Textos de Rogério Santos, com reflexões e atualidade sobre indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, videojogos, música, livros, centros comerciais) e criativas (museus, exposições, teatro, espetáculos). Na blogosfera desde 2002.
quarta-feira, 19 de março de 2008
OFICINA DE FOTOGRAFIA EM COIMBRA
A editora MinervaCoimbra promove, no dia 25 de Março, uma oficina de fotografia com Vítor Garcia, sessão a iniciar às 16:00 e a decorrer na Livraria Minerva (Rua de Macau, 52 - Bairro Norton de Matos), em Coimbra.
No final, serão escolhidos os 1.º, 2.º e 3.º lugares dos vencedores do concurso de fotografia A Cidade e o Livro promovido pela Livraria Minerva, em parceria com o Instituto Técnico Artístico e Profissional de Coimbra (ITAP). As dez melhores fotografias ficarão expostas na Galeria Minerva até ao dia 2 de Abril.
O evento é organizado por Ana Rita Carvalho, finalista do Curso Técnico de Comunicação, Marketing, Relações Públicas e Publicidade do ITAP, no âmbito da sua prova de aptidão profissional.
Mais informações através do email minervacoimbra@gmail.com.
60 ANOS DO HOT CLUBE DE PORTUGAL
Foi a 19 de Março de 1948 - passam hoje 60 anos - que Luís Villas-Boas fundou o “Hot Clube de Portugal” – o principal centro divulgador do Jazz em Portugal. Nesta sua longa existência, o Hot Clube trouxe ao nosso país inúmeros músicos de renome internacional, sendo lá fundada primeira escola de Jazz portuguesa (retiro as palavras do blogue A Rádio em Portugal; o vídeo é do jornal Expresso).
Observação: estou a gostar de ouvir a emissão da Antena 1 sobre o aniversário do Hot Clube, do Paulo Alves Guerra.
MEMÓRIA DE PAPEL
Por esquecimento, o blogueiro não assinalou aqui os aniversários da TSF (29 de Fevereiro de 1988) e do Público (5 de Março de 1990). São dois media de valor incalculável. Fica aqui a minha homenagem e reconhecimento, embora tardios.
Também não aludi à nomeação de Pedro Mexia como subdirector da Cinemateca Portuguesa. Espero que a promessa do jovem Pedro Mexia se torne uma realidade, pois a instituição merece gente de força e valor como tem tido (observação: no sítio das notícias da própria Cinemateca ainda não está colocada essa informação. Igual memória de papel? Ou pura distracção?).
427 HORAS DE PUBLICIDADE NA TELEVISÃO
No pretérito mês de Fevereiro, segundo dados da MediaMonitor, os quatro canais televisivos de sinal aberto passaram 427 horas de publicidade comercial nos seus ecrãs (não inclui a auto-promoção). São mais 0,7% do que no mês homólogo de 2007 e representa uma média diária de 3 horas e 40 minutos por canal.

Segundo a análise da Marktest, a duração média dos spots publicitários no mês passado foi de 27 segundos, variando entre 17 segundos na RTP2 (anúncios institucionais e não comerciais) e os 38 segundos no outro canal público, a RTP1. A duração média das peças publicitárias na SIC foi de 26 segundos e na TVI de 23 segundos.Há outros dados interessantes não revelados agora e que seriam úteis para uma melhor percepção do programa publicidade. Caso do total de horas por dia que cada canal realmente ocupou com a publicidade, pois, apesar de maior duração média dos anúncios na RTP1, os dois canais comerciais têm períodos mais longos de publicidade.
terça-feira, 18 de março de 2008
REVISTA ANGOLANA DE SOCIOLOGIA
A Sociedade Angolana de Sociologia está a preparar a edição da Revista Angolana de Sociologia, com o apoio da Editora Pedago (sede em Mangualde, Portugal). A revista propõe-se publicar textos de autoria de sociólogos e outros investigadores sociais, angolanos e de outras nacionalidades. Os textos a publicar na revista devem ter cariz sociológico, ainda que o(s) seu(s) autor(es) tenha(m) qualquer outra profissão.
A revista terá periodicidade semestral, devendo este ano sair dois números da revista (Julho e Novembro). Para o 1º número, os textos devem ser-nos remetidos em formato digital, até ao próximo dia 30 de Abril. Para o 2º número, o prazo de envio dos textos é o dia 30 de Junho de 2008.
As secções previstas para a revista são: 1) artigos (textos de cariz teórico, metodológico ou pedagógico, normalmente fruto de pesquisa científica, com particular destaque para a realidade sociológica angolana [até 20 págs. formato A4]), 2) projectos (para publicação de projectos ou relatórios de trabalhos de investigação científica relacionados com a sociologia e disciplinas afins, preferencialmente respeitantes à sociedade angolana [até 20 págs. formato A4]), 3) livros (inclui recensões e apresentações de livros de cariz sociológico ou com temática de utilidade para a Sociologia [até 3 págs. formato A4]), 4) bibliografia (com textos de informação bibliográfica acerca de temáticas de cariz sociológico, com particular destaque para temas da realidade sociológica angolana e africana [até 20 págs. formato A4]), 5) notícias (com notícias relacionadas com a actividade dos sociólogos angolanos e da Sociedade Angolana de Sociologia (inclui nomeações, prémios, memorial e obituário) [até 2 págs. formato A4, para além da bibliografia]).
Enviar textos ou contactar a revista: revistangolanasociologia@hotmail.com, revistangolanasociologia@yahoo.com.br.
A revista terá periodicidade semestral, devendo este ano sair dois números da revista (Julho e Novembro). Para o 1º número, os textos devem ser-nos remetidos em formato digital, até ao próximo dia 30 de Abril. Para o 2º número, o prazo de envio dos textos é o dia 30 de Junho de 2008.
As secções previstas para a revista são: 1) artigos (textos de cariz teórico, metodológico ou pedagógico, normalmente fruto de pesquisa científica, com particular destaque para a realidade sociológica angolana [até 20 págs. formato A4]), 2) projectos (para publicação de projectos ou relatórios de trabalhos de investigação científica relacionados com a sociologia e disciplinas afins, preferencialmente respeitantes à sociedade angolana [até 20 págs. formato A4]), 3) livros (inclui recensões e apresentações de livros de cariz sociológico ou com temática de utilidade para a Sociologia [até 3 págs. formato A4]), 4) bibliografia (com textos de informação bibliográfica acerca de temáticas de cariz sociológico, com particular destaque para temas da realidade sociológica angolana e africana [até 20 págs. formato A4]), 5) notícias (com notícias relacionadas com a actividade dos sociólogos angolanos e da Sociedade Angolana de Sociologia (inclui nomeações, prémios, memorial e obituário) [até 2 págs. formato A4, para além da bibliografia]).
Enviar textos ou contactar a revista: revistangolanasociologia@hotmail.com, revistangolanasociologia@yahoo.com.br.
O IMPACTO DA BANDEIRA EM CINTRA TORRES
Saiu, no número mais recente do Observatório, um artigo de Eduardo Cintra Torres sobre o tema Bandeira e multidão, dois símbolos nacionais. Cintra Torres é crítico de televisão no jornal Público e docente na Universidade Católica Portuguesa, estando a preparar o doutoramento no Instituto de Ciências Sociais.
No abstract, lê-se:
- A bandeira nacional e a multidão nacional funcionam como símbolos irmãos quando se desenvolve a fase final dos nacionalismos no século XIX e princípio do século XX, prosseguindo até à actualidade. Este ensaio pretende encontrar a coincidência da representação iconográfica dos dois símbolos num conjunto significativo de obras, em especial da pintura ocidental. De forma abstracta a primeira e de forma concreta a segunda, bandeira e multidão são representações de substituição da comunidade nacional. Partindo de Delacroix até ao presente, este artigo acompanha as subtilezas da representação conjunta dos dois símbolos. No final, este percurso permitirá confirmar as observações de Durkheim sobre a relação do totem e do emblema com os «princípios» que representam e interrogar se a consideração da efemeridade da multidão não deverá ser reequilibrada face à perenidade das suas representações.




DEBATE COM JOAQUIM FURTADO
Sobre a primeira parte da série televisiva A Guerra, daquele autor, no dia 28 de Março, pelas 17:00, no Auditório 1, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (av. de Berna), com o autor e moderado por Pedro Aires Oliveira, numa iniciativa do Instituto de História Contemporânea.
Podemos considerar a série "um marco na produção de documentários televisivos em Portugal, e um objecto de indiscutível interesse para todos os estudiosos do passado colonial português", lê-se no comunicado da entidade organizadora. Para além de Joaquim Furtado, a sessão contará também com participações de Ansgar Schaffer, Cláudia Castelo, Irene Pimentel, José Medeiros Ferreira, Manuel de Lucena, Maria Alexandra Dáskalos e Valentim Alexandre.
NOTICIÁRIO
- Acho que uma das funções do noticiário é provocar uma tempestade tão violenta que só se possa dissipá-la com a cobertura. A cobertura elimina a pressão, pode-se resolver uma situação dando-lhe a máxima cobertura. De um certo ponto de vista, isso é decepcionante; mas, de outro, assegura a sobrevivência (Marshall McLuhan).
Muitas vezes, parece-me, a peça jornalística, apesar da enorme desgraça que reflecte, traz calma ou apazigua: o acontecimento já passou, a comunidade trata agora da solidariedade, limpa as feridas; nada mais horrível vai acontecer de imediato.
segunda-feira, 17 de março de 2008
CINCO ANOS DE BLOGUE
O blogueiro ia-se esquecendo: o IC faz hoje cinco anos. Foi a 17 de Março de 2003 que escrevi "Este blogue destina-se a apresentar textos sobre indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, videojogos, publicidade)".

Nos primeiros meses, o número de mensagens foi irregular. Mas desde finais desse ano de 2003, o blogue passou a constituir o meu caderno de apontamentos, que partilho gostosamente com os meus leitores - e amigos invisíveis -, tendo atingido já 718.103 visitantes únicos [imagem a partir de Clicket.com].
Os meus agradecimentos sinceros.
Actualização:
Soledad Caballero
¡Felicitaciones por los cinco años y muchas gracias por compartir los escritos de Industrias Culturales!Saludos,Soledad-- Soledad CaballeroMontevideo - Uruguayhttp://serendipity.wikispaces.com/soledad.caballero@gmail.com
seg 17-03-2008 23:34
Maria Froilas
Parabéns
!!!!!
seg 17-03-2008 23:01
CARAVANA É UM LIVRO DE RUI MANUEL AMARAL
Caravana, um livro de Rui Manuel Amaral, editado pela Angelus Novus, a lançar em breve. Rui Manuel Amaral é igualmente blogueiro de Dias Felizes e um dos responsáveis da revista aguasfurtadas.
Observação: os cães do vídeo não são ferozes. Estão apenas a ver a Caravana a passar :).
Mais sobre o livro
Caravana: um desfile de pequenos e grandes absurdos corporizados em pequenas criaturas de nomes estranhos. Uma fauna estranha mas nossa próxima, nossa vizinha, nossa irmã. A microficção portuguesa ganha em Rui Manuel Amaral, e nesta Caravana, a sua carta de alforria. “Estamos tão habituados a sofrer ou a vergastar o absurdo do país, que nos esquecemos que há um absurdo maior, tão antigo quanto a humanidade e tão salutar quanto arreganhar os dentes à ordem do universo. Os micro-contos de Rui Amaral fazem-nos rir de uma forma metafísica e perfeitamente natural. Eis um autor que sabe que o absurdo é irmão gémeo da lógica do mundo, e não receia experimentar a sua companhia. Não há muitos em língua portuguesa. Devíamos tratá-lo como espécie protegida.” Luís Mourão (no sítio da Angelus Novus).
Livro sobre infografia
O livro de Susana Almeida Ribeiro, Infografia de imprensa. História e análise ibérica comparada, agora editado, trabalha um universo ainda inédito em Portugal.

Dividido em três partes (definição, objectivos e tipologias; história e análise da infografia de imprensa em Portugal e Espanha; infografia jornalística digital animada), o livro começa por abordar a definição da palavra. Infografia, que parte do inglês information graphics, decompõe-se em info (informação) e grafia (de desenho), aliando dois tipos de linguagens, a textual e a visual.
Área de fronteira entre o texto e a imagem, a infografia estudada no livro é a que diz respeito ao jornalismo. A infografia costuma acompanhar as notícias de ruptura (acontecimentos imprevistos e de grande impacto na vida e na opinião pública) e é produzida por profissionais mestiços (oriundos de áreas como as belas-artes e design publicitário, a que juntam a necessidade do discurso jornalístico), com características específicas de utilidade e visualidade.
Na segunda parte do texto, Susana Almeida Ribeiro estuda a história da infografia da imprensa em Portugal e Espanha, comparando a produção de infografias em quatro jornais (dois portugueses, Público e Diário de Notícias, e dois espanhóis, El Pais e El Mundo). Os jornais espanhóis são os que editam mais infografias próprias.
Curiosa a descoberta da autora sobre a mais antiga infografia portuguesa e que ilustra a capa do livro, a publicada originalmente na Gazeta de Lisboa Ocidental, em 21 de Janeiro de 1723. Trata-se do desenho de uma baleia que teria entrado no rio Tejo e subido até à zona de Madre de Deus e seguira para a área de Cacilhas, onde ficou em seco após a maré vazar, urrando de modo tão veemente que assustou os moradores daquele local (p. 98). Susana Almeida Ribeiro entende que a imagem da baleia é o segundo mais antigo infograma de imprensa identificado em todo o mundo.
A terceira parte do livro editado pela Minerva de Coimbra aborda a infografia jornalística digital animada, definida pelas seguintes características: multimedia, hipertextualidade, interactividade, personalização do conteúdo e imediatismo/actualização constante. Trata-se de uma área ainda jovem em Portugal.
O trabalho apurado da investigadora leva-a a contabilizar o número de infografistas nos jornais nacionais, as suas origens académicas e a produção semanal ou mensal de trabalhos. E ainda a revelar a inexistência de disciplinas ou cursos universitários numa área de crescente importância no mundo dos jornais. Num mundo cada vez mais dominado pela imagem (televisão e internet), há uma maior necessidade da visualização de factos e acontecimentos, possibilitada pela combinação de imagens e textos.
Trabalho que parte de tese de mestrado defendida na Universidade de Coimbra, Susana Almeida Ribeiro é jornalista no serviço noticioso do Público "Última Hora".

Dividido em três partes (definição, objectivos e tipologias; história e análise da infografia de imprensa em Portugal e Espanha; infografia jornalística digital animada), o livro começa por abordar a definição da palavra. Infografia, que parte do inglês information graphics, decompõe-se em info (informação) e grafia (de desenho), aliando dois tipos de linguagens, a textual e a visual.
Área de fronteira entre o texto e a imagem, a infografia estudada no livro é a que diz respeito ao jornalismo. A infografia costuma acompanhar as notícias de ruptura (acontecimentos imprevistos e de grande impacto na vida e na opinião pública) e é produzida por profissionais mestiços (oriundos de áreas como as belas-artes e design publicitário, a que juntam a necessidade do discurso jornalístico), com características específicas de utilidade e visualidade.
Na segunda parte do texto, Susana Almeida Ribeiro estuda a história da infografia da imprensa em Portugal e Espanha, comparando a produção de infografias em quatro jornais (dois portugueses, Público e Diário de Notícias, e dois espanhóis, El Pais e El Mundo). Os jornais espanhóis são os que editam mais infografias próprias.
Curiosa a descoberta da autora sobre a mais antiga infografia portuguesa e que ilustra a capa do livro, a publicada originalmente na Gazeta de Lisboa Ocidental, em 21 de Janeiro de 1723. Trata-se do desenho de uma baleia que teria entrado no rio Tejo e subido até à zona de Madre de Deus e seguira para a área de Cacilhas, onde ficou em seco após a maré vazar, urrando de modo tão veemente que assustou os moradores daquele local (p. 98). Susana Almeida Ribeiro entende que a imagem da baleia é o segundo mais antigo infograma de imprensa identificado em todo o mundo.
A terceira parte do livro editado pela Minerva de Coimbra aborda a infografia jornalística digital animada, definida pelas seguintes características: multimedia, hipertextualidade, interactividade, personalização do conteúdo e imediatismo/actualização constante. Trata-se de uma área ainda jovem em Portugal.
O trabalho apurado da investigadora leva-a a contabilizar o número de infografistas nos jornais nacionais, as suas origens académicas e a produção semanal ou mensal de trabalhos. E ainda a revelar a inexistência de disciplinas ou cursos universitários numa área de crescente importância no mundo dos jornais. Num mundo cada vez mais dominado pela imagem (televisão e internet), há uma maior necessidade da visualização de factos e acontecimentos, possibilitada pela combinação de imagens e textos.
Trabalho que parte de tese de mestrado defendida na Universidade de Coimbra, Susana Almeida Ribeiro é jornalista no serviço noticioso do Público "Última Hora".
domingo, 16 de março de 2008
UM ANÚNCIO
A frase que acompanha a designação da marca é muito poética: "Um chá raro, lapidado por quem sabe".Para além do pacote do chá, a saqueta que contém as ervas que constituem o chá lembra pirâmides, as do Egipto ou a da nova entrada no museu parisiense do Louvre. A pirâmide conota uma obra do homem, a aproximação da arte à natureza - como quem lapida um diamante.
Há uma referência directa ao produto, não aparece nenhum rosto humano jovem, feminino ou masculino, como nos outros mupies se descobrem, o que é um sinal de singularidade. O fundo da imagem é escuro, conotando intimidade, tempo de ter muito tempo. As ervas, do modo como se colocam, parecem residir no fundo do mar, uma jazida de algas - tranquilidade e agrado de estar onde se está.
INTERTOON
Muitos dos cartunes referem a vida da cidade da Guarda e da região onde Luís Veloso vive. O seu blogue Intertoon, de "Alguns momentos de HUMOR imaginados e criados no planeta TERRA" é muito interessante, pois combina a crítica política mais geral e cenas do quotidiano mais local. Quase sempre usa dois quadradinhos para contar a sua história, com personagens tipificados - o casal em torno de uma mesa ou dois amigos lendo o jornal e reflectindo acontecimentos recentes, o funcionário público versus um cidadão recorrendo aos serviços do Estado, visões de D. Quixote e Sancho Pança (em Portugal), o paciente com o psicanalista. A apreciar.


smobile
Lendo o smobile, sabe-se que a sua autora é Maria e deve ter à volta de ou mais de quarenta anos (a 9 de Abril escreveu: "Eu sou do tempo, em que o Festival da Canção era um acontecimento marcante: toda a família se juntava em torno do televisor"). O local de residência deve ser na grande Lisboa e, pelas fotografias mostradas no mesmo dia 9 de Março, está ligada possivelmente a uma actividade entre as ciências (biologia) e as artes (arquitectura).
No manifesto formador do blogue, escreveu: "Eu, sonhadora Maria, numa utopia, anseio pela Cultura aberta a todos, sem clichés nem pseudo-intelectualismos onde Observador, um importante interveniente, diz o que pensa e não, por vergonha, o que lhe é imposto por um punhado de membros de elite (erudita ou não)". Foi no dia 30 de Novembro de 2007, embora tenha começado o blogue em 19 desse mês: "O smobile não é uma «Agenda»: existem muitas publicações e variados espaços que se dedicam a tal e bem, por sinal. [...] Uma obra não subsiste sem existir quem a observe. E isso somos nós. Eis o outro lado da Obra".

Boa sorte e longa vida ao blogue.
sábado, 15 de março de 2008
Clube de Contadores de Histórias
Sempre que Rogério sai de casa, esquece-se de alguma coisa. Quando se lembra, já é tarde demais.
E o que é que Rogério faz? Absolutamente nada. Só pensa: "Ainda bem que tenho o João".
O João é o seu melhor amigo, um amigo a sério, um amigo com quem se pode contar.
O Rogério sabe muito bem o que é um amigo com quem se pode contar. Sempre que ele se esquece de alguma coisa, é o João que o livra de apuros. O Rogério vai para a escola sem sapatilhas.
– Logo vi que ias esquecer-te! – diz o João, tirando um par de meias grossas do saco de ginástica, que entrega ao Rogério.
O Rogério chega ao parque sem bola.
– Logo vi que ias esquecer-te!
O João tem escondida atrás das costas a sua própria bola, que lhe estende.
O Rogério vai com o João à feira popular e não leva dinheiro na carteira.
– Logo vi que ias esquecer-te! – E como não se pode andar no carrossel sem pagar, o João tira uma moeda do bolso.
E é assim dia após dia: o Rogério esquece-se sempre de alguma coisa, o João, nunca… ou será que não?
Não. O João esquece-se sempre dos lápis de cera. Não adianta esforçar-se por fazer a pasta a tempo e horas. Quando chega a aula de desenho, o João não tem os lápis de cera na pasta. O Rogério sabe que o João se esquece sempre deles, e por isso ele, Rogério, pode esquecer-se de tudo o que há no mundo, só não se esquece dos lápis de cera.
Estão na aula de desenho. O Rogério tira os seus lápis da pasta e põe-nos em cima da carteira. O João volta a ficar corado de vergonha porque deixou os lápis em casa, no quarto. Então, o Rogério sorri e tira da pasta outra caixinha de lápis de cera, que pousa em cima da carteira do João.
– Logo vi que ias esquecer-te! – diz ele a sorrir.
De Lene Mayer-Skumanz (org.) *Hoffentlich bald* Wien, Herder Verlag, 1986 (texto adaptado). Retirado do sítio Clube de Contadores de Histórias, nascido na Escola Secundária com 3º ciclo do Ensino Básico Daniel Faria – Baltar. Sítio a espreitar [já não disponível; procurar em Histórias em Português].
E o que é que Rogério faz? Absolutamente nada. Só pensa: "Ainda bem que tenho o João".
O João é o seu melhor amigo, um amigo a sério, um amigo com quem se pode contar.
O Rogério sabe muito bem o que é um amigo com quem se pode contar. Sempre que ele se esquece de alguma coisa, é o João que o livra de apuros. O Rogério vai para a escola sem sapatilhas.
– Logo vi que ias esquecer-te! – diz o João, tirando um par de meias grossas do saco de ginástica, que entrega ao Rogério.
O Rogério chega ao parque sem bola.
– Logo vi que ias esquecer-te!
O João tem escondida atrás das costas a sua própria bola, que lhe estende.
O Rogério vai com o João à feira popular e não leva dinheiro na carteira.
– Logo vi que ias esquecer-te! – E como não se pode andar no carrossel sem pagar, o João tira uma moeda do bolso.
E é assim dia após dia: o Rogério esquece-se sempre de alguma coisa, o João, nunca… ou será que não?
Não. O João esquece-se sempre dos lápis de cera. Não adianta esforçar-se por fazer a pasta a tempo e horas. Quando chega a aula de desenho, o João não tem os lápis de cera na pasta. O Rogério sabe que o João se esquece sempre deles, e por isso ele, Rogério, pode esquecer-se de tudo o que há no mundo, só não se esquece dos lápis de cera.
Estão na aula de desenho. O Rogério tira os seus lápis da pasta e põe-nos em cima da carteira. O João volta a ficar corado de vergonha porque deixou os lápis em casa, no quarto. Então, o Rogério sorri e tira da pasta outra caixinha de lápis de cera, que pousa em cima da carteira do João.
– Logo vi que ias esquecer-te! – diz ele a sorrir.
De Lene Mayer-Skumanz (org.) *Hoffentlich bald* Wien, Herder Verlag, 1986 (texto adaptado). Retirado do sítio Clube de Contadores de Histórias, nascido na Escola Secundária com 3º ciclo do Ensino Básico Daniel Faria – Baltar. Sítio a espreitar [já não disponível; procurar em Histórias em Português].
TODD GITLIN NO PORTO
Ontem, na Universidade Fernando Pessoa (Porto), durante as III Jornadas Internacionais de Jornalismo (Jornalismo e Democracia Representativa), um dos principais conferencistas foi Todd Gitlin, professor da Escola de Jornalismo da Universidade de Columbia, Nova Iorque). Gitlin é conhecido por obras como The whole world is watching e Inside prime time.
COMENTÁRIO DE RICARDO JORGE PINTO A TODD GITLIN
Ricardo Jorge Pinto, jornalista do Expresso e docente na Universidade Fernando Pessoa (Porto), foi o comentador da comunicação de Todd Gitlin. O vídeo seguinte mostra o modo como decorreu o comentário (a qualidade da imagem não é a melhor, dado o lugar onde eu estava).
Ricardo Jorge Pinto, registado por Rogério Santos no Vimeo.
AINDA AS III JORNADAS INTERNACIONAIS DE JORNALISMO NO PORTO
Ontem, estive na mesa do fim da manhã das III Jornadas de Jornalismo na Universidade Fernando Pessoa, Jornalismo político e democracia representativa. Os meus colegas de mesa foram José Marques de Melo (Universidade Metodista de São Paulo, Brasil), Moisés Lemos Martins (Universidade do Minho), Francisco Karam (Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil), Xosé López (Universidade de Santiago de Compostela, Espanha) e José Esteves Rei (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro), que presidiu à mesa.
Registei pessimismo em alguns dos oradores, sempre que os seus discursos associavam democracia, cidadania e jornalismo. Se para Marques de Melo, a neutralidade do jornalista está ameaçada pelos media de hoje, com crescente anomia da democracia representativa, para Francisco Karam há crise de representação do jornalismo e défice social perante a eficácia da mensagem e uma perda do debate, com avanço do espectáculo nas notícias.
Já Moisés Lemos Martins, no mais belo mas igualmente mais triste depoimento, pôs em relevo o desaparecimento da confiança da comunidade histórica, a crescente abstenção eleitoral e a ausência de alternativas ao rotativismo partidário. Isto ao lado de consensos forçados (no que lembrou Todd Gitlin em discurso anterior) e da estetização do espaço público, com euforização e excitação da sociedade do espectáculo. Martins falou mesmo de comunidade dolente e de mal-estar social da época. Para isso, convocou autores como Guy Debord, Jean Baudrillard e Walter Benjamin.
Assim, à memória histórica e sociológica do jornalismo político nos jornais em Marques Melo e à perda de representatividade, autoridade e reconhecimento dos jornalistas em Francisco Karam, Moisés Lemos Martins mostrou a pobreza dos media, distraidos com a encenação da democracia e a fragmentação da experiência, em que uns poucos "opinionistas" falam de quase tudo - aqueles a que eu chamo de tutólogos.
O outro orador, o galego Xosé López, apresentou uma comunicação mais cartesiana, sustentando as vantagens dos novos media e revelando um optimismo moderado. Das cinco conclusões que entendeu como importantes na actualidade, distinguiu a existência dos meios tecnológicos à parte do sistema político e destacou o talento da informação com distanciamento por parte do jornalista, a necessidade de uma forte especialização, o aproveitamento das tecnologias para avançar com mudanças nas estratégias de actuação e a atenção permanente do jornalista aos interesses e opções dos cidadãos.
COMENTÁRIOS DESCONTEXTUALIZADOS DAS MENSAGENS - UMA NOVA FORMA POÉTICA?
Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "ESTAÇÃO FERROVIÃRIA": é a lei do género. Gosta, acha apropriado: publica. Se não, não. Submeto-me.Bom dia Publicar este comentário. Rejeitar este comentário. Moderar comentários neste blogue. Publicada por Anónimo em INDÚSTRIAS CULTURAIS a 3/15/2008 10:59:00 AM
Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "ESTAÇÃO FERROVIÃRIA": Tão cedo... chegou,vai para longe?bom dia. Publicar este comentário. Rejeitar este comentário. Moderar comentários neste blogue. Publicada por Anónimo em INDÚSTRIAS CULTURAIS a 3/15/2008 10:54:00 AM
Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "LIVRO DE JOSÉ AFONSO FURTADO": Bonjour, Rogério Santos,Je vous conseille le dernier numéro du courrier international:www.courrierinternationa.comdu 13 au 19 mars"Littér@tureComment le numérique change tout" Publicar este comentário. Rejeitar este comentário. Moderar comentários neste blogue. Publicada por Anónimo em INDÚSTRIAS CULTURAIS a 3/15/2008 10:44:00 AM
Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "PROGRAMAS": "Ergue-te jasmim, substância pura do meu canto"Eugénio de Andrade« Pára »Arrête langue excessive.Savoure les "milles feuilles".Jouis doucementle j(e)asmin duThe(xte). Publicada por Anónimo em INDÚSTRIAS CULTURAIS a 3/14/2008 05:12:00 PM
Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "PROGRAMAS": Leitura(s) obscena(s)"Pára"na língua excessiva. Prende.Arrasta.Lambe.Acon- chega às mil folhas esobe no aroma de jasmim.Mistura o perfume desta língua excessiva àoutra lingua: “Ergue-te, jasmim, substância pura do meu canto”. Publicar este comentário. Rejeitar este comentário. Moderar comentários neste blogue. Publicada por Anónimo em INDÚSTRIAS CULTURAIS a 3/14/2008 01:16:00 PM
Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "PROGRAMAS": Ninguém diria, eu nao ainda experimentara o humor que cria poesia..."Diria: um humor soluçado.""Agora falando sério", o humor pode tocar (n)o fundo ... e, então, o riso vira pranto...bom dia! Publicar este comentário. Rejeitar este comentário. Moderar comentários neste blogue. Publicada por Anónimo em INDÚSTRIAS CULTURAIS a 3/14/2008 12:52:00 PM
Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "NOTAS PARA UMA AULA DE TEORIA DA COMUNICAÇÃO (6)": A tese é um exemplo do reconforto que da a leitura do sabido e dito e anunciado... Sera?Reconforto, nao. O contrario: o desconforto que sobra no fim, ao constatarmos que nos entretemos a seguir caminhos que ja nao andam nem nos levam... a lado algum. Publicar este comentário. Rejeitar este comentário. Moderar comentários neste blogue. Publicada por Anónimo em INDÚSTRIAS CULTURAIS a 3/13/2008 12:28:00 PM
Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "ESTAÇÃO FERROVIÃRIA": Tão cedo... chegou,vai para longe?bom dia. Publicar este comentário. Rejeitar este comentário. Moderar comentários neste blogue. Publicada por Anónimo em INDÚSTRIAS CULTURAIS a 3/15/2008 10:54:00 AM
Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "LIVRO DE JOSÉ AFONSO FURTADO": Bonjour, Rogério Santos,Je vous conseille le dernier numéro du courrier international:www.courrierinternationa.comdu 13 au 19 mars"Littér@tureComment le numérique change tout" Publicar este comentário. Rejeitar este comentário. Moderar comentários neste blogue. Publicada por Anónimo em INDÚSTRIAS CULTURAIS a 3/15/2008 10:44:00 AM
Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "PROGRAMAS": "Ergue-te jasmim, substância pura do meu canto"Eugénio de Andrade« Pára »Arrête langue excessive.Savoure les "milles feuilles".Jouis doucementle j(e)asmin duThe(xte). Publicada por Anónimo em INDÚSTRIAS CULTURAIS a 3/14/2008 05:12:00 PM
Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "PROGRAMAS": Leitura(s) obscena(s)"Pára"na língua excessiva. Prende.Arrasta.Lambe.Acon- chega às mil folhas esobe no aroma de jasmim.Mistura o perfume desta língua excessiva àoutra lingua: “Ergue-te, jasmim, substância pura do meu canto”. Publicar este comentário. Rejeitar este comentário. Moderar comentários neste blogue. Publicada por Anónimo em INDÚSTRIAS CULTURAIS a 3/14/2008 01:16:00 PM
Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "PROGRAMAS": Ninguém diria, eu nao ainda experimentara o humor que cria poesia..."Diria: um humor soluçado.""Agora falando sério", o humor pode tocar (n)o fundo ... e, então, o riso vira pranto...bom dia! Publicar este comentário. Rejeitar este comentário. Moderar comentários neste blogue. Publicada por Anónimo em INDÚSTRIAS CULTURAIS a 3/14/2008 12:52:00 PM
Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "NOTAS PARA UMA AULA DE TEORIA DA COMUNICAÇÃO (6)": A tese é um exemplo do reconforto que da a leitura do sabido e dito e anunciado... Sera?Reconforto, nao. O contrario: o desconforto que sobra no fim, ao constatarmos que nos entretemos a seguir caminhos que ja nao andam nem nos levam... a lado algum. Publicar este comentário. Rejeitar este comentário. Moderar comentários neste blogue. Publicada por Anónimo em INDÚSTRIAS CULTURAIS a 3/13/2008 12:28:00 PM
LIVRO DE JOSÉ AFONSO FURTADO
quinta-feira, 13 de março de 2008
PROGRAMAS
Acompanho com muito interesse produtos mediáticos como programas de humor na rádio e cartunes enquanto meios que reflectem a realidade quotidiana. Estou a pensar no Bartoon (Público) ou no Portugalex (Antena 1).
Ambos os produtos mantêm uma relação próxima com os acontecimentos sociais e políticos, o primeiro menos identificado com personalidades e o segundo mais perto delas, o primeiro como uma representação em esboço e o segundo recorrendo à imitação das vozes, o primeiro mais abstracto e o segundo mais estruturante (na explicação dos factos), ambos ocupando pouco espaço/tempo às respectivas audiências mas apelando à inteligência de leitores e ouvintes.
A produção diária, como acontece a esses dois produtos, levanta desafios tais como estar atento à actualidade, transformar episódios insípidos em motivos de humor, realçar assuntos que quase morrem à nascença, ter perspicácia e ser mordaz. Além disso, há elementos como rapidez de intervenção e necessidade de tornar claras as curtas mensagens, assim como o possível desgaste em actividade tão criativa. Isto porque não há dias em que se escreva: hoje não há programa ou cartune por desinspiração do autor/artista.
Aqui, chego a outra ideia: o cartunista do Público, Luís Afonso, usa traços simples, diria repetíveis dia a dia. A forma é menos importante que o conteúdo - a mensagem escrita. Mas, no fim de contas, a forma é relevante - pois há um pequeno conjunto de personagens que aparecem frequentemente, para além do homem do bar: o americano que defende a guerra do Iraque, a jovem ingénua, o homem cansado por um dia de trabalho, profissionais identificados quando o tema envolve uma profissão determinada. Apesar da simplicidade e da repetição de formas, os cartunes são vivos, frescos, de um humor fino - do humor que compreendemos dois segundos depois de lermos o texto. Diria: um humor soluçado.
Luís Afonso vive colado à realidade, como acima escrevi, mas o Portugalex vive ainda mais aliado ao quotidiano, dentro de um formato já desenvolvido no audiovisual, em especial a televisão: o noticiário. O programa Contra-Informação vive desse formato, adaptando maioritariamente as personalidades políticas e desportivas mais mediáticas. A meu ver é na assunção do formato (noticiário) que o Portugalex tem vindo a perder vivacidade, tal a repetição de formas, no que é um modo diferente do cartune. O programa antecessor - Palmilha Dentada, que aqui critiquei uma vez - havia enveredado por um caminho semelhante e esgotou-se ao fim de algum tempo. No Portugalex, cria-se facilitismo e previsibilidade, através de personagens (representantes de personalidades) que sabemos já o que vão fazer ou dizer, seja Paula Bobone ou Pinto da Costa, Paulo Portas ou José Sócrates. O que mata o programa.
quarta-feira, 12 de março de 2008
NOTAS PARA UMA AULA DE TEORIA DA COMUNICAÇÃO (6)
A tese de doutoramento de Harold Innis (1894-1952) foi sobre a geografia histórica da linha ferroviária Canadian Pacific, que ligava o país de costa a costa. Innis descobrira que o caminho de ferro cobria o velho percurso do comércio das peles, e isto levou-o a compreender as principais actividades da economia canadiana nos séculos XVIII e XIX; não apenas as peles mas também a pesca (do bacalhau), a madeira e o papel.
O que guiou a economia canadiana não foram apenas factores indígenas. O comércio de peles no século XVIII e XIX foi condicionado pela moda na Europa, caso das peles para os chapéus em França e Inglaterra.


Nos seus estudos, Innis levantou-se o tema da fronteira e da fileira da retaguarda [back tier]. Por um lado, o avanço da construção do caminho de ferro afastava a fronteira; podemos dizer que a British Columbia, mais a ocidente do país, não teve existência até quase ao final do século XIX (em termos industriais). Por outro lado, a linha de fronteira externa tinha uma primeira linha na Europa e, por extensão, a economia e o desenvolvimento das comunicações norte-americanas eram parte da trajectória da história europeia. O desenvolvimento da América do Norte foi determinado pelas políticas e lutas das capitais europeias. Com a independência dos Estados Unidos (4 de Julho de 1776) e o declínio da influência europeia, a linha de contacto [back tier] comercial e cultural mudar-se-ia para os centros metropolitanos do Canadá e dos Estados Unidos, com um controlo mais forte nas cidades de Nova Iorque e Washington (e Chicago). Reduzia-se o peso das linhas de comércio ao longo do Atlântico e privilegiavam-se as novas rotas para o sul (Estados Unidos).

O estudo de Innis sobre a manufactura do papel trouxe-o para a área da comunicação. O impasse comercial e cultural canadiano consistia no seguinte: os Estados Unidos importavam a matéria-prima da imprensa (papel) no vizinho Canadá e exportavam para o Canadá os produtos acabados – jornais, revistas, livros e, sobretudo, publicidade.
A importação de matérias-primas do Canadá era vista, nos Estados Unidos, dentro da perspectiva do livre comércio, enquanto que se enviavam os bens culturais, exportados para a vizinhança em nome da liberdade de informação. Podemos inferir daqui o início do imperialismo americano: o estilo de vida americano passa pela circulação global de bens culturais – filmes, televisão, música popular.
Um constrangimento fundamental no âmbito das acções humanas é imposto pelas características temporais e espaciais dos recursos existentes em termos de movimento e comunicação com os outros. Por exemplo, se a sociedade tem apenas a fala como meio de comunicação, a resposta de Innis é que tais sociedades são especialmente pequenas em escala. Há uma memória social do grupo – o seu conhecimento no presente sobre como, quê e quando fazer coisas vieram de práticas passadas – é oralmente transmitido na linguagem falada e passada de geração em geração.
Ora, sistemas de escrita desenvolvem sistemas de coordenação e controlo de actividades humanas ao longo do tempo e do espaço. A escrita é um sistema de registo: uma forma de apresentar as coisas de modo que a informação possa ser transmitida pelo espaço a grandes distâncias e preservada no tempo como registo do que foi dito e feito.
Os diferentes media, usando materiais diferentes, têm consequências diferentes no controlo do tempo e do espaço. A isto Innis chamou a parcialidade [ou viés ou tendência] da comunicação. Ele notou a importância das tecnologias da escrita para o estabelecimento e manutenção dos impérios –a criação de blocos de poder alarga-se a grandes distâncias e preserva-se por longas gerações. A escrita produz um efeito imediato entre letrado e iletrado, educado e não educado. Ter competências de leitura e escrita é ter o passaporte para a emancipação individual.
A literacia faz nascer as elites educadas que gravitam em torno dos centros de poder. Assim, para Innis, a distinção histórica geral em termos de comunicação é a que existe na cultura oral e literária. A visibilidade e energia da cidade-estado grega reflecte o poder da palavra falada. Roma começou por ser igualmente uma cidade-estado mas o seu império cresceu e a sua cultura cívica e republicana conduziu a uma regra imperial centralizada, jurídica, burocratizada e militarizada. Isto teve necessidade de meios eficientes de transporte e comunicação.
Innis propôs uma nova tese sobre a história do mundo e as transformações dos impérios e civilizações. A formação de sociedades estáveis, sedimentadas ao longo de gerações, é parcialmente determinada pelas formas existentes de transporte e comunicação. A mobilidade de pessoas, mensagens e bens é conduzida por considerações económicas e políticas materiais, associadas à gestão do tempo e do espaço.
A materialidade do meio através do qual a comunicação tinha lugar e a informação era registada, guardada e circulava, era o elemento principal, não o seu conteúdo. A linha divisória fundamental, relativamente à comunicação na história mundial, era o resultado das tecnologias da escrita, que separa o mundo em culturas letradas e não letradas.
Leitura: Paddy Scannell (2007). Media and communication. Londres, Thousand Oaks, CA, Nova Deli e Singapura: Sage, pp. 124-129
O BLOGUE DE ISABELLE ANCHIETA DE MELO
Com o nome da autora, o blogue Isabelle Anchieta de Melo discute "Comunicação, Atualidade e Filosofia".
- Isabelle Anchieta de Melo é mestre e pesquisadora pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) no curso de Comunicação Social - Fafich. Recebeu prêmio nacional "Rumos Itaú Cultural" 2007/2008 por sua produção intelectual. É, atualmente, pesquisadora pela UFMG no grupo "Jornalismo, Cognição e Realidade" (JR) e professora de Estudos Emergentes em Comunicação; Teorias da Comunicação e Teorias do Jornalismo no Centro Universitário Newton Paiva.
terça-feira, 11 de março de 2008
PÓS-GRADUAÇÃO EM TELEVISÃO E CINEMA NA UCP
Vídeo de promoção da pós-graduação em televisão e cinema a arrancar na Universidade Católica em breve.
segunda-feira, 10 de março de 2008
UM BLOGUE TAMBÉM PODE SER UMA PEDRA
Estima-se haver, hoje, mais de cem milhões de blogues em todo o mundo, dos quais 15 milhões estão activos. Os que estão abandonados chamam-se, no Japão, ishikoro (pequena pedra ou cristal de quartzo), escreve Sarah Boxer na edição de 14 de Fevereiro da The New York Review of Books.
Ela referencia blogues políticos, confessionais, de boatos, sobre sexo, de mamãs recentes, de ciência, militares, de objectos, de ficção, videoblogues, fotoblogues, sobre banda desenhada. Muitos são individualizados, outros em grupo. Alguns media (jornais e revistas) têm associados jornalistas e críticas que fazem blogues (blogam).
Continua Boxer: "Qualquer desporto, qualquer guerra, qualquer furacão, traz uma multidão de blogues que, frequentemente, ultrapassa os media clássicos em rapidez, alcance geográfico, informação desenvolvida e detalhada. Pode ler-se sobre a guerra do Iraque a partir de blogueiros iraquianos, de soldados americanos (agora muito censurados), ou de académicos como Juan Cole, cujo blogue, Informed Comment, sintetiza, analisa, e traduz notícias da frente. Na ópera, para dar outro exemplo, temos Parterre Box, que é uma espécie de militante da causa, ou Sieglinde's Diaries e My Favorite Intermissions, escritos por frequentadores do Met, ou Opera Chic, um blogue de Milão focado nas actuações do La Scala".
E continua Boxer a exaltar a existência da blogosfera, dando conta dos livros que estão a sair sobre a matéria, em cultura (We've Got Blog and Against the Machine), democracia (Republic .com 2.0), política (Blogwars), privacidade (The Future of Reputation), media (Blog: Understanding the Information Reformation and We're All Journalists Now), profissões (The Cult of the Amateur), negócios (Naked Conversations) e sobre tudo (Blog!).
Mas questiona a articulista: trata-se de um novo género literário? Se sim, onde estão os conceitos, formas, regras? Qual a essência?
Ler um blogue não é a mesma coisa que ler um artigo de jornal ou um livro. Isto porque os leitores dos blogues saltam, seguindo links, indo ver vídeos no YouTube. A atenção que despertam é fragmentária - lêem-se sumários de notícias, ouvem-se partes de canções, juízos superficiais. Alguns nem pontuam, escreve Boxer, usam uma expressão tipo OMD (Oh meu Deus!) ou um emoticon, caso do sorriso :-).
E Sarah Boxer continua a escrever reflectidamente, podendo ler-se todo o artigo aqui. Ela é a autora do livro Ultimate Blogs: Masterworks from the Wild Web, uma antologia editada o mês passado.
[o meu agradecimento a José Miguel Sardica, pela dica]
Ela referencia blogues políticos, confessionais, de boatos, sobre sexo, de mamãs recentes, de ciência, militares, de objectos, de ficção, videoblogues, fotoblogues, sobre banda desenhada. Muitos são individualizados, outros em grupo. Alguns media (jornais e revistas) têm associados jornalistas e críticas que fazem blogues (blogam).
Continua Boxer: "Qualquer desporto, qualquer guerra, qualquer furacão, traz uma multidão de blogues que, frequentemente, ultrapassa os media clássicos em rapidez, alcance geográfico, informação desenvolvida e detalhada. Pode ler-se sobre a guerra do Iraque a partir de blogueiros iraquianos, de soldados americanos (agora muito censurados), ou de académicos como Juan Cole, cujo blogue, Informed Comment, sintetiza, analisa, e traduz notícias da frente. Na ópera, para dar outro exemplo, temos Parterre Box, que é uma espécie de militante da causa, ou Sieglinde's Diaries e My Favorite Intermissions, escritos por frequentadores do Met, ou Opera Chic, um blogue de Milão focado nas actuações do La Scala".
E continua Boxer a exaltar a existência da blogosfera, dando conta dos livros que estão a sair sobre a matéria, em cultura (We've Got Blog and Against the Machine), democracia (Republic .com 2.0), política (Blogwars), privacidade (The Future of Reputation), media (Blog: Understanding the Information Reformation and We're All Journalists Now), profissões (The Cult of the Amateur), negócios (Naked Conversations) e sobre tudo (Blog!).
Mas questiona a articulista: trata-se de um novo género literário? Se sim, onde estão os conceitos, formas, regras? Qual a essência?
Ler um blogue não é a mesma coisa que ler um artigo de jornal ou um livro. Isto porque os leitores dos blogues saltam, seguindo links, indo ver vídeos no YouTube. A atenção que despertam é fragmentária - lêem-se sumários de notícias, ouvem-se partes de canções, juízos superficiais. Alguns nem pontuam, escreve Boxer, usam uma expressão tipo OMD (Oh meu Deus!) ou um emoticon, caso do sorriso :-).
E Sarah Boxer continua a escrever reflectidamente, podendo ler-se todo o artigo aqui. Ela é a autora do livro Ultimate Blogs: Masterworks from the Wild Web, uma antologia editada o mês passado.
[o meu agradecimento a José Miguel Sardica, pela dica]
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