicitários, prática hoje abandonada pelos realizadores e autores de programas que inserem automaticamente a publicidade. A forma como é feita no filme estabelece um continuum entre publicidade e espectáculo, funcionando aquela dentro deste, como se fosse natural. Se quisermos, é product placement, semelhante ao que se faz na televisão, mas de um modo bem mais engenhoso. Quando não aparece a folha de publicidade a uma fita adesiva, perdida no meio de muitos papéis, o apresentador e as cantoras de serviço vão improvisando diálogos enquanto um imitador de sons acompanha o diálogo: um orangotango, queda de vidros e muitos mais sons. A rádio em directo era obrigada a emitir para recriar situações e paisagens e não havia espaço para o silêncio.

DO QUE FALAMOS QUANDO FALAMOS DE REALIDADE


Vai ser a segunda sessão dos Cafés com Filosofia, no próximo dia 7, na Galeria Bar Santa Clara (rua António Augusto Gonçalves, 67, Coimbra), pelas 21:30. Tendo como convidado Carlos Fiolhais (professor de física na Universidade de Coimbra, o tema é De que falamos quando falamos de realidade, com entrada livre.

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

PRADA VESTE DIABO


Observação prévia: não sou crítico de cinema - nem jornalista -, o que torna as coisas mais simples. Ou talvez não, porque julgo ser meta-crítico ou meta-jornalista, actividades de análise do que aqueles fazem, tarefa afinal complexa.

Isto a propósito do filme O diabo veste Prada, sobre o qual eu já escrevi
aqui, em 3 de Julho último. Editei então, baseado na leitura do jornal inglês Observer, de 25 de Junho, sobre esse filme realizado por David Frankel, com Meryl Streep no principal papel:

Trata-se da história baseada num romance de enorme sucesso em 2003, escrito por Lauren Weisberg, antiga assistente da directora da Vogue, previsível personalidade que o filme disseca. Este [...] trata de jornalismo e carreiras profissionais, para além de moda. Meryl Streep faz o papel de Miranda Priestly, despótica editora-chefe da revista Runway. As outras personagens principais pertencem à assistente de direcção, a qual aspira a um lugar futuro na prestigiada revista New Yorker, e a dois homens, um, o braço direito de Miranda mas que se passa para o lado da assistente, o outro, o correspondente ao proprietário da Vogue, Vanity Fair e New Yorker.

Agora, após ter visto o filme e lido as críticas (caderno "Actual" do Expresso, caderno "Y" do Público e "6ª" do Diário de Notícias), noto como as críticas podem levar ou impedir um leitor de ver e apreciar um filme. Os críticos do Diário de Notícias são radicais: embora o mais bem escrito de todos os textos sobre o filme, Eurico de Barros fala em futilidades, insolências e prepotências numa comédia satírica e de "denúncia" de "uma indústria que garante milhões de empregos em todo o mundo, e blá-blá-blá". Mau é como o crítico classifica o filme, no que é acompanhado pelos seus colegas de jornal João Lopes e Nuno Carvalho (Nuno Mexia não se pronunciou).



Já os outros jornais dão maior destaque a Meryl Streep, com entrevistas sobre o papel neste e noutro filme também em exibição em Lisboa. Fica-se a perceber melhor a interpretação dada pela actriz à personagem Miranda Priestly, ao contrário da escrita de Eurico de Barros, que não mostra qualquer interesse na actriz nem na personagem ("tipo de papel que a grande senhora faz com uma perna às costas, o ponto morto intelectual engatado e a pensar no que irá pedir à cozinheira para fazer ao jantar", ideias absolutamente a despropósito e destinadas a preencher apenas um espaço de escrita, parece-me).

Por mim, gostei dos 109 minutos do filme (indicação da distribuição), pois saí da sala leve e bem-disposto - e a sala, ontem à noite, estava praticamente esgotada, um sinal positivo para quem gosta de cinema. Afinal, o filme não mostra gente muito má mas apenas de mau feitio, sem agressões físicas ou psicológicas. Claro, a assistente, cheia de boa vontade e ingenuidade, mudou (de vestuário, de namorado, de gostos), mas, como numa história infantil, arrepiou caminho e voltou aos seus "valores" iniciais. O filme não nos conta quase nada da moda enquanto indústria em que as relações de mercado são muito violentas (capitalistas) e os seus representantes ou intervenientes (modelos, desenhadores, costureiros) são envolvidos numa permanente luta de sobrevivência pessoal e empresarial.

A MEDIA CAPITAL VISTA ATRAVÉS DA PRISA


Nos dias mais recentes, a Prisa lançou uma OPA sobre a Media Capital (cuja jóia da coroa é o canal de televisão TVI). Em conferência de imprensa realizada, Juan Luis Cébrian (conselheiro-delegado da Prisa) disse que o objectivo da Prisa é estratégico, tornando a Media Capital um grupo global de meios de comunicação de língua portuguesa (a Prisa está igualmente presente na editora Santillana e nas brasileiras Moderna e Objetiva).

A razão directa pela qual a Prisa lançou a OPA é a nova legislação portuguesa (a entrar proximamente em vigor), que aplica critérios retroactivos em determinadas situações, o que vai contra os acordos estabelecidos entre a Prisa e Paes do Amaral e o sócio deste, Nicolas Berggruen. A Prisa pode mesmo levar a situação a tribunal, se o considerar oportuno. O preço por acção proposto pela Prisa é €7,40, apesar de Cébrian achar que o preço oferecido ser superior 20 a 30% do valor real das acções da Media Capital. Contudo, justifica o interesse em controlar a empresa (no dia em que se anunciou a intenção de compra da Media Capital, as acções valorizaram e passaram para €8,30). Caso a Prisa passe a controlar a totalidade das acções, o desembolso ascenderia a €416 milhões, embora considere suficiente o controlo de 90%.

Faz agora um ano (8 de Novembro de 2005) que a Prisa comprou 33% do capital da Media Capital, com a opção de exercer a compra de mais 12 a 13% das suas acções. A gestão da Media Capital é, desde então, controlada por Manuel Polanco, conselheiro da Prisa. Os outros accionistas de referência são o grupo luxemburguês RTL (33%), Miguel Paes do Amaral (13%, também pertencentes ao sócio Nicolas Berggruen), Caixanova (4%), UBS (3%) e JP Morgan (2%).

A Media Capital é o grupo de meios mais diversificado e completo em Portugal. Para além da posse da TVI, líder em audiência e quota publicitária, e da produtora de televisão NBP, criadora das séries de maior êxito, possui no seu portfólio estações de rádio (Comercial, por exemplo), portais da internet e publicidade exterior. Nos primeiros nove meses de 2006, a Media Capital teve um lucro de €10,9 milhões (mais 8% relativamente a período homólogo em 2005) e €129,1 milhões de investimento publicitário (mais 6% face a igual período de 2005). Em termos de audiências, a TVI liderou durante o ano, quer em termos de dia inteiro (35,6%) e com share de 40,1% no prime-time .

Entretanto, na área das novelas infanto-juvenis, a nova série Doce fugitiva (a história de uma falsa freira), emitida pela TVI, destronou a série da SIC, Floribella, que, por sua vez, relegara para posição secundária a série Morangos com açúcar, da mesma TVI, o que significa a recuperação da liderança, por esta estação, numa área actualmente importante na programação dos canais comerciais.

[dados trabalhados a partir de informações da Prisa; agradecimentos a Fernando Paulino, o "correspondente" do Indústrias Culturais em Sevilha]