domingo, 18 de março de 2007

CULTURGAL


Manuel Bragado, no seu Brétemas, recorda hoje:

"Hai dous anos, a raíz dunha anotación de
Rogerio Santos (parabéns para os seus catro anos de blog) recolliamos a clasificación que Zallo fai das industrias culturais. Unha visión moi clarificadora e útil ás portas da celebración de Culturgal (Feira do Libro e da Industria Cultural), un evento que, polas noticias que recibimos, xa ten case ultimado un magnífico programa de actividades (grandes concertos, conferencias, encontros sectoriais, actividades para nenos e nenas...) e comprometida xa unha numerosa presenza de expositores. Culturgal é un evento que convén seguir coa maior atención".
Obrigado, ao Manolo, pela referência ao meu blogue.
Entretanto, a
Culturgal, Feira do Livro e da Indústria Cultural, vai decorrer em Pontevedra (Galiza), 10 a 13 de Maio. Para além do livro, outros sectores estarão presentes na Feira, como música, audiovisual, novas tecnologias, artesanato derivado do livro e do papel e empresas de comunicação.

sábado, 17 de março de 2007

PRIMAVERA MUSICAL


Vai decorrer, de 1 de Maio a 13 de Junho, o 13º Festival Internacional de Música de Castelo Branco – Primavera Musical, cujo director artístico é Carlos Semedo.

A alunos dos cursos de Artes e Imagem da Escola Superior de Artes Aplicadas de Castelo Branco foi lançado o desafio de produzirem "teasers" em vídeo, relativos ao festival. O primeiro desses pequenos vídeos é o que se edita aqui, feito por Pedro Vicente e Helena Matos (segue-se o programa).



MARCAS DA SEMANA


1) "Assim vai a cultura em Portugal: os medíocres são promovidos, os sofríveis continuam a empatar tudo e os bons vão para a rua" (Jorge Calado, Expresso, a propósito da saída de Paolo Pinamonti). Esta semana, os jornais deram conta do desconforto sobre o despedimento de Pinamonti do Teatro Nacional de S. Carlos. Por essas leituras, a ministra e o secretário de Estado da Cultura têm muitas responsabilidades. O que se lamenta.

2) O suplemento "6ª" (Diário de Notícias) está a ser repensado e Miguel Gaspar (editor executivo e director interino do Diário de Notícias durante a recente fase de transição de direcção) vai para o jornal Público. Suplementos e jornalistas não substituem instituições, entidades maiores que os indivíduos de per si, mas a acontecerem estas alterações quem perde é a instituição.

3) O artigo de Eduardo Cintra Torres no Público de hoje merece destaque. Tema: A bela e o mestre, o novo programa de reality game da TVI. Pavoroso o programa, em especial pelas "belas" animadoras de espaços nocturnos.

4) A página 45 do caderno "Actual" do Expresso de hoje não deveria ter sido publicada. Porque faz uma mistura grosseira de géneros. Explico: as páginas patrocinadas pelo banco Millennium BCP são um modo inteligente de patrocínio. Contudo, a "entrevista" do director do Instituto Português de Museus (IPM) é, afinal, uma página de publicidade - como aparece encabeçada. Do que se trata é de enviar um recado a Dalila Rodrigues, directora do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), que se queixou recentemente de a verba do patrocínio do banco destinada aquele museu ser repartida pelo Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto. A "entrevista" de Manuel Bairrão Oleiro (IPM) coloca a directora do MNAA em dificuldades, pois a página tem a chancela institucional do banco (Oleiro fala da bondade na distribuição de verbas para mais de um museu, com a justificação do corte de 23,3% do orçamento do Estado quanto aos museus). Quando falo de mistura grosseira é porque, do ponto de vista ético, o banco deveria ter mais atenção na colocação de informação. Claro que Dalila Rodrigues (de quem gosto do estilo de trabalhar) tem usado igualmente os media para mandar mensagens aos gestores públicos e políticos - e isto funcionou como boomerang.

QUATRO ANOS DE BLOGUE


A 17 de Março de 2003 começava o presente espaço do Indústrias Culturais, escrevendo: "Este weblogue destina-se a apresentar textos sobre indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, videojogos, publicidade)".

Foi há quatro anos! Quando comecei, não imaginava até onde iria a aventura. Já escrevi 2752 mensagens e recebi 440474 visitantes!

Muito obrigado.

sexta-feira, 16 de março de 2007

TEXTURAS


Texturas é uma revista madrilena sobre livros e redes e relações em torno do livro, numa dupla presença, a do papel e a do digital, associando o profissional e o artífice. Logo, Texturas leva-nos a um mundo do texto e dos seus conteúdos e significados.



Destado os textos de Roger Chartier (Livrarias e livreiros: histórias de um ofício, desafios do presente) e de José María Barandiarán (Edição, independente ou interdependente?). Neste número inicial, de finais de 2006, de uma muito cuidada estética, saliento ainda o extra-texto, com imagens de Chema Madoz, de que não reproduzo qualquer imagem, pois não pedi permissão.

Retiro do texto de Chartier uma ideia: em todas as épocas, há duas lógicas que se cruzam na relação entre comércio do livro e actividade editorial (pág. 11). A primeira é a lógica do capitalismo comercial, que exige investimentos elevados para comprar o papel necessário a cada edição e pagar a edição, a atenção dada à procura e ao mercado, uma linha de crédito que tem em consideração a confiança dos vários actores do processo económico. A segunda lógica é a do patrocínio. No ancien régime, esta lógica era a do apoio ou benevolência das autoridades políticas (ou, simplesmente, tolerância das obras). As edições sucessivas da Encyclopédie de Diderot e d'Alembert encaixam nesta relação entre edição e poder, entre livreiros editores e poderes, quer políticos quer eclesiásticos.

Contacto: trama@tramaeditorial.es.

Agradecimentos, pelo exemplar, a José María Barandiarán, um dos editores da Texturas. Desejo longa vida à revista.

PRÓXIMO CONGRESSO DA SOPCOM


A SOPCOM - Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação prepara o seu 5º congresso dedicado ao tema Comunicação e cidadania, a realizar nos dias 6 a 8 de Setembro próximo, em Braga.

No congresso, serão discutidas temáticas como internet, jornalismo, publicidade, relações públicas e educação para os media.

As inscrições, já abertas, decorrem até 30 de Junho, através do sítio www.5sopcom.uminho.pt.

FIUCOM


Realizou-se ontem um colóquio da FiuCom, na Universidade Católica Portuguesa, sob o título Que valores? A comunicação na sociedade global.

Ángel Losada (Universidade Pontifícia de Salamanca) falou sobre comunicação, participação e desenvolvimento social, destacando elementos como compromisso, organização, valores e inovação (capitais intelectual, emocional e relacional).

Em comentário a duas comunicações, incluindo a que eu fiz, Jorge Wemans (director de programas da RTP2) destacou o peso das tecnologias, altamente conformadoras e impositivas de valores. Para ele, tem-se dado pouca atenção aos valores da tecnologia, que podem possuir mais força que o director ou editor de um meio de comunicação.

José David Urchaga (Universidade Pontifícia de Salamanca) apresentou os resultados de um inquérito feito a 1173 alunos de duas universidades daquela cidade (Pontifícia e uma pública) sobre valores (família, amigos, Deus, religião), em Novembro e Dezembro de 2006. A interculturalidade cultural e a tolerância (igual a aceitação ou compreensão do Outro) foi ainda tema de Pedro Rivas e Pablo Rey. Também de comunicação intercultural falou Roberto Carneiro (Universidade Católica Portuguesa) e de um tempo em que se movimentam notícias, bens, serviços, capitais e pessoas. Roberto Carneiro defende o estabelecimento de uma agenda prioritária para a Europa: a e(i)migração. Já Chelo Sánchez (Universidade Pontifícia de Salamanca) falou das tertúlias da rádio, um tipo de programa muito popular em Espanha, ou forma audiovisual como conversa que reune opinadores profissionais.

Da mesa redonda, destaco a intervenção de José Nuno Martins (provedor do ouvinte do serviço público de rádio). Questionado sobre o seu recente relatório de actividade, onde apontava erros à Antena 3, José Nuno Martins teve oportunidade de referir a falta de espaços informativos e de divulgação de artistas e escritores portugueses, o qual faz parte do contrato estabelecido entre o Estado e o operador.



Legendas das imagens:
1) (da esquerda para a direita) - Chelo Sánchez (vice-directora da Faculdade de Comunicação da Universidade Pontifícia de Salamanca), Isabel Gil (directora da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa), Manuel Braga da Cruz (reitor da Universidade Católica Portuguesa) e Horácio Araújo (Universidade Católica Portuguesa);
3) José David Urchaga (Universidade Pontifícia de Salamanca), Pedro Rivas (Universidade Pontifícia de Salamanca), Carlos Capucho (Universidade Católica Portuguesa) e Carla Ganito (Universidade Católica Portuguesa),
4) Roberto Carneiro, Rita Figueiras e Fernando Ilharco (Universidade Católica Portuguesa).

No meu texto, intitulado Responsabilidade social, objectividade e tecnologias, iniciei-o deste modo:

  • Hoje, fala-se bastante de responsabilidade social quando se refere às empresas. Uma empresa, para além do produto ou serviço que presta à comunidade, é um espaço habitado por trabalhadores ou colaboradores que tomam parte na produção desse bem ou serviço. Para a Comissão Europeia (2001), as empresas desenvolvem estratégias de responsabilidade social como resposta às variadas pressões sociais, ambientais e económicas sobre elas. Isso implica estruturas, organização, regras, conhecimento e distribuição de conhecimento, mas também reconhecimento, criação de valores éticos e cooperação. Ao implementar a responsabilidade social, uma empresa está a investir a longo prazo, através do compromisso voluntário. A empresa responsável socialmente promove valores, aceita a interdependência face à envolvente, preconiza o princípio da precaução como regra de decisão, fomenta a prática de diálogo, consulta e transparência (Morais, 2007: 111-112). Em Albarran (2007: 29), descrevem-se deveres para com a audiência ou público, para com o empregador ou organização, para com os colegas e para com a sociedade. Mas também há necessidade de planear a integração individual. Tabernero (2007: 67) dá um exemplo simples: o salário pago a um colaborador, o qual deve ser justo e adequado às suas funções.No caso dos media, o conceito responsabilidade social já foi estudado (Mesquita, 2003; Faustino, 2007). Por um lado, e ao longo dos anos, as empresas mediáticas (e jornalísticas) envolvem-se em crescente complexidade, passando de empresas individuais ou familiares (os primeiros jornais) a grandes conglomerados (empresas de televisão e outros media, com concentração de propriedade). Por outro lado, acresce-se a esta complexidade as lógicas de grandes territórios que ultrapassam a dimensão de um país (caso da União Europeia), implicando transposição de normas e liberdade de circulação de pessoas e bens. O que conduz à criação de organismos internacionais e a uma permanente regulação (Cádima, 2007: 36-38; Mesquita, 2003) e à busca de consenso quanto a pluralismo, liberdade editorial e direitos individuais de criação e expressão. No território mais específico do jornalismo, a ética e a deontologia são elementos aferidores de responsabilidade social (Pina, 2007: 45). Sara Pina (2007: 49) defende que a teoria da responsabilidade social da imprensa procura a defesa e promoção do interesse público e o aumento do nível de credibilidade dos jornalistas. É o compromisso social do jornalista ou defesa de padrões mínimos, na perspectiva de Mário Mesquita (2003: 269), que historia a origem do compromisso no personalismo cristão. Mesquita reorienta o conceito para a luta dos jornalistas contra a tirania, a violência e o racismo, e defende uma maior latitude do termo responsabilidade, dada a associação à ideia de missão do jornalista no espaço público. É também esse o sentido da Declaração da UNESCO para os Media, no seu princípio III, em que a informação é entendida como bem social e não como mercadoria, significando que o jornalista partilha a responsabilidade da informação transmitida e actua sempre de acordo com a sua própria consciência ética (Cornu, 1994: 481-482).

quinta-feira, 15 de março de 2007

UM BLOGUE A SEGUIR

Kontrastes, de João Ferreira Dias.

Do seu estatuto editorial retiro o seguinte: "A natureza ideológica deste blogue é a imparcialidade tentando sempre aproximar-se o mais possível da objectividade (cuja plenitude é impossível)".

quarta-feira, 14 de março de 2007

FILIPA SUBTIL ESCREVE SOBRE MCLUHAN


Sei apenas que o título é Compreender os Media. As Extensões de Marshall McLuhan e é editado pela MinervaCoimbra. Certamente um muito importante livro sobre aquele autor canadiano!

Resposta a um dos comentadores desta mensagem (não consigo escrever directamente comentários no blogue): Escrevi "certamente". Expressei uma convicção. Claro que não posso ter a certeza de algo que ainda não li. De Filipa Subtil conheço um texto que escreveu sobre Harold Innis (e McLuhan) - e isso indicia a qualidade do texto agora anunciado.

PROPOSTA DE LEI DA TELEVISÃO


A proposta de Lei da Televisão, que vai ser discutida na Assembleia da República no próximo dia 30, tem 98 artigos. A meu ver, os seus principais pontos dizem respeito a: 1) redefinição do quadro legal de acesso à televisão com a entrada da TDT (televisão digital terrestre), embora a informação sobre esta tecnologia seja escassa na proposta, 2) retoma da designação de RTP2 para o segundo canal público, a merecer todo o artigo 54, notando-se a continuação da ideia de participação de "entidades representativas da sociedade civil, e 3) clarificação do regime sancionatório da actual lei da televisão. A proposta foi aprovada pelo Conselho de Ministros de 22 de Fevereiro último, e noticiada nessa altura.

Segundo a proposta, caso haja entidades que queiram aceder à actividade de televisão, o capital mínimo para uma sociedade ou cooperativa que forneça programação regional ou local é de €100 mil (artigo 11). O ponto 3 do mesmo artigo alarga o tipo de sociedade para associações ou fundações. A actividade é sujeita a concurso público (artigo 13), obedecendo a uma planificação de frequências (artigo 14). Estes artigos aplicam-se apenas a televisão por feixe hertziano mas não por cabo e, em especial, pela internet. Neste último caso, atendendo ao "carácter infinito do meio e correspondente pulverização da oferta, apenas ficam sujeitas a registo, estando dispensadas de autorização" (introdução), registo esse feito na ERC (artigo 19).


É, a meu ver, o reconhecimento que o Estado perdeu o controlo sobre tecnologias que, embora correndo sobre redes instaladas no país, têm sede em outros locais do mundo. Por outro lado, estabelece a distinção entre disponibilidade quase infinita da internet e raridade de frequências no espectro hertziano. Ora, a emissão de envio e troca de ficheiros de vídeos está em crescimento (o YouTube tem apenas dois anos) e a proposta de legislação não toca nesta realidade muito recente mas de grande projecção no futuro próximo, em especial tendo em conta as questões relacionadas com limites à liberdade de programação, como abaixo escrevo.

O limite mínimo de horas de emissão diária é de seis horas (artigo 39), com a publicidade e a televenda a não poderem ultrapassar 10% ou 20% do tempo de emissão (artigo 40). Por seu lado, a produção independente deve ser da ordem de um mínimo de 10% da programação (artigo 46), enquanto o Estado se propõe apoiar a produção (artigo 48) através de incentivos, nomeadamente fiscais. Contudo, não é avançada qualquer estimativa desse apoio. Por outro lado, a produção independente remete para o serviço público que não o comercial, pois esse recorre somente a produção independente. Aliás, a definição de serviço público indica apenas para o prestado pelo Estado (ver nomeadamente o artigo 50), o que quer dizer que os canais comerciais não têm necessidade de fazer serviço público. Na minha interpretação do conceito "serviço público" tem de ser extensivo aos canais comerciais e inscrita na lei da televisão - informação, quotas de programas nacionais e europeus, limites à liberdade de programação.

Detecto, assim, uma contradição, pois os limites à liberdade de programação são universais e não apenas para os do serviço de Estado. Os limites à liberdade de programação incluem a que incita ao ódio racial, religioso e político (artigo 27) ou pornografia e violência gratuita. Mas não se inferem padrões (por exemplo: o que é a violência gratuita) e aponta para a ERC o incentivo da classificação de programas de televisão junto dos operadores licenciados.

Uma das questões que em Fevereiro levantou mais polémica, após se saber desta proposta, é a da proibição de alteração da programação até 48 horas antes da emissão. Creio que, na altura, houve empolamento por parte dos operadores privados, quando a leitura do articulado aponta para a não contraprogramação.

Outro ponto polémico já discutido seria o do maior peso atribuido à ERC. Na realidade, o articulado refere 58 vezes a ERC (mais 11 vezes citada uma entidade reguladora nacional das comunicações, que presumo seja a ANACOM; a ser assim, convêm manter uma adequação às designações existentes). Há uma incidência sobre o regime sancionatório que compete à ERC, mas isso não me parece um exercício alargado do poder.

Em termos de definições (artigo 2), a proposta aprecia as seguintes: actividade de televisão, autopromoção, obra criativa, obra europeia, operador de distribuição, operador de televisão, produtor independente, serviço de programas televisivo, televenda e televisão.

CURSO DE HISTÓRIA DA ARTE NO MUSEU NACIONAL DE ARTE ANTIGA


Para ampliar a imagem, clique em cima desta.

CIDADES CRIATIVAS


No dia 26 de Março, no hotel Lagoas Park Hotel, em Oeiras, vai decorrer a conferência temática "Cidades Criativas", integrada nas comemorações dos 30 anos de poder local democrático.

Da promoção da
conferência, retiro a seguinte informação:

As cidades são actores decisivos na economia de um País. Segundo Richard Florida, os aglomerados urbanos que apostam na criatividade serão aqueles, que no quadro da economia do conhecimento, mais relevância assumirão. A aposta na criatividade, segundo aquele autor, consuma-se na atracção de talento, na existência de universidades e empresas inovadoras e na prática da tolerância. As cidades criativas são autênticas, informais, e vibrantes. A sua qualidade de vida é excelente.

De entre os conferencistas, destacam-se: Miquel Barceló i Roca, Presidente da Sociedade Municipal Barcelona, Will Lambe, Professor na Universidade da Carolina do Norte (EUA), Jim Butler, Director para o Desenvolvimento de Indústrias Criativas, Austin, Texas (EUA) e Zef Hemel, Director Adjunto do Planeamento de Amesterdão.

Inscrições
aqui ou email para anmp@anmp.pt.

terça-feira, 13 de março de 2007

PONTO DE ANÁLISES


A acompanhar o blogue Ponto de Análises, de Sergio Denicoli, jornalista, publicitário, radialista e investigador, actualmente a residir e trabalhar em Braga!

Muito cuidadoso na informação, de estilo sintético na escrita e elegante estética na forma.

RUI ARAÚJO


Hoje, Rui Araújo, provedor do leitor do jornal Público, falou sobre ética e deontologia da comunicação e o papel do provedor do leitor em aula da Universidade Católica Portuguesa.

Como provedor, procura tornar transparente a relação entre quem escreve o jornal e quem o lê. Para isso, ele trabalha com dois elementos, o código deontológico do jornalista e o Livro de Estilo do Público.

Do perfil dos leitores que escrevem para o provedor, Rui Araújo deixou alguns apontamentos: já lhe enviaram mais de três mil mensagens, a quase totalidade em email, de todas as idades e em número muito próximo a nível masculino e nível feminino e um peso muito maior de leitores do norte face ao sul. O número de mensagens tem vindo a aumentar, com algumas delas a ocuparem algumas páginas. Por regra, as cartas que dizem bem do jornal são remetidas ao director do jornal e as que dizem mal ao provedor. O provedor recebe mensagens peculiares: pedidos de emprego, cartas endereçadas ao provedor da RTP e do Diário de Notícias, cidadãos de origem portuguesa mas vivendo no Brasil e em África pedindo ajuda para descobrir as suas raízes familiares. Também recebe poemas e receitas de culinária e emails de fãs de futebol que se queixam do pouco relevo dado ao seu clube.

O provedor do Público acha que, em geral, o público leitor é pouco exigente. Quem lê apenas o Metro ou o Destak e vê a televisão não fica muito bem informado. Portugal não tem muitos hábitos de leitura, faltando também uma cultura de cidadania. Quando há três novelas no prime-time televisivo, tal ilustra o atraso cívico do país. O qual está apenas com disponibilidade mental para a Coca-Cola.

Quanto ao jornalismo e aos jornalistas, considera uma perda a homologia entre informação e serviço - a informação é crescentemente uma mercadoria - e critica a tendência actual de saída dos jornalistas mais velhos, a memória da redacção. Para ele, faltam reportagens nos jornais e trabalhos de investigação. Daí uma crítica poderosa à RTP, onde teve um papel importante na área da grande reportagem, e aos canais privados. Televisão-espelho, onde aparecem só quase os cidadãos comuns, os canais resumem a informação ao futebol, ao fait-divers, às notícias de ruptura (golpes de Estado, catástrofes, acidentes), a confrontos fictícios e a celebridades "permanentes".

O homem que queria ser marinheiro e acabou no jornalismo, que deu a notícia da morte de Roland Barthes sem a confirmar junto de uma segunda fonte, acredita, apesar da crítica, no jornalismo como uma missão, com grande especialização e com necessidade de fazer reportagens de investigação capazes de tornar mais aliciante a profissão.

segunda-feira, 12 de março de 2007

OBRIGADO AOS LEITORES DO BLOGUE


O número de visitantes do blogue durante o dia de hoje ultrapassou a barreira (psicológica, para mim) do milhar de acessos únicos, o que já não acontecia desde o Verão passado. Muito obrigado.

PUBLICIDADE E CULTURA DE MASSAS


Amanhã, dia 13, pelas 18:00, realiza-se mais uma sessão do Seminário de Investigação Cultura de Massas em Portugal no Século XX.

Rui Estrela apresentará Evolução da actividade publicitária no período 1932-1974 – o caso português.

Como sempre, a sessão decorrerá na Sala de Reuniões da Torre B da FCSH/UNL (7º andar), à Av. de Berna, em Lisboa.

FALAR DE BLOGUES TEMÁTICOS


Com organização de José Carlos Abrantes e da Livraria Almedina, o tema para o dia 15, pelas 19:00 naquela livraria do Saldanha (Lisboa) conta com os seguintes blogues e seus animadores: Estado Civil (Pedro Mexia), Foram-se os Anéis (José Nunes), Memória Virtual (Leonel Vicente) e Não Apaguem a Memória (Daniel Melo). Debate moderado por Francisco Rui Cádima (irreal tv).

Mais informações no sítio de José Carlos Abrantes.

CULTURAS EM RESISTÊNCIA


Ollin Kan, o Festival Internacional das Culturas em Resistência que decorrerá na Cidade do México de 7 a 14 de Maio, aposta numa programação diversificada assente em expressões musicais próprias das antigas tradições asiáticas, africanas, europeias e americanas. Trata-se de uma realização que celebra e divulga a música em "perigo de extinção" e que foge à cultura e à hegemonia do mainstream. Participarão cerca de 300 artistas internacionais e 500 mexicanos, organizados em 44 grupos estrangeiros e 19 do país.

Dentro do Festival, haverá a semana da cultura portuguesa, com uma mostra de curtas-metragens portuguesas, da responsabilidade do Festival de Curtas- Metragens de Vila do Conde.

A BLOGOSFERA SEGUNDO DANIELA BERTOCCHI


Daniela Bertocchi, do blogue Intermezzo, deu uma entrevista ao blogue Tiago Dória Weblog sobre dez anos de blogosfera. Respigo algumas ideias dela:
  • Os blogs deixam, cada vez mais, de estar à margem das mais importantes discussões políticas, econômicas, culturais etc. e, por muitas vezes, chegam a ser o seu centro. Mas gostaria de voltar ao que disse: o conceito de blog. Porque, no fundo, é isso mesmo. O blog pode ser usado para qualquer coisa: receitas culinárias, diário pessoal, publicação de notícias. Serve à comunicação, à relação interpessoal, à criação de comunidades. Pessoas, empresas e instituições se apropriaram desta idéia para se expressarem publicamente na rede, consoante os seus interesses. Isso é algo a ser considerado. Houve sim um alargamento do espaço informativo e opinativo com os blogs nestes dez anos. O mesmo está ocorrendo com os podcasts.
  • O que quero dizer, no fundo, é que, nesta análise de 2007 como o marco histórico dos blogs, mas interessante que colocar o foco na tecnologia em si (em suas facilidades de publicação) seria perceber que os blogs tornaram-se um “fenômeno” porque muitas e diferentes pessoas espalhadas pelo planeta compraram a idéia. Os blogs participaram da estória do 11 de Setembro, 11 de Março, ataques de Londres, Guerra do Iraque, Tsunami; de eleições, cimeiras etc. Criam uma rede de narrativas e opiniões individuais e coletivas. E isso aconteceu (somente) em dez anos.
  • A blogosfera de Portugal, por exemplo, possui características muito diferentes da brasileira; os blogs aqui tendem a ser super opinativos, analíticos e teóricos (poucos são informativos) em comparação com os do Brasil.

CONFERÊNCIA DO PROVEDOR DO LEITOR


ENCONTRO DE UNIVERSIDADES CATÓLICAS (ÁREA DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO)


Em Lisboa, nos próximos dias 15 e 16. Para ampliar os quadros, clicar sobre eles. A Comunicação na sociedade global 2007, na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa (Anfiteatro 2).


Dia 15 – Anfiteatro 2
9:30 - Sessão de Abertura
Manuel Braga da Cruz (Reitor da Universidade Católica Portuguesa)
Isabel Capeloa Gil (Directora da Faculdade de Ciências Humanas da UCP)
Chelo Sánchez Serrano (Vicedecana Fac. Comunicación - Salamanca)
Horácio Araújo (FiuCom)
10:00 – 11:45 - Painel I
Ángel Losada (Univ. Pontifícia de Salamanca) - Comunicación, participación y desarrollo social
Rogério Santos (Univ. Católica Portuguesa) - Responsabilidade social, objectividade e tecnologias
Horácio Araújo (Univ. Católica Portuguesa) - Moderador
Jorge Wemans (Director de Programas da RTP2) - Comentador
11:45 – Pausa para café
12:00 – 13:00 - Painel II
Pedro Rivas e Pablo Rey (Univ. Pontifícia de Salamanca) - Mobilidad y comunicación intercultural
José David Urchaga Litago (Univ. Pontifícia de Salamanca) - Los estudiantes universitários y sus valores
Carla Ganito (Univ. Católica Portuguesa) - Moderadora
Carlos Capucho (Univ. Católica Portuguesa) - Comentador
13:00 – Almoço
14:30 - Painel III
Roberto Carneiro (Univ. Católica Portuguesa) - Comunicação e mobilidade intercultural
Gustavo Cardoso (ISCTE, Lisboa) - Comunicação e Tecnologia
Rita Figueiras (Univ. Católica Portuguesa) - Moderadora
Fernando Ilharco (Univ. Católica Portuguesa) - Comentador
16:15 – Pausa para café
16:45 – Mesa-redonda: Os Media, a Concorrência e a Ética
Peter Stilwell (Director da Fac. De Teologia – UCP)
Nelson Ribeiro (Director de Programas da Rádio Renascença)
Eduardo Cintra Torres (Crítico de Televisão)
Chelo Sánchez Serrano (Vicedecana Fac. Comunicación - Salamanca)
José Nuno Martins (Provedor do Ouvinte da RDP)
Fernando Cascais (Director do Cenjor) - Moderador
Dia 16 – Sala Brasil
9:30 - 10:45 - Reunião dos membros da FiuCom
Horácio Araújo – Apresentação da FiuCom
Isabel Gil – FiuCom e Bolonha
Perspectivas da FiuCom (debate)
10:45 – Pausa para café
11:00 - Eleição da nova Presidência da FiuCom
Encerramento
13:00 - Almoço

domingo, 11 de março de 2007

O REGRESSO DA BALEIA BRANCA


Voltou a Baleia Branca, o blogue de João Carlos Correia, docente da Universidade da Beira Interior. Ele atribui-me a culpa de estar novamente no activo. Na realidade, há uma semana, perguntei-lhe o que era feito da Baleia Branca.

Ainda bem que o blogue voltou. Um abraço para ti - e muitas mensagens aí da Covilhã, para lermos e usufruirmos.


Menus mais recentes da Baleia Branca: Jean Baudrillard, Norberto Bobbio, Mário Mesquita. Apetitosos!

ECONOMIA CRIATIVA


O Observer de hoje traz um texto (assinado por Nick Mathiason) sobre as indústrias criativas no Reino Unido, a propósito de uma conferência realizada em Austin, no Texas, a qual reunia os principais responsáveis americanos da indústria. Malcom McLaren, antigo manager da banda musical punk Sex Pistols, agora encarregado de alargar as exportações musicais inglesas para os Estados Unidos, falou de mais de €16 mil milhões anuais, de 2 milhões de empregos e cerca de 8% de produto interno bruto que as indústrias contribuem para o país. No evento, havia 150 bandas inglesas e 750 delegados ingleses, o que demonstra a importância do sector para o Reino Unido.

O número de 8% no PIB fez-me lembrar uma manchete do Público (16 de Novembro de 2006): "Cultura com mais peso na economia europeia do que sector automóvel". Numa caixa a acompanhar o destaque desse dia, o peso do sector cultural no PIB do Reino Unido era de apenas 3,0%, o sexto mais elevado da União Europeia, com Portugal a ter 1,4% do PIB (metade do inglês, portanto).


A base para os textos do Público de 16 de Novembro de 2006 [ver os textos reproduzidos
aqui] era um estudo do KEA European Affairs, realizado para a União Europeia e publicado em Outubro de 2006. Para os autores deste estudo, as indústrias da cultura englobam as indústrias culturais tradicionais (cinema, música e edição), os media (imprensa, rádio e televisão), os sectores criativos (moda, design de interiores e de produtos), turismo cultural e campo tradicional das artes (artes performativas, artes visuais e património). O mesmo estudo inclui o impacto do sector cultural sector no desenvolvimento de indústrias como o turismo cultural e as novas tecnologias , e explora as ligações entre culture, criatividade e inovação [incluído no sítio de KEA European Affairs].

Na página 65 do estudo, observa-se o seguinte: "Enquanto o Eurostat inclui os valores totais para cada país, a base de dados Amadeus [usada no estudo] exclui, contudo, o trabalho independente, pequenas empresas e partes consideráveis da economia pública". Isto explica a discrepância de números, pelo que o estudo deve ser lido com cuidado. Além disso, os dados referem-se a 2003, estimando-se que haja aumentado desde então, pois era um período pós-recessão de 2000-2001. Embora sem qualquer rigor científico, o número para Portugal deve estar a aproximar-se dos 4%.

Conforme o estudo da KEA European Affairs, em 2004 havia um mínimo de 4,714 milhões de pessoas a trabalhar no sector cultural e criativo, equivalente a 2,5% do total da população activa empregada na UE a 25 países, mais 1,171 milhões empregues no sector do turismo cultural, em que 46,8% destes empregados no sector cultural têm um grau universitário, valor mais elevado se comparados com 25,7% do total do emprego, em que o trabalho independente no sector cultural é mais do dobro do existente no emprego total, o que eleva para 17% a existência de trabalhadores temporários quando a média no total do emprego é 13,3% e o part-time é mais alto que o total do emprego.

CAMÕES É UM POETA RAP


Camões é um poeta rap é um espectáculo da Arte Pública - Artes performativas de Beja.

AGENDAS CULTURAIS

[obrigado ao meu fornecedor habitual: Carlos Filipe Maia]

PORQUE CONTINUAMOS A SEGUIR A CARREIRA DE KATE MOSS?


Há uns meses, Kate Moss desceu aos infernos, após a divulgação de imagens que a davam a consumir uma droga proibida (junto a Pete Doherty). Alguns dos contratos mais chorudos que a uniam a campanhas de publicidade foram anulados. Falava-se do fim da sua carreira, numa relação simultânea de amor e ódio.


Depois, lentamente, o ícone da moda começou a recuperar. Agora, com a sua colecção própria na Topshop, a apresentar em 1 de Maio, a sua imagem volta a estar em alta.

Escreve Rebecca Seal, no Observer de hoje, que a indústria da moda já não a pode empregar como modelo para roupa de teenagers, mas a imagem de mulher de comportamento algo selvagem ainda assenta bem nos media, em especial na televisão e nas revistas. Por outro lado, há que atender à concorrência, caso da H&M, a qual promoveu colecções próprias de Karl Lagerfeld e Stella McCartney.


O lançamento da colecção de moda de Kate Moss quase que coincide com a saída da revista Vogue, cuja edição de Abril (a edição inglesa nas bancas a partir de amanhã) traz em exclusivo 80 peças de roupa e acessórios e uma entrevista de Kate Moss, que faz a capa.

[imagens retiradas do Observer de hoje e do sítio da
Topshop]

REVISTA DE IMPRENSA SOBRE OS 50 ANOS DA RTP (AINDA)

"Hoje, a RTP é uma empresa credível, que se bate com as privadas em termos de audiências, apesar de manter as obrigações e o perfil do serviço público" (Proença de Carvalho, antigo presidente da RTP, a Margarida Marante, semanário Sol, de ontem).

"Ao dedicar a Carlos Cruz 30 segundos do seu discurso na gala de aniversário da RTP, Nuno Santos revelou o seu carácter. Ao sublinhar a justiça de uma referência explícita «nas horas boas e nas horas más», o director de programas mostrou a sua dimensão humana. Ao elogiar o antigo apresentador como «o melhor de nós», Nuno Santos não teve medo de ser mal interpretado, nem sequer do politicamente incorrecto" (Nuno Azinheira, Diário de Notícias, de ontem).


[recorte do Diário de Notícias de ontem]

MENÇÃO HONROSA PARA O IC


O blogue famafest (9º Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Famalicão) anunciou já os primeiros resultados da votação de blogues integrado no I Encontro Nacional de Blogues de Cinema (e mais genericamente de Cultura, que tenham uma forte componente Cinematográfica) (próximos dias 16, 17 e 18).

Apresento aqui a lista dos candidatos a melhor blogue português de cultura em 2006 (só os nomes e não os links), por ordem alfabética: Um Amor atrevido; Amor e ócio; Arrastão; A Arte da fuga; Aspirina b; Bandida; Big Blog is watching You; Blasfémias; Cidadesurpreendente; Contraculturalmente; Da literatura; Divas e Contrabaixos; Erotismo na cidade; Espaço de Crítica Artística; Fadista Valéria Mendez; Foram-se os anéis; Grande Loja do Queijo Limiano; Guilhermina suggia; Hoje há conquilhas; Indústrias Culturais; O Insurgente; Indústrias Culturais; O Intruso; Kontratempos; Lápis Exilis; Luminescências; O Melhor Anjo; Mouco; Miniscente; Miss Pearls; A Origem das Espécies; Passado/Presente; Passengers; Piano; Portugal dos Pequeninos; Raim; Republica e Laicidade; Saudades do futuro; Sem Pénis nem Inveja; A Senhora Sócrates; O Sentido das Palavras e Volto Num Segundo.

No seu post de ontem, Lauro António anunciava os seguintes
elementos:

Na sessão de abertura do I Encontro Nacional de Blogues de Cinema vai ser anunciado qual o Blogue Nacional de Cinema que conquistou, entre os seus pares, o título de O Melhor Blogue de Cinema de 2006, e também o de O Melhor Blogue Português de Cultura. A cada um será atribuído um Diploma autenticado pelo Famafest. Podemos adiantar que há um ex-eaquo no primeiro lugar dos blogues de cinema (mesmo número de votos para dois blogues) e quatro Menções Honrosas (para quatro blogues com igual número de votos logo a seguir). Quanto a Blogues Portugueses de Cultura repete-se o ex-aequo para dois blogues e as Menções Honrosas sobem para cinco.

O Indústrias já sabe que arrecadou uma menção honrosa. Muito obrigado à organização, pela gentileza do facto.

sábado, 10 de março de 2007

AINDA SOBRE A RTP

"Como querem aumentar as audiências actuam como incendiários da opinião pública, criando a falsa imagem de um país à beira da guerra civil" (Felix del Moral, sociólogo espanhol do Centro de Investigações Sociológicas, em artigo assinado por José Alves e editado no Expresso de hoje). O sociólogo refere-se a directores de media como Pedro J. Ramírez, do jornal El Mundo, com editoriais crispados para com a política do governo nacional espanhol e que funcionam como palavras de ordem para as intervenções da oposição governamental. O subtítulo da peça diz: "Um país em pelo crescimento económico é retratado pelos media madrilenos com estando em crise".

A análise contida na peça jornalística remete para a teoria do agendamento de McCombs e Shaw, para quem os leitores tendem a partilhar a definição proposta pelos media sobre o que é importante, pelo que se pode falar em função de agendamento dos media (retirado de Nelson Traquina, O poder do jornalismo, Minerva, 2000, p. 17). Ou melhor: os media podem não conseguir dizer às pessoas como pensar mas sobre o que pensar.

A leitura da peça sobre a posição dos media madrilenos acerca das políticas governamentais fez-me associar os textos de Eduardo Cintra Torres e José Pacheco Pereira de hoje, no Público. Em questão: os 50 anos da RTP. Eu próprio escrevi aqui sobre o assunto, mas foi um texto fugidio, pouco importante e menos bem acutilante do que estes dois textos (em jeito de autocrítica: errei o alvo).

Tenho os dois articulistas assinalados acima como das pessoas mais bem informadas do país, leio sempre atentamente o que escrevem - e os seus textos servem-me para reflectir aqui ou noutros espaços. O título de Pacheco Pereira é objectivo: "RTP: cinquenta anos de serviço a regimes e governos". Para o articulista, os governos têm na televisão um mecanismo de poder. Mas ele pode ser a televisão pública como um canal comercial, como há algumas semanas o director-geral de uma televisão privada disse a propósito da saída de Marcelo Rebelo de Sousa do espaço de comentário político nessa televisão. O que retira força ao argumento contido no último parágrafo do texto de Pacheco Pereira - "O país ficaria muito melhor sem televisão pública".

Há dias, José Manuel Fernandes escrevia um editorial neste sentido e Eduardo Cintra Torres pronunciava-se de modo muito semelhante, quando se referia ao Diário de Notícias como um jornal ao lado do poder político há cem anos. Hoje, Cintra Torres, com um título obtido de empréstimo de Sartre (O ser e o nada), fala da função da comunicação usada pela RTP: o contacto. Este contacto, escreve, cria a aura dos comunicadores e um aparente cimento afectivo, mas sem afastar a solidão dos espectadores e sem conteúdo. Mas a televisão é sempre um meio frio que nunca cria afectividade - trata-se de uma imagem num ecrã, logo cintilação artificial e efémera. Público ou comercial, um canal de televisão enfrenta o mesmo obstáculo de ser e de não ser nada.

Também ontem, Pulido Valente, no seu estilo habitual de desprezo pelos seres humanos, disse que a RTP foi sempre igual. Ele conhece-a bem, como se lê no seu texto, pois por lá passou numa altura em que tinha poderes governativos. A pergunta seguinte é: e porque não alterou a estrutura da televisão pública, se tinha força para tal?

O retrato feito nestas leituras, veiculadas por um mesmo jornal mas embora por pessoas que reflectem com profundidade sobre os problemas quotidianos do país, parece-me profundamente negativo. Há uma tendência, um quase consenso sobre o assunto. José Manuel Fernandes, Pacheco Pereira e Cintra Torres escrevem regularmente sobre os media - os dois últimos até já publicaram livros sobre estas matérias (e que eu tenho aqui interpretado, dada a pertinência dos seus pensamentos e argumentos). Embora este movimento não se integre dentro da linha incendiária da mostrada pelo sociólogo espanhol, a necessidade de jornalistas e cronistas trabalharem sobre a actualidade noticiosa - logo uma rede temática comum -, leva-me a concluir existir uma partilha dentro da teoria do agendamento de McCombs e Shaw, com a produção de uma escrita crítica comum. A qual pode condicionar a manifestação da opinião pública pela falta de alternativas.

Lembro as palavras de Cintra Torres no artigo de hoje (espero não descontextualizar): "Em 50 anos, a RTP teve uma informação globalmente subserviente; uma produção cultural erudita diminuta e uma produção popular em geral pimba". Isto é duro, pode ser verdadeiro, mas deve levar-nos a produzir elementos de compreensão mais profundos que o espaço reduzido da página de jornal. Para um melhor entendimento do país, exige-se a discussão pública da televisão pública, a qual não se pode ficar nem na página de um jornal nem nos resultados da conferência internacional de 19 e 20 de Março.

CACHECOL DO TONY


Ontem, ao fim da tarde, já se viam fãs de Tony Carreira, cantor popular (pimba), com cachecóis e T-shirts (camisetas) com o rosto do cantor. À noite, à entrada da praça de touros do Campo Pequeno, onde o cantor ia actuar, vendedeiras vendiam o cachecol do Tony. Ao mesmo tempo vendiam uns brinquedos luminosos, certamente para acompanharem no refrão de cada música.

No sítio de
Carreira, lê-se a indicação de esgotado relativamente aos espectáculos de ontem e hoje do mesmo cantor.