quinta-feira, 27 de abril de 2006

CONCERTOS DE MÚSICA EM PRAGA (II)

Ao fim da tarde e começo da noite há concertos quer em igrejas quer em salas de escolas de música. Com duração média de 60 a 90 minutos e a rondarem 500 a 900 coroas (18 a 36 euros) de preço, eles compõem-se de andamentos (ou excertos de andamentos) de peças de repertório conhecido, nomeadamente de compositores da República Checa, como Dvorák ou Smetena. Do lado dos músicos, há um nítido trabalho de freelancer, associado a conhecimento público e/ou lançamento de carreira e recolha de dinheiro suplementar a outras actividades.

Muitos dos bilhetes são vendidos na rua, em pequenos postos ambulantes, com os vendedores a acompanharem os clientes até ao local do concerto, para estes não se perderem no labirinto de ruas da cidade velha.




CONCERTOS DE MÚSICA EM PRAGA (III)

O jazz é uma forma musical com boa oferta em grande parte das capitais europeias, a que Praga não foge. Um exemplo foi o concerto realizado a 21 de Abril pelo František Uhlíř team, no AghaRTA Jazz Centrum. No show, o contrabaixista František Uhlíř seria acompanhado por piano e bateria (Jaromír Helešic) [foi-me dada permissão para a reprodução da gravação do vídeo abaixo inserido].





CONCERTOS DE MÚSICA EM PRAGA (IV)

Na rua, no centro da cidade velha de Praga, decorrem espectáculos ao vivo, organizados ou não por entidades camarárias, trazendo muita animação e momentos de admiração pelos músicos populares ou amadores. Os três pequenos vídeos mostram essas manifestações musicais, duas na Staroměstské náměstí (praça da cidade velha), onde se ergue o relógio astronómico, e a terceira na ponte Carlos.

Como destaquei na mensagem I, estas expressões musicais resultam de uma marcação de território (físico e do imaginário cultural), com músicos intervindo em representações não regulares e adaptáveis ao fluxo de turistas. Neste caleidoscópio de representações, detecta-se o saudosismo por formas musicais de há trinta ou mais anos, até porque alguns dos músicos são idosos. Aí se pontuam recordações pelas escolhas pessoais ou colectivas (momentos políticos de 1968 ou 1989), sem rótulos de música séria mas apenas de memória, numa aproximação a quem passa, reorganizando, assim, conceitos e projectos.






quarta-feira, 26 de abril de 2006

OS CAFÉS DE PRAGA

Quando li a primeira vez Jürgen Habermas em Mudança estrutural da esfera pública (edição em português de 1984), impressionou-me muito saber da importância dos cafés - entre outros espaços públicos - na formação da opinião pública moderna. Por uma questão conceptual, o livro referiu-se a uma realidade social centrada no século XVIII e abrangendo somente três países: Inglaterra, Alemanha e França. De fora ficavam os cafés de Bruxelas e Bruges (Bélgica) ou Saragoça (Espanha), mas também os cafés de Lisboa ou Porto, por exemplo.



No ano passado, saíu Prague cafes, from the coffee houses of old Prague to the jazz café, com texto de Harald Salfellner e ilustrações de Ivan Korecek (edição Vitalis, de 112 páginas), onde se alude a Georgius Deodatus, comerciante de Damasco que, no século XVIII, começou a servir café na capital da República Checa, no bairro pequeno. Claro que sabores e estilos de vida mudaram desde então, mas ficaram famosos nomes de cafés como Kavarna Union, Edison, Deminka e Continental. Alguns deles, como o Louvre e o Arco, seriam frequentados pelo escritor Franz Kafka.






Legendas: 1) e 2) café Kubista e edifício onde estão albergados o café e o museu, 3) Václava, na praça S. Venceslau, e 4) Reduta, junto ao bairro judeu.
LANÇAMENTO DO LIVRO PRIME TIME, DE NUNO GOULART BRANDÃO

No próximo dia 16 de Maio, pelas 18:30, na FNAC do Centro Comercial Colombo (Lisboa), vai ser lançado o livro de Nuno Goulart Brandão, Prime Time. Do que falam as notícias dos telejornais (edição da Casa das Letras, com prefácio de Francisco Pinto Balsemão).



Do comunicado recebido retiro o seguinte:

  • "A televisão é uma das principais fontes para a construção da realidade social e, mais do que ser uma janela aberta para o mundo, funciona como espelho da nossa existência quotidiana. A televisão transmite e proporciona distintas esferas e acontecimentos da vida social. [...] Através de uma análise quantitativa dos conteúdos de 180 telejornais de três estações generalistas (RTP1, SIC, TVI), Nuno Goulart Brandão propõe ao leitor uma reflexão sobre a televisão em geral e sobre o jornalismo em particular. Este estudo teve como principal objectivo determinar, entre inúmeras variáveis, quais as categorias temáticas dominantes dos telejornais em estudo, preferências e distinções pertinentes da televisão pública face às televisões privadas".

Nuno Goulart Brandão é licenciado e pós-graduado pelo Instituto Superior de Novas Profissões (onde lecciona desde 1992) e mestre e doutor pelo ISCTE. Editou já O espectáculo das notícias.

LUGARES PARA A ERC

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) pretende admitir especialistas em monitorização e análise dos media e em estudos e análise estatística. Para isso, enviar currículos para o conselho regulador da ERC (Av. D. Carlos I, 130, 6º, 1200-651 Lisboa ou
info@erc.pt).

quinta-feira, 20 de abril de 2006

AUSÊNCIA

Nos próximos dias, estarei ausente da blogosfera. Espero regressar no dia 26. Até lá, continuem a preferir o Indústrias.
AUDIÊNCIAS DE RÁDIO

Numa das mensagens hoje colocadas por
Media Network Weblog, dá-se conta do últimos valores de audiências de rádio em Portugal. Como base da informação estão os dados da Marktest, que apontam para uma quebra de 6,1% face ao ano anterior (menos cerca de 300 mil ouvintes). Contudo, duas rádios da Media Capital (Comercial e Rádio Clube) e uma da RDP (Antena 2) registaram subidas. A RFM mantém-se líder de mercado.

Não são, certamente, boas notícias para a rádio nacional, mas assinalo a atenção do blogue Media Network Weblog para com a realidade portuguesa. Há informações mais detalhadas na imprensa de hoje.


STAR TREK NA REVISTA VÉRTICE

No número de Janeiro/Fevereiro, a revista Vértice dedica cerca de 50 páginas ao fenómeno televisivo (e cinematográfico) Star Trek, que comemorou 40 anos de existência (o primeiro episódio foi emitido pela cadeia americana NBC a 8 de Setembro de 1966; a transmissão acabou em 13 de Maio de 2005). O programa rapidamente se tornou uma série de culto, sendo os seus fãs apelidados de trekkers ou trekkies.

António A. da Costa, um dos autores a escrever sobre a série, considera que Star Trek foi "o mais importante fenómeno de cultura de massas do século XX". Outra autora publicada na revista, Bárbara Vallera, afirma que Star Trek se tornou uma parte integrante da cultura pop ocidental, no seu conjunto de seis séries de televisão (mais de 700 episódios), dez filmes, centenas de livros e fanzines e jogos de computador e consola. Uma autêntica manifestação das indústrias culturais, acrescento eu.

No seu texto, António A. da Costa aborda o conceito de ficção científica, que começara na literatura, passando para o cinema, banda desenhada e televisão. Se, até 1960, a ficção científica no cinema obedecia ao aparato científico-tecnológico e aos envolvimentos sociais, políticos e psicológicos, mas encarada como género menor, nas décadas posteriores, e em especial devido à televisão, a ficção científica passou a ter argumentos mais sólidos e produzida com investimentos maiores para a concretização de projectos.

Star Trek nasceu das ideias de Eugene Wesley Roddenberry, mais conhecido pelo diminutivo Gene. Durante a segunda guerra mundial, Gene foi piloto de um B17, tendo mesmo recebido condecorações pelas suas missões. Após a guerra, tornou-se piloto da companhia comercial Pan Am, enquanto estudava literatura na universidade de Colombia. Também escreveu argumentos para cinema, no que se tornou a sua principal fonte de rendimento. Quando contava histórias aos seus filhos, o tema era a ficção científica. Daí nasceu o Star Trek.

No texto de António A. da Costa há algumas imagens das poderosas naves mostradas nas sucessivas séries de Star Trek, que incendiaram o imaginário dos fãs telespectadores, eu incluído. O mesmo texto insere a análise de algumas das personagens da série, onde Spock (com as suas orelhas pontiagudas) e o capitão Kirk são as principais personagens.

Um terceiro texto da Vértice, de Margarida Caldeira (fundadora e editora da WARP, dedicada aos fãs da série), fala dos fãs da série, destacando o fenómeno de popularidade que nunca havia sido atingido em séries anteriores. Caldeira referencia Bjo Trimble e outros activistas que se movimentaram quando a cadeia televisiva anunciou o fim da série. As manifestações que acompanharam o movimento funcionou como grupo de pressão para que a série se mantivesse no ar. Uma outra campanha com êxito foi a que levou a NASA a baptizar o seu primeiro space shuttle com o nome de Entreprise, retirado da nave da série.

quarta-feira, 19 de abril de 2006

MORANGOS, POR UMA VEZ MAIS

Se a directora de actores de Morangos com açúcar, Maria Henrique, diz haver várias equipas, da produção à escrita, a trabalhar numa solução após a morte de Francisco Adam, que desempenhava o papel de Bernardino Esteves (Dino) (Diário de Notícias de hoje), o aproveitamento da TVI, ao fazer directos sobre a tragédia, levou à conquista do primeiro lugar na tabela das audiências (Público de hoje).

Este blogue, como eu destaquei de manhã, teve, ontem e hoje, um pico de visitantes - devido a uma mensagem que coloquei anteontem sobre o desaparecimento de Francisco Adam. Embora por vezes o número diário de visitantes "mordesse" o milhar, hoje esse número foi atingido pouco depois das 19:00, com 90 visitas por hora. E, como indiquei de manhã, a procura fez-se pelo Google através da ideia-chave "Francisco Adam" e "namorada de Francisco Adam" (Adam seria o namoradinho de Portugal).

Tal leva-me a olhar o fenómeno juvenil conhecido por morangomania de um modo mais distinto do que pensara até agora. Se as audiências da TVI reflectem a simpatia dos telespectadores, estes são também alimentados pelas revistas sociais e de televisão, que colocam na capa o actor e a família enlutada, como uma publicação já ilustrou esta semana. E, para além das revistas de televisão, a internet é um outro meio de procura de informação. Sem ter meios de caracterização da situação actual, não andarei longe da verdade se disser que os que procuram na internet são jovens consumidores da série.

Já li mais de uma vez nos jornais destes dias que Francisco Adam se transformou no nosso James Dean (Dino). Como apontou muito sinteticamente Eduardo Cintra Torres no Público de hoje, temos, à nossa escala mediática, um jovem que subiu depressa no estrelato e que morreu depressa na estrada.
AGENDAS E FOLHETOS CULTURAIS

Tenho dado relevo a agendas culturais dos municípios do país. As actividades nelas anunciadas são de relevante importância para as indústrias culturais e indústrias criativas, envolvendo criação de eventos (produção) e espectáculos (recepção e consumo).

Na presente mensagem mostro as capas de Abril das agendas de Sintra e de Braga, aquela com um projecto gráfico mais agradável. Mas também destaco os folhetos de monumentos de Lisboa (castelo de S. Jorge e padrão dos Descobrimentos), indicados para turistas, dada a edição em várias línguas.



LINGUAGEM CINEMATOGRÁFICA PARA TODOS

Retiro do sítio brasileiro
ArteCidadania a seguinte informação:

  • "O Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá teve início no ano de 1993 com o intuito de mostrar ao público mato-grossense o potencial da produção local e resgatar a cultura de Cuiabá. Desde então, o festival se consolidou como um dos maiores eventos culturais de Mato Grosso, responsável pela re-inclusão deste Estado no circuito da produção de filmes nacionais, e ainda pelo ressurgimento da produção na região.

    Neste ano, em sua 13º edição, além da difusão e da exposição dos filmes e vídeos, o festival realiza o Projeto Oficinas Fronteiras que tem como tarefa principal ampliar a geografia e conteúdos da produção no Estado, buscando através de uma mostra de filmes à comunidade, iniciar um grupo de jovens a esta atividade, através da produção de vídeos, ambicionando atrair outras produções para região a partir da divulgação de suas imagens e cenários naturais".

O festival em Cuiabá, Mato Grosso, Brasil, decorre de 24 a 29 de Abril.
LOOS EDITADO PELA COTOVIA

Vai ser lançado o livro de Adolf Loos, Ornamento e crime (preço de capa: €15), na editora Cotovia.

Segundo o comunicado da editora, trata-se de uma colectânea de ensaios e artigos de Adolf Loos, "arquitecto vienense responsável por um dos mais visionários contributos para a arquitectura. A justeza deste adjectivo é atestada pela variedade dos alvos das críticas deste homem de Oitocentos: o sapato de homem ornado de cornucópias, a cigarreira com embutidos de ouro, a sobrecasaca de veludo e folhos, o papel de parede de motivos barrocos, os gatos, as cadeiras, as carruagens".

Adolf Loos (1870-1933) estudou arquitectura na Alemanha e partiu em 1892 para os Estados Unidos. Em 1896, regressou a Viena, abriu um ateliê e fundou a sua escola de arquitectura. Em 1931, coligiria os textos agora publicados.
O QUE SE PROCURA NO GOOGLE DESDE DOMINGO

Uma afluência inusitada ao meu blogue tem a ver com a pesquisa da ideia-chave "namorada de francisco adam" [actor prematuramente desaparecido no final da semana]:

INDÚSTRIAS CULTURAIS
Os jornais de hoje deram grande destaque à morte do actor Francisco Adam, ... balanceado entre a namorada que não sabia ainda se era ou não a namorada para ...industrias-culturais.blogspot.com/ - 124k - 17 Abr 2006 -
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TERTÚLIA DE POESIA EM BEJA

Uma tertúlia poético-performativa de poesia maldita portuguesa vai decorrer no teatro Pax Julia (Beja) nos próximos dias 19, 21 e 22 de Abril. A poesia é dita por Clemente Tsamba, Gisela Cañamero e Paulo Duarte. Ao piano Angelo Martino interpreta Prokofiev, Rachmaninov, Ravel, Chopin, Liszt. Uma produção de arte pública 2005/6.

terça-feira, 18 de abril de 2006

  • NOVO DIRECTOR DO OBERCOM

    Segundo me têm dito, Gustavo Cardoso vai ser nomeado em breve director do Obercom (Observatório da Comunicação).

    Será uma boa escolha a do professor universitário do ISCTE e da Universidade Católica Portuguesa, recentemente nomeado para administrador da agência noticiosa Lusa. Com uma sólida bibbliografia na área da comunicação e das novas tecnologias de informação, Gustavo Cardoso construiu, ao longo dos anos, uma rede igualmente sólida de contactos internacionais, o que augura um futuro interessante ao Obercom. Cardoso foi conselheiro do anterior presidente da República, Jorge Sampaio, tendo trazido a Portugal nomes como o de Manuel Castells, com quem tem trabalhado proficuamente.

    A confirmarem-se as informações, Gustavo Cardoso será o terceiro responsável do Obercom, a seguir a Francisco Rui Cádima e Luís Landerset Cardoso.

PARA ONDE VAI O MUSEU DA RÁDIO?

A
14 de Maio de 2004 colocava aqui no blogue uma mensagem que incluía o seguinte: "A notícia editada no jornal Público, do passado dia 1, não foi ainda desmentida pela administração da RTP, proprietária do museu. Para além da possível transferência do património para o Museu das Comunicações, a notícia informa que uma parte do acervo pode ir para a sucata, o que seria lamentável. Apelo ao bom senso de quem manda nestas coisas para que repense o futuro de tão importante museu. Peço a todos os internautas que consultem o blogue A Minha Rádio e assinem a petição. Por favor, visitem ainda o sítio Rádio no Sapo".

Entretanto, enviava uma carta à RTP, onde lavrava o meu descontentamento. A resposta chegou-me com data de 25 de Maio, dando conta dela
aqui. Nela se lia: "o actual Museu da Rádio não será «desmantelado». Pelo contrário, a instituição dará oportunamente lugar ao futuro Museu da Rádio e Televisão, passando a incorporar também o espólio do núcleo museológico da RTP". A mesma carta adiantava que o museu da Rádio e da Televisão seria instalado "em local adequado quer à boa conservação das peças como à sua efectiva disponibilidade".

Agora, volvidos dois anos, o mesmo Público (em notícia de ontem) dá nota do futuro do museu da rádio: sai da rua do Quelhas, onde ocupa 600 metros quadrados, para ocupar instalações no edifício da avenida Marechal Gomes da Costa, num espaço de 320 metros quadrados.

Os blogues temáticos da rádio insurgiram-se logo desde ontem, casos do
A Rádio em Portugal e NetFM. Será necessária uma nova petição nos blogues para trazer mais gente à causa e pressionar a entidade proprietária, que presta serviço público?

O jornal ouviu duas fontes: Manuel Bravo, defensor do modelo inicial do museu, e Pedro Jorge Braumann, o novo director do Centro de Documentação e do espaço que vai albergar o museu. São duas posições distintas. Para mim, o museu ficar na rua do Quelhas ou transferir-se para a avenida Marechal Gomes da Costa é secundário. Mas o espaço total de alojamento das peças sim, é deveras importante. Se for verdade o que o jornal escreveu, o espaço é manifestamente reduzido, mesmo que se exponham apenas as peças mais valiosas. Por exemplo, reconstituir um estúdio de rádio ou apresentar pedagogicamente os modelos de rádio. O próprio Pedro Braumann admite que o espaço de reservas do museu será uma situação provisória, o que não é muito entusiasmante.

O certo é que o museu está já fechado desde o começo do mês. NÃO SE FAZ UMA COISA DESTAS. Temos direito à indignação!
  • BRASIL ADOPTA O SISTEMA DE TELEVISÃO DE ALTA DEFINIÇÃO DO JAPÃO

    Segundo a newsletter
    European Journalism Centre de hoje, o Brasil adoptará o sistema de televisão de alta definição do Japão. Os ministros dos Negócios Estrangeiros do Brasil e do Japão assinaram um memorando de entendimento em Tóquio que aponta para a implementação do sistema japonês ISDB-T. O ministro brasileiro Celso Amorim afirmou, na altura, que o acordo estabelecido permite às empresas japonesas formarem as equipas brasileiras enquanto as empresas do país da América latina utilizarão a tecnologia sem pagamento de royalties.

    Com este acordo, ficam de fora os sistemas europeu e norte-americano de televisão de alta definição.

segunda-feira, 17 de abril de 2006

AINDA A SÉRIE MORANGOS COM AÇÚCAR

Os jornais de hoje deram grande destaque à morte do actor Francisco Adam, que interpretava o papel de Dino na série Morangos com açúcar (quando escrevi a primeira mensagem do dia, ainda não tinha saído de casa e não lera os jornais de hoje).

Um leitor deste blogue (que conheço bem mas reservo a identidade) escreveu-me a seguinte mensagem:

  • "Já todos percebemos que um acontecimento trágico como a morte do actor Francisco Adam vende papel - os jornais desta segunda-feira trazem quase todos na primeira página uma referência ao acontecimento - e aumenta as audiências dos canais de televisão. E os comunicados da estação soam a falsas condolências, sobretudo quando são repetidos ao longo do dia.

    "Quanto à história da novela, parece-me neste momento o menos importante. Os argumentistas da «casa da criação» estão habituados a lidar com o imprevisto , como a morte de Canto e Castro e outras situações como doenças prolongadas e pernas partidas, e estas situações foram sempre resolvidas de forma criativa. Neste momento, para a equipa, mais importante que o argumento da novela e o destino a dar à personagem Dino é que morreu uma pessoa, um jovem com vinte e dois anos.

    "Quanto às audiências, e se havia dúvidas, ficou provado que o país adora tragédias. Os morangos com açúcar tiveram uma das audiências mais elevadas de sempre - rating 18% e share 50% - o que mostra que, pelo menos por um dia, os paizinhos esqueceram as censuras e acompanharam os filhos no visionamento da novela. Porque falar de sexo é perigoso, mas uma tragédia humana é sempre um bom entretenimento familiar".
TESE DE MESTRADO FALA SOBRE RELAÇÃO DE JORNALISTAS E ORGANIZAÇÕES NÃO GOVERNAMENTAIS

Hoje de manhã, com a nota máxima, defendeu tese de mestrado na Universidade Nova de Lisboa a aluna Lídia Marôpo, intitulada Movimentos sociais e a construção da agenda da infância e adolescência nos media noticiosos brasileiros. Um estudo de caso sobre a imprensa do Ceará.

O tema, como indica o título, é a percepção do modo como a sociedade organizada influencia a agenda sobre notícias de crianças e adolescentes nos media. Para isso, Lídia Marôpo analisou o modo como as organizações não governamentais no estado brasileiro do Ceará se profissionalizaram, através da criação de assessorias de imprensa, prémios de jornalismo e desenvolvimento de sítios de internet. A nova mestre entrevistou activistas dos movimentos de apoio às crianças e adolescentes e fez análise de discurso às notícias sobre o tema em dois jornais do Ceará, verificando que a uma maior profissionalização das fontes correspondeu um aumento de notícias sobre a infância e um maior e mais aprofundado tratamento de temas que mobilizaram o debate público: educação e violência sexual.

Como algumas conclusões, a autora reconhece que os movimentos se tornaram mais credíveis, porque: 1) se articulam em redes, 2) planeiam acções com critérios de noticiabilidade, 3) os líderes dos movimentos ganham capital cultural, e 4) as posições dos activistas encontram apoio social.
MORANGOS COM AÇÚCAR

Retiro do sítio da TVI a informação ontem colocada: "Com 22 anos o famoso Dino dos Morangos com Açúcar perdeu a vida esta madrugada num acidente de carro. Há mais de um ano que Francisco Adam fazia parte do elenco da série. Na pele de Dino dava os primeiros passos como actor e tinha um futuro promissor à sua frente. Numa entrevista à TVI Francisco Adam revelou alguns segredos e traços da sua personalidade. Começou a trabalhar como modelo. Durante mais de quatro anos deu a cara por várias campanhas publicitárias. Foi depois de um workshop com um actor brasileiro que se inscreveu num casting para os Morangos com Açúcar e foi seleccionado. A boa disposição da personagem que encarnou era fruto da sua própria boa disposição".

Dino era uma figura nuclear da terceira série a passar na TVI, balanceado entre a namorada que não sabia ainda se era ou não a namorada para a vida inteira e a irmã que o apoiava com conselhos sem fim [imagem ao lado retirada do sítio franadam.no.sapo.pt].

A 3 deste mês, o jornal Público editava na sua última página informação respeitante ao mais recente boletim Público na escola, cujo tema principal é exactamente a série Morangos com açúcar. Da leitura dessa peça noticiosa, constata-se ser importante promover "trabalho educativo que ensine os mais novos a ver a série".

Uma das investigadoras citadas, a professora universitária Sara Pereira, defende que se "podem aproveitar alguns dos conteúdos para dialogar com as crianças, ajudando-as a construir um olhar crítico sobre a série". Sara Pereira conduz presentemente uma investigação sobre a mesma série.



Observação: o que fará a televisão popular da morte do jovem actor dos Morangos? Ontem, a notícia do trágico acontecimento abriu o principal noticiário da TVI. Será que a morte de Francisco Adam/Dino fica circunscrita à série ou extravasa para o canal? É que a novela é uma das principais alavancas de audiência da TVI. O seu desaparecimento deixa menos forte a narrativa televisiva, o que vai obrigar certamente a um esforço suplementar dos argumentistas da série.

sexta-feira, 14 de abril de 2006

DESCANSO

O blogueiro vai descansar até segunda-feira, desejando a todos uma boa Páscoa.
ÁBRETE UNA CUENTA DE LIBRERÍA. PREGUNTA POR SUS VENTAJAS

A livraria
Cálamo fica fisicamente em Saragoça e recomenda alguns livros para o presente mês. Um deles é de Miguel Torga e o seu Diário (1932-1987). Escreve-se sobre Torga: "Abre por donde quieras este diario que siempre encontrarás algo que merezca la pena. La sabiduría de quien mira la vida, por muy tremenda que sea, con serenidad. Gran escritor". E, no domingo dia 23, a livraria abre uma sucursal no bonito e moderno Paseo de Independencia, cheia de escritores e com oferta de flores aos clientes.

Já a livraria Babel, em Castelló, oferece um programa cultural ao longo do mês. Por exemplo, no dia 22, durante todo o dia, celebra-se o dia do livro: "Celebració del Dia del Llibre amb 10% de dte. i exposició de llibres a la plaça de Na Violant" (a língua valenciana, próxima da catalã, quase parece português).

Finalmente, a livraria
Cervantes de Oviedo também comemora o dia internacional do livro, a 20 e 21 deste mês. Mais perto de agora, no dia 18, o jornalista David Serna apresenta o livro de César Weiss, Las hojas gualdas.

As agendas das livrarias são quase todas folhas volantes de tamanho A6, impressas a duas cores e com informação sucinta a preencher as duas a quatro folhas. A agenda da livraria Cálamo tem uma gravura que repete nas duas folhas volantes aqui presentes. Numa delas, ostenta a seguinte mensagem: "Ábrete una cuenta de librería. Pregunta por sus ventajas".




Agradecimento a José María Barandiarán, de Bilbau (blogue
con valor), pelo envio destas pequenas agendas de livrarias.
INDÚSTRIA CULTURAL E NOVAS TECNOLOGIAS



A Fundación Barcelona Digital leva a efeito no próximo dia 27, entre as 9:00 e as 12:30, no auditório da Caixaforum, no Centre Social i Cultural de l'Obra Social La Caixa, em Barcelona, um seminário intitulado Industria cultural y Nuevas tecnologías.

O ponto de partida são: 1) novas tecnologias, novos leitores, 2) aplicação das novas tecnologias no sector cultural. Mais informações
aqui.

quinta-feira, 13 de abril de 2006

  • COMO SERIA VIVER UM DIA SEM TELEMÓVEL?

    Foi este o tema escolhido por Patrícia Dias na sua dissertação de mestrado (24 horas sem telemóvel - um estudo Mcluhaniano sobre a utilização do telemóvel na sociedade contemporânea), defendida em
    30 de Março último. O celular entrou na nossa vida de uma forma absorvente e a sua ausência é algo em que nem sequer ousamos pensar.

    Agora, Patrícia Dias prepara-se para dar uma conferência sobre o tema. Ela vai ocorrer no dia 24 de Abril, pelas 21:30, na Fnac do Colombo, organizada no âmbito da pós-graduação em Webdesign da ESTAL (Escola Superior de Tecnologias e Artes de Lisboa).
CONFERÊNCIA SOBRE MEDIA GLOBAIS

A BBC e a Reuters organizam uma conferência sobre os media globais, a decorrer nos próximos dias 3 e 4 de Maio, na cidade de Londres (fórum We Media Global 2006). O poder da confiança nos media e no jornalismo cívico (ou jornalismo de cidadania) encontram-se entre os temas em presença.

O fórum reunirá formadores de opinião e líderes dos media, bem como responsáveis nas áreas de economia e tecnologias, centrando-se a discussão em volta da questão: como podem os media desenvolver a confiança num mundo tornado mais pequeno devido à internet?

[informação recolhida em
Media Network Weblog]

quarta-feira, 12 de abril de 2006

BLOGUE EXTRATEXTO

O blogue
Extratexto começou a sua actividade no passado domingo. Define-se como dedicado à indústria editorial e ao mercado do livro em Portugal e é associado à publicação Extratexto, da pós-graduação para Técnicos Editoriais da FLUL (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), animado por Nuno Seabra Lopes. Da sua linha editorial, retiro:

  • "Até há poucos anos, seria um paradoxo pensar que uma forma de publicação individual, sem um suporte material concreto – como na realidade são os blogues – serviria para abordar temáticas relacionadas com os Estudos Editoriais e a indústria sobre a qual assentam os seus estudos. Hoje em dia, mais bem definidas as características e aptidões de cada meio de comunicação, o livro transfere alguns dos modelos comunicativos para «irmãos» mais capazes e vocacionados, como o blogue".
Desejo longa e profícua vida ao Extratexto.
NOVOS TÍTULOS


O livro é de Hugo Aznar e chama-se Comunicação responsável. A auto-regulação dos media. Foi lançado anteontem em Braga, durante a conferência sobre a ERC. Da colecção "Comunicação" da Porto Editora, o livro faz o estudo detalhado dos diversos mecanismos que se põem em prática para melhorar o comportamento ético dos media.

A primeira revista é o número recente da JJ - Jornalismo e Jornalistas, do Clube dos Jornalistas. Há textos sobre os dois anos do programa Clube dos Jornalistas na RTP2, as comunicações apresentadas ao congresso da SOPCOM na área de jornalismo, uma entrevista a Gisela Machado a propósito de um livro que ela lançou e um belo texto de Maria Augusta Seixas sobre Virgínia Quaresma, a primeira jornalista moderna de Portugal.

Finalmente, a revista Comunicação e Sociedade, nº 8, editada no final do ano passado e dedicada à comunicação organizacional. Zara Pinto-Coelho, Justo Villafañe e Gabriela Gama, entre outros, escrevem textos nesta prestigiada publicação do Centro de Estudos Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho.

terça-feira, 11 de abril de 2006

CONFERÊNCIA SOBRE A ENTIDADE REGULADORA PARA A COMUNICAÇÃO SOCIAL (BRAGA)

Como escrevi aqui, ontem realizou-se na Universidade do Minho, em Braga, uma conferência sobre o novo regulador dos media, a ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação). A presença mais importante coube ao ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva. Também presentes uma representante da ERC (Estrela Serrano) e investigadores como Francisco Rui Cádima, Pedro Jorge Braumann, Nuno Conde, Sara Pereira, Felisbela Lopes e Manuela Espírito Santo.






Pela sua pertinência política, a apresentação do ministro foi a mais atentamente seguida - e acompanhada pelos media presentes na sala nesse período do dia (as palavras do ministro podem ser ouvidas a partir do minuto 18 do som aqui colocado). Santos Silva, que se referiu à regulação como meio de garantir a liberdade de imprensa (garantia da liberdade de expressão de criação para os jornalistas), advoga a necessidade de se conhecer os donos dos media, a garantia de limites à concentração da propriedade e a independência dos media face aos poderes político e económico e face aos vários órgãos de poder do Estado (Governo, administração central e outros poderes públicos). O ministro lembrou a revisão constitucional de Abril de 2004, onde foi alterado o artigo 39º, com a extinção da AACS (Alta Autoridade para a Comunicação Social) e definição do essencial da actual ERC.

Das missões essenciais do que chamou de interesse regulador, o ministro destacou, para além da garantia da liberdade de imprensa, a articulação da liberdade de imprensa com outros direitos de liberdades, garantias e valores constitucionais, com prevenção da governamentalização, zelando pela independência e incentivando a auto-regulação. À ERC compete aplicar a lei, interpretar a lei, cooperar com outras entidades reguladoras e incentivar à participação social.



Se o ministro se mostrou simultaneamente pedagógico (mas à defensiva, pareceu-me), outro discurso aguardado era o de Estrela Serrano, em representação do próprio presidente da ERC, Azeredo Lopes. Confesso que nunca vi Estrela Serrano tão restrita em termos de apreciação do quadro de actuação da Entidade Reguladora, politicamente correcta. Pela sua intervenção, percebi que ela é a porta-voz ideal da ERC: simpática, trabalhando as palavras de forma muito contida.

A estes dois elementos - representando o poder - opuseram-se os outros discursos, no sentido da não necessidade de defesa do projecto do regulador. As críticas vieram, por exemplo, de Francisco Rui Cádima (aliás, com direito a alongada referência no Diário de Notícias de hoje, que não no Público, alheio a esta discussão, o que ilustra uma vez mais o afastamento deste último jornal das questões mais pertinentes da realidade social e política do país). O professor da Universidade Nova de Lisboa e primeiro director executivo do Obercom destacou as posições de vários agentes sociais contra o regulador, em especial devido ao sistema de pagamento por parte dos regulados, como Pinto Balsemão (Impresa), Pais do Amaral (Media Capital), Confederação Portuguesa dos Meios de Comunicação Social, assim como o sindicato dos Jornalistas. Cádima, apologista de uma associação do audiovisual com as telecomunicações num só regulador, e com interacção com a autoridade para a concorrência, defendeu a monitorização das práticas dos canais privados e do serviço público, dando o exemplo do alargamento dos noticiários das 20:00 como pressão dos anunciantes sobre os programadores.



Também Pedro Jorge Braumann mostrou um certo distanciamento da actual estrutura, pois é igualmente adepto de um modelo de um só regulador das telecomunicações e dos media, embora a enquadrasse numa sólida perspectiva económica. Para o professor da ESCS, aqui num curto vídeo [o som será colocado posteriormente]., os objectivos de uma regulação eficaz incluem a atenção a cidadãos e consumidores, encorajamento da inovação, promoção da concorrência e perseguição de uma melhor regulação









Sons: 1º painel (Francisco Rui Cádima, Manuela Espírito Santo e Estrela Serrano).

[ver mais informação nos blogues Atrium, de Luís Santos, ERC-Braga e no renovadíssimo Comunicação e Jornalismo, a quem endosso parabéns pelos quatro anos de actividade, hoje festejados]

segunda-feira, 10 de abril de 2006

AVARIA

Infelizmente, o meu computador ficou sem ligação à internet, por estar desconfigurado o seu acesso. Logo, não posso colocar mensagens no dia de hoje (tinha vídeos e sons da conferência de Braga sobre a Entidade Reguladora para a Comunicação Social). Voltem sempre.