Textos de Rogério Santos, com reflexões e atualidade sobre indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, videojogos, música, livros, centros comerciais) e criativas (museus, exposições, teatro, espetáculos). Na blogosfera desde 2002.
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Notícias do ICS da Universidade do Minho
Através da newsletter nº 41 do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, ficou a saber-se que Helena Sousa tomou posse como presidente daquele instituto e Manuel Pinto é o novo diretor do doutoramento em Ciências da Comunicação da mesma instituição. Parabéns a ambos. Por outro lado, um antigo aluno de doutoramento do mesmo ICS, Silvino Lopes Évora, lidera a Associação Cabo-Verdiana de Ciências da Comunicação.
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Por Tudo e por Nada
Dois homens, muito amigos desde sempre, discutem sobre os que os desuniu. O primeiro pergunta ao segundo o que aconteceu. Este recusou num momento e confidenciou depois: são apenas palavras. Um "Que bom" dito por um despertou azedume e afastamento do outro. Teria sido a entoação, a forma como ele se expressara.
H1: Ouve lá... Queria fazer-te uma pergunta... Foi um bocado por isso que vim... Eu queria saber... Que é que aconteceu? Que é que tu tens contra mim?
H2: Eu? Nada... Porquê?
H1: “A vida está ali... simples e tranquila”... “A vida está ali simples e tranquila”. É Verlaine, não é? H2: É. É Verlaine. Mas porquê?
H1: Verlaine. Isso mesmo.
As palavras despertam significados porque as compreendemos de uma dada maneira. Criam aproximações ou, na maioria das vezes, promovem incompreensões. A peça de Nathalie Sarraute confronta-nos com a realidade quotidiana: o que as palavras querem dizer do modo como são ditas. Puro domínio semiótico, a percorrer em Peirce ou Barthes. O segundo homem, conhecido por se zangar e se afastar das pessoas "por tudo e por nada", procura explicar as razões porque aquele "Que bom" transformara a velha amizade numa rejeição profunda. Falou em cilada, ratoeira, de superioridade intelectual do outro. Ciúme, incompreensão, disse este. Os vizinhos do segundo homem foram chamados para testemunhas e nada conseguiram extrair da entoação "Que bom". Exagero, excesso, terão pensado e dito. E foram-se embora porque lhes pareceu rídiculo o fundamento do afastamento do homem.
Nathalie Sarraute (nascida Natalyia Ilinichna Tcherniak, Ната́лья Ильи́нична Черня́к, em Ivanovo, perto de Moscovo, 1900-1999), filha de uma família letrada da burguesia judia, deixou a Rússia quando os seus pais se separaram e a mãe foi para Paris. A infância é partilhada entre esta cidade e São Petersburgo. Estuda inglês e história em Oxford, sociologia em Berlim e direito em Paris. Casa com Raymond Sarraute em 1925 e exerce advocacia até 1941, então afastada pelos tribunais nazis. Antes já escrevera um romance mas é em 1953, com o seu Retrato de um Desconhecido, prefaciado por Sartre, que começa a ser conhecida no mundo das letras.
Fotografia: Artistas Unidos
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Colóquio Sempre no Ar, Sempre Consigo
Ontem, foi uma jornada de recordações e análise da rádio e da música nas décadas de 1950 e 1960. Agradeço os contributos directos de António Miguel, Luís Filipe Costa e João David Nunes (grandes profissionais do Rádio Clube Português, emissora extinta em Dezembro de 1975), Sílvio Santos (Universidade de Coimbra), António Tilly (Instituto de Etnomusicologia - Centro de Estudos em Música e Dança) e Nelson Ribeiro (meu colega na Universidade Católica). No vídeo, uma parcela do testemunho de António Miguel que, com Fernando Curado Ribeiro, produziu o programa Sintonia 63, que emitia entre as três e as seis da manhã entre 1963 e 1967, fechando a emissão de 24 horas contínuas. No quadro seguinte, os diapositivos que apresentei, uma espécie de memória iconográfica da época.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Verbas para apoio da criação artística em 2013
Na edição da última quinta-feira, o jornal Público (Tiago Bartolomeu Costa) fazia um retrato da lista (ainda provisória) de apoios públicos à criação artística para 2013. As verbas atingirão quase 23 milhões de euros para 113 projectos nas áreas de teatro, dança, música, artes plásticas, arquitectura, design e fotografia. O número de projectos divide-se do seguinte modo: teatro (54), música (26), dança (17), conjunto de arquitectura, artes plásticas, artes digitais, design e fotografia (10) e cruzamentos disciplinares (6). O valor é mais reduzido se comparado com o ano de 2012 (menos 7,2 milhões de euros).
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Festa no Museu
Festa no Museu da Tapeçaria de Portalegre Guy Fino, na Rua da Figueira, 9, Portalegre, a realizar amanhã, 18 de Abril, com a presença da pintora Graça Morais. Da parte da tarde, um conjunto de comunicações; à noite, tecedeiras trabalham ao vivo um cartão de Graça Morais.
Bem gostaria de estar presente. Mas, amanhã, é dia de trabalho intenso.
Livro sobre a coleção de arte contemporânea de António Cachola
[texto a completar]
domingo, 14 de abril de 2013
Em memória de Luzia Maria Martins
Luzia Maria Martins (1927-2000), conjuntamente com Helena Félix (1920-1991) e Valentina Trigo de Sousa formaram o Teatro Estúdio de Lisboa em 1964, companhia estabelecida no Teatro Vasco Santana, a Entrecampos, e com actividade até 1989. A exposição da Sociedade Portuguesa de Autores, agora patente no Museu Nacional do Teatro, dá conta do trabalho dessa grande encenadora, filha do cenógrafo Reinaldo Martins, que também passou pela rádio, nomeadamente o Rádio Clube Português. Esta experiência foi fundamental para a sua entrada na BBC Radio, onde foi locutora e produtora nas secções portuguesa e brasileira (1953-1964).






Em Londres, Luzia Maria Martins frequentou os cursos de filosofia, cinema, encenação de bailado e luminotecnia. Nessas andanças, conheceu Helena Félix, que também residia em Londres, a qual, antes da estadia na capital inglesa, trabalhara em opereta e revista aproveitando a sua beleza e dotes vocais. De regresso a Portugal, as duas estariam na criação do Teatro Estúdio de Lisboa (TEL), como acima indico. A companhia foi uma escola de teatro, pois por lá passou mais de uma centena de actores, muitos em começo de carreira. O TEL estreou autores como Alexander Ostrovsky, Vaclav Havel, Thornton Wilder, Terence Rattingan, David Storey e muitos outros, alguns traduzidos pela própria Luzia Maria Martins (total de 18 traduções), mas também representou Tchekov, Strindberg, Giradoux, Duras e Alberti. Na crónica Lisboa 1972-74, aparece pela primeira vez a canção Uma Gaivota Voava, Voava, cantada por Ermelinda Duarte.
O TEL teve uma grande importância na história do teatro recente mas ainda não foi feito o reconhecimento devido, antes e depois de 1974. Acrescente-se que a censura do Estado Novo cortou ou proibiu diversas peças. Luzia Maria Martins ficaria como uma resistente face a preconceitos de diversa ordem, às vezes por ser muito voluntarista ou militante, e falta de apoios. A exposição é composta por painéis com apresentação dos principais elementos das peças representadas pela companhia, adereços, peças de vestuário usadas por Helena Félix e outros actores, maquetas de algumas peças e documentos escritos e outro material impresso.
[o texto segue o catálogo da exposição, escrito por José Carlos Alvarez, director do Museu Nacional do Teatro, e apresentação de José Jorge Letria, presidente da Sociedade Portuguesa de Autores]
Em Londres, Luzia Maria Martins frequentou os cursos de filosofia, cinema, encenação de bailado e luminotecnia. Nessas andanças, conheceu Helena Félix, que também residia em Londres, a qual, antes da estadia na capital inglesa, trabalhara em opereta e revista aproveitando a sua beleza e dotes vocais. De regresso a Portugal, as duas estariam na criação do Teatro Estúdio de Lisboa (TEL), como acima indico. A companhia foi uma escola de teatro, pois por lá passou mais de uma centena de actores, muitos em começo de carreira. O TEL estreou autores como Alexander Ostrovsky, Vaclav Havel, Thornton Wilder, Terence Rattingan, David Storey e muitos outros, alguns traduzidos pela própria Luzia Maria Martins (total de 18 traduções), mas também representou Tchekov, Strindberg, Giradoux, Duras e Alberti. Na crónica Lisboa 1972-74, aparece pela primeira vez a canção Uma Gaivota Voava, Voava, cantada por Ermelinda Duarte.
O TEL teve uma grande importância na história do teatro recente mas ainda não foi feito o reconhecimento devido, antes e depois de 1974. Acrescente-se que a censura do Estado Novo cortou ou proibiu diversas peças. Luzia Maria Martins ficaria como uma resistente face a preconceitos de diversa ordem, às vezes por ser muito voluntarista ou militante, e falta de apoios. A exposição é composta por painéis com apresentação dos principais elementos das peças representadas pela companhia, adereços, peças de vestuário usadas por Helena Félix e outros actores, maquetas de algumas peças e documentos escritos e outro material impresso.
[o texto segue o catálogo da exposição, escrito por José Carlos Alvarez, director do Museu Nacional do Teatro, e apresentação de José Jorge Letria, presidente da Sociedade Portuguesa de Autores]
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Revista C regressa às bancas
Após um período de suspensão, a Revista C regressa ao mercado com nova gestão. A BDMP é o novo editor da marca de informação regional que garante a gestão da marca CNotícias (Revista C e portal multimédia www.cnoticias.net) nos próximos cinco anos. O projeto editorial regressa com novos conteúdos e uma abordagem posicionada no segmento trending & events. Novas secções - Artes & Cultura, Estilo, Comportamento, Saúde & Bem Estar, Pais & Filhos, À Mesa, Vícios & Culpas, Motores, Casa & Decoração e Viajar - complementam as antigas áreas da Revista C e reforçam a informação, em função do perfil dos leitores: pessoas de idades entre 24 e 60 anos, ativas, com forte carácter e atitude, conectadas ao mundo, fluentes em tecnologia e habituadas a conhecer as tendências nas mais diversas áreas [informação a partir da própria revista].
quarta-feira, 10 de abril de 2013
domingo, 7 de abril de 2013
Atelier Museu Júlio Pomar (Lisboa)
A exposição inaugural tem obras da fundação e de entidades privadas e está dividida em quatro núcleos, o primeiro dos quais mostra a pintura do artista no período neo-realista das décadas de 1940 e 1950, como Resistência (1946) e Marcha (1946). O segundo núcleo pertence à década de 1960, de linguagem gestual, onde estão presentes temas como as corridas de touros e cavalos. O terceiro núcleo, que ocupa uma parede do segundo piso, revela colagens, de grande beleza conceptual, com temas de animais e cenas de corpos, desejo e maior erotismo, e assemblages. O último núcleo, um regresso à pintura nas décadas de 1980 e 1990, tem telas de maior dimensão, de cores fortes e vivas, o que expressa vidas intensas, algumas delas dedicadas aos índios da Amazónia.
sábado, 6 de abril de 2013
E a que brindamos? no Teatro Rápido
A peça não dura mais de dez minutos numa sala que seria de uma loja de centro comercial que liga a rua Garrett à rua Serpa Pinto, em Lisboa, que não abriu ou foi desactivado e tem hoje outras pequenas salas e um bar, onde também há concertos, espaços muito agradáveis (ou interessantes). Os dois actores representaram mesmo junto aos espectadores e no final agradeceram, desejando continuação de boa tarde. A ficção pode estar longe da realidade mas leva-nos a pensar nos sem-abrigo, pois as cidades têm cada vez mais homens (e mulheres) a dormirem e a vaguearem pelas ruas sem orientação e sem uma vida decente e feliz.
sexta-feira, 5 de abril de 2013
VI Prémio Compostela de Álbuns Ilustrados
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Não fiques calado, pá!
Observação: esta é a minha homenagem a todos os que ao longo dos dois últimos anos protestaram contra a atribuição de licenciatura a um ministro que hoje se demitiu. A entrevista de Nuno Crato, o responsável governamental pela pasta da Educação, ao canal SIC Notícias, terminada há minutos, foi objectiva quanto a isso. Ele falou em necessidade de credibilizar a universidade e de rever a legislação de atribuição, na universidade, de equivalências (ECTS) de modo indiscriminado. Todos os partidos do quadro parlamentar respiraram de alívio com a demissão anunciada hoje - e os cidadãos também. Talvez as grandoladas tenham acabado, porque surtiram já efeito.
Afinal, não ficar calado e contar mentiras vão no mesmo sentido - aquilo que devemos fazer e aquilo que temos de evitar. A minha questão é: que mais coisas pode o passado iluminar para compreendermos o que está de (profundamente) errado na sociedade portuguesa de hoje?
Micro-teatro
Estreou hoje e vai até à próxima segunda-feira, às 18:20, a micro-peça E a que brindamos?, de Pedro Lopes e Miguel Simal, no Teatro Rápido. "O micro-teatro permite ao espectador entrar num mundo fascinante.
O Teatro Rápido apresenta assim, uma proposta nova e intimista, na qual o espectador é convidado a entrar. Não existindo a distância comum entre plateia e palco, o público vê-se apanhado no meio da acção, partilhando sensações com as personagens que lhe são apresentadas" (do blogue Teatro Rápido).
O Teatro Rápido tem entrada permanente pela rua Serpa Pinto, 14, e entrada até às 18:00 pela rua Garrett, 56-60, Lisboa.
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Sempre no Ar, Sempre Consigo, dia 23, pelas 14:00
Marcar na agenda este colóquio: dia 23, pelas 14:00, na sala 121 da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa.
terça-feira, 2 de abril de 2013
Exposição "Abril saiu à rua" em Gouveia
A exposição Abril Saiu À Rua, a apresentar nas Galerias Abel Manta, concelho de Gouveia, pretende recriar o ambiente eleitoral dessa época: ao percorrer as "ruas" da exposição, os visitantes observam a diversidade cromática dos cartazes em formato original, admiram a criatividade das pinturas nos murais onde de tudo se escrevia, e absorvem a sonoridade que pairava no ar. Para um melhor enquadramento histórico, existem painéis explicativos com cronologia e breves descrições dos intervenientes nas campanhas eleitorais, as primeiras páginas da imprensa generalista e partidária, e os resultados das eleições desse período. A aplicação multimédia disponibilizada permite obter informações mais detalhadas e uma maior interactividade com o visitante. Local: Galerias Abel Manta. Data: 8 de Abril a 3 de Maio (informação da organização).
Museu da Presidência da República

O Museu da Presidência da República vai participar no Belém Art Fest, uma iniciativa cultural a decorrer nos dias 5 e 6 de Abril em quatro museus localizados na zona de Belém, em Lisboa. Está prevista a abertura ao público da exposição de arte contemporânea “Vai ser Arte: 70 anos de arte contemporânea”, e vários concertos de fado e jazz. O acesso dos visitantes ao Museu poderá ser feito até à meia-noite (informação da entidade organizativa).
segunda-feira, 1 de abril de 2013
FESTin
O 4.º FESTin decorre no Cinema São Jorge, em Lisboa, entre 3 e 10 de abril de 2013. Entre as novidades na programação, destaca-se a homenagem ao Festival de Gramado (Brasil), que, entre diversos filmes premiados, traz a Lisboa a estreia do filme Colegas, protagonizado por três atores com Síndrome de Down, um fenómeno de sucesso no Brasil. O cinema de Angola é também homenageado, através da parceria com o IACAM – Instituto Angolano de Cinema Audiovisual e Multimédia. No FESTin, há ainda uma maratona de documentários e uma mostra dedicada ao público infantil. Estas sessões juntam-se ao programa habitual do FESTin, constituído por duas sessões competitivas(longas e curtas-metragens), Mostra de Cinema Brasileiro (longas e curtas-metragens) e Mostra de Inclusão Social. Durante sete dias, serão exibidos 75 filmes, entre longas e curtas-metragens de ficção, documentário e animação, provenientes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.
Além disso, o FESTin organiza o I Encontro Internacional de Jornalistas de Cinema, no dia 4 de Abril, pelas 18:00, na sala 2 do Cinema São Jorge, em Lisboa. Direccionada a profissionais e estudantes da área do jornalismo, audiovisual e cinema, mas também aberta ao público, a mesa-redonda conta com a participação de Ángel Quintana (Espanha) (coordenador da Caiman Cuadernos de Cine), António Loja Neves (Portugal) (realizador, crítico e jornalista do jornal Expresso), Fermín Cabanillas Serrano (Espanha) (correspondente da Agência EFE de Huelva), Ivonete Pinto (Brasil) (vice-presidente da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema) e Letícia Constant (Brasil/França) (editora de Cultura da Rádio França Internacional de Paris), com moderação de José Vieira Mendes (Portugal) (jornalista e crítico). No final da sessão, será lançado o livro Cinema em Foco do jornalista e crítico brasileiro Felipe Brida (informação da organização do festival).
Programação completa: http://festin-festival.com.
Almada Negreiros
No dia 7 de Abril, contam-se 120 anos sobre o nascimento de Almada Negreiros (7.4.1893-15.6.1970), um dos pilares da arte portuguesa do século XX. Artista ecléctico, multifacetado. Com início em Abril e até final do ano, um extenso programa, desenvolvido com a colaboração de várias entidades e instituições, assinala esta efeméride. Tertúlias, documentários, exposições, colóquios, espectáculos, edições sobre o artista e reedições da sua obra são algumas das iniciativas que vão permitir um novo olhar sobre o seu legado (texto da organização das comemorações).
sábado, 30 de março de 2013
II Congresso da Confibercom
Investigadores do espaço ibero-americano vão reunir-se em Portugal dentro de um ano, por ocasião da Páscoa de 2014.
O Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (Universidade do Minho) já iniciou a preparação do II Congresso Mundial de Comunicação Ibero-americana, promovido pela CONFIBERCOM. O evento está agendado para o período de 13 a 16 de Abril de 2014. O call for papers está previsto abrir em Julho de 2013 (informação a partir da newsletter de Março da SOPCOM).
Para a organização, o evento pretende ser, no domínio das línguas ibéricas, uma alternativa à hegemonia anglo-saxónica no campo das ciências sociais e humanas. E em que se colocará em discussão a política científica nacional.
sexta-feira, 29 de março de 2013
Produção ficcional da SP Televisão
O volume SP Televisão. A Força da Ficção, editado nos finais de 2012, revela a produção realizada naquela empresa. Contei dezasseis produções ao longo do volume, com o meu destaque para Laços de Sangue (SIC, 2010-2011), vencedora de um Emmy, Vila Faia (RTP 1, 2007-2008, remake de 1982), Conta-me Como Foi (RTP 1, 2007-2011), Dancin' Days (SIC, 2012) e Depois do Adeus (RTP 1, 2012). Os responsáveis da produtora focam a sua atividade em duas linhas: qualidade das produções e respeito pelos que desenvolvem ali a sua atividade profissional.
O livro apresenta a sinopse de cada série ou novela, ideias de (e sobre) as personagens e artistas principais e personalidades das diversas atividades mais focadas em cada produto da SP Televisão.
Leitura: José do Amaral (coord.) (2012). SP Televisão. A Força da Ficção. Lisboa: Centauro, 358 p., 14,95 €
Call for Papers: Hidden Professions of Television
"Offering an international platform for outstanding academic research on television, VIEW has an interdisciplinary profile and acts both as a platform for critical reflection on the cultural, social and political role of television in Europe’s past & present and as a multimedia platform for the circulation and use of digitized audiovisual material. The journal’s main aim is to function as a showcase for the creative and innovative use of digitised television materials in scholarly work and to inspire a fruitful discussion between audiovisual heritage institutions (especially television archives) and a broader community of television experts and amateurs. In offering a unique technical infrastructure for a multimedia presentation of critical reflections on European television, the journal aims at stimulating innovative narrative forms of online storytelling, making use of the digitized audiovisual collections of television archives around Europe.
"VIEW, the Journal of European Television History and Culture, is the first peer-reviewed multimedia e-journal in the field of television studies. The theme of the fourth issue is Hidden Professions of Television, which can be interpreted broadly within the European television context. The issue seeks to shine a light on the ‘behind the scenes’ activities of television and their hidden, often unrecognised and uncelebrated personnel and processes".
See more here.
quarta-feira, 27 de março de 2013
Fernanda Alves
Depois, Fernanda Alves teve uma vida inteira no teatro: Gerifalto, Teatro de Sempre, Teatro da Trindade, dirigida por Álvaro Benamor, Teatro Experimental do Porto, Teatro Moderno de Lisboa (1964-1965), de novo no Porto, Teatro Nacional D. Maria II, Teatro-Estúdio de Lisboa, de Luzia Maria Martins, Teatro Experimental de Cascais, Teatro Laboratório de Lisboa - Os Bonecreiros (1971, com Mário Jacques, Melim Teixeira, Glicínia Quartin, João Mota e Manuela de Freitas), um sucesso no Instituto Alemão (porque a censura não podia ali exercer influência), A Barraca (com Maria do Céu Guerra). Morreu quando estava a preparar Barcas de Gil Vicente, no Porto.
A peça Fernanda. Quem Falará de Nós, os Últimos, em exibição no Mosteiro de São Bento da Vitória no Porto até hoje, com encenação de Fernando Mora Ramos, com este actor e Joana Carvalho no palco, é a comovente história da actriz contada pelo marido Ernesto Sampaio, após a morte dela e editada em Fernanda (Ed. Fenda, 2000). Diz o livro e diz o actor: "Quantos erros, quanta melancolia, quanta vida desperdiçada, quanto amor vão ficar ali estendidos, indefesos, abandonados como crianças postas de castigo e que adormecem de dor, renunciando a tudo. Quem saberá, depois de nós? Quem falará de nós? Os últimos, nós seremos os últimos estendidos de uma grande família ignorada que atravessou os séculos dos séculos em termiteiras a perder de vista destruídas e reconstruídas".
Um pormenor muito importante no dispositivo cénico de Isabel Lopes e Fernando Mora Ramos: a
porta, onde aparece a imagem de Fernanda e onde Ernesto desaparece no final da peça, elemento de grande simbolismo. As ideias da passagem, da vida e da morte, das transformações, da luz e do silêncio, passam ali, com os espectadores voltados para a porta. As muitas palmas no final da peça foram mais que merecidas: à actriz agora revisitada, ao trabalho de Fernando Mora Ramos e colegas.
terça-feira, 26 de março de 2013
História do Rádio Clube Português (18)
O Rádio Clube Português vivia o ano de 1938. Então, na vizinha Espanha, a guerra civil estava a chegar ao fim, mas uma igualmente trágica guerra ia começar, agora abrangendo a Europa toda. Mas, o autor do texto evitou referir-se ao acontecimento no país ao lado, como o fez abundamente em anteriores episódios, e debruçou-se sobre as questões económicas da estação. Um défice de 48 contos seria inscrito no relatório de 1937, um valor muito elevado na época (receitas: 398 contos; despesas: 446 contos). Um novo emissor de 30 kW começava a trabalhar em Outubro de 1938 (1296 contos). As emissões ainda não eram diárias, mas, pelo menos aos sábados, a voz da estação da Parede atingia toda (ou quase toda) a Europa.
Um aspecto interessante: o arranque das retransmissões de música de dança de uma sala do Casino do Estoril. Ali, diz o texto, actuava um pianista excepcional de jazz, Jimmy Campbell. Na história da rádio em Portugal, pelo menos até ao começo da década de 1960, era normal as estações transmitirem directamente música de dança de salas-concerto.
Observação: apesar desta fonte (revista Antena) não ter mais informação sobre a história da estação, procurarei fornecer outros elementos, dentro da linha editorial dos textos apresentados até aqui.
segunda-feira, 25 de março de 2013
Cartazes de propaganda chinesa no Museu do Oriente
Os principais temas abordados são a glorificação do presidente Mao Zedong e dos heróis comunistas, a prosperidade da economia, a luta contra o imperialismo, a felicidade do povo e o poder do exército, as pinturas do ano novo (que fogem à estética revolucionário, ou melhor, constituem uma adaptação da revolução aos gostos populares antigos), cultura popular e diversidade étnica, e influência do maoismo em Portugal.
Além dos cartazes, a exposição apresenta marionetas, recortes de papel, pins, brinquedos e vestuário, alargando mais a informação sobre um país e um estilo de regime, em que a arte esteve ao serviço da política. Dos cartazes, relevo as faces reconchudas, roseadas e sorridentes de crianças, dos camponeses e dos operários, com muitas flores e grandes colheitas, todos bem vestidos, aplicados ao estudo, ao trabalho e à causa política, e com alguns elementos de comodidade pessoal e no lar, numa mostra de felicidade neo-realista que não coincidia com a verdadeira realidade, como depois foi analisada.
Os cartazes seriam impressos às dezenas de milhar por todo o país, exercendo uma enorme influência interna. Mas também chegaram à Europa e inebriaram jovens voluntaristas e cheios de ilusões que viam a revolução chinesa como o farol da nova sociedade, desde a segunda metade da década de 1960 até quase ao início da década de 1980.
sábado, 23 de março de 2013
História do Rádio Clube Português (17)
[Publicado originalmente em http://industrias-culturais.hypotheses.org/23182]
No nº 20, de 22 de Dezembro de 1965, a revista Antena publicava o episódio 17 da história do Rádio Clube Português. Se, no texto anterior, houve uma referência ligeira ao teatro radiofónico, neste episódio a alusão ao teatro na rádio foi mais profunda. Nele, enumeram-se os nomes de Ana Spranger, Meniche Lopes, Margarida Franco, Artur Moura, Rui Furtado, Jaime Santos, António Cruz e Azevedo Moreira, dirigidos por Manuel Lereno. O teatro radiofónico alcançava um número elevado de ouvintes, mesmo que fosse transmitido a horas tardias. Outro tópico do texto era o das empresas editoras de discos e o das lojas que os comercializavam.
Lê-se no texto: "oferecer aos ouvintes portugueses música de Portugal não era coisa fácil". Mas, de norte ao sul, o povo cantava e dançava um repertório de música folclórica quase desconhecido dos outros, comenta o mesmo texto. Ainda em 1938, um ano de fortes memórias para o autor destes episódios da história da emissora, o carro de som fez gravações de música regional que animou, durante algum tempo, os programas da estação. O texto exalta a renovação desse tipo de música, com a formação de novos ranchos folclóricos, como acção directa dos programas do Rádio Clube Português.
Esta era, contudo, uma emanação do poder político, com as campanhas do Secretariado Nacional de Informação sob a direcção de António Ferro. No centenário, comemorado em 1940, o esforço alargava-se à Emissora Nacional, de que se notabilizou Armando Leça, já aqui lembrado.
No nº 20, de 22 de Dezembro de 1965, a revista Antena publicava o episódio 17 da história do Rádio Clube Português. Se, no texto anterior, houve uma referência ligeira ao teatro radiofónico, neste episódio a alusão ao teatro na rádio foi mais profunda. Nele, enumeram-se os nomes de Ana Spranger, Meniche Lopes, Margarida Franco, Artur Moura, Rui Furtado, Jaime Santos, António Cruz e Azevedo Moreira, dirigidos por Manuel Lereno. O teatro radiofónico alcançava um número elevado de ouvintes, mesmo que fosse transmitido a horas tardias. Outro tópico do texto era o das empresas editoras de discos e o das lojas que os comercializavam.
Lê-se no texto: "oferecer aos ouvintes portugueses música de Portugal não era coisa fácil". Mas, de norte ao sul, o povo cantava e dançava um repertório de música folclórica quase desconhecido dos outros, comenta o mesmo texto. Ainda em 1938, um ano de fortes memórias para o autor destes episódios da história da emissora, o carro de som fez gravações de música regional que animou, durante algum tempo, os programas da estação. O texto exalta a renovação desse tipo de música, com a formação de novos ranchos folclóricos, como acção directa dos programas do Rádio Clube Português.
Esta era, contudo, uma emanação do poder político, com as campanhas do Secretariado Nacional de Informação sob a direcção de António Ferro. No centenário, comemorado em 1940, o esforço alargava-se à Emissora Nacional, de que se notabilizou Armando Leça, já aqui lembrado.
quinta-feira, 21 de março de 2013
XIII Congreso Asociación Historiadores de la Comunicación, 21 al 23 de octubre 2013
XIII Congreso Asociación Historiadores de la Comunicación. Facultad de Periodismo. Campus de Cuenca. 21 al 23 de octubre 2013 [Cuenca, Castilla-La Mancha].
El humor como estrategia para lograr una mayor eficacia comunicativa ha sido una constante en la historia de la humanidad. En tiempos contemporáneos, el humor se ha convertido en razón de ser de publicaciones periódicas de diverso tipo y ropaje, identificadas casi siempre como satíricas por ser críticas de normas y personas. Unas publicaciones donde texto y, sobre todo dibujo, conforman un mensaje de consecuencias imprevisibles, pues sólo hace falta ver para ser partícipe.
El futuro XIII Congreso de la Asociación de Historiadores de la Comunicación dedicará su eje central de ponencias y comunicaciones a esta línea tan importante de la historia de la comunicación. Pero no sólo el humor en la historia. Conscientes de que algunos de los problemas actuales en el mundo de la comunicación no se podrán superar sin una correcta dimensión histórica de los mismos, este XIII Encuentro de la AHC propone otros dos subtemas de gran interés: “La construcción de los imaginarios nacionales”, por un lado; y por otro, “Negocios y empresas en la historia del periodismo”.
Finalmente, la parte metodológica que siempre han cubierto estos congresos, se propone que en esta ocasión se centre en la historiografía de la prensa. Las fechas clave del congreso son las siguientes: •Plazo para el envío de propuestas: hasta el 15 de Septiembre de 2013
•Celebración del Congreso: del 21 al 23 de Octubre de 2013
•Envío del texto completo para su evaluación y posible publicación en Actas: hasta el 15 de Noviembre de 2013
[http://blog.uclm.es/congresohc/]
Exposição sobre Luzia Martins
Luzia Maria Martins (1926-2000), encenadora e autora de teatro, foi uma das fundadoras do Teatro-Estúdio de Lisboa (1963).
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