quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A intimidade nos media

O que é a intimização? Para Stanyer, que trabalha em Intimate politics (2013) no domínio dos actores políticos, o conceito começa no modelo de esferas ou arenas em que o político actua (pp. 12-13; p. 152). São três as esferas: privada, público-popular, instituições e processos políticos.

Intimização é o processo da narrativa do relato público de actos de intimidade, neste caso de políticos. Pode também se aplicar a personalidades célebres ou celebridades. A informação do (e sobre o) político circula continuamente entre estas esferas. Inclui não apenas a vida interna (e os seus pontos chave como aniversários), a relação com colegas e familiares (incluindo relações extra-conjugais) e espaço da vida pessoal (lar, férias).

A intimização é a publicitação da informação e das imagens destes três domínios (p. 15). A vida privada dos políticos tornou-se um facto da comunicação política em muitas das democracias mais avançadas do mundo. O autor opera com um quadro que inclui escândalo, consenso e dissensão, pelo que a intimização envolve os fluxos de informação pessoal não escandalosa, com divulgação de actividades pelos media, e informação escandalosa sem o consentimento do político visado (p. 17). Ele fornece uma análise comparativa de sete países: Alemanha, Austrália, Espanha, Estados Unidos, França, Itália e Reino Unido. Stanyer, na sua investigação, separa os Estados Unidos e o Reino Unidos dos restantes países. Isto porque aqui o nível de exposição consensual e de escândalo é mais elevado, com os media desses dois países a considerarem que os assuntos pessoais dos políticos têm um elevado interesse jornalístico (p. 153).

A intimização existe num universo em que os políticos estão envolvidos numa cultura voyeurística, uma cultura de imagens e informação reveladas sobre os outros, uma atmosfera de total exposição, em que não há espaços para segredos (p. 19), que os media exploram para proveito próprio (venda de mais exemplares, concorrência de mercado). A isso, Stanyer chama cultura do voyeurismo ou terapêutica (p. 20). Do político, espera-se que saiba adaptar-se, sobreviver e viver nessa revelação permanente da sua vida face às expectativas dos outros (os votantes, os simpatizantes e os opositores).

Um assunto transversal ao livro é o do relacionamento sexual dos políticos, extra-marital ou de orientação sexual (p. 154). Países como a Alemanha, nos anos estudados por Stanyer, são menos atreitos a notícias que países como os Estados Unidos e o Reino Unido. O anterior presidente francês, Sarkozy, emergiu em termos de revelações da sua vida íntima, quando se divorciou e voltou a casar, fenómeno menos jornalístico que nos países de língua inglesa, observa Stanyer. Este indica diversos factores: as tecnologias da comunicação (a internet permite libertar rapidamente as informações mesmo que escandalosas), a tabloidização, a combinação de condições micro e macro relacionadas com os media, o ambiente político e elementos sociais e culturais.

A incursão no domínio privado foi lamentado pelos teóricos clássicos como Hannah Arendt e Richard Sennett, pois a revelação de gostos pessoais significa a transformação da esfera pública num espectáculo mediático, com despolitização da sociedade civil (p. 161). O livro fornece um olhar científico sobre as fronteiras, e a sua atenuação, entre esfera pública e esfera privada dos políticos. O estudo comparativo permite ver quais foram as reacções de políticos como Tony Blair ou Silvio Berlusconi ou Nicolas Sarkozy em dados momentos da sua vida política.

Questões metodológicas são levantadas na investigação (pp. 26-27): estudam-se apenas os líderes nacionais ou também os líderes dos principais partidos? Que períodos de amostragem, apenas os das eleições? E examinam-se todos os media, incluindo a internet? E como se forma o tom de análise em termos de escândalo ou informação de consenso?

Fico com a leitura de Berlusconi, cujas revelações sobre actividades extra-conjugais se ampliaram em 2009 e 2011. Já em 2009, a sua mulher Veronica Lario publicitara a sua separação do primeiro-ministro e empresário dos media (p. 119), usando os media de oposição a Berlusconi, La Repubblica e La Stampa (e ainda Corriere della Sera). Stanyer segue o texto essencial de Hallin e Mancini sobre os media europeus, autores que chamaram a atenção para a polarização dos media italianos entre esquerda e direita. Isto é, em Itália há um sector de imprensa hostil a Berlusconi, garantia para a exposição da posição de Veronica Lario. Mulheres como Noemi Letizia, que chamara papi a Berlusconi, Patrizia D'Addario, a quem aquele dissera para o esperar na cama de Putin enquanto ele tomava um duche (o presidente russo oferecera-lhe uma cama) ou Ruby "Corta-corações" (ou Karima el-Mahroug ou Ruby Rubacouri), conhecida das festas bunga-bunga (pp. 120-121), permitiram fortes críticas na imprensa nacional e internacional.

Mas Stanyer vai além e conclui que os processos de intimização de Berlusconi não partem de pesquisa dos media mas de investigação judicial, como foi o caso bunga-bunga, pois em jogo estava o facto de Berlusconi pagar relações sexuais com menores (abaixo dos 18 anos). Na linguagem do autor, são factores micro ou macro sociais e culturais que alargam esta esfera da dissensão e da intimização.

James Stanyer é docente na Universidade de Loughborough, onde ensina na área de estudos dos media. Um seu livro anterior, The creation of political news. Television and British party political conferences (2001), foi um instrumento inspirador para uma investigação que eu e duas colegas fizemos em 2001-2002 sobre partidos políticos, congressos e televisão. Mais tarde, Stanyer participou numa conferência internacional organizada pelo CIMJ (Centro de Investigação Media e Jornalismo).

Leitura: James Stanyer (2013). Intimate politics. Cambrige e Malden, MA: Polity, 225 p.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O encanto do museu Machado de Castro

Muito recentemente, o Museu Nacional Machado de Castro (Coimbra) reabriu as suas portas. Tem uma magnífica colecção de escultura, com imagens esculpidas em pedra, madeira, marfim e barro. Muitas dessas obras foram retiradas de antigas igrejas ou conventos e aqui enquadradas, com uma forte visibilidade e destaque. Relevo ainda a ourivesaria, a pintura, a joalharia e os têxteis.

As obras do renovado museu percorrem um longo período histórico, com particular incidência na idade media, no renascimento e no barroco, além dos contactos com outros povos e culturas, como é o caso da indiana. Uma tapeçaria preencheu o meu encanto, como aliás deixei entrever em texto aqui (22 de Julho último), sob o título de viagem no museu:

"Hoje, no museu Machado de Castro, a viagem foi dada pela leitura das imagens de uma colcha indo-portuguesa do século XVII, que pertence à colecção de têxteis do museu. O pano e o seu bordado serviram de elemento físico e pretexto para compreender a viagem, o sincretismo das culturas portuguesa e indiana, a influência religiosa do cristianismo e do budismo, as histórias que uma tapeçaria nos conta como se fosse uma banda desenhada no corpo de linho bordado a fios de seda. Cultura e arte (também visíveis num objecto de uso comum como uma colcha, toalha ou tapeçaria), comércio e poder (trocas económicas e supremacia política e militar), tecnologia (da caravela à nau), religião (a conversão ao cristianismo) e procura intensa de produtos daquelas terras longínquas da Ásia que os portugueses trouxeram para a Europa em concorrência com outras rotas (como a da seda), em termos de especiarias mas também objectos estranhos à nossa cultura".

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Dez anos a escrever em blogues

Foi exatamente há dez anos, no dia a seguir ao Natal de 2002, que comecei a escrever em blogues. Então associado ao blogue do CIMJ (Centro de Investigação Media e Jornalismo). Escrevi às 15:31 desse dia: "Uma boa tarde para todos. A altura em que se começa este weblog faz-me lembrar outra experiência, a do "Diário dos Media" (há dois anos). Espero que haja sucesso também neste projecto".

Nesse blogue, já desativado, escrevi, embora irregularmente, até 17 de dezembro de 2003. A minha última mensagem, publicada na data agora indicada, tinha o seguinte teor:

"WEBLOGS E JORNALISMO "Este weblog está a fazer um ano de existência. O primeiro post em arquivo data de 26 de Dezembro de 2002, escrito por mim, embora me recorde de haver mais um ou outro post anterior escrito pelo José Carlos Abrantes, o grande dinamizador do weblog, e pelo António José Silva. A regularidade não tem sido muito boa - eu próprio estou entre os que não tem cumprido tal desiderato - mas não quero deixar de emitir uma opinião acerca da efeméride e dos weblogs ligados ao jornalismo. Isto a propósito de duas coisas.

"A primeira é a leitura (descoberta) de um texto datado de 1940, de Paul Lazarsfeld, chamado Radio and the printed page, em que o responsável pela pesquisa administrativa e dos efeitos limitados dos media, comparou o impacto da rádio, meio ainda recente na época, e os jornais. Uma das perguntas que ele fez foi: será que a rádio irá retirar campo à leitura (de jornais e de livros)? Nós já nos esquecemos desta questão, pois andamos à volta de outra: o consumo da televisão e da internet contribuem para a iliteracia? Na pág. 264 do seu livro, Lazarsfeld conclui que, até ao advento da rádio, o jornal preenchia duas funções: 1) relatar o que acontecera, e 2) interpretar a importância do acontecimento. Mas, dado que a rádio é mais rápida em relatar acontecimentos, a imprensa perde este papel. Quando abrimos um jornal, escreveu Lazarsfeld, provavelmente já conhecemos os principais acontecimentos através da rádio. Hoje, diríamos o mesmo da televisão ou da internet. Lazarsfeld ainda não escrevera sobre o two step flow of information e sobre a importância dos líderes de opinião, o que iria acontecer nos anos seguintes. Mas fala em reforço: para ele os ouvintes tipo J (jornais) têm capacidades suficientes para ler os jornais com facilidade, mas o seu interesse nas notícias intensifica-se através da complementaridade da audição da rádio. Ao invés, os ouvintes tipo R (rádio), porque dão maior destaque à rádio, têm um interesse mais modesto e recente em termos de notícias (p. 254). Ou seja, e nas palavras de Lazarsfeld, a dieta noticiosa do ouvinte tipo R é menos variada que a dos consumidores de notícias de jornais.

"A outra coisa é o trabalho de Manuel Pinto no weblog Jornalismo e Comunicação, local de passagem obrigatória para quem quer saber notícias que os media tradicionais ainda não publicaram. Através dele soubemos, por exemplo, da saida de Joel da Silveira da AACS. O que chamo a atenção é para a linguagem que Manuel Pinto está a usar. Escreve ele: segundo uma fonte bem colocada; segundo apurou este weblog. Aqui está o cerne do jornalismo, a notícia nova, a cacha. Manuel Pinto, o professor está a (re)adquirir o hábito de jornalista, atitude salutar para quem ensina jornalismo, isto é, misturar a prática com a teoria. Há, assim, a contínua deslocação entre dar o novo (o trabalho do jornalista) e o reflectir sobre as tendências dos media (o sociólogo, ou mediólogo, como a análise às referências recentes sobre a regulação dos media, a partir de posições defendidas num jantar na última semana). O novo medium (re)ocupa o lugar dos velhos media, na pesquisa e divulgação em primeira mão - mas também na análise e interpretação.

"Paul Lazarsfeld e Manuel Pinto, comungando vivências distintas, alertam-nos, contudo, para questões próximas. De que destaco uma: o consumidor do weblog da Universidade do Minho, ou quiçá o leitor deste nosso weblog, reforça o seu conhecimento adquirido noutros media. Em que a gratificação - para pegar na terminologia de uma das mais qualificadas colaboradoras de Lazarsfeld, Herta Herzog - resulta numa maior capacidade de reflectir sobre o mundo em volta e numa mais consciente tomada de posição (e de decisão, se tiver poder para isso).

"Talvez por isso valha a pena fazer um esforço para, no dia 26, o weblog do CIMJ começar o seu segundo ano de actividade".

Um destes dias, vou fazer um balanço das minhas escritas em blogues. Votos de continuação de boas festas.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Videojogos 2012 - Conferência em Ciência e Arte dos Videojogos

Organizado pela Sociedade Portuguesa de Ciências dos Videojogos (SPCV) e pela Universidade Católica Portuguesa realizou-se, entre 13 e 15 de dezembro, a quinta conferência anual em ciência e arte de videojogos.

As conferências da Sociedade Portuguesa de Ciências dos Videojogos realizam-se anualmente e têm com principal objectivo promover a investigação e a indústria de videojogos em Portugal. Evento multidisciplinar, houve contribuições de diferentes áreas do conhecimento, desde a arte, desenho e narrativa de jogo, a aspetos da sua computação, bem como o estudo a teorização e a reflexão crítica sobre práticas e aplicações no mercado e na indústria, entrosando ainda os contributos da comunidade académica.

No vídeo, um curto balanço de Cátia Ferreira, da organização do evento em representação da Universidade Católica. No podcast, um excerto da intervenção de Diogo Horta e Costa, da empresa Biodroid, em mesa redonda onde participaram agentes da indústria, dos media especializados, da academia ligada aos videojogos e inteligência artificial e da associação portuguesa do setor.

Luís Bonixe edita um livro sobre informação radiofónica

Em 23 de Junho de 2009, escrevi aqui sobre a tese de doutoramento de Luís Bonixe, docente e presidente da área científica de jornalismo, comunicação e tecnologias da informação da ESEP (Escola Superior de Educação de Portalegre). Agora, com a chancela dos Livros Horizonte, é editada a obra, com o título A informação radiofónica: rotinas e valores-notícia da reprodução da realidade na rádio portuguesa.

Na ocasião da tese de doutoramento, escrevi: "A dissertação tinha como centro avaliar as notícias da rádio como construção social da realidade, no caso da rádio a construção sonora da realidade. Foi também objectivo identificar momentos importantes da história recente do jornalismo radiofónico, bem como analisar os noticiários das nove horas nas três principais estações de informação: Antena 1, Renascença e TSF. Finalmente, o trabalho de Bonixe fez a comparação entre notícias da rádio hertziana e da internet".

Com oito capítulos, Bonixe parte para a sua investigação com a convicção de que o debate em torno da rádio é o futuro (p. 13), mas em simultâneo indica que pouco se sabe sobre as notícias na rádio portuguesa (p. 15). O seu desafio, ao longo das páginas, é identificar os rumos do futuro e a análise das notícias, para o que estudou as três principais estações de rádio e as suas redacções (observação participante, entrevistas e análise de conteúdo: TSF, Antena 1 e Renascença (p. 174). O capítulo 7 é o espaço onde a pesquisa no terreno tem mais expressão. Ali, o autor expõe as peças, a origem geográfica das mesmas, os temas, a política, as vozes das notícias, a voz do cidadão, os temas de abertura, os títulos dos noticiários, o comentário, as peças sonorizadas, o directo (pp. 105-154).

Para o autor, o jornalismo radiofónico enquadra-se na ideia das notícias como construção social da realidade (p. 173), com selecção e hierarquização das notícias, com existência de valores transversais a toda a comunidade jornalística. A rádio, apesar da concorrência de outros meios, possui um papel relevante na transmissão de conhecimentos aos indivíduos (p. 176). No caso da política, Luís Bonixe faz uma crítica: a uma não renovação das fontes, com a menor presença de vozes não institucionais.

Recupero o vídeo que fiz na altura da defesa da tese de doutoramento do autor:



Leitura: Luís Bonixe (2012). A informação radiofónica: rotinas e valores-notícia da reprodução da realidade na rádio portuguesa. Lisboa: Livros Horizonte

domingo, 16 de dezembro de 2012

Crianças e media

Sobre o livro Crianças & Media. Pesquisa Internacional e Contexto Português do Século XIX à Actualidade, de Cristina Ponte, agora editado pela Imprensa de Ciências Sociais, escreve Ana Nunes de Almeida na contracapa:

"A trilhar o seu caminho no Ocidente europeu desde meados dos anos 80, a sociologia da infância tem defendido a importância de se considerar a infância como um construção social, produto contingente do tempo e do espaço, afastando-se das perspetivas que a retratam como realidade biológica ou categoria universal; na mesma linha, sublinha a heterogeneidade interna das condições infantis, que produzem relevo e diferença num cenário desigual; e reivindica, ainda, o direito que as crianças têm de ser estudadas autonomamente, por direito próprio, o que se traduz metodologicamente na necessidade de a investigação lhes «dar voz». Inspirada em tais princípios, num livro onde a mudança social em Portugal constitui o fio condutor, Cristina Ponte propõe-nos cruzar a infância com os media - relação surpreendentemente pouco explorada na literatura científica. Fazendo uso da sua vasta experiência de pesquisa na área e numa linguagem simultaneamente rigorosa e atrativa, a autora fornece ao leitor criteriosos instrumentos de compreensão da experiência social das crianças na sociedade contemporânea".

O livro divide-se em duas partes e onze capítulos. A primeira parte é teórica, onde se abordam temas como a emergência do conceito moderno de infância, o contributo dos media para a construção do conceito, mudança social e medos dos media, a literatura infantil e a força da imagem. A segunda parte é empírica e incide sobre investigações que a autora tem conduzido nos últimos anos. Cristina Ponte, na introdução do livro, desenvolve melhor a divisão em duas partes. Ela parte da afirmação do modelo económico do capitalismo e da racionalização na divisão do trabalho, com reflexo na produção mediática da construção da infância (pp. 17-18). A segunda parte, para a autora, está atenta às mudanças ocorridas em Portugal desde 1974.

Da minha leitura, destaco o rigor e a profundidade dos temas e a vasta bibliografia utilizada, da reflexão sobre textos de autores internacionais ao uso de livros e revistas publicadas ao longo do período de análise, em especial em Portugal. A obra resulta das provas de agregação em Estudos dos Media e do Jornalismo na Universidade Nova de Lisboa, onde Cristina Ponte é docente.

Leitura: Cristina Ponte (2012). Crianças & Media. Pesquisa Internacional e Contexto Português do Século XIX à Actualidade. Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais, 234 páginas

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

A imprensa portuguesa segundo João Figueira

O livro A imprensa portuguesa (1974-2010), de João Figueira, foi esta semana apresentado na livraria Almedina, ao Saldanha, Lisboa, por João Céu e Silva e por Ricardo Alexandre (este num curto vídeo com parte do seu texto). Ambos evidenciaram um texto bem escrito e fácil de ler, que conta a história do jornalismo do país numa síntese onde se abordam jornais, semanários e newsmagazines e alguns dos seus principais jornalistas e grupos económicos dos media. O som (podcast) inclui uma pequena parcela da apresentação do autor. O livro tem cinco capítulos: jornalismo e política, a mesma luta; a idade moderna da imprensa portuguesa; newsmagazines e imprensa semanal; a afirmação dos grupos económicos; novos desafios e novas interrogações. Algumas conclusões do livro: ao longo de três décadas e meia, muitos jornais e revistas desapareceram mas surgiram novos títulos; segmentação de públicos; necessidade de informação credível; jornais gratuitos e novas plataformas desafiam o negócio até há pouco exclusivo dos media clássicos; jornalismo dentro de um espectro mediático dominado pelo entretenimento e espetáculo; grau de responsabilidade dos cidadãos na defesa de um jornalismo de qualidade e independente.

Leitura: João Figueira (2012). A imprensa portuguesa (1974-2010). Coimbra: Angelus Novus, 145 p., 9 euros

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Livro de Adelino Gomes sobre jornalismo televisivo

Foi ontem ao fim da tarde na FNAC do Chiado que o livro de Adelino Gomes Nos Bastidores dos Telejornais RTP1, SIC e TVI, editado pela Tinta da China, teve lançamento, com apresentação de José Alberto Carvalho, diretor de informação da TVI (ver vídeo abaixo). O texto resulta da tese de doutoramento que Adelino Gomes defendeu no ISCTE, como relatei aqui, em 4 de julho de 2011. O livro tem três partes e 10 capítulos. O primeiro capítulo, teórico, parte do conceito do modelo de propaganda, de Noam Chomsky e Edward S. Herman (Manufacturing Consent) e dos limites da autonomia jornalística, centrando-se em textos de Pierre Bourdieu (conceito de campo jornalístico), Erving Goffman (conceito de metáfora teatral), Stuart Hall, Nelson Traquina, José Luís Garcia e Herbert Gans, entre outros. Depois, a partir do segundo capítulo, entra no trabalho empírico - a observação direta da construção do noticiário das 20 horas nos três canais de televisão, onde permaneceu uma semana em cada canal e entrevistou e inquiriu diretores, editores e jornalistas seniores. A observação permitiu-lhe descrever, analisar e refletir sobre a conferência de redação, o alinhamento e o frisson do intervalo (a vigilância que cada canal faz aos canais concorrentes em especial a hora de intervalo, pensando no efeito do zapping). Uma das fontes de observação mais evidenciada no livro foi o jornalista José Alberto Carvalho, então a ocupar o lugar de diretor-adjunto da informação televisiva da RTP, que confiou as suas ideias sobre alinhamento e abertura do noticiário. Sobre este (p. 274), o jornalista tinha os seguintes princípios: menor probabilidade de abrir com futebol, assegurar o princípio do contraditório. Mas, como observou o autor, os noticiários não abrem com internacional e fecham sempre ou quase sempre com faits-divers. E, no lançamento do seu livro, Adelino Gomes pediu para os canais darem mais notícias de cultura e de internacional. Na mesma ocasião, mostrou grande desagrado pelo próximo encerramento do programa Câmara Clara (RTP2). Adelino Gomes tem 42 anos de actividade jornalística, tendo passado pelo Rádio Clube Português, Rádio Renascença, RDP, TSF, RTP e Público. Especializou-se nomeadamente na reportagem. Mais perto no tempo, foi provedor do ouvinte na RTP (Rádio e Televisão de Portugal) (2008-2010).

Homenagem a Nelson Traquina

Começou hoje, em Lisboa, o IV Seminário Internacional Media, Jornalismo e Democracia, organizado pelo CIMJ (Centro de Investigação Media e Jornalismo), edição onde se presta homenagem ao seu fundador Nelson Traquina, professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa e meu orientador de mestrado e de doutoramento. O meu testemunho, lido de manhã, fica aqui. Obrigado, professor Nelson Traquina. Foi uma longa e profícua aprendizagem, a partir do ano letivo de 1991-1992.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Teorias da Comunicação (1)


A Universidade de Twente tem recursos sobre teorias da comunicação que venho aproveitando. Isto é: tem uma síntese e fornece uma lista de leituras, com o resto a ser feito pelo investigador. Baseado nesses recursos, trago uma série de teorias a descobrir (ou a recordar), e que em muitas condições estabelecem pontes com as indústrias culturais.

A primeira é a teoria e a análise de redes, com J. A. Barnes a ser creditado por ter cunhado a noção de redes sociais, em Class and Committees in a Norwegian Island Parish (1954). A análise da rede (teoria das redes sociais) é o estudo de como a estrutura social de relações em torno do indivíduo, grupo ou organização afeta as crenças ou comportamentos. Pressões ocasionais são inerentes na estrutura social. A análise da rede é o conjunto de métodos de deteção e medição do valor dessas pressões.

Nas ciências da comunicação, há unidades sociais a observar: indivíduos, grupos ou organizações e sociedades que se interligam em fluxos ou trocas de comunicação. Exemplo - o lugar que os empregados ocupam numa organização influencia o modo como se expõem e controlam a informação. Isto ajuda a compreender os motivos porque os empregados ou colaboradores de uma organização atuam ou desenvolvem determinadas atitudes dentro e face à sua organização, numa espécie de teoria do contágio. As técnicas de análise de rede focam-se na estrutura de comunicação da organização estudada, nos modelos informais e formais de comunicação e na identificação de grupos dentro da organização (grupos de colegas, grupos de funções), determinando a posição do indivíduo dentro do grupo (estrelas, controladores, isolados).

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Feira de antiguidades

O CCB recebe a segunda edição da Feira de Antiguidades e Obras de Arte, de 24 de novembro a 2 de dezembro, das 16:00 até à meia-noite (ou 23:00, consoante os dias). Junta no mesmo espaço 40 expositores, entre antiquários, galeristas e artistas numa mostra representativa do mercado de Arte e antiguidades nacional. A diversidade aliada a elevado nível de qualidade é o mote para uma iniciativa que regressa ao CCB no seguimento do sucesso da sua primeira edição, e que se destina ao público em geral, meros interessados no sector e colecionadores. A Feira engloba peças de distintas tipologias e períodos, apresentando pintura antiga, contemporânea e moderna, mobiliário de origens diversas, pratas antigas e joias, porcelanas chinesas e faianças, objetos de coleção, arte sacra e arte oriental, incluindo o maior antiquário de arte oriental em Portugal, um dos maiores a nível europeu.

sábado, 10 de novembro de 2012

Livro de homenagem a Nelson Traquina

Foi agora editado o ebook Pesquisa em Media e Jornalismo - Homenagem a Nelson Traquina, de Isabel Ferin Cunha, Ana Cabrera e Jorge Pedro Sousa (Orgs.), com textos de Carla Martins, Carlos Camponez, Cristina Ponte, Estrela Serrano, Francisco Rui Cádima, Helena Lima, João Carlos Correia, João Pissarra Esteves, Maria João Silveirinha, Maria José Mata, Marialva Carlos Barbosa, Marisa Torres da Silva, Rita Figueiras, Rogério Santos, Teresa Mendes Flores e Vanda Calado, numa edição do LabCom 2012. Exemplares em papel da edição serão vendidos durante o IV Seminário Internacional Media, Jornalismo e Democracia, organizado pelo Centro de Investigação Media e Jornalismo (CIMJ) e a realizar nos dias 6 e 7 de Dezembro de 2012. Retiro da sinopse da obra a seguinte informação: "Esta é uma obra de homenagem. Uma obra de homenagem a um pesquisador singular – Nelson Traquina. Nascido nos Estados Unidos, estudou em Denver e em Paris. Viveu os anos da Revolução de Abril em Portugal, como correspondente de agências noticiosas internacionais, ingressando na Universidade Nova de Lisboa no início dos anos 80. Ao longo de trinta anos de intensa dedicação aos Estudos Jornalísticos, tornou-se, incontestavelmente, o investigador português mais influente no campo". O meu capítulo tem o título A rádio portuguesa na década de 1960. A revista Antena (1965-1968) e a promoção da rádio.

Visita guiada

Interior (Costureiras Trabalhando), óleo sobre tela de Marques de Oliveira (1884), é uma cena que representa uma pacata vida familiar, com três mulheres em casa, costurando e bordando, no silêncio da sala de trabalho. À falta de um terceiro modelo, a mulher de Marques de Oliveira é pintada duas vezes, em posições distintas e com outro vestuário, e na casa do próprio artista. Há igualmente uma pintura sobre a pintura, pois o centro da tela mostra uma paisagem através de uma porta aberta de par em par: um jardim com árvores em dia brilhante. O sol entra do lado esquerdo da pintura, iluminando mais a mulher que se senta naquele lado, projetando-se num jarro com água, com uma sombra esbatida na parede. Essa mulher à esquerda, de costas, debruça-se sobre o trabalho numa máquina de costura, à época da pintura um objeto muito moderno. Ainda deste lado, alguns quadros na parede indicam a casa de uma família com algumas posses. Um pormenor: um dos quadros não tem moldura, o que permite a seguinte interpretação: só um artista aceita colocar na parede uma pintura sem moldura. Do lado direito, em penumbra, como quem entra num espaço às escuras, vislumbram-se peças de mobiliário e algumas roupas. Já havia passado por, e olhado para, o quadro múltiplas vezes, das vezes que percorri a pintura exposta no Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto. Mas só agora me apercebi destes pormenores, ouvindo a responsável pela visita guiada. Histórias das obras, enquadramento geral do trabalho dos artistas e contexto mais geral da sociedade em que as obras são produzidas – só assim é possível entrarmos em cada uma das representações pictóricas expostas. Mas, além de Marques de Oliveira, ouvi explicações entusiasmantes sobre pintores como Silva Porto e Henrique Pousão ou sobre as origens do romantismo, afinal um dos melhores conjuntos daquele espaço cultural. É isso que torna fascinante ir a um museu.


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Os media no período de Marcello Caetano (1968-1974)

Mercado media em Portugal no período marcelista. Os media no cruzamento de interesses políticos e negócios privados, de Suzana Cavaco, editado pela Colibri (2012), é um livro, como se lê na contracapa, sobre a atividade dos media durante o período do governo de Marcello Caetano (1968-1974), onde descobre as motivações que levaram à compra de jornais diários por grandes grupos económicos, em que o governante procurou resistir a pressões e intentou moderar poderes de grupos económicos rivais.

O livro está dividido em cinco partes, a primeira das quais indica a trajetória política de Caetano, a segunda aborda as relações deste com a imprensa, a terceira as eleições de 1969, a quarta o contexto de regulação, autoregulação, empresas e mercados dos media nesse período significativo da história de Portugal e a quinta dá conta das dinâmicas do mercado dos media e da imprensa a balancear entre o poder político e o poder económico, texto pujante de mais de 570 páginas.

Livro que se aproxima pela temática do de Ana Cabrera, Marcello Caetano - poder e imprensa (Livros Horizonte, 2006), mas em que noto complementaridade e reforço, e que considero constituirem as obras de referência para o estudo do período, o trabalho de Suzana Cavaco faz uma descrição minuciosa das relações de poder e de apoio entre indivíduos, como os admiradores de Caetano no mundo dos media: Ramiro Valadão, Manuel José Homem de Mello, Fernando Fragoso, Maurício de Oliveira, Carlos Vale, Dutra Faria, Augusto de Castro, José Mensurado (pp. 141-146). Caetano retribuía as admirações. Um caso que me despertou a curiosidade foi a história de vida de Jorge Rodrigues, irmão de Urbano Tavares Rodrigues e de Miguel Urbano Rodrigues (pp. 135-137). Depois da sua atividade no Diário de Notícias, Jorge Rodrigues iria para o serviço de estrangeiro do Diário Ilustrado (a partir do final de 1956). Numa viagem aos Estados Unidos, o jornalista escreveu cartas a Caetano, contando como se via naquele país a posição de Portugal e da sua imprensa. Em 1958, Rodrigues era promovido a subdiretor do Diário Ilustrado, depois do seu irmão Miguel se ter demitido com outros por incompatibilidade com a administração. No ano seguinte, afastado do jornalismo, dedicou-se à publicidade. Já em 1968, logo após Caetano ascender ao lugar de primeiro-ministro, Rodrigues escreveu-lhe uma carta de admiração, indicando a sua proximidade a um conjunto de jornalistas que podiam ser úteis ao novo governante. O "dedicado amigo" veria retribuída as provas de gratidão, quando Caetano o indicou para um cargo de propaganda nas eleições de 1969 e de 1973. Ligado à agência de publicidade Latina-Thompson Associadas, Jorge Rodrigues procurou novos negócios para a sua empresa através desta ligação política (pp. 273-276).

A análise da situação económica das empresas dos media foi um tópico muito desenvolvido na obra de Suzana Cavaco, no concernente a imprensa, televisão e rádio. Retiro algumas ideias da análise económica a este último meio, onde se escreve sobre o Rádio Clube Português, a Rádio Renascença e a Rádio Alfabeta ((pp. 477-487). Ao Rádio Clube Português é dada bastante importância, com os emissores de frequência modulada que cobriam o país (1969), a emissão em estereofonia (1968), a autorização para emitir em Luanda (1973), acionista da RTP (1955), a compra da Rádio Ribatejo (1970) e da Rádio Alto Douro (1971), e a constituição da Imavox (1972), dedicada à edição de discos (pp. 480-484). Outra estação a que a autora prestou atenção, e que eu não conhecia pormenores económicos, foi a Alfabeta, constituída em 1968 para agregar a Rádio Peninsular e a Rádio Voz de Lisboa, ambas a emitir dentro dos Emissores Associados de Lisboa, com um capital inicial de dois mil contos (p. 485). Em 1971, o serviço informativo passou a ser transmitido dos estúdios da estação, o que era até então feito a partir da redação do Diário Popular, unidos por interesses acionistas de Brás Medeiros. Em 1972, a Alfabeta alcançava o primeiro exercício positivo (31,9 contos), alargado em 1973 (1,2 mil contos) (p. 486). Curioso que, nos começos da década de 1970, mais especificamente em 1972, a Emissora Nacional e a Rádio Renascença criavam serviços de noticiários específicos (p. 477). Um pequeno erro, que não destoa a análise autorizada da autora (ver p. 478): no começo de maio de 1974, era exigida a demissão de Pereira da Silva da administração da Rádio Alfabeta e indicado João Paulo Diniz para o substituir (Diário de Lisboa, 3 de maio de 1974).

A autora fez um apurado trabalho em arquivos como o de Marcello Caetano, relatórios e contas de empresas noticiosas e entrevistas a jornalistas e homens dos media, além da coorientação de Marcelo Rebelo de Sousa, que privou junto de Caetano, seu padrinho de batizado, aliás (orientador: Jorge Fernandes Alves). Como se percebe, a obra é resultado da sua tese de doutoramento. Suzana Cavaco é docente na Universidade do Porto em Ciências da Comunicação. Foi diretora da Escola Superior de Jornalismo, Porto (2001-2006).

Leitura: Suzana Cavaco (2012). Mercado media em Portugal no período marcelista. Os media no cruzamento de interesses políticos e negócios privados. Lisboa: Colibri, 616 páginas

terça-feira, 30 de outubro de 2012

História da rádio em Portugal

Changes in the Portuguese radio during the 1960s - a contribution to a new aesthetic reality, Ecrea 2012 (obrigado à Cátia Ferreira pela pronta colocação da fotografia no Facebook). A comunicação de sábado passado de manhã partiu do poster abaixo presente e resulta de investigação feita ao longo do último ano. Agradeço a Guy Starkey (autor do recente livro Local radio, going global) e à equipa da secção de Radio Research, da ECREA, a possibilidade de apresentar o meu trabalho.

Obitel 2012 - a ficção televisiva nos países ibero-americanos

Obitel 2012. Transnacionalização da Ficção Televisiva nos Países Ibero-Americanos, coordenado por Maria Immacolata Vassallo de Lopes e Guillermo Orozco Gómez, é o sexto anuário com uma metodologia que combina o estudo quantitativo e a análise contextual da ficção televisiva, a sua transmediação (passagem de um meio ou plataforma para outro ou outros) e as dinâmicas sociais e culturais e que envolvem onze países da América Latina e os dois países da Península Ibérica.

Na contracapa do livro lê-se o seguinte: "A ficção, enquanto indústria e formato, é um dos produtos culturais e mediáticos mais representativos da televisão na Ibero-América, sendo o seu enraizamento cultural e simbólico um lugar de encontros e desencontros onde não somente cabem os amores e segredos íntimos dos personagens de uma telenovela ou série, mas também a vida pública, a política, a cidadania, uma vez que cada vez mais a ficção está ancorando nas suas narrativas as múltiplas problemáticas que nos afetam como região, mas que, ao mesmo tempo, nos separam como países".

No vídeo seguinte, Catarina Duff Burnay, docente da Universidade Católica, e uma das co-coordenadoras do capítulo português, ao lado de Isabel Ferin Cunha, fala-nos do anuário e das tendências nacionais e gerais da ficção televisiva em análise. Os dados agora publicados são
referentes a 2011.

Jornalismo cultural na perspetiva de Dora Santos Silva

Cultura e Jornalismo Cultural. Tendências e Desafios no Contexto das Indústrias Culturais e Criativas é um livro de Dora Santos Silva agora lançado no mercado pela editora Media XXI.

A autora, a preparar a tese de doutoramento em Media Digitais (programa Universidade de Austin e Universidade Nova de Lisboa), projeto com o título Jornalismo Cultural na Era Digital – Novas práticas, Possibilidades e Plataformas, jornalista, investigadora e autora do sítio Culturascópio, apresenta na obra os seguintes grandes temas: conceções dominantes da cultura, da indústria cultural às indústrias culturais, das indústrias culturais às indústrias criativas, jornalismo cultural, antecedentes e tendências do jornalismo cultural em Portugal e no mundo e análise de casos nos media portugueses.



Retiro o que escrevi aqui (6 de janeiro de 2009) aquando da defesa da sua dissertação de mestrado, base do presente livro: "a investigadora analisou dois jornais diários (Público e Diário de Notícias) e revistas de tendências (NEO2, N&Style, Umbigo, DIF). No caso dos diários, as indústrias cinematográfica (estreias, DVD, entrevistas a atores) e discográfica (lançamento de CD, concertos e entrevistas a músicos) são as áreas com mais notícias. Para a autora, o impacto do cinema e da música devem-se ao peso das grandes produtoras, que alimentam celebridades e desenvolvem estratégias de comunicação e de divulgação eficazes. A programação da televisão ocupa muito espaço no Diário de Notícias, enquanto a indústria discográfica atinge 50% do espaço de cultura no Público. Outras áreas das indústrias culturais como arquitetura, moda, artesanato, design, software de lazer e modos de vida têm espaço residual. No caso das revistas de tendências, Dora Santos Silva considera que muito do trabalho ali realizado é feito por agentes de marketing e não por jornalistas, o que desqualifica a informação, apesar da importância das revistas pela análise das novas tendências de consumo".

A apresentação do livro decorreu hoje à tarde no seminário Investigar e Editar Comunicação Social, organizado pelo Gabinete para os Meios de Comunicação Social (GMCS), entidade que patrocinou a obra, em associação com a Universidade Católica Portuguesa, onde se realizou o evento. A Media XXI é uma pequena mas consagrada editora especializada em obras de comunicação, lazer e indústrias criativas, contando já com um importante catálogo de autores em línguas inglesa e portuguesa.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Seminário “Rotas e Percursos Culturais: do conteúdo ao negócio”

Nos dias 15 e 16 de novembro, no Auditório da Fundação da Juventude, à rua das Flores, 69, no Porto, vai decorrer um seminário sobre rotas e percursos culturais. Para os organizadores, "A riqueza e a diversidade do Património Cultural constituem, como sabemos, um importante recurso do país, cada vez mais procurado pelo turismo interno e externo, numa perspectiva de experiência turística integrada, que alia o clima à descoberta do Património Histórico, Arquitectónico, Etnográfico e Gastronómico". A inscrição é gratuita.

Em estudo realizado em 2011, foram identificadas "mais de 500 propostas de rotas e itinerários culturais, com referência online, sobre os mais diversificados temas, reflexo da riqueza patrimonial do país e do interesse dos seus variados promotores em desenvolver iniciativas que potenciem o turismo cultural".

Para mais informações, escrever para seminariosrpt@gmail.com.

Leituras de John Cage no Porto

Pedro Junqueira Maia e Rui Manuel Amaral lêem textos de John Cage, no sábado, 20 de Outubro, pelas 17:00, no Gato Vadio (Rua do Rosário, 281, Porto). Sessão inaugural do 2.º Ciclo de Leituras do Gato Vadio. John Cage (1912-1992). Compositor, escritor, discípulo de Schönberg, de Duchamp, de Suzuki, estudioso do I Ching, de Thoreau, de Satie e de cogumelos. Criador e introdutor do happening, da técnica do piano preparado, da casualidade nos métodos de composição. Desdobrável de Luís Nobre.


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Sobre Darwin e outras atividades


No dia 30 de Outubro, às 18:45, na livraria Círculo das Letras, na Rua Augusto Gil, 15 B (cruzamento com Oscar Monteiro de Torres e próximo das avenidas de Roma  e João XXI, em Lisboa), O desafio de Darwin, à conversa com Teresa Avelar.

A mesma livraria (http://livrariacirculodasletras.blogspot.pt/) anuncia uma exposição de fotografia (outubro) e uma exposição de desenho e serigrafia de Rui A. Pereira (novembro).

Riso. Uma exposição a sério

Inaugura no dia 19 de outubro, no Museu da Electricidade, em Lisboa, a exposição coletiva Riso. Uma exposição a sério, organizada pela Fundação EDP em parceria com as Produções Fictícias. A "exposição explora diferentes manifestações de humor na sociedade contemporânea através de diversos suportes como a pintura, vídeo, fotografia, escultura, performances, cinema, BD, televisão e literatura. Serão apresentadas cerca de 500 obras de mais de 300 artistas nacionais e internacionais, provenientes de alguns dos principais museus e coleções particulares" (informação fornecida pela organização). Uma das artistas é Joana Vasconcelos, com a obra Passerelle (2005).

Ensaios Visuais

 
Entre os dias 12 e 16 de Novembro, serão exibidos no Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra, os filmes escolhidos para a competição Ensaios Visuais, da XIX edição do festival Caminhos do Cinema Português. Trata-se de uma mostra de filmes realizados por diversos alunos de escolas com cursos ligados ao cinema, de Norte a Sul do país. Saber mais aqui.

Abrir os cofres

A sessão, amanhã dia 18, pelas 19:30, na Cinemateca, Portuguesa - Museu do Cinema, reúne cinco curtas-metragens produzidas entre finais dos anos trinta e o início da década de setenta, no espírito do regime do Estado Novo, que refletem como peças de propaganda. Apresentação de Sérgio Bordalo e Sá. Os filmes são Parada da Legião e da Mocidade (Artur Costa de Macedo, 1937), 10 de junho: inauguração do Estádio Nacional (António Lopes Ribeiro, 1944), A manifestação a Carmona e Salazar pela paz portuguesa, Jornal Português nº 52 (1945), O jubiléu de Salazar (1953) e Portugal de luto na morte de Salazar (António Lopes Ribeiro, 1970).

Dia Nacional dos Bens Culturais da Igreja

Amanhã, dia 18, a partir das 9:30, na Igreja da Memória (Lisboa), realiza-se a 2ª edição do Dia Nacional dos Bens Culturais da Igreja.


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Escritores e ilustradores em Castelo Branco

A 1ª edição do Festival Literário de Castelo Branco (FLCB), iniciativa da respetiva câmara municipal entre os dias 24 e 26 de outubro, vai levar mais de duas dezenas de escritores e ilustradores às escolas daquele concelho. Ana Maria Magalhães, Afonso Cruz, Mário Zambujal, José Jorge Letria, Júlio Magalhães, Luís Miguel Rocha e Isabel Stilwell serão alguns dos autores presentes no Festival, dividindo-se entre visitas a escolas e debates noturnos no Instituto Politécnico de Castelo Branco e no Cine-Teatro Avenida. A eles, juntam-se autores albicastrenses como João de Sousa Teixeira, Manuel Lopes Marcelo ou José Manuel Castanheira (a partir de informação disponibilizada por Booktailors - Consultores Editoriais).

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Disco dos Gaiteiros de Lisboa

O novo disco dos Gaiteiros de Lisboa, Avis Rara, editado pela d'Eurídice (selo editorial da d’Orfeu) regressa aos palcos em outubro, com duas apresentações agendadas: dia 10 na Casa da Música (Porto) e dia 15 na Culturgest (Lisboa). Saber mais aqui.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Serralves

No domingo, na Festa do Outono na Casa de Serralves, com entrada gratuita entre as 10:00 e as 19:00, vi muitas crianças acompanhadas pelos pais. Dia bonito e muitos visitantes de todas as idades, mas em especial os mais jovens à procura de oficinas, flora e animais da quinta e muito mais coisas, além de uma burroteca.

No museu, duas exposições. À esquerda, as obras da holandesa Marijke van Warmerdam (1959), conjunto intitulado De Perto à Distância (Close by in the Distance), com variados vídeos e filmes de 16 mm. Estes são feitos com câmara fixa, desaceleração, repetição, sem histórias específicas mas momentos. Manifestos e instalações, de que destaco Light (2010), filme que revela diversas posições das lâminas de um estore, alternando luz, sombra e escuridão. À direita, o búlgaro Nedko Solakov (1957), com o título All in Order, with Exceptions, uma retrospetiva da sua obra. Em Solakov, veem-se diversos materiais e formatos: desenhos, pinturas, murais, fotografias, vídeos, reconstituição de instalações, numa permanente provocação de imagens, formas e expressões.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

História das telecomunicações nacionais

História das Telecomunicações em Portugal, 1877-1990. Contributos para a sua compreensão

O presente texto (História das Telecomunicações em Portugal, 1877-1990. Contributos para a sua Compreensão), que foi publicado pelos TLP (Telefones de Lisboa e Porto), uma das empresas que deu origem à PT, saiu há 20 anos, sensivelmente por esta altura do ano (trata-se da segunda tentativa de edição online do ficheiro). Nele se revê a história do telefone nas cidades de Lisboa e Porto desde o último quartel do século XIX até quase ao final do século XX. A empresa TLP desapareceria em 1994 para dar origem à PT, em fusão com outras empresas.

Foi um prazer escrevê-lo e uma alegria trabalhar com tanta gente para o publicar (como a agência Rêgo+Associados, que tinha escritórios perto do hotel Marriot, por sua vez perto da Universidade Católica, os fotógrafos Fernando Figueiredo, também responsável por arranjos gráficos, Abílio Vieira, António Santos e o já desaparecido António Mónica, além do maior entusiasta de todos e então meu diretor nos TLP: António Santos Serra). Comecei a escrever o texto no Porto e acabei-o em Lisboa, numa altura em que trabalhava na rua Andrade Corvo e frequentava o mestrado na Universidade Nova de Lisboa em aulas fantásticas (Teoria da Notícia, seminário lecionado por Nelson Traquina, agora a viver nos seus Estados Unidos), em instalações da Rua Pinheiro Chagas, muito perto da maternidade Alfredo da Costa. Então, havia muito otimismo no país.

Enjoy.