- Colherada rápida (de quem está num cyber café do Mindelo [Cabo Verde] porque o avião das 10 só parte às 15 horas). Vem aí a edição portuguesa de um livro extraordinário - "Propaganda" - escrito nos anos 20 pelo meu "Mestre" - Edward L. Benays. Fala pouco. Já escrevi o prefácio (no dia de reflexão da campanha presidencial portuguesa. É das obras mais importantes das Relações Públicas e não tem o cariz tão mais comercial de " Queda da Publicidade". Gostava de voltar ao assunto com mais tempo. Agora, a minha cabeça está mais virada para "Carlos Veiga - Nosso Presidente". Aquele abraço do LPM.
Textos de Rogério Santos, com reflexões e atualidade sobre indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, videojogos, música, livros, centros comerciais) e criativas (museus, exposições, teatro, espetáculos). Na blogosfera desde 2002.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006
Segundo notícia veiculada hoje pela newsletter do European Journalism Centre, o grupo francês de media e tecnologia Lagardère vai adquirir o grupo editorial da Time Warner. Há já um acordo de aquisição no valor de €449 milhões, conforme o comunicado conjunto divulgado anteontem.
Tal significa que a Lagardère se coloca como o terceiro maior editor mundial. Com este importante passo, e continuo a seguir a notícia do 'European Journalism Centre, pretende-se estabelecer um equilíbrio linguístico entre francês, inglês e espanhol, de acordo com as perspectivas da própria Lagardère. A editora francesa pode mesmo tornar-se a líder nos mercados do Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia. A Time Warner Book Group é, actualmente, o quinto maior editor nos Estados Unidos.
As autoras foram as alunas Mariana Salgado, Ana Inverno e Maria Ana Oliveira, em trabalho para a cadeira de Públicos e Audiências. O grande objectivo foi traçar o perfil do consumidor IKEA e caracterizar as suas compras e preferências, tendo sido inquiridas 100 pessoas nos dias 11 e 12 de Novembro passado. O inquérito compunha-se de 24 questões.
Dos inquiridos, 71% foram mulheres, com 41% a situar-se na faixa dos 20 a 30 anos, 45% solteiros e 56% de residentes em Lisboa (mas com 20% fora da grande Lisboa, dado haver ainda uma só loja no país). Para as investigadoras, uma primeira conclusão a tirar foi que a loja IKEA é maioritariamente frequentada por jovens em início de vida ou com perspectivas de constituir família a breve prazo. Apesar de se tratar de uma loja hard-discount, a maioria dos visitantes da IKEA faz parte de quadros médios e superiores de entidades empregadoras (35%) e 25% integra serviços comerciais e administrativos.
65% dos clientes afirmariam comprar desde a abertura da loja (Junho de 2004), enquanto apenas 15% dos inquiridos consumiam há menos de seis meses. Do conjunto, 23% dirige-se mensalmente à loja. Preços (63%) e diversidade (26%) são as principais razões de preferência da IKEA. Em termos de qualidade, os respondentes afirmaram ser ela boa (50%) e média (39%). Quanto ao design, 53% dos inquiridos acha a loja apelativa. A IKEA, concluem Mariana Salgado, Ana Inverno e Maria Ana Oliveira, segue a estratégia de "máxima exposição de produtos aos olhos do consumidor como forma de garantir o sucesso da venda e tornar o espaço da loja mais agradável para o cliente".
Quanto ao propósito da visita à IKEA, 64% fizeram-no para ficar com ideias e comprar e 28% para comprar. Verifica-se aqui o que os investigadores finlandeses Lehtonen e Mäenpää escreveram a propósito de um centro comercial de Helsínquia: há o prazer de comprar e o prazer de ver e deambular por um espaço de lojas para ter ideias e comprar numa outra ocasião.
Em termos de meio de deslocação, a viatura própria é o elemento primordial (84%), a que se segue o carro de familiares ou amigos (10%). Quanto a tempo dispendido, 44% gasta entre uma e duas horas e 30% entre as duas e três horas. Volto a referir Lehtonen e Mäenpää, pois o prazer de ver e comprar é um acto lento [imagem seguinte: Público, 18 de Janeiro de 2006].
- À ESCUTA NOUTROS BLOGUES
1) A Cotonete permite disponibilizar rádios no seu blogue ou página pessoal (dica de Pedro Fonseca, do Contrafactos & Argumentos);
2) Novas plataformas da rádio, como satélite Radio, alta definição, iRadio da Motorola, visual, wifi, wimax, iPOD e alta definição (dica de Paula Cordeiro, do NetFM) ;
3) O estado das rádios locais, a partir de uma análise de Nuno Azinheira (Diário de Notícias de sábado). A maioria das rádios locais são, hoje, simples retransmissores de cadeias nacionais (dica de Jorge Guimarães Silva, do A Rádio em Portugal).
terça-feira, 7 de fevereiro de 2006
A notícia de uma OPA da Sonae sobre a Portugal Telecom (PT), mesmo que o negócio não vá para a frente, deve ser saudada. Primeiro, porque isso obrigará o Governo (este ou outro antes ou depois) a reequacionar a "golden share" que detém (a empresa começou a ser privatizada em 1994, mas o Estado detém uma pequena parcela de acções, que a tornam decisiva na escolha do conselho de administração). Depois, porque anima a bolsa de valores (as acções estão a subir fortemente esta manhã). Em terceiro lugar, porque a Sonae mudou de perspectiva - durante os últimos anos andou a pedir a separação de negócios, com televisão por cabo fora do conjunto de actividades da PT. Inclusive, fez uma queixa a Bruxelas. Agora parece querer comprar todo o conjunto de participadas, o que quer dizer que a empresa de telecomunicações fez bem em não alienar qualquer parcela de negócios.
Agora, vamos ver como é que reagem a banca, caso do BCP (a quem o BES sugerira compra de parte da PT), e outros investidores portugueses. Sem descortinar o que fará a espanhola Telefonica, parceira da PT desde há vários anos. Mas também a France Télécom, com quem a Sonae tem negócios antigos.
O blogueiro, que gosta e tem acompanhado os negócios das telecomunicações (infelizmente, um muito pequeníssimo pacote de acções da PT já as vendeu há muito) e das indústrias culturais abrangidas pela PT, vai continuar atento. Até porque a PT é, segundo ouve com frequência na rádio, um dos "pesos pesados" da bolsa portuguesa [nunca percebi a necessidade da linguagem do boxe no jornalismo económico].
Em comunicado, a pauloquerido.com, Conteúdos e Serviços para Comunicações e a Aeiou, Investimentos Multimedia S.A. chegaram a acordo para a transmissão daquela para o universo de sítios e comunidades do portal. A Aeiou, que comemora em breve dez anos, "cumpre o objectivo de se associar ao fenómeno dos blogues e espera poder trazer à comunidade de utilizadores do Weblog.com.pt a experiência de dinamização e gestão de sites, com a sua tradicional atitude «user oriented»".
Diz Paulo Querido: "Como a comunidade weblog.com.pt em particular e a comunidade blogger em geral sabem, tem sido difícil para um jornalista com algum tempo livre e espírito empreendedor gerir um projecto que não soube dimensionar. O weblog.com.pt começou a 10 de Junho de 2003 sem pretensões, mas nunca deixou de crescer desde então. Criou-me problemas atrás de problemas. Problemas técnicos que evidentemente estavam fora dos meus conhecimentos amadorísticos mas para os quais fui arranjando soluções. À custa do meu tempo e paciência. Problemas comerciais - não tem a pauloquerido.com, unipessoal, Lda estrutura à altura das exigências notórias que o weblog.com.pt hoje demanda".
O blogueiro, por um lado, tem pena de deixar de associar Weblog.com.pt e Paulo Querido. Mas, por outro lado, sauda a eficácia e dinamismo do mesmo agente por ter tornado a blogosfera portuguesa tão rica e deseja novos sucessos a Paulo Querido.
"Nega à mulher faculdades políticas? Não a julga em condições de concorrer para a regeneração e melhor orientação dos partidos?", lia-se no livro de Eduardo de Noronha (À esquina do Chiado, romance de 1913, em edição de Magalhães & Moniz, do Porto, p. 251). O jornalista recolhera a opinião de uma médica após ter vindo de um congresso da Liga da Soberania das Mulheres Portuguesas e "correu para a folha para escrever o resultado da sua interview" (p. 252) [folha significa jornal e interview queria dizer entrevista, ou mesmo reportagem no sentido actual].
É que, além de toda a movimentação do congresso das feministas, algumas declararam querer homens a assistir ao encontro, porque senão: 1) quem lhes fazia a corte?, 2) quem publicava "nos jornais a notícia do que aqui ocorrer"?
O jornalista era Cândido Formosinho, "dulcíssimo redactor do Carnet Mondain" (p. 132). Aí o pressentimos a discutir com um poeta nefelibata, que dizia que, para o jornalista, a poesia era "andar a comer jantares pelas casas ricas e a beijocar as mãos das damas... quando te ficas por essa altura". Noutro canto da sala da folha, "um redactor do sport fala de equitação como Marialva ou Boucher: cita qualidades e defeitos às [bi]cicletas Clément ou Raleigh; comenta as regatas de Cowes e de Nice, a primazia dos yatches britânicos sobre os slippers da União, da guiga sobre a baleeira; trata de pendências de honra, de esgrima, das subtilezas do florete, dos golpes de espada, das cutiladas do sabre, de guardas e de fintas, de pistolas de combate, do código do duelo, do jogo de pau, de escolas e de assaltos, de mestre de armas; enaltece os exercícios ginásticos, o desenvolvimento muscular, os equilíbrios e os saltos" (p. 133).
A trama volta ao jornalista, de quem se conta uma história. Formosinho "é amigo do chefe da estação da Avenida. Uma vez conversando com ele fala-se em descarrilamentos, choques, desastres. Então ele pergunta: «Em caso de choque, qual é a carruagem mais perigosa?» O chefe responde-lhe naturalmente: «A última». O Formosinho pensa um bocado e em seguida exclama: «Homem, que toleima! Pois então porque a põem?»". Como foram elevadas as gargalhadas em torno do contador da história, Cândido Formosinho estava prestes a zangar-se, quando entram na sala de redacção outros elementos do romance, nomeadamente Bento Alonso Ruiz, o galego onde se centra toda a história, o qual ganharia cem mil pesetas no El Gordo, e o dr. Epaminondas, amigo do outro doutor, o dentista, Orielasnip, patrão do galego, e grande galanteador e apaixonado, caso da russa Ilda Marinoff, a quem morre o marido. Faltava ainda Abel Mendonça, secretário do mesmo jornal, o Vespertino, para termos a panóplia das personagens do romance. E ainda Freda Kociusko, a húngara casada com Godinho Martins, e que se oferecera para traduzir um romance de Francisco Cspreghy, autor que o Vespertino publicara um outro romance em folhetim, que o secretário de redacção convertera para a nossa língua.
No outro livro, À porta da Havanesa (1911, também em edição de Magalhães & Moniz, do Porto), Eduardo de Noronha produz um romance histórico - no começo do século XX com grande impacto em termos de leitores, como acontece agora no começo de novo século. Os personagens principais são dois estudantes de Coimbra, em meados do século XIX, Augusto de Vouzela, aristocrata, e Antão de Castro, nascido em Lisboa, que acompanham os principais acontecimentos políticos do país.
Não há tantas referências ao jornalismo como no livro referido antes - mas a que existe mostra o tipo de jornalismo cultivado em finais de oitocentos. O autor descreve Bernardino Martins da Silva, antigo adido na embaixada de Paris, que possuía em casa "raras preciosidades artísticas, principalmente em bengalas e em relógios de algibeira" (p. 309), ocupando-se nas horas vagas ao jornalismo: "escreveu no Diário do Povo, no Patriota e principalmente no Suplemento Burlesco, onde o seu chiste, as suas sátiras e os seus epigramas morderam desapiedadamente nos diversos governos, a ponto da polícia o perseguir e de o glorificar encerrando-o no Limoeiro com José Estevão e com o editor do Patriota, Manuel de Jesus Coelho" (pp. 309-310).
Eduardo Noronha (1859-1948) foi oficial do exército, jornalista (secretário de redacção do Novidades de Emídio Navarro, que, no final da monarquia, era dos mais respeitados e aguerridos diários) e escritor.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006
O trabalho de hoje do Diário de Notícias (texto de Marina Almeida; ilustração de Jorge Mateus) permite a actualização da informação sobre a audimetria em Portugal. Desde 2004 - e eu já fiz aqui referência ao facto - que a Marktest tem vindo a adoptar em teste um audímetro da empresa americana Arbitron, o Portable People Meter (PPM), capaz de medir consumos dos media fora do lar, neste caso de televisão e rádio (50 aparelhos no país).
Segundo se lê, o efeito do PPM será sentido em especial na rádio. Para José Manuel Oliveira, administrador da Marktest: "Quando fizemos cá o teste, houve um dia à hora do almoço, em que as rádios ultrapassaram as televisões. Fomos ver as gravações das emissões: foi o anúncio da equipa portuguesa para o Euro 2004. Fora de casa as pessoas estavam a ouvir na rádio. Este efeito é medido pelo PPM mas não pelo estudo tradicional de meios".
- O Bareme Rádio assenta, actualmente, em 25 mil entrevistas telefónicas baseadas na memória e apresenta resultados trimestralmente. Com o PPM, haverá, com certeza, uma "revolução" na distribuição do investimento publicitário, com a rádio a lucrar.
Confesso que não gosto de ouvir informações de trânsito pela rádio. Para mim, são desnecessárias - por demasiado evidentes. Todos os dias, os lisboetas sabem que a segunda circular tem trânsito a transbordar pela estrada. E que os acessos à ponte 25 de Abril, em ambos os sentidos, estão cheios. Ou ainda no túnel da Baptista Russo (Lisboa) ou no túnel dos Produtos Estrela (Porto). Claro que, para quem mora a cem ou duzentos quilómetros destes sítios, a informação não interessa.
A somar a isto, o diligente colaborador da Antena 1 que trata a situação de trânsito descobriu uma nova forma de referir o Porto, chamando-lhe "invicta cidade do Porto". Não bastaria dizer Porto? É curioso: enquanto cortaram a duração do sinal horário - que era um elemento de património da estação que não se devia eliminar - há um colaborador que alarga o tempo de emissão ao incluir informação sem valor.
Devido ao episódio da semana passada da publicação de cartoons sobre o profeta muçulmano Maomé, a Europa comunitária prepara-se para observar um novo código de conduta, lê-se na newsletter da EUpolitix.com. O comissário da justiça Franco Frattini manifestou preocupação pela controvérsia sobre as caricaturas, a qual está a levar a uma deterioração nas relações entre cristãos, muçulmanos e pessoas oriundas de outras confissões religiosas ou simples cidadãos.
No final do mês de Abril, haverá uma reunião de alto nível entre patrões dos media, jornalistas e líderes religiosos, impulsionada pela comissão europeia, assim como se prevê, mais para o fim do ano, uma conferência alargada entre líderes políticos e especialistas em questões de foro religioso.
domingo, 5 de fevereiro de 2006
Ora, o livro tem tradução portuguesa de 2003. O tradutor e prefaciador é Luís Paixão Martins. E quem visita o sítio da Unimagem, por estes dias, encontra a indicação de uma conferência com um título levemente distinto - A queda da publicidade e a ascensão da comunicação -, organizada pela promotora da vinda de Al Ries a Portugal.
Por seu lado, no sítio da Apecom (Associação Portuguesa das Empresas de Conselho em Comunicação e Relações Públicas), encontramos a seguinte informação: "Um dos maiores pensadores do Marketing, o norte americano Al Ries, estará pela primeira vez em Lisboa no dia 8 de Fevereiro, para proferir uma palestra sobre o seu último livro A Origem das Marcas e participar na conferência-debate sobre A Queda da Publicidade e a Ascensão da Comunicação. E, um pouco à frente, lê-se: "recentemente, Al Ries lançou uma nova pedrada no charco ao escrever que para se lançar uma marca esta tem de resultar da Comunicação e a Publicidade só vem depois, servindo apenas para a manutenção da marca. «O caminho para construir uma marca é através da comunicação» – diz Al Ries, realçando que «um anúncio não pode ser um argumento, é apenas um recordatório». No mesmo sítio ainda, somos informados que "O promotor da vinda de Al Ries a Portugal é a Unimagem, consultora de comunicação filiada na APECOM, com o apoio da Pedro Celeste & Associados – Estratégias de Marketing, que representa Al Ries no mercado português".
Porque não informou a jornalista que a Unimagem representa o autor no nosso país? E porque foi colocada a capa de um livro quando possuímos a sua tradução? Para despistar? Ainda: porque não disse que o ingresso nessa conferência, com almoço e debate, oscila entre €700 e 800?
Um artigo aparentemente neutro esconde a promoção de um encontro bem remunerado. Eu, confesso, deixei-me enganar por um bom par de horas. Já agora deixo uma pequena parcela do livro traduzido em 2003: "O cemitério das relações públicas está cheio de lápides a dizer: «Aqui jaz a assessoria mediática do produto X». Será que a disciplina da assessoria mediática não funciona bem com a comunicação de produto?" (p. 7, começo do prefácio). Duas páginas volvidas, a mesma expressão ocupa igualmente três linhas, mas o final do parágrafo tem algumas alterações. Será de propósito? Ou foi erro do autor ou do tradutor?
Recupero três textos editados hoje no jornal El Mundo (Espanha). O primeiro diz respeito ao desenhador dinamarquês Flemming Rose, autor dos desenhos que incendiaram o mundo muçulmano esta semana. Ele compara os islamistas aos bolcheviques, dado o seu fanatismo, dogmatismo e propensão a usar a violência contra quem não partilha a sua opinião. O segundo é um texto de Carmen Rigalt, para quem, com o filme Brokeback Mountain - que trata da paixão de dois homossexuais -, a extinção da heterossexualidade pode significar o regresso das mulheres aos territórios da marginalização.
Estes são, no preciso momento, dois temas fracturantes para a sociedade. Em Portugal e esta semana, o episódio do putativo casamento de Teresa e Lena constituiu assunto de primeiras páginas dos jornais (ou o agendamento noticioso, como bem lembrou Manuel Pinto no blogue Jornalismo e Comunicação). E as referências cautelosas de políticos e religiosos ao assunto de Maomé travestido de bombista leva-nos a olhar com precaução o assunto.
Ora, o El Mundo, para além da cruzada do seu director Pedro J. Ramirez contra o estatuto da Catalunha, sempre em editoriais extensos e virulentos, abraça novas causas. A página 2 é o exemplo - que, aliás, não vi nos jornais portugueses. Frente a frente duas perspectivas opostas: a da proibição de caricaturas de Maomé, ou Cristo, ou Buda, e a da não proibição enquanto liberdade de expressão, pilar da democracia. E o jornal está a fazer uma votação entre os que são a favor e contra a proibição, levando a avante os "não" (78%).
Claro que me lembro ainda do impacto do filme inicial dos Lumière, mostrando a chegada de uma locomotiva a uma estação ferroviária e do medo que essa visão teve nos espectadores, que fugiram pensando ir ser atropelados pela imagem. Ou da leitura das primeiras pinturas abstractas, que mereceram o desprezo de quem a elas assistiu. A imagem tem um valor inexcedível e um grande impacto na leitura do quotidiano. Por ela, há êxtase ou perseguição, aprendizagem ou cólera colectiva. Assim, uma imagem constrói um mundo, mas também o pode destruir.
Pela colocação de um comentário ao meu postal sobre publicidade - incidindo sobre as cervejas.
Escreve o articulista: "A meio caminho entre a sonoridade luso-portuguesa de um Rui Veloso ou as influências do congolês Lokua Kanza, que produziu o seu segundo disco Mi Ma bo, a voz sinuosa e agradável de Sara Tavares, nascida em Lisboa de pais caboverdianos, abre[-se] caminho entre guitarras acústicas e percussões suaves de límpido sabor africano".
Logo de seguida, o jornalista aponta para uma superação dos tempos de veleidades como o gospel e as canções que levaram Sara Tavares ao festival da Eurovisão com um estilo Whitney Houston e a colocaram numa forma mais pessoal de expressão. Nota, porém, ainda alguma ganga étnica, o que talvez implique a sua classificação de duas estrelas quanto ao espectáculo da cantora.
De todo o modo, é importanta a sua divulgação em jornais fora do país, e ainda por cima ao lado de uma notícias sobre os Depeche Mode que, em Espanha como cá, esgotaram os concertos muito antes da sua realização, o que levou - como cá também - a concertos suplementares da banda inglesa.
Observação: não se compreende o luso-português, pois nós costumamos referir-nos ora como lusos ora como portugueses. E o jornalista grafou mal o nome de Rui Veloso, escrevendo um estranho Ruy.
As campanhas das cervejas estão mais cultas: agora falam da tradição conventual. Não sei se têm efeito nos consumidores, até pela grande rotação de oferta de sabores. Se calhar, cerveja é apenas cerveja, e nós não temos possibilidades de fixar toda a paleta de ofertas. Incluindo a edição de um milhão de garrafas. Ou será que o espírito de coleccionismo chegou às cervejas?
O blogueiro não acredita muito nisso. E se a minha impressão for verdadeira, indicamos o caminho traçado por Riel&Riel, em postal abaixo escrito, de que a publicidade pode não ter o efeito pretendido, com gastos desnecessários. Fixar uma marca ou produto é actividade complexa.
Destaco também a publicidade do centro comercial Colombo. Apesar da sua grandeza, o centro situado junto à segunda circular, do outro lado do estádio do Benfica, procura distinção. O conjunto das lojas é, assim, promovido com uma publicidade abrangente, ligada ao espectáculo e à cultura, incluindo música clássica e trabalho de palhaços. Uma oferta suplementar gratuita, numa altura em que o novo centro comercial de Loures parece conquistar alguma clientela ao Colombo. E a guerra entre centros comerciais está a alcançar um patamar mais melindroso, como escrevia ontem Abílio Ferreira no Expresso: dois centros comerciais do Porto (Norte-Shopping, da Sonae, e Parque Nacente, da Axa/BPN) envolveram-se em polémica após uma distribuição de folhetos a promover o segundo. Há ofertas interessantes, como espaços para carregar telemóveis ou baterias de automóvel, noites de animação e cartões de crédito com descontos.
Com muita frequência, passamos [ou passámos, no pretérito] por pérolas e não nos apercebemos da sua importância. Confesso que foi isso que fiz com o blogue umblogsobrekleist, do qual fui visita por algum tempo mas deixei de o frequentar até ter lido ontem, no caderno "Mil Folhas", do Público, a capa e o miolo, onde se falava de Alexandre Andrade.
Ora, quem é Alexandre Andrade? De 34 anos, é professor de física na Faculdade de Ciências de Lisboa e publicou Benoni (1997, disponível em maisxadrez.com), As não-metamorfoses (2004), Aqui vem o sol (2005) e Cinco contos sobre fracasso e sucesso (2005). É também o autor dos blogues umblogsobrekleist e A Mulher do Aviador. Retiro apenas a seguinte passagem da entrevista dada: "Recorro muito à trama policial porque é um género aceite pela maior parte das pessoas, reconhecido muito facilmente, com elementos sólidos que, mais ou menos transfigurados, aparecem em quase todas as narrativas desse género".
(textos de Kathleen Gomes e Isabel Coutinho no "Mil Folhas"; fotografia - amputada pelo scanner - de Nuno Ferreira Santos)
Foi sobre este tema que Catarina Nunes escreveu ontem no Expresso. Razão principal: o lançamento, na próxima quarta-feira de manhã e no hotel Altis (Lisboa), do livro de Al Ries e Laura Ries (filha daquele), The fall of advertising & the rise of PR.
Para Ries&Ries, a "ascensão das relações públicas é o resultado natural da queda da publicidade. As empresas precisam de encontrar formas de comunicar e, se a publicidade está a ter cada vez menos eficácia, a única hipótese é utilizar as RP".
Os autores apontam, por exemplo, a indústria do tabaco, de que a publicidade foi totalmente banida. O modo de a conhecer passa, assim, pelas relações públicas. E anotam ainda os êxitos recentes de marcas como Google, Harry Potter, eBay e Starbucks. Sobre a eBay, lê-se no cimo do texto: "Sem fazer publicidade, o eBay tornou-se um fenómeno publicitário com um conceito pioneiro: um «site» onde as pessoas podem comprar e vender tudo". Ou ainda quando as marcas são as primeiras a chegar como categoria, caso do "iPod da Apple, que foi o primeiro leitor de MP3 com disco rígido".
O blogueiro vai, dentro das suas disponibilidades de tempo, dar atenção próxima ao livro agora anunciado. Até porque ele quer pôr o Indústrias Culturais nessa onda de relações públicas.
sábado, 4 de fevereiro de 2006
Hoje, mostro as capas das agendas culturais de Oeiras (30 Dias) e Sintra (Sintra Cultural), aquela do actual mês a a segunda referente a Janeiro.
O tema de capa da publicação de Oeiras é a entrevista ao escritor Gonçalo M. Tavares (de 35 anos), que publicou o seu primeiro livro em 2001, seguindo-se mais 17 obras. Recebeu os prémios José Saramago/Círculo de Leitores 2005 e Ler/Millenium BCP com o romance Jerusalém, o prémio Branquinho da Fonseca da Fundação Calouste Gulbenkian e do jornal Expresso com O senhor Valéry e o prémio Revelação da Associação Portuguesa de Escritores com Investigações. Novalis. Tavares tem um mestrado em Ciências da Comunicação da Universidade Nova de Lisboa, com uma tese sobre pintura, e dá aulas na Faculdade de Motricidade Humana, onde fez a licenciatura.
As páginas centrais da agenda 30 Dias são uma "Montra de Carnaval", já a pensar na festa que se avizinha. Há um levantamento de lojas que vendem máscaras e que fazem pinturas faciais no concelho, muito bonitas por sinal [pode encontrar estas páginas e toda a colecção das agendas culturais de Oeiras aqui]. Claro que o Carnaval é uma festa da efemeridade mas é um dia de grandes emoções e alegrias.
Já a agenda Sintra cultural (15 mil exemplares) parece-me mais equilibrada esteticamente que a anterior agenda As cidades e a serra. Ao contrário da de Oeiras e de muitas outras agendas culturais, não tem qualquer destaque na capa exceptuando um aspecto de pintura de Ernesto Neves, entrevistado na mesma publicação. O pintor, satisfeito com o ambiente de Sintra, onde mora e comemora agora 45 anos de actividade, acha que "Sintra poderia ter uma política cultural ainda mais activa do que aquela que tem. Temos as galerias, é verdade, mas os órgãos de comunicação social não lhes dão o destaque merecido. Fazemos as coisas mas as televisões, os jornais e as rádios não aparecem nos eventos. Sintra devia ter, no mínimo, dois grandes salões onde estivessem representados pintores de todo o país".
(*) agendas fornecidas por Carlos Filipe Maia, a quem agradeço.
É isto que diz Umberto Eco, no seu texto publicado ontem na revista "6ª" do Diário de Notícias. De certo modo, veio desdramatizar o recurso cada vez mais frequente da internet nos trabalhos dos estudantes, daquilo a que chamamos correntemente de "corta e cola".
O professor italiano começa o seu texto por abordar a questão da Wikipedia, enciclopédia da internet escrita directamente pelo público. Tal acarreta duas situações: 1) quem escreve pode introduzir erros e os mecanismos de correcção nem sempre são empregues, por desconhecimento de rastreio, 2) a Wikipedia é um manancial para recolha de informação por estudantes menos escrupulosos que de lá retiram a informação mas não indicam a origem.
E, daí, Eco encaminha-se para analisar o modo como os estudantes a usam: "nós sabemos agora que os estudantes muitas vezes evitam consultar livros de estudo e obtêm as suas informações exclusivamente na rede". E continua: "os jovens limitam-se a copiar o que encontram na rede. Quando copiam de um sítio que não seja fidedigno nós partimos do princípio que o professor se irá aperceber que eles estão a dizer disparates. Mas é óbvio que quando se lida com assuntos altamente especializados é difícil determinar imediatamente se o estudante disse alguma coisa de falso".
Umberto Eco acha, para concluir o seu exercício de retórica, que se devem premiar aqueles alunos que copiam bem dos sítios da rede competentes. Aqui, eu paro para reflectir. Faço uma pergunta: como é que se pode premiar um aluno se o próprio professor não tem a garantia de: 1) conhecer o sítio de onde o aluno retirou a informação, 2) perceber como uma informação é trabalhada num sítio e replicada em outros sítios, perdendo a qualidade e permitindo a introdução de ruído ou lixo. Copiar na rede amplia, tão só, todo o processo de aprendizagem e transmissão de conhecimento. Até agora, era o pedagogo que passava a informação, apesar de nós não sabermos até que ponto ele distorcia o conhecimento. Agora, pela liberdade de opção e pela oferta quase infinita de informação, o problema é a abundância desta última. No meu entendimento, precisamos de ter filtros, ou entidades credíveis que nos indiquem o que é válido ou não.
Talvez seja aquilo a que Eco se propõe: lançar um trabalho do tipo "Pesquise Na Internet Uma Série De Artigos Não Fidedignos Sobre o Assunto X e Explique Porque É Que Não São Fidedignos". Complicado, não?
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006
Em directo, lê-se: "Escrever uma novela significa abandonar o mundo real. Amigos e família, adeus. Cinema: o que é isso? [...] No decorrer da trama, os protagonistas evoluem de filhos pródigos que alimentamos a intrusos que contagiam e contaminam as nossas vidas. Eles estão em todo o lado. [...] Até ao dia em que se acorda e se pensa: fui raptado".
Claro que este esforço percorre toda a cadeia de valor: os actores e actrizes precisam de ler os textos que interpretam, incluindo o de segunda-feira, entregue antes, o que também vai ocupar o domingo. E as luzes e a montagem e a pós-produção. A telenovela é um produto de fluxo, como disse Patriche Flichy, um programa que se emite todos os dias. Ao contrário da visão clássica do cinema, indústria de edição ou produção que se distende ao longo do tempo. Embora com prazos de distribuição e exibição, o filme pode atrasar ou recomeçar. À telenovela isso não se permite - não haverá um dia em que se anuncie: hoje, por falta de produção, não há novela. Como no noticiário, em que nunca se diz: "hoje, não temos notícias".
De Manuel Jorge Veloso (RDP - ANTENA 2), aos sábados e domingos, das 14:00 às 15:00 [Webcast: mms://rdp.oninet.pt/antena2].
Amanhã, dia 4: novos discos - Flow (Terence Blanchard), Oort-Entropy (Barry Guy New Orchestra), Day is Done (Brad Mehldau Trio), Tati (Enrico Rava Quinteto), Duologues (Jim Hall/Enrico Pieranunzi), Don’t Be Afraid (Lincoln Center Jazz Orchestra). Domingo, dia 5: concertos europeus – o quinteto nórdico dos saxofonistas Joel Pálsson (Islândia) e Fredrik Nordström (Suécia) num concerto realizado em 4 de Novembro de 2003, no Festival de Jazz de Reyjlavik (Islândia), em gravação cedida pela Eurorádio [informações enviadas pelo autor do programa, a quem agradeço].
O número do primeiro semestre de 2006 da agenda cultural de Idanha-a-Nova - Adufe - tem uma linha estética apreciável. Mas também um conteúdo igualmente interessante. O índice, para além do editorial, inclui a agenda e temas como vidas (os pastores de rebanhos), fauna, geologia, património, arte sacra, documentos, artesãos, gastronomia e hóteis, entre outros. As cinco primeiras imagens são retiradas dessa agenda, a começar pela capa.
O que marca a diferença quando contactamos a agenda Adufe é o design; basta comparar com as imagens oito e nove, a capa e duas páginas do interior do número anterior. Houve um salto qualitativo de destaque, passando de uma revista igual a muitas, artesanal e rotineira, a um projecto cultural.
Razão da mudança: a assinatura de Silva!designers (rua da Trindade, 5, 2º esq., 1200-467, Lisboa), responsável também pela Agenda Lx, de que inserimos aqui a capa da edição de Outubro passado. De Silva!designers conhece-se ainda o suplemento "Y" do jornal Público (o gabinete de design de Jorge Silva é/foi igualmente responsável pela revista Ler, para além da colaboração antiga no Independente e no suplemento "Mil Folhas" do Público).
E percebe-se o interesse posto neste número 8 da revista: os 800 anos de Idanha-a-Nova e a redescoberta da sua riqueza cultural e patrimonial, de que o Cristo no Calvário, de madeira de carvalho do século XIII, acima exposto, é um exemplo.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006
- A TRANSFORMAÇÃO DA LINGUAGEM CINEMATOGRÁFICA E AS TIC
Será o tema do seminário de investigação em Ciências da Comunicação da Universidade Católica, a decorrer de hoje a uma semana, dia 9 de Fevereiro, pelas 18:30 horas, na Biblioteca João Paulo II. O convidado, Jorge Mouzinho de Carvalho, mestre em Comunicação, falará do modo como as tecnologias da informação e da comunicação vieram questionar a identidade do cinema. Para o conferencista, "A imagem digital permite a criação de um novo universo onde o espaço e tempo são de uma outra essência", onde se defende o nascimento de uma nova linguagem cinematográfica.
A notícia é do dia 29 de Janeiro e publicada pelo Diário Digital, com base em texto da Lusa. Parece que a ideia do sucesso se relaciona, em proporção inversa, com a auto-estima de um povo. Se esta é baixa, os leitores procuram "reviver as glórias do passado" nos romances históricos, género literário que alia informação factual e mistério.
Miguel Real, autor de A voz da Terra, romance editado pela Quidnovi e cuja acção decorre em Lisboa na época do terramoto (1755), "referiu que a apetência pelo romance histórico não é exclusiva a Portugal, mas uma tendência europeia". Existe uma procura da nostalgia do passado grandioso, e que cobre Portugal e outros países da Europa. E qual é o perfil dos leitores? Classe média, "sobretudo pessoas que procuram algum conhecimento que o liceu ou a universidade não lhe proporcionaram ou então querem ter a sensação de recriar momentos históricos» do seu país. O romance histórico «dá o prazer de ler que não encontram no ensaio», acrescenta o mesmo autor, também professor de filosofia e a fazer um doutoramento em Estudos Portugueses.
Um grande e recente sucesso é O Códex 632, de José Rodrigues dos Santos, jornalista da RTP, lançado no final de Outubro de 2005, e que aborda o mistério da identidade e missão de Cristóvão Colombo na altura dos descobrimentos portugueses. A obra, já na 15ª edição (75 mil exemplares vendidos), deverá ser publicada no Brasil. O sucesso deste livro sucede a um outro do mesmo autor, publicado em Novembro de 2004, A Filha do Capitão, sobre a participação portuguesa na I Guerra Mundial, o qual atingiu a 10ª edição (50 mil exemplares). Já publicado na Itália, deverá também sê-lo em breve na Alemanha e no Brasil.
Artur Agostinho é, segundo se escrevia no Riso Mundial, de 16 de Junho de 1947, "um nome popular no meio radiofónico, como locutor da Emissora Nacional, onde arranjou milhares de amigos entre os ouvintes do Programa da Manhã - o do Optimismo e da Boa Disposição".
O realizador do programa da rádio, que era o produtor da maior parte dessas piadas, abria a primeira página da publicação, a qual pode ser consultada aqui, no arquivo da Hemeroteca Digital. Julgo que esta publicação nunca foi estudada. E ela merece-o, agora que não é preciso deslocar-se à Hemeroteca Municipal, à rua da Misericórdia, em Lisboa, edifício ainda por cima em obras de consolidação de paredes.
LANÇAMENTO DO LIVRO O VOO DA BORBOLETA, DE REGINALDO RODRIGUES DE ALMEIDA
O voo da borboleta: crónicas da sociedade da informação, livro de Reginaldo Rodrigues de Almeida, em edição da MediaXXI, vai ser lançado a 7 de Fevereiro, na loja FNAC do NorteShopping, pelas 21:30. O autor é secretário-geral da Universidade Autónoma de Lisboa, professor da mesma instituição e da Pontifícia Universidade de Salamanca, campus de Madrid, e membro da cátedra da UNESCO, através do Grupo de Comunicação da Comissão espanhola.
Mais uma exposição com a marca do Museu Nacional da Imprensa, agora no Centro Multiusos de Espinho, com abertura no dia 11 deste mês, pelas 16:00, e que se prolongará até 12 de Março.
Recordo que, na Biblioteca Nacional, ao Campo Grande, em Lisboa, está patente uma outra exposição de Júlio Verne em português. Lê-se no sítio da Biblioteca Nacional: "Influenciado pelos longínquos Jonathan Swift e suas Viagens de Gulliver e Daniel Defoe e seu Robinson Crusoé, como pelos contos macabros do norte-americano Edgar Allan Poe, já mais próximo, o francês Júlio Verne (1828-1905) ergueu em menos de uma década as suas mais famosas obras, entre Cinco Semanas em Balão (1863) e Vinte Mil Léguas Submarinas (1869), verdadeiro desafio ao imaginário. Com apoio do Instituto Franco-Português, trata-se de reunir em mostra a recepção portuguesa dessa obra, ilustrada por artistas que no nosso país interpretaram de forma representativa o engenho «futurista» do autor de Viagem ao Centro da Terra".
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006
A Ariadne Editora, de Coimbra, em parceria com a Galeria Santa Clara, o Projecto Videolab e a Associação de Antigos Alunos da EUAC, promove, a partir de hoje o ciclo de Palestras com sabor. As palestras decorrem na Galeria Santa Clara (Rua António Augusto Gonçalves, 67, Santa Clara - 3040 241, Coimbra).
Assim, todas as quartas-feiras de Fevereiro e Março, pelas 18:30, haverá uma palestra, a que se associará a passagem de filmes, venda de DVDs ou livros com sessão de autógrafos. Segundo um comunicado recebido, "Os temas a abordar são variados e resultam da proposta de uma personalidade de Coimbra que convidámos e «desafiámos» a propor um tema e uma pessoa a falar sobre ele". Os temas de Fevereiro estão ligados à experiência profissional dos convidados. Após a palestra segue-se um jantar, também aproveitado para continuar a conversa. Em complemento, realizar-se-á uma reportagem fotográfica das «palestras» e do jantar, a editar em livro no final do ciclo, de que constarão textos e resumos das palestras e, até, excertos gravados.
O programa de hoje conta com José Carlos Fernandes, convidado de João Miguel Lameiras. No dia 8, João Pedro Rodrigues é o convidado da Associação "Não Te Prives", ao passo que, no dia 15, António Pedro Vasconcelos é o convidado de António Ferreira. Para mais informações, clique aqui.
- CONFERÊNCIA A NOVA ENTIDADE REGULADORA
A conferência A Nova Entidade Reguladora no quadro das Políticas de Comunicação em Portugal terá lugar no Campus de Gualtar da Universidade do Minho, auditório BII do Complexo Pedagógico II, no dia 10 de Abril, pelas 9:30.
Segundo um comunicado da comissão organizadora, "A discussão é lançada numa altura de transição para as políticas de comunicação em Portugal. A entrada em funcionamento da nova Entidade Reguladora da Comunicação Social é apenas uma faceta, porventura a mais visível, de outras mudanças já definidas ou em processo de definição:
- no jornalismo – um novo estatuto que comporta uma maior responsabilização dos profissionais e mais fortes garantias para o exercício da actividade;
- no audiovisual – redefinição do serviço público, televisão digital terrestre, provedor do telespectador e do ouvinte;
- no mercado dos media – clarificação das condições e limites à concentração de empresas de media".
A conferência inaugural contará com o Ministro dos Assuntos Parlamentares, também com a tutela da comunicação social, Augusto Santos Silva. Seguem-se os painéis: Política e Regulação dos Media, a AACS e a ERC (manhã), Novos Desafios à Política e à Regulação dos Media e Regulação, Auto-Regulação e Empresas Mediáticas (tarde). No debate, irão participar, entre outras, as seguintes individualidades: Estrela Serrano, José Manuel Mendes, Alfredo Maia, Joaquim Fidalgo, Manuel Pinto, Moisés de Lemos Martins, Helena Sousa, Felisbela Lopes, Sara Pereira, Pedro Braumann, Elsa Costa e Silva e Manuela Espírito Santo.
O fórum, ainda segundo a comissão organizadora, "é uma iniciativa do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) da Universidade do Minho e inscreve-se no âmbito do projecto Mediascópio: Estudo da Reconfiguração do Campo da Comunicação e dos Media em Portugal, coordenado pelo Prof. Manuel Pinto".
terça-feira, 31 de janeiro de 2006
Eduardo Street, antigo colaborador da Antena 2 - mas que ainda conta, naquela estação de música clássica, histórias deliciosas sobre a rádio no passado -, prepara-se para fazer sair um livro intitulado Teatro invisível (história do teatro radiofónico), a editar pela Página 4. O lançamento está previsto para o próximo mês de Março.