

Textos de Rogério Santos, com reflexões e atualidade sobre indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, videojogos, música, livros, centros comerciais) e criativas (museus, exposições, teatro, espetáculos). Na blogosfera desde 2002.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
CAMPANHA NA INTERNET PARA SALVAR JORNAL DE MINNEAPOLIS
Os empregados do jornal de Minneapolis Star Tribune lançaram anteontem uma campanha online na tentativa de salvarem o jornal, na bancarrota desde o começo do ano. "Com o Star Tribune na bancarrota, a principal fonte de informações do Minnesota está em perigo", foi escrito numa mensagem da internet em savethestrib.com: "Nós, os jornalistas que escrevemos, fotografamos, editamos e apresentamos as notícias diariamente, lançamos esta campanha porque acreditamos que o Star Tribune é um recurso essencial para a comunidade e demasiado valioso para que se perca".
Impressionantes são os contributos de muita gente importante daquele local dos Estados Unidos num vídeo que se pode ver no sítio da internet acima identificado: para Maria Jette, soprano, o que lê em primeiro lugar é a banda desenhada; Kieran Folliard, dono do Irish Pub Kieran, gosta de ler a opinião; Daniel Slager, editor, começa por ler a secção de desporto, o mesmo acontecendo com R.T. Rybak, o presidente da câmara de Minneapolis.

BIOGRAFIAS


Um dos programas que me impus foi ler biografias de homens do centro da Europa que marcaram o século XX em termos culturais, políticos e sociológicos. Das leituras, não procurei o destaque que deram às indústrias culturais mas ao modo como viram a Europa e contribuiram para a sua transformação ao longo das décadas desse século nas artes e nas indústrias ligadas à cultura. Escolhi três homens muito cosmopolitas, de diferenciamentos políticos entre eles. As suas biografias são notáveis - claro que os biografados fazem sempre uma revisão da história que os colocam em posição confortável, central, dos acontecimentos que narram e de que são actores. Por coincidência, os três biografados são judeus, que assistiram com horror à ascensão e aumento de poder do nazismo.
Dois tiveram um percurso social, profissional e intelectual em diversos países - e de que já aqui fiz destaque. Eles foram Hobsbawn e Canetti (igualmente fiz breves referências à moda e ao jazz em Hobsbawn). Ambos escreveram em alemão, mas, além da Alemanha, passaram por países como Inglaterra e Áustria, o que os levou a escrever em inglês (ou mesmo em francês). O terceiro biografado é Raymond Aron, com a particularidade de ser comparado com o seu "pequeno camarada" Jean-Paul Sartre. Francês, ele também passou pela Alemanha, onde ensinou e escreveu, e pela Inglaterra, onde esteve aquando do período da Resistência francesa à ocupação alemã.

De entre os temas que escreve, destaco a percepção que tem da Segunda Guerra Mundial, o caminhar ao lado do general De Gaulle e o lento afastamento de ambos, a combinação das actividades de jornalista, professor universitário e político, o envolvimento no jornal de direita Le Figaro, a corrosão da amizade com Sartre, o igual afastamento face a Paul Nizan, a relação com André Malraux, a guerra na Argélia e a sua defesa da independência daquele antigo território ultramarino da França, as posições francesas e as suas sobre a NATO e a União Europeia, a relação da França com o país do meio (Alemanha), a amizade com Henry Kissinger, a sua posição face ao Maio de 1968, as muitas conferências e livros, a sua oposição ao marxismo (apesar de escrever sobre Marx), a ideia da decadência do ocidente (pelo menos da Europa).
Se especulei que Hobsbawn e Canetti poderiam ter-se encontrado em Viena, creio que Hobsbawn e Aron nunca se cruzaram. Pelo menos politicamente: Hobsbawn foi comunista até quase ao final da sua vida, mas passou por um longo e febril afastamento dessa opção; Aron sempre foi da direita francesa. Ou, então, passaram um pelo outro em Londres, nos finais da década de 1930 ou primeiros anos da década seguinte. Ambos estiveram muito junto dos poderes, Hobsbawn mais do universitário, Aron mais do político e do universitário. É evidente a ligação de Aron ao poder político, ele gostaria de ter sido o príncipe que aconselha o monarca: "Muitas vezes me encontrei com Giscard d'Estaign antes da eleição de 1974" (p. 485), "Alertar os chefes da maioria e convencê-los de que podiam e deviam impedir um proprietário, fortemente endividado, de provocar a saída de alguns grandes nomes que adornavam o Figaro" (p.a 473), "O Presidente da República [d'Estaign] desaconselhou-me, se bem me recordo, de deixar o Figaro" (p. 471), "Do Eliseu e de Matignon vinha uma discreta pressão a favor do magnata que assentara a sua fortuna no Autojournal" (p. 465).
Em Raymond Aron noto uma nostalgia ou mágoa no final da sua vida, em especial quando fala da decadência da Europa (também verifiquei esse sentimento nas outras biografias). Aron publicou as suas memórias em 1983, mas, ao lerem-se algumas páginas, há uma grande actualidade: a crise financeira, o défice da balança de pagamentos americana, o envelhecimento da população, a alteração dos sistemas sociais (antes do capitalismo, as aldeias da China eram quase autosuficientes, controladas à distância pelo imperador, escreve ele algures).
Falta-me ler o segundo volume das memórias de Canetti, ainda não publicado pela editora. O mais político (o que mostra melhor como se faz a política) é o livro de Aron, o livro mais bem escrito é o de Hobsbawn, o que conta melhor a realidade intelectual é o de Canetti. Se a Europa acelerou a sua decadência no século XX, os mesmos biografados assinalam os momentos mais emocionantes do nosso velho Continente: a união económica, apesar das variadas línguas e posições estratégicas, a cultura humanista, as cidades cheias de história, a sabedoria da sua filosofia e o encanto da sua música, as vanguardas estéticas. O cinema começou na Europa, os jornais são uma invenção europeia, a música mais importante nasceu na Europa, a Europa chegou ao resto do mundo (embora com posições erradas de colonialismo e imperialismo).
terça-feira, 7 de abril de 2009
AUDIÊNCIAS DE TELEVISÃO
O Diário de Notícias de hoje (p. 46 da edição em papel) indica que a televisão por cabo teve, no domingo passado, o melhor resultado de sempre (22,3% da audiência). Razões explicadas no texto assinado por Tiago Guilherme: transmissão de futebol (na SportTV), Panda (o domingo não se articula com as férias das crianças, como diz o texto, embora nestes dias haja mais espectadores do canal de desenhos animados) e consumo crescente do cabo (mais lares ligados ao cabo). O texto indica a subida lenta mas segura do total da audiência nos canais de cabo: 13,3% em Fevereiro, 14,7% em Março, 16,9% nos primeiros dias de Abril. No domingo e por canal, o cabo apareceu assim por ordem decrescente de audiência: SportTV1, SIC Notícias, Panda, AXN, TV Record, Hollywood, RTP Memória, FoxLife, RTPN, SIC Mulher.
CONGRESSOS DE COMUNICAÇÃO EM LISBOA

De 14 a 18 de Abril, realizam-se o 6º Congresso SOPCOM, o 8º LUSOCOM e o 4º IBÉRICO. Os temas das sessões plenárias são: Lusofonia e Globalização, Novos Media e Desenvolvimento, Serviço Público Televisivo, Investigação nas Ciências da Comunicação e Sociedade dos Media.
Ao longo desses dias, decorrem "sessões temáticas que constituem os principais eixos de actividade científica dos congressos e onde serão apresentadas centenas de comunicações" (informação da organização). São mais de 600 participantes pertencentes a instituições de ensino superior na área das Ciências da comunicação, de Portugal, Brasil, Espanha, Angola, Moçambique e Cabo Verde. No último dia, haverá lugar para a mesa redonda com os presidentes das Associações de Comunicação Europeias: Annabelle Sreberny, François Heinderyckx, Miquel de Moragas e Moisés de Lemos Martins.
Resultado desse grande afluxo de comunicações é o intrincado programa, que pode ser lido aqui. Isto sem contar com o lançamento de livros, com sessão prevista para o dia 14, entre as 21:00 e as 23:00!
O QUARTO ANÚNCIO DO PÚBLICO

"Eu sou o Público dos comentários, das votações, dos fóruns. Eu sou o Público do teclado que não cruza os braços. O Público sou eu". Esta é a mensagem e slogan do quarto anúncio do jornal, na página 7, sem as aspas iniciais e não indicando publicidade no topo da página (como nos dias anteriores).
O quarto anúncio recupera a imagem do indivíduo do primeiro anúncio (óculos de aros de massa), com indefinição na parte inferior da fotografia. No canto esquerdo, imagens dos três suportes de leitura, que funcionam como elementos de continuidade da promoção. Continua a ideia de leitor jovem e ligado às tecnologias electrónicas.
Pergunta de novo: conquistam-se leitores jovens com anúncios em jornal de papel?
ESCOLAS DE VERÃO 2009 NA UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA
1) Escrita para Cinema e Televisão, pelo professor Paulo Filipe Monteiro (8, 9, 10, 15, 16 e 17 de Setembro, das 18:00 às 21:00)
Programa: O cinema e a televisão são formas de comunicação contemporâneas, que no nosso século tiveram de inventar a sua linguagem. Neste curso breve e predominantemente prático estuda-se como se tem definido e transformado a escrita própria de textos destinados a serem filmados. Trata-se de um género que só pode ser compreendido por relação com a narração e o drama. Para compreender a «narração dramática» dos guiões, trabalham-se as teorias clássicas da narração, as estratégias narrativas de vários tipos de filmes, as personagens, as cenas, os diálogos e técnicas específicas de manipulação do espaço e do tempo. Tudo isto será desenvolvido a partir das sinopses previamente enviadas pelos participantes. Requisitos Prévios: Até final de Maio, os interessados neste curso devem enviar para o e-mail pfm@sapo.pt uma página com sinopse original de um filme de ficção.
2) Por entre gerações: Os lugares dos media e os desafios da literacia mediática, pela professora Cristina Ponte (coord.) (6, 9, 13, 16, 20 de Julho, das 10:00 às 13:00)
Proposta: A sociedade portuguesa é marcada por profundas diferenças geracionais na relação com os novos meios de comunicação, sendo os mais novos os que mais utilizam as potencialidades comunicacionais da Internet. Por outro lado, nunca se falou tanto na necessidade de uma capacitação para usar criticamente os media – uma capacitação não apenas tecnológica mas também – e sobretudo – na perspectiva dos direitos de participação e de expressão numa dimensão ética e de cidadania.
Mais informações aqui.
Programa: O cinema e a televisão são formas de comunicação contemporâneas, que no nosso século tiveram de inventar a sua linguagem. Neste curso breve e predominantemente prático estuda-se como se tem definido e transformado a escrita própria de textos destinados a serem filmados. Trata-se de um género que só pode ser compreendido por relação com a narração e o drama. Para compreender a «narração dramática» dos guiões, trabalham-se as teorias clássicas da narração, as estratégias narrativas de vários tipos de filmes, as personagens, as cenas, os diálogos e técnicas específicas de manipulação do espaço e do tempo. Tudo isto será desenvolvido a partir das sinopses previamente enviadas pelos participantes. Requisitos Prévios: Até final de Maio, os interessados neste curso devem enviar para o e-mail pfm@sapo.pt uma página com sinopse original de um filme de ficção.
2) Por entre gerações: Os lugares dos media e os desafios da literacia mediática, pela professora Cristina Ponte (coord.) (6, 9, 13, 16, 20 de Julho, das 10:00 às 13:00)
Proposta: A sociedade portuguesa é marcada por profundas diferenças geracionais na relação com os novos meios de comunicação, sendo os mais novos os que mais utilizam as potencialidades comunicacionais da Internet. Por outro lado, nunca se falou tanto na necessidade de uma capacitação para usar criticamente os media – uma capacitação não apenas tecnológica mas também – e sobretudo – na perspectiva dos direitos de participação e de expressão numa dimensão ética e de cidadania.
Mais informações aqui.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
COLECÇÃO ANTÓNIO CACHOLA

António Cachola esteve em Londres pela primeira vez em 1973, onde visitou todos os museus que pode. Começava aí o seu interesse pela arte e pelo colecção de obras de arte. Licenciado em economia e com uma pós-graduação em finanças públicas, o seu grande hóbi é a arte, e fá-lo na qualidade de um quase profissional. A abertura do Museu de Arte Contemporânea de Elvas (MACE) com a colecção dele próprio foi um momento de grande alegria. No catálogo de apresentação do museu e da colecção, escreve o próprio António Cachola: "O objectivo não passa apenas pela descentralização da arte ou da cultura mas pela sua naturalização, por transformar a arte em algo natural e acessível a todos" (ver o vídeo, onde registei uma curta conversa com o coleccionador).
A colecção e o museu possuem arte contemporânea portuguesa criada da década de 1980 em diante. Nela observam-se artistas de plano internacional, de que se contam, entre outros, Rui Sanches, Xana, Joana Vasconcelos, Jorge Molder, Rui Chafes, José Pedro Croft, Fernanda Fragateiro, Pedro Cabrita Reis, Ângela Ferreira, Pedro Calapez, João Pedro Vale, Manuel Botelho, Edgar Martins, Francisco Vidal, Sofia Areal, Ana Vidigal. O director de programação é João Pinharanda.



O MACE abriu em Julho de 2007 num edifício anteriormente hospital da Misericórdia de Elvas, em estilo barroco tardio de meados do século XVIII. A adaptação do edifício para museu teve o contributo do arquitecto Pedro Reis e dos designers Filipe Alarcão e Henrique Cayatte. A colecção tem cerca de 300 obras que se expõem segundo temáticas diferentes.
PARA ONDE VAI A INDÚSTRIA DA MÚSICA
Atender ao que escreve hoje Andrew Dubber, no seu sítio new music strategies, sobre o que se passou na conferência Is This It em Helsínquia.
O TERCEIRO ANÚNCIO DO PÚBLICO

Parece uma recente obsessão minha: atender aos anúncios saídos no Público. Trata-se, contudo, de um exemplo a estudar, o da reflexão da importância dos media electrónicos face aos meios tradicionais, neste caso a internet e o telemóvel em relação ao papel.
Hoje, a publicidade/promoção do meio Público ocupa a página 9, página da direita, a mais visualizada. Está mais à frente no jornal que nos dois dias anteriores, que ocupavam duas das páginas mais importantes, a 2 e a 3. Significa que os autores da campanha estão satisfeitos com o reconhecimento e notoriedade entre os leitores do jornal, reduzindo a dimensão (duas para uma página) e fazendo publicar o anúncio numa página do interior e menos importante por isso.
O slogan mantém-se: "O Público Sou Eu". Mas a mensagem de hoje faz referência aos principais colunistas: António Barreto, Miguel Esteves Cardoso, Vasco Pulido Valente, José Pacheco Pereira. Ou seja, a defesa da opinião do jornal (por oposição às notícias, à factualidade dos acontecimentos), numa linha de continuidade face à mensagem de ontem, onde se defendia a independência do jornal, "doa a quem doer" e "Sou o Público da Verdade", mas abandonando, por redundância, o igual peso da informação em papel e em formatos electrónicos, como o anúncio de anteontem. Anúncios diferentes, com zonas iguais de informação, levam-nos a uma narrativa, como se fosse um folhetim.
Isso explica também os modelos humanos que acompanham a publicidade, os rostos - a dois rostos masculinos, sucede-se hoje um feminino. A zona de imagem desfocada ou menos precisa tem hoje outra configuração: a jovem mulher revela apenas o rosto e um a dois dedos da mão direita, envolvida em espuma no banho. O rosto é sereno e o olhar está fixo, algo ensimesmado.
As mensagens contidas nesta série fixam-se, já o escrevi, num público jovem, o alvo aparentemente fundamental da campanha. A mulher de hoje parece mais jovem que a do homem de anteontem. Mas se este me sugeria um intelectual muito virado para as tecnologias electrónicas de informação e o de ontem um jovem que ama as coisas boas da vida, combinando com uma profissão de sucesso e de muitas relações públicas, a mulher do anúncio de hoje encontra-se numa posição de descontracção depois de um dia de grandes decisões no escritório da empresa que dirige ou em que é uma das principais responsáveis.
Os variados formatos - tradicionais e modernos - são meios que interessam a estas personagens. Mas a quem se destina realmente a campanha? Aos leitores do jornal em papel? Aos leitores mais jovens? É uma campanha institucional sem impacto directo na formação de públicos leitores mas que destaca a excelência deste jornal face a outros?
domingo, 5 de abril de 2009
O SEGUNDO ANÚNCIO DO PÚBLICO
Hoje, o Público publicou o seu segundo anúncio nas páginas 2 e 3. Com o slogan O Público Sou Eu, a mensagem de hoje destaca a independência do jornal, "doa a quem doer" e "Sou o Público da Verdade". Para além do que me parece o constante da publicidade - as pequenas imagens no canto inferior esquerdo com três suportes de informação (papel, internet, telemóvel) -, a figura da página da direita é a de um jovem de olhos claros e sobrancelhas acentuadas, representado por apenas metade do rosto. Será que o essencial da publicidade aponta para o público masculino? Como observação, continuam a faltar as aspas iniciais e a indicação de públicidade no topo da página.

LISBOA
Avenida Fontes Pereira de Melo, 12. Prédio há muito abandonado, mesmo ao lado de um hotel recente. Possuía jardim e andar em nível inferior ao da rua, que acompanha a inclinação de terrenos nesse lado da avenida. Para chegar ao centro da casa, um pequeno torreão de duas janelas, usava-se um passadiço, o que confere uma beleza especial ao prédio. Registo a existência de um pequeno pórtico sobre a porta de entrada da casa, outro elemento nobre do edifício.

Em pesquisa na internet, deparo-me com a informação de sede da Tudor nesse endereço. Errado? Ou morada antiga daquela empresa?

Em pesquisa na internet, deparo-me com a informação de sede da Tudor nesse endereço. Errado? Ou morada antiga daquela empresa?
Museu Vostell Malpartida (Cáceres, Espanha)
Wolf Vostell foi um artista plástico que trabalhou materiais industriais decomponíveis (automóveis abandonados, receptores de rádio e televisão avariados, motas já sem utilização, fazendo enormes instalações e intervenções, como piano dentro de automóvel, por exemplo). Vostell (Leverkusen, 1932; Berlim, 1998) reflectiu sobre a cultura industrial e de consumo em que os objectos já sem uso vão para a sucata e para a lixeira. Ele quis, assim, dar conta do mundo actual, com grande ironia e nostalgia por formas obsoletas mas que, em simultâneo, provocam o riso e a vontade de brincar.




São conhecidas as séries de Vostell de obras com televisores e automóveis, onde a beleza inicial das formas dos objectos se transforma em lixo, fealdade, inutilidade, desconforto. Podemos ver no seu museu a história dos objectos industriais - e imaginar a sua apropriação e abandono, como quando se tem um brinquedo novo e se lhe dá muita atenção antes de dedicar toda a disponibilidade a um novo brinquedo e se esquecer o anterior. Só a memória, a nostalgia dos momentos vividos antes, nos leva a recuperar os objectos, as colecções de peças que passam na vida individual e se guardam num sótão ou cave. Esta história do design industrial é, em Vogell, diferente de outras colecções de aparelhos e máquinas que encontramos noutros museus. Trata-se de um olhar sobre a obsolescência e a morte dos objectos, estrelas de um mundo de gadgets imprescindíveis num tempo e abandonados noutro. Vogell escava na história do design industrial como se estivesse numa lixeira à procura de objectos ainda recuperáveis (pelo valor do metal, por exemplo).



O automóvel ou o televisor são símbolos dos rituais da vida actual dos homens. A articulação dos objectos representa o princípio da des-colagem que Vogell trabalhou desde 1954, propondo o princípio negativo dos objectos que o espectador habitualmente toma como positivo, num jogo de sombras e de conflitos em que a humanidade corre o risco de mergulhar. Na vida dos objectos industriais, há um permanente processo de construção e desconstrução, o que provoca novos processos mentais. Fundador da vanguarda Hapenning e Fluxus, encontramos neste museu excelentes exemplos desses modos de fazer a arte.




Malpartida de Cáceres, a não muitos quilómetros da cidade, foi local de transumância, com pastores e ovelhas, local onde estas eram tosquiadas para a transformação da lã. Perdida a função inicial, o edifício foi adaptado e beneficia de uma inserção em lugar muito bonito, que funciona também como local de caminhadas para a população e os visitantes. Vostell ficou encantado com o lugar, de onde era oriunda a sua mulher Mercedes Guardado Olivenza, tendo obtido da Junta da Extremadura a ideia de construir o seu museu naquele sítio.




São conhecidas as séries de Vostell de obras com televisores e automóveis, onde a beleza inicial das formas dos objectos se transforma em lixo, fealdade, inutilidade, desconforto. Podemos ver no seu museu a história dos objectos industriais - e imaginar a sua apropriação e abandono, como quando se tem um brinquedo novo e se lhe dá muita atenção antes de dedicar toda a disponibilidade a um novo brinquedo e se esquecer o anterior. Só a memória, a nostalgia dos momentos vividos antes, nos leva a recuperar os objectos, as colecções de peças que passam na vida individual e se guardam num sótão ou cave. Esta história do design industrial é, em Vogell, diferente de outras colecções de aparelhos e máquinas que encontramos noutros museus. Trata-se de um olhar sobre a obsolescência e a morte dos objectos, estrelas de um mundo de gadgets imprescindíveis num tempo e abandonados noutro. Vogell escava na história do design industrial como se estivesse numa lixeira à procura de objectos ainda recuperáveis (pelo valor do metal, por exemplo).



O automóvel ou o televisor são símbolos dos rituais da vida actual dos homens. A articulação dos objectos representa o princípio da des-colagem que Vogell trabalhou desde 1954, propondo o princípio negativo dos objectos que o espectador habitualmente toma como positivo, num jogo de sombras e de conflitos em que a humanidade corre o risco de mergulhar. Na vida dos objectos industriais, há um permanente processo de construção e desconstrução, o que provoca novos processos mentais. Fundador da vanguarda Hapenning e Fluxus, encontramos neste museu excelentes exemplos desses modos de fazer a arte.




Malpartida de Cáceres, a não muitos quilómetros da cidade, foi local de transumância, com pastores e ovelhas, local onde estas eram tosquiadas para a transformação da lã. Perdida a função inicial, o edifício foi adaptado e beneficia de uma inserção em lugar muito bonito, que funciona também como local de caminhadas para a população e os visitantes. Vostell ficou encantado com o lugar, de onde era oriunda a sua mulher Mercedes Guardado Olivenza, tendo obtido da Junta da Extremadura a ideia de construir o seu museu naquele sítio.
sábado, 4 de abril de 2009
O ANÚNCIO DO PÚBLICO
Talvez devesse haver indicação de anúncio no cimo das páginas 2 e 3 do jornal Público de hoje. É que é publicidade ao próprio jornal.

Talvez devesse também haver uma informação do jornal sobre o anúncio ou sobre a campanha (será que também se estendeu à televisão ou aos mupis?). É que seria útil perceber o porquê do anúncio. Lê-se neste:
Eu sou o Público
do papel para saber tudo,
da Net para saber já
e do telemóvel para saber onde quer que esteja.
O Público sou eu
Na página da esquerda ao fundo sobressaem três suportes da informação: jornal de papel, computador, telemóvel. Na página da direita, com imagem parcialmente desfocada, vê-se um indivíduo de sexo masculino, com óculos de aros de massa, barba curta, alguma falta de cabelo, mas de aparência jovem. A imagem deste é o perfil (ou estereótipo) de indivíduo urbano, leitor de informação e adepto de tecnologias electrónicas de informação, que abandonou o jornal em papel e migrou para o digital. Se ele quer saber informação sucinta, deve usar os media digitais, mas o papel dá-lhe mais informação. Certo, porque o papel ainda é meio mais portátil e legível que os media electrónicos. Errado, porque os textos em papel podem ser em tamanho mais pequeno que os da internet (dei um exemplo quando escrevi sobre o museu da rádio, aqui).
Aparentemente, a publicidade representa o novo posicionamento do jornal, reflectindo as mudanças de direcção anunciadas no mês passado e que procura ter igual peso nos vários suportes, uma medida ousada e que pretende ganhar leitores em suportes (digitais) para compensar a lenta perda de leitores em papel. Percebe-se isso na página da esquerda do anúncio. Mas isso significa, se olharmos para a página da direita, que apenas os jovens adultos masculinos são um público a conquistar? Ou vêm outros e diferentes anúncios? E a legenda do anúncio é uma citação? Onde estão as aspas no começo do texto?

Talvez devesse também haver uma informação do jornal sobre o anúncio ou sobre a campanha (será que também se estendeu à televisão ou aos mupis?). É que seria útil perceber o porquê do anúncio. Lê-se neste:
Eu sou o Público
do papel para saber tudo,
da Net para saber já
e do telemóvel para saber onde quer que esteja.
O Público sou eu
Na página da esquerda ao fundo sobressaem três suportes da informação: jornal de papel, computador, telemóvel. Na página da direita, com imagem parcialmente desfocada, vê-se um indivíduo de sexo masculino, com óculos de aros de massa, barba curta, alguma falta de cabelo, mas de aparência jovem. A imagem deste é o perfil (ou estereótipo) de indivíduo urbano, leitor de informação e adepto de tecnologias electrónicas de informação, que abandonou o jornal em papel e migrou para o digital. Se ele quer saber informação sucinta, deve usar os media digitais, mas o papel dá-lhe mais informação. Certo, porque o papel ainda é meio mais portátil e legível que os media electrónicos. Errado, porque os textos em papel podem ser em tamanho mais pequeno que os da internet (dei um exemplo quando escrevi sobre o museu da rádio, aqui).
Aparentemente, a publicidade representa o novo posicionamento do jornal, reflectindo as mudanças de direcção anunciadas no mês passado e que procura ter igual peso nos vários suportes, uma medida ousada e que pretende ganhar leitores em suportes (digitais) para compensar a lenta perda de leitores em papel. Percebe-se isso na página da esquerda do anúncio. Mas isso significa, se olharmos para a página da direita, que apenas os jovens adultos masculinos são um público a conquistar? Ou vêm outros e diferentes anúncios? E a legenda do anúncio é uma citação? Onde estão as aspas no começo do texto?
O TEATRO DO PORTO SEGUNDO NUNO CARINHAS
Hoje, o Público traz uma importante entrevista com Nuno Carinhas, o novo director artístico do teatro São João, do Porto (entrevista de Inês Nadais).
Retenho algumas ideias: 1) vai continuar a convocar grupos e criadores e a fazer o balanço dessa intervenção, 2) o TeCA (Teatro Carlos Alberto) é para produções mais pequenas, com repertórios contemporâneos e experiências de grupos independentes, 3) o Mosteiro de São Bento da Vitória vai ter mais actividade, 4) quer estruturar a ligação com as escolas artísticas, caso da Fábrica (espaço cedido pela Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo a grupos emergentes), 4) continuará a acolher o FITEI e possivelmente o FIMP, 5) sobre a vizinhança do teatro, que tem pouca relação com este, ele pretende uma reflexão dos repertórios que o interessem (embora sinta uma grande dificuldade), 6) o seu primeiro espectáculo como director artístico será o Breve Sumário da História de Deus, de Gil Vicente.
Retenho algumas ideias: 1) vai continuar a convocar grupos e criadores e a fazer o balanço dessa intervenção, 2) o TeCA (Teatro Carlos Alberto) é para produções mais pequenas, com repertórios contemporâneos e experiências de grupos independentes, 3) o Mosteiro de São Bento da Vitória vai ter mais actividade, 4) quer estruturar a ligação com as escolas artísticas, caso da Fábrica (espaço cedido pela Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo a grupos emergentes), 4) continuará a acolher o FITEI e possivelmente o FIMP, 5) sobre a vizinhança do teatro, que tem pouca relação com este, ele pretende uma reflexão dos repertórios que o interessem (embora sinta uma grande dificuldade), 6) o seu primeiro espectáculo como director artístico será o Breve Sumário da História de Deus, de Gil Vicente.
TWITTER, DE NOVO
Ontem, escrevia aqui sobre a hipótese da Twitter ser comprada pela Google. O jornal Público adianta hoje que nenhuma das empresas se pronunciou sobre o facto, podendo tratar-se de um boato que partiu do sítio TechCrunch. Esperemos pelos próximos dias para saber se foi um balão de ensaio ou uma fuga de informação, ou mera especulação.
INDÚSTRIAS CRIATIVAS SEGUNDO LUÍS SERPA
Conforme já aqui escrevi, o galerista Luís Serpa está a projectar uma agência autónoma para gestão de indústrias criativas na Área Metropolitana de Lisboa. A agência será lançada a 12 de Maio, na Culturgest. Para Serpa, as áreas ou disciplinas associadas às indústrias criativas são: arquitectura, mercado das artes visuais e antiguidades, audiovisuais (televisão e rádio), artes performativas e de entretenimento, cinema e vídeo, design gráfico e de produto, escrita e publicação, moda, software educacional e lazer, publicidade e gastronomia.
[fonte: RTP]
[fonte: RTP]
sexta-feira, 3 de abril de 2009
STONE ROSES
Hoje, Nuno Galopim escreve sobre os Stone Roses, banda de Manchester que editou o álbum de estreia há vinte anos. Em Manchester e nessa época, já tocavam os New Order, Inspiral Carpets e Happy Mondays (fonte: Diário de Notícias). Ver e ouvir I Wanna Be Adored (Live at Blackpool) aqui.
Nuno Galopim escreve regularmente no blogue sound + vision.
Nuno Galopim escreve regularmente no blogue sound + vision.
ARTISTAS UNIDOS REGRESSAM AO EDIFÍCIO DA CAPITAL?
Os Artistas Unidos, dirigidos por Jorge Silva Melo, ganharam a acção contra a Câmara de Lisboa que despejara a companhia de teatro do seu espaço (edifício do antigo jornal A Capital). Mas parece duvidoso que voltem ao Bairro Alto, pois no edifício não se fizeram as obras necessárias à segurança (fonte: Público).
PINTURA NA INTERNET
arteportugal é uma galeria exclusivamente online com obras de arte de 15 artistas contemporâneos, lançada pelo galerista Pedro Lopes Vieira. Pretende ter um âmbito internacional e promove exposições na internet. A primeira exposição, de José Nuno Lamas e Valter Ventura, pode ser vista até 27 de Maio (fonte: Diário de Notícias).
HAPPY HOUR NO CHIADO
Até ao dia 6 de Maio, o Chiado (Chiado ao Fim da Tarde) está mais atraente: descontos em lojas, menus especiais em cafés e restaurantes, animação musical e outros eventos. Segurança e limpeza das ruas e grafftis são outras novidades. Por detrás de algumas destas iniciativas está a Associação de Valorização do Chiado (fonte: Diário de Notícias).
GOOGLE PREPARA-SE PARA COMPRAR A TWITTER
A Google está em conversações finais para comprar o serviço de microblogues Twitter (ver TechCrunch de ontem). Isto após uma investida da Facebook, meses atrás, que fracassou. As mensagens de 140 caracteres estão a atrair muita gente, incluindo empresas e celebridades.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
TWITTAR
Twittar: usar o Twitter. Presente do indicativo: eu twitto, tu twittas, ele twitta (etc.).
Extracto de alguns segundos da minha lista de Twitter hoje à noite. As mensagens entrecruzam-se. Penso em duas realidades (e mais uma, a desenvolver).
Por um lado, parece-me a escrita automática dos surrealistas. Claro que não há conexão, pois se trata de uma torre de Babel. Quanto mais ligações mais as mensagens parecem estranhas. É isso, o Twitter é a ferramenta informática mais anarquista que conheço. Cada qual é livre de escrever e dizer o que quer, como se estivessemos num speaker's corner, cada qual com seu banquinho ou megafone ou cartaz.
Por outro lado, precisamos de renovar a teoria matemática da informação. Agora, múltiplos emissores encontram-se numa praça onde têm receptores prontos a interpretar mensagens de 140 caracteres. Não há ruído mas manifestação de muitos para muitos. A redundância (repetição) vê-se quando uns fazem de correio a outros (exemplo: a dívida da SPA). Na nova teoria da informação um emissor torna-se receptor que se torna emissor.
Pensando melhor: Charles Sanders Peirce explicaria melhor o funcionamento do Twitter: a semiose. Ou procurar um psicanalista, para ver o que cada um quer dizer com as suas mensagens curtas: o entendimento e a compreensão dos outros, dos que os lêem.
Para quem quer emagrecer ou engordar aqui deixo a tabela de calorias dos alimentos.
What? The Policeman do what to you?? Kiss you?? Crazy situation ... LOL
How Toxic Colleagues Corrode Performance the impact of incivility on performance
3D TV urgently needs a broadcast standard.
CDBaby was the first profiting from the long tail.
Springer Is Not for Sale, Says CEO. Only looks to involve a third partner.
In an ironic twist of fate, I discover that the object of my affection is a curvaceous black stubborn stupid idiot male.
eheheh A NIVEA faz Publicidade Altamente Enganosa!!! Devia ser Processada! Aquelas raparigas dizem q têm 50 anos Y n têm + de 35/37!!
OECD makes available tax haven list.
Vale a pena ver.. deve ser algum marciano para atrair aquilo
When you get to the point where you really understand your brain, it's probably obsolete.
Take me down to the paradise city Where the grass is green And the girls are pretty Take me home (Oh, won't ... ♫)
Indie blogs, CC licensed music aggregators, recommendation tools, crowd funding communities...
Sorry, Officer, I didn't realize my radar detector wasn't plugged in.
«Pesquisa: você leria o blog de um(a) advogado(a)?»
Se é português, chamam-lhe Jesualdo, c/intimidade de qm toma 1 copo ao fds.Se é sueco, chamam-lhe Sven-Goran Eriksson.O respeitinho é lindo.
Here's my theory: there's no money in major-based online music but there's a sustainable model out there for non-major online music services.
10 razões para vigiar os putos (crianças) quando estão na net...bom artigo!
Even with your temper, in your need to control, I see you and I know your goodness. This was the nicest thing I read today! How sweet
vou desligar y ligar ... n consigo fazer RT'S ... Já volto!!!! Eu sem RT n posso passar ... né?
Meatloaf Layer Cake w/ Mashed Potato Frosting & Decorative Ketchup Piping.
I kissed a policeman today. I felt I had kissed the whole army. He took 300 Eur from my pocket away... speed ticket!
Namechk.com: Check to see if your desired username or vanity url is available at dozens of popular Social Networking & Bookmarking websites.
The $2 Trillion Question: Will Investors Buy the Government's Toxic Asset Plan?
Hi. Kiss Girl ... How are you today ... Many kisses or Not??
Obama já evoluiu: as construtoras automóveis afinal até podem falir. Prontos, levaram uns biliões antes, mas that's change...
SPA deve 41,2 milhões de euros a associados - e os piratas somos nós!
Nunca conseguem dizer a mesma coisa duas vezes seguidas
eu enganei-me e nao era esse o link q queria mandar, mas sim este da entrevista completa:
Curioso como Candida Almeida e Pinto Monteiro tem a mesma forma confusa e embrulhada de falar
No Man Is an Island: The Promise of Cloud Computing
POST: SPA deve 41,2 milhões de euros a associados - e os piratas somos nós!
hiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii there! finally! Have you been on some kind of hungover?
[dica da noite] A primeira e melhor vitória é conquistar a si mesmo. (Platão) EG: Eu me amo!
POST: YouTube bloqueia videoclips musicais na Alemanha.
Extracto de alguns segundos da minha lista de Twitter hoje à noite. As mensagens entrecruzam-se. Penso em duas realidades (e mais uma, a desenvolver).
Por um lado, parece-me a escrita automática dos surrealistas. Claro que não há conexão, pois se trata de uma torre de Babel. Quanto mais ligações mais as mensagens parecem estranhas. É isso, o Twitter é a ferramenta informática mais anarquista que conheço. Cada qual é livre de escrever e dizer o que quer, como se estivessemos num speaker's corner, cada qual com seu banquinho ou megafone ou cartaz.
Por outro lado, precisamos de renovar a teoria matemática da informação. Agora, múltiplos emissores encontram-se numa praça onde têm receptores prontos a interpretar mensagens de 140 caracteres. Não há ruído mas manifestação de muitos para muitos. A redundância (repetição) vê-se quando uns fazem de correio a outros (exemplo: a dívida da SPA). Na nova teoria da informação um emissor torna-se receptor que se torna emissor.
Pensando melhor: Charles Sanders Peirce explicaria melhor o funcionamento do Twitter: a semiose. Ou procurar um psicanalista, para ver o que cada um quer dizer com as suas mensagens curtas: o entendimento e a compreensão dos outros, dos que os lêem.
Para quem quer emagrecer ou engordar aqui deixo a tabela de calorias dos alimentos.
What? The Policeman do what to you?? Kiss you?? Crazy situation ... LOL
How Toxic Colleagues Corrode Performance the impact of incivility on performance
3D TV urgently needs a broadcast standard.
CDBaby was the first profiting from the long tail.
Springer Is Not for Sale, Says CEO. Only looks to involve a third partner.
In an ironic twist of fate, I discover that the object of my affection is a curvaceous black stubborn stupid idiot male.
eheheh A NIVEA faz Publicidade Altamente Enganosa!!! Devia ser Processada! Aquelas raparigas dizem q têm 50 anos Y n têm + de 35/37!!
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SPA deve 41,2 milhões de euros a associados - e os piratas somos nós!
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Curioso como Candida Almeida e Pinto Monteiro tem a mesma forma confusa e embrulhada de falar
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POST: YouTube bloqueia videoclips musicais na Alemanha.
EXPOSIÇÃO NO TEATRO DA TRINDADE
Inaugura amanhã, dia 3, pelas 18:00, a exposição Parte do seu Mundo, de Manuel Santos Maia. À noite, há a projecção de de Alheava Filme na Sala Bebé (Avenida).

7 DAYS PROJECT é um projecto de circuito independente (de Margarida Mendes) com oportunidade a jovens artistas de diversas áreas que expõem trabalhos durante sete dias consecutivos, no espaço Round The Corner, no Teatro da Trindade (Lisboa).

7 DAYS PROJECT é um projecto de circuito independente (de Margarida Mendes) com oportunidade a jovens artistas de diversas áreas que expõem trabalhos durante sete dias consecutivos, no espaço Round The Corner, no Teatro da Trindade (Lisboa).
FELIPE UGALDE GANHA O II PRÉMIO COMPOSTELA
O ilustrador mexicano Felipe Ugalde foi o vencedor da segunda edição do Prémio
Internacional Compostela de Álbuns Ilustrados. O júri destacou a sua riqueza técnica, estética e literária. Além do prémio pecuniário, o autor terá o seu livro publicado nas cinco línguas peninsulares até final deste ano. Para saber mais, ver o sítio Kalandraka.
Internacional Compostela de Álbuns Ilustrados. O júri destacou a sua riqueza técnica, estética e literária. Além do prémio pecuniário, o autor terá o seu livro publicado nas cinco línguas peninsulares até final deste ano. Para saber mais, ver o sítio Kalandraka.
TAMBORES NA NOITE
O soldado Kragler regressa da guerra para o reencontro com Anna. Mas ela cansara-se de esperar e festejava o anúncio do casamento Friedrich Murk. Murk tornara-se próspero, vindo do nada, ao contrário do soldado, sem um vintém. Aos olhos dos pais de Anna, esta deveria renunciar à imagem de Kragler. "Já morreu e está enterrado há muito", dizia mais o pai que a mãe, com esta subjugada aquele.

Tudo muda quando Kragler regressa quatro anos depois da partida, ele que estivera prisioneiro em África. Consegue abalar as convicções de Anna, dividida entre o passado já longínquo e o presente. A argumentação entre os pais de Anna e Murk por um lado e o soldado por outro ocupam lugar central na peça de Brecht. Como pano de fundo social, a revolta de Rosa Luxemburgo e dos seus espartaquistas, mentores de uma nova sociedade, a comunista, na Berlim saída recentemente da Primeira Guerra Mundial, em que a Alemanha perdera.
Foi uma das primeiras peças de Brecht, que ele quis retirar depois das suas obras completas, por considerar ser imatura. Ele tinha pouco mais de vinte anos e ficara admirado com o sucesso de Tambores na Noite, peça estreada em 1922. Escreveu: "Esta peça foi representada em cerca de 50 palcos burgueses. O sucesso foi grande e apenas provou que eu tinha batido à porta errada". E, mais à frente, continua: "Esta revolução [a dos espartaquistas] seguiu-se a uma guerra que rebentara por causa do esgotamento nervoso dos diplomatas e que terminara por causa do esgotamento nervoso dos militares".
A partir de 1974, Brecht é encenado regularmente em Portugal. Tambores na Noite foi levado à cena em 1976 pela Cornucópia. O autor alemão foi também representado nos palcos do Teatro Aberto (inaugurado com O Círculo de Giz Caucasiano, de Brecht), D. Maria, Comuna. Quando estava a escrever Tambores na Noite, o autor estava dividido. No seu diário de 23 de Agosto de 1920, escreveu: "Estive a ditar Tambores na Noite. O terceiro acto está bem, à excepção de alguns detalhes. O quarto, um bastardo, um bócio, uma planta que se transformou num matagal. Foi uma noite de balanços". Essa divisão era ainda mais nítida na vida sentimental de Brecht, a balancear entre Bi (Paula Banholzer, mãe do seu filho Frank) e Hedda Kuhn. Sem falar em Anni Bauer, de quem escreve: "Certa vez, , Anni Bauer aparece no atelier, à noite, bebemos schnaps debaixo do candeeiro veneziano, dedilho as cordas do violino, beijo-a, torno-me ousado, mas ela cheira a rapariga pobre, e mando-a de volta para casa. Tenho medo também da gonorreia".
Talvez, por influência sentimental, a peça mostre, além de uma burguesia amedrontada pelos conflitos internos, expressa pela postura do casal Balicke, a fraqueza das mulheres, sempre maltratadas nas relações com os homens: prostitutas, uma esposa submissa, uma filha procurando romper com a tradição mas incapaz de fazer a ruptura.
A peça, agora em cena no teatro de S. João, no Porto, é dirigida por Nuno Carinhas, indigitado para substituir Ricardo Pais à frente do teatro. Os actores das personagens principais são Emília Silvestre, Sara Carinhas, Pedro Almendra, Jorge Mota e Paulo Freixinho. O jornal "Manual de Leitura" traz textos importantes de Cláudia Fischer, a tradutora da obra, Rui Bebiano, João Barrento, António Guerreiro e Walter Benjamin, entre outros.

Tudo muda quando Kragler regressa quatro anos depois da partida, ele que estivera prisioneiro em África. Consegue abalar as convicções de Anna, dividida entre o passado já longínquo e o presente. A argumentação entre os pais de Anna e Murk por um lado e o soldado por outro ocupam lugar central na peça de Brecht. Como pano de fundo social, a revolta de Rosa Luxemburgo e dos seus espartaquistas, mentores de uma nova sociedade, a comunista, na Berlim saída recentemente da Primeira Guerra Mundial, em que a Alemanha perdera.
Foi uma das primeiras peças de Brecht, que ele quis retirar depois das suas obras completas, por considerar ser imatura. Ele tinha pouco mais de vinte anos e ficara admirado com o sucesso de Tambores na Noite, peça estreada em 1922. Escreveu: "Esta peça foi representada em cerca de 50 palcos burgueses. O sucesso foi grande e apenas provou que eu tinha batido à porta errada". E, mais à frente, continua: "Esta revolução [a dos espartaquistas] seguiu-se a uma guerra que rebentara por causa do esgotamento nervoso dos diplomatas e que terminara por causa do esgotamento nervoso dos militares".
A partir de 1974, Brecht é encenado regularmente em Portugal. Tambores na Noite foi levado à cena em 1976 pela Cornucópia. O autor alemão foi também representado nos palcos do Teatro Aberto (inaugurado com O Círculo de Giz Caucasiano, de Brecht), D. Maria, Comuna. Quando estava a escrever Tambores na Noite, o autor estava dividido. No seu diário de 23 de Agosto de 1920, escreveu: "Estive a ditar Tambores na Noite. O terceiro acto está bem, à excepção de alguns detalhes. O quarto, um bastardo, um bócio, uma planta que se transformou num matagal. Foi uma noite de balanços". Essa divisão era ainda mais nítida na vida sentimental de Brecht, a balancear entre Bi (Paula Banholzer, mãe do seu filho Frank) e Hedda Kuhn. Sem falar em Anni Bauer, de quem escreve: "Certa vez, , Anni Bauer aparece no atelier, à noite, bebemos schnaps debaixo do candeeiro veneziano, dedilho as cordas do violino, beijo-a, torno-me ousado, mas ela cheira a rapariga pobre, e mando-a de volta para casa. Tenho medo também da gonorreia".
Talvez, por influência sentimental, a peça mostre, além de uma burguesia amedrontada pelos conflitos internos, expressa pela postura do casal Balicke, a fraqueza das mulheres, sempre maltratadas nas relações com os homens: prostitutas, uma esposa submissa, uma filha procurando romper com a tradição mas incapaz de fazer a ruptura.
A peça, agora em cena no teatro de S. João, no Porto, é dirigida por Nuno Carinhas, indigitado para substituir Ricardo Pais à frente do teatro. Os actores das personagens principais são Emília Silvestre, Sara Carinhas, Pedro Almendra, Jorge Mota e Paulo Freixinho. O jornal "Manual de Leitura" traz textos importantes de Cláudia Fischer, a tradutora da obra, Rui Bebiano, João Barrento, António Guerreiro e Walter Benjamin, entre outros.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
SELOS
Aqui, nunca reflecti sobre selos (escrevi uma ocasião sobre uma exposição, aqui, mas sem referência ao conteúdo).
A vinda de uma carta do Brasil fez-me olhar com atenção para essas pequenas estampas, no caso imagens representando profissões, a de sapateiro e de manicure, desenhos de Hector Consani, cujo sítio vale a pena visitar, apesar de pequeno em informação. Consani desenhou outras profissões: barbeiro, carpinteiro, engraxador (engraxate, no Brasil).

O desenho é simples: a cabeça é redonda, os cabelos parecem os raios de sol de um desenho de criança, os olhos e a boca são representados por um único círculo preto, o fato-macaco alterna com a bata do barbeiro, cada profissional usa uma t-shirt (camiseta, no Brasil), os braços e os dedos das mãos parecem uma forquilha, há três a quatro cores bem definidas. Mas este minimalismo de traços contém toda a informação, além da data e do preço do selo.
Se convocasse a história da arte, encontraria elementos do expressionismo, da pop art e da banda desenhada. Uma só vinheta de Consani conta uma história de vida, um estado de alma, uma profissão e a sua designação local (ou nacional), a relação do profissional com a sua actividade: a bancada, a cadeira, as ferramentas, por vezes o cliente, mostrado de lado ou de costas.
Além disso, o selo é uma pequena peça que chega a outras partes do mundo e leva a arte e a informação do país emissor. O selo é um excelente embaixador da cultura moderna.
A vinda de uma carta do Brasil fez-me olhar com atenção para essas pequenas estampas, no caso imagens representando profissões, a de sapateiro e de manicure, desenhos de Hector Consani, cujo sítio vale a pena visitar, apesar de pequeno em informação. Consani desenhou outras profissões: barbeiro, carpinteiro, engraxador (engraxate, no Brasil).

O desenho é simples: a cabeça é redonda, os cabelos parecem os raios de sol de um desenho de criança, os olhos e a boca são representados por um único círculo preto, o fato-macaco alterna com a bata do barbeiro, cada profissional usa uma t-shirt (camiseta, no Brasil), os braços e os dedos das mãos parecem uma forquilha, há três a quatro cores bem definidas. Mas este minimalismo de traços contém toda a informação, além da data e do preço do selo.
Se convocasse a história da arte, encontraria elementos do expressionismo, da pop art e da banda desenhada. Uma só vinheta de Consani conta uma história de vida, um estado de alma, uma profissão e a sua designação local (ou nacional), a relação do profissional com a sua actividade: a bancada, a cadeira, as ferramentas, por vezes o cliente, mostrado de lado ou de costas.
Além disso, o selo é uma pequena peça que chega a outras partes do mundo e leva a arte e a informação do país emissor. O selo é um excelente embaixador da cultura moderna.
VARIACIONS AL-LELUIA

A fotografia é de Juan Carlos García e ilustra o Espectáculo Variacions Al-leluia, da Cia. Lanònima Imperial/Barcelona, Espanha, a representar em 8 e 9 de Abril. No TD - Teatro de Dança - Secretaria de Estado da Cultura, APAA - Associação Paulista dos Amigos da Arte, Avenida Ipiranga, 344 - Subsolo, Edifício Itália - São Paulo (metro: República).
O Lanònima Imperial tem direcção de Juan Carlos García. O elenco e cenografia do espectáculo pertencem a Olga Clavel, Yester Mulens, Miryam Mariblanca, Mürfila e José Menchero, e a direcção musical a Oriol Rosell e Mürfila.
O grupo vai ao Brasil a convite do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento.
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