quinta-feira, 8 de dezembro de 2005

A DESIGNAÇÃO POSTAL PARECE-ME FELIZ

João Paulo Meneses, do blogue O segundo choque, citou um texto que escrevi há poucos dias atrás. Diz ele: "Através de um texto (postal?) de Rogério Santos cheguei a um artigo da edição de domingo do La Vanguardia, chamado "La radio, reinventada" (que, já agora, adquiri por 3 euros, via net)".

Postal parece-me uma boa palavra. Não é post nem é mensagem, e faz lembrar a imprensa antiga (de há anos atrás), onde um cronista dava uma impressão leve em dimensão mas profundidade no conteúdo. Vou adoptar a palavra postal no meu léxico aqui no blogue.
A ENTIDADE REGULADORA PARA A COMUNICAÇÃO SOCIAL (ERC) E OS BLOGUES

Aproveito a boleia do blogue Jornalismo e Comunicação (texto de Helena Sousa), atento à discussão sobre a eventualidade de as responsabilidades da Lei que cria a Entidade Reguladora para a Comunicação Social recairem também sobre os blogues. Luís António Santos, do blogue Atrium, questionara o Ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, sobre a ambiguidade do diploma legal nesta matéria. A resposta, que se pode ler integralmente no mesmo blogue Atrium, chegou através da chefe do gabinete.

Uma parcela do texto recebido por Luís António Santos, do Atrium, diz: "visando salvaguardar o direito à liberdade de expressão consagrado no artigo 37º da Constituição da República Portuguesa, a proposta de Lei apresentada pelo Governo pretendeu excluir, de forma notória, as comunicações electrónicas de conteúdo privado e de conteúdo não comercial (como, em regra, serão os «blogs»). Assim, foram incluídas as expressões «submetidos a tratamento editorial» (cfr. Lei da Imprensa) e «organizados como um todo coerente». Os blogueiros não ficaram totalmente esclarecidos.
ED - PESSOAS, IDEIAS E NEGÓCIOS

Trata-se do segundo número desta publicação, dirigida por Fernando Vicente, também seu proprietário. Mensal e de 30 mil exemplares de tiragem (informação retirada da ficha técnica, mas sem indicação de controlo pela APCT), propõe-se mostrar "verdadeiros tesouros por descobrir num cliente «perto de si»". O tema de capa desta publicação lifestyle é, assim, a eficácia publicitária, vendo de que modo se consomem "imagens, conceitos, modas, objectos".ed2.jpg

Concentro-me nas cinco páginas dedicadas aos centros comerciais (secção Futureday), com assinatura de Isabel Cabral. O texto começa com a referência a um curso ligado à área a desenvolver na Universidade Católica, o Programa de Gestão de Espaços e Centros Comerciais, coordenado por Nuno Fernandes, a partir de Janeiro próximo (preço: €5250). Segundo ele, e apesar de se considerar que Portugal tem muitos centros comerciais, há países com volumes mais elevados, casos da Holanda, Noruega e Suécia. Ainda segundo Nuno Fernandes, "o crescimento registado em Portugal é comum em toda a Europa. Nos últimos 10 anos, a construção de centros comerciais na Europa foi mais do dobro da registada em todo o período pós-guerra". Um estudo da Cushman & Wakefield, referido no texto que venho a seguir, indica que o nosso país ocupa o décimo lugar em ABL (área bruta locável), com 180 metros quadrados por 1000 habitantes, sendo a média europeia de 196 metros quadrados.

Contudo, a concorrência não se processa apenas entre centros comerciais e comércio de rua mas entre os próprios centros comerciais, dada a saturação previsível do mercado (e um menor poder de compra, escrevo eu). E o texto aponta algumas fragilidades já sentidas: o grupo Regojo, que abarca as lojas Massimo Dutti, Mango, Pepe Jeans e Quebra-Mar, não abrirá mais lojas em Lisboa e Porto (talvez feche algumas, embora projecte criar dez lojas no centro comercial Dolce Vita Tejo, na área da Grande Lisboa, em 2007). Neste momento, tem 200 lojas em Portugal, facturando €200 milhões anualmente.

A nova tendência será a de construir centros comerciais mais pequenos, focados no conceito tradicional de bairro, onde as pessoas se deslocam com facilidade sem uso de transportes pessoais ou colectivos. De todo o modo, o sucesso estará, lê-se na parte final do texto, e com recurso ao conhecimento da Sonae Sierra (Colombo, Vasco da Gama, Norte Shopping), na localização, mix das lojas, design, segurança, limpeza, estacionamento, componente lazer e preocupações ambientais.
A NOVA ANTENA 2

De acordo com as notícias saídas anteontem e ontem, respectivamente no Diário de Notícias e Público, a grelha da Antena 2, a começar em Janeiro próximo, trará muitas novidades. Crescimento do jazz e da música étnica e surgimento da música electrónica, conquanto a oferta principal seja a música clássica, encontram-se entre as apostas.

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Registo o aumento do espaço para a música de jazz. O programa único de Manuel Jorge Veloso, Toque de jazz, até alguns meses atrás à quinta-feira de manhã, entre as 10 e as 11 horas, e depois passado para a noite do mesmo dia, terá dois momentos, um ao sábado (novidades discográficas) e outro ao domingo (gravações ao vivo). A que se junta um grande alargamento da colaboração de José Duarte, que passa do diário Cinco minutos de jazz para uma hora de segunda a sexta-feira, Jazz com brancas. Depois da importante edição dos discos de jazz no jornal Público, colecção a acabar em breve, é mais um reconhecimento de alguém que tem feito muito pela divulgação moderna deste tipo de música.

Fico curioso com o programa Argonauta, de Jorge Carnaxide, de música electrónica e de ambiente, à quarta-feira. Será do tipo de alguns programas da rádio Oxigénio? Ou mais erudito? E com o soul, pela mão de Ricardo Saló, ele que já assinou programas de relevo em estações desaparecidas como a XFM e Voxx. E ainda com o boletim informativo (hoje, o Diário de Notícias informa que Paulo Alves Guerra, da TSF, recebeu um convite "desvanecido", mas ainda não tomou decisões).

A ideia de conceder mais espaço à diversidade parece-me apropriada. Retiro duas frases do texto de Marina Almeida (Diário de Notícias): "há muitas manifestações de inteligência que não queremos deixar órfãs" e "abrir portas a novos territórios sem pôr em causa os produtos dominantes", a música clássica (João de Almeida, director-adjunto da Antena 2.
REFORMA ORTOGRÁFICA

Retiro do blogue de Sônia Bertocchi, Lousa Digital, uma magnífica mensagem (e importante para reflexão também em Portugal, para quem vê o canal televisivo MTV, por exemplo) sobre uma reforma ortográfica:

"Eis aqui um programa de cinco anos para resolver o problema da falta de autoconfiança do brasileiro na sua capacidade gramatical e ortográfica (além dos ignorantes, também vai servir pra aqueles que escrevem aquela língua horrível da internet...). Em vez de melhorar o ensino, vamos facilitar as coisas, afinal, o português é difícil demais mesmo. Para não assustar os poucos que sabem escrever, nem deixar mais confusos os que ainda tentam acertar, faremos tudo de forma gradual. No primeiro ano, o «Ç» vai substituir o «S» e o «C» sibilantes, e o «Z» o «S» suave. Peçoas que açeçam a internet com freqüênçia vão adorar, prinçipalmente os adoleçentes. O «C» duro e o «QU» em que o «U» não é pronunçiado çerão trokados pelo «K», já ke o çom é ekivalente. Iço deve akabar kom a konfuzão, e os teklados de komputador terão uma tekla a menos, olha çó ke koiza prátika e ekonômika.

"Haverá um aumento do entuziasmo por parte do públiko no çegundo ano, kuando o problemátiko «H» mudo e todos os acentos, inkluzive o til, seraum eliminados. O «CH» çera çimplifikado para «X» e o «LH» pra «LI» ke da no mesmo e e mais façil. Iço fara kom ke palavras como «onra« fikem 20% mais kurtas e akabara kom o problema de çaber komo çe eskreve xuxu, xa e xatiçe. Da mesma forma, o «G» ço çera uzado kuando o çom for komo em «gordo», e çem o «U» porke naum çera preçizo, ja ke kuando o çom for igual ao de «G» em «tigela», uza-çe o «J» pra façilitar ainda mais a vida da jente".

O texto continua; quem quiser lê-lo por completo, basta clicar em Lousa Digital.
DOS 25 ANOS DE MORTE DE JOHN LENNON

De três jornais que li hoje, o Público dedica meia página, o Diário de Notícias duas páginas e o El Mundo (Madrid) um caderno "Documentos" com oito páginas (mais uma na revista "El Cultural") aos 25 anos de morte de John Lennon, um dos músicos dos Beatles.

No Diário de Notícias, a dupla Nuno Galopim (música) e João Lopes (cinema; neste caso, reality TV) escreve sobre os 25 anos da morte de John Lennon, nascido em 9 de Outubro de 1940 em Liverpool, num momento em que a força aérea alemã atacava aquela cidade inglesa. Lennon viria a ser assassinado em Nova Iorque, à porta do edifício em que morava.

Galopim pega no tema por um lado simples: Lennon segundo as suas mulheres, Cynthia, a primeira, e Yoko, a segunda, ambas com livros sobre o músico. De Cynthia, que já escrevera uma biografia amarga, surge agora John, que está a ser um sucesso editorial. De Yoko, Memories of John Lennon, é um livro partilhado de desenhos, fotografias e poemas de John e Yoko, relatando a vida daquele desde a infância até à morte.

O caderno do El Mundo não é um documento muito interessante: refere a entrevista a Lennon recentemente desclassificada pela CIA, em que o cantor fala da vida desregrada dos membros da banda, conquanto tentassem passar para fora uma imagem limpa. Recolhe depoimentos de cantores e intelectuais espanhóis sobre a memória do beatle, incluindo a ministra da Cultura, Carmen Calvo, e uma análise assinada por Luis Eduardo Aute, que escreve o seguinte: "Acabo de ver a película que Martin Scorsese dedicou à maior glória de Bob Dylan, outro grande da música popular. É um excelente trabalho sobre a vida e obra deste criador, mas não pude deixar de me perguntar, vendo este documentário, que película fariam sobre Lennon". O documentário não seria, certamente, tão hagiográfico.
FELISBELA LOPES EM TESE DE DOUTORAMENTO

Cito directamente o blogue Jornalismo e Comunicação de hoje, em texto de Manuel Pinto, acerca da tese de doutoramento de Felisbela Lopes sobre programação informativa não diária nas TV generalistas:

"Tem lugar na próxima segunda-feira, dia 12, às 15 horas, na Universidade do Minho, a apresentação e discussão da tese de doutoramento apresentada por Felisbela Lopes, colaboradora deste blogue. A tese intitula-se «Uma década de televisão em Portugal, 1993-2003 - estudo dos programas de informação semanal dos canais generalistas» e será discutida perante um júri que inclui académicos da UM e ainda os Profs. Paquete de Oliveira (ISCTE) e Francisco Rui Cádima (U. Nova). O acto decorrerá no salão de actos do Instituto de Estudos da Criança (Av. Central, 100, no centro da cidade de Braga). No seu estudo, a autora, que havia já realizado no final dos anos 90 um estudo sobre o Telejornal do serviço público (publicado na Minerva), analisa as tendências da programação dos programas de grande informação da RTP, SIC e TVI, focando, em particular, o lugar desse tipo de programas na grelha, bem como os actores e as temáticas".

Desejo as maiores felicidades à Felisbela (e ao Manuel, porque, afinal, os orientadores também passam momentos importantes nestas alturas).
NOVO NÚMERO DA TRAJECTOS

Saíu o número 7 da revista Trajectos, revista de comunicação, cultura e educação do ISCTE e editada pela Casa das Letras, correspondente ao Outono. Dirigida por José Rebelo, o presente número tem como temas de capa A imagem em actos e Viver (n)a cidade.

Destaco os textos de Estrela Serrano (sobre eleições presidenciais e o impacto nas notícias dos jornais), Vítor Matias Ferreira (espaço público e cultura urbana) e Frédéric Lambert (a imagem em actos, texto que dá mote à primeira parte da publicação). Mas delicio-me com as seis páginas do texto de Maria Augusta Babo, A cidade e os seus regimes de inscrição. A professora da Universidade Nova de Lisboa começa com uma referência de Victor Hugo à cidade enquanto livro de pedra. Mas o livro, segundo o autor francês, matará a cidade - a tipografia substitui a arquitectura como contadora da História. Acresce a isto, escreve Babo, o facto dos construtores das catedrais deixarem símbolos ou emblemas gravados na pedra.

O próximo autor convocado seria Benjamin mais a sua eleição das passagens em ferro em vidro na Paris oitocentista. O ferro torna-se o material das construções. Além disso, a cidade é também motivo de registos, como Uma folha do livro de registo das cidades de Paul Klee. E ainda Paul Auster, em A cidade de vidro, onde se lê a cidade de hoje através de uma "escrita deambulatória, labiríntica, em deriva" (Babo, 2005: 90). E, logo depois, permite-se-nos ler o seguinte: "A cidade é uma rede que precede o aparecimento da Internet. Rede a vários níveis: não só no reticulado das suas ruas, mas ainda na rede de transportes que se lhe sub ou sobrepõe, inscrevendo, por isso, a mobilidade como primeiro código de leitura-percurso" (p. 91).

Maria Augusta Babo ainda dedica uma parcela substancial do seu texto à análise do graffitti e da tag nas paredes das superfícies das cidades. Impenetrável selvajaria, conceito que ela vai buscar a S. Stewart, o tag, do mesmo modo que nomeia, suja, vandaliza, "porque exprime o singular no espaço mudo e anónimo do colectivo. Daí que o seu funcionamento dispense a legibilidade".

Fico com imensa curiosidade em ler o livro de Maria Augusta Babo (com José Augusto Mourão), Semiótica: genealogias e cartografias, que se anuncia para 2006, com a chancela da MinervaCoimbra.

A revista Trajectos inclui também uma secção de recensões, de que realço a realizada por Eduardo Geada acerca de dois livros de Tito Cardoso e Cunha, meu professor na Universidade Nova de Lisboa e agora a ensinar na Universidade da Beira Interior (livros Razão provisória e Argumentação e crítica).

Leitura: Trajectos, nº 7, Outono de 2005, €12, 153 páginas

quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

FALAR DE BLOGUES COM JOSÉ PACHECO PEREIRA

tertuliablogues.jpgDecorreu hoje, pelas 19:00, o terceiro e último colóquio sobre blogues, uma organização de José Carlos Abrantes e Livraria Almedina, nas instalações desta, ao Saldanha, em Lisboa. Recordo que as anteriores sessões ocorreram nos dias 13 de Outubro (Falar dos blogues no feminino) e 10 de Novembro (Falar de blogues: percursos e perspectivas), ambos com muito sucesso em termos de audiência.

O mesmo ambiente teve a livraria no final desta tarde. O tema era Falar de blogues com José Pacheco Pereira. Professor, historiador, político e animador do blogue Abrupto, Pacheco Pereira falou da blogosfera em geral e do seu blogue em particular.

O conferencista teve como um dos pontos de partida a definição de cultura em Eliot. Conquanto o poeta americano tornado cidadão inglês acabasse por falar em cultura como sendo um bem da sociedade em geral, um dos seus temas iniciais foi a cultura de elite. Pegando nessa ideia, Pacheco Pereira entende que os blogues são, no nosso país, um instrumento de cultura de elite, muito influentes nas elites nacionais e nos jornais. Ele repetiu esta ideia da grande influência dos blogues nos jornais e em centros de decisão, nomeadamente a nível literário, na animação cultural e na política. Considerou ainda o professor e político que os blogues não fazem ainda parte da cultura de massa, pelos conteúdos, mas já pertencem a esta cultura de massa pelo número de páginas pessoais deste tipo.

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[legenda das imagens: à esquerda, José Pacheco Pereira; à direita, José Carlos Abrantes, organizador da tertúlia. Na imagem mais abaixo, pormenor de uma das filas da assistência, com jovens da Universidade Lusófona tomando notas para um trabalho]

Ele começara por afirmar que o blogue lhe deu tudo o que os outros media não conseguiram. Mantém o programa inicial do Abrupto: grafismo simples e agenda própria (não política), rapidamente identificável pelos leitores. Além disso, o seu espaço na blogosfera não tem um discurso de intimidade ou revela estados de alma do autor, embora manifeste a todo o momento os seus gostos e preferências, quando coloca uma pintura, uma citação ou um poema em latim ou indique ainda paixões e práticas antigas como a astronomia. Diria ainda que o seu gosto pelos papéis, pelos livros, pelas capas e pela publicidade é já muito antigo, que lhe vem do tempo do liceu quando ambicionava editar uma revista de literatura. O que escreve não é para ser popular mas porque gosta de editar.

Apesar de considerar que não procura conhecer as audiências como um fim em si mesmo, acabaria por reflectir no assunto. Chega a ter 15 mil visitas por dia, em especial em momentos como a chegada da sonda Cassini-Huygens a Titã, uma lua de Saturno, em Julho do ano passado, ou situações políticas específicas (queda de governos, eleições). É muito lido em Portugal, Brasil e Estados Unidos (caso de comunidades de portugueses ali implantadas). Têm, além disso, núcleos de leitores regulares de países como a Rússia e cidades como Teerão. A estes momentos altos correspondem momentos de menor procura, caso dos fins-de-semana, feriados e meses de férias.

Não possui caixa de comentários mas recebe muitos emails diários (140 por dia em média, correspondência superior à de muitos jornais). Sensível à opinião desses leitores, publica-as no blogue quando as mensagens lhe parecem adequadas, vindas de pessoas ilustradas como professores e cientistas ou profissões comuns como polícias e enfermeiros.

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Houve ainda tempo para salientar alguns dos aspectos positivos dos blogues, um novo terreno comunicacional, como o da instituição da memória (imagens, ideias) e como elemento de correcção. Ao contrário da cultura da internet no geral, alheia à memória, à leitura e encurtando o espaço, a blogosfera traduz-se em novos tipos de interacção, é um elemento de revolução profunda e que alarga o espaço público (criação estética e relação com o mundo exterior). No tempo, o sucesso dos blogues residirá não tanto nas mensagens, mas nas imagens, expressões ou marcas, na distinção de cada blogue em si. Para Pacheco Pereira, o futuro não é apenas a tecnologia mas a literacia.

Observação 1: Pacheco Pereira vai criar um novo blogue (o seu lançamento será nos próximos dias) acerca do livro que escreveu sobre Álvaro Cunhal (o terceiro volume foi editado a semana passada). Nesse novo espaço, espécie de complemento do livro (aparentado com os CD-ROMs que acompanham algumas edições), haverá lugar para correspondência, documentos que não conseguiu colocar no livro, críticas e comentários.

Observação 2: escrevi duas outras vezes sobre intervenções de Pacheco Pereira: a 16 de Junho de 2005, em colóquio organizado pelo Diário de Notícias, e 22 de Outubro de 2005, no IV Congresso de Comunicação da SOPCOM.
NOS BASTIDORES DO JOGO POLÍTICO

Na próxima segunda-feira, dia 12, pelas 18:30, no El Corte Inglés (Av. António Augusto Aguiar 31, Lisboa), será lançado o livro Nos bastidores do jogo político – O poder dos assessores, de Vitor Gonçalves. A apresentação caberá a António Marques Bessa.

Do comunicado da MinervaCoimbra, editora da obra, destacam-se os seguintes elementos: "Fazem [os assessores] parte do núcleo mais restrito da esfera do poder. Nas sedes partidárias, nos gabinetes do Primeiro-Ministro e do Presidente da República, em todos os ministérios do Governo, nas autarquias locais, encontramos assessores de imprensa. Participam no coração do sistema de informação. O grande objectivo destes profissionais é contribuir para criar uma imagem favorável dos políticos que representam, junto dos cidadãos-eleitores. Nesta pesquisa o autor procurou responder a uma pergunta inicial: qual o papel desempenhado pelos assessores de imprensa no processo de construção da imagem dos governos do Partido Socialista, liderados por António Guterres, de 1995 a 2002"?

O autor, nascido em Viseu em 1969, é licenciado em Comunicação Social e possui o mestrado em Ciência Política. Assistente convidado no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), é mais conhecido como jornalista da RTP, onde trabalha desde 1992. Especializado em assuntos políticos, é editor de política nacional no canal televisivo público. Recentemente lançou outro livro, com o título A agenda de Cavaco Silva.

Isto é: temas actuais e onde vale a pena comprar para ler. O blogueiro, esse, é que está dividido. Para dia 12 tem três sítios onde gostaria de estar, quase à mesma hora e com uma distância geográfica de centenas de quilómetros. O que irá o blogueiro decidir? Vá passando por aqui, para conhecer a decisão dele.
PUBLICIDADE EM 1935

A VI Exposição de Rádio e Electricidade inaugurava-se em Lisboa a 16 de Novembro de 1935, quase há 70 anos atrás. O Diário de Notícias do dia seguinte trazia um caderno desenvolvido sobre o tema. Daí retiro duas imagens publicitárias e parcela de um texto.

O anúncio da esquerda, da marca Apex (chamado material Apex), incluía frigoríficos, aspiradores, máquinas de lavar e passar a roupa. Para a época, eram equipamentos electrodomésticos muito raros nos lares. Fixo-me no desenho da máquina de lavar roupa, onde o desenho inclui a figura de uma mulher. O sistema contempla certamente uma ligação à electricidade (dado o tema da exposição), mas parte das tarefas deviam ser manuais. A máquina possui um sistema de rodas, o que quer dizer alguma mobilidade. Vislumbra-se uma tampa, o que significa que a máquina era fechada.



A publicidade da direita é sobre receptores de rádio da marca Telefunken, modelos para o ano seguinte, que prometem trilhar "novos caminhos". Os modelos têm nomes apelativos: "Maestro", "Presidente" e "Aristokrat", indo de 1950$00 (€9,75, mas sem acompanhar a inflação) a 4500$00. O modelo "Aristikrat" parece um cofre móvel. À época seriam modelos elegantes, embora hoje nos pareçam muito pesados, limitados e ineficazes.

Retenho um comentário de uma pessoa responsável e conhecedora, nessa altura, por estas áreas: "Considerada em conjunto, a curva evolutiva da radioelectricidade atingiu, primeiro na emissão, agora na recepção, um largo e fecundo patamar. Apenas na televisão e no cinema sonoro a técnica continua ainda em modificação constante, à busca de soluções de geral satisfação, tanto no domínio científico como no plano industrial" (Paulo de Brito Aranha).

Curioso que Leitão de Barros já realizara A severa (1932), filme sonorizado, e a lei da rádio incluísse a exploração futura de televisão pela estação pública, a Emissora Nacional, a emitir radiodifusão experimentalmente desde 1934 e oficialmente desde 1935.

Observação: as imagens, publicadas no Diário de Notícias de 17 de Novembro de 1935, foram digitalizadas a partir de suporte em papel, fotocópia tirada do microfilme existente na Biblioteca Nacional, este já uma cópia do original do jornal. Em cada uma das transferências de suporte tecnológico há uma perda evidente de qualidade. Felizmente que se anuncia para breve o acesso a todo o arquivo do Diário de Notícias (141 anos de jornais), embora eu não saiba preços nem condições de acesso.

terça-feira, 6 de dezembro de 2005

BLOGUE UBIVERSIDADE

O blogue ubiversidade, de professores da Universidade da Beira Interior (UBI), tem um título que também pode ser lido como diversidade, o que é salutar. Começou em Novembro último; eu já tinha lido referências na blogosfera (onde já não me lembro, não sei se no blogue em que o Manuel Pinto é o principal animador).

Agora dei um salto até ao blogue da Covilhã e saudo os colegas que se meteram neste novo empreendimento. E desejos de muita produção e, igualmente, muitas visitas.
OBRIGADO, ICS

Não escondo a satisfação ao tomar conhecimento das decisões do Instituto da Comunicação Social (ICS) sobre incentivos à investigação e à edição de obras sobre comunicação social (lista de obras apoiadas no 2.º semestre de 2005). A minha tese de doutoramento, agora com o título A fonte não quis revelar, será editada graças ao apoio financeiro do ICS.

São treze as obras a publicar com o patrocínio daquele instituto público, totalizando €39 mil. As editoras apoiadas são Livros Horizonte (4 livros), MinervaCoimbra (3), Porto Editora (3), Campo das Letras (2) e uma proposta individual sem editora. O meu trabalho sairá na Campo das Letras, do Porto.

Outros trabalhos a publicar, e que me darão muita alegria ao lê-los, são os de Gonçalo Pereira (A Quercus nas notícias) e Luís Oliveira Martins (Mercados televisivos europeus), ambos com teses de mestrado por mim orientadas. Há ainda obras de Rui Marques, actual ACIME (Timor Leste - o agendamento mediático), José Tengarrinha (Imprensa e opinião pública), Nelson Traquina, Marisa Torres da Silva e Vanda Calado (A problemática SIDA nas notícias), Maria João Silveirinha e Cristina Ponte (Moeda e comunicação) e Marisa Torres da Silva (A voz dos leitores na imprensa).
NOVA TERTÚLIA SOBRE BLOGUES

É o terceiro colóquio sobre blogues, na próxima quarta-feira, pelas 19:00, com José Pacheco Pereira, autor do blogue Abrupto e ensaísta. Diz a organização na apresentação do conferencista: "Um colunista e intelectual respeitado não prescindiu de usar a blogosfera para se exprimir. Que consegue José Pacheco Pereira com o blogue que não seja possível com os livros, a coluna na imprensa ou as intervenções na rádio e na televisão"?

Por favor, anote na sua agenda: dia 7, às 19:00, na livraria Almedina, centro comercial Atrium Saldanha [o do pianista], loja 71 - 2º Piso, em Lisboa. Mais uma organização de José Carlos Abrantes e da livraria Almedina.
CADERNO DE NEGÓCIOS DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS

dn5122005.JPGTrata-se de um caderno que gosto de ler, caso da edição de ontem. Parece que este meu prazer de ler o suplemento à segunda-feira vai alterar, pois haverá uma transformação na sua feitura.

O caderno de ontem trouxe dois textos que li avidamente. Começando pela página da direita [a de cima, na péssima imagem ao lado, que eu fiz, tipo ready-made] , há uma entrevista ao número dois da Vodafone, António Coimbra, feita por Hugo Bordeira. Nela se compreende porque a Vodafone não lançou uma marca low cost nos celulares, a exemplo da TMN e da Optimus: "Temos mais clientes nas classes A e B, pelo que a receita média é superior. Não quer dizer que não queiramos estar neste segmento, mas admitimos ter menos fatia de mercado". Curiosamente, eu terei lido uma outra versão, mas como já foi há algum tempo admito ter-me esquecido da argumentação.

O mais interessante lê-se logo na titulação da entrevista: música, televisão em directo, jogos e toques são as grandes apostas da Vodafone. E também resumos de notícias dos telejornais, informação e outros serviços como as farmácias de serviço. Os 331 mil clientes de 3ª geração terão, a curto prazo, um alargado portfolio de canais, criando a Vodafone "assinaturas mensais em que as pessoas poderão ter acesso a um conjunto de canais".

Eu referi, recentemente, a partir de uma cogitação minha, que o futuro seria dos celulares (a par dos videojogos) como meio de comunicação por excelência; pareço estar a acertar. Mas a página da esquerda [em baixo, na minha imagem ready-made] leva-nos para a televisão. É que a Sonae está a comercializar o negócio, através da SmarTV, a sua oferta de televisão digital sobre ADSL. Até final do primeiro trimestre de 2006, a oferta será de 90 canais, mais serviço de voz, internet e home video. Os preços mensais irão de €14,90 a €22,90, valores tentadores atendendo ao que se vende, conforme a peça de Cátia Almeida nos esclarece. E quantos clientes a Sonae espera ter até ao final de 2006? O texto fala em 70 mil clientes do Clix - mas estes usam serviços gratuitos ou pagam-nos?

Celulares e televisão - as apostas das empresas de telecomunicações. E os jornais? Parece, como dizia acima, que o caderno de "Negócios" do Diário de Notícias vai ser substituido no começo de 2006. Julgo que por um caderno diário de economia, com 24 páginas. Por um lado, é um esforço grande e louvável; por outro lado, não será exagerado o número de páginas? Será que o Diário de Notícias vai "morder" o jornal da Recolectos? Entrar pelos leitores do Público não duvido que vai conseguir, com aquela revista de segunda-feira, que encareceu o preço do jornal e que ainda não ouvi ninguém dizer bem (e me vai levar a uma próxima decisão de não comprar o Público a esse dia da semana, como sinal de protesto). E, ainda sobre o Diário de Notícias, também parece haver uma alteração à sexta-feira, com o desaparecimento do DNA - "comunicado" pelo caderno fez sexta uma semana (e que eu aqui reportei) - e a entrada de uma revista lifestyle. O leitor fiel do Diário de Notícias (versão em papel) aguarda. Mas ele pede que não baixem a qualidade da informação económica (e de negócios) e não aumentem o preço de capa só porque resolvem pôr uma revista. Os leitores não se deixam enganar por muito tempo.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2005

AINDA LEITURAS DE ONTEM (2)

La Vanguardía de ontem deu relevo aos programas comprimidos em formato MP3, no que foi chamado de reinvenção da rádio (texto de Àlex Barnet).

vanguardia2.jpgOs utilizadores dos reprodutores MP3 ouvem música mas, crescentemente, também programas de rádio adaptados ou criados pela internet, um fenómeno chamado podcasting (ou podcast).

A origem do termo podcasting sai da junção de iPod (popular reprodutor musical da Apple) e broadcasting (emissão). O podcasting trabalha com arquivos de rádio comprimidos para serem reproduzidos ao gosto do consumidor. O descarregamento nos computadores é automático, bastando que um utilizador instale um qualquer dos programas agregadores (gratuitos e fáceis de localizar na internet). Quando há algum podcast novo disponível, o software descarrega-o directamente, continua a ler-se no texto do jornal de Barcelona.

Compara-se o fenómeno do podcast com o dos blogues. Como nestes, há notícias de proximidade, tecnologia, gastronomia, viagens, política, relações, religião. Para evitar questões de copyright, usam-se licenças tipo Creative Commons, que permitem o uso livre dos seus sons. Ainda semelhante aos blogues, o podcast é um fenómeno de baixo para cima, e nele entram novos agentes comunicacionais e que alteram a dinâmica dos media convencionais.

Nota suplementar: ver o blogue NetFM, que escreveu, na passada sexta-feira, uma mensagem sobre este tema.
AINDA LEITURAS DE ONTEM (1)

Paulo Miguel Madeira, no Público de ontem, escreveu um longo artigo sobre a presença do capital estrangeiro nos media nacionais. A razão principal, diz, tem a ver com a recente aquisição de capital por parte da Prisa (e da RTL) na Media Capital (e na TVI por arrastamento).

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O que mais chama atenção é o quadro que acompanha o texto, dando conta dos principais grupos de media em Portugal, tarefa interessante mas sempre desactualizada pela dinâmica do mercado. Pedagogicamente, distingo três níveis no quadro. O primeiro é o dos grupos mais antigos e onde se não tem registado grandes alterações (seguindo o escrito por Elsa Costa e Silva em livro recente sobre a matéria): Estado (RTP - rádio e televisão; 50% da agência Lusa) e Igreja Católica (rádios Renascença, RFM e Mega FM, Diário do Minho). Em segundo lugar, vem grupos mais recentes, como Cofina (Correio da Manhã, Record, Sábado, outras revistas, 33,3% da distribuidora VASP), Impresa (SIC e canais SIC no cabo, Expresso, Visão, Exame e outras publicações, 22,35% da agência Lusa, 33,3% da distribuidora VASP, produtora SIC Filmes), Media Capital (TVI, Rádio Comercial, Best Rock FM, outras estações de rádio, Cotonete, cinco revistas especializadas e a produtora NBP), Impala (Focus, Maria, Nova Gente e outras publicações) e Sonae.com (Público, Rádio Nova). Finalmente, os grupos recentíssimos, como a Recolectos (Diário Económico e Semanário Económico) e Controlinveste (Sport TV, TSF e outras estações de rádio, Diário de Notícias, Jornal de Notícias, 24 Horas, O Jogo e mais títulos de jornais, 33,3% da distribuidora VASP, impressão Naveprinter e Gráfica Funchalense).

Do texto, fico com a noção adequada do capital do jornal Público. Tento tido capital dos jornais espanhol El Pais e italiano La Repubblica, que a Sonae recompraria, mais recentemente, por cruzamento de capitais com a France Télécom, a holding que detém o jornal conta com 23,7% de capital da empresa francesa. Por outro lado, o jornalista refere que a Controlinveste não tem capital estrangeiro. A minha dúvida está aí. Lera, na altura da aquisição dos media da PT pela Controlinveste que esta tinha como apoio um banco; ora, esse banco, parece-me, tem capital estrangeiro. Se este meu raciocínio for correcto, não se pode dizer que a Controlinveste tem capital estrangeiro por via do banco que suportou a transacção?

Chamo ainda a atenção para a partilha, por vários grupos, de parcelas da cadeia de valor na imprensa, caso do capital da Lusa, a agência de notícias, e da distribuidora VASP, o que leva a algumas sinergias e acordos entre grupos concorrentes, exactamente a montante e a juzante do negócio principal de fazer notícias e entretenimento.

domingo, 4 de dezembro de 2005

LEITURAS DE HOJE (3)

No jornal catalão La Vanguardia de hoje, escreve-se que, segundo um estudo recente, a violência dos videojogos tem influência no comportamento dos seus jogadores, nomeadamente em termos de hostilidade e condutas agressivas. O texto é assinado por Maricel Chavarría e reflecte os resultados de estudo conduzido por Nicholas Carnagey e Craig Anderson, da universidade americana de Iowa, a partir de três situações distintas: 1) a que situa o jogador em frente ao vídeo em que se premeia a violência, 2) a que o situa face a outros jogadores em que se condena a violência, e 3) o caso de videojogos sem violência.

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A análise ao impacto dos videojogos surge no exacto momento em que a Xbox 360, da Microsoft, chega ao mercado europeu. O Diário de Notícias de hoje diz que as consolas em Portugal esgotaram no momento da sua colocação no mercado, com preços oscilando entre €315 e €420, variação que depende de não incluir ou incluir disco rígido para comportar jogos da versão anterior.

Como o blogueiro não tem a competência específica para falar de videojogos, aconselho a que dê uma olhadela ao blogue Buff My Monkey, com análises de jogos (mais ligados à fileira de jogos de guerra) e alguns links que podem ajudar.
LEITURAS DE HOJE (2)

O Diário de Notícias dá hoje duas páginas inteiras às novas telenovelas (TVI e SIC), reconhecimento da importância do formato na programação televisiva portuguesa.

DN4122005.JPGFico-me pelos destaques no topo das duas páginas: simbolismo (Paulo de Carvalho como actor na novela da TVI, Dei-te quase tudo) e elogio da beleza (a beleza de actores e actrizes na novela da SIC Belíssima, tais como Reynaldo Gianecchini e Henri Castelli e Camila Pitanga).
LEITURAS DE HOJE (1)

Em peça assinada por Leonor Figueiredo, no Diário de Notícias de hoje, fala-se do livro de Jorge Manuel Martins, Profissões do livro, a ser lançado depois de amanhã.

livros.JPGComeça o artigo assim, citando o autor: "Não chega ter bons tradutores, nem bons editores, nem sequer boas gráficas. Precisamos, sim, de bons críticos e bons livreiros. E quando falo em «críticos» quero referir-me a jornalistas, professsores, educadores e outros".

Mais à frente, o actual director do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas confessa o que sabe dos seus alunos: "Quando dezenas de alunos se gabaram de não ler nada, investiguei o ambiente familiar e concluí que eles nunca viram os pais a ler nem possuiram uma biblioteca em casa". E, defendendo a educação dos mais velhos, continua a ler-se em citação do autor: "De que vale um pai ou professor mandar ler, se filhos e alunos nunca os viram ler"? [imagem em cima: alguns dos meus livros sobre história da rádio em Portugal, Espanha, França, Reino Unido e Estados Unidos]
CARLA MARTINS E ESPAÇO PÚBLICO EM HANNAH ARENDT

Vai ser lançado amanhã, pelas 16:30, o livro de Carla Martins, Espaço público em Hannah Arendt, segundo um comunicado da editora MinervaCoimbra.

A apresentação ocorrerá durante o congresso Espaço público, poder e comunicação, dentro da comunicação a fazer pela autora com o título Do espaço público à esfera social, no anfiteatro III da Faculdade de Letras (presumo que de Coimbra, embora o texto do comunicado seja omisso nesse aspecto).

Ainda segundo a informação veiculada pela editora, agora com um blogue MinervaCoimbra, este "livro constitui o número 40 da colecção Comunicação dirigida por Mário Mesquita".

Sobre o tema, lê-se no referido blogue MinervaCoimbra: "Hannah Arendt é uma referência incontornável da teoria política da segunda metade do século XX. Herdeira da tradição grega, e entusiasta do élan revolucionário, a pensadora germano-americana propõe uma perspectiva singular da acção política, enquanto constitutivamente comunicativa e aberta à pluralidade, e da esfera pública, definida como espaço de aparência onde a acção humana se manifesta. No seu diagnóstico das sociedades contemporâneas, Arendt alerta contra a «socialização» da esfera pública – a sua permeabilização a mecanismos de funcionamento próprios da esfera privada – e a hegemonia da tecnociência. Questiona finalmente o afastamento do homem em relação à política e o seu refúgio no universo de intimidade e, em última análise, coloca a questão radical de saber se a política tem ainda um sentido".

Quanto à autora, Carla Martins, lê-se que é "licenciada e mestre em Filosofia e desenvolve actualmente o doutoramento na área das Ciências da Linguagem e da Comunicação. Iniciou o seu percurso profissional como jornalista, tendo trabalhado na RTP entre 2000 e 2003. Colabora regularmente em regime freelance com as revistas Jornalismo & Jornalistas e Media XXI e com o programa Clube de Jornalistas. É professora na Universidade Lusófona e na Escola Superior de Comunicação Social".
ANÚNCIOS BONITOS

Eles pertencem ao Centro Comercial das Amoreiras, Páginas Amarelas (com a actriz Maria João Bastos), Intimissimi, Caixa Geral de Depósitos e Estée Lauder (com a actriz Gwyneth Paltrow), e podem ser vistos num mupi perto de si.

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Nem sempre se encontram informações sobre os objectivos destas campanhas na televisão, na imprensa ou nos mupis. Não é o caso da campanha das Páginas Amarelas, criada pela agência de publicidade J. Walter Thompson, no valor de €4 milhões, e com a actriz Maria João Bastos. Como se lia no Diário de Notícias de anteontem, o objectivo é "gerar uma maior utilização dos produtos e manter a imagem jovem".

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ÉVORA - MÚSICA, DANÇA E TEATRO

Nesta altura do ano, Évora é uma cidade muito bonita, limpa e cheia de gente, nomeadamente forasteiros vindos de Espanha. A praça do Giraldo e todo o centro histórico merecem uma visita. E permanecer na cidade, pois há oferta cultural, para além da gastronomia.

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Da agenda cultural de Évora retiro várias informações. Música: concerto de Natal (10 de Dezembro, às 21:30, na igreja de S. Francisco), audição de Natal (11 de Dezembro, às 17:00, no antigo convento de S. Francisco) e coral de Évora (18 de Dezembro, às 17:30, na igreja de Santo Antão, na Praça do Giraldo). Dança: "Solidão aos molhos" (6 de Dezembro, às 21:30, teatro municipal Garcia Resende), "Azul Azul II" (para crianças, 13 a 17 de Dezembro, às 10:30 e 14:30, no teatro municipal Garcia Resende). Teatro: teatro das marionetas "Talvez haja espectáculo" (durante o mês, a partir das 22:00, na Casa dos Bonecos, ao largo de Machede Velho).

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Em termos de comércio e de lojas, Évora aproxima-se, contudo, de um momento de viragem. Uma loja Zara e um centro comercial no seu perímetro alterarão, proximamente, as relações de força entre o comércio mais tradicional e a agressividade de lojas de marca. Só espero que haja uma sábia combinação entre os dois modelos, para que a zona histórica não sofra o mesmo tipo de desertificação que se verifica em Lisboa e no Porto (aqui talvez o exemplo mais triste, quando se caminha da estação ferroviária de S. Bento em direcção ao rio Douro).

sábado, 3 de dezembro de 2005

CENA DE UMA AULA

A apresentação do programa dos Serviços Educativos da Culturgest, por Raquel Ribeiro Santos, em aula de Públicos e Audiências (ver minha mensagem de 24 de Novembro último), numa gentileza do blogue Meu Mundo Cor de Rosa, em texto ontem publicado (foto de M. P.).

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CHANEL

Existe em Coco Chanel um grande simbolismo. Por um lado, na criadora inconfundível da moda do século XX a sua vida pessoal parece sobrepor-se à obra. Ou misturar-se uma com a outra, como a frente e o avesso de um tecido. Por outro lado, a sua arte - a moda é uma arte ou, se entendermos assim, uma indústria cultural - associou-se a outras artes, como o teatro, o bailado e a música, ela que fez figurinos e guarda-roupa para Diaghilev, Marlene Dietrich e outros artistas consagrados na sua época.

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Daí que surjam biografias e representações teatrais com essa mulher fascinante como centro, caso da agora presente peça com Marília Pêra como actriz intérprete [imagens: capa do catálogo acompanhando a peça e cartaz da mesma].

chanel.JPGRetiro do catálogo o seguinte texto de Jorge Takla, encenador da peça: "Quando visitei o apartamento de Gabrielle Chanel na rue Cambon, em Paris, ciceroneado pela extraordinária Marika Gently, diretora do Conservatório Chanel (e verdadeira memória viva, fiel e carinhosa da Grande Mademoiselle), tive a nítida sensação de que ali tinha vivido uma mulher magnífica, luminosa, expoente da essência estética, cultural e social do século 20. [...] Não vejo no Teatro Brasileiro outra atriz do que a Grande Marília Pêra, que pudesse entender [...] esta fantasia; a alma de Gabrielle Chanel, seu humor, sua dor, sua busca eterna da perfeição" (mantive o texto segundo a ortografia em vigor no Brasil).

Na verdade, Marília Pêra, num belo espectáculo, dá-nos conta do trajecto de Chanel. É um quase monólogo, pois a presença de duas modelos é marginal em termos de texto, que dura bem acima de uma hora, com todas as qualidades da actriz bem presentes. Não é uma história diacrónica, mas entremeada por recuos no tempo, num momento de velhice de Coco Chanel, em que esta recorda todas as figuras em vários domínios - bailado, pintura, política, moda - das décadas de 1930 até 1960.

Observação 1: Marília Pêra, numa recente entrevista que deu à Antena 2, descreveu o seu grande momento como profissional, o que se percebe no catálogo que acompanha a peça. Ela tem feito papéis de mulheres extraordinárias do século XX, pela singularidade delas mesmo, casos de Carmem Miranda e Maria Callas. Aliás, no catálogo, Marília Pêra escreve: "Depois da responsabilidade de encarnar Carmem Miranda, Dalva de Oliveira e Maria Callas, enfrento e recebo Gabrielle Chanel, tão genial quanto as outras três, porém mais forte, mais resistente, mais preserverante. Carmem, Dalva e Maria se deixaram morrer muito cedo; Gabrielle guerreou mais, lutou, esbravejou, criou e incomodou até o fim".

Observação 2: estabeleci, de imediato, a comparação desta peça com a de Simone de Oliveira sobre Marlene Dietrich. Deixo apenas um comentário de um leitor deste blogue ao meu texto de 15 de Maio último, o de Hugo Arnauth, que escreveu: "Fui hoje ver. Vi e Adorei. A diva pela diva...". E comparei - com alguma tristeza - os palcos (e as audiências) em que as actrizes interpretaram os seus papéis: Marília Pêra num Tivoli cheio, Simone de Oliveira num Mundial com clareiras na plateia. Uma e outra são belíssimas actrizes (e Simone tem um outro predicado: sabe cantar).
COFFEE NEWS

Recordo aqui o número 59 da Coffee News, ou Notícias com o café, exemplar gratuito da última semana de Março de 2005 [andava perdido no bolso de um casaco].

É um pequeno jornal (ou newsletter) de duas páginas (uma folha) de dimensão maior que dois A4, com publicidade nas duas laterais da página e pequenos textos divertidos ou charadas. Recupero o que se lê no final da primeira página: "Coffee News é seu! Leve-o para casa para que mais pessoas o desfrutem! Ou então devolva-o ao expositor. Salve as nossas árvores - recicle papel".

O que eu não gostei do exemplar foi um anúncio de uma imobiliária que existe há 30 anos. Deveria aparecer um tempo verbal (há), mas ele foi substituído pela contracção de um artigo com uma preposição, dando à.

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sexta-feira, 2 de dezembro de 2005

CORREIO DOS LEITORES (2)

Mourylise Heymer, aluna de mestrado de Tecnologia Multimedia (Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto), desenvolveu o sítio easyvertising, de apoio à criação de publicidade para a internet, caso de estudantes, profissionais de publicidade e propaganda,designers e empresas - ou melhor dizendo: "ampliar os seus horizontes na criação de publicidade" para a internet. Mourylise Heymer solicita uma visita ao sítio easyvertising e à sua avaliação (ver formulário), a qual originará um relatório a anexar à dissertação.
CORREIO DOS LEITORES (1)

David Santos tem um blogue, o a manh'ser, desde Junho deste ano. Trata-se de um espaço intimista, a visitar.
LIVROS SOBRE AS MARCAS

"A próxima marca de culto poderá ser a sua" (última frase escrita no livro de Douglas Atkin, El culto a las marcas)

De três livros que li nestes meses mais recentes, o de Wally Olins (A marca) foi o mais alegre e positivo, aquele que mais me sensibilizou (e disso dei indicação no blogue). Dele, já estudara Corporate identity (1994) e compreendera a sua divisão entre marcas monolíticas (um só nome empresarial pode conter várias actividades, como a Nokia), validadas [endorsed] (quando uma organização tem várias marcas conforme as suas actividades) e individualizadas [branded] (quando cada actividade tem um nome de marca apesar de pertencer a um só grupo).

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O livro de Naomi Klein, No logo. O poder das marcas (2002), é o mais crítico do mundo das marcas. A começar no design austero da capa, igual ao do original editado pela HarperCollins, mas com um formato maior (15,3 x 23,3 centímetros contra 12,8 x 19,7 centímetros). Da suspeição de Klein às marcas fico-me com uma citação: "A IBM não vende computadores, vende «soluções» empresariais. A Swatch não se ocupa de relógios, ocupa-se da ideia de tempo. Na Diesel Jeans [...] «Não vendemos um produto, vendemos um estilo de vida. Penso que criámos um movimento. [...] O conceito Diesel é tudo»" (p. 46).

Ao optimismo de Olins e ao radicalismo de Klein, junto a heterodoxia de Atkin. Diferente da jornalista Klein, cujo trabalho foi desenvolvido inicialmente no periódico canadiano The Toronto Star, mas próximo da publicidade como Olins (que chegou a ser fundador da Wolff Olins, e que já teve participação na mudança da imagem corporativa de empresas nacionais como a Portugal Telecom), Atkins é director estratégico da Merkley e Partnsersen, contratado por clientes para fomentar o culto a empresas como a Mercedes e a Pfizer. Atkins procurou ver a proximidade entre o culto religioso (mormons, Hare Krishna) e o culto a marcas (Harley-Davidson, Saturn). E deu relevo a sucessos (Body Shop) e a falhanços (Napster) como indicadores da importância de afirmação da marca e seu relacionamento com o mundo, projectando ideais mas não entrando em ruptura total com os valores já instituidos.

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Logo no começo do livro, Atkin define marca de culto como "uma marca pela qual um grupo de clientes mostra uma grande devoção ou dedicação. [...] os seus membros, com frequência, convertem-se em partidários ou defensores voluntários" (p. 21). As marcas adquiriram uma maturidade tal que as impele a gerar um fanatismo (no sentido de devoção para com) semelhante a cultos religiosos (p. 222). Os membros de um culto, para Atkin, criam interagem e estabelecem laços de sólidos entre si (p. 90), bem como adquirem um sentimento de responsabilidade e dependência mútua (p. 105), o que fortalece o sentido de comunidade. Definir um sentimento particular de diferença, declarar essa diferença dando corpo a uma doutrina e a uma linguagem própria, desmarcar-se do mundo exterior e "demonizar" o outro são algumas das características das marcas segundo Atkin. A mota Harley-Davidson aparece como marca que reune essas condições, acrescentando-se a euforia do individualismo, a liberdade de escolher, a dedicação à aventura e a oportunidade de decobrir novas experiências (p. 47).

As marcas vencedoras são aquelas que possuem sinais distintivos (a identidade) nos seus produtos. As marcas são crenças, pois incluem uma moralidade e incorporam valores e posicionam-se perante algo (p. 121), um tema grato aos escritores de marketing. As marcas, diz ainda, funcionam como sistemas de significados totais e são lugares de acção para o consumidor (e para os empregados) enquanto se anunciam as crenças e os valores distintivos do grupo, uma imagem de como deveria ser o mundo (p. 127).

Leituras: Wally Olins (2005). A Marca. Lisboa: Verbo (original de 2003)
Naomi Klein (2002). No logo. O poder das marcas. Lisboa: Relógio D'Água (original de 2000)
Douglas Atkin (2005). El culto a las marcas. Barcelona: Robin Book (original de 2004)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

A MORTE DO CINEMA? OU A RECUPERAÇÃO DO CINEMA?

Trabalho hoje o excelente dossiê saído no Público do passado dia 20 de Novembro. São quatro páginas de textos, a que se juntaria, na mesma edição (caderno "Local"), mais cerca de página e meia (dedicada ao cinema Quarteto, em Lisboa).

publico201120051.jpgA capa da edição, com fotografia de Manuel Roberto, aponta para a crise no cinema, com as salas portuguesas a perderem quase dois milhões de espectadores este ano quando comparado com 2004 (quebra de 14%, em números de Outubro). Isto apesar da receita bruta ter uma menor variação negativa: €50,5 milhões, menos 8,5% que igual período do ano passado.

Ao mesmo tempo, aponta-se para o crescimento dos DVD, com mais um milhão de compradores este ano se comparado com 2004. Aparentemente, trata-se de um movimento de cinéfilos da sala para casa. Mas no texto principal, assinado por Kathleen Gomes, a questão é mais aprofundada. Este ano não houve êxitos de bilheteira como em dois filmes do ano passado: Shrek 2 e A paixão de Cristo. E a ausência de espectadores nas salas de cinema não é apanágio de apenas Portugal, fazendo-se iguais contas nos Estados Unidos e na Europa.

Apoiado em diversos quadros e gráficos que nos dão conta da realidade do sector, há um texto que quero realçar ainda, a crónica de Nuno Ferreira, onde ele dá conta da sua experiência como espectador único de sessões de cinema, experiência que eu próprio também tive e aqui relatei: "a sala vazia, [e o espectador] só pensa em que ângulo e em que lugar pode apreciar o filme". Ou o registo de vozes, como no texto de Natália Faria: "Custa-me ver morrer mais uma sala", um desabafo do projeccionista do cinema Nun'Álvares (Porto).

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Nas páginas do caderno "Local", o assunto era o aniversário das salas Quarteto, aqui não muito longe de minha casa. O Quarteto atingiu 30 anos de existência e o futuro não parece muito optimista. O seu animador, Pedro Bandeira Freire, descreve o que chama de "ditadura e monopólio proibido por lei de determinadas distribuidoras que também são exibidoras". Fora do circuito dessas distribuidoras, no Quarteto passam filmes "difíceis" ou que não são estreias, o que dificulta a ida de espectadores. Numa das peças, assinadas por Diana Ralha, conta-se a história do maior êxito de bilheteira do cinema, All that jazz, de Bob Fosse, descrito pela distribuidora como "um filme musical horroroso em que o protagonista morre no fim". E também do êxito de Martin Scorcese, Taxi driver, um filme de alguém "que andava de táxi em Nova Iorque".

Mas a vida dos DVDs pode também complicar-se, como se depreende (embora não explicitamente) no texto de Rita Siza, no seu despacho de Washington: "A ideia é prolongar ao máximo o período de vida de um qualquer produto, e logo a sua capacidade de gerar receitas e amortizar os investimentos ou multiplicar os lucros". Ora, para que os DVDs consigam gerar lucros elevados, os filmes precisam de ser atraentes. E se não forem? E por quanto tempo se consegue rentabilizar cada um dos DVDs?