terça-feira, 4 de dezembro de 2007

NARRATIVA FÍLMICA E VIDEOJOGO EM TESE DE DOUTORAMENTO


Retiro da newsletter de Dezembro da SOPCOM:
  • Luís Nogueira, docente na Universidade da Beira Interior, defendeu uma tese de doutoramento intitulada Narrativa Fílmica e Videojogo. Articulações e Dissensões, no dia 30 de Novembro.

    O investigador acredita que é cada vez mais notória a forma como estes universos da arte e do entretenimento se influenciam mutuamente. Avaliar a crescente confluência das áreas dos videojogos e das narrativas fílmicas, quer em termos criativos quer em termos de produção, é uma das possibilidades práticas do estudo realizado.
Outra informação da mesma newsletter dá conhecimento do doutoramento de João Canavilhas, igualmente docente da Universidade da Beira Interior, no passado dia 28 de Novembro na Universidade de Salamanca. Título: Webnotícia: Propuesta de Modelo Periodístico para la WWW.

NOITE DE REIS. DEZ PERSONAGENS E UM CÃO


PELA COMPANHIA PAULO RIBEIRO, A 7 DE DEZEMBRO, ÀS 21:30, NO CINEMA-TEATRO JOAQUIM D'ALMEIDA (MONTIJO).


Confusão, caos, troca de identidade, intriga, amor, luxúria, embriaguês, comportamento desenfreado, artimanha, demência, sedução e lascívia são conjurados pela Leonor Keil na sua interpretação a solo, que dá vida à galeria dos personagens cómicos de uma Noite de Reis, de Shakespeare (informação da organização do espectáculo). Criação de John Mowat e produção executiva da Companhia Paulo Ribeiro.

GRUPO DE PESQUISA HISTÓRIA E COMUNICAÇÃO


Beatriz Kushnir e Mónica Carvalho inscreveram o Simpósio Temático História e Comunicação: Mídias, Intelectuais e Participação Política, no 53º Congresso Internacional de Americanistas, que ocorrerá no Centro Histórico da Cidade do México, México, entre 19 a 24 de Julho de 2009, e cuja temática será: Os povos americanos: mudanças e permanências. A construção da própria identidade num mundo globalizado.

A data limite para apresentação e aceitação de simpósios para o 53º Congresso de Americanistas é 31 de Março de 2008. Caso queira participar, envie até 31 de Janeiro de 2008 a sua proposta com nome, instituição e vínculo, título da comunicação e resumo com um máximo de 500 palavras. Emails de contacto:
bkushnir@uol.com.br e monica.marino@gmail.com.

O Simpósio Temático (ST) iniciou-se na ANPUH (Simpósio da Associação Nacional de História, Brasil) de João Pessoa, em 2003, e também aconteceu na Regional do Rio, em 2006 e na Nacional, em 2007. O ST tem como objectivo principal dar continuidade a sua proposta de constituição de um fórum multidisciplinar que reúna profissionais que refletem os Media enquanto temática – historiadores, cientistas sociais, jornalistas, literatos, etc. Serão privilegiados neste simpósio ensaios acerca da relação de poder nesse universo de conivências – das redacções, rádios, televisões, etc. –, como também nos intercâmbios com a sociedade civil e as esferas de governo.

III ANO DO CONCURSO DE MONOGRAFIA - ARQUIVO DA CIDADE PRÉMIO AFONSO CARLOS MARQUES DOS SANTOS/2008

O projecto Concurso de Monografia Arquivo da Cidade/Prémio Afonso Carlos Marques dos Santos tem como finalidade seleccionar um estudo que tome o Rio de Janeiro como tema, quer enfocando o passado da cidade, na linha do resgate histórico, quer tratando de nossa história mais recente, fornecendo análises e discussões sobre o Rio contemporâneo. Podem ser inscritos trabalhos nas áreas de história, geografia, antropologia, arquitectura, urbanismo, saúde e cultura em geral, desde que entre as fontes consultadas figurem documentos iconográficos,manuscritos ou impressos pertencentes ao acervo do Arquivo da Cidade.

Podem participar no concurso, com trabalho único, brasileiros ou estrangeiros residentes no país e portadores de diplomas de nível superior. Somente será admitido trabalho inédito, redigido em língua portuguesa e o julgamento das monografias competirá a uma Comissão Julgadora, nomeada pela Secretaria Municipal das Culturas.

Em ambas as informações procurar mais detalhes em
História e Comunicação.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

ANTÓNIO SÉRGIO


António Sérgio mostrou muito contentamento por voltar ao Hertz (ondas hertzianas, mas também pela internet, aqui, com um segundinho de atraso); agradeceu a todos e a quem também lhe deu uma mão especial: Ana Cristina Torrão (a sua mulher) e Luís Montez (o director da estação).

A Radar ganhou um mestre, como diziam os animadores da emissora ao longo do dia de hoje. A rádio está mais jovem e inovadora, acrescentaria eu.

Boa sorte ao seu Viriato 25!

COMO APOCALÍPTICOS E INTEGRADOS OLHAM O CONSUMO


Se Lipovetsky (2007: 12) tem uma postura de optimismo - embora moderado - afastando-se das leituras paranóicas do consumo que prevêm o abismo por detrás da abundância e comunicação, Bauman (2007: 77) tem uma definição de “sociedade de consumidores” que não engana: tipo de sociedade que “interpela” os seus membros fundamentalmente enquanto capacidade de consumidores.

De um lado, os integrados (que não questionam a sociedade de consumo); do outro, os apocalípticos, que entendem que os consumidores são seres frágeis nas mãos da sociedade do capitalismo consumista.


A perspectiva de Lipovetsky

Lipovetsky fala em três fases do consumo. A primeira, a do mercado de massa, começou por volta de 1880, com a implementação de infra-estruturas de transportes e comunicações (comboio, telefone) e o fabrico contínuo: em 1914, saíam da fábrica diariamente mil automóveis modelo T da Ford. O surgimento do marketing de massa significou a criação de marcas: Coca-Cola, Procter & Gamble, Kodak. Ao mesmo tempo, na distribuição inventava-se o grande armazém (Printemps e Bon Marché em França, Macy’s e Bloomingdale nos estados Unidos). O grande armazém – de estilo monumental, cúpulas resplandescentes e montras de cor e luz – privilegiariam a rotação rápida de stocks e praticavam preços baixos. Por volta de 1950, nasce a economia de consumo, com produtos emblemáticos da sociedade de afluência: automóvel, televisão, aparelhos electrodomésticos. Melhores recursos sociais, difusão do crédito, modos de vida diferentes (lazer, férias, moda. Juventude, despesa em vez de poupança) (Lipovetsky, 2007: 31). Na terceira fase, a do hiperconsumo (anos 1980 em diante), a aquisição das coisas e as práticas de lazer escapam às lógicas de rivalidade estatutária. À ostentação social de objectos adveio o hiperconsumo sem conflitos e conformista, com uma paixão pelas marcas mas sem fidelidade e a febre da mudança perpétua (Lipovetsky, 2007: 57).

Na segunda parte do livro de Lipovetsky (2007: 131-133), ele fala de prazeres privados, especificando cinco modelos paradigmáticos do prazer e felicidade nas nossas sociedades: 1) penia (pobreza) – as sociedades de consumo assemelham-se a um interminável sistema de estímulos das necessidades que quanto mais prometem a felicidade ao alcance da mão mais causam a decepção e a frustração, 2) dioniso – o cosmos das necessidades sobremultiplicadas é consequência do princípio hedonístico, exacerbação da vida dos sentidos, prevalência dos desejos do desfrutar do prazer aqui e agora, 3) super-homem – reconhece na cultura contemporânea o prolongamento e acentuação dos antigos valores puritanos hostis aos prazeres sensíveis, 4) némesis – a era da abundância não se define tanto pelo clima de ligeireza e benevolência mas por exasperação dos conflitos inter-humanos (Némesis é a deusa que personifica a inveja), e 5) narciso – modelo construído na base da privatização das exigências levadas a cabo pela civilização consumista.

A perspectiva de Bauman

Igualmente partindo de uma perspectiva histórica, Bauman (2007: 79) indica que, no discurso do século XVIII, o consumidor estava praticamente ausente. Mesmo no século XIX, e apesar do incremento das práticas comerciais, publicitárias, técnicas de exposição e das arcadas ou galerias comerciais, arquétipos dos centros comerciais contemporâneos, não houve muitas referências a consumidores. Então, a metade masculina integrava-se como produtores e soldados e a metade feminina como prestadora de serviços. Ora, em contraste com a sociedade de produtores e soldados, a sociedade de consumidores concentra as suas forças de coerção e treino na manipulação do espírito. Cessam estratégias de treino diferenciadas para rapazes e raparigas: o papel de consumidor, diferentemente do papel de produtor, não tem um género específico. Especificando melhor: a sociedade de consumidores não reconhece diferenças de idade ou género nem as tolera nem reconhece distinções de classe.

Na sociedade de consumidores, os “indivíduos” marcados pela sua exclusão são “consumidores falhados”, não podem ser considerados pessoas. Portanto, consumir significa investir na própria pertença dentro da sociedade. Reforçando: o propósito fundamental e decisivo do consumo numa sociedade de consumidores não é satisfazer necessidades, mas converter e reconverter o consumidor em produto, elevar o estatuto dos consumidores em bens de troca vendáveis.

Bauman (2007: 91), entre outros exemplos, chama a atenção para o aparecimento de categorias como o consumismo infantil e a ideia da infância no produto de consumo, ajustando as estratégias de marketing do ponto de vista das crianças, com alteração da perspectiva dos pais. Ou da perda de solidariedade com o aumento da sociedade de consumidores: desaparecem os grupos e cresce o individualismo, sem qualquer vínculo duradouro na actividade de consumir.

Leituras: Bauman, Zygmunt (2007). Vida de consumo. Buenos Aires, México e Madrid: Fondo de Cultura Económica
Lipovetsky, Gilles (2007). A felicidade paradoxal. Lisboa: Edições 70

MARTA MOURA

Marta Moura expõe na Sala do Veado, no Museu Nacional de História Natural (Rua da Escola Politécnica, 58, em Lisboa), a partir do dia 6.


Escreve a autora (de que se vê um detalhe de O insustentável peso da imagem, acrílico sobre tela):

  • O advento da fotografia desencadeou uma das maiores revoluções na criação de imagens, dando origem à passagem do processo manual para o processo mecânico. As transformações da sua produção e reprodução, bem como as possibilidades no domínio digital, potenciaram uma aceleração gradual e uma massificação em níveis nunca antes alcançados. Devido à sua aparente proximidade com a realidade, a imagem fotográfica veio estabelecer uma ligação sedutora entre referente e observador. Esta relação, sustentadora de um ciclo vicioso, ininterrupto e exponencial na dependência do consumo e produção visual, promove e determina as relações das sociedades contemporâneas, conduzindo-as para uma cultura da imagem. Com o tempo, as fronteiras e limites entre verdade e ficção confundem-se. E, com a intensificação da potência da imagem e dos excessos da mediatização, surge também um efeito da banalização, precipitando a experiência humana para uma espécie de dormência do sentir e do pensar.
Para saber mais, procurar em Galeria Luís Serpa.

LIVRO DE ALEXANDRA DIAS


Amanhã, 4 de Dezembro, pelas 17:30, nas instalações da Universidade Lusófona do Porto, é apresentado o livro de Alexandra Dias Lisboa à Noite. A apresentação vai competir a Jorge Bacelar. Quer a autora quer o apresentador são docentes no curso de Ciências da Comunicação e da Cultura daquela universidade.

domingo, 2 de dezembro de 2007

ESTRELA SOLITÁRIA, O FILME DE WENDERS


A crítica não é muito favorável a Estrela Solitária, filme de Wim Wenders (título original: Don't Come Knocking, 2005), com Sam Shepard, Jessica Lange, Tim Roth, Sarah Polley, Marley Shelton. No Expresso, o crítico dá as estrelas ao filme por causa da fotografia (de Franz Lusting), comparando com o Paris Texas, a obra-prima do realizador alemão.


Eu gostei, mas a minha opinião vale pouco (tanto como a do crítico). O filme conta a história de Howard Spence, actor de filmes de westerns com uma vida agitada envolta em álcool e mulheres (as críticas falam em droga, mas não me apercebi disso na história). Um dia, foge da rodagem do filme em que entrava, em Monument Valley, e apanha um transporte (comboio, automóvel, autocarro) até Nevada, subdividindo-se a história em duas: 1) a vagabundagem de Spence, que o leva a casa da mãe (Eva Marie Saint), e até uma antiga amante Doreen, interpretada por Jessica Lange), onde descobre a existência de um filho de ambos, Earl (Gabriel Mann), 2) a perseguição da companhia de seguros que segurava o filme, através de um seu funcionário, acabando por o encontrar e levá-lo de novo às filmagens. No entretanto, descobre igualmente a existência de uma filha, Sky (Sarah Polley), fruto de outra relação ocasional por altura da realização de um western em Butte (Estado de Montana), prestigiada cidade do Mississipi ocidental, entretanto tornada fantasma após uma depressão económica.

Há semelhanças com Paris Texas (1984), literal e metaforicamente (Kathleen C. Fennessy, em
Amazon.com), a começar pela colaboração na escrita da história de Sam Sephard, agora também como actor principal, e ainda na revisitação ao sudoeste dos Estados Unidos. Naquele filme, a história centra-se numa criança que passa da custódia da mãe para o do pai, num percurso ao longo do espaço físico americano. As estradas, longas e desertas, bordejadas por povoações quase abandonadas (um road movie, chamou-lhe Wenders), repetem-se neste filme de 2005. Aqui, é a história de um indivíduo que descobre que é pai após o regresso a um local onde filmara, duas dezenas e meia de anos depois. A relação é violenta com o filho (jovem músico que lembra Chris Isaak) e mais calma com a filha, como se fossem o bem e o mal - ou até, o demónio e o anjo - duas facetas que poderíamos encontrar na personagem do pai. No enquadramento da obra, a música de T-Bone Burnett lembra a de Ry Cooder no filme de 1984. Harry Dean Stanton e Nastassja Kinski, no filme de 1984, cedem o lugar a Sam Sephard e Jessica Lange.

No texto já citado de Kathleen C. Fennessy, ela indica Estrela Solitária como um modelo de western pós-moderno. Mais simpático do que as críticas portuguesas!

ENTARDECER

MÚSICA


Lê-se em reportagem de hoje do El Pais (Madrid) "À medida que cai a venda de discos, cresce anualmente o número de espectadores nos concertos". Isto é: já não se compram discos, mas artistas, em que concertos, direitos e os formatos digitais são os novos filões para a indústria. O tema é A música não se vende mas é um grande negócio (textos de Ramón Muñoz e Guillermo López).

O texto começa desta maneira:
  • Bruce Springsteen, concerto em Madrid, esgotadas as entradas em três horas; Héroes de Silencio, último espectáculo, 240.000 espectadores; Nacha Pop, reaparição em Madrid, 15.000 fãs; Joaquín Sabina e Joan Manuel Serrat vão em três actuações consecutivas no Palau Sant Jordi. Nenhuma entrada destes concertos custava menos de 30 euros. E dizem que a música está em crise? Em 2006, venderam-se em Espanha menos discos (CD) que em 1991. [...] Embora o aumento de preços devido à introdução do euro, o valor das vendas de música caíu 34% desde 2000. E, então, de que vivem os músicos?
A resposta é: nem a música está em crise nem os músicos morrem de fome, mas apenas o negócio mudou. Se não de vendem discos, vendem-se artistas. Em Outubro passado, Madonna rompeu a sua ligação com a Warner Music e assinou um contrato com a Live Nation, uma empresa organizadora de concertos. Esta empresa produzirá os discos de Madonna e montará as suas digressões mas também explorará a sua marca, DVD, projectos cinematográficos, páginas da internet e até os clubes de fãs. É o lote completo [imagens: El Pais, 2 de Dezembro; Público 10 de Outubro].



Vantagens, pergunta-se num dos textos? De modo diverso da discográfica tradicional, o novo sistema permite que o artista se desenvolva. Não se aplica o esquema de tirar um single e ver se funciona ou não; se fosse não, acabava a promoção. Agora é diferente: concertos, direitos de autor (através de DVD, CD, gravações em dispositivos como o mp3 ou os telemóveis, mau grado a pirataria). E também a internet, como o exemplo recente dos Radiohead, com o álbum Rainbows. O texto de João Bonifácio (Público, 10 de Outubro último) começava do seguinte modo:

  • Milhares de melómanos do mundo inteiro recebem hoje nos seus computadores o novo disco dos Radioheads, tendo pago por eles a quantia que acharam justa, inclusivamente zero euros. Não há preço fixo, disco em formato CD só para o ano, não há intermediários. Alguns afirmam que é uma revolução, todos dizem que é um brilhante golpe de marketing, quase todos aceitam que o golpe de marketing feriu de morte a indústria musical tal como a conhecemos.
Vendem-se menos discos mas fazem-se mais downloads e vende-se mais merchandising, escreve João Bonifácio. Dantes, as bandas levavam CD para vender no final do concerto, agora levam t-shirts, de produção mais barata. Ao mesmo tempo que aumenta o número de concertos (e os festivais, em locais de férias de Verão ou urbanos durante o Inverno) e o preço dos bilhetes.

Há ainda uma nova tendência, a dos toques de telemóvel. Muñoz e López referenciam os prémios Nokia Amigo: o maior fabricante de telemóveis empresta o seu nome a um prémio musical, o Amigo, uma espécie de Grammy que dá galardões para músicas de toque de telemóvel e descarga legal da internet. E, se na internet se estabeleceu uma cultura gratuita, nos telefones celulares cada toque custa dinheiro. A Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) estima que, segundo dados de 2006, as vendas de música digital estão nos 10º do mercado, mas projecta uma subida até 25% dentro de três anos.

sábado, 1 de dezembro de 2007

BLOGUES DE MODA DE RUA


Conheci o blogue Lisboa Closet a partir da leitura do artigo de Joana Amaral Cardoso no Público de hoje, intitulado Moda de rua.

A animadora do blogue chama-se Marta. Na mensagem mais recente, datada de 10 de Setembro último, ela escreve: "Neste momento o Lisboa Closet está em actualizaçao: estou a fazer todos os esforços (leia-se procurar patrocínios) para que passe a ser site em vez de blog, e assim introduzir umas novidades".

Já passou algum tempo, entretanto. Não se compreende a suspensão prolongada, pois há boas razões para continuar. O logótipo em cima do blogue, de
Hugo Passarinho, é feliz; a recolha de imagens e os textos a elas associados parece um êxito assegurado. Os links para outros blogues e sítios de moda de rua (Helsí­nquia, Moscovo, Paris, Berlim, Tóquio, Londres, Varsóvia, Madrid_ Barcelona e Munique) inspiram e servem de análise e contraponto do que se faz e veste. Como exercício de reflexão, chamo a atenção para o blogue Cool People (acima identificado como Madrid_ Barcelona): além da fotografia, a identificação de todos os elementos de vestuário e adereços em termos de marcas. As páginas muito coloridas e sedosas das revistas de moda e dos suplementos dominicais dos jornais ficam atrás desta criatividade e quantidade de sítios em termos de combinação de cores e estilos.

Joana Amaral Cardoso propõe ainda outros sítios de moda de rua para espreitar, caso de
Street Confetti, não actualizado desde há mais de um ano, mas com links interessantes (alguns já desaparecidos igualmente): Toronto Street Fashion, londonstreetfashion ou São Paulo Style. Em todos eles, há uma estética que se aproxima das redes sociais como o Hi5 ou o Wayn.com - mostrar uma cultura desinibida, próxima, urbana e jovem. Moda de rua pertencente a tribos urbanas, junta a jornalista do Público.

LEITURAS DE JORNAIS

Expresso ("Actual") - sobre audiolivros,

Público ("Digital") - sobre audiolivros (ou e-books) e moda via blogues.

TIPOLOGIA DE VISITANTES DOS CENTROS COMERCIAIS


Alan Bryman estabelece uma interessante tipologia de visitantes dos centros comerciais, numa escala decrescente de participação: 1) entusiastas, 2) tradicionalistas, 3) passeantes (chama-lhe mesmo os que "pastam"), e 4) minimalistas. Os passeantes (os que "pastam", de grazers) tendem a andar distraidos dentro do centro comercial mas são susceptíveis de comprar.

Embora Bryman não o especifique, a minha interpretação destas categorias é a seguinte: os entusiastas são os que vão e compram com frequência (atingindo mesmo o estado de adictos), os tradicionalistas são os que compram com alguma racionalidade (não se perdem com a oferta) e os minimalistas vão um número reduzido de vezes aos centros comerciais (pertencem à classificação dos que resistem às tentações de sedução de compra nesses espaços de venda).

Fonte: Alan Bryman (2006). The Disneyization of society. Londres, Thousand Oaks e Nova Deli: Sage, p. 153

AUDIOLIVROS

Anteontem, moderado por João Morales (director da revista Os Meus Livros), realizou-se o colóquio sobre audiolivros no Instituto Alemão, em Lisboa. Presentes: Theresia Singer (gerente da Headroom Sound Production, Colónia), Claudia Gehre (directora da Audio Verlag, Berlim) e Oriana Alves (directora de A Boca). No vídeo, excerto da comunicação desta última.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

ESTUDOS COMPARADOS (2)


Dois livros que merecem ser comparados: os livros editados pela RTP e TVE (Espanha) aquando dos cinquenta anos de actividade da televisão pública nos dois países ibéricos, o português editado recentemente e o espanhol em 2006. Nas duas televisões há marcas comuns: o nascimento da televisão sob ditaduras políticas, o período de ouro da paleo-televisão (sem concorrência) e a conquista das audiências pelos canais privados.


Lê-se no prólogo do livro escrito por Lorenzo Días: "A TVE, juntamente com a RAI e a BBC, é uma das melhores televisões da Europa. [...] A Espanha, graças à Constituição de 1978, colocou-se num lugar de vanguarda entre as grandes potências mundiais. A televisão foi a chave nesta perestroika da sociedade espanhola: fez-nos europeus e à Espanha profunda aplicou um pesado lifting. Se a rádio foi o nosso parque de emoções, a televisão foi o parque de atracções. O século de ouro da nossa televisão foi o compreendido entre 1962 e 1975, quando brilharam os guionistas de luxo".

A televisão espanhola arrancava em 28 de Outubro de 1956, eram 18:15 de domingo, a partir de uma moradia no Paseo de la Habana. Então, em Madrid e nos seus arredores estimava-se haver 600 receptores de televisão. Depois, a venda de televisores disparou em 1960, para ver um casamento real (o dos reis da Bélgica, Fabiola e Balduino), então designado o casamento do século - nas décadas seguintes haveria outros casamentos do século. A informação era controlada pela censura, sem espaço para o jornalismo de análise, estava-se no tempo dos diários tele-falados (1956-1959), em que se realçava a informação vinda da terceira página do diário ABC.

Também em 1956, em Setembro, e num perímetro reduzido à volta da Feira Popular em Lisboa, faziam-se emissões experimentais. O primeiro serviço de notícias e actualidades foi a Revista Mundial. No dia da estreia, apresentou-se um documentário francês e diversos assuntos como o lançamento de um submarino à água, uma peregrinação a Lourdes, aspectos da guerra da Argélia, o funeral do cardeal católico inglês, uma reportagem sobre a visita dos representantes dos jornais e rádios à instalações de televisão na Feira.

Depois, 7 de Março de 1957 era a data oficial das emissões da RTP, já abrangendo as áreas da Grande Lisboa e do Grande Porto (livro de Vaco Hogan Teves; texto condensado de Alexandre Honrado). No mês anterior, a visita da rainha inglesa Isabel II (ainda hoje no poder!) foi uma espécie de prova de fogo da televisão pública nacional. Nessa e nas páginas seguintes pouco se sabe em que condições eram transmitidas as notícias, qual a liberdade de intervenção dos jornalistas. E o autor também não diz que a RTP era das maiores televisões da Europa, como o faz o seu colega espanhol. Apenas se fica a saber que, em 1957, não havia Telejornal mas uma secção de Cinema e Noticiários a trabalhar para um Jornal de Actualidades. Não havia imagens; quando muito, imagens fixas.

Leituras: Vasco Hogan Teves (2007). RTP, 50 anos de história. Lisboa: Rádio e Televisão de Portugal, 431 páginas
Lorenzo Días (2006). 50 anos de TVE. Madrid: Alianza Editorial, 414 páginas

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

GULBENKIAN EM DOIS LIVROS


Foi hoje ao fim da tarde lançado o livro em dois volumes Fundação Calouste Gulbenkian. Cinquenta anos, 1956-2006. No vídeo, o professor António Barreto apresenta os volumes que coordenou.

Com 880 páginas, o livro conta com os seguintes autores (e capítulos): António Barreto (A Fundação Gulbenkian e a sociedade portuguesa), José Medeiros Ferreira (A instituição), (Imagens), António Correia de Campos e Jorge Simões (Caridade), António Pinto Ribeiro (Arte), António Nóvoa e Jorge Ramos do Ó (Educação), Jorge C. G. Calado (Ciência), Kenneth Maxwell (Internacional), (Imagens), João Confraria (Património), (Cronologia).


quarta-feira, 28 de novembro de 2007

FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN EM LIVRO


Amanhã, dia 29, pelas 18:00, no auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian, é lançado o livro coordenado por António Barreto, Fundação Calouste Gulbenkian. Cinquenta anos, 1956-2006.

LIVRO DE JOSÉ AFONSO FURTADO





    Do livro de José Afonso Furtado - O papel e o pixel. Do impresso ao digital: continuidades e transformações - já aqui escrevi longamente, aquando da sua edição brasileira.

    Agora, com a chancela da Ariadne (Lisboa) foi feita uma nova edição. O seu lançamento foi ontem na Casa Fernando Pessoa (Lisboa). O professor João Caraça fez a apresentação (ver vídeo).



    Recupero o que escrevi em 18 de Março do ano passado:

    • do mesmo modo que se fala na substituição do cinema pelo vídeo, também se fala no desaparecimento do livro e emergência de suportes digitais. A internet, diz Furtado traduz-se no surgimento de novas formas de escrita, edição, distribuição e leitura, mas também de editores electrónicos, livrarias virtuais, obras hipertextuais e dispositivos de leitura de livros electrónicos. Furtado chama a atenção para uma ecologia que evita a oposição simplista entre impresso e digital, pois a passagem da cultura do livro em papel para o digital não é a morte de uma por outra mas antes uma transição, existe mais compromisso que ruptura. E apela à distinção produzida por Martin-Barbero entre palimpsesto e hipertexto: aquele põe-nos em contacto com a memória e a pluralidade dos tempos que acumulam os textos, este remete para a enciclopédia e para a intertextualidade. O que nos conduz para a aceitação de três modos diferentes de inscrição e transmissão dos textos: manuscrito, impresso e electrónico.

    LIVRO DE PAULO TAVARES


    Apresentação do livro de Paulo Tavares, Pêndulo, no dia 6 de Dezembro pelas 19:00, na Casa Fernando Pessoa (Lisboa).

    SEMINÁRIOS DE LITERACIA DOS MEDIA EM FARO


    Realizam-se, no próximo dia 6 de Dezembro, no Anfiteatro 0.5 do Complexo Pedagógico do Campus da Penha (Universidade do Algarve, Faro), dois seminários com o tema comum de Literacia dos Media organizados pelo CICCOMA - Centro de Investigação em Ciências da Comunicação e Artes da Universidade do Algarve.

    O primeiro, Ingmar Bergman's Scenes from a Marriage: Popular Culture in a High Art Context, terá lugar pelas 14:30, proferido pelo Prof. Erik Hedling (Universidade de Lund, Suécia).

    O segundo, The biographic approach to the artistic languages of improvisation, que resulta de colaboração do CICCOMA com a Associação Grémio das Músicas, terá lugar pelas 16:00, proferido pelo músico e pedagogo de jazz Joe Morris, que actua e ensina em Nova Iorque.

    Ambos os seminários destinam-se a investigadores e a alunos finalistas dos cursos da Universidade do Algarve nas áreas da Comunicação e das Artes, mas são abertos a toda a comunidade.

    CONCERTO DOS BARBACUTE


    O quinteto luso-italo-brasileiro Barbacute apresenta Você… dança?, um concerto-viagem com escalas na América do Norte e no ragtime de Scott Joplin, na América do Sul (chorinhos de Pixinguinha e Zequinha de Abreu, bachianas de Heitor Villa-Lobos, tangos de Astor Piazzolla) e passagens pela Europa do Leste e pela Klezmer, a música da diáspora judaica.

    António Carrilho (flautas de bisel e direcção musical), Fausto Corneo (clarinete e clarinete baixo), Marcelo Fortuna (guitarra e cavaquinho), Edoardo Sbaffi (violoncelo) e Miguel Leiria Pereira (contrabaixo) constituem o quinteto. Que toca no CCB (Grande Auditório), no dia 2 de Dezembro pelas 17:00.

    terça-feira, 27 de novembro de 2007

    COLÓQUIO SOBRE AUDIOLIVROS


    No dia 29 (quinta-feira), pelas 18:30, o Goethe-Institut Portugal (Campo dos Mártires da Pátria, 37, em Lisboa) vai promover um colóquio sobre audiolivros, moderado por João Morales, director da revista Os Meus Livros.


    O evento conta com a presença de representantes de duas editoras de audiolivros alemãs: Theresia Singer, gerente da Headroom Sound Production (Colónia) e Claudia Gehre, directora da Audio Verlag (Berlim), uma das maiores editoras de audiolivros e membro da Associação das Editoras Alemãs. A realidade nacional será exposta por Oriana Alves, da editora portuguesa de audiolivros A Boca.

    A iniciativa pretende a troca de conhecimentos e a apresentação de modelos de excelência na área da criação de um programa editorial, análise de mercado e marketing. A conferência dirige-se a editoras, livrarias, bibliotecas, imprensa e todos os interessados na área.

    O mercado de audiolivros está a ser uma história de sucesso: em 2006, um estudo da Media Control Gfk Internacional destacou uma subida de vendas de 20% comparativamente a 2005. A realidade alemã é prova disso, com cerca de 17 mil audiolivros e mais de 500 editoras activas no mercado. Os audiolivros mais vendidos atingem vendas comparáveis às dos livros impressos e da música.


    Este colóquio - com entrada livre e tradução simultânea em português e alemão - é o primeiro passo de um projecto cujo ponto alto será um Verão Áudio no jardim do Goethe-Institut em Lisboa. Para recolher mais informações:
    mensing@lissabon.goethe.org.

    segunda-feira, 26 de novembro de 2007

    LISBOA COMO CAPITAL EUROPEIA DO SUL


    Uma importante entrevista foi a publicada na edição do último sábado no jornal Expresso, de José Carlos Pinto Coelho, presidente da Confederação de Turismo de Portugal, e Jorge Rebelo de Almeida, presidente do grupo Vila Galé, a Nicolau Santos (caderno "Economia", p. 13).


    Para os entrevistados, que abraçam um projecto de revitalização de Lisboa enquanto capital cosmopolita, "As cidades que estão na crista da onda na Europa são aquelas em que se regista uma participação muito empenhada dos moradores na sua melhoria. As pessoas que lá moram têm vaidade, têm orgulho, têm gozo. Isso em Lisboa não se passa". Para os mesmos, "O turismo de cidade de lazer está tratado mas falta o turismo de negócio. A vantagem brutal que temos neste momento, arranjando um projecto nacional, é criar um projecto transversal à sociedade, que transforme Lisboa numa capital de negócios daqui a 15 anos".

    Objectivo: colocar Lisboa no grupo de quatro cidades (Madrid, Barcelona, Bruxelas e Amsterdão), que estão atrás das grandes europeias (Londres, Paris, Frankfurt), conjunto de cidades "indispensáveis para as empresas europeias instalarem delegações ou sedes". Lisboa tem uma boa base, mas está "descuidada, está suja. Precisa de espaços verdes, da recuperação do seu património histórico e arquitectónico. É indispensável trazer habitação para o centro histórico da cidade. É um factor de dinamização de todas as actividades". E acrescentam os entrevistados: "Basta haver a 15 anos o planeamento do que se faz em cada ano e o que vai integrar anualmente o projecto global".

    Há, igualmente, um olhar muito crítico: "Muitos dos comerciantes que estão na Baixa já não são comerciantes. Não estão lá com um negócio dinâmico, activo, inovador. estão parados à espera de um trespasse. Acham que já cumpriram um ciclo de vida e não estão a fazer nada para se actualizar".

    A entrevista aponta, como destaquei acima, para Lisboa se transformar em capital do sul da Europa, atraindo sedes (ou delegações) das grandes empresas internacionais e em que é essencial a reinvenção da cidade em termos arquitectónicos, históricos e culturais. Mas quais os fundamentos principais desse projecto da Confederação de Turismo de Portugal? O texto do jornal não aponta. Fiquemos à espera de mais novidades.

    "DISNEYZAR" O MUNDO


    Alan Bryman, em The Disneyization of society (2004, reeditado nos anos consecutivos), olha o mundo com lentes opostas à de George Ritzer (ver nomeadamente o que escrevi em 9, 17 e 25 de Novembro e 5 e 14 de Dezembro de 2006).

    Isto é, Ritzer olha a mcdonaldização como a racionalização associada ao fordismo, gestão científica e burocracia, decomposta em quatro pontos: 1) eficiência, 2) calculabilidade, 3) previsibilidade e 4) controlo. Para o mesmo autor, "Estandardização e homogeneidade são outros elementos vitais para a McDonaldização – isto é, os negócios da McDonald’s oferecem produtos e serviços de forma eficiente na medida em que existe, para os consumidores, uma escolha limitada. Rapidez, linha de montagem e códigos escritos de conduta dos vendedores da comida McDonald’s situam-se na linha definida por Ritzer de McDonaldização. Trata-se [...] de uma perspectiva pessimista de olhar a presente sociedade de consumo" (
    texto escrito aqui em 9 de Novembro de 2006).

    Já o pensamento de Bryman, embora afirme apostar na linha de pensamento de Ritzer, vai dar a resultados diferenciados. A essência da disneyização é o consumo e o aumento de interesse fornecido por produtos e serviços como variedade, imaginação e espectáculo. O autor aponta quatro princípios: 1) tematização (narrativas pouco articuladas com instituições ou objectos mas que resultam na popularidade destas), 2) consumo híbrido (formas diversificadas ligadas a esferas institucionais distintas), 3) merchandising (promoção e venda de bens sob a forma de imagem e/ou logótipo de instituições), e 4) trabalho performativo (tendência de olhar o trabalho como performance ou filosofia de valor).


    Bryman elege os parques temáticos da Disney como estrutura base do seu conceito, onde o temático quer dizer significados e símbolos distintos e partilhados por consumidores, com novas oportunidades de entretenimento e experiências, em que nos expomos constantemente a formas de entretenimento e permanecemos mais tempo num local porque gostamos dele e consumimos mais. A ênfase é colocada na paisagem dos serviços [servicescape], onde o ambiente físico se adapta ao serviço apresentado. Música, desporto, moda, cinema e arquitectura são algumas das áreas empregues e visíveis em parques de diversão, restaurantes McDonald's, centros comerciais, lojas temáticas, cidades e museus.

    CONSUMO CRÍTICO


    Duas perspectivas críticas de consumo, a comentar quando houver disponibilidades de tempo.


    Leituras: Bauman, Zygmunt (2007). Vida de consumo. Buenos Aires, México e Madrid: Fondo de Cultura Económica (original inglês de 2007)
    Lipovetsky, Gilles (2007). A felicidade paradoxal. Ensaio sobre a sociedade do hiperconsumo. Lisboa: Edições 70 (original francês de 2006)

    O BLOGUE DE AUGUSTO M. SEABRA

    Letra de Forma, blogue de Augusto M. Seabra, começou no passado dia 21. Antigo colaborador do jornal Público (e um dos seus fundadores), Seabra promete que esta "será uma página de crítica e opinião, prosseguindo no espaço digital aquela que foi a minha actividade na imprensa ao longo de muito anos".

    Nessa mensagem inicial, escreve o mesmo Augusto M. Seabra: "houve também uma acrescida disponibilidade para retomar outras práticas, designadamente de programação, que não menos me importam. O ciclo dedicado ao cineasta Hou Hsiao-Hsien na Culturgest, o labor dedicado ao recente DocLisboa, como programador associado e comissário da retrospectiva de Diários e Auto-Retratos, a programação para a Orchestrutópica do concerto Metropólis ou o trabalho com Tiago Guedes e Maria Duarte no espectáculo Ópera, fazendo a assistência artística, foram-me particularmente gratificantes".

    Continuação de bom trabalho!

    domingo, 25 de novembro de 2007

    LIVRO DE ALEXANDRA CARVALHO ANTUNES


    Foi hoje lançado o livro de Alexandra Carvalho Antunes, O veraneio da família Anjos. Diário de Maria Leonor Anjos (1885-1887), no próprio palácio Anjos, em Algés, uma edição da Câmara Municipal de Oeiras [no vídeo, uma parcela da intervenção da autora].

    Maria Leonor Anjos (1872-1940) pertencia a uma família ligada ao comércio e ao têxtil, vivendo em Lisboa mas tendo casa de veraneio em Algés, numa época em que aquela zona era um local aprazível de praias. O diário agora publicado dá conta das impressões da realidade daquela jovem quando tinha 13 a 15 anos. Escrito em francês, descreve cenas da vida quotidiana e viagens que realizou com a família pela Europa (Espanha, França, Alemanha e Suíça) em 1886 e 1887.


    Regista ela no dia 24 de Agosto de 1886:

    • [...] Dois ou três dias à tarde fomos passear de barco até à Cruz Quebrada [a partir de Algés].
      No dia onze houve uma distribuição de prémios no Convento do Bom Sucesso [em Belém], à qual fomos assistir. Estava muita gente mas não tanto como de costume.
      O arcebispo de Mitilene distribuiu os prémios que consistiam em livros. Os alunos, que eram cerca de cinquenta, tocaram piano e harpa e recitaram poesias em inglês, em italiano, em alemão e em francês.
      Ontem foi domingo, fomos à missa das onze e meia.

    A ACOMPANHAR NO FUTURO


    O blogue Sérgio Dias-Branco, nome do seu autor. É um blogue sobre cinema.

    Sérgio Dias-Branco tem doutoramento em Estudos Fílmicos (Universidade de Kent) e publicará no próximo ano "Getting Out of the Sci-Fi Ghetto?: Battlestar Galactica and Genre Aesthetics", no livro Battlestar Galactica: Flesh, Spirit, and Steel, editado por Roz Kaveney and Jennifer Stoy (Londres: I.B. Tauris). Título da tese de doutoramento defendida o ano passado: Strings of Fragments: An Aesthetic Investigation into Television.

    sábado, 24 de novembro de 2007

    OS ANIMAIS DOMÉSTICOS DE ALEXANDRA BARRETO


    Que alegria descobrir Alexandra Barreto em Animais Domésticos. Pelo que depreendo, a mudança de blogue tem a ver com a mudança de domicílio (geográfico). Ela escrevia o blogue seta despedida. Foi um (longo) ano de silêncio.

    (Re)começou no dia 11 de Outubro. Bom trabalho e longa duração.

    HISTÓRIA DE ARTE E DESIGN


    A UNIDCOM/IADE, Unidade de Investigação em Design e Comunicação do Instituto de Artes Visuais Design e Marketing, em colaboração com a Escola Superior de Design (ESD), está a organizar um Colóquio de História da Arte e do Design dedicado ao tema Os Interiores em Portugal.

    Iniciativa levada a cabo com o apoio da Direcção do IADE, ela é coordenada cientificamente por António Nunes Pereira e Sandra Costa Saldanha e terá lugar na Sede Cultural do IADE, Palácio Pombal (Rua do Alecrim, Lisboa), em 12 e 13 de Fevereiro de 2008.

    O colóquio privilegiará quatro áreas de abordagem essenciais: 1. Leituras e Percursos Funcionais. Organização e vivência dos interiores domésticos; 2. Decoração e Artes Decorativas. A metamorfose dos espaços; 3. Público e Privado. Os programas decorativos oitocentistas; 4. Do Fin de Siècle ao Pós-Modernismo.

    Mais pormenores no sítio de
    Os interiores em Portugal.