domingo, 18 de abril de 2010

SALAZAR E A BBC

Nelson Ribeiro, que defendeu tese de doutoramento o ano passado, publica agora um artigo na revista Journalism Studies vol. 11, nº 2, de 2010, intitulado "Salazar's interference in the BBC Portuguese Service during World War II", onde salienta os limites da independência jornalística do serviço europeu da BBC durante os anos da Segunda Guerra Mundial (ver vídeo que coloquei no blogue, aqui).

Armando Cortesão, irmão do conhecido historiador Jaime Cortesão, era um refugiado político português em Londres. Trabalhava para o serviço europeu da BBC, mas as influências do governo português - nomeadamente através do embaixador Armindo Monteiro - fizeram com que o comentador e radialista saísse da rádio britânica. Além das boas relações criadas por Armindo Monteiro, o governo de Salazar contava com o coronel Frederick Clement Egerton, que visitara Portugal e escrevia sobre o nosso país e o regime do Estado Novo.

Abstract do artigo aqui. Ver o vídeo com Bob Franklin, a apresentar a edição de Abril de 2010, em que aparece o artigo de Nelson Ribeiro, aqui.

WHAT A STORY

Elizabeth Bird (1997: 101) escreveu que as pessoas retêm como notícias aquelas com características memoráveis como o escândalo. Num outro texto, escrito em parceria com Robert Dardenne (1993: 276), concluiu que, apesar das notícias não serem ficção, elas contam uma história sobre a realidade, contêm partes sedutoras nas suas narrativas. Há um lado das notícias que nos espanta, que nos marca pela sua imprevisibilidade e impacto, que nos leva a dizer "que coisa estranha", "que tipo de história".

Isto vem a propósito do quadro noticioso que se fazia na quinta-feira a propósito do vulcão da Islândia. Uma pessoa avisada dizia-me que o mundo parecia estar a acabar, devido à sucessão de acidentes naturais mais recentes. Recordo os terramotos do Haiti e do Chile, a tromba de água na Madeira e no Rio de Janeiro, um pequeno tornado em Lisboa. Ela não se lembrava que os acidentes naturais fazem parte da natureza em si e que a televisão encontra imagens espectaculares nesses acidentes, de uma beleza inaudita mesmo que se trate da tragédia mais profunda, pelo que amplifica o efeito de um modo quase ensurdecedor.

Parece que a natureza quer rivalizar com as imagens prodigiosas do cinema de animação em 3D. Estas, afinal, não passam de pálida representação das possibilidades da natureza em mostrar simultaneamente o belo e o feio, que o fotógrafo e o cineasta captam esteticamente mas que o operador de televisão aproveita para impacto imediato.

O quadro noticioso do vulcão mudou rapidamente. Um assunto, para se manter no ar, precisa de novos enquadramentos, de novas histórias. Na sexta-feira, a questão natural tornou-se económica: os aviões que não podem voar, as pessoas que ficam retidas no aeroporto, Angela Merkl que não pode regressar à Alemanha, o presidente da República que vem de automóvel da República Checa até Barcelona, os comboios no canal da Mancha com lotação esgotada, os hotéis cheios em Paris. Hoje, a notícia aponta para uma situação económica na aviação pior que no 11 de Setembro de 2001 após o ataque que provocou a queda das torres gémeas de Nova Iorque. Num sentido mais prosaico, os países do sul da Europa, mais sujos (pig, no inglês), mantêm os vôos, que se tornam impossíveis nos países do norte, considerados mais limpos. De repente, o canal noticioso alargava-se com novas histórias.

Logo de imediato, esqueceu-se o quadro inicial da sucessão de acidentes naturais - ampliados pelas violentas imagens dos media, em especial a televisão, com um apelo inconsciente ao medo, como noutros casos ao escândalo - e passa-se a uma multiplicidade de histórias, o que torna (auto-)centrais os media na sociedade. A informação não se reduz à notícia mas amplia-se com a história.

Escreveram Bird e Dardenne (1993: 266) que as notícias criam ordem a partir da desordem, transformam o saber em contar. E traduzem o espanto do impacto do desastre natural, do escândalo e do crime numa história que nos leva a conversar e a recordar.

Leituras: S. Elizabeth Bird e Robert W. Dardenne (1993). "Mito, registo e «estórias»: explorando as qualidades narrativas das notícias". No livro de Nelson Traquina (org.) Jornalismo: questões, teorias e «estórias». Lisboa: Vega
S. Elizabeth Bird (1997). "What a story! Understanding the audience for scandal". No livro de James Lull e Stephen Hinerman (ed.) Media scandals. Cambridge: Polity Press

sábado, 17 de abril de 2010

MEMÓRIA FUTURA


Demian Cabaud Quarteto, Saxofínia + Banda da Armada Portuguesa, Bernardo Sassetti Trio. Ambientes sonoros distintos, públicos variados, horas imperdíveis.

UM DIA LONGO E VARIADO

O músico usava sapatos de modelos diferentes em cada pé. O sociólogo fez as contas em contos, manifestando a desadaptação ao euro. Os jovens explicaram-me as razões porque usam tatuagens. Hibridismo cultural, pensei eu.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

A DEMISSÃO DE MARTIM AVILLEZ

"Martim Avillez Figueiredo, director do diário i, do grupo Lena, demitiu-se do cargo. Numa carta dirigida à administração do jornal, Avillez Figueiredo afirma sentir-se «defraudado». [...] Segundo informação da Lusa, André Macedo, director executivo do jornal, foi convidado a assumir o cargo, mas só dará uma resposta na segunda-feira" [Público online].

Havia uma certa previsibilidade na ocorrência, a partir do momento em que sairam notícias dando conta que o grupo Lena pretendia vender o diário e os jornais regionais que detém a propriedade. Depois, ao longo dos meses de existência do i, as vendas não subiram muito. O mercado de jornais em papel está muito difícil e um diário novo enfrenta uma concorrência muito grande. A incerteza quanto ao futuro torna-se maior.

LIVROS DE ANTÓNIO QUADROS EM CONSULTA

António Quadros Ferro é neto de António Quadros e bisneto de António Ferro e Fernanda de Castro, tendo criado o blogue António Quadros para falar da vida e da obra desse seu familiar. Agora, informa que a biblioteca de António Quadros está disponível para consulta na sede cultural da Fundação António Quadros, em Lisboa.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

TEATRO DA VERTIGEM

À procura de emprego, de Michel Vinaver, no Teatro da Vertigem, Bela Vista, S. Paulo, no dia 20 de Abril de 2004.

SOBRE MUSEUS

Maria Vlachou é mestre em Museologia (University College London, 1994), com uma tese sobre a temática do marketing de museus. Além de outras actividades gratificantes ao longo da década, ela é directora de Comunicação do Teatro Municipal São Luiz desde 2006. Agora, iniciou um blogue, Musing on Culture, em que os tópicos principais são os museus, o teatro, a arte e a cultura. Vale a pena consultá-lo.

WORLD INTERNET POLICY PROJECT (WIP2) WORKSHOP - CALL FOR PAPERS

ISCTE, Lisbon, Portugal (6 July 2010).

The increasing centrality of the Internet has made it the focus of policy and regulatory initiatives around the world. Members of the World Internet Project are building on their collaborative network to identify and track key policy developments around the world in ways that can capture trends and better inform debate aimed at avoiding the over- or under-regulation of one of the most important information and communication technology developments of the digital age.

This workshop in Lisbon will be the first organized around the World Internet Policy Project (WIP2), and will be linked to the annual World Internet Project meetings that will follow immediately after the workshop.

The organizers of the workshop invite abstracts of papers or presentations from among but also beyond the WIP membership, who wish to participate in this first workshop. Proposed papers or presentations would be welcomed on such topics as:

- freedom of expression
- privacy and data protection
- copyright and intellectual property

Organizers include: Gustavo Cardoso, LINI – Lisbon Internet and Networks Institute; William Dutton, Oxford Internet Institute; and Jeffrey Cole, Centre for the Digital Future (USC).

COMUNICAÇÃO E A INDÚSTRIA CULTURAL DA MÚSICA

Participação de Pedro Costa, director da editora Clean Feed/ Trem Azul, hoje, às 15:00, no anfiteatro 0.5 do Complexo Pedagógico da Penha da Universidade do Algarve, em Faro. Organização colaborativa de: Departamento de Comunicação, Artes e Design (Universidade do Algarve), CIAC (Centro de Investigação em Artes e Comunicação) e AGM (Associação Grémio das Músicas).

SONHO

Sonhei que morava nesta praça e ia todos os dias à biblioteca municipal ler jornais. Vi pessoas que comiam gelados e se sentavam no chão a fazer palavras cruzadas ou a cantar ou a apanhar sol. Outras estavam nas esplanadas a beber champanhe, a desenhar para a próxima exposição ou simplesmente a conversar. Só não me lembro se havia churros com chocolate na pastelaria Torres.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

CONFERÊNCIA DE BRIAN WINSTON

The Myth of the Information Revolution foi o tema da conferência de Brian Winston ontem, dia 13, na Universidade Católica Portuguesa (Lisboa). Docente da Universidade de Lincoln (Reino Unido), Winston tem escrito sobre os media em geral e a rádio em particular.

Winston citou Raymond Williams, Marshall McLuhan e Fernand Braudel. Foi sintomática a sua simpatia para com as teorias deste último, a quem pediu emprestadas as ideias de acelerador e travão para se referir à ciência e à tecnologia. Usando a semiótica, e a distinção entre langue e parole, a ciência envolve a tecnologia - ou esta evolui dentro daquela e de acordo com o interesse da sociedade. Por isso, Winston salientaria o moldar social da tecnologia.

O conceito de Winston ideação aplica à relação entre protótipo da tecnlogia, invenção (que é uma transformação desta naquela) e o número de indivíduos envolvidos nessa transformação. O cinema é um bom exemplo: ao mesmo tempo, inventores nos Estados Unidos, na Alemanha, na Inglaterra e em França estavam a patentear o cinema, no ano de 1895.


terça-feira, 13 de abril de 2010

O MUSEU COMO LUGAR DE DISTINÇÃO PARA TODOS

A primeira edição do livro de Karsten Schubert, The curator's egg, é de 2000, reimpresso em 2002 e, agora, em 2009, com um novo capítulo. É a terceira edição do texto que eu acabei de ler, e que considero uma das leituras mais interessantes deste ano.

Schubert faz primeiro uma análise diacrónica dos museus, desde o século XVIII. O primeiro museu no sentido moderno foi o do Louvre, edificado num palácio outrora casa real, e que se tornou um repositório de grandes colecções reais. O Louvre como o conhecemos nasceu após a revolução francesa de 1789, apesar de já ter sido discutido ainda no ancien régime, nomeadamente pelo conde de Angiviller. O que até ao final do século XVIII era um privilégio de visita apenas para a aristocracia passou para o domínio público mais vasto. Aberto em 1793, a posição política assumida era que o museu teria um papel central na formação da nova sociedade. Dominique-Vivant Denon colocou obras de Rafael na Grande Galerie e convidou Napoleão a visitar o espaço. Havia uma explicação forte: às vitórias militares de Napoleão tinham significado a vinda de tesouros de arte oriundos do Vaticano, da Áustria, da Alemanha e da Itália, nomeadamente.

O British Museum, apesar de mais antigo, pois foi criado em 1759, tinha outra filosofia, pois nessa altura ainda não era encarado como museu propriamente dito. Não estava instalado num antigo palácio real, não reunia colecções pertencentes inicialmente a entidades reais, aristocráticas ou eclesiásticas e não tinha uma visão propagandística. Mas, com a ascensão política e imperialista da Inglaterra, o museu adquiriu igual estatuto. Mais tarde, o mesmo aconteceria com a Alemanha, a partir da década de 1870 e com mais ênfase a partir de 1900. Representantes dos museus, ajudados por diplomatas, exércitos e armadas, escrutinavam todo o globo. Por isso, a pedra roseta acabou por ficar em Londres após a derrota napoleónica, os franceses tentaram impedir a ida dos mármores do Partenon para Londres, ingleses e franceses disputaram os palácios da Suméria.

Em Berlim, a figura de Wilhelm Bode como responsável dos museus prussos e director do departamento de pintura e escultura emerge como principal protagonista. Por Bode passaram muitas aquisições e doações de colecções, além das suas enormes qualidades de académico e investigador. Por exemplo, entre 1897 e 1905 publicou o catálogo completo da pintura de Rembrandt. A aquisição do Altar do Pergamon (1878) e da Porta Ishtar da Babilónia tornaram Berlim o centro dos museus da Europa e do mundo. Depois, a aquisição de obras impressionistas e expressionistas, além da arte de outras partes do mundo, possibilitaram o erguer da ilha dos museus. A Segunda Grande Guerra e a partilha de Berlim entre aliados e soviéticos em 1945 veio interromper o florescimento daquele espaço, só retomado nos anos a seguir à queda do muro de Berlim em 1989.

Já no século XX, o centro mundial dos museus vira-se para Nova Iorque. Novas correntes, a distinção entre museus de origem pública e privada, o apoio directo e contínuo a artistas que permitiriam dar conta da evolução do trabalho destes ao longo de anos e décadas, a colocação de museus em blocos semelhantes aos habitacionais, numa integração do museu no tecido urbano, foram algumas novas características criadas e desenvolvidas nos Estados Unidos e, em especial, em Nova Iorque. A Segunda Grande Guerra permitiu ainda uma larga aquisição de obras europeias, dada a situação de conflito nos principais países do nosso continente, ajudada pelo poder financeiro americano. Schubert enfatiza a criação do Museum of Modern Art (MoMA). Alfred Barr desenhou o MoMA como laboratório em que o público devia participar e uma marca corporativa forte, isto é, o primeiro museu mundial dedicado somente à arte moderna. O expressionismo abstracto teve o seu apogeu nas exposições deste museu, reflectindo igualmente a própria produção americana. Também Thomas Kren e o Guggenheim têm lugar no texto de Schubert, nomeadamente a ideia de franchise como o museu de Bilbau, o que permite a circulação de obras pelo mundo. Ora, o autor chama a atenção para a habitual fragilidade das obras e para a contextualização destas com o espaço onde habitualmente estão, ilustrando alguns fracassos de exposições.

O grande momento seguinte, segundo Schubert, seria o Centro George Pompidou, criado pelo presidente francês logo após os acontecimentos estundantis de 1968. O museu perdia a autoridade e infabilidade anteriores e tornava-se parte integrante das práticas quotidianas, associadas a uma definição mais lúdica de cultura. O plano arquitectural pertenceu a Renzo Piano e Richard Rogers, em que a parede como separador desaparecia e dava lugar à flexibilidade, adaptando os espaços às necessidades de cada exposição. Por outro lado, desenvolvia-se a conceptualização de época em exposição por oposição à narrativa linear do MoMA. Mas, do mesmo modo que o museu americano, o museu francês também dedicou uma grande importância aos catálogos, o que aconteceria igualmente com a Tate Modern (Londres).

No seu livro, Karsten Schubert presta atenção à relação entre o curador, o artista, os donos dos museus (instituições, fundações, doadores) e as audiências. Nomeadamente a partir da década de 1980, os curadores passaram a preocupar-se com os orçamentos e a necessidade de organizarem exposições apropriadas a grandes massas. As áreas como cafetarias, restaurantes e lojas de venda de produtos relacionados com os museus ganharam peso. O museu adquiria uma posição de local de entretenimento e de informação, deixando para trás a ideia do museu como local de observação lenta e atenta da obra. As décadas seguintes reforçaram esta tendência, abrindo espaço às instalações e à fotografia, com criação de percursos que facilitassem a circulação dos visitantes, caso da pirâmide do Louvre que funciona como entrada mais fácil de acesso ao museu.

Contudo, as últimas palavras do livro de Schubert vão no sentido do museu como elitista, embora para toda a gente. A leitura atenta, a fruição, o conhecimento adquirido do visitante precisam de ter da parte do curador espaço para investigar e tornar acessível mas com produção intelectual profunda. E o autor explica a importância dos grandes museus institucionais, como locais de grandes repositórios de obras, e os museus mais pequenos, de colecções de época ou corrente ou artista, com lógicas diferentes de exposição (nas imagens seguintes, obra de Joana Vasconcelos, da exposição Sem Rede, na Fundação Berardo, de Março a Maio de 2010, e entrevista a António Cachola, em Abril de 2009, em visita ao MACE - Museu de Arte Moderna de Elvas).



Leitura: Karsten Schubert (2009). The curator's egg. Londres, Manchester e Santa Monica, CA: Ridinghouse, 187 p., 21,45 €

segunda-feira, 12 de abril de 2010

IMPRESSÃO SOBRE O JORNALISMO

Muitos editores de jornais e dos meios audiovisuais acham que o jornalismo está em declínio e metade deles acredita que os empresários sairão do negócio se não encontrarem outras fontes de receita (New York Times).

CRUZAMENTO DE TEATRO, CINEMA E MEIOS DIGITAIS

Em Abril de 2009, a Universidade do Algarve organizou o I Simpósio Internacional em Comunicação, Cultura e Artes no âmbito das actividades do CIAC (Centro de Investigação em Artes e Comunicação). O objectivo era cruzar diferentes formas de expressão artística e comunicacional, casos do teatro, do cinema e dos novos ambientes digitais. O livro nasceu dessa realização.

A organizadora da obra é Gabriela Borges, docente daquela universidade. O livro inicia uma nova colecção, fruto da colaboração do CIAC com a editora Gradiva, sendo Mirian Tavares, docente da Universidade do Algarve, a sua coordenadora. Como indiquei acima, os textos abordam o teatro (António Branco, David Antunes, José Simões de Almeida Junior, José Paulo Pereira), cinema (Mirian Tavares, Rosana Soares, Hudson Moura), autoria (Ana Isabel Soares, Josette Monzani, Gabriela Borges) e meios digitais (Erik Felinto, Bruno Silva, Nelson Zagalo).

Leitura: Gabriela Borges (org.) (2010). Nas margens. Ensaios sobre teatro, cinema e meios digitais. Lisboa: Gradiva, 214 p., 14 €

domingo, 11 de abril de 2010

FALTA INTERNACIONALIZAÇÃO DA CULTURA PORTUGUESA

"Os artistas e produtores culturais portugueses continuam a não pensar à escala internacional. Em 2008, só sete por cento dos espectáculos portugueses foram vendidos para circuitos externos, menos de metade dos espectáculos vindos de outros países que os portugueses consumiram. Falta também perspectiva mundial: quer na importação, quer na exportação, os nossos parceiros são sobretudo a Europa - a Espanha, em particular" (Público, pp. 12-13 na edição em papel; Público online).


[a partir de estudo realizado pelo Observatório das Actividades Culturais (OAC) para o Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais - GPEARI - do Ministério da Cultura sobre a mobilidade internacional dos artistas e outros profissionais de cultura]

CINEMA QUE PARECE CINEMA

Alain Resnais nasceu em 1922 e o seu mais recente filme é Ervas Daninhas (2009), um manifesto muito modernista do cinema. A história é, aparentemente, simples: um homem de mais de 50 anos (André Dussollier) encontra uma carteira que pertence a uma mulher (Sabine Azéma). Entrega a carteira na polícia, mas procura descobrir quem é a mulher. Traça-se uma relação estranha de aproximação e afastamento entre os dois, o homem casado mas com uma mulher que o compreende e aceita até certo ponto (Anne Consigny), embora o filme não nos dê muitas indicações. Os aviões são um elemento mais fino dessa relação esboçada, acabando o filme (um dos finais do filme) com o homem a pilotar uma avioneta que era previamente conduzida pela mulher. O polícia que serve de ligação entre ambos é uma personagem estranha e interessante, ao mesmo tempo.

O que mais interessa no filme é a forma: a voz off que revela os pensamentos das personagens, a abertura do filme mostrando as ervas do chão, a nascerem de entre as fracturas do asfalto da rua, os sapatos dos transeuntes (e a compra de sapatos por parte da mulher personagem central do filme), o uso de imagens de computador quando o pequeno avião cai aparentemente (só se vê a marcha irregular dele no avião e um ténue estrépido), com a apresentação de uma paisagem quase perfeita de floresta e campos de cultivo e jardins, como se fosse um blockbuster americano de animação tipo Avatar. Também a iluminação das personagens me impressionou, com clichés remetendo para a memória do cinema, e o imenso humor. O filme não é verosímel, é uma construção, uma ilusão, e o segundo final ilustra isso, género: "mãe, se fosse um gato podia comer os croquetes"? Fica uma agradável sensação ao ver o definitivo fim na película.

sábado, 10 de abril de 2010

CROSSROADS IN CULTURAL STUDIES - CALL FOR HOSTS: 2012

The Association for Cultural Studies (ACS) seeks proposals from individuals and institutions interested in hosting the biannual “Crossroads in Cultural Studies” conference in 2012.

Founded in 2002, the Association for Cultural Studies (ACS) aims at forming and promoting an effective worldwide community of cultural studies. It is intended as a tool for building strong interdisciplinary and transnational connections by offering meaningful meeting places for the great diversity of committed scholars in this field. The ACS helps establish, maintain and strengthen contacts between cultural studies scholars and workers across different disciplines and within as well as between the different countries and regions of the world, by spreading information and encouraging collaborative work, facilitating the creation and linking of local, national and regional cultural studies groups.

The most important event ACS organizes to achieve these objectives is the Crossroads in Cultural Studies Conferences, which were started in 1996 in Tampere, Finland. Although cultural studies was becoming increasingly international and multi-centered – or rather centerless because of its virtual nature – cultural studies people had scarce opportunities to see each other, to exchange ideas and to socialize. The Crossroads in Cultural Studies Conferences were designed to fill this gap in the cultural studies community.

The Crossroads in Cultural Studies Conferences are not organized around specific themes. Subthemes inform plenary and spotlight sessions and individual panels. The 2010 Crossroads conference will be held in Hong Kong. Previous locations include: Tampere, Finland;  Birmingham, England; Urbana, Illinois, USA; Istanbul, Turkey; Kingston, Jamaica.

[ACS - The Association for Cultural Studies]

LIVRARIAS BERTRAND COMPRADA PELA PORTO EDITORA

A Porto Editora vai comprar a cadeia de livrarias Bertrand, o clube Círculo de Leitores e várias editoras até agora detidas pelo grupo editorial alemão Bertelsmann (Público online, às 8:33).

Com esta aquisição, o mercado editor português do livro e das livrarias fica mais concentrado. Na área editorial, passam a existir dois grandes grupos, Porto Editora e Leya. Juntas facturaram mais de 180 milhões de euros em 2008, com uma quota de 47%. Também a Almedina tem um papel importante nesta distribuição do mercado português. Quanto a livrarias, a Bertrand disputa a liderança com a FNAC, embora a aposta seja distinta, com o grupo francês a alojar-se em centros comerciais e a Bertrand a ter lojas também nas principais artérias das cidades.

Ainda segundo a notícia do Público, também em edição de papel, um estudos de mercado da GfK indica que o sector do livro facturou 137 milhões de euros entre Janeiro e Novembro de 2009, mais 7% face a 2008.

MUTAÇÃO DAS INDUSTRIAS CULTURAIS (I)

Nas indústrias culturais de hoje, notam-se algumas tendências, de que aqui deixo um rápido traço. A primeira é a da revolução digital, cujas principais implicações são a redução de barreiras à entrada de novos grupos de media, com quebra de valor de investimento inicial. Se, até algum tempo atrás, havia um investimento avultado em estúdios de televisão, linha gráfica, equipas, o simples acesso à internet através de computador permite fazer muitas das actividades. O Google e o YouTube são bons exemplos. Numa escala mínima, neste blogue, consigo colocar imagens e vídeos a custo zero.

A digitalização permite a distribuição de conteúdos em mais plataformas, com mais qualidade e preço mais reduzido. Algumas dessas plataformas estão a emergir, como o iPad ou a webTV. As tecnologias aproximam os até então diferenciados produtores e consumidores, naquilo a que muitos autores chamam de cultura pro-am (profissional e amador), como Henry Jenkins, e que é um segundo ponto que deixo à reflexão. A possibilidade de adquirir conhecimentos e competências no amador leva à redução de agentes intermediários (ou gatekeepers), embora surjam novos. Mas importa aqui realçar que qualquer indivíduo, com um computador e a ligação à internet, pode capturar mais valor, dentro do conceito de Michael Porter de cadeia de valor e de deslocação do valor ao longo dessa cadeia de valor. O valor está cada vez mais nas plataformas de distribuição que na produção, mas esta torna-se múltipla e leva a ao surgimento e de novas formas de distribuição, com mais concorrência, o que baixa o valor intrínseco a cada plataforma.

A revolução digital representou, segundo Nicholas Negroponte, quatro principais características: 1) resistente à obstrução, isto é, uma obra é facilmente reprodutível, 2) conversível e arquivável, 3) manipulável e trasnformável, e 4) imparcial. A imparcialidade reflecte outra mutação nos media. Os teóricos e os gestores de media concluem pela redução da distinção entre notícia e entretenimento. Michael Schudson escreveu que a informação é mais leve e um acontecimento ou problemática concentrados num período curto de tempo com imagens de grande espectacularidade, que despertam sentimentos de emoção como acontece quando vamos ao cinema. Os gestores entendem que a redução da diferença está nas tecnologias mais comuns nos diversos media, o que se traduz num novo modelo de negócio. O que significa o esboroar da ideia de diferença dos media tradicionais. O meu blogue, uma vez mais, é um pequeno exemplo dessa mutação.

O novo modelo de negócio significa olhar de outra forma a monetização, terceira ideia aqui expressa. Palavra ainda só usada pelos especialistas, ela indica que as novas plataformas produzem outras fontes de rendimento que não apenas a publicidade (nos jornais, na televisão), mas aproveitam a relação mais próxima entre notícia e promoção de evento, nos anúncios colocados nos blogues pelo Google AdSense, na sinergia entre uma telenovela e as histórias que as revistas cor-de-rosa contam (casamentos, separações, uma gravidez da estrela A ou B). A publicidade era esmagadora nos media tradicionais (60 a 70% na imprensa, 100% na rádio e na televisão). Com a baixa de barreiras à entrada nos novos media e o surgimento de novos parceiros, a publicidade é distribuída por mais actividades mediáticas, a que se acrescentam as novas possibilidades de medir o efeito e impacto da publicidade nos indivíduos receptores. Daí o sector comercial e de marketing das empresas de media passarem a ter mais poder, procurando soluções integradas multimedia ou de comunicação global. Isto faz-se através de uma maior integração da publicidade nos conteúdos. As revistas de moda são um bom exemplo dessa mistura, com a produção de peças informativas em que o aspecto comercial se articula com a notícia, o que torna essas peças mais próximas de comunicados de imprensa, de comerciais autênticos e de actividades de relações públicas que a notícia que informa e analisa. Para os directores de marketing e comerciais, esta mistura de informação e entretenimento e relações públicas cria comunidades de valor e de credibilidade. A recente expansão do Facebook é um exemplo. A publicidade é crescentemente substituída pelo product placement, isto é, a promoção do produto dentro do programa feita pelo animador ou pelo artista. Os aspectos éticos são revistos com o lado comercial (a regulação tem de ser forte neste terreno).

A mutação das indústrias culturais significa igualmente uma redefinição da missão dos media em si. Antes, havia um conjunto de tecnologias específicas, produzindo bens culturais e informativos claros. O negócio das indústrias culturais hoje tem de ser feito em referência a audiências e não a meras tecnologias, num quarto ponto aqui deixado. Cada audiência tem gostos e interesses que ao emissor compete conhecer e segmentar. O que leva a uma nova forma de produzir conteúdos - e significa uma variável cultural não desprezível. Tal acarreta a percepção que a estrutura da produção de conteúdos se alterou nos anos mais recentes, e cujas ondas de choque vêm chegando (menos consumo de jornais em papel, mais consultas em sítios de internet dedicados à informação, transferência de espectadores mais jovens dos canais generalistas para o cabo). Além disso, a empresa de media tem de fazer ofertas em mais plataformas, adaptando os conteúdos a cada uma dessas plataformas, o que significa fazer mais e de forma barata, com um profissional a não trabalhar apenas para uma marca (jornal, rádio) mas para o grupo de media. O que conduz a novas estruturas internas centradas não na tecnologia mas nas audiências e nas plataformas.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

ESTÃO A CHEGAR OS DIAS DA MÚSICA NO CCB

Em 1649, ano em que parte para Estocolmo a convite da rainha Cristina da Suécia, René Descartes (1596-1650) publica o Tratado das Paixões, correntemente conhecido como As Paixões da Alma. No CCB, vamos ouvir música sob este mote, de 23 a 25 de Abril de 2010.

CINEMA E PSICANÁLISE : IMAGENS REVERSÍVEIS

A decorrer até 18 de Maio, às terças-feiras, das 21:30 às 23:30, na Fundação Serralves (Porto), concebido por Eduardo Paz Barroso, orientado por Maria de Fátima Cabral e Eduardo Paz Barroso e moderado por Rui Mota Cardoso:

  • Quando vemos Cinema e o pensamos (de Chaplin a Fellini, de Hitchcock a Truffaut, de Welles a David Lynch, e assim sucessivamente), encontramos um continente de sonhos. A Psicanálise é, como se sabe, uma forma de conhecimento que tem contribuído, e de modo decisivo, para a compreensão e interpretação dos fenómenos estéticos.

O REGRESSO DA REVISTA OS MEUS LIVROS

A revista Os Meus Livros vai voltar às bancas já em Maio. Encerrada com a edição de Março deste ano, o título foi adquirido pela CE Livrarias, empresa da Coimbra Editora. O director continua a ser João Morales, a quem saúdo, assim como a editora.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A MORTE DO CRIADOR DO PUNK

"Malcolm McLaren, o manager dos Sex Pistols que ajudou a definir o punk, morreu hoje em Nova Iorque, aos 64 anos, vitimado por um cancro" (Público online, às 20:34).

IX INCONTRO DELL'OSSERVATORIO SCIENTIFICO DELLA MEMORIA SCRITTA, FILMICA, ICONOGRAFICA E DEL PATRIMONIO AUTOBIOGRAFICO

Tessere i racconti del se fra fato e teleologia - La forza del destino e le costruzioni autobiografiche.


Castello Guevara – Bovino (Fg-It) ~ 28/07 > 1/08 2010 > o/ou 3 agosto/août (Museo Diocesano Bovino). Programma Provvisorio:

FINAL DA TAÇA DE PORTUGAL DE FUTEBOL FEMININO

No dia 10 de Abril, sábado, pelas 16:00, no Estádio Nacional, Jamor (Cruz Quebrada). Lê-se:

  • É desporto e ao mesmo tempo um acontecimento a não perder. A final da Taça de Portugal de futebol feminino disputa-se no Estádio Nacional pela primeira vez na história da modalidade. Frente-a-frente, as duas equipas com maior palmarés do futebol feminino português, a SU 1º de Dezembro (com 9 títulos nacionais e 4 Taças de Portugal) e o Boavista FC (com 11 títulos nacionais) “repetem” a final de 2007, que o 1º de Dezembro venceu por 5-0. Mas não quer dizer nada, porque prognósticos só no fim do jogo. Para a equipa de Sintra esta será a quinta presença na final, enquanto para as axadrezadas será a terceira presença. E se é costume dizer-se que a Taça é a festa do futebol e o Estádio Nacional o seu ex-líbris, com jogadoras como Carla Couto, Cátia Relíquias, Filipa Galvão, Dolores, Xana, Landinha, Verónica ou Sandra Silva (confesse lá… nunca tinha ouvido estes nomes, pois não?), a festa vai ser a dobrar. Não só porque a bola é redonda e são 11 para cada lado, mas porque o futebol é mesmo assim. E lá estará também, para tomar conta de tudo e de todas, a árbitra internacional, Sandra Bastos, auxiliada pelas assistentes Marlene Vieira e Olga Almeida. Últimas notas: há 30 mil lugares, a entrada é livre e que ganhem as melhores.
Informações: Federação Portuguesa de Futebol, fpf.pt, S. U. 1º Dez. e Boavista F. C. Feminino. Obrigado a Carlos Filipe Maia, pela dica.

ASSOCIAÇÃO DE INVESTIGADORES DA IMAGEM EM MOVIMENTO

No passado mês de Março de 2010, foi criada a AIM - Associação de Investigadores da Imagem em Movimento, entidade sem fins lucrativos que procura reunir os investigadores e promover a investigação da Imagem em Movimento (arqueologia de cinema, cinema, televisão, vídeo, CGI, internet, videojogos, etc.).

Para os mentores da associação, a AIM "surgiu da necessidade de reunir em Portugal, numa mesma entidade representativa, um conjunto de investigadores que têm em comum objectos e temas de pesquisa. À vontade de saberem exactamente quem são e onde trabalham, em que projectos estão envolvidos e a que instituições estão ou poderiam estar ligados, somou-se a coincidência gradualmente mais frequente de se encontrarem em conferências, colóquios e reuniões em volta do estudo das imagens em movimento".

Dois objectivos imediatos são a organização das I Jornadas de Investigação (Junho, Lisboa) e o envio de informação relevante, através do sítio da internet, de newsletters e do Facebook para os investigadores da imagem em movimento.

CONFERENCE ON CULTURE, POWER AND IDENTITY

University of Castilla-La Mancha. Facultad de Letras, Ciudad Real (Spain), 22-24 April, 2010. Idalina Conde (ISCTE-IUL Instituto Universitário de Lisboa) will present the paper Crossed concepts: Identity, Habitus and Reflexivity.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

AINDA O ENCONTRO DE INDÚSTRIAS CULTURAIS EM BARCELONA

Como aqui destaquei, o recente Fórum Europeu de Indústrias Culturais chamou a atenção para a importância das indústrias culturais e criativas. Segundo o blogue Cultural Entrepreneur, os dados apresentados nesse fórum apontam para 15% dos habitantes de Londres dedicados a essas indústrias, um crescimento de 10% na Europa entre 2000 e 2005 e um valor de 3,1% do PIB europeu.

OBSERVATÓRIOS CULTURAIS (I)

Cristina Ortega Nuere (2010). Observatorios culturales. Creación de mapas de infraestructuras y eventos. Barcelona: Ariel, 283 páginas, 23,5 euros.

Cristina Ortega tem doutoramento em Ócio [Lazer] e Potencial Humano e é docente da Universidade de Deusto (Bilbau e San Sebastián) e presidente da ENCATC - European Network of Cultural Administration and Training Centres.

A autora analisou 37 observatórios, incluindo o português (Observatório de Actividades Culturais), em todo o mundo e que olham a cultura como sector estratégico, com recolha de dados estatísticos, organização de eventos (conferências e congressos) e produção de documentos com vista a mapear as actividades de cultura e avaliar o impacto de políticas culturais.

O livro está dividido em três capítulos: observatórios culturais, mapas culturais, modelo para a realização de mapas de infra-estruturas e eventos culturais. A autora considera que os observatórios são importantes à cultura dado serem um elemento específico de avaliação das políticas culturais a partir de dados sociais e económicos recolhidos de modo estatístico, servindo ainda como medida de diálogo político e tomada de decisão (p. 30). As entidades que promovem os observatórios são instituições públicas, universidades, organismos internacionais e empresas. É a partir de 1995 que tem origem a maior parte dos observatórios da cultura (p. 45), embora com âmbitos e objectivos muito variados entre si: alguns procuram a reflexão e a investigação (recolha de legislação e regulação), outros são criados para recolher dados estatísticos, outros ainda para apoiar a tomada de decisão (investimentos em sectores precisos) (p. 49-54).

Cristina Ortega assinala a existência de três escolas de pensamento que têm desenvolvido investigações sobre os indicadores culturais: 1) a representada por G. Gerber e K. E. Rosengren, de análise das obras simbólicas, 2) a de Ronald Inglehart, com estudo de comportamento através de inquéritos, 3) a que aborda os indicadores culturais dentro do processo da criação ao consumo de bens e serviços culturais (p. 33).

O conceito de mapa cultural é um dos mais interessantes que o livro desenvolve. O mapeamento cultural permite estudar e compreender os sectores das indústrias culturais e criativas antes de tomar decisões de ordem política (p. 77). A autora usa uma abundante bibliografia constituída especialmente por relatórios de mapas culturais em Espanha e noutros países, com quadros e análise documental precisa. Sobre os conteúdos dos mapas, ela distingue análise, diagnóstico, indicadores e propostas; sobre o ponto de vista do estudo, faz a identificação, a envolvente, o contexto, a gestão, o conteúdo e a plataforma (p. 114). A parte final do livro, mais descritiva, aborda as infra-estruturas, actividades e eventos culturais, dando algum destaque à constituição de audiências, quando escreve sobre identidade e renovação de identidade (p. 187).

Nas páginas finais, como conjunto de reflexões, Cristina Ortega reforça a ideia do observatório cultural como instrumento de análise para a tomada de decisão política quanto à cultura, dá conta da incidência recente das mesmas instituições e da sua actual afirmação em várias áreas, o que inibe uma total comparabilidade entre observatórios, e à criação de redes entre esses institutos.