No pequeno vídeo abaixo, regista-se a apresentação da editora pela voz de Manuel Fonseca, um dos seus principais dirigentes (imagens por mim recolhidas na passada sexta-feira).
Textos de Rogério Santos, com reflexões e atualidade sobre indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, videojogos, música, livros, centros comerciais) e criativas (museus, exposições, teatro, espetáculos). Na blogosfera desde 2002.
domingo, 9 de abril de 2006
No pequeno vídeo abaixo, regista-se a apresentação da editora pela voz de Manuel Fonseca, um dos seus principais dirigentes (imagens por mim recolhidas na passada sexta-feira).
Amanhã, dia 10, decorre na Universidade do Minho a conferência A nova entidade reguladora no quadro das políticas de comunicação em Portugal, podendo o programa ser visto aqui. Augusto Santos Silva (ministro dos Assuntos Parlamentares), Azeredo Lopes (presidente da Entidade Reguladora da Comunicação), Teresa Ribeiro (presidente do Instituto da Comunicação Social) e Alfredo Maia (presidente do Sindicato de Jornalistas e jornalista do Jornal de Notícias) serão alguns dos participantes dessa importante reunião.
Como elementos para a compreensão dos temas a desenvolver na conferência, recupero algumas das informações publicadas recentemente nos jornais, nomeadamente no Diário de Notícias, que encetou no passado mês um conjunto de trabalhos sobre a ERC, em que foram ouvidos diversos protagonistas.
Do que li, o primeiro jornalista a escrever sobre a ERC foi José Manuel Fernandes (Público), a propósito das alterações ao estatuto do jornalista e do Código Penal, no momento em que ocorria a apreeensão de um computador do jornal 24 Horas, publicação que editara notícias sobre o caso de pedofilia da Casa Pia. Logo depois, o deputado Arons de Carvalho (PS) dava a sua versão do facto, escrevendo uma carta ao director do Público (duas, aliás). Entretanto, o Diário de Notícias iniciava a publicação de um conjunto de textos.
Na peça Nova legislação intimida fontes dos jornalistas, o primeiro parágrafo é sintomático. Citando José Fragoso (director da TSF), escrevia-se: "A informação livre depende de um clima de liberdade e este conjunto legislativo que está em apreciação tende a causar um clima de inibição das fontes". Outros responsáveis pelos media expressavam iguais receios. Dessa peça (7 de Março) e da seguinte (8 de Março) ressalta a ideia de perda de garantias quanto ao jornalismo de investigação, embora o crime de violação do segredo de justiça apenas possa ser aplicado aos que têm acesso directo aos processos judiciais, deixando os jornalistas de fora.
Tomando posse a 17 de Fevereiro último, a ERC fez a sua primeira deliberação acerca do caso Lusa (notícia sobre o acesso à banda larga nas escolas de todo o país), considerando não haver pressão do poder político sobre a agência de notícias (Diário de Notícias, 9 de Março).
O deputado Campos Ferreira (PSD) consideraria que a alteração ao Código Penal colocava "mais a descoberto os jornalistas". Ao invés, o deputado da maioria Arons de Carvalho era referido como entendendo haver um reforço na liberdade de imprensa. Mas o discurso dos deputados alarga-se às competências dos membros da ERC quanto à verificação do rigor informativo dos media e à equiparação dos elementos do regulador a agentes de autoridade, podendo aceder a instalações, equipamentos e serviços. Na mente dos deputados da oposição (e dos jornalistas em geral) estava, de novo, o caso do jornal 24 Horas.
O Diário de Notícias de 10 de Março compara as entidades reguladoras em vários países, considerando haver divergência do modelo português face às outras entidades internacionais. Razão: em outros países, a entidade reguladora acolhe os media e as telecomunicações. Em Portugal, as telecomunicações ficam subordinadas à poderosa ANACOM, e os media à nova ERC (há ainda o ICS, cujas competências foram agora reduzidas a aconselhamento e apoio em termos de política regulamentar e relações internacionais).
O presidente do sindicato dos Jornalistas, Alfredo Maia, ouvido pelo Diário de Notícias (12 de Março), contesta o novo regulador, porque não reflecte a composição da Assembleia da República (os membros da ERC foram indicados pelos dois principais partidos, PS e PSD, excluindo os outros). Contesta ainda a exclusão dos regulados no seio da entidade. A oposição à ERC parte também dos próprios regulados, que não querem pagar a taxa de financiamento da ERC, casos da Confederação dos Meios de Comunicação Social e da Vodafone (a última no Diário de Notícias, 5 de Abril).
O modelo proposto pelo Governo prevê um financiamento misto deste (75%) e das entidades reguladas (percentagem restante), totalizando 4 a 5 milhões de euros anuais. Sucede que o decreto-lei está nas mãos do presidente da República Cavaco Silva, não se sabendo ainda se ele a promulga ou não, atendendo às queixas dos regulados.
Retenho ainda as posições do ministro Santos Silva e do deputado Arons de Carvalho. O ministro descarta a relação entre busca ao jornal 24 Horas e poder político (Diário de Notícias, 13 de Março). Ele defende a bondade da ERC, aprovada por 9/10 dos deputados, e critica quem critica o perigo da liberdade de imprensa a partir da intervenção da ERC.
Já Arons de Carvalho (Expresso, 8 de Março), embora admitindo a equiparação dos funcionários da ERC a agentes de autoridade, entende que essas averiguações presenciais "não incidem sobre conteúdos de informação e programação" mas em áreas como a "confirmação de que a programação própria é produzida a partir do local a que corresponde a licença".
Eduardo Cintra Torres, aproveitando a sua coluna de televisão, desferiria uma fortíssima crítica ao ministro, pegando em termos referidos pelo primeiro director do Público, Vicente Jorge Silva, o qual acusava Santos Silva de arrogância pessoal (Público, 19 de Março). E Miguel Gaspar (Diário de Notícias, 13 de Março) elegia o tema do sigilo profissional como elemento fundamental para o trabalho do jornalista, que não pode ficar dependente dos discursos das fontes oficiais e autorizadas.
Assim, o assunto ERC tem contornos muito mais vastos do que a execução técnica da entidade reguladora. É uma questão política e, até, ideológica. Para mim, o Governo não teve habilidade adequada na explicação do funcionamento da ERC, misturando informação com nervosismo dos responsáveis (ministro e presidente da ERC). Questões poderosas como o pagamento da taxa de participação dos regulados e a revalidação da atribuição de licenças de televisão aos operadores privados são elementos que aparecem e desaparecem do discursos dos agentes sociais envolvidos. Os jornalistas serão, como escreveu Miguel Gaspar, o elo mais fraco, mas há cada vez menos jornalismo incómodo, dados os constrangimentos contemporâneos (jornalistas jovens e vivendo com contratos precários; concentração de media em grupos económicos; concorrência entre media que estimula o jornalismo de escândalo e não a investigação, mais demorada e potencialmente perigosa).
Por isso, em meu entender, a conferência de amanhã, em Braga, é um momento de grande importância para a discussão destas ideias. A felicitar a Universidade do Minho e o grupo do Projecto Mediascópio: Estudo da Reconfiguração do Campo da Comunicação e dos Media em Portugal, coordenado pelo professor Manuel Pinto, que organiza a conferência.
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Actualização às 17:30 - ver o texto de Manuel Pinto colocado hoje no blogue Jornalismo e Comunicação, a propósito da conferência de amanhã.
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sábado, 8 de abril de 2006
Assim, na agenda 30 dias (Oeiras), é dedicada atenção à mostra de teatro amador que decorre até finais do mês. Hoje, no salão dos Bombeiros Voluntários de Barcarena, leva-se à cena a peça Na boca do lobo, de Carlos Borges, pelo grupo cénico ABVPB, ao passo que no auditório municipal Ruy de Carvalho o grupo cénico da cooperativa de habitação Nova Morada apresenta a peça Duras verdades, de David Lodge, ambas às 21:30.
E amanhã, duas outras encenações se apresentam em Oeiras: Os piratinhas, criação do G.D. Joaninhas de Leião, no teatro municipal Amélia Rey Colaço (16:00) e excertos de Andando, andando... na noite e Godot (de Teresa Rita Lopes & Manuel António Pina e Samuel Beckett & Fassbinder), pela Biblioteca Operária Oeirense, no auditório municipal Ruy de Carvalho (18:30).
Já em Alcobaça, o V Encontro de Teatro prolonga-se deste mês até Junho, em vários locais da região (Alcobaça, Cela, São Martinho do Porto). Destaco, para 22 de Abril, a peça Gente feliz com lágrimas, pelo grupo O Bando, no cineteatro de Alcobaça, a um preço sugestivo: €4.
Uma agenda dedicada aos espectáculos é a do Teatro Municipal da Guarda, agora a festejar o seu primeiro aniversário. Mas nem só de teatro vive o Teatro. Hoje, há um recital no Grande Auditório, com a Cantata Profana, pelo quarteto vocal de Giovanna Marini, integrado no ciclo da Paixão. No dia 13, o concerto da Páscoa é dado pela Camerata Ensemble da Guarda, cantando Vivaldi, Grieg, Britten, Albinoni e Pergolesi.
Fornecimento das agendas, a quem agradeço: Carlos Filipe Maia (da agenda 30 dias).
sexta-feira, 7 de abril de 2006
Escrevi aqui sobre a tese de mestrado de Ana Catarina Valdigem, a 13 de Julho do ano passado. Agora, ela falou do seu trabalho em seminário organizado pela UCP. Tema: Metodologias de pesquisa de recepção: usos da telenovela brasileira O clone e a construção da identidade.
Recupero o primeiro parágrafo dessa mensagem: "Como ponto de partida, ela procurou identificar os processos de reconstrução cultural de grupos diferenciados, tendo como objecto a recepção da telenovela brasileira O clone (que passou na televisão portuguesa há cerca de dois anos). Este produto televisivo representa confrontos culturais (marroquinos e muçulmanos, com peso profundo e complexo na identificação da religião) e sua reconstrução em termos de sentido de identidade ao nível do Eu e do Outro. Quanto a trabalho de campo, Catarina Valdigem escolheu a comunidade religiosa centrada na mesquita de Lisboa e uma comunidade de Palmela (que ela identificou como não sendo muçulmana), para compreender as redes de sociabilidade e de que modo o género, a ocupação profissional e a escolaridade, entre outras variáveis, são determinantes no processo de recepção da telenovela".
Ana Catarina Valdigem escolheria o género telenovela porque se afirma como produto de serialidade que ocupa mais de 50% do prime-time dos canais privados e com grandes índices de audiência e a novela O clone porque apresentava um formato híbrido e com transnacionalização de temáticas de pretensão universal humanística. A história da telenovela assentava na ideia da clonagem humana, com uma componente forte de orientalização de costumes. A investigadora reuniu materiais como fotografias e vídeo promocional da novela, para começar a conversar com respondentes, pertencentes a dois grupos distintos cultural, étnica e religiosamente.
Fez pesquisa de terreno, com observação participante e não participante (escrevendo um diário de campo), entrevistas semi-directivas e inquérito por questionário. Entrevistou seis homens e doze mulheres (o número maior de mulheres deve-se ao método empregue pela investigadora de ir procurando novos respondentes a partir dos iniciais, com as mulheres a indicarem outras mulheres, partindo do estereótipo da novela como género visto por públicos femininos).
O clone - novela que passara na televisão dois anos antes do trabalho aqui apresentado - despertou memórias distintas consoante o grupo entrevistado. Para os muçulmanos, a novela associou-se à representação do Islão, à cultura árabe, à dança do ventre (referida pelas mulheres) e à poligamia (referida pelos homens). Para o grupo de não-muçulmanos, os temas que ressaltaram da telenovela seriam os de toxicodependência, clonagem humana, dança do ventre, indumentárias e acessórios de beleza exótica, confronto de dois mundos.
PARA OUVIR O SOM DO SEMINÁRIO, CLICAR AQUI. Observação: ao minuto 24, há um silêncio que se prolonga por cerca de quatro minutos, resultante da passagem do vídeo de promoção da novela que Ana Catarina Valdigem mostrou, e cujo som saía do computador, logo num registo muito baixo.
quinta-feira, 6 de abril de 2006
Bernays foi o primeiro a formular ideias como modelo de projectos de relações públicas, segmentação de públicos, product placement, lóbingue político, comunicação orientada e sedução dos prescritores. Escreveu, além do livro agora apresentado, Crystallizing public opinion e The later years: public relations insight.
O consultor de relações públicas precisa de criar eventos do dia (p. 175), os quais concorrem com outros eventos na mesa do editor de jornal ou revista. Para a informação não ir para o caixote do lixo, ele precisa de criar uma aceitação especial quanto ao seu evento.
Bernays chama a estes conselheiros propagandistas ou consultores de relações públicas. E define-os do seguinte modo: "agente que trabalhando com os modernos meios de comunicação e formações grupais da sociedade, leva uma ideia à consideração do público" (p. 51). Por isso, o consultor de relações públicas preocupa-se com os percursos das acções, doutrinas, sistemas e opiniões, de forma a assegurar o apoio público a essas estratégias.
Bernays usou elementos da psicologia e da sociologia, bem como pesquisa de marketing, abrindo terreno ao que é a prática de hoje dos especialistas em relações públicas. Ele aconselhou presidentes, líderes políticos e empresas no uso eficaz e coerente dos media [para saber mais sobre Bernays, clicar em Museum of Public Relations].
Leitura: Edward Bernays (2006). Propaganda. Lisboa: Mareantes Editora, 182 páginas, €15,20. Em tradução de Eduardo Oliveira e capa de Margarida Alfacinha, tem prefácio de Luís Paixão Martins.
A rubrica da Antena 1 com aquele nome regressa na segunda-feira. Entre os novos nomes, Cândido Mota, uma das mais populares vozes do programa Em Órbita. Para ler mais, consultar Rádio Crítica, de Francisco Mateus.
Já passou algum tempo desde que aqui escrevi sobre o sudoku, mais precisamente a 17 de Setembro de 2005. Agora, um sítio, o Word Store, faz alusão à minha mensagem.
Infelizmente, eu não sei ler a língua na qual está a referência. Alguém consegue ajudar-me?
quarta-feira, 5 de abril de 2006
Gustavo Cisneros e o seu irmão Ricardo são figuras centrais no panorama mediático venezuelano. O pai, Diego, começara a vida empresarial com um autocarro, continuando, depois, com a concessão de engarrafamento da Pepsi-Cola. Em 1959, ele e os seus sócios da Pepsi-Cola da Venezuela adquirem um canal de televisão, a que poriam o nome de Venevisión.
Para além dos refrigerantes e da televisão, a família acrecentava a rede de supermercados CADA, com 48 grandes lojas, facturando 300 milhões de dólares por ano e dando emprego a 2300 pessoas. A combinação supermercados CADA e canal Venevisión era uma plataforma de massificação de marcas. A dona de casa, que acompanhava a telenovela, o produto por excelência da televisão, conhecia as vantagens dos produtos vendidos no supermercado. Mas o peso da novela venezuelana alargava-se a um público vasto, sem ligação à idade e ao género.
Nem sempre os negócios dos Cisneros foram sucesso. Dos fiascos, elencam-se os seguintes: Pentacom, nos petróleos; Galerias Preciados em Espanha, compradas em 1984 e vendidas dez anos depois; prédios em Paternoster Square, em Londres. Ao mesmo tempo, a concessão do engarrafamento da Pepsi-Cola, o começo da grandeza financeira dos Cisneros, era vendida (à Coca-Cola), acontecendo igualmente a alienação da Spalding & Everflo (fabricante de bolas de golfe). A queda do banco Latino, onde os Cisneros tinham 3,5% do capital e o irmão Ricardo era o principal responsável, ditou ainda a venda dos mercados CADA.
Os irmãos mudavam o foco dos seus negócios, centrando-se nas telecomunicações e no entretenimento. Telenovela (Esmeralda é a primeira série a internacionalizar-se) e aquisição dos direitos da transmissão do concurso da Miss Venezuela trouxeram um novo retorno ao canal dos Cisneros. A televisão por satélite (Direct TV) afirmava-se como uma oportunidade de negócio para os irmãos Gustavo e Ricardo. E a aliança com a AOL trouxe a internet para a América latina, enquanto nascia a rede de cabo Galavisión.
Quase em simultâneo, a entrada na produção e distribuição de conteúdos televisivos tomava conta de maior interesse dos Cisneros, com a formação da Univisión, junto das comunidades hispânicas nos Estados Unidos. Em 1996, a empresa era cotada na bolsa, a 23 dólares, passando a 30 dólares no dia seguinte. Para além de televisão, a empresa tinha negócios em rádio, disco e internet. O segundo canal da Univisión é a Telefutura, orientada para públicos mais jovens, desejosos de maior programação desportiva. E nascia, na Venezuela, o ValeTV, canal de entretenimento cultural, em associação com a Igreja Católica.
Mau grado o afastamento dos refrigerantes, os Cisneros compraram uma marca de cervejas, a Regional, que ainda se mantém no portfólio de actividades como líder de mercado. Ao mesmo tempo, a equipa de basebol Leones del Caracas passava também para o domínio dos Cisneros.
Observação: esta é a biografia oficial da família Cisneros, em especial a de Gustavo, o líder do grupo. Não se notam críticas à família, mesmo em momentos de recuo nos negócios e articulando o pensamento de Cisneros com a melhoria de situação económica e cultural do país (ao contrário do livro 40 anos de rede Globo, aqui apresentado). Daí, frequentes referências à missão, à filantropia e às reuniões internacionais em que Cisneros faz prova de confiança na livre iniciativa e na democracia. O livro descreve ainda as relações dos Cisneros com os magnatas da comunicação da América latina, como Roberto Marinho, da Globo. Sobre Portugal, não há informações da relação de Cisneros à TVI.
Leitura: Pablo Bachelet (2004). Gustavo Cisneros: um empresário global. S. Paulo: Planeta
terça-feira, 4 de abril de 2006
Continuando a série de seminários de investigação na UCP, na próxima quinta-feira, dia 6, pelas 18:30, na sala dos Descobrimentos Portugueses (Biblioteca João Paulo II), Ana Catarina Valdigem apresenta o tema Metodologias de pesquisa de recepção: usos da telenovela brasileira O clone e a construção da identidade, onde sintetiza a sua tese de mestrado em Ciências da Comunicação da UCP. Neste momento, Catarina Valdigem está a trabalhar num projecto de investigação TV e imagens da diferença, no Centro de Investigação Media e Jornalismo e financiado pela FCT, enquanto prepara o doutoramento.
Eu escrevi sobre a sua tese, a 13 de Julho de 2005.
Teatro, cinema, dança e exposição, eis o programa do Centro Cultural Malaposta, situado na rua de Angola, em Olival Basto, para o presente mês. De relevo pessoal, o ciclo de cinema para as escolas, de segunda a sexta-feira.
Sairam, recentemente, vários livros da editora MinervaCoimbra na colecção Comunicação, dirigida por Mário Mesquita, jornalista e professor universitário.
Dos mais recentes, destaque para o de dois antigos provedores do leitor, Fernando Martins (Jornal de Notícias) e Estrela Serrano (Diário de Notícias). Como o blogueiro ainda não teve tempo de ler os livros, retiro algumas notas da contracapa dos livros.
Assim, Fernando Martins, que trabalhou no Jornal de Notícias por mais de quarenta anos, de repórter a editor e de chefe de redacção a director, desempenhou o cargo de provedor do leitor durante quatro anos. Orgulha-se o autor do livro de ter sido o primeiro ombudsman do terceiro jornal do país a ter esse cargo. Diz ele que "mais não pretende ser do que um testemunho que conduzirá, decerto, a conclusões diversas, e cujo estudo espero possa aproveitar não só aos jovens jornalistas, mas a todos os outros que fazem parte desta sociedade da comunicação".
[Apresentação do livro de Fernando Martins na próxima sexta-feira, dia 7, às 21:30, na FNAC - Norte Shopping, pelo director do Jornal de Notícias, José Leite Pereira]
Já Estrela Serrano procura ultrapassar o carácter efémero da coluna de jornal, "sistematizando e fixando, de uma maneira mais consistente e duradoira, uma reflexão sobre o jornalismo e os jornalistas".
Quanto ao livro de Daniela Santiago, jornalista da televisão pública RTP, ele resulta do trabalho como repórter no relato do desastre da ponte de Entre-os-Rios, em 2001, e da sua aplicação como tese de mestrado no ISCTE. A pergunta que ela coloca é: "Poderá a televisão, ou a reportagem televisiva, em situações de tragédia humana, desempenhar uma função de reconforto junto das vítimas e familiares envolvidos no acontecimento".
segunda-feira, 3 de abril de 2006
A proposta de Tiago Baptista, da Cinemateca Portuguesa - Cinema dos primeiros tempos: uma esfera pública alternativa? -, assentava no seguinte ponto de partida teórico: a dicotomia entre cultura de massas e indústrias culturais, servindo-se de três perspectivas (indústrias culturais, da escola de Frankfurt, e espaço público, em Habermas; teorias da comunicação, em Dominique Wolton; críticas feministas).
O autor olha o cinema de múltiplas perspectivas, caso das frequências e da organização do espectáculo cinematográfico e dos esforços de auto-regulação da oferta do cinema. Tiago Baptista demonstra o progressivo domínio narrativo do cinema e a construção da figura do espectador, indo da plateia enquanto filas de grupos e recepção inicial tumultuosa, apelando ao contexto material [ouvir os sons da conferência e do debate].
Logo em meados dos anos 1910, nasce uma política censória dos filmes, não em termos políticos mas em termos de costumes. O cinema poderia ser um escape ou um meio educativo mas era olhado também como um escola do crime. A imprensa da época e os registos dos tribunais da época mencionam um aumento da criminalidade atribuido à ida ao cinema, com os espectadores a serem muito influenciados pelo que viam no ecrã.
O roteiro de Tiago Baptista inclui os projectos de cinema educativo (cinema na escola), a análise dos debates parlamentares e a legislação sobre censura de filmes, bem como a cobertura negativa da imprensa generalista ao invés da imprensa especializada. Os jornalistas das publicações dedicadas ao cinema esforçavam-se por realçar o valor pedagógico dos filmes, pois mesmo que houvesse a narrativa de um crime violento, os que o praticavam eram condenados no final do filme.
Na comunicação feita hoje ao final da tarde na Universidade Nova de Lisboa, Tiago Baptista referenciou algumas das monografias escritas sobre cinema em Portugal nas primeiras décadas, caso dos textos de Mendes Correia, Agostinho de Campos, Mário Gonçalves Vianna, António Ferrão e Mário de Vasconcelos.
No vídeo seguinte, Luís Trindade, investigador do Instituto de História Contemporânea, explica o ciclo Cultura de massas em Portugal no século XX, uma iniciativa do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (Universidade de Coimbra) e do Instituto de História Contemporânea (Universidade Nova de Lisboa).
Paulo Ferreira tem um sítio, o Momento Mágico, onde é possível ver muitos anúncios editados na televisão.
Retiro do comunicado da editora Guerra e Paz sobre o livro de Agustina Bessa Luís: "Das pernas de Afonso Henriques, coladas até aos joelhos, ao hipotético casamento de Salazar com uma discretíssima senhora Trocado, o que é que sabemos hoje, de facto, sobre as histórias da História de Portugal? A “Guerra & Paz” armou uma enorme conspiração. Foi ao Porto – tinha mesmo que ser! – e pediu a AGUSTINA BESSA-LUÍS que fizesse de reis e rainhas as suas personagens. O resultado é um livro prodigioso!".
- A editora Guerra e Paz terá seis colecções principais, dedicando particular atenção a livros portugueses, propondo-se publicar 25 títulos durante este ano.
Os primeiros quatro livros serão apresentados na Fundação Gulbenkian, Auditório 2, no dia 10 de Abril, pelas 17:30, com a presença de Agustina Bessa-Luís, Maria Filomena Mónica, João Bénard da Costa e Maria Andresen Sousa Tavares.
- PALESTRAS COM SABORES
Continuam as Palestras com sabores em Coimbra. Assim, no próximo dia 5, pelas 18:30, haverá uma conversa sobre teatro com Jorge Andrade, seguindo-se um concerto com Veados com Fome e Lobster.
Mais à frente, ainda em Abril, haverá lugar para palestras sobre artes visuais, com Susana Sousa Dias (e participação especial de Vvoitek Ziemilski), a 12 de Abril, e música, com João Peste e Rui Eduardo Paes, a 19 de Abril. Sempre às 18:30, com a hipótese de continuar a tertúlia durante o jantar. As propostas musicais incluem Born A Lion, Defying Control, Phoebus e OCP.
As Palestras com sabores são organizadas por: Galeria Santa Clara, Projecto Videolab, Associação de Antigos Alunos da EUAC e Editora Ariadne.
domingo, 2 de abril de 2006
Em Abril (dias 19, 21, 23, 24 e 26 de Abril, o Teatro Nacional de São Carlos apresenta a ópera Laureana, intriga teatral de Paul Merice, transformada por Augusto Machado, compositor português do século XIX, em quatro actos e seis quadros.
A narrativa operática desenrola-se em torno da marquesa Laureana, mulher sedutora que escolhe marido numa festa. O eleito seria um músico marginal, que revela mais tarde ser Giovellino, conde de Florença (informação retirada da agenda cultural de Lisboa do presente mês).
Da estreia da ópera, também em S. Carlos, a 1 de Março de 1884, conta-se uma história envolvendo o rei Luís I. Na altura, o rei estava de luto, não podendo assistir à estreia. Contudo, foi possível estabelecer uma ligação telefónica entre o teatro e o palácio da Ajuda, para que ele pudesse acompanhar musicalmente a obra. Eu escrevi em Olhos de boneca. Uma história das telecomunicações, 1880-1952 (Colibri, Lisboa, 1999, p. 31):
- O lápis de Rafael Bordalo Pinheiro registou e a prosa de Pan descreveu: "sua Magestade pôde ouvir toda a ópera muito alegremente, com toda a comodidade do lar doméstico, sem as etiquetas cortesãs nem as luvas gris perle do camarote real, sentado no trono, de manto de arminhos, ou metido na cama, de barretinho de algodão, consoante os seus apetites ou as suas necessidades corporais" (António Maria, 6 de Março de 1884).
A arquitecta e professora universitária Clara Vale expõe fotografias até ao fim deste mês no Pé d’Água Bar, na Avenida Diogo Leite, 410, em Vila Nova de Gaia (Ribeira), das 21:00 às 2:00.
Segundo a fotógrafa, "esta não é uma mostra da cidade mas sim de olhares sobre a cidade, de formas e cores que vão sendo recolhidas, combinadas, seccionadas, sentidas, tentando, acreditando na tradição índia, nesta representação prender-lhe a alma".
Clara Vale possui um blogue, podendo ser vistos aqui alguns dos seus trabalhos.
Realço os filmes Radio days, de Woody Allen, A menina da rádio, de Arthur Duarte, Talk radio, de Oliver Stone, e Good morning, Vietnam, de Barry Levinson. E elejo também as conferências Rádios comunitárias, rádios experimentais, rádios arte: que história é esta? e Rádio, web, podcast: mutações de um meio de transmissão.
[imagens retiradas respectivamente da Agenda Lx Abril, de onde também tirei a informação, e sítio Rádio Zero]
Público e Diário de Notícias deram ontem destaque à empresa Produções Fictícias, responsável por alguns dos grandes sucessos de televisão (e também rádio e imprensa), a propósito dos 13 anos da empresa e da saída de um livro sobre o assunto.
Assim, Herman José (textos) e Contra-informação na televisão, O inimigo público na imprensa, O homem que mordeu o cão (de Nuno Markl) na rádio, Manobras de diversão no teatro e É a cultura, estúpido!, tertúlia sobre livros, blogues e cultura, fazem parte do portfólio das Produções Fictícias. Estas têm a sua figura central em Nuno Artur Silva, lisboeta de 43 anos, professor de português antes de se dedicar ao guionismo, argumentação e escrita (poesia, teatro e banda desenhada).
Nuno Artur Silva olha com algum desencanto o modelo televisivo português actual. Na entrevista dada ao Diário de Notícias, comenta que, enquanto a oferta internacional é muito rica, aqui continuamos a produzir histórias em que há criadas e empregadas, em que o rico casa com o pobre, com lugares comuns e estereótipos sociais. Reconhece que há um estreitamento de mercado: Rui Vilhena, só porque teve um êxito em novela televisiva, criou uma empresa; Teresa Guilherme, na SIC, dá a concepção e execução de novelas à empresa do marido; a SIC adapta formatos espanhóis; a TVI, apesar do sucesso de novela, tem um modelo ditatorial, que anda em torno do formato vencedor. E conclui afirmando que o futuro vai passar pelo consumo diversificado da "televisão" em diversos suportes, como o telefone celular e o iPod, em que um conceito tornado marca tem sequência nesses vários suportes, da televisão ao livro, do DVD ao merchandising.
sábado, 1 de abril de 2006
Observação prévia: eu tenho a melhor consideração pelas pessoas sobre as quais vou escrever. O que se segue é uma especulação sobre a vida pessoal delas, a partir da leitura de revistas cor-de-rosa saidas no final desta semana.
Citação prévia: "O típico roteiro de uma telenovela narra uma variação de Cinderela, em que uma estudante, costureira ou criada, consegue subir na vida e ganhar o coração do herói; ou a alternativa favorita da vingança de uma traição, ao estilo de O conde de Monte Cristo" (Pablo Bachelet, Gustavo Cisneros. Um empresário global. S. Paulo, Planeta, 2004, p. 131) [Cisneros é o patrão do canal Venevisíon, canal com maior audiência na Venezuela].
Frase prévia de reflexão: "«Floribela» é a Cinderela moderna da nova novela da SIC" (Diário de Notícias, 16 de Fevereiro de 2006).
Tema de capa de três revistas cor-de-rosa ou sociedade do final desta semana - sendo em duas delas o tema de destaque - é a separação de Francisco Penim, director de programas da SIC, da sua mulher Clara de Sousa e o romance (ou aproximação) daquele com a modelo e actriz Soraia Chaves.
Assuntos que destaco da pouca informação veiculada pelas revistas: 1) apesar de totalmente dedicado ao trabalho, Penim arranjou tempo para ver Soraia Chaves ao Porto, no PortugalFashion, 2) Chaves esteve bem com os modelos da Lion of Porches mas chamou a atenção de Penim com as propostas de Pedro Waterland, 3) no final, terão ido à discoteca Chic, 4) não são namorados mas apenas amigos e com uma relação profissional, como frisaram os dois, 5) Chaves vai ser actriz e apresentadora na SIC, tendo sido levada para o primeiro papel, em Crime do padre Amaro, pelo antecessor de Penim, Manuel Fonseca, 6) entretanto, Clara de Sousa não fala sobre o assunto desde a separação, 7) já existiam zangas prévias (três, para ser mais preciso) entre os dois, casados há vinte anos, 8) os seis meses de Penim à frente da SIC têm sido de horror, pois não conseguiu aproximar-se da TVI mas sim deixou a RTP aproximar-se da SIC, 9) Penim e Sousa viviam, pelo menos até à semana passada, na mesma casa, pois têm dois filhos ainda pequenos, de nove e seis anos, e é preciso prepará-los para a separação.
Para concluir a minha leitura das revistas, refiro que há fotografias que mostram Francisco Penim extasiado e sorridente no seu lugar junto à passerelle; a Flash mostra mesmo uma fotografia com Soraia Chaves no centro da mesma, quando passava um modelo, e Penim em fundo à direita. E destaco ainda uma frase na capa de uma das revistas (Nova Gente): "Francisco Penim. Vida louca de solteiro. Noitadas. Mulheres. Amigos".
Temos aqui os ingredientes de uma novela venezuelana (que não a narrativa brasileira, produto melhor elaborado e mais complexo, incluindo abordagem de temas sociais novos, que despertam discussão pública). Logo, a pergunta que se faz é: qual o interesse público nesta separação? Todo, pois mexericos de gente famosa e celebridades (do mundo do espectáculo ou do jornalismo) despertam sempre a curiosidade. É como se se construisse uma novela dentro da novela.
Não por acaso, a história de Penim e dos seus amores salta para as revistas cor-de-rosa na semana de lançamento da nova novela da SIC, Floribela, uma aposta pessoal do director de programas do canal. Sem ser ingénuo ou cínico - e, igualmente, sem querer magoar qualquer dos intervenientes nesta história -, o pleno nas revistas cor-de-rosa em torno de Francisco Penim é uma boa aplicação de marketing, pois coloca a SIC nas bocas do mundo. Há, pelo menos, um noticiar do mesmo facto em todas as publicações - a passagem de modelos e Penim junto a Chaves -, que significa um agendamento criado por alguém ou alguma instituição. E quem informou os media? Penim, certamente = estratégia concertada de comunicação.
Na minha leitura destas coisas, a SIC obteve a liderança em audiências há onze anos com três produtos, um deles externo: noticiários inovadores, telenovelas brasileiras (que faziam sucesso já na RTP, mas a Globo deixou o canal público e fez um acordo com a SIC) e capas das revistas cor-de-rosa. Mais perto de nós, a TVI retirou à SIC a liderança das audiências apostando igualmente em terrenos internos mas também externos: noticiários populares, novelas portuguesas, reality-show Big Brother, Morangos com açúcar e capas das revistas cor-de-rosa. Isto é: para além da produção inerente aos canais, as revistas funcionam como alavancagem dos sucessos dos canais privados. E a recuperação da SIC passa pelas revistas que lhe dão as capas. O facto de haver um belo, uma vítima e uma vilã nas histórias de capa das revistas só aumenta a curiosidade pública. A cinderela Floribela é o lado ao contrário e/ou complementar da história de Penim.
Refira-se, ainda, que as audiências de ontem revelaram que os primeiros cinco lugares foram para Dei-te quase tudo (15,8% em audiência média e 39,7% em share), seguindo-se Morangos com açúcar, das 21:00 (14,9% e 36,11% respectivamente), Morangos com açúcar, das 19:00 (11,0% e 42,7%), Alma gémea (SIC) (11,8% e 32,0%) e Fala-me de amor (11,7% e 38,9%). Floribela vem depois, não sei em que lugar; ver-se-á nos jornais de amanhã. Mas não parece um começo auspicioso.
Ficha técnica das revistas: Flash pertence ao grupo Cofina e custa €1,30, Caras pertence ao grupo Impresa, tem tiragem de 115850 e custa €1,35, Nova Gente pertence ao grupo Impala, com tiragem de 178625 e custa €1,25.
Observação final: Francisco Penim foi o meu convidado na aula de Media, Públicos e Audiências, da última 5ª feira. Gostei muito da sua participação, em especial quanto ao modo como olha a profissão de programador, sempre no fio da navalha.