quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

LOJAS, CENTROS COMERCIAIS E HIPERMERCADOS

Ao escrever recentemente sobre lojas e espaços comerciais, a partir de trabalhos de alunos meus (
IKEA, LIDL e FNAC), pretendi chamar a atenção para a importância do consumo, bem como para a formação de públicos consumidores - com a componente de inovação, fidelização e descoberta de novas tendências. Por detrás dessa minha posição, há uma vasta bibliografia que eu lera sobre o tema, e da qual escrevo irregularmente aqui, e de textos recentes de jornais que se referem ao fenómeno.

Assim, recupero dois destaques do jornal Público, saídos a 25 de Setembro de 2005 (20 anos do primeiro centro comercial moderno, o Amoreiras, Lisboa) e 11 de Dezembro de 2005 (20 anos de hipermercados, o Continente, Matosinhos). Do mesmo modo que já não imaginamos um mundo sem internet (e eu sem o blogue Indústrias Culturais, que parece que sempre existiu na minha vida), também não concebemos a vida sem centros comerciais e hipermercados. Contudo, eles existem há apenas vinte anos!







O que podemos salientar desses destaques de jornais? Fico-me pelos leads. Dos centros comerciais, Ricardo Dias Felner escreve: "A ideia de concentrar no mesmo espaço cinemas, restaurantes, bancos, e todo o tipo de lojas surgiu como um projecto megalómano há duas décadas, num antigo terreno da Carris, em Lisboa. Hoje, dezenas de centros comerciais depois, ninguém se impressiona com o quilómetro e meio de montras das Amoreiras. Para a história ficará contudo a inauguração do conceito de «cidade dentro da cidade» e de um dos momentos marcantes da arquitectura portuguesa pós-moderna".

Já dos hipermercados, e assinado por Carlos Romero, lia-se: "Vinte anos depois da chegada a Portugal do primeiro hipermercado, a paisagem comercial mudou. Milhões de pessoas passaram a comprar em grandes superfícies. Milhares de pequenas lojas fecharam".

Em cada um dos destaques, para além dos textos e das imagens dando conta dessas alterações no comportamento diário dos consumidores, havia quadros estatísticos explicativos. No caso dos centros comerciais, o Colombo (Lisboa) é o de maior área (119739 metros quadrados) e o de maior número de visitantes anuais (quase 30 milhões em 2003), seguindo-se Almada Fórum em superfície (74500 metros quadrados) e Norte Shopping (Matosinhos) em visitantes (21 milhões em 2003). Dos hipermercados, o Continente é o maior em volume de vendas (mais de €2 mil milhões em 2003), seguindo-se o Intermarché/Ecomarché (mais de €1,1 mil milhões) e o Jumbo/Pão de Açúcar (cerca de €1 mil milhões).

No texto mais recente que seleccionei, de Paula Brito e editado no Diário de Notícias de 11 de Janeiro de 2006, o assunto é o da validade ou não da marca entrar no hipermercado. Sabendo-se que, nos supermercados, é crescente o uso de marcas brancas para oferecer preços mais baixos, responsáveis de marcas fazem uma constante avaliação estratégica sobre se devem ou não colocar as suas marcas naqueles pontos de distribuição. Claro que se o não fizerem, têm de escoar os seus produtos em outros locais. O que significa outros espaços comerciais e urbanos. Preços, rotação de produtos, posições na prateleira (ao nível do olhar, com promoção) e grupo sociodemográfico a que se dirige são alguns dos elementos a ter em conta.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

RÁDIO PARA MAIORES DE 35 ANOS

É a inglesa
VIP Radio. Retiro do blogue Media Network Weblog a informação que o formato da VIP Radio é a Motown, Soul do nordeste, Disco e Soul de Philadelphia, tocado por músicos lendários como Aretha Franklin, Lenny Kravitz, Al Green, Michael McDonald, Sly and the Family Stone, Robert Palmer, Prince, James Brown e Marvin Gaye. Ou ainda Curtis Mayfield, Johnny Taylor, Otis Redding, Jerry Butler, Funkadelic, Arthur Adams, The Tams, Fifth Dimension, Ann Peebles, Bobby Womack e as Pointer Sisters. Boa audição da VIP Radio, a qual arrancou hoje em teste.

OUTRA APRESENTAÇÃO DE LIVRO

  • Jornalismo, grupos económicos e democracia, de Fernando Correia (amanhã, dia 15 de Fevereiro, às 18:30, sala Veneza, Hotel Roma, Lisboa).
LANÇADO LIVRO DE EDUARDO CINTRA TORRES

Foi ao fim da tarde, na livraria Bulhosa, ao Campo Grande.

O professor Manuel Vilaverde Cabral - orientador da tese de Cintra Torres, agora em livro - fez a análise da obra. O blogueiro já chegou tarde e não ouviu tudo o que foi dito (nem fez as melhores fotografias). Mas ainda anotei a sua referência ao poder da televisão em criar, para além das diferenciações, sentimentos de comunidade - ou mesmo comunhão social - dos espectadores da televisão. E a alusão a tragédias reproduzidas pela televisão, como a nacional (queda da ponte de Entre-os-Rios, 2001) ou internacional (torres gémeas de Nova Iorque, também em 2001). Bem como o elogio do uso das metodologias empregues no texto agora publicado.





O blogueiro vai procurar dedicar algum tempo à sua leitura, embora outros textos reclamem igual desiderato. Vamos a ver se chego para as encomendas.
JORNAL ABERTO

O
Jornal Aberto propõe-se desenvolver jornalismo cívico na e pela internet e "revelar, através de crónicas, reportagens, notícias e comentários, enviados pelos cidadãos e instituições, o quotidiano social, político, económico, cultural e recreativo de cerca de meio milhão de pessoas, residentes nos concelhos de Amarante, Baião, Castelo de Paiva, Felgueiras, Lousada, Marco de Canaveses, Paços de Ferreira, Paredes e Penafiel; seis concelhos das sub-região do Vale do Sousa e três da sub-região do Baixo Tâmega".

O lema é J@ Jornal Aberto - Jornalismo Cívico - O público não é apenas um consumidor, mas um actor da vida democrática. Design de Melo e Couto. A ver e apreciar.


DIA DOS NAMORADOS

UMA MEMÓRIA JORNALÍSTICA: A REDACÇÃO DAS NOVIDADES (2ª SÉRIE: 1923-1974)

O diário em 1933, com Tomás de Gamboa como redactor principal e editor, de tendência católica, tinha seis páginas e custava 30 centavos (três vezes mais que o número inicial, de 1885). Como na primeira série, também em 1933 o artigo de fundo era fundamental, na primeira página.

Nesse mês de Julho de 1933, os artigos de fundo discutiam o regresso da mulher ao lar e das famílias ao mundo rural - num reequilíbrio social e cultural - e os horários de trabalho. Um leitor questionara o jornal, perguntando em que condições o trabalho se podia alargar para cima das oito horas diárias, como na agricultura (onde há períodos mais intensos de trabalho).

O articulista, assinando-se Vindex, esclarece a 10 de Julho de 1933: "A concordância ou discordância dos leitores, se a justificam razões de bom senso, pode ser, para tal efeito, elemento de valor. Importa esclarecer que um editorial não pode ser um tratado completo de qualquer problema. Dentro do espaço de que jornalisticamente pode dispor, versa, por via de regra, um simples aspecto de qualquer questão, sem que isso queira significar que os outros foram esquecidos. Outras vezes, ainda, o problema é apenas enunciado em síntese, a fim de chamar para ele a atenção dos leitores e provocar a reflexão ou estudo dos componentes".

Dois dias depois, o mesmo articulista, com o título O horário de trabalho e a doutrina da Igreja esclarecia: "Para elucidarmos, como prometemos, um dos nossos assinantes, transcreveremos - e nunca serão assaz conhecidos - os ensinamentos de Leão XIII na Rerum Novarum. [...] Quando pois o nosso assinante nos pergunta onde está a doutrina da Igreja que admite a lei das 8 horas [de trabalho diário], respondemos apontando o texto de Leão XIII".
LOJAS E CENTROS COMERCIAIS (III): UM ESTUDO SOBRE A FNAC

As alunas Cristina Espada, Sara Rocha e Tatiana Branco escreveram sobre as lojas FNAC, que, neste momento, já se espalham pelo Colombo (Fevereiro de 1998), Norte Shopping (Novembro de 1998), Armazéns do Chiado (Novembro de 1999), Cascais Shopping e Fórum Almada (Outubro de 2002), Gaia Shopping (Novembro de 2003) e Algarve Shopping (Verão de 2005). Como objectivo do estudo tinham a tentativa de identificar os públicos das lojas e quais os elementos dos espaços que atraem o consumidor, distinguindo consumos masculinos e femininos.



Realizaram um inquérito a cem pessoas nas lojas FNAC da área da capital (52% de homens e 48% de mulheres, com 49% residentes nas áreas da Grande Lisboa, 42% nos arredores e 9% fora da área de Lisboa). A maioria dos inquiridos tinham entre 19 e 35 anos (36% na faixa etária 19-25 anos e 27% entre 26 e 35 anos) e possuia habilitações literárias iguais a licenciatura ou frequência de ensino superior (51%), seguindo-se 26% com o curso do secundário. Em termos de ocupação profissional, os maiores grupos eram estudantes (32%) e trabalhadores por conta de outrém (20%).

São os homens que mais visitam as lojas da FNAC (65% afirmam ir entre uma vez por semana e mais do que uma vez por mês), frequência que baixa entre as mulheres (57%). Os homens fazem compras mais concentradas em dados produtos (41% em CDs, 37% em livros, 11% em DVDs, 7% em videojogos e 4% em bilhetes de espectáculos), ao passo que as mulheres alargam aquele consumo para informática e fotografia. Isso reflecte a permanência mais frequente em dados espaços da loja: os homens gastam 34% do tempo na secção dos livros, 33% na dos CDs e 20% na dos DVDs, enquanto as mulheres dispendem 53% na secção dos livros, 34% na dos CDs, 5% na informática, repartindo 2% cada nas outras secções: videojogos, fotografia, imagem e som. Já os valores que atraem homens e mulheres às lojas FNAC são similares, em que os preços baixos e o bom atendimento são os factores principais.

Cristina Espada, Sara Rocha e Tatiana Branco concluem que a loja da Grande Lisboa mais frequentada por ambos os sexos é a do centro comercial Colombo, exactamente a primeira loja a ser instalada no país [a que também não deve ser estranha a existência de ser nó de transportes públicos e ficar perto do estádio do Benfica]. Com excepção da loja do Chiado, as facilidades de transporte e de estacionamento permitem boas condições de acesso. Contudo, quando inquiridos sobre a disponibilidade de assistir a espectáculos, lançamento de livros e outras actividades promovidas nos auditórios das lojas, 72% responderam negativamente.

Quanto a dinheiro gasto nas deslocações à FNAC, as alunas concluiram que as mulheres fazem compras em média entre 10 e 20 euros, ao passo que 50% dos homens afirmam gastar entre 20 e 50 euros, valores mais elevados, portanto. A deslocação à FNAC é mais solitária entre os homens (45%) que entre as mulheres (26%); estas optam por idas com colegas e amigos (36%), embora os homens também tenham uma boa perfomance nas idas em grupo (37%). Já a média de tempo passado no interior da FNAC ronda os 30 minutos, embora 26% afirmem permanecer uma hora.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

  • APLICAÇÃO MULTIMEDIA PARA JORNALISTAS EM EXPERIÊNCIA PILOTO

    Segundo a
    PR Newswire Europe, a agência noticiosa holandesa ANP e a empresa de tecnologia TNO vão desenvolver um projecto piloto de três meses para quinze repórteres da ANP, com uma aplicação multimedia a partir do telefone celular. Este telefone inteligente cria itens noticiosos consistindo em texto, imagem, áudio e vídeo. Quando o material da história fica pronto, o jornalista pressiona um botão e a notícia aparece na redacção pronta a editar e publicar. Para a concretização do trabalho torna-se também necessária uma interface geográfica.
  • CARLOS CAPUCHO NO CICLO DE SEMINÁRIOS DE INVESTIGAÇÃO EM CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO

    O 3º seminário do actual Ciclo de Seminários de Investigação em Ciências da Comunicação da Universidade Católica (Lisboa) conta com a presença de Carlos Capucho (16 de Fevereiro, pelas 18:30, na sala 121 do edifício da Faculdade de Ciências Humanas).

    O professor Carlos Capucho falará sobre o tema Magia, Luzes e Sombras: Uma Perspectiva Educacional dos Filmes no Circuito Comercial (1974-1999), e resume a sua tese de doutoramento, aqui já referida.
AGENDAS E REVISTAS DE CULTURA DE LISBOA

O editor da Agenda Lx, João Macdonald, escreve no número de Fevereiro sobre a "renovada AGENDA LX". Enfatiza, nas secções de Monumentos e Arquivos e Bibliotecas, os "locais vivos de fés religiosas que compõem núcleos sociais da igreja". E destaca os documentos quase adormecidos que se encontram nesses locais de culto, à espera de reconhecimento.

Das 146 páginas da agenda, elejo as últimas. Aí se fala do bazar da Graça, isto é, das pequenas lojas que existem naquele popular bairro de Lisboa. Como contraponto às frias lojas dos centros comerciais, os responsáveis da agenda elencam, entre outras, lojas como a "Morgadinha da Graça" (antiga casa de chás e cafés que virou mercearia) e a "Penalva da Graça" (típico restaurante e cervejaria de balcão corrido e montra com peixe fresco e marisco), sem esquecer o "ACF cabeleireiros" (de Fernanda Carvalho). E, quanto a temas de capa, a agenda salienta a exposição de Frida Kahlo (que eu vi em Santiago de Compostela, mas fica aquém da magnânime exposição de Londres do ano passado) e os dez anos de teatro no Chapitô.

A cultura merece um destaque crescente por parte das autarquias. Contudo, e devido a um período de menos folga económica, as actividades culturais sofrem um corte orçamental. Como se escrevia na revista "Actual" (Expresso) de 4 de Fevereiro, o orçamento da câmara de Lisboa atribuiu €21 milhões ao pelouro da Cultura, além de €10 milhões provenientes da EGEAC (Empresa de Gestão de Equipamentos e Actividades Culturais), totalizando menos €5 milhões que em 2005. Apesar desse constrangimento, o vereador da Cultura, Amaral Lopes, procura tornar possível um programa cultural a longo prazo, tendo o objectivo de criar hábitos de fruição artística e alargamento de públicos com destaque para o infantil e juvenil. Eu pensava que isto já estava a ser feito há muitos anos.

Neon

Entretanto, começou a ser editada em Lisboa a Neon, revista gratuita de cultura e entretenimento, lê-se na newsletter Meios e Publicidade. Propriedade da editora Casa do Sul (de Tiago Farinha e Pedro Alvito), a publicação apresenta um formato de bolso (A6) e aposta em "informação simples, independente e diversificada" em áreas temáticas como cinema, teatro, exposições, espectáculos e vida nocturna lisboeta. Tem uma estrutura editorial de 36 páginas e a tiragem inicial é de 10 mil exemplares, distribuída com periodicidade quinzenal e em alguns dos principais pólos de cultura e entretenimento da cidade.

O público-alvo da neon é constituído por "jovens cosmopolitas, com poder de compra, que procuram acompanhar as tendências do momento, quer em termos sociais, quer em termos de consumo", continua a ler-se na newsletter.
  • UMA MEMÓRIA JORNALÍSTICA: A REDACÇÃO DAS NOVIDADES (1ª SÉRIE: 1885-1913)

    Às cinco horas da tarde, no momento crítico do fabrico da gazeta, é quando mais afluem os flaneurs; quando aparecem os boletins das Câmaras, as informações dos ministérios, as participações da polícia, as catástrofes do hospital, os telegramas da última hora, o relatório dos tribunais. É quando o chefe da oficina declara que não pode receber mais original; quando se torna necessário proceder à selecção das provas do que deve ficar para o número imediato, porque as quatro ou seis páginas estão cheias.



    O jornal está pronto, falta o artigo de fundo. Então Navarro, que caturrou, discutiu, jogou o xadrez, falou de assuntos militares e contou anedotas; num desses repentes, que só o talento desperta, no meio de um barulho ensurdecedor, ouvindo em torno de si as opiniões mais controversas para salvar ou derrubar a situação, ao som dos debates sobre a mudança de uma torre, retorquindo às interrogações mais complexas, opinando sobre o ensejo de um lance, soltando uma frase zombeteira ou atilada, inicia um ataque impetuoso ou esboça a primeira parte de uma defesa, num desses artigos admiráveis que desnorteia o antagonista e surpreende os adversários. Vai de um jacto, sem hesitações, rápido, quase sem entrelinhas. A pena desliza, a vozearia continua, o xeque-mate de um parceiro que joga perto é irremediável, o artigo está a meio, o xadrezista está perdido, vaias e chascos dos que ganham; então Navarro levanta-se, encara o tabuleiro, aconselha um movimento, outro e outro, as condições mudam, o vencido de há pouco transforma-se em vencedor, uma gargalhada, explica o motivo da indicação, uma ironia mais, torna a assentar-se, retoma a pena, os quartos enchem-se, e, em dez minutos, conclui uma dessas objurgatórias que hão de ficar sempre como um modelo de polémica, cheias de fogo, retumbantes, cinzeladas, vazadas em moldes literários, a revelar as faculdades tipicamente excepcionais do seu autor.

Nota: as gravuras representam três dos elementos principais do jornal: 1) Emídio Navarro, fundador e director das Novidades, 2) Eduardo de Noronha, secretário do jornal, 3) Barbosa Colen, director do jornal num período de ausência de Navarro.

Livro consultado: Eduardo de Noronha (1913). Vinte e cinco anos nos bastidores da política. Porto: Companhia Portuguesa Editora, pp. 293-294.

domingo, 12 de fevereiro de 2006

CRISE DO CINEMA

Ontem o Público e hoje o El Pais dão conta da crise de espectadores no cinema. Em Portugal, segundo dados do ICAM, o número de espectadores nas salas de cinema foi, em 2005, de 15,7 milhões, inferior ao número de 2004: 16,9 milhões - menos 7,5% dos espectadores (embora a assistência nos filmes portugueses tenha aumentado cerca de 40%, devido a sucessos como O crime do padre Amaro, com 317 mil espectadores). Em Espanha, apesar de ser um outro mundo (126 milhões de espectadores), tal número recuou 12% menos que em 2004. E o mesmo aconteceu nos Estados Unidos, que também teve, segundo o El Pais, um retrocesso, apesar dos 1,4 mil milhões de entradas nas salas de cinema.



Contudo, nos Estados Unidos, há uma tendência a acentuar-se: os DVDs crescem e o cinema transforma-se em prazer de consumo doméstico. Isto porque já há mais DVDs a vender que o número de entradas nas salas. No ano passado, os americanos compraram 1,6 mil milhões de DVDs.


A riqueza gerada pelos filmes dos grandes estúdios americanos distribui-se do seguinte modo: 16% são ingressos nas salas a nível mundial, 47% DVDs e cassetes vídeo, 27% direitos televisivos. Os videojogos também representam um peso crescente na fileira do cinema: videojogos a partir dos filmes Homem Aranha I e II tinham facturado, até Novembro último e nos Estados Unidos, cerca de €225 milhões. Sem esquecer os jogos vídeo de filmes como Harry Potter, O senhor dos anéis, Matrix ou A guerra das estrelas.



Já o jornal britânico The Observer prefere tocar na tónica das futuras estrelas inglesas, incluindo produtores e directores de casting.
Fico com a biografia de uma directora de casting, Jina Jay (que trabalhou em filmes como Orgulho e preconceito, de Joe Wright, e Munique, de Steven Spielberg).

Para Jina Jay, de 40 anos, o director de casting trabalha em colaboração com o realizador no sentido de escolher o melhor elenco a partir das variáveis tema e orçamento do filme. Para ela, a energia (do rosto, da forma de estar no plateau) é fundamental. Ela recorda como há meses atrás, na preparação do filme de Spielberg, Munique, os dois viram cinema francês à procura de pistas para o novo filme. E afirma que o director de casting está envolvido desde o começo do filme, sendo uma das primeiras pessoas a ler o argumento. No caso do projecto de Munique, ela escolheu um elenco de 160 actores de mais de 30 nacionalidades. Por vezes, e por acreditar nas capacidades dos actores, ela luta para que fiquem no filme a rodar.

Nota: ontem à noite, quando fui ver o filme de Luchino Visconti, O leopardo (com Burt Lencaster, Alain Delon, Claudia Cardinale), fiquei contente. A sala do Nimas estava cheia; e julgo que a sessão do fim da tarde também deve ter lotado, dado o número de espectadores que saiu.
SER DINAMARQUÊS

A propósito dos cartunes que representam o profeta Maomé, os media escritos e a internet têm tido um papel importante na reflexão dessa representação (o papel da televisão é, no meu entendimento, catastrófico, pois acirra ânimos, mostrando imagens de uma violência indescritível).

Ontem, Nicolau Santos, ao escrever sobre o assunto no Expresso, dizia: "sim, eu sou dinamarquês", manifestando-se solidário com a liberdade de expressão e chamando a atenção para a desproporção de meios (uns cartunes, certamente com objectivos de desestabilização, mas de pouco relevo como incendiar embaixadas e propor o assassinato de naturais da Dinamarca e da Noruega, ou despedir directores de jornais em Paris e Amã).

Hoje, Mário Mesquita, na sua coluna do Público associa-se ao conjunto de jornalistas em desagravo com a situação. Embora de modo mais subtil, como escreve: "Lamento se não termino este artigo de forma reconfortante ou com hosanas à liberdade, mas a patrulha neo-liberal encarrega-se disso, com brio e jactância («somos todos dinamarqueses»)".

Cartunes que retirei da edição em papel do El Pais de hoje





Primeira imagem: de Peter Brooks, editada no The Times (Reino Unido). O desenhador diz: "Não, não, não! Eu disse que estava a satirizar sobre o lucro" [trata-se de um jogo de palavras entre profit/lucro e prophet/profeta].

Segunda imagem: de Stephff, editado no Kwait Times (Kuwait) e no Yordan Times (Jordânia). Diz o diabo: "Claro, o vosso «direito à blasfémia» é inegável".

Terceira imagem: de Hajjaj/Abu Mahjoob Creative. A imagem da Dinamarca antes e depois dos cartunes, tal como ela é vista pelo mundo árabe e islâmico.
FUTEBOL

elpais1222006a.jpg

Diego Armando Maradona, com 50 quilos a menos e recuperado das questões da droga que lhe iam custado a vida, renasce das cinzas num país que nunca deixou de adorá-lo. Eis um lead que gostei muito de ler na revista dominical do El Pais de hoje (texto de John Carlin). A propósito do seu programa na televisão argentina La noche del Diez.


Na memória, ficam as fabulosas exibições do futebolista, mais as suas histórias - que servem de desconto para os seus erros.
ENTREVISTA A FELISBELA LOPES (UNIVERSIDADE DO MINHO)

Disponível em Ponto de análises - entrevistas, feita pelo jornalista Sergio Denicoli (8 de Fevereiro último).
[postal nº 1600]

REVISTA "6ª" (DIÁRIO DE NOTÍCIAS)

Desde o seu aparecimento, a revista publicada pelo Diário de Notícias à sexta-feira já surgiu cinco vezes. Parece-me poder ser feito já um balanço em termos de temas e jornalistas mais envolvidos na revista, as tendências e o que falta segundo a minha perspectiva de leitor.

O editorial do primeiro número coube ao director António José Teixeira, assumindo esta escrita o editor Nuno Galopim nos números subsequentes. Do editorial inicial, retiro o seguinte: "6ª é a nova revista que vos convidamos a ler. 6ª porque se publica à sexta-feira, 6ª porque não? 6ª porque sim. Não foi por ser nome de dia dedicado pelos pagãos à deusa Vénus, deusa da beleza, nome de astro reluzente, inspiração para tantos artistas em diferentes épocas. Não foi, mas poderia ter sido. 6ª é um espaço para falar de cultura e fazer cultura, para falar de livros, de música, de cinema, de muitas artes e ofícios de que se constrói a nossa identidade e que dão contorno à riqueza da nação portuguesa no lego global. 6ª para olhar, ler, aprender, recrear".

Uma outra leitura de apresentação programática pode ser feita do texto de Paulo Cunha e Silva (coluna "Cultura em plano inclinado", saída no nº 4, mas sem continuação no seguinte). Com o título "Programa", Paulo Cunha e Silva indica que "Uma revista que nasce e que se pretende afirmar como nova e diferente no panorama editorial português é ainda uma entidade à procura de um corpo e um espírito sem lugar. Escrever num objecto ainda não consolidado exige responsabilidades acrescidas. O sucesso do objecto passa por todos os contributos que estão a acontecer e não pelo lastro, pela genealogia, que neste caso é inexistente. Não se pode invocar a história do jornal. Escrever na é dessa forma «escrever na água». Escrever num território fluído que procura consolidação. Mas escrever num território com estas características é também assumir o ar do tempo. Ou seja, ter uma escrita e uma temática que se organizem a partir da ideia de procura. Da estratégia da sonda".

Cada revista tem 48 páginas, o que já totaliza 240 editadas. Das rubricas existentes, há quatro que preenchem 75,9% da revista, a saber: 20,4% no tema de abertura (dossiê temático), iguais 20,4% nas letras (literatura), 18,8% nos sons (música, nomeadamente pop, fado e clássica), e 16,3% nas imagens (cinema e DVD) [estes valores relativos e os seguintes são aproximados, pois o leitor-blogueiro pode não ter contabilizado uma ou outra coluna]. Por número, as secções de sons e imagem ocuparam mais espaço no primeiro (22,9% cada) e no segundo (25% cada), o tema de abertura o terceiro (47,9%, com 23 páginas dedicadas a Mozart), imagens no quarto (22,9%) e letras no quinto (25%).

Dos grandes destaques das capas, três são dedicados ao cinema (Máquina Zero, de Sam Mendes; Match Point, de Woody Allen; e O segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee) e duas à música (Mozart; e Depeche Mode). Apesar do número destacado de páginas sobre literatura, esta ainda se não reflectiu nas capas da revista. Para além dos filmes acima enunciados, o quarto número dedicou espaço a outra estreia, o filme Munique, de Steven Spielberg.

Quanto a jornalistas mais associados ao projecto, Nuno Galopim tem 27,2% do total das páginas escritas, seguindo-se João Lopes com 22,8%, Bernardo Mariano com 10,5% (ele escreveu oito páginas no terceiro número, cujo tema de capa foi Mozart), Pedro Mexia com 9,6% e Ana Marques Gastão e Isabel Lucas, cada uma com 7,0% de páginas escritas.

Uma área de grande notoriedade da revista é a dada ao negócio dos filmes em DVD, ocupando em média três páginas por número, elucidativo do crescimento do mecado e da oferta quase imediata dos filmes após a sua estreia nas salas de cinema.

Voltando ainda às capas, ponto nobre da publicação - e a cuja dedicação Henrique Cayatte deve dar muito tempo -, elas têm enfatizado a ilustração excepto o número quatro (banda Depeche Mode).

Do que ainda não vi e gostaria de ver e ler: 1) não há dados sobre videojogos, uma indústria cultural cada vez mais importante, associada a outros produtos como os filmes, 2) uma análise a capas de revistas internacionais (que falta desde o desaparecimento do "DNa", revista cujo espaço foi ocupado pela "6ª"), 3) dados estatísticos do mercado (ainda ontem o Público fez referência à perda do mercado de cinema em termos de espectadores durante 2005, e que o Expresso no caderno "Actual" faz frequentemente), 4) ausência total ou escassez de referências às indústrias criativas (caso do teatro, e que, uma vez mais, o Expresso dedica atenção).

Uma última nota: um jornal, pelo seu lado efémero, reflecte o agendamento dos acontecimentos. A "6ª" tem este lado do efémero bem definido: os temas são os do momento, da estreia de um filme à vinda de uma banda a Portugal. O agendamento, fundamental no jornal generalista, para mostrar a actualidade, pode ser atenuado numa publicação especialista. Aqui, e por comparação com a publicação anterior ("DNa"), a ausência de entrevista a uma personalidade marcante na cultura portuguesa, independemente de produção recente, é uma marca de distinção não presente na actual revista.

sábado, 11 de fevereiro de 2006

  • PARA OUVIR O ENCONTRO DE BLOGUES COM O TÍTULO "PERCURSOS E PERSPECTIVAS"

    Para ouvir o encontro de blogues Percursos e perpectivas, realizado em 10 de Novembro de 2005 (ver postal
    aqui), em que intervieram António Granado, Joana Amaral Dias, Rogério Santos, Catarina Rodrigues e José Carlos Abrantes, que moderou, carregar aqui (disponível a partir de /var/log, de Pedro Custódio) [agradecimento a José Carlos Abrantes].
COMPRA E VENDA DE CASAS

Confesso que nunca vira publicidade nos mupis a empresas de compra e venda de casas. Agora, são anúncios da Century 21 e da Remax, esta associada ao Totta. Quem não se lembra do slogan: Queres dinheiro? Vai ao Totta.

Dizem-nos que este período, pela crise económica, é um bom tempo para comprar casas. Daí, suponho, a insistência das campanhas agora no ar para comprar e vendê-las.

AINDA O DIÁRIO DE NOTÍCIAS

Henrique Monteiro, o novo director do Expresso, em entrevista dada esta semana, falava da concorrência dos diários de fim-de-semana ao seu jornal. Os suplementos, dizia, aproximavam-se do teor dos suplementos do Expresso.


Acontece, por exemplo, com o Diário de Notícias, com a "6ª" à sexta-feira e com o "NS - Notícias Sábado" ao sábado, esta mais leve do que aquela. A revista de hoje fala de Rui Reininho (e das suas namoradas maoístas), de tuning (que carros!) e do treino para a guerra no Kosovo, sem esquecer Sílvia Alberto, a nova namoradinha de Portugal, a emparceirar com Catarina Furtado no novo programa de entretenimento da RTP1, aos sábados à noite, Dança comigo.
dn112206a.jpgdn112206b.jpg

Até nos faz esquecer o engano da notícia da última página, com um título ameaçador ("Egipto pressionado por raptores") a propósito da notificação de Valentim Loureiro no processo "Apito Dourado" (corrupção no futebol).
dn1022006a.jpgA CAPA CINEMATOGRÁFICA DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS DE ONTEM

Um dos destaques da edição de ontem do Diário de Notícias remete para o filme O segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee, entrevistado na revista "6ª". Por um lado, uma capa cinematográfica, por outro lado, uma promoção da revista das sextas-feiras.
osmeuslivros22006.jpg

OS MEUS LIVROS

Da edição de Fevereiro de Os Meus Livros (director: João Morales), escolho dois temas: 1) entrevista de Rui Tavares, 2) escritores e manicómios.

De Rui Tavares fala-se, obviamente, do seu O pequeno livro do grande terramoto, dado a conhecer no momento da passagem de um aniversário do terramoto que devastou esta nossa cidade de Lisboa em 1755. Rui Tavares, com uma aventura conhecida na blogosfera e antigo professor de História da Fotografia, olha o acontecimento como "História alternativa [enquanto] maneira de apanhar o fio à meada da história real porque, como houve uma catástrofe, existe uma rotura na textura da cidade, nos arruamentos, no urbanismo, etc. Depois, essa história alternativa que surge no segundo capítulo é também uma forma de ir depositando o leitor na Lisboa anterior a 1755 porque essa história só é alternativa a partir do terramoto".

O segundo tema, mais delicado, parte da morte de António Gancho (1940-2006), a qual funciona como pretexto para se saber de como alguns escritores passaram parte da sua existência. Retiro o seguinte do texto assinado por João Morales: "Senhor de uma poesia clara, lúcida e com herança no surrealismo (ou, pelo menos, numa certa ginástica da linguagem que este movimento tão bem soube explorar) deixa-nos dois livros publicados, ambos na Assírio & Alvim: As dioptrias de Elisa (1995), uma divertida novela erótica, e O ar da manhã (1996), onde se agrupam quatro livros escritos entre 1967 e 1985. Este último deverá, brevemente, ser alvo de reedição". É de O ar da manhã que se recolhe o poema Ilustrazione:

  • Faço um poema e nasce uma cidade
    invento o conteúdo geográfico das coisas.
    Escrevo um nome e nasce Dublin
    porque Dublin escrevi.
    Se onde ponho um traço nasce uma via de ferro
    então é um comboio em direcção a Roma.
    Faço uma cidade e vejo-me um néon
    ponho um anúncio e nasce uma cigarretta.
LOJAS E CENTROS COMERCIAIS (II): UM ESTUDO SOBRE O LIDL

Os alunos Cátia Simões, Mafalda Barros e Lorenzo Herrero realizaram um inquérito a 100 pessoas em dois fins-de-semana (Novembro de 2005) junto de supermercados LIDL (Lisboa), tendo em perspectiva conhecer os motivos e hábitos de consumo dos clientes da cadeia de supermercados, bem como o seu nível de satisfação. O inquérito foi dividido em três partes distintas: 1) análise demográfica dos inquiridos, 2) análise dos hábitos de consumo, e 3) nível de satisfação.

lidl1.jpgO grupo de investigadores optou por escolher um número igual de homens e mulheres, a maioria dos quais tinha uma idade compreendida entre 20 e 35 anos (51%), seguindo-se 29% entre os 36 e 50 anos e 20% acima dos 50 anos. 34% dos inquiridos viviam em Lisboa, 29% nos arredores da cidade (até Cascais e Loures), 26% na Lisboa norte e 11% na Lisboa sul. Em termos de rendimento médio do agregado familiar, pergunta nem sempre respondida, 24% informou ter uma verba compreendida entre 500 e 800 euros, 22% mais de 800 euros e 17% entre 350 e 500 euros. Este valor associa-se com a dimensão do agregado familiar (46% tem uma família de 3 a 4 pessoas, 44% vive sozinho e 10% tem um agregado superior a 4 pessoas).

Confrontados com a questão do valor dispendido nas compras, 26% gasta até 20 euros, 28% entre 20 e 30 euros, 27% entre 30 e 50 euros e 19% acima dos 50 euros.

Dos 100 inquiridos, 30% vai ao LIDL uma vez por semana, 42% uma vez por mês e 20% duas vezes por mês. Os LIDL preferidos dos clientes são Xabregas (26%) e Benfica (25%). Quanto ao de Xabregas, a proveniência geográfica é muito distinta, o que significa o fácil acesso (e estacionamento). Por outro lado, as pessoas que vivem na zona de Benfica preferem o supermercado da sua zona, havendo uma ligação da geografia ao ponto de consumo.

lidl2.jpglidl3.jpg

37% dos respondentes já consome do LIDL há mais de um ano, o que significa fidelidade à marca. Segundo os clientes do LIDL, há outros supermercados nas zonas onde habitam, como Pingo Doce, DIA e Minipreço, o que quer dizer que há uma grande concorrência entre estes canais de distribuição. O LIDL surge como aquele que oferece produtos mais baratos (38% prefere-o pelas promoções e 23% pela diversidade de produtos existentes). Apesar do LIDL ser um supermercado de hard discount, os consumidores estão bastante satisfeitos com a qualidade dos produtos do supermercado [convém destacar que o inquérito foi feito apenas a clientes do LIDL, que lá vão por vontade própria, o que pode distorcer as respostas]. Assim, 50% consideram que a qualidade é boa. Das críticas, 32% dos clientes acham que a apresentação e a decoração deveriam melhorar, 15% preferia ver mais empregados e 11% entende que deveriam ser grátis os sacos para colocar as compras. Ainda 42% gostaria que o supermercado tivesse talho e mais lojas da marca espalhadas pela cidade.

Das conclusões, Cátia Simões, Mafalda Barros e Lorenzo Herrero retiram ainda o seguinte: o facto de o LIDL apresentar marcas brancas e uma decoração pouco cuidada permite a existência de preços baixos, vantajosos para os clientes. Estes vêm a cadeia alemã de lojas como forma de minorar as dificuldades económicas (18% dos inquiridos pelo grupo eram desempregados ou reformados).

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006

RUA DE BAIXO - NEWSLETTER DE FEVEREIRO



A capa é com José Luís Peixoto, escritor de "culto" da nova geração. Lê-se na
Rua de Baixo: "Para além dos livros, José Luís Peixoto tem participado em inúmeros projectos, tanto na música como no teatro. No Teatro S.Luís em Lisboa esteve em cena no passado mês À Manhã, um projecto que serviu de mote para uma conversa com a Rua de Baixo e onde ficámos a conhecer um pouco melhor o trabalho de José Luís Peixoto bem como a sua visão da cultura nacional".

Entretanto, a
Rua de Baixo foi nomeada, pela revista DanceClub, para melhor sítio português. O sítio está na "shortlist dos projectos que podem receber o galardão a ser entregue em Junho" (os leitores do blogue podem aceder ao sítio da Rua de Baixo e saber como contribuir com um voto).

Mais informações, consultar a
Rua de Baixo.
10mostra.jpg10ª MOSTRA DE TEATRO DE ALMADA

Começou hoje, em Almada, a 10ª Mostra de Teatro. O festival prolonga-se até 26 deste mês. Relevo o GITT - Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria (amanhã, por exemplo, leva à cena a peça Toda nudez será castigada, de Nelson Rodrigues), O Grito (com Brandy, de Herberto Helder) e Associação Cultural Manuel da Fonseca (O diário de Anne Frank, de Anne Frank).
LANÇAMENTO DO LIVRO DE CARLA MARTINS: ESPAÇO PÚBLICO EM HANNAH ARENDT

Foi no final da tarde de quinta-feira, no espaço de cultura do El Corte Inglés, o lançamento do livro de Carla Martins, com um título pertencente à editora MinervaCoimbra.

Falaram a editora Isabel Garcia, o orientador da tese de mestrado que deu origem ao livo, António Martins (Universidade de Coimbra), Mário Mesquita, director da colecção de livros, José A. Bragança de Miranda, professor da Universidade Nova de Lisboa e apresentador da obra, e a autora.

Das notas que retirei da apresentação, destaco algumas palavras de Bragança de Miranda, que falou da dificuldade em catalogar Arendt. Embora se possa identificar a autora alemã com a filosofia da política, entende-se a política como colocada depois das revoluções (mormente a francesa) e não coincidinte com o Estado nem estabelecida total e definitivamente pelo direito. Arendt, contrária à divisão governantes/governados, olhou a política não como um problema de dominação mas sim como tendo potencialidade ou infinidade de possibilidades em termos de relação. Por um lado, Arendt faz uma crítica radical do Estado, por outro, salienta a socialização do Estado assistencial. Bragança de Miranda, numa apresentação em forma de tertúlia - como ele bem sabe fazer -, destacou algumas das fragilidades do pensamento de Hannah Arendt, como a ideia de "emigração interna" e a questão da terra (ecologia, nomeadamente).

A autora mostrou o modo de construção do trabalho agora disponível para leitura - o saber oficinal, como, em forma de elogio, o seu orientador sintetizou - e referiu a ambivalência da filósofa alemã, um dos maiores vultos do pensamento do século XX, situada entre a base de uma nova teoria política e a antítese, num sombrio diagnóstico das sociedades modernas.

Antes, Mário Mesquita fizera o elogio da autora. Licenciada em filosofia com a nota mais alta do curso (Universidade de Coimbra), que lhe valeu um prémio da Fundação António de Almeida (Porto), o livro agora editado é a tese do mestrado obtido na mesma universidade. Carla Martins trabalhou como jornalista na RTP, colabora actualmente em várias públicações, caso da MediaXXI, e é professora universitária na Escola Superior de Ciências da Comunicação e Universidade Lusófona. O livro agora publicado é o 40º da colecção "Comunicação" da editora MinervaCoimbra [nas imagens seguintes, vêem-se a falar Mário Mesquita, Bragança de Miranda e Carla Martins].



quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

EDUARDO TEIXEIRA COELHO

No número 124 da Vértice (Setembro/Outubro de 2005), Geraldes Lino escreveu sobre Eduardo Teixeira Coelho (1919-2004), um dos mais famosos ilustradores ou desenhadores portugueses de banda desenhada. O início da sua actividade vem dos longínquos anos da revista O Senhor Doutor e de ilustrações esporádicas de novelas no começo de 1942. Nesse ano, começa a trabalhar a tempo inteiro em O Mosquito, "semanário infantil, já com bastante prestígio na área das histórias aos quadradinhos" ou historietas, lê-se no texto de Geraldes Lino.



ETC, como ele se assinava, principiou essa colaboração no Mosquito desenhando quatro rostos que olhavam sorridentes para "uma lancha salva-vidas com motor de elástico"; depois, aparecia a palavra "Engenhocas". Mas o realce vai para a capa do número 360 da publicação, com a realização da imagem da capa.

Então, o Mosquito tinha um aspecto gráfico modesto e custava cinquenta centavos. Contudo, teria atingido, meia dúzia de anos depois do início, à volta de 60 mil exemplares. Nessa altura, era editado duas vezes por semana. Exceptuando o Diabrete, com o mesmo custo, outras revistas tinham preços mais elevados : o Tic-Tac e O Papagaio vendiam-se ao preço de um escudo, O Senhor Doutor e Engenhocas e Coisas Práticas custavam 1$50.

O desenhar histórias aos quadradinhos viria a ser a actividade mais completa de ETC. Em 1944, tinha ele 25 anos, apresenta o episódio El Hechichero de los Matabeles, usando, como escreve Geraldes Lino, "soberbos jogos de claro-escuro e estonteante dinâmica de expressão corporal".

Em 1953, desaparecia o Mosquito. ETC empreende uma carreira internacional. Vai viver um período para Espanha e, depois, instala-se em Inglaterra, colaborando com a editora Amalgamated Press, sentindo algumas dificuldades. Em rara confidência, queixa-se da proibição de desenhar personagens com bigodes ou até da substituição de cabeças de Robin Hood. Fixar-se-ia definitivamente em Florença, na Itália. Aqui não terá produzido muita obra para o país, mas continuou a colaborar com outros mercados como o francês, começada nessa década de 1950. Participa também em publicações nacionais como Cavaleiro Andante e Mundo de Aventuras, que certamente eu também li.

O texto de Geraldes Lino acaba a sublinhar a consagração merecida de Eduardo Teixeira Coelho, "tanto pelo seu imenso talento, como pela coragem com que enfrentou o desafio de se atrever a viver, em dedicação praticamente exclusiva, de tão difícil arte".

Geraldes Lino é colaborador em jornais e revistas de banda desenhada e fanzines e comissário de exposições.
BLITZ

A dica recolhi-a na newsletter de hoje da
Meios e Publicidade:

"O jornalista Miguel Francisco Cadete iniciou esta quarta-feira funções como director do Blitz, sucedendo assim no cargo a Vítor Rainho, que até esta semana assumia a direcção interina do jornal de música da Impresa. Uma nomeação que se configura como um regresso de Cadete a um jornal com o qual já colaborou, antes das suas passagens pelos projectos "Y", suplemento do Público, e "Actual", suplemento do Expresso do qual transitou". Vítor Rainho assumira interinamente a direcção do Blitz no passado mês de Junho, depois de Pedro Gonçalves ter apresentado a demissão. Agora, coube a vez de Rainho se afastar. Nuvens negras para os lados do Blitz, sem dúvida. Alguém bem conhecedor do meio tinha-me dito isto, já vão uns meses largos. Confesso que, então, não acreditei.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

FESTIVAL INTERNACIONAL DE PUBLICIDADE

Segundo um comunicado da organização, a segunda edição do Festival Internacional de Publicidade PUBLI... FORDOC 2005 foi uma selecção dos melhores anúncios para televisão e cinema, premiados nas mais importantes mostras publicitárias internacionais. A estes premiados, a Associação Nacional de Jovens Formadores e Docentes (
fordoc) acrescentou ainda outros anúncios, realizados ou divulgados no último ano, merecedores de igual atenção. Desta pré-selecção surge uma short-list de 240 anúncios, 78 dos quais se tornaram finalistas e constituiram, provavelmente, a melhor hora publicitária do último ano.

Houve 24 apresentações pelo país, tendo vencido o anúncio da Audi denominado Zoo (Espanha). A organização incentivou os mais de 15000 assistentes a fazerem crítica e a reflectirem sobre as novas tendências publicitárias criativas realizadas no último ano. A rádio Donna (Bélgica) ficou em segundo lugar, com a colecção de anúncios Mariage e Gay e o terceiro lugar foi para a Ikea (Sofá, Chest of drawers e Table) (França).

A fordoc está a agendar datas de apresentações de resultados associados a seminários temáticos na área do marketing e empreendedorismo, para apresentações em Março e Abril próximo, em locais como Coimbra, Aveiro, Tomar e S. João da Madeira. Em simultâneo, prepara a edição de 2006 deste importante festival publicitário nacional.

Para mais informações, ver o sítio da Associação Nacional de Jovens Formadores e Docentes (fordoc).

TER OU NÃO UM BLOGUE, SEGUNDO ROLO DUARTE

Gostava muito mais das luminosas "Impressões digitais" nas sextas-feiras do Diário de Notícias (DNa) do que da crónica das quartas-feiras de Pedro Rolo Duarte.

A de hoje até é boa. Escreve ele sobre a estranheza, manifestada há dois anos atrás, de quando olhava pessoas como Pacheco Pereira ou Pedro Paixão a cultivarem blogues: "Percebia a lógica de os cidadãos comuns criarem espaços para manifestar as suas opiniões, mas não concebia que comentadores, cronistas, jornalistas, «perdessem tempo» a desabafar o que presumivelmente não escreviam nos meios que os acolhem".

Mas Rolo Duarte engoliu todas essas palavras, confessa o próprio. Agora, passa um "bom bocado do meu dia a saltitar de blogue em blogue, lendo o que pensam aqueles que respeito ou admiro, ou descobrindo talentos desconhecidos. Tenho a minha lista de favoritos. [...] A comunicação mudou, e a imprensa que se cuide - se se atrasar na adaptação a esta realidade vai ficar como eu, a ouvir em eco um sonoro «Dahh!»".

Ora, o que eu queria mesmo ler em Rolo Duarte era a sua análise a "capas que marcam" como esta de 16 de Dezembro de 2005. Por mim, Pedro Rolo Duarte pode abrir um blogue, desde que seja para continuar os seus textos sobre capas de revistas.