sábado, 16 de fevereiro de 2008

STREAMING DE UMA CONFERÊNCIA

Na Campus Party, bienal de S. Paulo que é a porta para o conhecimento digital e que decorre até ao dia 17, com áreas como jogos, oficinas de blogues, música, robótica, vai falar daqui a minutos Demi Getschko, considerado um dos "pais" da internet no Brasil.


Em streaming, observo o que se passa no palco 1. Há três ou quatro minutos atrás vi algumas pessoas a montarem algo no palco; agora, vejo algumas pessoas movimentando-se atrás das filas de cadeiras. O espaço da conferência estará já pronto.

Para seguir em directo, ver o sítio da Campus Party.

DEBATE EM TORNO DA CULTURA DE COIMBRA


Os subscritores do texto Pelo direito à cultura e pelo dever de cultura! organizam no dia 20 de Fevereiro, pelas 17:00 e no Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra, o debate público Cidade, arte e política: o valor estratégico da cultura.

Moderado por Abílio Hernandez, o debate contará com as intervenções de António Pedro Pita, José António Bandeirinha, José Reis, Manuel Maria Carrilho e Paula Abreu.



Para saber mais, ver o blogue amigos da cultura. Lê-se aí:

  • Em Dezembro de 2005, um conjunto de sessenta cidadãs e cidadãos de Coimbra manifestou publicamente a sua preocupação com a forma como estava a ser conduzida a política cultural da Câmara Municipal. Num documento intitulado “O saneamento básico da cultura”, chamava-se a atenção para dois aspectos fundamentais: o corte de 60% nas verbas destinadas à cultura no orçamento para 2006 e a falta de respeito por alguns dos agentes culturais da cidade, evidenciada nas expressões com que os responsáveis autárquicos a eles se referiam e nas suas atitudes reveladoras de uma visível e ofensiva falta de cultura democrática.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

DE VOLTA À PUBLICIDADE NOS MUPIS


Já há algum tempo que não dou atenção à publicidade de rua. Lisboa é uma cidade em que esta componente de anúncios outdoor tem importância no conjunto de publicidade.

Neste momento, há uma campanha de uma cadeia de supermercados, com imagens diferentes e que apelam à poupança - só que, através de imagem fixa, não é muito perceptível o gesto em que o movimento de polegar e de indicador indicam poupança.

Destaco também as ofertas dos jornais: se o Diário de Notícias oferece um curso de línguas (mandarim, italiano, inglês) e o Público começou uma colecção de filmes, agora surgem campanhas do 24 Horas (música clássica) e do Correio da Manhã (peças com banho a ouro). Os jornais são cada vez mais outras coisas que jornais. Deixo a mensagem que acompanha a publicidade do Correio da Manhã, de forte ressonância religiosa (de gosto duvidoso): Via sacra. Que esta colecção esteja consigo.

LANÇAMENTO DO LIVRO DE CARLOS CAPUCHO SOBRE CINEMA


O livro de Carlos Capucho, Magia, Luzes e sombras. 1974-1999: vinte e cinco anos de filmes no circuito comercial em Portugal, vai ser lançado no próximo dia 3 de Março, na Universidade Católica Portuguesa. A apresentação caberá a Vítor Reia-Baptista, docente da Universidade do Algarve.

Carlos Capucho, no vídeo anexo a esta mensagem, fala desse seu livro agora em promoção.


LIVRO DE CARLOS CAPUCHO SOBRE CINEMA from Rogério Santos on Vimeo.

PROGRAMA SOBRE LEITURAS NA RTPN


A RTPN começa a emitir na próxima segunda-feira o programa LER +, Ler Melhor, dedicado ao mundo dos livros.

O objectivo é, segundo comunicado da produtora do programa (Filbox), "promover a leitura e divulgar todas as novidades da edição livreira nos mais diversos géneros e para todas as idades". Trata-se de um formato de cinco minutos, a transmitir de segunda-feira a sexta-feira, duas vezes por dia - 12:50 e 19:50. "LER+, Ler Melhor ouvirá a opinião de especialistas ligados ao livro e à literatura, desde os escritores aos editores, passando naturalmente pelos críticos".

IMPRENSA EM 2007

  • Em 2007 a generalidade dos segmentos viu crescer as suas audiências face ao período transacto. Jornais diários em banca, diários gratuitos, semanários, newsmagazines e económicos viram reforçada a sua penetração junto aos leitores, apresentando resultados positivos face ao ano de 2006, segundo o Bareme Imprensa referente a 2007 (via newsletter da Meios e Publicidade, onde se podem ler mais informações).

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

REFLEXÃO MAIS QUE CURTA SOBRE AS INDÚSTRIAS CRIATIVAS


Quando aqui comecei a escrever sobre indústrias criativas, saltou-me logo à evidência a abundância da cidade de Birmingham (Reino Unido).

Agora reparo que a aposta é muito maior que eu pensava: veja-se o que se escreve no sítio da
Digital Birmingham:
  • Welcome to Digital Birmingham, a cross sector partnership of public, private and voluntary sector organisations who share the ambition to establish Birmingham as a leading European digital city by 2010.
Sorrio, quando volto a reler o artigo de Mário Vieira de Carvalho, ontem publicado no Público. Apesar de soberanamente escrito, o ex-secretário de Estado coloca-nos a quilómetros-luz de distância de Birmingham, mesmo que o seu texto acabe por referir, quase no último parágrafo, as indústrias criativas. Aliás, eu julgo que ele se referia a indústrias culturais (televisão e cinema).

MEMÓRIAS DA TELEVISÃO BRASILEIRA


Claro que não resisto a copiar a mensagem mais recente do blogue Jornalismo & Internet. Blog do GJOL. É uma alegria de informação:
  • MofoTV é uma comunidade de vídeos no YouTube que se propõe resgatar a memória da TV brasileira. Há coisas do arco-da-velha: trechos de shows, novelas, publicidades, clips musicais, mini-séries, dos anos 70, 80 e 90. Que tal este comercial de Pelé e Xuxa em tempos de vacas magras (anos 80), desejando Boas Festas à todos os clientes da Francisco Xavier Imóveis? (por marcos palacios).

COISAS CURIOSAS


Ontem, escrevi aqui sobre o lançamento de uma edição mundial do jogo Monopólio (mais para trás, reflectira sobre a redescoberta do mesmo jogo, quando escrevi sobre a dicotomia analógico versus digital).

A minha informação de ontem foi logo replicada pelo blogue
Jornalismo & Internet, Blog do GJOL, um colectivo sobre Jornalismo, Internet e Novas Tecnologias de Comunicação mantido pelos integrantes do Grupo de Pesquisa em Jornalismo On-line da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia.

O fantástico desta replicação é descobrir que, no Brasil, o jogo do Monopólio se chama
Banco Imobiliário. Grande imaginação: porquê este nome tão cheio de criatividade? Por mim, quero voltar a comprar o hotel do Rossio ou o prédio da Avenida Almirante Reis (ou já me esqueci do nome das ruas?) e ter um banco. Agora me recordo que os rapazinhos que jogavam o jogo há um mês eram pouco empreendedores: não tinham consciência da importância do banco.

Obrigado aos blogueiros do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Bahia (Brasil) pela citação. Um abraço para eles!

CONFERÊNCIAS ECATI 2008


A Universidade Lusófona promove as conferências públicas de apresentação da Escola de Comunicação, Artes e Tecnologias da Informação (que sucede ao anterior Departamento de Ciências da Comunicação, Artes e Tecnologias da Informação). A primeira decorre a 7 Março (ver o sítio da Universidade Lusófona).

Além disso, a mesma universidade anuncia, em parceria com a Universidade de Santiago de Compostela (Espanha) e o New Media Technology College (Irlanda) a leccionação de curso em Cinema Digital no âmbito do programa comunitário MEDIA (ver o sítio do
Project Prodigi).

NOVIDADES NO JORNAL PÚBLICO


Leio na newsletter da Meios & Publicidade de hoje que "Os conteúdos da área de media vão regressar de forma regular às páginas do jornal Público [...]. A secção que foi eliminada aquando da reformulação operada no diário da Sonaecom há um ano atrás, vai voltar a ter um espaço diário no jornal, desta feita integrado no caderno P2". É uma boa informação.

Há também mudanças nos suplementos de sábado, com o "Digital" a ser encerrado. Esta é uma má informação.


Apesar de se saudar as alterações num corpo de informação como é um jornal, agora que vai comemorar o 18º aniversário, a 5 de Março, as mudanças a efectuar parecem-me muitas, o que significa que a aposta de renovação de 2007 não vingou totalmente.

MUNDO UNIVERSITÁRIO


Reapareceu com novo grafismo e novos conteúdos o jornal semanal gratuito Mundo Universitário.


A aposta é a de uma "imagem mais leve, com a introdução de mais cores e um maior número de pontos de leitura por página", conforme leio na newsletter
Meios e Publicidade.

Deste número agora distribuído, destaco o texto "Primeiros bolseiros deitam mão ao trabalho" e as rubricas "Valores" e "5ª Dimensão".

À directora do Mundo Universitário, Raquel Louçã Silva, com quem trabalhei quando eu era responsável da revista Media XXI, desejo as maiores felicidades.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

O BLOGUE CREATED IN BIRMINGHAM


O blogueiro tem andado com atenção a ver o movimento de blogues associados às indústrias criativas, de onde destaca o Created in Birmingham, de Pete Ashton, agora galardoado na categoria de blogue independente (MediaGuardian Innovation Award), que premeia a forma, a função e a criação de conteúdo, provando que há vida e indústrias criativas para além de Londres. Aliás, a blogosfera de Birmingham - que eu já aqui destaquei - tem muito grande qualidade.

Um perfil do Pete pode ler-se no sítio
4 Talent.

HÁ MAR EM LISBOA


É o nome da proposta da Nave do Tempo, com texto de Cristina Elias, encenação de José Carlos Garcia e com Natasa Marjanovic e Rui Sérgio. Na Lisboa Music Box nos dias 14 a 16 de Fevereiro e aos domingos entre 14 de Fevereiro e 13 de Abril. Durante este período, pode ser visto noutros locais.


Para saber mais da Nave do tempo, ver no blogue blog em palco.

Obrigado a Carlos Filipe Maia pela dica.

COLÓQUIOS EM SERRALVES


Começam amanhã e prolongam-se até 22 de Maio. São sobre economia, justiça, defesa, educação, ciência, cultura, sentido, estado das coisas. O tema de amanhã é O meu país, a Europa e o Mundo, com Jorge Sampaio, anterior presidente da República, e Vasco Graça Moura, eurodeputado e escritor, com moderação de José Manuel Fernandes, director do jornal Público. O comissário dos colóquios é Paulo Cunha e Silva.

PENSAMENTO CRÍTICO CONTEMPORÂNEO


Numa organização do Le Monde Diplomatique (edição portuguesa) e da Numena, Centro de Investigação em Ciências Sociais e Humanas, vai realizar-se de Março a Maio um conjunto de colóquios subordinados ao tema Pensamento Crítico Contemporâneo. O programa pode ser visto aqui.

O JOGO DO MONOPÓLIO


O jogo do Monopólio está a lançar uma edição Mundial. Para o efeito, tem no portal Monopoly uma votação on-line para eleger as grandes cidades do mundo.

As 22 cidades mais votadas vão constar do tabuleiro desta nova edição mundial. Para tal é necessário fazer o registo e votar por Lisboa! O objectivo é que esta actividade seja divulgada porque Lisboa precisa de ficar dentro das maiores cidades para aparecer no tabuleiro e está, de momento, em 42º lugar. Faltam 16 dias para a competição acabar.



Os meus agradecimentos a Maria Rita Ramada pela informação.

FASCÍNIO DE ULISSES


Mais informações: Galeria Luís Serpa.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

FOLEFEST 2008


Para além da exposição Os Mundos do Acordeão (oito fotografias de José Costa e oito desenhos e pintura de Helder Milhano (inauguração no dia 14, na Casa do Arco do Bispo, Castelo Branco), decorre, nos dias 21 a 23, o 2º Concurso e Festival de Acordeão de Castelo Branco, cujos promotores são o Conservatório Regional de Castelo Branco e a Escola Superior de Artes Aplicadas.


O festival conta nomeadamente com os concertos de Iñaki Alberdi e Iñigo Aizpiolea, duo de acordeões vindos de Espanha (21 de Fevereiro, às 21:30) [à esquerda], Pedro Santos e Paulo Jorge Ferreira, duo de acordeões (22 de Fevereiro às 11:00) e Alexander Sevastian, acordeão solo, vindo do Canadá (22 de Fevreiro, às 21:30) [em baixo].


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

CINEMA EM CARTAZ


Trata-se de um vídeo feito a partir da exposição levada a cabo na Cordoaria Nacional e que eu fiz aqui referência, a 12 de Maio de 2007. Recordo que a exposição estava estruturada em seis núcleos: 1) a caminho da sétima arte, 2) do palco ao ecrã, 3) da graça à desgraça, 4) silêncio... acção, 5) norte, sul, este, oeste, 6) os incompletos, e 7) projecção de filmes (Les victimes de l'alcool; Rigadin, peintre cubiste; Les misérables; Fantômas).

LIVRO DE CARLOS CAPUCHO SOBRE CINEMA


Começou a ser distribuído no mercado o livro de Carlos Capucho, Magia, luzes e sombras. 1974-1999: vinte e cinco anos de filmes no circuito comercial em Portugal, uma edição da Universidade Católica Editora.

Livro que resulta da sua tese de doutoramento (defesa sobre a qual eu escrevi
aqui, a 24 de Outubro de 2005), Carlos Capucho divide-o em três partes: 1) fundamentação, 2) exibição cinematográfica em Portugal entre 1974 e 1999 (com ênfase para o BC - Boletim Cinematográfico, dentro do Secretariado do Cinema e do Audiovisual, organismo ligado à Igreja Católica), 3) estudo de casos.

Do que escrevi em Outubro de 2005 retiro a seguinte passagem:

a investigação levou em conta "a defesa de um quadro de preparação técnica e científica que habilite os educadores e os formandos para a compreensão dos mecanismos da comunicação mediatizada no sentido de os dotar com capacidade crítica, essencial para o exercício de tarefas educativas no campo dos media". Noutras partes do mesmo texto, destaca a importância da "formação dos agentes educativos (docentes, formadores e animadores culturais)", dada a complexa mas importante "rede de códigos verbais, sonoros, icónicos, retóricos, estilísticos" do cinema. Lê-se ainda: "No caso específico do cinema, compreender um filme significa não só reconhecer e identificar os elementos visuais e sonoros mas também compreender o discurso fílmico que se concentra nos códigos cinematográficos".

Espero voltar em breve a escrever sobre este livro (com 604 páginas).

Carlos Capucho é professor auxiliar na Universidade Católica Portuguesa, onde coordena a licenciatura em Comunicação Social e Cultural. Do seu currículo, e para além do doutoramento em Ciências da Comunicação, destaco o estágio feito no Centre Recherche et Communication (Lyon, França), a fundação do Grupo de Pesquisa Audiovisual, a instalação da Logomedia (onde foi formador e realizador) e a docência anterior no Instituto Piaget e na Escola Superior Maria Ulrich.

VIDEOARTE NA GULBENKIAN

Até 7 de Março aceitam-se candidaturas para o Curso de Videoarte dentro do Programa Gulbenkian Criatividade e Criação Artística (PGCCA). O curso, a decorrer entre 6 de Outubro e 12 de Dezembro, terá como formadores Chantal Akerman, Harun Farocki e Jean-Pierre Gorin, entre outros.

Segundo a organização, "Os docentes deste curso destinado a jovens artistas, com idades compreendidas entre os 22 e os 35 anos, irão proporcionar uma formação intensiva de dez semanas nas áreas do filme e do vídeo de arte. O conjunto de workshops será intercalado com períodos dedicados à produção individual de obras originais realizadas pelos doze candidatos que serão seleccionados para o curso".

O que é a videoarte?

Ainda seguindo o comunicado do Programa Gulbenkian Criatividade e Criação Artística (PGCCA),

  • Com início na década de sessenta, a videoarte constituiu uma revolução no panorama das artes, criando contaminações de linguagens, de géneros e de media, o que inspirou formas de produção artística novas e inéditas. A videoarte deu origem a investigações e produções teóricas inovadoras, radicalizando a paisagem da performance, das artes visuais, ao mesmo tempo que se constituía, ela própria, como um género artístico novo, apesar de multidisciplinar. Hoje, a videoarte é muitas coisas – entre o cinema, as artes plásticas, a performance audiovisual, a poesia, etc. – e o próprio termo é, por vezes, insuficiente para titular algumas obras neste âmbito. Continuamos neste curso a utilizar o termo, algo clássico, mas que permite uma aprendizagem múltipla, tanto teórica e histórica como prática. O curso recorre à tecnologia mais actual, utilizada para aumentar a eficácia das propostas artísticas e nunca como um fim em si mesmo. Por isso, e dentro da multiplicidade de propostas autorais, os artistas serão convidados a conceber uma obra que ultrapasse a dimensão tecnológica e se constitua como um produto de imaginários criativos.
Mais informações: Programa de Criatividade da Gulbenkian.

NOTAS PARA UMA AULA DE TEORIA DA COMUNICAÇÃO (2)


Para Carlos Araújo (2001: 119), no começo do século XX, investigadores da escola de Chicago como Park, Burgess e Cooley estudaram os processos comunicativos a nível microssociológico, tendo a cidade como local de observação. No mesmo período, Charles Peirce escreveria sobre semiótica, campo de trabalho sobre os significados a partir da perspectiva pragmática. Nos anos de 1930, H. Blumer, igualmente da escola de Chicago, falou de interaccionismo simbólico, e autores da escola de Palo Alto, vindos de áreas como antropologia, linguística, matemática, sociologia e psiquiatria, inauguravam outra tradição, reunidos à volta de Bateson, Goffman e Watzlawick, os quais propuseram uma compreensão da comunicação como processo social permanente.

Contudo, estas correntes seriam marginais face ao que se designou como mass communication research, hegemónica entre os anos 1920 e 1960. Carlos Araújo (2001: 120) fala em três grandes grupos de investigação: 1) teoria matemática da comunicação, 2) corrente funcionalista (Lasswell, Lazarsfeld, Merton), 3) mass communication research, voltada para os efeitos (e que recobre a segunda corrente), com teoria dos efeitos ilimitados, efeitos limitados e efeitos cognitivos de longo prazo.

O mesmo investigador encontra quatro características comuns na comunicação de massa: 1) orientação empírica, 2) carácter pragmático, com estudos feitos com base em encomendas do Estado e das grandes empresas, 3) estudos voltados para a comunicação mediática, e 4) com um modelo comunicacional fundador (emissor, receptor, canal, sinal, ruído).

Assim, podemos concluir que, com a mass communication research nos EUA e por volta dos anos 1930, se desenvolveram estudos sobre os media, em especial analisando os seus efeitos e funções – o que marcou, por outro lado, o início da teoria da comunicação.

Leitura: Carlos Alberto Araújo (2001). “A pesquisa norte-americana”. In Antonio Hohlfeldt, Luiz C. Martino e Vera Veiga França (org.) Teorias da Comunicação. Conceitos, Práticas e Tendências. Petropólis: Editora Vozes

domingo, 10 de fevereiro de 2008

NOTAS PARA UMA AULA DE TEORIA DA COMUNICAÇÃO (1)


A partir do texto de Lawrence Grossberg, Ellen Wartella, D. Charles Whitney e J. MacGreggor Wise (2006). Mediamaking. Mass media in a popular culture (imagem de Grossberg a partir do sítio da Universidade do North Carolina at Chapel Hill; imagem de Wartella do sítio da Universidade do Minnesota; imagem de Whitney do sítio da Universidade da California Riverside; não consegui a imagem do quarto autor).

Que efeitos têm os media sobre nós? Por volta de 1960, Joseph Klapper dizia que era difícil provar o efeito dos meios de comunicação. Era o tempo do modelo dos efeitos limitados em termos de influência dos media. Sugeria-se então que, quando (e se) os media afectam o comportamento, fazem-no através de uma rede de outros factores de influência, como as características pessoais, situação social, clima geral de opinião e cultura.

Ora, desde o começo dos estudos mediáticos, há analistas que afirmam que os media afectam fortemente o comportamento da audiência e outros que concluem pela influência limitada dos media sobre o comportamento.

O comportamento (o que as pessoas fazem com base no que obtêm dos media) interessa-nos muito. Por exemplo, um anúncio comercial a dizer que a Mercedes é uma marca de confiança não é feito para as pessoas acreditarem ou não mas para desenvolver um comportamento – a tendência para a sua compra. Do mesmo modo, um político calcula o impacto de um discurso televisivo em termos de como isso afecta o voto dos eleitores. E também se quer saber os efeitos comportamentais da violência e da sexualidade presente nos media, em especial os efeitos nas crianças.

Com o desenvolvimento de cada meio electrónico no século XX, levantou-se sequencialmente a questão pública – que efeitos? Nos anos de 1920, com os filmes temia-se um comportamento licencioso; levariam os filmes a que os adolescentes tivessem uma conduta sexual que as gerações anteriores não tinham tido? Quando veio a televisão, uma geração depois, perguntou-se se aquela não transformava os adolescentes em delinquentes juvenis. Indagava-se sobre o efeito dos programas violentos na televisão, cinema e banda desenhada dos anos 1950 no comportamento agressivo das crianças.

Estudar os efeitos dos media no comportamento humano tem sido uma das principais actividades de psicólogos, sociólogos e outros cientistas sociais no campo da comunicação. Muita da pesquisa feita sobre os efeitos comportamentais dos media reside no modelo de transmissão de comunicação. Lasswell (1948) perguntou: quem diz o quê a quem em que canal e com que efeito (os cinco w).

É preciso perceber que tipos de efeitos existem. Para os psicólogos sociais, existem três: cognitivo (intelectual, conhecimento), afectivo (emocional, avaliativo) e conativo (intencional, comportamental; persuasivo). Uma mensagem mediática pode ter influência num factor mas pode não ter nos outros. Acontece isso com os anúncios. Geralmente, as consequências ou efeitos das mensagens mediáticas podem separar-se em intencionais ou não intencionais. No caso de um anúncio, pode haver uma intenção primária ou manifesta (aberta) que encoraje uma audiência a comprar um produto, mas pode haver uma intenção latente (escondida, coberta).

Grossberg e colegas lembram a transmissão radiofónica da Guerra dos Mundos, por Orson Welles, cujos efeitos podem resultar em: 1) as mensagens podem ter consequências inesperadas ou antecipadas, 2) mesmo que uma grande maioria da audiência não seja afectada por uma mensagem, ela pode ter consequências sociais importantes em alguns membros, 3) o efeito dos media pode estabelecer-se segundo vários critérios. Nós também poderíamos referir A Invasão dos Marcianos, de José Matos Maia, transmitida na Rádio Renascença em 25 de Junho de 1958, e que provocou semelhante alvoroço que a transmissão de Welles.

Denis McQuail (2000) anota que os media podem conduzir a diferentes tipos de mudança: 1) mudança intencional (conversão), 2) mudança intencional, 3) mudança mínima de forma ou intensidade de resposta, 4) facilita a mudança, 5) reforça o que existe (não há mudança) e 6) previne a mudança. Dizer, por exemplo, que as mensagens mediáticas podem facilitar a mudança é argumentar que, apesar das outras forças sociais serem uma causa primária de mudança, as mensagens mediáticas tornam as mudanças mais fáceis ou rápidas.

Quanto aos tipos de efeitos, precisamos de pensar em diferentes escalas de tempo: 1) a exposição a mensagens de curta duração ocorre quando se é exposto a uma só mensagem, por exemplo, um programa de televisão; fica-se satisfeito quando se vê, mas não se volta a pensar no assunto, 2) a exposição a mensagens de duração média relaciona-se com um conjunto de mensagens interligadas como uma campanha de um produto ou o marketing social de inibição de fumar em locais públicos e fechados, 3) a exposição a mensagens mediáticas de longa duração ocorre após muita exposição acumulada no tempo e com mensagens interligadas. Exemplos: o argumento que a violência da televisão leva a comportamento agressivo, ou que a pornografia leva a violência contra as mulheres. Além disso, os efeitos dos media podem ser transitórios ou persistentes.


Lawrence Grossberg estará em Lisboa, na Universidade Católica Portuguesa, a leccionar temas de cultura, em Maio próximo.

Leitura: Lawrence Grossberg, Ellen Wartella, D. Charles Whitney e J. MacGreggor Wise (2006). Mediamaking. Mass media in a popular culture. Thousand Oaks, Londres e Nova Iorque: Sage, pp. 293-301

CONSTANÇA LUCAS EXPÕE DESENHOS DE POETAS PORTUGUESES E BRASILEIROS


Carlos Drummond de Andrade e Fernando Pessoa fazem parte do conjunto de desenhos de poetas feitos por Constança Lucas, expostos entre 21 de Fevereiro e 29 de Março na comemoração dos 16 anos da livraria Alpharrabio (1992/2008).


Os outros poetas são António Gedeão, António Ramos Rosa, Cecília Meireles, Dalila Teles Veras, Eugénio de Andrade, Florbela Espanca, Herberto Hélder, Irene Lisboa, João Guimarães Rosa, Jorge de Sena, Manoel de Barros, Mario Quintana, Matilde Rosa Araújo, Sophia de Mello Breyner Andresen, Torquato Neto e Zeca Afonso.

A livraria e centro cultural Alpharrabio fica na Rua Eduardo Monteiro 151, Santo André, São Paulo. Para saber mais, procurar no sítio da livraria e no blogue.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

REFLEXÕES EM TORNO DA REVISTA NOTÍCIAS TV, QUE SAI À SEXTA


1. Não gosto. Trata de fofocas das pequenas celebridades do nosso universo televisivo, tipo José Castelo Branco, Sónia Araújo, Jessica Athayde (apresentada com ex-moranguita) ou Joana Solnado.

2. Mas compreendo que é um muito bom produto. Ao ser vendida conjuntamente com o Jornal de Notícias e o Diário de Notícias, aproxima-se dos 150 mil exemplares, o que bate a concorrência de revistas dedicadas à televisão, tipo Caras ou Lux. E sem custo acrescido, pois está incluído no preço do jornal. A outra grande razão vem abaixo, no ponto 4.

3. Comparo a revista Notícias TV com o caderno Ípsilon, do Público. Há, nas duas publicações, públicos-alvo distintos a atingir. O Ípsilon (que resultou da fusão de dois cadernos, está a fazer um ano, o Y e o Mil Folhas) tem a marca da geração Y. Por oposição, a Notícias TV atinge fundamentalmente a geração baby boomer. Passo a explicar. A geração Y representa a geração nascida entre 1976 e 2000, opondo-se às anteriores gerações, a X, nascida entre 1962 e 1975, e a dos baby-boomers, após a Segunda Guerra Mundial, nascida entre 1945 e 1961. A geração Y é filha da geração baby-boomer, agora em lento desaparecimento do mercado de trabalho (reforma), dando lugar à geração X. A geração baby boomer vista pela geração Y é nomeada como a dos pais de helicóptero, expressão pejorativa dos que consomem muita televisão ou estão dentro dela (retirei a expressão da
wikipédia). Começa, entretanto, a falar-se de uma nova geração, nascida a partir de meados da década passada, apelidada de novo silêncio (a do iPod e que está a entrar no secundário). Na terminologia do OberCom, que tem trabalhado a recepção dos media segundo gerações, à geração iniciática (a nascida no começo dos anos 1950, quando a televisão arrancava na Europa, também chamada paleotelevisão) opõe-se a geração multimedia (a mais recente, da idade dos computadores, filha daquela), ficando no meio a geração intermédia (a da neotelevisão). Isto é: termos diferentes para nomear as mesmas gerações.

4. Posso ver o assunto de maneira mais simples: o caderno do Público orienta-se para um público urbano, jovem, consumidor de media mas também forte consumidor de outros bens culturais - as indústrias culturais e criativas no seu conjunto; o caderno Notícias tem por alvo um público mais velho e geral, em que os consumos de media estão centralizados na televisão. Ora, este é substancialmente maioritário nas cidades onde os jornais do grupo Controlinvest actuam (os Notícias de Lisboa e do Porto), logo há um enorme mercado a manter e conquistar.

5. Apesar de eu não gostar no geral, o Notícias TV tem coisas importantes e sérias: a interpretação das audiências de televisão, por exemplo. Nuno Azinheira é dos jornalistas que melhor interpreta os consumos de televisão; logo, são páginas que devem ser consultadas, pela informação que mostra e analisa (e que me lembra as páginas de um Diário de Notícias que começa a ficar longínquo, em que Azinheira fazia par com Miguel Gaspar, a meu ver uma dupla de génio). Esta semana, as páginas 74 e 75 são imperdíveis. Por exemplo: 1) minuto de ouro: o jogo de futebol em que interveio o Benfica, 2) minuto de lata: o serviço Euronews, 3) grande entrevista com a espécie de Robin dos Bosques que é o bastonário da Ordem dos Advogados, em que os telespectadores eram basicamente do interior do país, classe baixa e com mais de 55 anos.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

OS VÍDEOS DO VIDEOLAB


Sérgio Gomes é paginador de um jornal de Coimbra e Pedro Almeida é professor de educação física. Um dia, este desafiou aquele, que dirigia um workshop sobre edição de vídeo no festival Caminhos do Cinema Português, em Coimbra, a criar uma associação - o Projecto Videolab.

A história vem no Jornal de Notícias de hoje e fala igualmente da mostra de vídeo na livraria-café Gato Vadio (Porto), a partir de amanhã (já falei desta mostra no dia
4), organizada pelos dois. Custo dos bilhetes de ingresso: 1 euro. Escreve o jornal: "O bastante, esperam, para pagar as viagens entre Coimbra e a Invicta".


No texto, assinado por Nelson Morais (e fotografia de Bruno T. Pires), ainda há tempo para percebermos que a associação já passou mais de 500 filmes em três anos, sem subsídios nem intuitos comerciais, tendo com muita frequência aceitação de realizadores com trabalhos que estiveram nos melhores festivais a aceitar passar os seus vídeos gratuitamente. Com a qualidade como grande critério do Projecto Videolab, este espaço da internet transformou-se rapidamente numa boa plataforma de experiências artísticas.

O tema da mostra é You talkin' to me?, a frase que Robert de Niro repete em frente ao espelho em Taxi Driver, pois na maioria dos vídeos (18) aparece alguém a olhar ou a falar directamente para o espectador.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

3,7 MILHÕES LIGADOS AO HI5?


Olá Rogerio,
Gostaria de te adicionar à minha rede de amigos do hi5. Tens de confirmar que somos amigos para que possamos conhecer novas pessoas. Por favor, aceita ou recusa o meu pedido, acedendo ao site do hi5:
Aceite o Amigo
Obrigado,
Geração High Tech
(recebido hoje na minha caixa do correio às 17:31)


Recebo, quase dia sim dia não, uma mensagem deste tipo. Inicio a sessão no hi5 e espreito a quantidade de pessoas que estão ligadas na rede social e outras que me esqueci de ligar entretanto. Lá estão o Miguel, a Katyuska, a Lauri, a Sara, o Ouri, a(o) valsousatv - pessoas que serão simpáticas mas que eu não conheço embora acabe por aceitar e dizer que a(o) conheço do trabalho ou de amigos que fiz no hi5. Uma dessas pessoas está a "trabalhar mas a observar o mercado" e colocou na rede 25 fotografias. Uma outra tem uma mensagem forte: "A tua amiga não tem novidades - diz-lhe para adicionares algo de novo".

Anteontem, o tema foi assunto do Público, com chamada de capa: Redes sociais - já somos 3,7 milhões agarrados ao Hi5. Na reportagem, de escrita escorreita e agradável, falam vários elementos dessa rede e uma docente universitária.

É um tema actual, interessante. Mas o número de ligados ao Hi5 pareceu-me elevado. E li, entre a primeira e a segunda coluna, que os jovens dos 15 aos 24 são os que mais usam o computador à noite para acesso ao Hi5. Em nenhuma parte do texto se associa esse nível etário aos utilizadores da rede social, mas a proximidade de parágrafos fez-me sentir essa identidade.

Ora, recorrendo aos dados da população portuguesa no portal do
INE, os grupos etários aparecem com estes números:

A leitura deste quadro prova que o número é, com certeza, exagerado. Mesmo contando toda a população portuguesa dos 10 aos 24 anos ela atinge perto de 1,3 milhões. Para chegar aos 3,7 milhões precisaríamos de ter quase toda a população até aos 44 anos ligada ao hi5.

Olhando o texto com mais atenção, a jornalista fala de várias redes sociais: MySpace, Orkut, Facebook, Sapo, Clix. Eu estou ligado, pelo menos que me lembre, a três dessas redes. Será que conto por três portugueses?

Competiria à jornalista - e ao editor - averiguar se está correcto o número. Afinal, o que fica do texto é o empolgante título.

Faço minhas as sábias palavras de Mário Mesquita no seu livro O jornalismo em análise, a propósito de um título semelhante:

"A hipótese que tenho por mais plausível reside na vontade de apostar a todo o custo numa linguagem apelativa. A concorrência entre jornais é intensa, o mercado exíguo e urge encontrar respostas eficazes".

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

CHURROS EM SALAMANCA


De repente, fiquei com uma grande vontade de comer churros e beber chocolate na Plaza Mayor de Salamanca. Recordo-me de ter escrito uma mensagem em 11 de Fevereiro de 2005 sobre a degustação de churros. Agora, nessa mensagem, foi colocada o seguinte comentário: "Obrigada por não escolher «churrería marca VALOR» em Rua Libreros junto a nossa famossísima Universidade para degustar um chocolate com churros. Vivir nesta rúa já não é tão COOL desde que abrieron esa churrería num local que não é apto para essa actividade. ¡até a rana de la fachada se quejaba de la peste a churros! O Tribunal Superior de Justicia de Castilla y León anuló su licencia de apretura, pero ¡NADA! ahí siguen con su negocio. Para a Câmara Municipal desta ciudad os vezinos são um cero à esquerda" [assinado: Helena].

A MULTIDÃO ESTUDADA POR CINTRA TORRES


É um texto do tamanho de um capítulo de livro (23 páginas). Nele, Eduardo Cintra Torres propõe-se estudar o conceito de multidão, que podemos associar a público, audiência e massa, nas suas proximidades e distinções. Cintra Torres precisa melhor o conceito - multidão religiosa em dois autores de língua francesa (Zola e Huysmans). Como é que eles trabalharam em romances a ideia de multidão religiosa de Lourdes, na passagem do século XIX para o XX?

Cintra Torres, docente da Universidade Católica, crítico de televisão, a preparar tese de doutoramento e autor de livros como A tragédia televisiva (2006) e Anúncios à lupa. Ler publicidade (2006), tem aqui um exercício fino e rigoroso. Passa pelos clássicos (Le Bon, Tarde) mas anota: "Não sabemos se o romance de Zola terá influenciado directamente as reflexões posteriores de Tarde, Le Bon e os outros que reclamavam escrever cientificamente sobre as multidões" (p. 735).

O romance Lourdes, de Zola, teve grande êxito editorial. Zola terá sido o primeiro autor de renome a debruçar-se sobre o fenómeno da devoção de massas na aldeia dos Pirinéus, a partir das aparições da Virgem Maria a Bernadette Soubirous, esclarece Eduardo Cintra Torres. Este dá-nos, igualmente, conta da forma como Zola trabalhou o tema. Visitou Lourdes em 1892 e longamente em 1893, entrevistou personagens importantes do local e leu obras sobre os aspectos religiosos (p. 739). Podemos situar, seguindo Cintra Torres, o trabalho de Zola entre o etnólogo e o repórter de investigação. O romance reproduziria as notas que Zola tomou em Lourdes, nomeadamente as descrições de multidão. Aliás, um dos elementos fundamentais do romance é a presença esmagadora da multidão no santuário (p. 740), estimada em cerca de 150 mil pessoas por ano, número espantoso atendendo às dificuldades de transportes nessa época.

Zola imaginaria uma trama com personagens como padres, bispos, crentes e especuladores. O romance começa com a viagem de um comboio especial de Paris a Lourdes e acaba com a viagem de regresso. As personagens principais são Pierre Froment, um padre descrente, e Marie, sua amiga e paralítica, cheia de fé e que se cura na estadia em Lourdes.

Fraternidade e comunidade evangélica são elementos de destaque no livro de Zola, e que se repetirá no livro de Huysmans, As multidões de Lourdes. Francês de origem holandesa, Huysmans visitara Lourdes em 1903 e 1904. De modo distinto de Zola (Germinal, Lourdes), este segundo autor tem outra visão da multidão, tem medo dela, acha que ela faz um assalto ao espaço público de Lourdes (p. 749). A multidão é confusão, horda, matilha, amontoado, turba, fluxo (p. 750).

Eduardo Cintra Torres faz uma comparação subtil mas curiosa:
enquanto Zola viu Lourdes em parte como consequência do falhanço da ciência e do progresso em dar felicidade às pessoas, Huysmans viu-a como consequência do falhanço da democracia de massas (p. 751). Afinal, tratava-se, nas palavras de Cintra Torres, de articular "o fenómeno religioso de Lourdes e a teoria sócio-política da multidão através de duas obras literárias de referência" (p. 753).

A meu ver, e seguindo esta leitura, Huysmans estava mais perto de Le Bon do que Zola.

Leitura: Eduardo Cintra Torres (2007). "A multidão religiosa de Lourdes em Zola e Huysmans". Análise Social, 184: 733-755 (separata)