domingo, 6 de junho de 2010

SOBRE O CINEMA

As artes de vanguarda do século XX exerceram a alteração radical nas suas formas e conteúdos, com substituição das formas clássicas e rompimento com escolas e estilos anteriores - pintura, escultura, dança, música e literatura. Apenas o cinema se manteve numa atitude pouco conflituosa. À descontrução do espaço de representação e da harmonia das artes de vanguarda, que se tornaram incompreensíveis, o cinema inscreveu-se sempre no espaço da narrativa e da estética. A essa trajectória tranquila do cinema corresponderam exigências comerciais e de sucesso que as artes de vanguarda questionaram. Hoje, as condições de recepção no ecrã mudaram: ao cinema sucederam-se a televisão, o vídeo e o descarregamento de ficheiros da internet, novas maneiras de ver um filme. Mas o cinema continua a ser a arte mais bem sucedida da história, com a fusão do espaço e do tempo, do olho e do verbo, do movimento e da música - e é um elemento essencial na formação da consciência moderna (Gilles Lipovetsky e Jean Serroy, 2010, O ecrã global, Lisboa, Edições 70, pp. 293-296).

ANALEPSE E PROLEPSE

Na narrativa literária ou cinematográfica, fala-se de analepse quando o facto pertencendo ao passado é trazido para o presente da história relatada, fenómeno de anacronia (flash-back, cutback ou switchback). Ao invés, a prolepse é um recurso narrativo em que se pode descrever o futuro. O livro Cem anos de solidão de Gabriel Garcia Marques abre com prolepse analéptica, em que o narrador descreve recordações (a partir de textos de Carlos Ceia e Nilza Azzi).

sábado, 5 de junho de 2010

MEDIA DE PROXIMIDADE E DE DISTANCIAMENTO

Um texto do sociólogo João Teixeira Lopes [Diver(cidade): Espaços Públicos Interculturais] distingue entre espaços proxémicos e distémicos. Os proxémicos remetem para a proximidade local, para a tribalização crescente das sociedades urbanas (efervescência de ideias, socialização, consciência colectiva). Os distémicos representam comunidades de estranhos como os parques urbanos, as ruas, os cafés, os teatros, as salas de ópera. Quanto a alguns destes espaços (caso do teatro e da ópera), Teixeira Lopes tem dificuldade em aceitar que alguns sejam encarados como espaços públicos, pois "exigem direitos de entrada e se traduzem por graus desiguais de acesso com fortes implicações simbólicas".

Como meios que não operam uma distinção nítida entre proxémico e distémico, julgo o trabalho das rádios locais e da televisão pela internet, por exemplo, a que se junta a virtualidade e não fisicidade desses media.

JORNALISMO FREELANCE EM SEMINÁRIO

Dia 9 de Junho, às 14:00, na Escola Superior de Comunicação Social.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

WENDY AND LUCY

Michelle Ingrid Williams nasceu em 1980 e entrou nomeadamente na série Dawson's Creek (1998-2003), como Jen Lindley [a série que também projectou Katie Holmes], e nos filmes Lassie (1994), Brokeback Mountain (2005) e Incendiary (2008). No filme de 2005, conheceu o actor australiano Heath Ledger (já falecido), de quem teve uma uma filha, Matilda Rose.

Agora, com data de 2008, Williams aparece em Wendy and Lucy, filme dirigido por Kelly Reichardt, a partir de história de John Raymond. Conta a vida de uma rapariga que sai do Indiana em direcção ao Alasca, na companhia da cadela Lucy, na procura de uma vida melhor (emprego). Emigrante, quase proletária e sem-abrigo por necessidade, fica no Oregon, onde é presa por um pequeno roubo no supermercado, o seu automóvel avaria e a cadela desaparece. De ligações pessoais, ficamos a saber que tem uma irmã e um cunhado, em casa de quem vivera. Na cidadezinha do Oregon, conhece um guarda de segurança (Wally Dalton), que, olhando a matrícula do carro dela, pergunta: "Vens de longe, não vens"? Mas Wendy não tinha casa, telefone, dinheiro, história e quase identidade.

Trata-se de uma história de um indivíduo, muito fechada na personagem, mas onde sobressai alguma marginalidade social (o grupo que Wendy encontra no bosque; o sem-abrigo que a ameaça; o próprio guarda, que narra a sua vida e tem um automóvel amolgado) e a perda de competitividade industrial americana (a cidade tivera uma fábrica que dava emprego a muita gente, mas fechara entretanto, o que levaria à pergunta: "as pessoas daqui o que fazem"?). O som do filme ilustra bem a errância e nomadismo da personagem Wendy: ouvem-se com frequência sirenes de comboios, que indiciam deslocações, movimentos entre cidades e Estados. Já não é o nomadismo de Easy Rider (1969, dirigido por Dennis Hopper, falecido agora) e o apelo à estrada em busca de novas experimentações sociais, mas apenas a procura de emprego num pequeno eldorado onde se arranje um emprego. A fragilidade psicológica da personagem ajuda ao quadro de desagregação de valores que se pressente na sociedade actual, onde tudo corre mal e a única boa notícia é o reaparecimento da cadela Lucy.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

DEBATE SOBRE O LIVRO VERDE DAS INDÚSTRIAS CRIATIVAS

O Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais do Ministério da Cultura promove um encontro no dia 14 de Junho de 2010, pelas 15:00 horas, no Palácio Nacional da Ajuda, para apresentação e debate do Livro Verde lançado pela Comissão Europeia: Realizar o potencial das Indústrias Culturais e Criativas. A sessão conta com a participação de José Freire de Sousa, co-presidente do Grupo de Peritos das Indústrias Culturais e Criativas no âmbito da Agenda Europeia para a Cultura, e Patrícia Pincarilho, conselheira para a Cultura na Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia. Ver mais informações na newsletter daquele Gabinete.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

IMAGEM EM MOVIMENTO


As I Jornadas, no dia 14 de Junho, contam com conferências de Catarina Alves Costa (A imaginação etnográfica e o cinema novo português), Susana Viegas (Filosofia do Cinema hoje: entre ilustração e filosofia) e Manuel Deniz Silva (Música, som e imagem em movimento). Saber mais em http://www.aim.org.pt/.

PRÉMIOS DE EDIÇÃO LER/BOOKTAILORS

Está aberta, até 30 de Setembro, a candidatura para a 3.ª Edição dos Prémios de Edição LER/Booktailors, em parceria com a Direcção-Geral do Livro e as Bibliotecas/Ministério da Cultura (estabelecendo-se este como o concurso nacional que selecciona os candidatos portugueses ao mais importante concurso de design de livros do mundo, o WORLD BOOK DESIGN da Fundação Stiftung Buchkunst) e as Correntes d’Escritas, onde anualmente se realiza a cerimónia final de anúncio dos vencedores. Ver mais informações no blogue Prémios de Edição.

LIVRO EDITADO PELA SOCIEDADE GUILHERME COSSOUL

No próximo dia 8, pelas 21:00, na Sociedade Guilherme Cossoul, em Lisboa, será lançado o primeiro livro da editora Artefacto, Minimal Existencial, de Paulo Tavares (autor anteriormente publicado pelas Quasi Edições). A Artefacto é a vertente editorial da Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, instituição de utilidade pública centenária, sem fins lucrativos e apostada em encontrar e divulgar novos autores nos géneros literários ditos marginais (poesia, ficção curta e texto para teatro). A mesma entidade vai lançar um concurso literário para novos autores, sendo a edição deste ano dedicada à poesia.

No blogue da editora Artefacto pode encontrar informação detalhada sobre o projecto e poemas do Minimal Existencial.

MICROFILMES


Até 30 de Junho, estão abertas candidaturas ao prémio Microfilmes para Microcausas, cujo objectivo visa distinguir o melhor microfilme documental de ficção ou de animação sobre temas relacionados com a pobreza e a exclusão social, registo de vídeo digital (câmaras digitais, telemóveis, outros media) com a duração máxima de três minutos. O concurso destina-se a jovens entre os 16 e os 35 anos. Regulamento e outras informações no sítio do Clube Português Artes e Ideias e no email mmcausas@artesideias.com.

FACEBOOK E ANUNCIANTES NACIONAIS

"A equipa comercial do Facebook responsável pelo mercado nacional está em Portugal para estabelecer os primeiros contactos directos com os anunciantes locais" (ver notícia detalhada na newsletter da Meios & Publicidade).

MESTRADOS DE COMUNICAÇÃO


Texto de Inês Teixeira-Botelho no número mais recente do Fórum Estudante sobre o "Guia dos Mestrados" (acessível aqui).

terça-feira, 1 de junho de 2010

BERTOLDO, DE ANGELO RIZZOLI (1936-1943)

No magnífico romance de Umberto Eco A misteriosa chama da rainha Loana – de que já fiz eco nomeadamente aqui e no meu livro Indústrias Culturais - Imagens, Valores e Consumos (2007), o autor referencia a revista Bertoldo, semanal (inicialmente quinzenal), de humor e sátira, publicado em Milão (14 de Julho de 1936 a 10 de Setembro de 1943), pelo grupo editorial de Angelo Rizzoli [imagem da revista retirada do sítio da Fondazione Franco Fossati].

Curiosamente, a revista Bertoldo nasceu devido à existência do satírico Marc'Aurelio, editado em Roma desde 1931. Para o Bertoldo, trabalharam o humorista e editor Cesare Zavattini (um dos primeiros teóricos do movimento do cinema neo-realista italiano, como Ladrões de Bicicletas, esteve pouco tempo no lugar, a que se sucederam Giovanni Mosca e Vittorio Metz), John Guareschi (editor, designer, escritor) Marcello Marchesi (com ideias e artigos), Guido Martina, Saul Steinberg, Angelo Frattini, Hyacinth Mondaini e Carletto Manzoni. A revista afirmou-se imediatamente pelo seu estilo inovador, dado o inconformismo e a leveza opostos ao estilo pantanoso dos jornais da época, surgindo como nova marca da banda desenhada italiana. Claro que o jornal teve uma influência significativa sobre a Itália da década de 1930 e não escapou à atenção de Benito Mussolini e do seu regime.

A vida do proprietário Angelo Rizzoli (1889-1970) é interessante. Ele nasceu em Milão e, muito pobre, foi criado no orfanato Martinitt (1895-1905), onde desenvolveu conhecimentos de tipógrafo. Começou a trabalhar no mercado de publicações, tornando-se empresário do sector na década de 1920 (A.Rizzoli & Co, actual RCS Mediagroup). Em 1924, a empresa de Rizzoli empregava cerca de cem trabalhadores e era uma das primeiras a imprimir revistas no país. Em 1927, tornou-se editor, ao comprar a revista bi-semanal Novella (da Mondadori), reorientando-a para um público feminino (referenciada igualmente no livro de Eco), tendo atingido uma circulação de 130 mil exemplares. Mas também comprou Il Secolo Illustrato, La Donna e Commedia. Tal começo auspicioso levou Rizzoli a comprar e criar publicações outras publicações que incluiriam Annabella, Candido, Omnibus (revista ilustrada fechada em 1939 pelo regime fascista e logo substituída pela Oggi, igualmente encerrada) L’Europeo e o nosso Bertoldo. Em 1929, começava a imprimir a Enciclopedia Treccani. Durante a Segunda Guerra Mundial, a fábrica, os edifícios e os equipamentos da tipografia foram destruídos num ataque bombista. Rizzoli procedeu à reconstrução e lançou algumas das publicações acima identificadas. Em 1951, foi fundado o Istituto Grafico Rizzoli para o ensino das artes gráficas.

Esta actividade mostra a força de Rizzoli, atravessada por sucessos comerciais (e igualmente políticos, pois ele sobreviveu às grandes dificuldades impostas pelo regime ditatorial de Mussolini, fez bons negócios durante os governos da democracia cristã no pós-Segunda Guerra Mundial e com o actual primeiro-misntro Berlusconi). Em 1960, mudou a sede do grupo para um complexo na Via Civitavecchia em Milão.

No cinema, Rizzoli foi produtor de filmes de Federico Fellini La Dolce Vita (1960), (1963) e Julieta dos Espíritos (1965).

[Fontes: http://pt.wikipedia.org/wiki/Angelo_Rizzoli; http://wapedia.mobi/it/Angelo_Rizzoli; http://wapedia.mobi/it/Bertoldo_(rivista); http://theoscarsite.com/whoswho4/rizzoli_a.htm]

Retiro do livro de Umberto Eco (pp. 202-203, tradução portuguesa) a conversa tida entre Bertoldo e o Grão-Duque (via SCHEGGE DI STORIA):

«Passò Bertoldo fra tutti quei signori del seguito e subito andò a sedere presso il Granduca Trombone il quale, benigno di natura e amante delle facezie, in cotal guisa piacevolmente cominciò a interrogarlo:
GRANDUCA - Buondì, Bertoldo, com'è la crociata?
BERTOLDO - Nobile. [...]
GRANDUCA - E l'impulso?
BERTOLDO - Generoso.
GRANDUCA - E lo slancio di generosità umana?
BERTOLDO - Commovente.
GRANDUCA - E l'esempio?
BERTOLDO - Luminoso.
GRANDUCA - E l'iniziativa?
BERTOLDO - Coraggiosa.
GRANDUCA - E l'offerta?
BERTOLDO - Spontanea.
GRANDUCA - E il gesto?
BERTOLDO - Squisito.
«Rise il Granduca e, chiamati intorno a sé tutti i Signori della Corte, ordinò il Tumulto de' Ciompi (1378) avvenuto il quale tornarono tutti i cortigiani ai loro posti e cosi il Granduca e il villano ripresero a conversare.
[...] GRANDUCA - E la plaga?
BERTOLDO - Fertile e assolata.
GRANDUCA - E la popolazione?
BERTOLDO - Ospitalissima.
GRANDUCA - E il panorama?
BERTOLDO - Superbo.
GRANDUCA - E i dintorni?
BERTOLDO - Incantevoli.
GRANDUCA - E la villa?
BERTOLDO - Signorile».

MARTIM AVILLEZ NO GRUPO DE PINTO BALSEMÃO

Martim Avillez Figueiredo foi nomeado publisher da Impresa Publishing, reportando directamente a José Carlos Lourenço, administrador executivo da Impresa Publisher. Recorde-se que Avillez Figueiredo foi director do i e administrador da Lena Comunicação até Abril último, e anteriormente estivera na Sonae SGPS, onde desempenhara o cargo de director de marca e conhecimento (fonte: Jornal de Negócios).

O publishing é uma das áreas de maior importância estratégica para o grupo de Pinto Balsemão, nomeadamente para captar anunciantes de marcas.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

JAZZ NA UNIVERSIDADE

Amanhã, dia 1 de Junho, pelas 15:00, na Universidade do Algarve, vai decorrer uma Masterclass orientada pelo investigador em História do Jazz na Universidade Complutense de Madrid, João Moreira dos Santos. Tema: Jazz e Comunicação para Ensemble. A Masterclass é patrocinada pelo CIAC - Centro de Investigação em Artes e Comunicação e pela Associação Grémio das Músicas, ao abrigo do protocolo de colaboração existente entre ambas as instituições. À noite, pelas 21:30, no Pátio de Letras, em Faro, segue-se uma Tertúlia/Debate sobre O Ensino Artístico, a Investigação e a Academia no Século XXI.

MIL EMISSÕES DE UM TOQUE DE JAZZ


Já atingiu a milésima edição o programa Um Toque de Jazz, de Manuel Jorge Veloso, na Antena 2. Parabéns. Para ouvir, clicar aqui.

domingo, 30 de maio de 2010

NOTAS SOBRE O MERCADO FRANCÊS DOS MEDIA

Josiane Jouët, da Universidade de Paris II (Panthéon-Assas), em French Media: Policy Regulation and the Public Sphere (2010), analisa os media franceses e o espaço público nas últimas cinco décadas. Em 2009, escreve ela, os telespectadores e os ouvintes de rádio têm acesso a dezenas de rádios e canais de televisão, que contrasta bastante com a situação de 1960. Ao invés, a popularidade dos jornais diários está a descer e o mercado das revistas está florescente.

A principal transformação no audiovisual francês deu-se na década de 1980, quando o Estado possibilitou a criação do Canal Plus por subscrição e vendeu o primeiro canal de serviço público ao grupo Bouygues, em paralelo com a emergência de uma economia neoliberal, dando espaço à concentração dos media e ao desenvolvimento de técnicas de marketing. De então para cá, os governos sucessivos seguem políticas de desregulação, embora haja momentos em que invertem a situação com tomadas de posição re-reguladora, o que torna o mapa jurídico do audiovisual francês muito complexo.

Continua a existir uma forte acção no espaço público em torno do serviço público de audiovisual, que defende programas de qualidade e o papel educativo da televisão. Isso é visível em termos de artigos de opinião na imprensa e na publicação de livros e capítulos de livros pelos mais conceituados intelectuais, como Pierre Bourdieu, Éric Neveu, Dominique Wolton, Rémy Rieffel e Dominique Mehl, que abordam o modo como a televisão age sobre a vida quotidiana e os valores morais, sociais e políticos. Por exemplo, o arranque do programa Big Brother (Loft Story, em França), em 2001, trouxe uma ampla discussão pública sobre qualidade e lixo na televisão.

Igualmente o papel dos jornalistas tem sido discutido amplamente, escreve Josiane Jouët. O facto de a França ter desde o começo do século XX apoiado muito os media (isenção de impostos, porte pago, subsídios) colocou sempre o público em atenção permanente (desconfiança), a que se juntam agora algumas posturas menos éticas dos jornalistas. Sob a pressão da concorrência crescente entre os media, publicam-se falsas notícias sem verificar fontes e editam-se notícias que são publicidade encapotada, com viagens pagas por anunciantes. Alguns jornalistas, em especial os apresentadores de noticiários de televisão, têm estatuto de vedeta e assumem-se como formadores de opinião pública, ao lado de empresas detentoras do capital dos canais de televisão que procuram influenciar o percurso dos temas em debate público.

A posição do Estado tende a ser a de regulador (embora continue com a propriedade de media audiovisuais), com a criação da Haute Autorité de la Communication Audiovisuelle (1982), substituída pela Commission Nationale de la Communication et des Libertés (1986), quando foi nomeado um governo de direita, e pelo Conseil Supérieur de l'Audiovisuel (1989), quando a esquerda assumiu o poder político, mantendo-se ainda com esta designação.

Reparo que, na questão da regulação, há muitas similitudes com a situação de Portugal, embora à autoridade portuguesa estejam acometidas tarefas de regulação da imprensa, que não existem na autoridade francesa. Também em termos de propriedade de empresas públicas de audiovisual e da discussão pública dos temas agendados pelos media existem situações semelhantes em Portugal.

Leitura: Josiane Jouët (2010). "French Media: Policy Regulation and the Public Sphere". In Jostein Gripsrud e Lennart Weibull (eds.) Media, Markets & Public Spheres. European Media at the Crossroads. Bristol e Chicago: Intellect, pp. 157-170

PAISAGENS URBANAS (3)

GRAFFITI TUGA (4)

sábado, 29 de maio de 2010

ALAIN RESNAIS (2003) PAS SUR LA BOUCHE


Gilberte Valandray (Sabine Azéma), durante uma estadia nos Estados Unidos, casara com um americano, Eric Thomson (Lambert Wilson). Como a relação não durou mais de seis meses, acabou por não ser reconhecida pelo consulado francês. Em França, Gilberte casou-se com Georges Valandray (Pierre Arditi), um industrial rico que acreditava ser o primeiro marido dela e se sentia feliz conjugalmente mesmo sabendo que ela era cortejada. A única pessoa que conhecia o segredo era a irmã dela, a solteirona Arlette Poumaillac (Isabelle Nanty). Mas quando Eric foi a França em negócios com Georges, tudo se alteraria. Huguette Verberie (Audrey Tautou) e Charley (Jalil Lespert) constituíam um outro par. O filme é uma adaptação por Alain Resnais de uma opereta francesa da década de 1920.

Do mesmo modo que vimos recentemente em Ervas Daninhas (em que Sabine Azéma também desempenhava um dos papéis principais), o som off e o olhar das personagens para a câmara dizendo apartes, no sentido da desconstrução do cinema, são elementos essenciais. A que se junta a combinação feliz de teatro e música (da opereta), com as personagens a agradecerem a presença dos espectadores. Cinema não convencional, moderno e divertido sobre a condição humana é mais uma prova da longevidade inventiva de Resnais, nascido em 1922. Repito o que escrevi aqui em 11 de Abril de 2010: "O filme não é verosímel, é uma construção, uma ilusão".

CREATIVE AND CULTURAL INDUSTRIES MA, LONDON METROPOLITAN UNIVERSITY

MEDIA SOCIAIS E MARKETING

O curso de Social Media Marketing - Básico (4 horas) (Inesting, Paço d'Arcos) destina-se a gestores e profissionais com funções de marketing, "pouca ou nenhuma experiência de utilização das redes sociais na óptica do marketing, que pretendam realizar uma introdução às diferentes tipologias de social media e respectivas potencialidades de marketing". O programa tem a seguinte composição:


PARTE I – WEB 2.0
1. Definição, Dimensão & Crescimento
2. Potencialidades
PARTE II – TIPOLOGIAS
1. Redes Horizontais (Facebook, Hi5, MySpace, LinkedIn)
2. Redes Verticais (Travelpod, Trip Advisor, LonelyPlan)
3. Blogging (Blogger, Twitter)
4. Bookmarking (del.icio.us, dig, reddit)
5. Agregadores (Friendfeed, Backtype, Technorati)
6. Multimedia (Flickr, Youtube, Slideshare)
7. Wikis (Wikipedia, Wikitravel)
8. Mundos Virtuais (Second Life)
PARTE III – OUTROS CONCEITOS
1. Explicação de conceitos relacionados como Widgets, RSS, Feeds ou Podcasting.
PARTE IV – MARKETING
1. Estratégia de Social Media
2. Marketing Operacional
PARTE V – RECURSOS
1. Ferramentas
2. Web Sites
PARTE VI – TENDÊNCIAS
1. Tendências de evolução da Web 2.0 e do Social Media Marketing

BLOGUE ENCONTROS

Margarida Botelho esteve em Moçambique com a apoio do Programa INOV-ARTE da dgARTES e da Unesco. Agora, criou um blogue - Encontros -, a "ser actualizado do presente para o passado, por isso podem ir acompanhando os novos posts de uma memória que está a ser compilada em livro, com Dezembro 2010 como data esperada para o seu lançamento".


Escreveu Margarida Botelho (transcrevi esta informação e imagens aqui no blogue, a 13 de Fevereiro de 2010):
  • "Durante 8 meses viajei por Moçambique com uma mochila cheia de livros em branco, que foram pouco a pouco ganhando vida. Desenhei um projecto de literacia comunitária com base na ideia que a experiência de construir um livro (literalmente) com a nossa história de vida fornece-nos mais ferramentas para entendermos quem somos e o mundo que nos rodeia".

sexta-feira, 28 de maio de 2010

DA LITOGRAFIA À TELEVISÃO

Do analógico à litografia digital (1947-2010), palestra por José Ruy, amanhã (29.5.2010), no Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem, na Amadora. V Seminário Internacional Obitel, Observatório Ibero-Americano da Ficção Televisiva, no Rio de Janeiro, Brasil (10 e 11.8.2010), com uma representante portuguesa: Catarina Duff Burnay.

GRAFFITI TUGA (3)

MILEY

É amanhã que Destiny Hope Cyrus, aliás Myley Ray Cirus (Myley, diminutivo de Smiley, porque a miúda tem sorriso de bebé), aliás Hannah Montana (a personagem Miley da série com aquele nome), vai cantar no Rock in Rio (as páginas são as centrais do jornal i de hoje).


De 17 anos, Miley tem quase três milhões de fãs no Facebook (mais precisamente 2759056) e 1187978 amigos no MySpace. Do seu primeiro álbum a solo venderam-se 326 mil cópias na primeira semana. O pai é cantor country Billy Ray Cyrus, o avó Ron Cyrus foi político do Partido Democrático, tem dois cães e interpreta a personagem Miley Stewart na série do canal da Disney desde 2006. O filme Hannah Montana estreou em Portugal em Julho de 2009 e foi um êxito de bilheteira.

TRAJES E MODA

Roland Barthes, no seu livro Sistema da Moda, fala em dois tipos de vestuário numa revista de moda. O primeiro é o fotografado ou desenhado, um vestuário-imagem. O segundo é o mesmo vestuário mas escrito, transformado em linguagem. No primeiro, empregam-se formas, linhas, cores; no segundo, palavras. Há, contudo, um terceiro tipo, o vestido real. O modelo que guia a informação transmitida pelos dois primeiros vestuários pertence à terceira estrutura (pp. 15-17).

Mas que dizer do vestuário exposto num museu? Já não é objecto de moda ou desejo e apenas motivo de recordação ou de interesse histórico e sociológico. Ver o vestuário dentro de um cavalete é retirar o conteúdo. O vestido é uma pele exterior, um contentor, a que falta a carne e a vida da sua portadora. Como seria ela? Bonita, velha, alta, magra, alegre? E o roupão ou camisa de dormir, usou-as muitas vezes? A esses vestidos e outros adereços chamam-se manequins, confundindo a função com as manequins das passagens de modelos.

No museu, continuamos no referente de modelo. Como diz Jean Baudrillard, os modelos já não constituem uma transcendência ou uma projecção mas são uma antecipação do real, são imanentes, são uma manipulação, com cenários e situações simuladas (Simulacros e Simulação, p. 152). A roupa presente no museu é um simulacro dessas alegrias ou tristezas e da beleza das portadoras das peças agora expostas. Não agarramos a realidade, mas um substituto, o simulacro, como bem expressa Baudrillard. Desligada da realidade, resta-nos a memória descontextualizada. Nem a informação escrita junto às peças nem a música de fundo conseguem trazer-nos à vida as cenas representadas por essas portadoras da moda.

[imagens tiradas no Museu do Traje. A segunda imagem pertence à exposição temporária de roupa interior do século XIX]

quinta-feira, 27 de maio de 2010

JACARANDÁS

As flores do jacarandás anunciam a maturidade do ciclo da Primavera. O blogueiro fica sempre admirado com a natureza.

REVISTAS EM FORMAT IPAD

As publicações Condé Nast anunciaram ontem a edição da revista Wired em formato iPad. Outros títulos da mesma empresa editora, como Vanity Fair e GQ serão igualmente distribuídas em formato iPad. Neste novo formato há adaptações e reimaginação. Ler a notícia completa aqui. Isto num momento em que se anuncia que a Apple ultrapassa a Microsoft como a mais valiosa empresa de tecnologia, a ler aqui.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

EXPOSIÇÃO NO PORTO


A exposição Espólio de Arte Digital do Museu da Bienal de Cerveira na galeria Por Amor à Arte Galeria (R. Miguel Bombarda, 572, Porto) inaugura no dia 5 de Junho (Sábado), pelas 16:00 e fica patente ao público até 3 de Julho de 2010. Do comunicado da organização, lê-se:

  • Considerar as artes digitais como uma forma de expressão plástica, só por si, merece reflexão tanto mais que o computador é um instrumento de trabalho ao mesmo título que a rebarbadora o é para a escultura, a tinta em tubo pré-fabricada o é para a pintura. O problema reside no que é possível fazer com esses instrumentos para a execução da obra de arte, e as novas capacidades que são abertas ao criador face às novas ferramentas. É frequente confundir-se virtuosismo tecnológico com obra de arte, sobretudo numa época em que a novidade dos instrumentos nos maravilha com os resultados obtidos. É certo que, na área digital, há especialidades que beneficiam com esse virtuosismo, como seja a publicidade na web ou no cinema, as indústrias de divertimento como jogos e simulações virtuais, etc. No entanto não podemos esquecer que ao mesmo título que a música e a escrita, as artes plásticas são ciências onde a tecnologia é indissociável da criatividade, e por essa mesma razão as artes digitais são uma nova ciência que se tornou indissociável das novas formas criativas. A mostra aqui presente é certamente um exemplo vivo do aproveitamento tecnológico como forma de arte, por artistas que, não sendo especialistas da tecnologia, souberam aproveitar esta ferramenta para expressar as suas tendências artísticas pessoais, virtualmente, mas numa linguagem contemporânea.