sexta-feira, 18 de junho de 2010

NESTOR GARCÍA CANCLINI

Hoje, o professor Néstor García Canclini dará uma conferência intitulada Da Convivência à Sobrevivência: Olhares desde a Arte e a Antropologia, na Fundação Calouste Gulbenkian, no Auditório 2 do edifício sede da fundação. A organização pede que a audiência compareça às 18:00, para facilitar o processo de entrada na sessão inaugural do ciclo Grandes Lições.

Amanhã, Néstor García Canclini estará na Universidade Católica Portuguesa.

Nascido na Argentina, Néstor García Canclini (1939) é antropólogo e tem trabalhado as áreas de comunicação, cultura e pós-modernidade a partir da perspectiva latino-americana.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

A LUFA-LUFA VISTA POR JOSÉ MACHADO PAIS

O livro Lufa-lufa quotidiana. Ensaios sobre cidade, cultura e vida urbana, de José Machado Pais (2010, Instituto de Ciências Sociais, 227 páginas, 14,4 euros) é um olhar sociológico sobre a vida quotidiana na cidade, antes caracterizada pelo paradigma da indolência e da lentidão e hoje palco do encontrão, da falta de tempo, da lufa-lufa, regime dromocrático onde tudo é feito a correr. Escreve o autor: "É esta percepção dinâmica que convém exercitar ao estudarem-se os tempos do quotidiano: tempos que se deslocam e desmembram ao percorrerem os espaços, numa dispersão e difusão de detalhes, numa fragmentação e justaposição de modos" (p. 16).

São páginas de sociólogo mas igualmente de escritor, dado o modo como capta o leitor com a sua narrativa, frequentemente divertida e mordaz. Para José Machado Pais, a cidade é palco do "dar nas vistas e não dar ouvidos", pelo que ele analisou a vida quotidiana através de objectos menos comuns de estudo, verdadeiras metáforas da vida urbana. Aqui entram o recenseamento de autocolantes de automóveis ("meu outro carro é mais potente", "o que levanta a cabeça do pobre é avião", "não me dê conselho; sei errar sozinho", "tá com pressa? Vai de bicicleta", "mulher de mini-saia é o mesmo que cerca de arame farpado; cerca a propriedade, mas não tapa a visão"), as mensagens que acompanham os pacotes de açúcar ("um dia ponho a mochila às costas e vou conhecer o mundo", "um dia pergunto o teu nome", "um dia levo para casa um cão abandonado"), o siglagês (mundo das siglas), o uso ou não de gravata (o autor informa possuir duas gravatas, a das bolinhas e a azul das riscas) - um ritual de arrumação, como lhe chama -, as fantasias sexuais das leitoras de revistas cor-de-rosa (pp. 107-109). Mas também as culturas juvenis, urbanas e quase marginais, como skaters, breakdancers, ravers e grafitters, artes de musicar (repentes e improvisações), o projecto Batoto Yetu e o modo como se fazem os estudos culturais, suas fontes documentais e mudanças de atitude [pena não ter incluido um capítulo sobre as mensagens nas t-shirts (camisetas, no Brasil)]. No conjunto do livro, concluo que o corpo do texto é de sociólogo mas a essência é de escritor.

Os capítulos tiveram uma vida anterior em forma de comunicações que o autor retrabalhou, e onde desenvolveu conceitos como metodologia das isotopias, globalização cronotópica, presenteísmo, modernidade reflexiva, espaço sedentário como estriado e espaço nómada como liso e aberto, escola formal e temporalidade monocromática e espaços fora da escola e com temporalidades policromáticas, cultura hegemónica que é mais de exclusão do que de inclusão (nomeadamente em grupos minoritários étnicos). Trabalhou afincadamente autores como Georg Simmel, Paul Ricoeur, Nestor García Canclini, Jesus Martín-Barbero, Anthony Giddens, Ulrich Beck, Gilles Deleuze e Felix Guattari, Manuel Castells, Arjun Appadurai e Jean Baudrillard.

Deixo algumas reflexões do autor. A primeira é das trajectórias de vida, em que o autor destaca a de um jovem (pp. 160-161), que vivera na Pedreira dos Húngaros, zona de Lisboa fustigada pelo tráfego de droga: "aprendi [lá] muitas coisas que sei hoje e se calhar foi de lá ter morado é que penso como penso hoje que esta vida é fuck, quantos mais problemas temos mais aparecem, e queremos resolver cenas mas mais se complicam". A segunda é sobre a diversidade cultural (e económica), quando cita o romance de cordel, o chamado património cultural imaterial (pp. 183-184): "O rico chega numa festa/De uniforme ou gravata/Com namorada bonita/Loura, morena ou mulata/O pobre é com uma feia/Que parece uma sucata". Há uma identidade que repousa sobre a diferença, uma cultura que não é erudita mas popular mas igualmente de reconhecer. A última é sobre os estudos da juventude (p. 138), tradicionalmente dominados por paradigmas que reflectiam a forma como ideologicamente os jovens eram representados: dependentes, não autónomos. Hoje, devido à exposição dos media e às tecnologias da informação, os jovens passaram a dispor de um poder não usufruido antes. Acrescenta José Machado Pais que se passou de uma época em que para se ser produtor eram necessárias aprendizagens específicas enquanto para se ser consumidor basta ter-se preferências.

José Machado Pais (1953-) é sociólogo no Instituto de Ciências Sociais e e escreveu nomeadamente A Prostituição e a Lisboa Boémia do séc. XIX aos Inícios do séc. XX (1985), Artes de Amar da Burguesia. Os Rituais de Galantaria nos Meios Burgueses do Séc. XIX em Portugal (1986), Culturas Juvenis (1993), Ganchos, Tachos e Biscates. Jovens, Trabalho e Futuro (2001), Sociologia da Vida Quotidiana.Teorias, Métodos e Estudos de Caso (2002) e Nos Rastos da Solidão. Deambulações Sociológicas (2006).

quarta-feira, 16 de junho de 2010

LIVRO DE ANTÓNIO PINTO RIBEIRO SOBRE CIDADES E VIAGENS

Alexandra Lucas Coelho (jornalista do Público) apresentou-o, dizendo que É Março e é Natal em Ouagadougou apenas na página 33 e em mais parte nenhuma do livro, um retrato diarístico de cidades e viagens de António Pinto Ribeiro.

O livro descreve cidades da China, da África, da Europa e, claro, o Brasil, país luminoso para o autor. Lê-se: Brasil imenso, Brasília, Rio de sol, na terra dos gaúchos, Inhotim. Para Pinto Ribeiro, o Brasil é o futuro e os brasileiros nascem já criativos (aprenderam connosco durante alguns anos, disse, divertindo-nos). Sobre Portugal, afinal, está descrente. E também da Europa. O mundo hoje faz-se na China, na África, na América latina.

Texto mais sombrio, nas palavras da apresentadora - cidade do México. Cidade ingovernável, disse o autor. Cidade que mais o encantou - Bogotá -, como que desfazendo preconceitos.

Fico-me por aqui, copiando um trecho da página 18, sobre Alexandria: "Há ainda Marguerite Yourcenar que, nos anos 30, aqui esteve hospedada neste hotel Cecil (hoje Sofitel) e aqui escreveu parte das Memórias de Adriano. E havia o cinema, o grande cinema egípcio que nasceu nos estúdios de Alexandria; e Omar Sharif, o actor egípcio fetiche de Hollywood; e o escritor Naguib Mafouz, Nobel da Literatura".

A apresentação decorreu hoje ao fim da tarde, na magnífica livraria Pó dos Livros, aqui em Lisboa. António Pinto Ribeiro é ensaísta, professor universitário e programador cultural.

FRONTEIRA EM MCLUHAN (III)

[continuação da mensagem de 8 de Junho de 2010]

Relembra McLuhan que Harold Innis desenvolveu uma aguda consciência da tradição oral no mundo antigo, isto como resultado dos seus estudos sobre o mundo moderno [Stephanie McLuhan e David Staines (org.) (2005). McLuhan por McLuhan. Rio de Janeiro: Ediouro]. McLuhan afirma que qualquer civilização repousa sempre numa forma escrita, seja qual for. O interesse de Innis pela interacção nas formas escritas e orais da experiência humana pode ter inspirado Eric Havelock no estudo sobre a tradição oral na Grécia antiga e os seus efeitos sobre a modelação da percepção e do comportamento humano no mundo antigo.

Os poetas gregos eram as enciclopédias tribais do tempo da cultura pré-clássica, as quais continham pensamentos e observações mas também técnicas relativas ao modo de conduzir a sociedade, governá-la e controlá-la. Segundo Havelock, os poetas foram os primeiros educadores, constituiram a instituição educacional desse tempo. O livro de Havelock, continua McLuhan, indicava a força de uma sociedade oral, que acolhe e regista técnicas para operar uma sociedade. McLuhan constatava uma semelhança nos comportamentos dos adolescentes do seu tempo face a esse tempo pré-clássico [conferência de 1967]. Ele previa que se estivesse a passar de uma sociedade escrita para uma oral, e a um ritmo mais veloz do que aquele em que os gregos desintegraram o seu culto oral por meio da palavra escrita. Autores mais recentes pegaram nesta posição de McLuhan e saudaram o novo paradigma audiovisual em detrimento do conhecimento trazido pelo livro e elogiaram o SMS (a mensagem via telemóvel).

Voltemos a McLuhan: uma das razões porque os letrados criaram vastas organizações militares no mundo antigo foi porque se tornou possível controlar homens a distância por meio de mensagens e mensageiros. O alfabeto criou o individualismo, mas também organizações imensas, exércitos e impérios, grande salto para um ambiente de informação, embora ler e escrever tivessem começado por ser ocupações de escravos na Grécia antiga. Os romanos levaram o livro a uma posição de dignidade e o cristianismo deu-lhe a sua mais alta consagração.

PINTURA DE GRAÇA MORAIS

Graça Morais nasceu em Vieiro, Trás-os-Montes, em 1948. A sua pintura e a sua obra plástica transportam sempre o sentido da natureza, nas paisagens, nas cenas de representação humana, nos cenários com animais, na diferenciação do sagrado e do profano. Telas, carvão e pastel sobre papel, colagens e grafite, acrílico, aguarela, tinta da china e outros materiais num conjunto interessante de obras estão patentes no Centro de Arte Manuel de Brito, em Algés (Palácio dos Anjos).


Destaco dois conjuntos: os grafites sobre papel, de um erotismo suave, as pinturas feitas em Cabo Verde, onde a artista se interrogou sobre se teria nascido ali. Mitos do inconsciente, metamorfoses, o tempo do rosto, o corpo e outros temas - eis as pistas dadas pelo texto do catálogo, assinado por Miguel Matos. Realce ainda para os catálogos e livros sobre a artista, produzidos ao longo da sua carreira, e o vídeo feito pela filha.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

PLANIFICAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DE EXPOSIÇÕES. O PAPEL DO CURADOR

Workshop, nos dias 26 e 27 de Junho de 2010, no Centro Cultural e Desportivo dos Trabalhadores da Câmara Municipal do Porto, por Cláudia Camacho. Inscrições: http://antiframe.wordpress.com/.

LOJAS E PATRIMÓNIO DA BAIXA DE LISBOA


A recuperação e requalificação da baixa pombalina em Lisboa custa 700 milhões de euros, e engloba uma grande área comercial e turística, lia-se ontem no jornal Público. Há cerca de 1600 espaços comerciais abrangidos pelo plano de pormenor, com a câmara de Lisboa a incluir a protecção da arquitectura exterior e, até, interior. Isto é, há elementos arquitectónicos decorativos ou estruturais a preservar.

Ideias: criar mapas de actividades nos eixos prioritários, como clusters temáticos de actividades (ourivesaria, retrosaria). E ter bons horários de abertura, incluindo todo o fim-de-semana, pessoal qualificado, ruas e paredes limpas, segurança.

domingo, 13 de junho de 2010

DAVIDE MONTELEONE

  • "Northern Caucasus is a mix of stereotypes as well as surprises. For centuries it has been a country of political, religious, military and expansionist rivalry, a struggle between opposing states, and also between allied states. Ever since the beginning of the 19th century, this region has been part of the tsarist Russian Empire, later absorbed by the Soviet Block. With the 1991 radical transformations involving the entire Warsaw Pact coalition, and the storm caused by the collapse of the Soviet Union, new and ancient disputes resurfaced, and in some cases worsened, and revived political and economic aims of supremacy in the area" (Davide Monteleone, Burn).
Yesterday, it was announced in Charlottesville (Virginia, USA), during the Festival LOOKbetween, that Davide Monteleone is the winner of the Emerging Photographer Fund in 2010, an initiative of Burn Magazine. Since 2003, he lives both in Italy and Russia and started working regularly with major national and international newspapers such as D, Io Donna, L’espresso, New York Times, Time, Stern, and the New Yorker. Davide Monteleone, an Italian photographer born in 1974, will receive $15,000 from Burn Magazine through the Magnum Cultural Foundation to continue his work in the Northern Caucasus. The jury award was established by Alessandra Sanguinetti, Michael "Nick" Nichols and Bruce Gilden [Nazran, Republic of Ingushetia, during a wedding, January 2010, photo from Burn].

QUANDO OS ESTADOS UNIDOS EMPATARAM COM A INGLATERRA NO CAMPO PEQUENO

EDUARDO MÃOS DE TESOURA

Johnny Deep é Eduardo Mãos de Tesoura, Winona Ryder é Kim, Tim Burton fez o filme em 1990.

A estranha mansão onde se refugiava Eduardo, a melhor obra do seu inventor (Vincent Price), lá no alto do monte, contrastava com a povoação (Suburbia de nome) de casas de um piso, pintadas de cores vivas e com um jardim, onde os maridos regressavam à noite de automóvel depois de um dia de trabalho e as mulheres falavam umas com as outras, em busca de novidades. Peg (Dianne Wiest), a representante local da Avon, desesperada de não encontrar compradoras para os seus produtos, aventura-se na mansão e descobre e adopta Eduardo. Este torna-se popular pois molda os arbustos, corta cabelos e é ágil na cozinha.

Joyce (Kathy Baker) tem um fraquinho por Eduardo, mas este gosta de Kim. O namorado desta decide fazer a vida negra a Eduardo e tudo acontece, obrigando-o a regressar à mansão. Muitos anos depois, a avó contava esta história à neta, dizendo que a neve existia porque Eduardo ainda estava vivo.

sábado, 12 de junho de 2010

FONTE LUMINOSA

A Fonte Luminosa foi inaugurada em 1940 (Duarte Pacheco, António Salazar e Óscar Carmona estiveram na inauguração). Do lado oposto da Alameda D. Afonso Henriques, o Instituto Superior Técnico é quase da mesma época. O mesmo Duarte Pacheco fora seu director entre 1927 e 1932. Não muito longe dali, o Instituto Nacional de Estatística fora inaugurado em 1935. A tecnologia, a estatística e a arquitectura monumental faziam deste perímetro a Lisboa moderna.

Era o tempo do Portugal imperial. Após a década da guerra mundial e da silenciosa e frustrante década de 1950, a década seguinte traria as guerras coloniais, de contestação ao império, desfeito em 1974-1975. Portugal procurava um novo rumo, como o ocorrido fez hoje 25 anos, a adesão à CEE, actual União Europeia. Lentamente, desde essa época, Lisboa transformou-se, hoje tornada uma cidade mais cosmopolita. Curiosamente, a zona a sul da Fonte Luminosa passou a albergar gentes do mundo inteiro. Quem passa pela rua Morais Soares, por exemplo, vê africanos, brasileiros, indianos e outros asiáticos a andar, a conversar, a viver e a fazer compras, num cambiante de cores e costumes muito diferentes dos representados pela ingénua Maria Papoila, o filme de Leitão de Barros de 1937.

O LIXO DOS COMENTÁRIOS

O artigo que José Pacheco Pereira escreve no Público de hoje - sobre os comentários de anónimos nas notícias online - merece-me muita atenção. Ele critica "os insultos, as obscenidades, os erros de ortografia, os pseudónimos, os anónimos, as letras maiúsculas e minúsculas" que acompanham os comentários. Da minha leitura, aduzo cinco razões de Pacheco Pereira: 1) a responsabilidade destes comentários também é das empresas editoras, porque os permitem, 2) os jornais ganham com esta prática, porque aumentam o número de visitas e de pageviewers e, assim, a publicidade, 3) os comentários são uma forma do "povo" expressar-se, um mecanismo de democracia directa e participativa, 4) não se podem eliminar tais comentários, porque isso poderia ser associado a censura, 5) é um sintoma de degradação do jornalismo contemporâneo.

Acrescentaria mais três razões: 1) as empresas jornalísticas não sabem o que hão-de fazer a este mecanismo que é a caixa de comentários, como a podem controlar num balanço de vantagens e prejuízos, 2) a culpa não é do jornalismo contemporâneo (um dos temas-alvo de Pacheco Pereira na sua análise à sociedade de hoje), mas das empresas jornalísticas e de toda a internet, devido ao mecanismo indicado na razão anterior (aqui no blogue, também tive momentos de comentários impróprios), 3) os insultos e outros são próprios de de uma opinião pública frágil e ignorante da importância da discussão pública.

Por esta última razão, afasto-me do pensamento de Pacheco Pereira; apesar da riqueza da sua argumentação, entendo que o alvo dele não está correcto. Não quero ser integrado por oposição a ele, que é apocalíptico (usando Umberto Eco), mas vejo os jornais e os media como empresas com interesses e que se englobam na sociedade onde há interesses mais vastos. Primeiro, as notícias reflectem esse jogo vasto e frequentemente nebuloso de interesses. Segundo, a internet (e as caixas de comentários) não trouxe(ram) o reequilíbrio e a harmonia social ambicionados pelos deterministas tecnológicos.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

JORNALISMO DE SUPERMERCADO

Quando espero na fila de saída do supermercado para pagar as compras que fiz, reparo nos títulos das revistas semanais de televisão, cor-de-rosa ou de boatos, estrategicamente (perfidamente) colocadas nesse local. Leio que Cinha Jardim está solteira (há duas semanas, lera que ela tinha um namorado americano) e que Alexandra Lencastre continua apaixonada (lera duas semanas atrás que ela se separara e estava solteira). Isto a par de um antigo concorrente do programa da TVI, a Quinta das Celebridades, de que já escrevi aqui no blogue mas esqueci o nome, estar com muito pouco dinheiro, o que o levou a despedir a empregada de limpeza. E sem falar das férias de Fernanda Serrano com a filha no Algarve ou de Diana Chaves cada vez mais magra (diz o título), em férias com o seu namorado, conhecido jogador de futebol.

Não creio existir uma designação mais precisa dessa literatura semanal do que supermarket tabloid, como lhe chamam os americanos. S. Elizabeth Bird, docente e investigadora da universidade de South Florida, Estados Unidos, ao analisar essas publicações, indica que os leitores estão hoje mais interessados em ler histórias de celebridades do que ler as notícias de modo a conhecer a realidade nacinal ou mundial. Ela detecta haver prazer nos leitores em aceder a esses boatos e histórias de mulheres e homens que se comprometem hoje e estão livres amanhã, numa espécie de ciclo semanal em que o que é verdade hoje deixa de ser amanhã. O sensacional e a novidade são, indicam os especialistas em jornalismo, valores-notícia muito prezados pelos leitores. Bird (The Audience in Everyday Life, 2003, p. 24) diz que os críticos consideram as audiências (os leitores) como dotadas de curiosidade mórbida e que procuram sensações, explicações psicológicas e patológicas. Ao invés, os estudos culturais falam de audiências activas ou que resistem a padrões dominantes. O excesso nas notícias pode corresponder a valores transgressivos.

RTP

O ministro dos Assuntos Parlamentares admitiu anteontem a possibilidade de repensar o acordo de reestruturação financeira da RTP, dentro das medidas do PEC (Programa de Estabilidade e Crescimento). Disse ainda que a estação pública não será privatizada.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

CAIS DAS COLUNAS

CONEXIONES

Conexiones, revista ibero-americana de comunicação, tem o seu primeiro número (2009) dedicado ao espaço audioviual ibero-americano (Argentina, Brasil, Chile, Colombia, México). Para o director da publicação, Marcial Marciano, da Universidade Autónoma de Barcelona, a revista procura ser um novo actor no campo da investigação e contribuir para o debate sobre comunicação e cultura nos países de língua espanhola e portuguesa.

ACORDO ORTOGRÁFICO

  • A crítica em Portugal é a de que os brasileiros estão mais interessados e se acham mais ávidos porque os portugueses vão ter que alterar mais do que os brasileiros. Não é verdade. Quem diz isso não leu o acordo. Na realidade, a única mudança séria porque vai passar Portugal e os países africanos é a não-escrita das consoantes não articuladas, o que é bom do ponto de vista pedagógico. Como é que uma criança que está começando a escrever em Português vai escrever "Egipto" se ela não ouve este p? Como vai escrever "director" com c se ela não ouve deste jeito? Na reforma para os portugueses, a maior dose é esta. Enquanto nós, brasileiros, vamos ter que abolir o trema, abolir o acento agudo nos ditongos abertos... O brasileiro pronuncia "idéia", mas vai escrever ideia. Os brasileiros vão deixar de colocar o circunflexo em palavras como "voo" e "enjoo", deixar o circunflexo em "leem", "veem". Os brasileiros vão ter mais mudanças que os portugueses.
(Entrevista com Evanildo Bechara ao jornal Público, hoje. Quando o acordo ortográfico entrar em vigor em Portugal, o blogueiro vai adoptar as novas regras, mesmo que demore a habituar-se).

BARROCO NA IGREJA DA FOZ (PORTO)

Rui Osório é cónego da paróquia de S. João Baptista da Foz do Douro (Porto) desde 2006, sucedendo ao padre Joaquim Fonseca. Vem deste mas foi Rui Osório quem se dedicou exemplarmente ao restauro das obras religiosas da paróquia, nomeadamente a igreja começada a construir entre 1709 e 1712 e concluída em 1736. Escreve o cónego e autor do livro Tesouro Barroco da Foz do Douro (2010, edição da Paróquia de S. João Baptista da Foz do Douro) que a igreja barroca "deveria ser mais visitada no circuito turístico do Porto e obrigatoriamente referida [...]. Passam por ali muitos turistas, nacionais e estrangeiros, que desconhecem esse notável e deslumbrante tempo barroco" (p. 58).

O livro fala do Porto, da zona da foz do rio Douro, onde está implantada a igreja barroca, de Raul Brandão e os seus textos sobre aquela zona, da presença beneditina e da ordem de S. Bento, da igreja de S. João Baptista, da sua talha esplendorosa, dos diferentes padroeiros, das capelas da paróquia e da acção social e da dinamização paroquial. O livro, além do texto muito bem trabalhado e documentado, tem fotografias de Pereira de Sousa, no que constitui um belo livro-álbum.

Fico-me com uma parcela da introdução de Rui Osório: "A preservação e a promoção do património artístico, do asseio ao restauro, a par da cuidada animação litúrgica até à singeleza dos arranjos florais, passando pela valorização dos sinais e dos símbolos, na sua estética e na sua espiritualidade, são uma excelente pedagogia pastoral" (p. 7).

Rui Osório foi jornalista do Jornal de Notícias, Porto, entre 1977 e 2005. Foi ainda seu editor, chefe de redacção e secretário-geral. Segundo notícia do jornal onde trabalhou, a 26 de Outubro de 2005: "Assinou pequenas e grandes reportagens, imensos textos de opinião, simples notícias. Esteve, por exemplo, em Cavez, Cabeceiras de Basto, naquela noite trágica de 28 de Dezembro de 1981, quando um deslizamento de terras levou à sua frente um café e 30 vidas; esteve no Vaticano, em Outubro de 1978 e em Abril deste ano, a cobrir os conclaves que elegeram João Paulo II e Bento XVI". O agora cónego da Foz do Douro tirou licenciatura de jornalismo na Universidade de Navarra e, em 1969, liderou o grupo fundador de a Voz Portucalense, de que foi chefe de Redacção. Rui Osório foi ordenado padre em 1966. A opção que então tomou pelo jornalismo profissional, uma novidade à época, fez-se em consonância com o bispo da diocese do Porto, D. António Ferreira Gomes.

[um obrigado a Joaquim Armindo Almeida por me ter dado a conhecer o livro e um agradecimento a Rui Osório pela dedicatória. O vídeo aqui presente foi feito por mim durante a festa da Senhora da Luz, a 10 de Setembro de 2006, na igreja de S. João Baptista]


quarta-feira, 9 de junho de 2010

IDALINA CONDE SOBRE CARISMA, PODER E ARTE

BLOGUE DE JOSÉ FARO

Aconselho a seguir o blogue História, Cultura, Comunicação, de José Salvador Faro, professor da UMESP e da PUC-SP (Brasil). Do último texto publicado retiro as primeiras linhas: "Acho que temos em São Paulo duas ou três boas livrarias. Temos bons sebos, mas livrarias mesmo, dessas que são referência para consulta dos melhores lançamentos na área da Literatura, das Ciências Humanas e das Ciências Sociais, só duas ou três". Vale a pena ler até ao fim.

NOVO LIVRO DE ANTÓNIO PINTO RIBEIRO

É Março e é Natal em Ouagadougou, a ser lançado no dia 16 de Junho, na Livraria Pó dos Livros.

EXPOSIÇÃO DE HÉLIO CUNHA

Inaugura dia 14 de Junho, pelas 17:00, no Jardim Interior do Hospital da Luz.

XXV CONGRESO INTERNACIONAL DE COMUNICACIÓN EN PAMPLONA

Modelos de negocio para una economía digital: el valor de los contenidos, 25 y 26 de noviembre de 2010, Facultad de Comunicación, Universidad de Navarra, Pamplona (España).

La industria de la información y del entretenimiento audiovisual vive un momento decisivo, debido a los retos planteados por la producción y distribución digital de los contenidos. Las antiguas fórmulas comerciales, basadas en su mayoría en la oferta de bienes físicos, han quedado obsoletas y tanto los medios de comunicación como los productores y distribuidores de contenidos se ven en la necesidad de renovar sus modelos de negocio. La facilidad con la que se pueden obtener copias sin pérdida de calidad y la distribución global que permite Internet, gracias a redes como las P2P (peer to peer), han favorecido la réplica masiva, y al margen de la ley, de los contenidos, sin que los propietarios del copyright puedan percibir su legítima contraprestación económica. Ante esta realidad, dos son las principales opciones: aferrarse a las fórmulas más o menos tradicionales, recurriendo para ello a restricciones digitales en los contenidos como el DRM (Digital Rights Management) o el bloqueo geográfico (geoblocking), y a la protección por ley de estas prácticas; o reinventar el negocio de los contenidos digitales con calidad, innovación y creatividad, para adaptarse a las necesidades de un nuevo contexto y de un usuario que reclama mayor interactividad y protagonismo. También, desde el punto de visto económico, las opciones se alinean en torno a dicotomías difícilmente sostenibles en solitario como el pago y la gratuidad, o la confianza en el usuario final o en la publicidad. Las industrias musical, cinematográfica, televisiva, editorial, periodística y del videojuego se encuentran en una encrucijada repleta de riesgos pero también de oportunidades, con una disponibilidad cada vez mayor de plataformas a través de las que distribuir sus contenidos. El XXV Congreso Internacional de Comunicación de la Universidad de Navarra pretende reflexionar sobre cómo renovar los modelos de negocio para hacer rentable la producción de contenidos de ficción, información y entretenimiento en una economía global y digital. Envío de propuestas de comunicaciones: El plazo para el envío de propuestas acaba el 30 de septiembre (abstracts de 300 palabras en español o en inglés). El 5 de octubre se conocerá la admisión de los resúmenes seleccionados. Entrega del texto completo (entre 3.000 y 4.500 palabras): El 25 de octubre acaba el plazo para enviar los textos definitivos, cuya admisión final se conocerá el 2 de noviembre. El documento debe remitirse por correo electrónico a la dirección del congreso: cicom@unav.es. Para más información sobre el envío de comunicaciones, la inscripción y el manual de estilo, consúltese la web del congreso.

Propuesta de temas: - La producción audiovisual en un entorno multiplataforma, - La distribución digital de películas, música, series, programas, - Llibros, prensa y videojuegos, - Fórmulas para financiar los contenidos: ¿publicidad o pago?, - Contenidos televisivos: formatos multimedia de ficción, entretenimiento e información, - De medios impresos a portales multimedia: periódicos y revistas, - La radio y las nuevas fórmulas radiofónicas para Internet, - Producir contenidos para Internet y el móvil: oportunidades de negocio, - Redes sociales y blogs en la revalorización del contenido y de las marcas, - Copyright, contenido digital y modelos de negocio, - Tendencias en el consumo de contenidos digitales, - Convergencia de medios.

PROVEDOR DO OUVINTE DA RDP

Ontem, Mário Figueiredo foi eleito Provedor do Ouvinte da RDP, substituindo Adelino Gomes que acabou o mandato. Mário Figueiredo tem feito carreira na RDP. Foi locutor de programas e chefe do departamento de Produção e Realização Publicitária, e na RTP. Tem apresentado o programa "Pontos nos i(s)" e é professor.

terça-feira, 8 de junho de 2010

IMAGENS DE CABEÇALHOS DO BLOGUE

FRONTEIRA EM MCLUHAN (II)

McLuhan segue Harold Innis e Eric Havelock, que desenvolveram a consciência da tradição oral no mundo antigo. Os antropólogos modernos, lidando com sociedades não alfabetizadas, tornaram os nossos contemporâneos conscientes da força integradora e unificadora da cultura oral. O profundo interesse de Harold Innis pela interacção nas fronteiras das formas escritas e orais da experiência inspiraria Eric Havelock (nascido em Londres mas tendo vivido grande parte da sua vida no Canadá), com estudos sobre a tradição oral na Grécia antiga. Eric Havelock trabalha o conceito de fronteira social entre as tradições escrita e oral e os seus efeitos sobre a modelagem da percepção e comportamento humano no mundo antigo. Os poetas tornaram-se as enciclopédias tribais do tempo da cultura e a enciclopédia tribal contém não apenas pensamentos ou observações mas também técnicas relativas ao modo de conduzir a sociedade, ao modo de governá-la e controlá-la. Reforçando: a tese de Havelock é a de que os poetas foram os primeiros educadores da Grécia, constituindo a instituição educacional daqueles tempos e causando ressentimentos noutros educadores, os da palavra escrita, como Platão. O tema do livro de Havelock é que uma sociedade oral acondiciona e regista na sua enciclopédia oral as técnicas para operar uma sociedade.

McLuhan entende que o artista é um homem de fronteira, dadas a ruptura que faz com o mundo do seu tempo e aponta para outras perspectivas inovadoras. Estar na fronteira, estar entre mundos, viver a condição humana em mundos divididos e distintos geográfica e historicamente, é ter uma visão mais aguda dos acontecimentos actuais do que aqueles que estão envolvidos nesses mundos.

SCHUMANN NASCEU EM 1810

Robert Schumann nasceu a 8 de Junho de 1810, há duzentos anos, em Zwickau (Alemanha) [morreu em 1856]. Foi um compositor para quem o piano teve grande relevo. Viveu parte da sua vida em Leipzig. Escrevi aqui, a  3 de Setembro de 2007, sobre a cidade:

Leipzig é conhecida pela música. Johann Sebastian Bach (1685-1750) trabalhou e compôs aqui. O museu, em sua memória, dá conta dos principais passos dessa vida tão criativa [...]. Mas a cidade é ainda viveiro de outros músicos conceituados no panorama da música clássica, como Felix Mendelssohn-Bartholdy (1809-1847) e Robert Schumann (1810-1856).

segunda-feira, 7 de junho de 2010

VIDEOJOGOS

16 e 17 de Setembro 2010, no Instituto Superior Técnico, Taguspark Portugal (http://gaips.inesc-id.pt/videojogos2010). Datas importantes: 1) submissão Full Papers: 15 de Junho, 2010, 2) submissão Work in Progress and Demos: 30 de Junho, 2010, 3) notificação de aceitação: 31 de Julho, 2010.

FRONTEIRA EM MCLUHAN (I)

Uma fronteira é uma separação física, cultural, política, ideológica, pondo lado a lado grupos sociais que se respeitam ou que têm elementos em litígio. A fronteira de um país significa quase sempre uma cultura diferente, com língua e costumes particulares. Mas, numa cidade, um bairro pode representar características comuns face aos bairros limítrofes.

Marshall McLuhan, na esteira de Harold Innis, estudou as relações e as comparações das fronteiras entre os Estados Unidos e o Canadá e também as fronteiras que se iam desfazendo à medida que a colonização ocidental caminhava em direcção ao ocidente do país, no Pacífico. Com toda a carga afectiva, cultural, de supremacia da nova cultura – ao mesmo tempo que as tecnologias iam marcando essa nova superioridade. Para McLuhan, o Canadá foi, ao longo do século XIX, uma fronteira típica – física e de informação. Acrescento eu: e de poder. A fronteira tem o valor de interface e em processo complexo de mudança, alargando os poderes de percepção e crescimento humanos.

As fronteiras, dizia o professor canadiano, têm muitos padrões que podem ser difíceis de perceber. A fronteira americana tornou-se visível como factor social e geográfico com o advento do telégrafo, que eliminou a geografia. O aparecimento do telégrafo interiorizou o ambiente antigo. No Canadá, a linha do caminho de ferro criou uma espécie de unidade no espaço, como nova fronteira no espaço e no tempo. Após a eliminação do padrão geográfico dado pelo caminho de ferro, este foi substituído pelo impacto da informação eléctrica (telégrafo). O que quer dizer que o marcador da fronteira foi dado pela expansão do comboio em direcção ao Pacífico, acompanhado pelo telégrafo.

Leitura: Stephanie McLuhan e David Staines (org.) (2005). McLuhan por McLuhan. Rio de Janeiro: Ediouro